Junho 06 2012

Um jogo de basquetebol, duas equipas rivais, um título de campeão nacional em disputa. Venceu o Benfica. Perdeu o FC Porto. No final, cenas pouco edificantes. A partir delas, declarações extremadas. Primeiro, Luís Filipe Vieira, que produziu porventura o discurso mais violento que alguma vez lhe ouvimos, visando o presidente do FC Porto, Pinto da Costa. Depois, um texto de resposta publicado no site oficial dos portistas.

 

Não se trata apenas de rivalidade. Esta era a prova que faltava para a conclusão de que, não obstante a postura menos bélica de “segundas figuras” de FC Porto e Benfica, designadamente na área do futebol, não é possível criar um clima de coexistência pacífica entre portistas e benfiquistas, enquanto Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira forem os presidentes. Pinto da Costa vai ficar na história do desporto/futebol português como a personalidade que transformou o FC Porto num clube competitivo e ganhador, ao ponto de colocar Benfica e Sporting em plano secundário. E isso também tem muito a ver, não apenas com os métodos utilizados por Pinto da Costa e seus sequazes, mas também com a inabilidade revelada pelos presidentes dos clubes de Lisboa, incluindo Vieira.

 

O presidente do Benfica vem agora reafirmar a ilegitimidade dessas vitórias. Quero dizer que não sou portofóbico. Gosto da cidade do Porto e, até certo ponto, compreendo os motivos da defesa da regionalização. Pelo que vi (com os meus olhos), ao longo das décadas de 80 e 90, o FC Porto foi mais forte em muitos jogos, mas em muitos jogos foi escandalosamente beneficiado pelas arbitragens. Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, deveria explicar, a propósito, o que quis dizer quando afirmou – na tentativa de proteger os árbitros da atualidade – que esta não é a ‘geração dos quinhentinhos’. Na verdade, o que se infere dos testemunhos de alguns protagonistas do futebol português é que houve uma geração de árbitros que alinhou em práticas ilegítimas, umas provadas e punidas, outras não...

 

Durante muitos anos, Pinto da Costa e os seus prosélitos trabalharam afincadamente para instalar um clima de medo e coação no futebol português. À conta dessa coação, se vivêssemos num país menos tolerante em relação à impunidade, os adeptos do FC Porto não teriam construído a imagem do presidente-herói, porque o clube, nesse enquadramento e com a paliação dos regulamentos vigentes, já teria sido despromovido... Houve um tempo, na história do futebol em Portugal, que a maioria alinhou na consagração do “império do medo”: políticos (inclusive Presidentes da República), jornalistas, homens e mulheres da cultura e das artes, dirigentes de clubes adversários, treinadores, jogadores, seguranças, árbitros...

 

Foram muito maltratados (inclusive agredidos) todos aqueles que não se colocaram numa posição de veneração e subserviência perante o “grande líder”. Em Lisboa, desde os tempos de Fernando Martins (Benfica) e João Rocha (Sporting), convictos do sucesso do “novo regime”, houve a certa altura o impulso de copiar a fórmula. Más cópias, um descalabro total na tentativa de se promover a imitação.

 

Pinto da Costa diz e manda dizer, é obcecado pelo poder (atente-se no que disse Scolari sobre a relação dele com a Seleção Nacional e com Vítor Baía...) e faz tudo o que considera vital ter de fazer para alcançar os seus objetivos. Por isso, não é justo, nas suas discriminações gerais e pontuais, tem um índice muito baixo de desportivismo e um índice muito elevado de despotismo, não sabe ganhar e muitos menos perder.

 

O que aconteceu em redor do recente FC Porto-Benfica em basquetebol é apenas mais um lamentável episódio que revela uma forma enviesada de estar no Desporto. Um clube que emergiu na Democracia tem demasiados tiques ditatoriais.Nota – Escusam de tentar ligar-me a um certo ‘benficofilismo’. Simplesmente a minha consciência não é catequizável.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:43

Maio 10 2012

Aperta-se o cerco em torno de Jorge Jesus (JJ) e o silêncio dos actuais responsáveis em relação ao tema que povoa a comunicação social e as redes sociais diz (quase) tudo sobre o que se está a passar no Benfica: o treinador dos ‘encarnados’ está na corda bamba e o mais certo é que JJ acabe por ser despedido, não cumprindo o último ano de contrato que havia celebrado com o clube da Luz.

 

Se não fosse assim, há muito que os ‘altos comandos’ do Benfica já teriam encetado uma ‘task force’ no sentido da protecção do seu treinador. Aliás, se estivesse convicto de que o futuro do futebol do Benfica, a curto prazo, também passa por JJ, já o presidente dos ‘encarnados’ teria feito uma ‘comunicação ao país’, pelos canais que tem (sempre) à disposição. Ainda está a tempo de colocar um ponto final em toda a especulação em redor de nomes como André Villas-Boas, Rui Faria e Paulo Bento, mas, a bem dizer, esse ‘murro na mesa’ já deveria ter sido dado.

 

A entrevista publicada em ‘A Bola’, com Jorge Jesus a desmentir qualquer contacto estabelecido com o FC Porto, pode ser uma tentativa de o Benfica arrancar a confissão pública do seu treinador de que ‘não há nada com o Porto’, mas significa pouco mais senão isso. A menos que, sem pedidos de desculpa, surja o letreiro a dizer ‘a emissão segue dentro de momentos’... com Luís Filipe Vieira a acabar com todas as especulações, mas de forma um pouco mais convincente em comparação com o comunicado de 19 de Abril, no qual o Benfica se insurgia contra notícias que levantavam a possibilidade de JJ deixar o comando técnico da equipa no final da época.

 

O Benfica está a um pequeníssimo passo de garantir a presença directa na Champions da próxima época (através do 2.º lugar) e, neste momento, o foco não deveria estar no treinador, mas na estratégia que levou o Benfica a convencer-se de que tinha, finalmente, ‘quebrado os rins’ ao ‘sistema’. Como tem acontecido nas últimas épocas, e sem grande esforço, estando apenas atento à ‘agenda mediática’, quem está nos antípodas dos interesses do Benfica rebola-se com a inconsistência benfiquista, em palpos de aranha para gerir, interna e externamente, a situação.

 

Os comunicados, aliás, valem o que valem, como se pode inferir do episódio recente a envolver Manuel Sérgio, ex-responsável pelo Departamento de Inteligência, salvo seja, que-disse-não-ter-dito, apoiado em comunicado oficial, e ficar esvaziado depois de ter sido sonoramente contraditado. Este aliás foi um dos grandes problemas do Benfica ao longo de toda a época – a comunicação e a sua natureza.

 

Entre as botas cardadas, o ruído alucinante e o silêncio dos desertos, a postura itinerante e a perda de rumo. O Benfica não sabe se há-de gritar ou estar calado. Já tentou as duas coisas e talvez não se tenha dado conta que há uma alternativa: comunicar.

 

Jorge Jesus cometeu alguns erros, é certo, mas não se faça dele o conveniente bode expiatório. Foi a estratégia institucional que falhou. Rotundamente. E atenção às movimentações das claques, no sábado.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:00

Novembro 03 2011

Hoje, com a apresentação das listas que vão concorrer ao ato eleitoral da FPF agendado para 10 de dezembro, inicia-se um novo ciclo no futebol português. A boa notícia é que a Seleção Nacional será entregue a um “homem do futebol” (Humberto Coelho ou Toni em vez de Amândio de Carvalho); a má notícia é que, em substância, no que diz respeito às lógicas a envolver os sectores da disciplina e da arbitragem, nada se alterará -- e daí a explicação para algumas movimentações das últimas semanas.

OBenfica quer manter Vítor Pereira na cadeira das nomeações e trocou o apoio, inequívoco e sem contrapartidas, a Fernando Seara pela manutenção do “status quo”, que tanto criticou há duas épocas. Foram essas críticas, aliás, que levaram Vítor Pereira a alterar o seu comportamento em relação às nomeações para os jogos do Benfica. Ia “entrar em campanha”. Não lhe interessava ter um clube com a representatividade do Benfica a criticá-lo publicamente. E, por isso, acabou com as análises de cinco em cinco jornadas. Sintomático.

Fica bem claro que aos nomeadores não são concedidas condições que os levem a fazer um exercício de autonomia plena e independência. Nem os nomeadores parecem muito preocupados com a ausência dessas condições. São pressionados e coagidos; infletem as estratégias com total despudor – e siga a banda...

Significa isto duas coisas: que, na verdade -– deixemo-nos de hipocrisias –, é muito importante ter no Conselho de Arbitragem um responsável sensível às sugestões e às “reações”; perante essa “inevitabilidade”, a alegada capacidade para realizar, inovar e reformar, que estaria ao alcance de Seara, conta “zero”...

OSporting não estava satisfeito com Vítor Pereira e com as arbitragens na Liga, mas depois de ensaiar esta época um combate semelhante ao dos encarnados na temporada anterior, com a eficácia que ora salta à vista – onde está o desejo de afirmação da autonomia propalada por Vítor Pereira? –, percebeu que poderia ir a reboque do Benfica, com mais ou menos ruído...

Godinho Lopes apoia Fernando Gomes e, cumulativamente, Vítor Pereira. Luís Duque, que não alinhou no charivari contra os árbitros, apareceu a apoiar a candidatura de Carlos Marta e, consequentemente, o eixo (Paulo) Costa-(Luís) Guilherme para a Arbitragem. Olhares diferentes sobre o mesmo fenómeno.

Asubjetividade das leis do jogo e a insustentável soberania dos “homens do apito” (deveria ser promovida, como acontece no râguebi, a correção dos erros óbvios ou grosseiros no momento em que eles acontecem) fazem com que, em cada época, as arbitragens sejam responsáveis pela conquista ou perda de “3 a 9 pontos”, cuja contabilidade não deveria ser desprezada, por afetar a verdade desportiva.

Não vejo, porém, ninguém a discutir esta discricionariedade. Talvez por ser mais fácil transformar essa contabilidade em benefício. E assim não vamos a lado nenhum...

NOTA – O futebol precisa de ética: é tempo de Fernando Gomes deixar a presidência da Liga para se dedicar à campanha “pela FPF”. Para se achar em pé de igualdade...

Autor: Rui Santos

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:51

Outubro 28 2011

Quando Jorge Jesus reagiu – da pior forma... – à entrada intempestiva de Shaqiri sobre Bruno César, no “tempo extra” do jogo entre o Basileia e o Benfica, valendo-lhe a expulsão, já a equipa portuguesa tinha garantido o essencial: a vitória na partida e o primeiro lugar (que até pode ser definitivo) no Grupo C da Liga dos Campeões. As câmaras televisivas captavam os passos daquele que vinha sendo, para mim, “o melhor em campo”: Jorge Jesus.

Mas... com 0-2 no marcador e a escassos 3 minutos do fim das compensações, justificava-se aquela reação do técnico do Benfica? Havia duas atenuantes: a expulsão de Emerson, que ocorrera 5 minutos antes, e as dificuldades físicas reveladas em campo por alguns jogadores do Benfica: Maxi Pereira já saíra com uma lesão muscular, Gaitán achava-se ao pé coxinho e o próprio Bruno César parecia “tocado”...

Faltava muito pouco tempo para o fim do jogo, a vantagem era confortável, mas a equipa parecia dar sinais de “pré-colapso”. Jorge Jesus, que vive intensamente cada instante de cada encontro, coloca-se (ele próprio) debaixo de uma pressão às vezes insustentável, para além de colocar a equipa debaixo desse tipo de pressão...

São duas faces da mesma moeda: por mais “sessões de esclarecimento” que se possam fazer; por mais “filósofos” que se queiram colocar no caminho da “rudeza” do treinador do Benfica, Jorge Jesus não consegue renegar a sua natureza. Essa circunstância envolve aspetos negativos, resultantes da falta de controlo emocional (“então tchau”, Luiz Alberto, etc.), mas concorre, em absoluto, para um aspeto muito positivo e que importa valorizar: Jorge Jesus não se deixa dominar; Jorge Jesus domina as equipas de futebol que comanda como poucos treinadores conseguem fazer. Não é, Vítor Pereira? E esse aspeto é tão mais valorizável quanto se percebe que isso é possível de alcançar num clube com a abrangência, a dimensão, a história e a heterogeneidade do Benfica.

Jorge Jesus não nasceu nem para falar francês nem para tocar piano. Mas não deixa de comunicar. Utiliza as mãos, os adjuntos, os “assessores”, as novas e as velhas tecnologias. O ipad e os computadores ou o clássico tabuleiro das peças “imanizadas”. Não há Vossas Excelências na equipa do Benfica. Há um todo proletarizado. Se alguém não cumpre as suas regras de “sujar os calções”, na pressão alta ou na “média-baixa”; se algum “operário” tem um assomo de novo-riquismo no campo e sai da sua posição, colocando em causa o trabalho coletivo, Jorge Jesus reage. Vossas Excelências, uma ova! E a verdade, para quem vê o Benfica jogar na maior parte das vezes, e agora também na Liga dos Campeões, é que Jorge Jesus dá uma sensação de domínio da equipa como quem joga PlayStation. Ele tem os comandos na mão, ele domina os jogadores e a equipa e rebela-se quando os “comandos” (comandados) não respondem... No exército de JJ, não há generais nem soldados. São todos oficiais do mesmo ofício.

NOTA – Muito bem a discrição que António Carraça tem colocado no seu desempenho como um dos “braços” de Jorge Jesus. Que continue assim: ativo mas discreto.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:07

Outubro 06 2011

O aparecimento de um novo canal de desporto para fazer concorrência à Sport TV é uma boa notícia. Primeiro, e antes de qualquer outra razão, porque – independentemente da sua natureza – os monopólios são perversos.

O Benfica desencadeou uma luta pelo retorno do seu valor comercial. Com indiscutível habilidade, sempre ao lado de Pinto da Costa, Joaquim Oliveira construiu um império. Com a sagacidade de se mover em todo o tipo de terrenos, a norte e a sul, teve um papel crucial na afirmação do FC Porto no panorama futebolístico nacional, ao mesmo tempo que concorria para o enfraquecimento de Benfica e Sporting. Joaquim Oliveira foi e continua a ser um dos maiores “bastiões” do “sistema”: ao lado do FC Porto; ao lado do Benfica e Sporting; ao lado do Boavista; ao lado da FPF; ao lado da Liga e... “last but not least...”, como cereja no topo do bolo, ao lado do poder político. Chegou o momento de deixar de “jogar”... sozinho.

Os dirigentes dos clubes lisboetas, ou porque estavam amarrados de pés e mãos (no caso do Benfica, durante muitos anos, as consequências resultantes da “guerra” movida por Vale e Azevedo falaram mais alto) ou porque a lógica dos financiamentos antecipados foram a almofada em que muitos clubes se quiseram deitar, nunca trataram de apurar os efeitos nocivos desse monopólio. Ao invés, alimentaram-no.

A sagacidade de Joaquim Oliveira criou a raiz: por cada financiamento antecipado, prorrogava a vigência dos contratos – e assim se chegou ao atual momento em que a solução achada por outros países, no sentido da centralização pela(s) Liga(s) das receitas resultantes dos direitos de transmissão televisiva, não parece mais do que uma miragem.

A Sport TV vende as imagens a quem quer, quando quer, nos horários que mais lhe convêm, faz a administração da relação custo/audiências relativamente aos interesses dos seus parceiros, e ninguém lhe sai ao caminho, porque a luta é difícil e também porque ninguém está para fazer ao negócio do dia-a-dia aquilo que Raul Solnado pedia em relação à guerra, que era qualquer coisa como “parem lá com isso um bocadinho para irmos almoçar”. E, neste impasse, e também com a sagacidade extra de ter marcado terreno na comunicação social (onde se dirimem lógicas de emprego e de alinhamentos vários), foi possível ver florescer um negócio que aparece agora seriamente ameaçado com o posicionamento “premium” de Miguel Pais do Amaral neste sector.

Infelizmente, a regulação, nesta conjuntura, só pode ser realizada através da concorrência. Os monopólios geram poderes diretos e indiretos e o que se paga é excessivo face à qualidade da oferta. A Sport TV não deveria ser o 17.º clube dos treinadores – o 1.º entre os técnicos desempregados – e deveria mostrar-nos as imagens que não nos mostra, porque sabe que o poder da imagem é fortíssimo e na sua (não) divulgação também é um grande negócio. E, também nesse aspeto, convém ter mais atenção ao pormenor e aos ângulos das repetições...

NOTA – Chegou a altura de Pinto da Costa confirmar que André Villas-Boas era, de facto, o “adjunto” de Vítor Pereira.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:57

Setembro 01 2011

Jorge Jesus abandonou o “corredor da morte”. Depois de uma época desgarrada, marcada pela ausência de resposta de um conjunto de jogadores que tinham a “aprovação” do próprio treinador do Benfica, entretanto dispensados e substituídos por outros de maior capacidade, os encarnados parecem estar de regresso a um padrão de exigência futebolística que, pela sua excelência, deve ser sublinhado.

Jorge Jesus pode respirar de alívio. Porque levou o Benfica a alcançar o primeiro objetivo da temporada e porque, consciente do que quer, volta a colocar a equipa a jogar um tipo de futebol que a ninguém pode deixar indiferente. Um futebol de ataque total, às vezes desenfreado, no qual participam quase todos os jogadores – e esse é um dos segredos do Benfica desde que JJ chegou à Luz. Nem sempre foi assim, nestes últimos três anos, mas foi quase sempre assim. O Benfica tem identidade, à imagem do seu treinador.

Com os retoques realizados no plantel, JJ pode jogar, conceptualmente, como quer: com a defesa subida, com os sectores próximos uns dos outros e os jogadores perfeitamente sabedores dos terrenos que devem pisar. A equipa joga em pressão alta, isto é, mostra a sua obsessão de recuperar a posse de bola, num processo que obriga os jogadores a demonstrarem enorme disponibilidade física.

Extraordinária a forma como o Benfica colocou ontem em campo o seu conceito futebolístico: sobre as faixas, com Gaitán e Nolito, a fecharem espaços e a participarem nas manobras defensivas; no meio, com os três “guardiões do templo” (Javi García, Witsel e Aimar) a fazerem um notável trabalho de compensação, preenchendo os espaços que é necessário, dinamicamente, preencher.

Ao onze de ontem “faltou” Saviola, e o “problema” do Benfica é exatamente esse: não poder atuar... com 12. Pela dimensão física e técnica que confere ao futebol da equipa, Witsel tem de jogar. É um jogador de “todo-o-terreno”, muito inteligente (joga simples) e resistente. Essa resistência permite-lhe ser um apoio fundamental do médio mais defensivo (Javi García) e do médio mais ofensivo (Aimar).

Jorge Jesus, em condições normais, vai ter sempre um “jogador a mais”, uma espécie de “joker”, que estará entre o banco e a titularidade. Esse jogador pode ser Saviola (como foi ontem), mas pode ser, em teoria, Witsel, Aimar, Gaitán, Nolito ou Cardozo, sendo que a equipa fica muito mais completa se atuar com o internacional belga e o 10 argentino e sempre com Javi García, porque o espanhol, pela sua estatura física, é um jogador crucial no espaço aéreo (defensiva e ofensivamente).

Adúvida que se pode suscitar é se, obcecado por um futebol sem praticamente nenhum tipo de contenção, Jorge Jesus não corre o risco de se esgotar, esgotando primeiro a equipa. Em Inglaterra, há um padrão muito próximo deste que JJ defende: “gás” aberto, jogo a jogo, sem poupanças nem calculismos. Um monumento de competitividade. Em Portugal, com tantos cuidados e amplas “doses de bastidor”, esta extraordinária paixão pode ser compensadora? Sim, se essa fosse a mentalidade dominante... Assim, talvez... E sim, de novo, a esta qualidade de jogador estrangeiro, “tipo Witsel”...

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:16

Maio 18 2011

uís Filipe Vieira (LFV) anunciou publicamente ter pedido a Jorge Jesus que apresentasse um relatório sobre as necessidades que o treinador considera fundamentais para regressar ao êxito na próxima época. O presidente do Benfica quer um documento escrito e disse-o para todos ouvirem. Um relatório pode ser, até, uma ferramenta importante de trabalho, mas não era preciso tornar o pedido público. Principalmente quando está em equação uma relação de tão grande proximidade. Começou o esvaziamento estratégico de Jesus. Preto no branco: LFV deixou de depositar total confiança naquele que foi, em dois anos, o seu treinador de eleição. Pode aceitar-se, até, a perda do campeonato, pode aceitar-se o segundo lugar, mas permitir que o FC Porto virasse o 0-2 na Taça de Portugal, em pleno Estádio da Luz, é algo que, convenhamos, custa muito a engolir. E, por isso, o “voto de confiança” parece meramente circunstancial. Não vem aí nada de bom para a estabilidade do Benfica.

São todos responsáveis, e parece haver noção disso. Luís Filipe Vieira, a SAD do Benfica, Rui Costa, Jorge Jesus e os mais próximos colaboradores de toda a estrutura foram ultrapassados pelos acontecimentos. A dúvida adensou-se até ao momento em que se percebeu que a força do FC Porto se fazia sentir, essencialmente, dentro do campo. E, também, no confronto direto.

Se, pelas próprias palavras de LFV:

1 – “Criámos demasiadas expectativas”;

2 – “As celebrações do título distraíram-nos”;

3 – “Não nos preparámos convenientemente para a Supertaça”;

4 – “Plantel foi insuficiente”;

5 – “Vamos ser muito mais rigorosos nas aquisições”;

6 – “Devíamos ter feito o trabalho de casa de outra maneira”;

7 – “Dizer antecipadamente que vamos ser campeões não pode continuar”...

... apetece, então, perguntar: é aceitável que um clube com a dimensão do Benfica e o nível de investimento realizado pela SAD cair numa situação típica de uma agremiação amadora? O presidente fez o diagnóstico:

a) Mau discurso;

b) Distração;

c) Impreparação;

d) Insuficiência;

e) Pouco rigor.

Étudo isto que não se admitiria razoável, ao cabo de 10 anos de “vieirismo”. Tudo o que não pode acontecer para quem investe, em aquisições, nas duas últimas épocas, cerca de 70 M€ e não se encontra muito longe de um passivo consolidado de 400M€. O “plano de Vieira” sofreu grave revés. Não foi apenas a não renovação do título. Foi o reforço da confiança do FC Porto.

Jorge Jesus alavancou o valor de mercado de vários jogadores em muito pouco tempo, como nenhum outro treinador havia conseguido nos últimos largos anos. O “deslumbramento coletivo” conduziu, rapidamente, a uma situação de “distração competitiva” e, depois, ao descontrolo. Por essa razão, o “Relatório Jesus”, em boa verdade, nesta fase, deveria conter uma simples declaração: “Caro Luís, sensibilizado com o teu puxão de orelhas público, só tenho uma coisa para te dizer: viva o Benfica!”

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:08

Maio 04 2011

Caro Luís Felipe Vieira. Sou, como sabe, um defensor da verdade desportiva. Incomoda-me a falta de verdade desportiva no futebol. Os truques, as falcatruas, as pressões, o preto quando é branco, o branco quando é preto. Incomodam-me o teor das escutas e a indiferença perante elas. Todas. Registei o facto de se ter associado ao Movimento “pela Verdade Desportiva”, a favor da introdução das novas tecnologias na Arbitragem. A verdade desportiva não está apenas relacionada com as nomeações e a forma como os jogos são dirigidos, mas passa muito pela afirmação de mais e melhores meios de escrutínio das arbitragens. Não é relevante se o meu conceito de “verdade desportiva” é igual ao seu. Compreendo o seu dever de defender a instituição, como presidente do Sport Lisboa e Benfica. Há muitos anos que tento defender o “futebol português” com um contributo crítico, aclubístico, sem nenhum interesse específico, a não ser de ver a modalidade defendida contra todos aqueles que se aproveitam dela. Tive esperança de que, com a sua determinação e com a força da marca “Benfica”, pudesse exercer alguma influência (positiva) sobre a FPF, a Liga e as instâncias internacionais, no sentido de fazer compreender que, sem resolver tudo, as novas tecnologias são um passo fundamental para acabar com um conjunto de erros grosseiros na modalidade.

Paralelamente, mobilizar-se para atacar algumas questões que minam a credibilidade do futebol em Portugal, como a questão das transferências. É preciso regulá-las. Não pode ficar a ideia de que quanto mais (transferências), melhor. Não vejo ninguém preocupado com esta matéria. Porquê? Os adeptos queixam-se de compras (caras) sem sentido e referem exemplos fora de casa, mas também dentro dela. Ninguém consegue entender, como sabe, o preço de Roberto, muito acima do rendimento patenteado. A verdade desportiva resulta também da eficácia das regras do “fair play financeiro” e nele é muito importante que o negócio seja transparente. Confesso que o gostaria de ver mais ativo na defesa destas matérias, assim como nas questões associadas à violência e ao desportivismo.

Não vou, aqui e agora, discutir a natureza da estratégia que decidiu utilizar na relação com o FC Porto e com o maior fomentador de ódios que a história do futebol português conheceu. Dir-lhe-ei apenas que a verdade desportiva não pode ser seletiva. Apregoada quando nos interessa. Silenciada quando há um benefício correspondente à sua adulteração. Se queria que o Benfica fosse exemplo, não lhe era permitido capitular. Não se pode defender o indefensável nem perder a razão quando, porventura, se a tem.

Sabemos que precisa de eliminar o Sp. Braga para manter a chama acesa, não imensa. Sabemos que tem de ganhar a Liga Europa para recuperar a margem de manobra. Mas sabemos, também, que esta foi a época em que, mesmo não ganhando o que almejava ganhar desportivamente, perdeu a oportunidade de marcar muitos pontos no dirigismo nacional, como alguém capaz de romper com o estilo “caceteiro” que vigora no futebol português. Não está tudo perdido, mas a verdade é que, num momento capital, perdeu-se. E essa foi, talvez, no meio de vitórias, a maior de todas as (suas) derrotas.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:14

Março 18 2011

“O Benfica pensa que está acima da lei” – diz Pinto da Costa. O presidente do FC Porto puxa os seus galões de líder do campeonato, com 11 pontos de avanço sobre o rival, e faz reluzir a ideia de que o Benfica não tem razões de queixa da arbitragem de Carlos Xistra, deixando a sugestão aos árbitros para não marcarem presença nos jogos em que os encarnados joguem na condição de visitantes. Ironicamente ou talvez não, Pinto da Costa coloca-se ao lado das leis, do Sp. Braga, de Alan, de Carlos Xistra, do Roberto e dos árbitros em geral. Faz-se escutar. Quando “cheira a título” no Dragão.

Se o procurador-geral da República já disse, preto no branco, que admite poder ser escutado sem que haja fundamento legal para isso; se afinal Pinto Monteiro nos veio dizer que qualquer cidadão pode ser escutado sem autorização prévia de um juiz, em função de um indício criminal muito forte, as escutas só podem ser tratadas como piada. As pessoas riem-se?! E quem anda a rir-se de nós? Como nada disto é sério, fica a dúvida se a teatralização de Alan não corresponde apenas a mais uma – entre muitas – cenas de palco.

Os “atores” são bons. Para eles, o umbigo é um sinal que fica ligeiramente acima da traqueia, vizinha da Lei, a loura do quinto esquerdo. Os jovens estão à rasca, pagam para jantar, mas são corridos a pontapé. Metem bola em tudo, não é? Os jovens, está visto, é que andam a teatralizar, mas como é Carnaval, não faz mal, ninguém leva mal. E porque estamos na época do burlesco, se Jesus se antecipou ao rebuliço das matrafonas do Funchal, perdão, de Torres Vedras, é porque estava escrito nas estrelas. Pinto da Costa lembrou-se logo da Úrsula Menor, perdão, mil perdões, da Estrela Polar e, para muitos, nesta cena, derrotando os contestatários do guião, fez todo o sentido a entrada em cena do “arcanjo” Gabriel. Que não, diziam os guionistas do contra, favoráveis à entrada de Vieira. Porque a um presidente responde-se com um presidente. Porque, segundo eles, já chega esta sensação de que... quem se mete com o Pinto, leva.

Há os homens da luta, que ganharam o festival da canção, e há os homens com lata. Campeões da negação e da contradição e da negação da afirmação, numa roda gigante igual à da velhinha Feira Popular. O Mundo parece estar de pernas para o ar, mas o criado-mudo, multiplicado na Liga, não se importa de ficar de cabeça para baixo. Coisas de coreógrafo, que só não entende a colocação do Robertazo entre as velas do altar e os sofás do bordel.

Na República, há um presidente que toma posse e olha para as varizes de Portugal. Uma escandaleira! No Futebol, há dois presidentes, que deveriam morar pelo menos dois andares acima dos presidentes dos clubes, mas, com pose e sem posse, não dizem nada. “O País vive numa situação de emergência social’. A expressão parece corriqueira, mas, em nome da estabilidade (e da farsa), é preciso teorizar sobre o escândalo. Imaginam Madaíl dizer que “o Futebol (português) está em estado de sítio”? Pois não: o futebol, em Portugal, está bem e recomenda-se, porque, afinal, é preciso sorrir. Tudo isto não passa de teatro. Com muita lata e um pouco de... fruta, perdão, luta!

Autor: RUI SANTOS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 08:43

Dezembro 10 2010

A arbitragem de Elmano Santos no Dragão é um sinal preocupante do estado a que chegou o futebol português. O regime da podridão aí está, soberbo e desajeitado, sem pedir licença para se instalar. Um labéu contra o FC Porto? Acima de tudo, a verificação de que a bola indígena não quer regenerar-se e usa a arbitragem para expor os seus ditames, as suas forças e também as suas fraquezas.

Elmano Santos é apenas uma marioneta comandada pelos sinais que vão sendo emitidos pela(s) respetiva(s) “torre de controlo”. Um árbitro fraco, sem classe, desprotegido perante os vícios sistémicos de um futebol artesanal com tiques de “indústria”, que marca um penálti contra o V. Setúbal apenas vislumbrado pela confabulação dos seus temores e que, mais tarde, torturado pela sua má consciência, assinala uma outra grande penalidade, agora contra o FC Porto, cuja conversão anulou para mandar repetir, com o argumento de que ainda não tinha apitado.

Para tranquilizar, desde já, os espíritos mais perturbados, quero dizer, sem sofismas, que os mesmos lances, exatamente com as mesmas características, poderiam ter acontecido no Estádio da Luz, a outra “torre de controlo”, agora atingida pelo atómico e prometido despertar do Dragão.

Se o jogo fora das quatro linhas não existisse (ele ainda aí completamente desconjurado em quase todos os segmentos da sociedade), o presidente do FC Porto não teria afirmado, porventura sem dar conta da importância da sua afirmação, de que o êxito desportivo do Benfica só aconteceu porque, “mea culpa, mea culpa”, houve quem tivesse adormecido.

Quer dizer que Elmano Santos é materialmente corrupto? Não necessariamente. Quer dizer que os árbitros se deixam corromper materialmente para favorecer este ou aquele clube? Pode não ser isso de que se trata, mas de uma corrupção intelectual e de uma coação psicológica sem rosto, resultante daquilo a que chamo os vícios sistémicos da bola indígena. E como é que se combatem esses vícios? Com práticas discursivas e com comportamentos que conduzam à expulsão daqueles que não pugnam pela ética e não são capazes de um laivo de desportivismo. Onde estão essas pessoas? Talvez demasiado comprometidas, talvez com medo de aparecer, talvez com a sensação de que não vale a pena combater este “monstro” que está a matar o futebol.

O “monstro” que não quer saber da qualidade do jogo, da violência, do preço dos bilhetes, do monopólio dos direitos televisivos que a todos condiciona, das contas pouco transparentes, das transferências sem controlo, das SAD que foram um engodo, do despesismo, da desresponsabilização, do assalto à galinha que ainda põe um ovo.

Talvez não seja possível nem com Pinto da Costa nem com Luís F. Vieira, por diversas razões. Mas o problema está aí: é preciso tornar possível, sem cinismos, sem estratégias armadilhadas, o diálogo entre FC Porto e Benfica, diálogo institucional, à margem das rivalidades. Se não houver essa consciência e a certeza de que a arbitragem não pode continuar neste caminho (incompetência, juízos aleatórios e não monitorizados), então preparemo-nos para o funeral. Os estádios estão vazios porque já são poucos aqueles que acreditam no jogo. O futebol vai morrer, se o SOS não for captado.

Autor: RUI SANTOS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 02:38

Dezembro 03 2010

O repórter faz uma pergunta, na “flash-interview”, fora do âmbito do jogo e de acordo com a “atualidade clubística”, e o treinador diz que está ali para responder a questões sobre o jogo e, perante a insistência do repórter, abandona o local das “entrevistas rápidas”, largando um “então tchau!” que promete ficar gravado entre as hordas do anedotário futebolístico. O assunto é sério e atira-nos para o plano das relações, às vezes promíscuas, entre o futebol e a comunicação social.

Quero deixar bem claro que concordo com o princípio de que as “flash-interview” devem versar aquilo que acabou de acontecer. A análise sumária ao jogo. A questão não é, todavia, tão linear. O jogo não são apenas 90 minutos de pontapé no esférico. As bolas de golfe, as maçãs, as moedas e os isqueiros fazem parte do jogo? Não deviam fazer, mas, às vezes, fazem. É legítimo questionar um treinador sobre esses factos, até no plano da eventual “coação psicológica” que esses factos podem exercer no rendimento desportivo dos executantes? Quem é que “define” o que está sob o espírito dos regulamentos da Liga, designadamente no que concerne ao agora já famoso “artigo 26.º – Comunicação Social”, segundo o qual a “flash-interview” “(...)apenas deverá versar sobre as ocorrências do jogo que se acabou de disputar”?

A Liga vai criar a figura de “controlador de flash interview” para decidir o que cabe perguntar?... A Liga, assim, também tem de decidir sobre outras responsabilidades que (não) lhe cabem na relação com os jornalistas. É que nem o citado artigo 26 do Regulamento de Competições, com 24 pontos normativos, nem o Regulamento Disciplinar, preveem situações que têm a ver com a proteção dos jornalistas – e isso é importante, porque, a seguir às equipas de arbitragem, são os profissionais da comunicação social quem se acham mais expostos aos ritos das emoções.

É que, ao estipular as condições em que os repórteres e os OCS devem cumprir as suas tarefas nos estádios, dá a sensação de que os jornalistas são “agentes desportivos”. E não são. E não advoguem a tese de protocolos realizados com o CNID, porque os jornalistas não são obrigados a serem associados desse Clube (Nacional de Imprensa Desportiva) e só a título de exemplo o Sindicato dos Jornalistas já veio publicamente condenar o que se passou no final do Beira-Mar-Benfica, em matéria de alegada “intimidação a jornalista”.

Nunca fui nem sou corporativista, tenho do Sindicato uma visão de ineficácia total (já fui vítima dela), tenho noção da pessoalidade, dos meios e das conivências contidos nos “critérios editoriais”, mais elásticos do que a pastilha, não ignoro que a CS constrói uma determinada realidade e não espelha a realidade, creio até que a sua fragilidade perante os clubes é fomentado dentro das empresas pelos próprios jornalistas (por invejas, despeitos, etc.), mas isso não invalida que se combata a contaminação, no sentido de repudiar pressões e todo o tipo de condicionamentos à liberdade de expressão.

Agora dá jeito falar nas fronteiras da “flash interview”. Permitam-me então a pergunta: por que razão todos fecham os olhos quando, em ambiente de conferência de imprensa, a coação existe quando algum jornalista tem a ousadia de colocar uma pergunta mais “fraturante”? A censura é velha, está cheia de varizes, mas é das poucas coisas que se regenera no futebol.

Por mim, “então tchau!”, mas sem... “tchiu”!

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:29

Novembro 12 2010

O Benfica já não sabe se precisa de Jesus. Sem trocadilhos: o Sporting precisa de Jesus. O Benfica precisou de Jesus no ano I da sua anunciada revolução. O Benfica precisou de Jesus, conseguiu impedir que ele fosse integrar a estrutura do FC Porto, contando com ele para quebrar a hegemonia do rival. O Benfica andou com Jesus ao colo e Jesus andou com o Benfica no regaço. Colo paga-se com colo. O Benfica marcou golos, somou vitórias, encheu estádios e alimentou o sonho de Luís Filipe Vieira – estugar o passo do incansável Pinto da Costa, senhor de muitas vidas. O Benfica ganhou o título. O Benfica convenceu-se então da “imortalidade” de Jesus. Convenceu-se de que, depois do ano I, seria a imposição definitiva, porque duradoira, da “era d.J” (“depois de Jesus”).

A verdade é que, a 10 pontos do líder, e sobretudo depois de encaixar 5-0 no Dragão, a “nação benfiquista” dividiu-se. Há quem ache que “Jesus II” é o mesmo “Jesus I” e há quem entenda que “Jesus II” nunca mais se assemelhará a “Jesus I”. Há mesmo quem não perdoe a Jesus ter sorrido a Pinto da Costa e lhe ter apertado a mão, num momento em que a “guerra” havia sido declarada.

Jesus nada poderia fazer perante as saídas de Di María e Ramires. A convicção de os substituir sem qualquer dano para a equipa foi pública e notória. Jesus estava convencido de que, com as alterações produzidas, iria ter “mais Benfica” e não “menos Benfica”. A águia ia continuar a voar, quiçá até mais alto, em função das declarações que fez em torno do sonho de conquistar, até, a Liga dos Campeões.

Estava convencido... A expressão é essa mesmo. Jesus é um homem de convicções. Puro, generoso, afetivo, mas aparentemente arrogante e fanfarrão. Por isso, há muito que desenvolvi a ideia, ao primeiro sinal de fratura sísmica, que era preciso não perder Jesus. Não o perder como ele é. Respeitar a inestética e a pastilha elástica. Respeitar os modos rudes e a histeria técnico-tática. Criticar em surdina o lado “flinstoneano” de Jesus era concorrer para a sua desagregação. E, com ela, provocar ruturas importantes no relacionamento com os jogadores. A memória é cada vez mais curta, mas da mesma forma que defendi a ideia de que Jesus é um dos treinadores com mais conhecimento tático (chamei-lhe o “mestre da pressão alta”), fui avisando, quando me pareceu pertinente, que uma liderança de ferro, cultivada até ao tutano, superdemocrática, isto é, sem olhar a nomes e a estatutos, poderia ter os seus custos.

Também o futebol é um jogo de conjunturas. A conjuntura mudou. Dá a sensação de que Jesus também mudou. Nada de mais falso. É por isso que, no plano da forte diplomacia que caracteriza o tecido da bola indígena, se houver a convicção de que Jesus está esgotado na Luz (no ano II do seu magistério de influência), então, com todo o respeito por Paulo Sérgio, que se faça uma ponte (pacífica) para Alvalade, com a licença da fanfarronice de Rogério Alves. Se o Benfica não precisa de Jesus (por não ter sido... preciso no Dragão), o Sporting precisa. Já que o FC Porto dispensa-o, mesmo estando guardado no coração.

Autor: RUI SANTOS

publicado por Benfica 73 às 01:10

BENFICA 73
contador grátis
Fevereiro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28


comentários recentes
Do You Need A Loan To Consolidate Your Debt At 1.0...
Here is a good news for those interested. There is...
Viva o BenficaSaudações de UMA TETRA
O apoio financeiro a indivíduosOlá,Você está preso...
Get a Loan Today At 3% Interest Rate, contact us a...
Boa tarde,Gostaríamos de dar a conhecer o novo sit...
Boa tarde,Será possivel obter o contato do adminis...
A nível de centrais, apesar dos 2 jovens da equipa...
Caro Benfica73, Rebocho é lateral esquerdo de raiz...
Eu aceitava nos seguintes termos, um milhão à cabe...
Esta gentinha que se governa do futebol, fala de m...
E qual é o valor da cláusula? Parece que o PC está...
Incrível como o site notíciasaominuto não sabe que...
Não terão começado já a tentar desestabilizar o Be...
Apesar de tudo e contra tudo e contra todos (ontem...
O Benfica tem uma estrutura psicológica muito fort...
ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃOVISTO NA NETE DEVE SER LIDO ...
OS PRÓPRIOS SPORTINGUISTAS LÚCIDOSE NÃO CARNEIROS ...
ACHO QUE MERECE JÁ UM POST, EM TODOS OS BLOGUES BE...
Com tal tirada sobre a falta de 'carácter', o padr...