Fevereiro 26 2015
 

Faz algum sentido que um clube de futebol tenha direito a isenções de taxas camarárias quando constrói espaços desportivos? Pode fazer sentido, sim – se por exemplo o clube estiver a melhorar e a incentivar a prática de desporto numa região carente dessa oferta. Faz algum sentido que seja o Benfica a receber uma isenção de taxas urbanísticas, pela Câmara Municipal de Lisboa? Não, não faz sentido nenhum. Mas ia acontecendo.

O assunto percorreu as páginas de jornais nas últimas semanas e a “borla” de 1,8 milhões de euros em relação a obras junto ao Estádio da Luz pode ter toda a justificação jurídica, mas é uma ofensa num país que esbulha os seus contribuintes e, especificamente, numa câmara municipal que está a aumentar “taxas e taxinhas” para se financiar, provocando por exemplo aumentos significativos nas contas da água dos seus munícipes.

O Benfica vai acabar por pagar, porque a Assembleia Municipal vai votar contra a decisão do executivo camarário e tem poder suficiente para chumbar a decisão. Helena Roseta desta vez foi a cara da oposição a António Costa. Ainda bem. Não só pela imoralidade da isenção mas pela colagem que tantas vezes é feita entre câmaras municipais e os clubes da cidade, gerando promiscuidades tantas vezes desaconselháveis, ou mesmo perigosas.

Se o Benfica tem milhões de euros para pagar em salários de jogadores de futebol todos os meses, tem de ter 1,8 milhões de euros para pagar à câmara municipal por causa de umas obras. Se não, são os contribuintes que estão a financiar o salário de Jonas, de Jesus e de Gaitan. Faz sentido? Não faz, pois não?

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 10:25

Novembro 18 2011

Se questionamos os salários dos gestores e os salários dos políticos; se nos queixamos de salários que, em Portugal, são tão mais altos do que os tão mais baixos, por que razão toleramos salários astronómicos de jogadores de futebol? A pergunta foi colocada há dias por Frei Fernando Ventura. E bem colocada.

Numa excelente entrevista a António José Teixeira, na SIC Notícias, o padre franciscano capuchinho fez questão de elogiar Cristiano Ronaldo, que nesse mesmo dia havia recebido a sua segunda Bota de Ouro. Mas confrontava-nos com esta espécie de indignação seletiva que temos, que não acha estranho que haja jogadores a ganhar somas fabulosas e que inclusive o exibem, viajando em automóveis opulentos e cobrindo-se de marcas com preços para produtor de petróleo. Estamos a falar de clubes em Portugal.

Mas a melhor pergunta de Frei Fernando Ventura veio depois: como é que clubes que estão tecnicamente falidos e que se afundam em prejuízos, pagam salários tão altos?

Os salários são feitos em mercado, resultando do jogo da oferta e procura internacional. Mas há intermediários que interferem nesta formação de preços e presidentes de clubes que alinham em loucuras em seu benefício e que os aniquilam. E isso tem levado campeonatos inteiros à inviabilidade. Esse tipo de fenómenos já levou, inclusive, a colocar tetos às remunerações de atletas noutros países, como os próprios Estados Unidos, país insuspeito de gostar de intervencionismos.

Falemos de Portugal: muitos clubes onde jogam estrelas bem pagas estão falidos. Jogam em cidades onde há fome, pobreza e iniquidade. Os mesmos que atiram pedras aos gestores, atiram flores aos jogadores de futebol. Não faz sentido, pois não? A paixão cega mesmo.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:47

Novembro 10 2011

Os “três grandes” já tiveram todas as combinações possíveis de alianças a traições, numa espécie de rotação em cama quente que já colocou dois contra um, todos contra todos e até o sistema “versus” resto-do-mundo. Pois bem, nestas eleições da Federação Portuguesa de Futebol há outra luta de poder. Entre Porto e Lisboa. Que poder? O das arbitragens.

As eleições resultarão de uma votação quase impenetrável entre diversos micropoderes que desaguam na Federação. A disputa está entre Fernando Gomes e Carlos Marta, que apresentaram candidaturas com curiosidades paranormais: Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do Porto, é apoiado pelos “grandes” de Lisboa, Sporting e Benfica; Carlos Marta, que arregimentou o benfiquista Fernando Seara e o sportinguista Luís Duque, é apoiado pelo Porto…

A FPF recuperou poder depois da transferência de funções da Liga, que voltaram à casa da partida. Nomeadamente o poder na arbitragem. Porque esse poder existe mesmo com árbitros competentes e imparciais. Não se trata de ter árbitros com corações azuis, encarnados ou verdes debaixo das camisolas pretas, nem de bolsos com mais notas que as dos jogos. Trata-se da avaliação das arbitragens: elas condicionam a carreira de cada árbitro. Se quem avalia não é isento, os árbitros ficam sujeitos a pressões ilegítimas que afetam os seus desempenhos, potencialmente a favor dos clubes que dominam os organismos que os avaliam. É um conflito de interesses disfarçado. Ora, Lisboa acha que o Porto domina hoje o processo.

As espingardas contam-se a 10 de dezembro. Até lá, vão contar cabeças, estrelas, histórias e historietas. Mas mesmo que nenhum destes clubes queira dominar a arbitragem, quer pelo menos evitar que o outro possa dominá-lo. Quem ganha?

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:16

Outubro 14 2011

Na última semana, as ações da Benfica SAD tiveram um comportamento arrítmico em Bolsa. Primeiro, bateram o valor mais baixo de sempre, dias depois dispararam 35%, mais um dia e caíram 33%. Dir-se-ia que anda gente a enriquecer e a empobrecer com estas ações. Mas não. Só se forem investidores microscópicos donos de nanocarteiras de investimento.

Estas ações não têm liquidez. Quase não transacionam. Em cada um destes dias citados, foram sendo negociadas pouco mais de mil ações: são mil euros por dia, o que é quase nada. Por isso, estas movimentações não são representativas de nada. A única consequência que teriam seria valorizar ou desvalorizar artificialmente o balanço dos seus acionistas. Incluindo… o Benfica.

A falta de liquidez das ações não é um exclusivo do Benfica, a patologia estende-se também às SAD do Sporting e do Porto. Compreende-se porquê: quem quer investir em ações de empresas que nunca distribuíram nem há expectativa de que venham a distribuir lucros aos seus investidores? Pouca gente. E é por isso que, apesar de lucros na venda de jogadores, as ações não animam, as dos três clubes quase nunca valeram tão pouco como hoje. O dinheiro fica nos clubes, não “desce” ao mercado.

Acontece que, também na última semana, o Benfica vendeu “parte” de alguns dos seus jogadores por 6,135 milhões de euros: parte dos direitos económicos de Gaitán, Jara, Nolito, Garay e Bruno César foram comprados pelo Benfica Stars Fund. Trata-se de um fundo que, assim, financia investimentos dos clubes em troca da expectativa de receber parte da valorização na sua venda. Que investidores detêm estes fundos? Não se sabe, as participações são quase sempre anónimas. Mesmo que se especule que alguns desses investidores são… os agentes dos jogadores.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:04

Setembro 12 2011

A deserção de Ricardo Carvalho da Seleção Nacional foi inadmissível. Mas o aproveitamento que Paulo Bento está a fazer desse erro censurável é oportunístico e vingativo. E mostra bem a diferença entre mandar e liderar.

Ricardo Carvalho é um dos nossos melhores centrais de sempre. Sempre apareceu discreto e cumpridor, bem-educado, cavalheiro, um Cary Grant da bola. Por isso o seu ímpeto foi ainda mais surpreendente. A maneira como abandonou a Seleção depois de saber que não seria titular foi uma birra de vedeta. Carvalho portou-se como um menino mimado. Pior: como um menino mimado que já não é menino. A idade não perdoa e o defesa tem mais anos para trás do que pela frente nos relvados. E a decadência bate um dia à porta. Uns, como Nuno Gomes, descem a escadaria. Outros, como Ricardo Carvalho, batem como a porta. E ficam sozinhos.

Mas não foi uma traição à pátria. Ricardo Carvalho tinha “folha limpa”, deu muito à Seleção e merecia a tolerância de umas horas para esfriar a cabeça, uma segunda oportunidade. Aliás, ele reconheceu o erro. Mas nessa altura já era tarde para pedir desculpas: já estava a defender a honra.

Paulo Bento bateu os punhos no peito como um Tarzan. É-lhe conveniente, pois cerra fileiras na Seleção e afirma-se contra Carvalho como Scolari um dia se entrincheirou contra Vítor Baía. Como uma vantagem: Bento tem o país consigo. É populista esmagar Carvalho. Só os líderes seguros de si mesmos conseguem ser magnânimos e defender os jogadores até das suas próprias fraquezas. Porque está na cara que Carvalho está arrependido da deserção. Mas não de se ter indignado contra as palavras de Bento.

Paulo Bento venceu o combate. A Seleção perdeu um jogador. E esse jogador perdeu o respeito que conquistara. Se fosse com Ronaldo a bravata teria sido a mesma?

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:19

Agosto 26 2011

A Câmara Municipal de Leiria vai leiloar o seu estádio a partir de 22 de setembro. Preço de arranque da hasta pública: 63 milhões de euros. Destino a dar à receita: pagar dívidas. Entra por um ouvido da Câmara e sai pelo outro para a banca. Mas já agora, para que é que alguém quer um estádio? Para nada, ninguém quer o estádio. Só se for para demoli-lo. O que vale é a “terra”, o metro quadrado, o estádio é o que está a mais.

Este é um estádio do Euro’2004 que já em 2004 era um elefante branco, paralítico, inamovível, dispendioso. Não vale a pena bater muito mais no ceguinho, em José Sócrates, que foi o obreiro destes estádios e do projeto do campeonato europeu. A conta ficou para pagar pelos munícipes, até se chegar ao ponto em que a melhor solução é dinamitar aquela obra de arte.

É importante perceber as condições em que a Câmara de Leiria se quer ver livre do estádio: em desespero. Está, pois, como o país: nas mãos dos bancos credores e a vender ativos para pagar as dívidas. Os 63 milhões de euros parecem aliás fruta a mais, até porque não há projetos de avaliação que sejam conhecidos. Mas há mais a ter em conta: quando um vendedor está aflito, o comprador fica com todo o poder negocial. Como aconteceu ainda recentemente com o BPN, que foi vendido ao BIC – e nas condições que o BIC quis e impôs.

Este negócio terá de ser feito em condições de transparência total. A Câmara que vende é a mesma Câmara que tem o poder de conceder licenças imobiliárias. E uma coisa não ser a outra face da moeda. Para mau negócio, já chegou o escandaloso disparate de construir o mamarracho sem utilidade nem audiência que foi aquele estádio que, como alguns dos outros, se converteu num símbolo da estupidez despesista que levou o país à ruína. Mas, claro, alguém ganhou com isso.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:03

Agosto 20 2011

Luís Filipe Vieira deu uma longa, e boa, entrevista ao “Expresso” este fim-de-semana. A páginas tantas, diz o presidente do Benfica ao jornalista: “Aqui há uns meses, um colega vosso, num outro jornal, escrevia que se o Benfica conseguisse vender os direitos [de televisão] acima de uma determinada verba me deviam fazer uma estátua. Espero que esse mesmo jornalista se comece a preparar para os trabalhos dessa obra [risos]”. Assumo a presunção: o “outro jornal” era o Record, a “determinada verba” é 40 milhões de euros e “esse mesmo jornalista” sou eu.

A piada honra-me: por profissão, escrevo para ser lido; por paixão, sou benfiquista; por opção, sou mais exigente com aqueles de quem espero mais. Como quem lê esta coluna sabe, não tenho poupado o Benfica na crítica, já valorizei muitas vezes o Porto e só o Sporting tenho elogiado poucas vezes, mas estou convencido que o problema não é meu.

Se o Benfica vender os direitos de televisão por 40 milhões de euros (a Miguel Pais do Amaral e ao seu sócio Nicolas Berggruen), o Benfica até pode “estar um ou outro ano sem vender atletas”, explicou Vieira. Isto mostra a dimensão do negócio em causa. É um negócio que não está fechado mas que tem mais ambição do que levar Joaquim Oliveira a subir a parada para manter os direitos para os 15 jogos do Benfica em casa. Mesmo que esses 40 milhões incluam, como parece ser o caso, muito mais do que a transmissão de jogos (como a publicidade de estádio e outras contrapartidas), continuarei a pasmar com a loucura de Pais do Amaral se passar o cheque. Já a estátua de Vieira ao lado da de Eusébio será merecida. É preciso preparar a obra. Se se fizer, a parte mais importante serão os pés. É precisamente aí que Vieira terá os benfiquistas que gostam de bons negócios: a seus pés.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:08

Julho 05 2011

Miguel Pais do Amaral não é de emoções. Gere com frieza os negócios e só gosta de uma coisa: de dinheiro. Por isso pasma-se: 30 milhões por ano para transmitir jogos do Benfica? Por 15 jogos?! A troika ainda não tirou de Portugal a irracionalidade económica.

Se Pais do Amaral pagar 30 milhões, isso é com ele. Mesmo que choque que, nesta altura em que as PME não têm crédito, um banco lhe financie a empreitada, por mais bungee-jumping que ela pareça. Nesse caso, o Benfica, que está a fazer um leilão para forçar a Olivedesportos a subir a parada, pode fazer a festa do ano. Mas que é loucura, é. 30 milhões de euros por quinze jogos… é só fazer as contas. Não há publicidade que pague. Nem novos subscritores de um novo canal de desporto, que teriam de passar a ter dois canais, para poderem continuar a ver os jogos do Benfica fora da Luz na Sport TV. Para mais, num ano em que a publicidade está a cair. E em que a Sport TV está a perder clientes.

Joaquim Oliveira tem acordo com todos os clubes para a transmissão de jogos até 2018 (com preferência por mais três anos) , exceto com o Benfica, cujo contrato termina em 2013. Por ano, Oliveira paga hoje nove milhões ao Benfica, o que é quase extorsão ao clube que gera mais audiências televisivas. E que só explica por Oliveira ter sido “banco” do Benfica nos anos em que o clube era gerido com uma mão na massa associativa e a outra na massa falida. O Sporting e o Porto já duplicaram os seus contratos. E Oliveira terá de pagar pelo menos 20 milhões para segurar o Benfica. Exceto se um louco com dinheiro aparecer e oferecer mais.

Chegou o louco: Pais do Amaral. É um negócio incompreensível. Mas se o patrão da TVI pagar, o Benfica pode pôr a estátua de Vieira ao lado da de Eusébio. É de goleador.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:14

Fevereiro 20 2011

Os melhores do futebol português estão no banco: José Mourinho no Millennium BCP, Cristiano Ronaldo no Espírito Santo. Enquanto estes ganham fortunas pelas suas campanhas, outros (Jorge Jesus, Simão Sabrosa e Luís Figo) veem parte das suas poupanças “arder” no BPP.

A contratação de José Mourinho pelo BCP foi a “bomba” da semana no mercado publicitário. Os valores não oficialmente confirmados apontam para um milhão de euros por ano, o que fará de Mou o “top model” mais caro da publicidade portuguesa. O treinador português estava disponível e o Millennium agarrou a oportunidade – e fez bem. Este banco era, há cinco anos, a marca portuguesa mais valiosa e quer recuperar a sua reputação de liderança, começando pela autoestima de quem lá trabalha. António Ramalho, o administrador que contratou Mourinho, foi esse “olheiro” e já abriu concurso entre agências para lançar as novas campanhas.

O investimento na contratação de Mourinho é revelador das associação das marcas às estrelas do futebol – neste caso, a um líder. E sucede depois de uma relação já histórica do BES a Cristiano Ronaldo. Como Scolari chegou a fazer publicidade para a Caixa.

Mas há relações de futebolistas com bancos bem mais negras. Que o diga Luís Figo, que conseguiu fazer o “pleno” no BPN (por quem deu a cara em campanhas de publicidade) e no BPP, onde tinha dinheiro investido. A edição de hoje do Negócios revela a lista de credores do Banco Privado Português e lá estão: Jorge Jesus reclama 865 mil euros, dos quais a Comissão liquidatária só lhe atribui 350 mil; Figo reclama 1,2 milhões, de que deverá receber 560 mil euros; Simão Sabrosa pede 193 mil euros.

A banca e o futebol estão de braços dados e não apenas nos créditos e nas reestruturações financeiras. Também na publicidade. E nas aldrabices.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 00:16

Janeiro 08 2011

Só quem não foi ao Estádio da Luz nos últimos anos pode achar que o fim da presença da águia Vitória é um “fait-divers”. Não se trata de celebrar benfiquismos mas de reconhecer o poder mobilizador de massas daquele voo inicial. O passarão era o sonho de qualquer gestor de marketing.

Os clubes são marcas e “Benfica” é a mais potente em Portugal: a que atrai mais audiências televisivas, mas amigos nas redes sociais, mais receitas de “merchandising” e mais adeptos nos estádios. Só não é mais abrangente que outra: a Seleção Nacional.

Quem joga tem de ganhar jogos, quem treina tem de ganhar campeonatos, quem gere tem de ganhar dinheiro, quem preside tem de ganhar tudo. Atrair espectadores aos estádios é não apenas uma fonte de motivação para dentro das quatro linhas, mas sobretudo de receita para quem está fora delas. E as pessoas só vão aos estádios se o espetáculo é bom. A águia era isso: espetáculo. Um minuto de êxtase da “família” benfiquista, que simbolizava a “mística” do “glorioso” – tudo palavras de gestor de marca...

Há milhares de adeptos que irão aos estádios mesmo que chovam pedras. Mas muitos outros milhares vão porque querem participar numa experiência, confortável, diferente e gregária. Na Luz ou em Guimarães, onde as audiências são impressionantes.

O voo da águia fez mais pela assiduidade de benfiquistas no estádio que milhões de euros em campanhas de marketing, operações coração ou convocatórias a 300 mil sócios exigidos contra a cabeça do presidente. Se a águia emigrou foi porque clube e proprietário se desentenderam quanto ao preço – a águia talvez fosse benfiquista, mas o seu treinador era como um agente de jogadores: quis negócio.

Para afastar adeptos dos estádios já basta a crise. O Benfica vai ter de tirar um coelho da cartola. Quer dizer: uma águia.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 12:11

Dezembro 10 2010

Não é gralha: há “o” clube e há “a” sociedade desportiva (SAD). Ou melhor, havia. Porque a do Sporting está a caminho do fim da sua primeira vida, deixando um rasto de prejuízos.

Pedro Baltazar é, como muitos, doido pelo Sporting. Mas é, como poucos, acionista fundador da SAD. A sua empresa, a Nova Expressão, vai vender a posição de 11,7% ao próprio Sporting, para permitir ao clube continuar maioritário na SAD e, assim, viabilizar a reestruturação financeira. Vendeu com uma forte perda, o que chamou de demonstração do seu sportinguismo. Fica-lhe bem dizê-lo. Mas não é por sportinguismo que os bancos alinharam. É porque é assim que se age com as empresas incapazes de pagar o que devem. Na prática, o BCP e o BES darão um volumoso perdão de dívida ao Sporting.

A reestruturação passa pelo que se chama de “operação harmónio”: redução seguida de aumento de capital; integração do estádio e da academia; emissão de obrigações convertíveis. No fim da jigajoga, o Sporting ficará a controlar três quartos da SAD, o BCP e o BES ficarão com cerca de 15%, Joaquim Oliveira (que já teve 20%!) fica com cerca de 2% e os sempre maltratados pequenos investidores guardarão umas ações de baixo valor.

José Eduardo Bettencourt extingue, na prática, a participação de investidores na SAD. Talvez por opção, certamente por resignação: para manter o próprio clube. Depois disto, o Sporting não fica pronto para um ciclo de investimento, apenas liberto da pressão de tesouraria.

Não foi para isto que se criaram estas sociedades – foi para ter um modelo de gestão empresarial e de negócios. Acabar como veículo de ativos e passivos é o mesmo que nada. Todos perdem. Sobretudo os que acreditaram na SAD: os credores e os investidores, a quem agora dizem: “Para o ano é que é”. Mas será?

Autor: PEDRO S. GUERREIRO
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 02:48

Dezembro 03 2010

Os “três grandes” já apresentaram os resultados do primeiro trimestre desta época. Todos tiveram lucro, Sporting, Benfica e Porto. Mas a maravilha é bastante extraordinária. Estamos basicamente a falar de venda de jogadores.

Na semana passada, aqui falámos dos lucros de 10,5 milhões de euros do Sporting. Ontem, foram revelados os resultados líquidos positivos de sete milhões de euros do Benfica e de 17,7 milhões de euros do Porto. Total: mais de 35 milhões de euros. Uma primeira análise concluiria pois que o futebol é uma atividade muito rentável. Mas não é, pois estes são clubes que têm grande parte das suas receitas operacionais (bilheteira, patrocínios, merchandising...) destinadas ao pagamento dos altos salários dos jogadores e do pesado serviço da dívida à banca. Os nomes à frente destes resultados não são Bettencourt, Vieira ou Pinto da Costa, mas João Moutinho, Ramires, Bruno Alves e Raul Meireles.

A viabilidade dos grandes clubes de futebol portugueses está hoje dependente da capacidade de vender caro jogadores que contrataram mais baratos. É por isso que se abastecem em viveiros de jogadores, sobretudo da América Latina. Acertam em poucos mas o que ganham com eles é suficiente para compensar o que perderam nos outros em que erram. Nos negócios, este tipo de atividade é conhecido como capital de risco.

Por cá, foi o Porto quem inaugurou este modelo de negócio e quem melhor se tem dado com ele. O problema é que não dá para viver eternamente de receitas extraordinárias, com a pressão anual de encontrar génios que se comercializam no final do ano. Quem irá o Porto, o Sporting e o Benfica vender no fim desta época? Faça-se apostas. Porque não há como não vender algum – e dos melhores.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 00:20

Novembro 12 2010

Os comentários de Luís Nazaré à exibição do Benfica no Dragão causaram pasmo. Porque quebraram o “não se fala mais nisso” recomendado na Luz. E no entanto, o que o presidente da assembleia geral do Benfica fez foi pensar como gestor. Um clube não é uma empresa mas assim deve ser gerido. Nazaré, apesar da experiência política e paixão desportiva, não é “boy” socialista nem boi de manada. É um economista e gestor e é nessa perspetiva que devemos discordar ou concordar com o que diz. Não por quebrar o tabu da não autocrítica sistemática.

Nazaré não criticou propriamente Jorge Jesus, apesar deste o merecer – pelas opções táticas desastrosas e aterrorizadas e pela incapacidade de suster a goleada. Ao contrário, Nazaré protegeu o treinador das expectativas que não poderá cumprir.

O Benfica é melhor do que mostrou no Dragão mas o FC Porto não é pior do que ali foi. Não são apenas pontos o que separa as duas equipas, é a dimensão competitiva. Em linguagem de gestão, o Benfica não tem os mesmos recursos. Daí que não possa ter as mesmas ambições à chegada do Natal que tinha à saída do verão. Compete para o segundo lugar, para a Taça e para passar à próxima fase da Champions. Ouvi-lo será odioso para os benfiquistas, mas dizê-lo é nivelar as expectativas – e, nisso, é proteger o treinador.

Jesus já demonstrou que é um grande treinador e líder, apesar do vexame destas “cinco batatas”. Como Villas-Boas está a provar que o é, para desgraça do Sporting, que o perdeu para um Carvalhal que não tem unhas para tocar (nem grande guitarra, diga-se). A diferença está na capacidade de liderança e nos recursos de cada um – a equipa. Nazaré disse o que diz o anúncio: uns têm, outros não. E, nisso, os treinadores são muito mais parecidos com os gestores do que supõem.

Autor: PEDRO S. GUERREIRO
publicado por Benfica 73 às 01:16

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