Agosto 21 2012

Nós, os da bancada, servimos para viver o Clube, para sofrer e rir, para nos irmanarmos apenas no momento do festejo do golo. Servimos para comprar o bilhete, aplaudir, gritar pela equipa, acompanhar o Clube e sermos o próprio Benfica.

Nós, os da bancada, raramente estamos de acordo. Discutimos entre nós, ofendemo-nos e defendemo-nos, tentando defender o que consideramos ser o melhor para o Benfica. Nós, os da bancada, por vezes até acenamos lenços brancos, os mesmos que, enquanto são acenados, enxugam lágrimas feitas de mágoa. Nós, os da bancada, não percebemos nada de futebol. Perdão, nós, os bancada, não percebemos nada de futebol sem paixão. Não sabemos como potenciar um jogador (agora chamam-lhe activo) e não sabemos como tornar dinâmico um conceito táctico que se traduz em números estáticos. Para nós, os da bancada, um 4x3x3 e um 4x2x3x1 ou um 4x4x2 são processos que sabemos ler, mas não sabemos implementar. Nós, os da bancada, ouvimos “basculação” e “transição ofensiva”, “pressão alta” ou “jogar entre linhas” como chavões que os entendidos dominam para nos mostrar que nós, os da bancada, nada dominamos da arte de bem interpretar o texto de um jogo. Nós, os da bancada, não sabemos como transformar o sofrível em bom, não sabemos como fazer melhor do que os profissionais do futebol, nem sabemos como os profissionais do futebol conseguem fazer tão bem aquilo que nos parece tão bem feito.

No entanto, nós, os da bancada, sabemos quando algo não está bem. E nós, os da bancada, que nada sabemos de futebol, sabemos que nem tudo está bem no equilíbrio do nosso plantel ao nível das alas defensivas. Nem sempre, mas ouvir a voz preocupada dos leigos das bancadas, por vezes, não faz mal.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 10:33

Julho 18 2012

Foi publicada a classificação dos árbitros: nos primeiros lugares ficaram os árbitros que mais fizeram para que em primeiro lugar ficasse o clube que venceu o campeonato. Perante isto, defendo que o árbitro classificado em primeiro lugar receba um apito de ouro ou, como os tempos são de crise, um apito dourado. Seria justo e adequado.

Por falar em árbitros, estou curioso para ver no que vai dar todo o processo em torno de Paulo Pereira Cristóvão. Particularmente, no que respeita à explicação, certamente competente e convincente, que dará acerca do tal depósito em numerário na conta bancária de um fiscal de linha. Tenho a convicção de que a Justiça portuguesa chegará à peregrina conclusão de que as motivações do senhor eram puramente pessoais e que nada tinham que ver com o clube de que era vice-presidente.

Por falar em despudor, um grupo de deputados da nação convidou para jantar e recebeu, na Assembleia da República, um conhecido dirigente desportivo que acolhe árbitros em casa, para aconselhamento familiar (mais uma das tais explicações competentes e convincentes), na antevéspera de um jogo da sua equipa. No meio de tamanho desconchavo, lá acabei por concordar com o tal dirigente, quando disse que “infelizmente o número de estúpidos não tem diminuído”. Também lamento isso e, perante essa evidência, resta-me esperar, paciente e serenamente, que esse número comece a diminuir… Como escreveu Ary dos Santos, “Isto vai, meus amigos, isto vai”

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 10:13

Junho 20 2012

O silêncio está por todo o lado no futebol português. No fim-de-semana, vimos, no final da Final da Taça, um árbitro a ser cuspido e a levar com uma garrafada, enquanto a polícia tentava, a custo, protegê-lo de uma valente carga de pancada por parte de centenas de adeptos enfurecidos com a derrota do seu clube. Vimo-lo todos pela televisão. Viram-no os mais altos dirigentes do futebol português. Sobre isso caiu o silêncio. Um silêncio opaco que nos mostra como não são transparentes os interesses do futebol português.

 

Adeptos desse mesmo clube incendiaram uma bancada do nosso Estádio. Não foi há cinco décadas, foi há pouco mais de cinco meses. Não passou à História porque a ausência de palavras, a presença do silêncio, caiu pesadamente sobre a ignomínia dos factos. Não passará a ser História porque o silêncio impede que a palavra avive a memória e se constitua como inscrição. Quebrar esse silêncio é, nos dias que correm, agitar a modorra em que medram os pirómanos que chantageiam a voz alheia, para que a revolta se conforme ao silêncio conivente.

 

Foi às custas desse silêncio sujo que gente como o ex-presidente da Juventus Luciano Moggi constituiu a imagem de ter uma ‘estrutura’ perfeita e louvável. Até ao dia em que o silêncio se quebrou e o grito de revolta mostrou ao mundo os tentáculos da ‘estrutura’ perfeita. Moggi tem os seus descendentes, os seus imitadores, os seus seguidores e os seus herdeiros. Conhecemos-lhes os rostos, as falas, as ameaças e as ironias. Sabemos que quem cala consente. Sabemos que o Benfica não se pode calar e que, sempre que se calou (e isso aconteceu recentemente), consentiu. Sabemos que não pode haver silêncio quando se impõe a justa indignação.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 09:45

Maio 18 2012

Triste noite de domingo em que o Benfica, em Vila do Conde, entregou definitivamente o título ao FCP. Triste pelo choro que um miúdo benfiquista apresentava nos écrans televisivos; triste pela exibição descolorida que o nosso Benfica fez; triste porque percebemos que, na segunda metade do campeonato, abrimos, nós próprios, as portas de nossa casa, para que a corja do costume pudesse fartar vilanagem.

No ano passado, todas as virgens ofendidas do jornalismo e da opinião publicada rasgaram as vestes devido à lamentável atitude do Benfica ter apagado a luz e ligado a rega, aquando da festa do clube do sr. Costa. Estranhamente, este ano, ninguém se insurgiu contra o que foi documentado, visto, revisto e transmitido por vários canais televisivos: aquando dos festejos do FCP, gritavam em uníssono, jogadores e dirigentes, cânticos sucessivos de ódio e ofensa ao Benfica e aos benfiquistas. Aquela gente festeja o ódio e o insulto. Aquela gente fomenta o que festeja. Em redor, o silêncio conivente de uma comunicação social maioritariamente amestrada.

No meio da leda mansidão dos comentários que se ouviam pela televisão – e é tão fácil atirar para debaixo do tapete de uma vitória a sujidade com que a mesma foi conseguida – surgiu uma voz dissonante: Rui Santos, na SICN. Este jornalista disse que o campeonato foi uma farsa, disse que as nomeações dos árbitros são suspeitas e pediu que se investigasse um futebolista do Marítimo que ajudou o árbitro de circunstância a ajudar o campeão de circunstância. Em redor ficou o silêncio… entrecortado pelos que, do cimo de uma varanda, festejavam, insultando o adversário. E nesse insulto, nesse momento de afirmação de uma forma de ser e estar, demonstrava-se a pequenez de quem insulta e a grandiosidade de quem era insultado… o que não deixa de ser uma fina ironia.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 09:48

Abril 19 2012

Temos, desde segunda-feira, o Campeonato praticamente hipotecado. Passa mais uma época e perspectiva-se mais um balanço amargo. Fica a sensação de que seria bastante fácil ser campeão, mas muito se passou para que estejamos na ingrata posição em que estamos.

Na primeira jornada, por responsabilidades próprias, perdemos dois pontos em Barcelos. Em Braga ficaram mais dois pontos, num escândalo vergonhoso, com uma arbitragem suja e com três apagões de energia que nunca foram explicados. Em Guimarães deixámos três pontos, num jogo em que fomos incompetentes. Em Coimbra ficaram mais dois pontos, num jogo em que os nossos futebolistas dormiram durante quarente e cinco minutos e, quando acordaram na segunda parte, permitiram mais uma actuação vergonhosa de uma equipa de arbitragem habilidosa.

No nosso Estádio, perdemos três pontos para o FCP. Desses três pontos, o adversário conquistou um e a equipa de arbitragem ofereceu-lhe mais dois. Em Olhão, os nossos jogadores, numa atitude condenável, deram quase setenta minutos de avanço ao adversário e quando começaram a jogar já não foram a tempo. Em Alvalade, num jogo armadilhado pela injusta sansão que impediu o Aimar de jogar, deixámos mais três pontos e mais uma vez num jogo com uma arbitragem que decidiu ignorar uma grande penalidade a nosso favor logo aos cinquenta segundos de jogo. Assim, entre pontos roubados e pontos oferecidos, chegámos a uma situação em que a conquista do título é pouco mais do que uma esperança.

Essa esperança que permanentemente se renova é nossa, dos adeptos, e é muito importante que os profissionais que servem o Benfica percebam que eles vão passando, mas os adeptos ficam, permanecem. E quem permanece tem todo o direito a pedir responsabilidades a quem está de passagem.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 13:09

Março 14 2012

Um alargamento do número de clubes na principal competição futebolística portuguesa para alguns é desejável, para outros inevitável e para outros tantos é inaceitável. Mas, assumamo-lo, é possível.

O que subjaz a um hipotético alargamento prende-se com uma reflexão prévia e alargada que possa trazer diferentes abordagens e perspectivas para o tema em apreço. Importa saber qual a fundamentação, as motivações, o suporte desportivo e a sustentação legal. Importa perceber se há mercado que sustente, com o mínimo de dignidade, um acréscimo de clubes, se as infra-estruturas estão adequadas ao cariz profissional da prova. Essencialmente, importa perceber se há uma sustentação minimamente racional que faça de um alargamento um melhoramento. Caso contrário, um alargamento não passa de um alastrar de uma enfermidade.

O novo presidente da Liga sustentou o alargamento pretendido num único pressuposto: a sua eleição. Ou seja, fez tábua-rasa dos pressupostos de uma liderança em troca de uma eleição. Demonstra, entre muitas outras coisas, que, apesar de ter sido eleito, nunca será um líder. Esse estatuto foi vendido aos Fiúzas desta vida que, à primeira ocasião, vieram reclamar publicamente a entrega da mercadoria comprada e prometida. A primeira medida que se reconhece a este novo presidente da Liga é a tentativa de mudar as regras a meio do jogo, fazendo com que a verdade desportiva saia moribunda de um lodaçal em que já é ferida sucessivamente. Ou seja, o novo presidente da Liga apresentou-se aos adeptos com uma mensagem ‘interessante’: em prol da vitória ajusta-se o conceito de verdade à mentira de circunstância.

Objectivamente, há trinta anos que vemos a essa manipulação da verdade no futebol português, mas ainda não a tínhamos visto como promessa eleitoral.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 13:51

Fevereiro 22 2012

Num momento em que o Benfica domina o campeonato, o nosso Estádio enche e se perspectivam tempos de algum apaziguamento, há um assunto que nos tem preocupado nestes, aparentemente, plácidos tempos de benfiquismo: a anunciada renegociação dos direitos televisivos.

Há quem defenda que se deve fazer o melhor negócio possível, independentemente do interlocutor da negociação; há quem defenda que nem se deveria levantar a possibilidade de renegociar com a Olivedesportos; há quem defenda que a Benfica TV, com outro enquadramento, é a melhor solução; há quem defenda que se está a precipitar o tempo da decisão relativamente a este assunto… O tema está longe de ser pacífico e, no meio de tudo isto, surge uma nova personagem na presidência da Liga que defende e promete, demagogicamente e servindo interesses que não me parecem os do Benfica, a negociação colectiva dos ditos direitos.

A informação acerca do assunto é quase diária e nem sempre é credível. Há muito ruído e pouco esclarecimento. Deste modo, defendo que, neste momento, Luís Filipe Vieira deverá encontrar uma solução que permita, dentro da família benfiquista, discutir a situação, esclarecer os sócios acerca das suas intenções e ficar esclarecido acerca das intenções dos associados.

Nem sempre as emoções das massas são o melhor conselheiro na condução racional dos negócios do nosso Clube. Ainda assim, o assunto em apreço é de tal ordem sensível que uma decisão tomada apenas na solidão de um gabinete e indiferente à vontade dos sócios pode colocar em causa a própria decisão.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 11:21

Fevereiro 08 2012

António Oliveira disse e repetiu, para que não houvesse dúvidas, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol é um títere que tem como função servir os interesses de uma empresa privada, a Olivedesportos. Disse que o anterior presidente também cumpria diligentemente esse trabalho e que o mesmo acontece na Liga de Clubes. Disse que ninguém é eleito para esse cargo sem o beneplácito do seu irmão e sócio maioritário da Olivedesportos.

Disse-o convictamente, num canal público de televisão, disse-o sem gaguejar e repetiu-o. A personagem que o disse é antigo sócio da dita empresa. Em seguida ficou o silêncio. Um silêncio quase total por parte da comunicação social. Um silêncio total dos visados. Um silêncio absoluto do poder político. Um silêncio que procura apenas uma coisa: o esquecimento, para que se possa perpetuar a mentira e a farsa em que se foi transformando isto. Os dias passam e toda a gente finge que nada se passou. Com que cara, com que legitimidade, com que dignidade alguém pode dirigir uma instituição quando sobre ele está lançada a acusação séria de que há quem mande em quem finge mandar? A cara com que esta gente se apresenta aos clubes e seus dirigentes por todos é conhecida. Mas com que cara é que esta gente se pretende apresentar perante os adeptos? Como é que ainda há quem ouse pensar que com o seu silêncio se pode limpar a nódoa em que se transformou o dirigismo desportivo em Portugal? No silêncio de todos está a conivência com a vergonha. No silêncio de todos está bem à vista a etiqueta e o respectivo preço. Não é o futebol português que está à venda, são os seus agentes que se venderam. É a vergonha que ficou penhorada algures por Penafiel.

Lamento, mas não pode haver silêncio quando se impõe um grito de indignação justa.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 14:04

Janeiro 28 2012

Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.

Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.

Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…

Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 08:06

Dezembro 26 2011

Noite de sexta-feira, Estádio da Luz, durante a partida Benfica-Rio Ave, minuto 36. Nolito recebe a bola, caminha para a área – passa a bola, penso eu. Ultrapassa o primeiro adversário, caminha para a linha de fundo – passa a bola, penso eu. Enfia-se literalmente na linha de fundo, passa o segundo adversário, fica sem ângulo para marcar, aparentemente perde a noção do tempo e do espaço. Dali é impossível marcar, a física e a geometria provam-no – passa a bola, grito eu da bancada. Golo. Todo o Estádio festeja o golo e a decisão do Nolito de não ter passado a bola. Nolito enfiara-se numa cabine telefónica, fintou dois defesas, iludiu o guarda-redes e saiu pela porta.

Festejava-se o futebol irreverente, o futebol de rua, o futebol em que o puto malandro se entretém a provar que isso dos impossíveis é preocupação de adultos cinzentos com medo da ousadia. O Nolito é essencialmente isto: o miúdo feito homem que se diverte no mundo profissional com a mesma ‘reguilice’ com que um puto enfrenta a baliza demarcada por duas mochilas da escola. Para trás ficam os aborrecimentos de quem pensa o futebol parametrizado em “basculações”, “transições ofensivas e defensivas” e “movimentos de rotura”. Ali, em Nolito, o futebol é um espaço que existe em função da localização da baliza. O tempo mede-se em adversários que têm de ser ultrapassados até chegar à baliza. O modo vive-se pelo gozo do momento. O resto são meros aborrecimentos de gente grande que se esqueceu de que a génese do futebol é a rua.

Feito o golo e festejado o momento, levanta-se a questão: como conciliar a irreverência do futebol de rua com as obrigações do futebol profissional? Haverá lugar para ‘Garrinchas’ no futebol actual? Verdadeiramente preocupante é tentar perceber que futebol é este em que se questiona se há nele lugar para os que acreditam que se podem marcar golos impossíveis.

Autor: Pedro F. Ferreira

Fonte: Jornal o Benfica

publicado por Benfica 73 às 16:42

Dezembro 14 2011

Ao ver a desonrosa eliminação do nosso Benfica da Taça de Portugal, recordava-me das palavras de Padre António Vieira no “Sermão de Santo António aos Peixes”.

Em 1654, o ilustre pensador lusitano, referindo-se aos peixes roncadores, e criticando a soberba dos mesmos, dizia que “O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela”. Nesta simples frase lá ia explicando o nosso grande orador que não é digno dos grandes falar antes da ocasião, pois corre-se o risco de ser a ocasião a ultrapassá-los.

Antes da eliminação frente ao Marítimo, foi um corre-corre de encómios e louvores: os resultados frente ao Manchester e ao Sporting deram azo a que as manchetes fossem feitas com as referências à sequência de vinte e tal jogos invictos. De repente, vi entrevistas exclusivas de futebolistas nossos a jornais desportivos e até a jornais que sobrevivem às custas de mentiras torpes sobre o nosso Benfica. As conferências de imprensa dividiram-se entre o auto-elogio e a tal estatística da invencibilidade… ou seja, roncou-se muito antes da ocasião. Resultado: dormiu-se nela. Foi-se a invencibilidade, foi-se a Taça de Portugal, espero sinceramente que se tenha ido, definitivamente, a falta de humildade no discurso. E, além da falta de muitas outras coisas – desde a sorte a alguns habituais titulares – a humildade foi o que de mais deficitário o nosso Benfica teve naquele Estádio dos Barreiros.

De uma derrota só tira algo de positivo quem tem a capacidade de perceber os erros próprios como uma lição, uma aprendizagem. Quero acreditar que todos, sem excepção, a tenhamos aprendido.

Autor: Pedro F. Ferreira

Fonte: Jornal o Benfica

publicado por Benfica 73 às 19:32

Dezembro 05 2011

No passado fim-de-semana, após mais uma derrota do seu clube frente ao Benfica, alguns adeptos do Sporting incendiaram propositada e premeditadamente uma bancada do Estádio da Luz.

Antes disso, um vice-presidente do Sporting acicatou ânimos, insultou o Benfica e chegou a dizer, entre outas alarvidades, que a Direcção do Sporting se recusava a frequentar lugares como o camarote presidencial da Luz e camarotes adjacentes.

Após o criminoso acto pirómano dos seus adeptos, não há sportinguista com voz na comunicação social e responsabilidades no clube que não tenha vindo alijar responsabilidades próprias, fazendo piruetas com a coluna vertebral, para desresponsabilizar os responsáveis materiais do crime. Desta forma, acabam todos por ficar, moralmente, no patamar indecoroso dos criminosos que perpetraram o crime. Assim, há um grupelho de vândalos que vê os seus actos cobardemente protegidos pela desresponsabilização, escondendo-se por trás do grupo e de uma vergonhosa cultura de impunidade.

No mesmo fim-de-semana, mas numa outra latitude, um jornalista da TVI alega ter sido agredido e insultado na presença, e com a aquiescência, do presidente de um clube que prima pelas boas práticas exemplificadas nas escutas do processo “Apito Dourado”.

Neste reino pantanoso da irresponsabilidade, o absurdo não tem limites e, às tantas, ainda veremos as canetas de aluguer do costume a afirmar que as galhetas que o tal jornalista apanhou lá para as bandas do Freixo se deveram a uma rede no Estádio da Luz.

O Presidente da Liga assiste a tudo isto com a desresponsabilização do silêncio. E neste silêncio reside a mais fina ironia de tudo isto…

Autor: Pedro F. Ferreira

Fonte: Jornal o Benfica

publicado por Benfica 73 às 17:27

Novembro 28 2011

Não fui ver o Benfica a Old Trafford. O Benfica não ganhou em Old Trafford. Ouvi o Benfica desde Old Trafford. O Benfica ganhou Old Trafford.

Eu sei que estava lá o Aimar e o Luisão, o Artur e o Javi, o Jorge Jesus e o Pietra, mas o Benfica que ganhou Old Trafford foi um Benfica de adeptos, sócios, simpatizantes, portugueses e benfiquistas. Foi um Benfica nascido na vontade e expressado na voz e na emoção de quem gritou a alma benfiquista durante mais de noventa minutos. Foi o Benfica de quem não renova contratos, pois assinou no benfiquismo um compromisso para a vida, um compromisso incondicional e intemporal. O Benfica que ganhou Old Trafford foi o Benfica de três mil vozes que deram voz a milhões de vontades. No Benfica que venceu Old Trafford estava a eficácia de Rogério Pipi, a elegância de José Águas, o magnetismo de Coluna, a rapidez de Simões, a abnegação de Toni, a determinação de Bento, o génio de Chalana, o benfiquismo de Rui Costa, a magia de Aimar… Mais do que tudo, estavam também as lágrimas do benfiquista desconhecido a quem me abracei no Bessa, no jogo do título no ano de Trapattoni; o sofrimento do benfiquista de pelo menos sete décadas que se senta atrás de mim no Estádio da Luz e que, sempre em silêncio, festeja os golos do Benfica apertando as mãos (fundindo as mãos) como se naquele aperto estivesse a capacidade de transformar o caos em cosmos. No Benfica que venceu Old Trafford estavam os sorrisos, as lágrimas, os abraços, os impropérios, as injustiças, as esperanças de todos os que sabem que, se não fossem benfiquistas, não seriam as pessoas que vieram a ser.

Dizem os jornais que o Benfica empatou em Old Trafford. Mentira, o Benfica ganhou Old Trafford, porque, durante mais de noventa minutos, o que se ouvia era a voz do Benfica cantando bem alto o nome do Glorioso. O resto foi um teatro de sonhos a silenciar-se perante a voz do Benfica, a nossa voz.

Autor: Pedro F. Ferreira

Fonte: Jornal o Benfica

publicado por Benfica 73 às 09:51

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