Abril 16 2012

O Benfica foi o melhor na Luz e em Londres. O Benfica foi, objectivamente, melhor que o Chelsea, mas isso não chegou para chegar às meias-finais da Champions. Há quem pense e diga que foi a adversidade do factor sorte. Mas, como explicação, não é o bastante. Razão tinham os adeptos benfiquistas que pronunciavam em coro bem audível o nome de Michel Platini. Não sei se têm ou não razão, o que sei, sobretudo depois de ver o sr. Abramovich na bancada, é que é muito difícil chegar à linha da frente, numa competição assim, quando estão em jogo, mais do que talentos, grandes interesses e muitos, muito milhões. O Benfica tem uma história, um nome universal, uma glória de muitas décadas, mas tem dificuldade em garantir lugar na mesa dos ricos, dos muito ricos, que são ingleses e espanhóis. E é entre eles que o assunto vai ficar resolvido.

Nessa perspectiva, a arbitragem, de que nem costumo falar, desempenhou o seu papel de forma escandalosamente evidente. Fechou os olhos a umas infracções e valorizou outras ao ponto de ter garantido a determinante expulsão de Maxi Pereira, que tudo veio a desequilibrar, num momento em que cada jogador tinha de valer por dois. E logo Maxi, que não esteve feliz na entrada excessiva.

Não vimos a cara do sr. Abramovich, mas deve ter esfregado as mãos de contente. Contra 10 é sempre mais fácil do que contra 11.

O Benfica foi generoso e trabalhador e o Chelsea foi manhoso. O Benfica jogou “à Benfica” e o Chelsea jogou à italiana, tudo apostando nas virtudes desnorteantes de velozes contra-ataques. E mesmo assim esteve quase a perder.

Faltou pouco. Houve sorte a menos e o super-tatuado Meireles a mais.

Mas o Benfica veio de Londres com a cabeça bem erguida, de olhos postos no título, propondo-nos uma reflexão sobre o preço da quota no clube dos muito ricos, daqueles que as “troikas” nem se atrevem a beliscar. O sr. Platini, quando ouviu o seu nome ser gritado pela claque benfiquista, deve ter percebido bem o significado desta lembrança tao sonante. E nós também.

Fonte: Jornal O Benfica


Outubro 20 2011

Um homem e o seu cão estão sentados numa bancada do Estádio da Luz, imagem pouco comum. O homem chama-se Paulo e é invisual, o cão que o acompanha é um Labrador de pêlo preto. O homem tem um pequeno rádio encostado ao ouvido e acompanha com comovente entusiasmo tudo o que se passa no relvado, como se visse. E, no fundo, ele vê, ele tem uma forma muito própria de ver, que é partilhada da emoção com os muitos milhares de pessoas que o cercam.

Tive conhecimento deste caso através de uma excelente reportagem da RTP1, que me permitiu conhecer pessoas que não se deixam derrotar pela adversidade e que continuam a viver, a lutar e a sonhar.

O Labrador preto tem um lenço à Benfica por cima da coleira e assiste, impassível mas feliz, às manifestações de alegria do dono. É um cão-guia, um cão de acompanhamento, por ser dócil, terno e inteligente, e, afinal, os olhos do seu dono.

Paulo diz que faz questão de ir ao Estádio porque ali, sentado no meio da multidão, gosta de ouvir o ruído, de sentir os cheiros, de vibrar com o colectivo, de se emocionar com o que faz a sua equipa, o seu clube, a sua gente. Ninguém se espanta com a presença do cão na bancada, pois todos percebem que se trata de um caso especial, diferente, tocante. Aqui, o cronista é levado a recordar as palavras do grande escritor francês, Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Principezinho”, quando dizia algo muito parecido com isto: a melhor forma de ver as coisas é com os olhos do coração. Paulo vê o Benfica com esses olhos, os do coração, que são também os da emoção e do sentido de pertença.

São histórias como esta que nos fazem perceber até que ponto as vitórias do Benfica são importantes para dar mais sentido à vida de quem recusa a margem, o esquecimento, a descriminação. Paulo e o seu cão vão à Luz em busca da luz interior que o Benfica lhes pode e deve dar. S todas as semanas os jogadores pensarem em exemplos como este, hão-de cumprir ainda com mais êxito a sua missão.

Autor: José Jorge Letria

Fonte: Jornal o Benfica


Setembro 22 2010

Não tenho o hábito de atribuir apenas às más arbitragens os resultados insatisfatórios das equipas. Porém, o que aconteceu no Guimarães - Benfica não me deixou margem para dúvidas. O Benfica foi prejudicado de forma clara e inadmissível, e fez muito bem a Direcção do clube ao tornar públicos a sua indignação e o seu protesto. Há coisas que não podem deixar de ser ditas, de forma objectiva e veemente, quando nos sentimos injustiçados à vista de tudo e de todos.

É verdade que o Benfica não iniciou a época da forma mais auspiciosa. Mas também é verdade que, com os pontos já perdidos, continua a suscitar temores e ódios de quem, por mais que faça, nunca terá a sua dimensão, expressão internacional e carisma. Se costuma ser assim com as pessoas em termos individuais, também assim é com as instituições, sobretudo quando elas, pelo peso da história e da memória, são capazes de mobilizar multidões e os seus sentimentos de pertença e de identidade. O futebol tem essa força e essa magia, e o Benfica historicamente nunca deixou de possuir essa capacidade e esse poder. Por isso incomoda tanta gente e origina comportamentos que só podemos deplorar e reprovar.

De um árbitro com as responsabilidades de Olegário Benquerença, o único português que arbitrou no Mundial das vuvuzelas, esperava-se e exigia-se muito mais. Mas não esteve à altura dessas responsabilidades. Sou mesmo tentado a dizer que se tratou um lamentável caso de malquerença.

Os responsáveis do Clube estão indignados e tornaram pública, com veemência, essa indignação. Todos sabemos que o Benfica pode e deve jogar melhor, de forma mais articulada e sobretudo muito mais concretizadora, mas arbitragens como a de Guimarães afectam o ânimo e a produtividade da equipa. A revolta dos jogadores foi eloquente a esse respeito. O que falta da época em curso não pode ser um calvário de más-vontades convergentes contra um favoritismo que a temporada anterior continua a sustentar e a legitimar.


Setembro 09 2010

Tem razão que assegura que a realidade é mais rica que a ficção. Se assim não fosse, como se poderia explicar o que aconteceu durante o Benfica – Vitória de Setúbal, envolvendo substituição, ao 22 minutos de jogo, de Júlio César por Roberto. Nem um guionista engenhoso se lembraria de criar este inesperado “volte-face”. Do banco de suplentes, arcando com o peso de uma responsabilidade muito difícil de suportar, Roberto entrou em campo e defendeu um penálti, voltando a estar nas graças dos adeptos que o davam como culpado exclusivo e da infeliz entrada do Benfica no campeonato da liga.

Na verdade, o Benfica não começou de forma auspiciosa, perdendo dois jogos e seis pontos e permitindo a comentadores e jornalistas todas as comparações negativas com resultados que de há décadas. Juntaram-se as vozes, como num trágico coro, grego, quase pressagiando o descalabro da equipa campeã nacional. É neste momentos que se vê ate que ponto um Benfica forte assusta e incomoda.

Talvez por isso me tenha lembrado de um cão que tive e que os outros cães de porte inferior odiavam, juntando-se todos, a pretexto de tudo e de nada, para o tentarem morder e neutralizar. Creio que a comparação não é excessiva nem abusiva.

O Benfica, de facto, não entrou com o pé direito e até a águia “Vitória” deve ter sofrido com o susto, lá nas alturas. Mas depois veio o Vitória de Setúbal e voltaram o ritmo, a determinação e a garra, e tudo parece ter regressado à normalidade, não faltando nem a velocidade, nem a criatividade, nem a vocação goleadora.

Porém, não embandeiremos em arco, pois todo o optimismo em excesso tende a ser uma porta aberta para aquilo que nos penaliza e incómoda. O Benfica tem enormes desafios pela frente, desde a Liga dos Campeões à renovação do título, e sabe que tem sempre os adversários de menor porte de atalaia, prontos a saltar-lhe às canelas.

Por tudo isso, só lhe resta uma resposta convincente e determinada: vencer sempre.

publicado por Benfica 73 às 07:58

Agosto 25 2010

O cartaginês Aníbal tinha apenas 26 anos quando comandou a sua legião de elefantes, atravessando os Alpes em plena invernia, para conquistar Roma, feito que nunca chegou a cumprir. Alexandre, o Grande, tinha apenas 33 anos quando morreu de causas misteriosas, depois de ser senhor absoluto do mundo conhecido, com estatuto de quase divindade.

Agora querem transformar um treinador jovem, depois de uma vitória isolada mas nem por isso menos merecedora de reflexão e análise, num chefe carismático, num líder natural de homens. Um aspecto ficou à vista nesta primeira aparição a valer: o jovem treinador do FCP incute nos seus jogadores uma agressividade, um sentimento próximo da raiva que talvez o deixe talhado para vir um dia a comandar a selecção da Nova Zelândia, herdeira, como se vê no râguebi, de uma ancestral tradição guerreira.

Mas deverá ser assim o futebol? Se assim não fosse, como poderia o jovem treinador, nos comentários imediatamente a seguir ao jogo, falar, calculadamente, de um “grito de revolta”. Mas revolta contra quê? Contra o título tão justamente conquistado pelo Benfica na época anterior? Contra o facto de os resultados recentes do Benfica, na pré-época, terem feito vibrar, legitimamente, os benfiquistas? Contra o facto de o Benfica ter reocupado na vida desportiva portuguesa o lugar que por direito lhe pertence? Se está aí a causa da revolta, então até somos capazes de tentar perceber. Só que, aí, a revolta, em boa verdade, devia ter outro nome.

Daqui para a frente, semana após semana, de forma continuada, consistente e sem excessos de agressividade, é que se vai ver quem tem elefantes em número suficiente para chegar a Roma. O que vai contar é o trabalho, a constância, o talento e a perseverança. De boas gargantas precisam os galos, mas esses já estão no emblema da Selecção de França há muitos anos, mesmo tendo saído de crista murcha da África do Sul.

Autor: José Jorge Letria

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 21:22

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