Setembro 24 2011

NÃO se pode dizer que Jorge Jesus seja um treinador com jeito para o dragão. Os números provam-no. No conjunto dos oitos encontros já realizados na sua qualidade de responsável técnico pelos destinos do futebol do Benfica o saldo é-lhe francamente desfavorável: venceu por três vezes e perdeu nas restantes cinco. Em matéria de golos, os marcados (nove) ficam muito aquém dos sofridos (15). O facto de até aqui Jesus ter sido um treinador com pouco jeito nos jogos com o FC Porto não quer dizer que, esforçando-se e acreditando mais nos seus jogadores, daqui para a frente a história dos clássicos continue a escrever-se com tinta azul e utilizando-se a vermelha apenas nos sublinhados.

Ontem, por exemplo, já se observaram inequívocos sinais de mudança, com domínios repartidos. Em contraponto à banalização da importância do factor casa emergiu um Benfica que revelou o mérito de, sofrendo muito, nunca ter perdido o controlo das emoções… nem do jogo. À margem das leituras tácticas possíveis, apresentou um colectivo cuja consistência acabou por corroer a estabilidade organizativa do dragão. Ou seja, Jesus parece estar a apanhar o jeito que até aqui lhe faltara: empatou no campo – um bom resultado, como genuinamente reconheceu, em respeito pelo valor do adversário e tendo em atenção que recuperou de duas situações de desvantagem no marcador (a tal consistência…) – e ganhou fora dele: no período das considerações a morno, já com tempo de espera suficiente para arejar as ideias, Vítor Pereira, à parte dispensáveis achaques verbais, foi agreste com o treinador do Benfica e explicou-nos a todos por que razão, na temporada passada, André Villas Boas era o principal e ele o adjunto. Ou seja, que é muito grande a diferença entre uma coisa e outra…

Autor: Fernando Guerra

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 17:14

Março 15 2011

EM Portugal, o futebol continua a jogar-se muito fora dos estádios. Joga-se nos cafés, nos locais de trabalho ou nos bancos dos jardins. É irrelevante a hora e local, mas esses jogos, além do barulho na exposição dos diferentes pontos de vista, nenhum malefício transportam. Pelo contrário, aliviam pressões do quotidiano e ajudam o cidadão comum a atacar com ânimo indefinidamente recuperado os sacrifícios que todos os dias e cada vez com mais violência lhe são impostos. O problema reside nos outros, nos que se jogam em surdina no lodo de obscuros interesses, em nome de princípios abomináveis e com o recurso a procedimentos que uma sociedade civilizada não devia tolerar. Foi prática corrente durante anos. Agressões a jornalistas só porque ousavam ter opinião discordante. Clima de intimidação que a justiça tolerou e deixou que se arrastasse no tempo. Parecia em vias de extinção, ou apenas adormecido, mas não. Mantém-se vigilante e diligente. Ontem, no exterior de conhecido restaurante na cidade do Porto, dois indivíduos encapuzados acercaram-se de Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica e por acaso antigo ministro do Governo da República, agrediram-no e avisaram-no para não voltar a dizer mal do Porto/ clube. Fizeram o serviço com a destreza de quem revela traquejo a distribuir fruta e dispararam dali para fora em viatura conduzida por comparsa que os esperava em ponto estratégico. Tudo feito à luz do dia e na presença de testemunhas. É este o País em que vivemos e é este o futebol que nos querem impor. Pode demorar, mas a verdade há-de triunfar, contra batoteiros, marginais e quem lhes der guarida. Não há lugar para eles. Ou o que se passou nenhuma ligação terá ao futebol… Pois, deve ter sido uma desavença gastronómica…

Autor: Fernando Guerra

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 00:53

Outubro 10 2010

MAIS escutas sobre o processo Apito Dourado entram no circuito público por bênção de novas tecnologias de comunicação. Em rigor, a única novidade prende-se com os diálogos. No resto, tudo como antes, com os artistas habituais. Apenas os actores secundários se revezam, naquele papel de coitados, qual deles mais se curva no pedido de protecção no apelo aos bons desempenhos dos homens do apito. Dá a ideia de algum poder insondável, que ninguém com atribuições para tal é capaz de identificar, acusar e condenar: se uma pessoa de muitas e ricas influências, se uma organização secreta, se um sistema clandestino. Ou… se é tão-somente a fervilhante imaginação de um pequeno país, onde todos se conhecem e se invejam e em que as discussões no quintal do vizinho são o bálsamo que alivia as dores que atormentam a nossa própria casa.

Vivemos num estado de direito, como insistente e pedagogicamente ouço dizer a propósito de tudo e de nada, não vá o cidadão comum, pouco identificado com a complexidade das leis, pensar que este rectângulo na ponta ocidental da Europa se orienta ainda pelas regras do distante far west, em que no acto de julgar, apurados os factos, depois de pesadas circunstâncias agravantes e atenuantes, se absolvia o autor do disparo e se condenava a vítima pelo crime de intromissão abusiva na trajectória da bala.

Tornou-se uma inutilidade desperdiçar tempo com as escutas a partir da altura em que meia dúzia de tribunais a sério, como lhe chama Miguel Sousa Tavares, as ouviram, analisaram e decidiram: não valem nada. O problema é que quem se considera minimamente identificado com as questões do futebol português, e não tem a sua capacidade auditiva prejudicada, identifica facilmente os intervenientes e percebe, mesmo através de frases tolamente criptografadas, o alcance dos diálogos, não no acessório, mas no essencial: O esquema, o arranjo, o estratagema, a batota…

O assunto está resolvido, porque vivemos num Estado de Direito. As escutas devem ser destruídas e os desobedientes punidos. Pessoalmente, porém preferia viver num estado de verdade, de justiça, como gostaria que ela fosse, irrepreensivelmente justa e não resultado de aplicação cega, e também surda, de leis e mais leis, algumas cujas interpretações convidam a interminável espaço de discussão… e nenhuma consequência.

Desiluda-se quem pensar que, apesar do barulho provocado, o Apito Dourado vai contribuir para a purificação do ambiente futebolístico. As escutas agora apresentadas como novas apenas oferecem coisas velhas: as conversas e… os intérpretes, entre administradores, directores, amigos e afins, quase todos da área social do FC Porto.

 

NO DN de domingo reparei em uma notícia sobre um procurador adjunto suspenso por um ano, dado ter pretendido vender um bilhete para o concerto de Madonna por 450 euros quando o preço era de 60. Estamos a falar de um procurador adjunto, por isso sugere a prudência e devido recato. Espantoso é o facto de o magistrado apanhado ter pretendido inverter os papéis. Isto é, transferir o ónus de quem vendeu, para quem comprou, com o objectivo de desmascarar uma ilegalidade, o inspector da ASAE. A proposta de demissão de funções foi atenuada para um ano de suspensão, o que significa que o dito procurador, mais mês, menos mês, volta a andar por aí, em funções, legitimado pela lei, mas não pela moral. É como no futebol, continuam também por aí, ufanos e ilibados. Nada mudou.

 

COM a irritação que o caracteriza quando se cruza com o Benfica, Domingos Paciência anunciou que pretendia sair da Luz com cinco pontos de vantagem. Perdeu, mas não se convenceu. Disse ele que o pessoal de Jesus acabou o jogo encostado à sua área, amedrontado, por certo, e a queimar tempo. É a opinião dele. A minha diverge: pelo que vi na televisão, sugiro a Domingos a humildade que tem tido noutras situações e agradeça a quem quiser por não regressar a Braga com outra derrota pesada no bornal. Não lhe retiro o mérito, mas a sorte foi boa companheira. Uma coisa é deixar andar, jogar para o empate ou apostar no erro contrário (Braga); outra, substancialmente diferente, é assumir a iniciativa desde o primeiro minuto, jogar declaradamente para vencer, construir várias oportunidades de golo (Benfica).

Autor: Fernando Guerra

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:37

Julho 13 2010

Desde Preud’homme que o Benfica não apresenta um guarda-redes com a classe que se deve exigir a quem protege a baliza de um clube da elite mundial, vocacionado para conquistar títulos. Com o devido respeito, nem Quim, nem Moreira, nem Moreto, inventado por Koeman, nem Júlio César, tutelado por Jesus, apresentam credenciais suficientes para reivindicarem esse estatuto de excepção, apenas reservado aos verdadeiramente bons e onde não cabem os que, sendo também bons, ninguém o contesta, só engrossam a turba dos razoáveis, que sobressaem em ambientes de média pressão e manifestam incontrolável tentação para a desgraça quando errar é absolutamente proibido. Para mim, desde Manuel Bento e Vítor Damas, o único grande guarda-redes que País teve, chama-se Vítor Baía. A partir dele entrou-se na geração dos assim-assim, dos mais ou menos. Ora arrebatam multidões, ora destroçam ambições. Falta-lhes consistência e estabilidade como resultado de deficiente formação de base.

Ricardo, por exemplo, recusou aceitar que a sua inesperada promoção a principal da Selecção se deveu mais a uma questão de conveniência política do que ao mérito. Um mistério que perdura. A Federação, Madaíl, Scolari, o Governo, sabe-se lá…, alguém decidiu eliminar Baía sem avaliar as consequências de tão grotesca medida. Uma mudança nunca esclarecida que Queiroz resolveu riscar dos assuntos pendentes ao deixar cair Ricardo e apostar em Eduardo. Melhorias? Porventura houve algumas, mas irrelevantes. O número um de Portugal trocou Braga por Génova. Está em alta após brilhante passagem pelo Mundial da África do Sul. No entanto, será a partir de agora, numa Liga muito mais forte e com outra visibilidade, que se lhe depara aliciante oportunidade de subir até ao patamar de um Buffon ou de um Júlio César, dos melhores, ou ficar mais baixo, no enorme salão de convívio dos bons, simplesmente…

Está época, o Benfica parece, finalmente, ter descoberto o homem certo. Foi ao mercado espanhol adquirir um guarda-redes de futuro, assegura quem patrocinou o negócio, e, por isso mesmo, dispendioso, muito embora numa contratação o preço seja sempre relativo, devendo ter-se em consideração diversos factores como posição, idade, altura, margem de progressão ou perfil psicológico. Quero eu dizer que os oitos milhões pagos por Roberto podem ser exagerados ou não… É preciso apelar à sensatez e aprender a esperar, motivo por que considero despiciendo estar-se a alimentar polémicas a propósito dos frangos do espanhol no jogo de preparação na Suíça. Os adeptos chamam Moreira, por gostarem dele, mas o sucesso costuma ter relação difícil com este tipo de simpatias. A não ser que queiram transformar Roberto numa espécie de Butt 2; ou seja, que estejam já a cozinhar em lume brando condições para queimar mais um. Lembram-se? O alemão chegou e não lhe descobriram qualidades, nem Fernando Santos, primeiro, nem Camacho, depois. Este, então, não descansou enquanto não lhe calçou uns patins. Dois ou três disparates foram bastantes para o dar como inapto e… ressuscitar Quim. Pois bem, Butt teve a sorte de encontrar mais adiante um treinador distraído o qual, provavelmente por acaso, lhe atribuiu a responsabilidade de guardar a baliza do Bayern de Munique. De facto, Van Gaal não deve entender patavina do assunto para tanto confiar em quem aquela dupla técnica luso-espanhola nada viu de interessante. O único prejudicado acabou por ser o Benfica. Butt jogou na final da Liga dos Campeões e o seleccionador alemão, outro visionário, convocou-o para suplente de Neuer, tendo-o escolhido para a decisão do 3º lugar com o Uruguai. Pode não ser uma estrela, mas entre ele e Quim, francamente… Três anos depois, cometer o mesmo erro será um atropelo à inteligência e uma afronta aos interesses do Benfica. Roberto pode não ser a solução, uma dúvida. Moreira não é a solução, uma certeza. Eis a diferença.

Autor: Fernando Guerra

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 13:56

Julho 09 2010

DAVID LUIZ é um daqueles futebolistas bem recebidos em todos os clubes do mundo, mas a quem só os melhores, ou os mais ricos, para ser explícito, têm acesso, como é óbvio. Tão óbvio que basta reflectir sobre a recente proposta do Manchester City, inimaginável por um defesa-central com jeito também para lateral e que faz de cada jogo uma festa. 35 milhões de euros, sete milhões de contos na moeda antiga, uma verdadeira fortuna, mas ainda assim insuficiente em relação ao valor estipulado na cláusula de rescisão e reclamado pelo presidente do Benfica, 50 milhões. Duvido que algum emblema chegue tão longe e encaro a irredutibilidade de Luís Filipe Vieira como mera estratégia negocial, para seleccionar eventuais interessados e desaconselhar quantos não estiverem dispostos a subir as ofertas até ao limite por ele considerado razoável: muito elevado, mas não obrigatoriamente igual ao que ficou registado em contrato. Os adeptos suplicam ao jogador que fique. Adoram-no. O brasileiro dos caracóis agradece e afirma que o seu coração é e será benfiquista, mas há outro factor muito importante: o ordenado milionário oferecido pelos ingleses, quatro/cinco vezes superior ao que recebe do Benfica.

David Luiz é uma das peças mais valiosas do tesouro da Luz e Vieira, melhor do que ninguém, sabe que vai ficar sem ele um dia, talvez já. O que será negativo do ponto de vista da preparação da equipa, mas magnifico para a saúde financeira do clube. Assim se prova o exagero das críticas que se lançaram, de fora e de dentro, a propósito do recurso ao endividamento para formar uma equipa campeã. O Benfica pediu com a certeza de poder pagar. Como Vieira repetidamente afirmou. Falar verdade à nação benfiquista tem sido o seu grande mérito.

Autor: Fernando Guerra

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 16:28

Junho 19 2010

As classificações anuais dos árbitros podem ser estruturadas com base em critérios de rigor, mas apenas são entendíveis em toda a sua extensão por gente do ofício. Sempre se nos apresentaram por isso envoltas em estranho manto de mistério, propensas a desconformes interpretações. Não é assunto particularmente entusiasmante, nem a confraria alguma vez revelou interesse em deixar de funcionar em circuito fechado, pois no dia em que a arbitragem decidir transformar-se em coisa normal, poderemos então encontrar respostas para muitas das dúvidas que hoje incomodam quem, como eu, entende mal os códigos de conduta no império do apito. Se me refiro a elas, às classificações, é por ver Pedro Henriques em lugar de despromoção. O árbitro que até há pouco tempo era apontado como exemplo, ao nível da filosofia, privilegiando um certo estilo inglês, em que o jogador é de facto o único protagonista, e também de seriedade, foi ‘despachado’ para a 2ª categoria. Sentiu-se atingido. Por isso, a um ano de terminar a carreira, sugeriu-lhe a dignidade que acabasse já! Nobre atitude.

Na época transacta foi nomeado para oito jogos da Liga Sagres, três deles em que um dos intervenientes foi o FC Porto. No primeiro, em Olhão, errou, mas distribuiu a asneira pelas duas aldeias. E nos outros?

FC Porto-V.Setúbal: rezam as crónicas não ter visto dois penalties, um sobre Hulk e o outro sobre Sapunaru.

V.Setúbal-FC Porto: mostrou a Falcao o cartão amarelo que o afastou do clássico no Dragão com o Benfica. Ah!, e expulsou Jesualdo Ferreira.

Com pecados destes, Pedro estava à espera de quê?...

Autor: Fernando Guerra

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 09:13

Junho 01 2010

Foi uma distracção, reflexo de alguma inabilidade na utilização da palavra falada ou suscitada por incontrolável atracção pela exorbitância de poderes. Lapso, aliás, que muito confunde os treinadores portugueses sobre os limites de autoridade, da importância e da responsabilidade que lhes é endossada para o normal desempenho das funções. Só pode ter sido uma distracção o que de mais barulhento Jorge Jesus comunicou em entrevista à RTPN. Não há razões para duvidar de que tudo se desenrolou como foi relatado, da mesma maneira que não fará sentido admitir-se sequer que a provável dispensa de Quim saltasse para a esfera pública sem prévia concordância da hierarquia, em relação a este e aos restantes praticantes. Escusada foi a necessidade de valorizar o eu singular, prática em clubes de reduzida dimensão, onde o treinador, à sombra de meia dúzia de bons resultados, adquire protagonismo excessivo, espécie de milagreiro de ocasião se porventura o emblema vislumbra horizontes nunca antes imaginados. Ao nível de um grande clube, porém, não é assim. Existem áreas de intervenção definidas e para cada uma delas são escolhidas pessoas capazes e sabedoras, para comunicar, para treinar, para formar, para negociar e, principalmente, para dirigir.

A figura do manda-chuva, retratada no presidente pagante que se comporta como dono e compra ou vende a seu bel-prazer ou no treinador que vence alguma coisa e se julga no direito de dar ordens ao presidente, apenas cabe em emblemas pequenos. Vivem de ilusões, nunca abraçam títulos. De aí que Jesus esteja em fase de aprendizagem e adaptação a nova realidade na sua careira. Admito, por isso, não ter compreendido ainda que, ao aderir a tão grandiosa empreitada, Pompeu com o passado. Para a Luz trouxe a memória e a experiência. Mas se um dia quiser triunfar na Liga dos Campeões, como diz, está obrigado a dominar o novo mundo e a aceitar de uma vez por todas que por mais agradável que tenha sido o prazer sentido no seu trajecto, Felgueiras, Setúbal, Belenenses… até chegar a Braga, daqui em diante é completamente diferente, nas exigências e nos objectivos.

Na hora de festejar costuma faltar o tempo para reflectir e para controlar o que se diz e até o que se pensa. Naturalíssimo, portanto, o facto de a nação benfiquista ver em Jesus uma espécie de salvador da pátria depois de várias tentativas fracassadas para recolocar a águia na rota das conquistas nacionais e europeias. Houve no entanto, longo e penoso caminho a cumprir até se alcançar este patamar de estabilidade. Muitas batalhas foram travadas, e ganhas por quem, entre virtudes e pecados, retirou o clube da ruína e lhe devolveu a dignidade perdida. Por isso, ordenam a prudência e a verdade uma pausa na vaga de justificada euforia para colocar as coisas no seu devido lugar. Se me perguntarem o nome do principal responsável pela época de sucesso desportivo, respondo Luís Filipe Vieira. Como primeira figura de uma equipa onde alinha gente de inatacável competência e inexcedível entusiasmo, desde os mais complexos actos de gestão a simples projectos em execução que, discretamente, erguem o Benfica do futuro.

Não é minha intenção ferir o mérito que a Jesus pertence, mas o título do Benfica não foi obra do acaso. Podia ter acontecido há um ano. Mas falhou o investimento em Quique Flores e, além disso, o FC Porto, com Lucho González, era muito mais forte. Para 2010, Vieira arriscou, apresentou reforços valiosos e, ao invés, no Dragão, fez-se a festa com Alvaro Pereira e Falcão, os jogadores roubados ao Benfica. Por isso, com precioso plantel para trabalhar, e não querendo ser injusto, sublinho, acredito que o mais difícil seria não ser campeão. Mesmo a saída nos quarto-de-final da Liga Europa, agora, à distância, continua a cheirar a prioridade mal amanhada. O grande desafio de Jesus, o teste à sua verdadeira capacidade, verificar-se-á a partir de agora: os adversários em alerta máximo e a pressão a subir a valores explosivos, ambientes de alta tensão. Mourinho adora-os. E Jesus? Vamos ver!

Autor: Fernando Guerra

Fonte: Jornal A Bola

publicado por Benfica 73 às 11:17

Maio 12 2010

O Benfica conquistou o seu 32.º título nacional sem deixar rasto de dúvidas nem pecados. Ganhou porque foi o clube que apresentou em competição o quadro de jogadores mais competente e mais valioso, o que praticou o futebol de mais alta qualidade, o que somou mais pontos e o que marcou mais golos, é avassaladora a superioridade benfiquista dentro do relvado, porque fora dele a estratégia foi diametralmente oposta. Não entrou em polémicas, não promoveu conversas turbulentas, nem discursos irreflectidos. Em nada contribuiu para o ambiente de má vizinhança no futebol.

Jorge Jesus pode ter muitos defeitos, mas adquiriu por direito, neste momento de celebração, o papel de protagonista. Luis Filipe Vieira entregou-lhe um plantel de luxo, vocacionado para o triunfo, mas desarrumado. A precisar de alguém que pudesse retirar de um motor de elevada potência o rendimento máximo, ou próximo, suficiente para sufocar os mais sérios adversários de uma Liga com condições para acelerar o passo, mas teimosamente agarrada aos conceitos gastos do passe curto, do truque, do jeito, da intriga de botequim ou da traição de vão de escada…

Jesus poderá não ser um mestre de cerimónias, nem desfrutar no interior de classe de treinadores de amplas simpatias, mas soube aproveitar o divino convite que Vieira lhe fez. Com trabalho sério, abraçou o principal objectivo, e repetidamente anunciado: o título nacional. Agora, por força das circunstâncias, ele próprio já aumentou o grau de exigência, embora continue a não ser muito explícito quanto às prioridades.

Não sei se Jesus já se deu conta disso, mas não é vergonha ser campeão pela primeira vez aos 55 anos. Jesualdo Ferreira foi-o aos 59 e… nas duas épocas seguintes. O treinador benfiquista, se a humildade nunca o abandonar, reúne, por isso, condições óptimas para o igualar, ou até suplantar, e, porque não, reacender a chama europeia que a maldição Guttmann apagou um dia. Desafio mais entusiasmante que este será difícil…

Jorge Jesus o campeão, mas Domingos Paciência é a revelação, ou confirmação, como se quiser, por ter empreendido, com admirável sucesso, obstinado cerco ao primeiro lugar que durou na prática um campeonato inteiro. No entanto, o treinador do Sporting de Braga talvez não tenha entendido que há vitórias que extravasam em significado e importância a história de u vulgar jogo, de aí não valorizar devidamente o facto do emblema minhoto, mesmo segundo, ter conseguido a sua melhor classificação de sempre e de pela primeira vez ter entrado nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Em vez de se empenhar na proclamação destas conquistas, que o são, cai no vazio da insinuação pouco clara ou da referência deselegante ao Benfica, transformando intervenções institucionais em amontoado de frases inflamadas, à semelhança das grosserias que tanto gozo parecem divertir os Super Dragões. Falta-lhe moderação no que diz. Pensava que Domingos Paciência se libertara desses tiques tribais. Escrevi-o há uma semana, convencido, pelo mérito do seu trabalho, que abandonara tais preconceitos e reclamara a sua independência intelectual. Talvez me tenha precipitado. A vida de um treinador é ingrata, feita de subidas espectaculares e quedas brutais. Hoje, Domingos opta por uma linguagem de arrogância e cai no despropósito de reivindicar o mesmo estatuto de quem apontou (só!) mais 30 golos do que a sua equipa. Há meia dúzia de meses, porém, estava com um pé fora do Braga, após de ter falhado o apuramento para a Liga Europa. Amanhã, como será? Não sei, mas creio que excelente oportunidade se lhe depara para cativar Pinto da Costa. Basta garantir a participação na Champions e manter-se na frente da classificação da Liga. Como? Convença o seu presidente (ou um deles…) a investir no reforço da equipa. Talvez lhe entreabram então uma porta no Dragão. Não é isso que mais deseja?

Autor: Fernando Guerra

Fonte: Jornal A Bola

publicado por Benfica 73 às 17:23

Abril 24 2010

Amanhã, pode haver campeão. Basta que o Benfica vença o Olhanense, tarefa nada fácil na medida em que, apesar de mal classificados, os algarvios gostam de dar nas vistas de cada vez que visitam os grande palcos – pegaram susto medonho em Alvalade (2-3) e roubaram dois pontos no Dragão (2-2) - , razão pela qual, como Jesus insistentemente tem alertado, todas as precauções se recomendam aos jogadores do emblema da águia; em concomitância, exige-se que o Sporting de Braga tropece na viagem ao campo do Naval, entendendo-se por tropeção simples empate o que, em rigor, é um exagero, pois estamos a referir-nos ao semifinalista da Taça de Portugal e ao 9º classificado da Liga.

Amanhã, pode não haver campeão. Basta que braga obtenha idêntico resultado ao do Benfica diante do Olhanense.

Simples exercícios jornalísticos que não se ficam por aqui… Até agora o acento tónico tem sido colocado precisamente na possibilidade de o Braga diluir a desvantagem para o Benfica e disparar o seu projecto de estabilidade e crescimento em obediência ao tratado de boa vizinhança estabelecido com o aliado o FC Porto.

Desportivamente, os clubes nortenhos uniram-se para tramar o Benfica, mas como sempre acontece nas histórias para as crianças, os bons ganham aos maus, de aí emergir terceira hipótese para confundir as anteriores: O Benfica somar mais três pontos, Braga empatar e o FC Porto ganhar. Neste caso, haveria campeão amanhã mas, tal como Egas Moniz de baraço ao pescoço, o presidente António Salvador, para segurar o segundo lugar, única via de acesso à Champions, teria de libertar-se do braço amigo do presidente Costa e pedir ao presidente Vieira para o proteger da reacção portista. O destino tem destas coisas…

 

Autor: Fernando Guerra

Fonte: Jornal A Bola

publicado por Benfica 73 às 12:30

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