Novembro 06 2010

Desde o início da época que se ouvem algumas vozes defender que, para o Benfica, este campeonato está perdido. E se partirmos do pressuposto de que, este ano, o principal adversário do Benfica tem sido o Benfica da época passada, estou disposto a concordar com o diagnóstico. Em rigor, o Di María, o Ramires e o Saviola de 2009/10 – hoje em dia, todos eles a jogar em clubes de dimensão mundial – não dão, por enquanto, qualquer tipo de hipótese ao Peixoto, ao Salvio e ao Saviola de 2010/11. Se, pelo contrário, olhámos para os nossos adversários reais, a conversa é outra.

Aos poucos, Jorge Jesus vai começando a fazer o luto da equipa do ano passado e a tomar-se mais pragmático. Até há bem pouco tempo, os leigos só concebiam duas variantes na utilização de Fábio Coentrão e César Peixoto na ala esquerda: Coentrão ataca mais/ Peixoto defende mais, ou Coentrão defende mais/ Peixoto ataca mais. Em boa hora, Jorge Jesus optou por uma alternativa, que não ocorrera a mais ninguém: Coentrão ataca mais e defende mais/ Peixoto ataca menos e defende menos. Se, à primeira vista, a opção parece ter uma ligeira natureza burlesca, não me parece, contudo, que os franceses do Lyon estejam nesta altura em casa a rir-se do facto de terem saído da Luz com quatro “baguettes”.

Ora, esta estratégia implica, como António Tadeia observou, que Coentrão passe variadíssimas vezes por Peixoto: à ida para a grande área adversária (e, como se viu contra o Lyon, Peixoto é só o primeiro de muitos por quem Coentrão passa, a caminho da baliza adversária) e no regresso para a sua grande área. Ou seja, Peixoto faz, em campo, o papel de pai do Coentrão: como já não tem idade para aquelas correrias, diz-lhe que ele pode ir brincar com os outros meninos na relva, mas que não se afaste muito, e que volte à hora combinada. Pode ser o início de uma bonita amizade.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 17:24

Outubro 30 2010

Uma acção de protesto levada a cabo pelos árbitros portugueses pode colocar em risco a deslocação do Benfica à Faixa da Gaza, no próximo fim-de-semana. De acordo com os seus representantes, os árbitros colocam a hipótese de não apitar o FC Porto -Benfica da próxima jornada, o que não se pode dizer que constitua uma grande ameaça. Se atentarmos nos lances que esta época se têm passado dentro da grande área do FC Porto, já é isso que os árbitros fazem: não apitam. Ou seja, a verdadeira ameaça dos árbitros é não apitarem os lances do FC Porto – Benfica que acontecerem nos restantes dois terços do terreno de jogo. Trata-se, portanto, de uma greve relativa

Entretanto, o “Correio da Manhã” noticiou que uma das alternativas que estariam em cima da mesa seria a contratação de um árbitro espanhol para apitar o clássico do golfe português. Devo dizer que se trata de um opção que não me tranquiliza minimamente. Temo que isso fornecesse um pretexto para que houvesse ainda mais portugueses a queixarem-se da fruta espanhola.

Ainda assim, esta ameaça de greve serviu para nos inteirarmos um pouco mais sobre os regimes fiscais e de segurança social que abrangem os árbitros. É curioso que estejamos, desde os anos 80, a falar publicamente sobre o que recebem os árbitros, e esta seja a primeira vez que estamos a falar especificamente dos seus ordenados. Posso dizer que outra surpresa foi a categoria fiscal em que estão inseridos: julgo que só quem não tem assistido às arbitragens dos últimos jogos do Benfica e do FC Porto é que pode dizer que os árbitros portugueses são trabalhadores independentes. Confesso que, não sei bem porquê, sempre deduzi que fossem trabalhadores por contra de outrem.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 15:23

Outubro 23 2010

Não tem sido um começo de época fácil para Jorge Jesus. Por exemplo, desde Agosto até à presente data, o técnico do Benfica tem sido severamente criticado por ter contratado o Roberto, e largamente elogiado por ter contratado o Roberto.

Ao mesmo tempo, alguns analistas acusam-no de não estar a conseguir encontrar um discurso adequado às actuais circunstâncias da equipa – esta época, Jorge Jesus continua a falar como o Jorge Jesus, mas obtém resultados como o Quique Flores. Na verdade, é perfeitamente compreensível. É possível que, depois da época que o Benfica fez no ano passado, Jorge Jesus se tenha esquecido por completo do que se diz quando não se ganha um jogo. Porventura, ser-lhe-á mais fácil levar a cabo uma profunda revolução técnico-táctica na equipa, de forma a começar a golear de novo sem dó nem piedade os adversários, do que passar a aparecer mais submisso nas conferências de imprensa.

Pessoalmente, sinto-me muito desconfortável a avaliar as decisões de Jorge Jesus. Sei, teoricamente, que é impossível ele tomar sempre a melhor opção. Mas tenho quase tanta confiança em Jorge Jesus como ele tem em si próprio (ou seja, o máximo que se pode ter).

Dito isto, dizer que Jorge Jesus de vez em quando toma uma má decisão é como dizer que a Giselle Bündchen tem estrias. É possível que sim. Mas são estrias com mais sex appeal que certos seios e nádegas; são estrias que mulheres sem estrias invejam; são estrias tão sensuais, que têm a forma de um cinto de ligas.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:25

Outubro 16 2010

– Desliga o computador. Temos de ter uma conversa muito séria...

– Para quê tanto suspense? A stôra de Português avisou-me que ia falar contigo hoje.

– E então? O que é que tens a dizer em tua defesa?

– Nada.

-Nada? Portanto, o teu teste de Português está igualzinho ao teste do Vasco, que por sinal é o melhor aluno da turma, e tu não tens nenhuma explicação para isso.

- A stôra só veio com essa, porque estava à espera que eu tivesse outra nega para me chumbar.

- Eu vi os testes, meu menino. As respostas são textualmente as mesmas, palavra por palavra. É impossível não teres copiado. Sabes o que isto quer dizer? Dois meses sem semanada. DOIS MESES!

- Sim, mas como é que se prova?

- Desculpa?

- Como é que se prova que fui eu que copiei, e o não o Vasco? Estás a entender a questão?

- Não estou a acreditar no que estou a ouvir. Quer dizer que não serviu para nada ter andado estes anos todos a gastar a minha saliva contigo sobre a importância de sermos honestos, sobre o valor da integridade e da…

- …retidão moral. Eu lembro-me, Mas, ó pai quando o Porto ganha o campeonato, não vamos para os Aliados festejar?

- O que é que isto tem a ver?

- Pai, eu tenho 11 anos: como todos os rapazes da minha idade, estou todos os dias no YouTube.

- No YouTube.

- No YouTube. Eu já não sou uma criança, pai. Sei como é que as coisas funcionam. E tu também sabes, há mais tempo do que eu. Desde que não sejamos apanhados, às vezes temos de dizer “toca a andar!”, temos de recorrer à “fruta de dormir” e ao “nosso juiz”, se queremos atingir os nossos objectivos. Queres que eu chumbe o ano?

Queres ir outra vez à Liga Europa? Vá, que cara é essa? Anima-te, pai. Não me dás os parabéns pela nota a Português?

- Os parabéns? Bom, foi efectivamente uma boa surpresa.

- Obrigado, pai. Só mais uma coisa?

- O que é?

- Dava-me jeito que me desses a semanada agora…

- Vou buscar a carteira.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:03

Outubro 09 2010

Recentemente, até os mais renitentes adeptos do FC Porto começaram a ter razões para acreditar que o futebol português é um caso de polícia. Na segunda à noite, foi uma grande penalidade que não apareceu. Na terça à noite, foi um comentador que desapareceu. Do ponto de vista dos protagonistas, o descontrolo emocional adquiriu diferentes contornos: enquanto André Villas-Boas queria falar de uma coisa que não aconteceu (costuma-se dizer, e agora confirma-se, que os mais novos têm muita imaginação), Rui Moreira recusava-se a falar de uma coisa que aconteceu.

Em termos comparativos, o pungente pedido do técnico do FC Porto à TVI é mais maquiavélico. Procurar um penálti não assinalado contra o FC Porto é uma tarefa para a qual basta um estagiário. Já mandar um estagiário procurar um penálti não assinalado a favor do FC Porto não é uma tarefa, é uma praxe: é a caça ao gambozino dos tempos modernos.

Seja como for, Rui Moreira venceu André Villas Boas no capítulo da ambivalência. Por um lado, é contra a prática pidesca das escutas; por outro, é a favor da prática pidesca de tentar condicionar os assuntos sobre os quais os outros querem falar. Mas desdramatizemos: sem Rui Moreira, “Trio D’Ataque” melhorou substancialmente. Se Rui Oliveira e Costa também tivesse abandonado o estúdio, aí então teria sido um programa genial. Mas compreendo que tenha que ficar alguém para defender o ponto de vista do FC Porto. E não só: Rui Oliveira e Costa representa também no programa um terceiro grupo, o dos portugueses sem qualquer tipo de escolaridade: quando, por exemplo, se dirige ao moderador para lhe dizer “explicitastes claramente” e “fostes exemplar”. Enfim, as coisas são o que são. Uma laranjeira não dá nêsperas.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:46

Outubro 02 2010

Foi azar. Na semana em que Pinto da Costa, aludindo à conferência de imprensa de Vítor Pereira, veio dizer que nunca viu um responsável, seja do que for, censurar publicamente aqueles que dirige, José Mourinho – uma das mais reconhecidas autoridades do Mundo em matéria de liderança – criticou em público um dos seus jogadores. E para isso nem foi preciso que o jogador do Real Madrid em questão tivesse errado em quatro lances de golo iminente. Na realidade, Pedro León limitou-se a não seguir as instruções que lhe deram antes de um jogo. Um erro que, a bem da verdade, Olegário Benquerença nunca comete.

Mas voltando atrás, a infelicidade das declarações do presidente do FC Porto não me surpreendeu. Pessoalmente, nunca julguei que Pinto da Costa possuísse competências de liderança. Um líder deve confiar plenamente nas suas capacidades. Pinto da Costa, pelo contrário, é demasiado inseguro: contrata jogadores e treinadores que lhe parecem mais competentes, mas, à última da hora, não acredita nas escolhas que fez, e tenta resolver a coisa de outra forma. Um internauta que vá ao youtube, por exemplo, não encontra uma única conversa telefónica de ou para Pinto da Costa sobre atletas promissores ou treinadores talentosos. Talvez por isso muitos dos jogadores do FC Porto digam que assinaram em quatro ou cinco minutos – o presidente do clube deve, em seguida, ser libertado para tarefas mais decisivas.

De resto, fala-se muito nos valores de Pinto da Costa, mas o certo é que as escutas revelam um homem preocupado com o nosso planeta. Vê-se que está assustado com a pegada ecológica deixada pelos árbitros nas suas deslocações até aos estádios, quando repete várias vezes frases como “esse é de muito longe!”, ou “porque é que não pões um do Porto?”

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 10:33

Setembro 26 2010

Pessoalmente, sempre gostei muito de ficção científica. Talvez por isso tenha apreciado de forma particular a seguinte pergunta que um jornalista fez, esta semana, a André Villas-Boas: “Coloque-se perante este cenário: no jogo com o Olhanense, o FC Porto é prejudicado pelo árbitro…”

Assim, de repente, lembro-me de vários episódios do “Star trek” com pontos de partida mais verosímeis. Por outro lado, na ressaca da falência do comunismo, podemos estar perante o dealbar de uma nova utopia vermelha – milhões de seres humanos, espalhados pelo Mundo inteiro, que acreditam ser possível construir uma sociedade onde um árbitro marque um penálti contra o FC Porto! Eu acredito! Junte-se o leitor também a este movimento! André Villas-Boas já o fez, nomeadamente quando, em resposta à pergunta acima citada, afirmou: “Há de chegar o dia em que nós nos sentiremos injustiçados (…).” Ele também acredita!

Mas o treinador do FC Porto ainda teve tempo para comentar a reacção do Benfica à arbitragem de Olegário Benquerença: “O refúgio para as derrotas vai sempre ser o mesmo”. Isto vindo de um homem que nunca se refugiou na arbitragem para justificar as derrotas tem outra credibilidade. Infelizmente, André Villas-Boas não é esse homem. Basta recordar as suas palavras na última partida que o FC Porto perdeu, em Agosto, no Torneio de Paris: “É um árbitro que ajudou à festa dos clubes franceses do torneio (…) Sinto um sentimento de injustiça perante o que se passou no golo”. Só quem já foi prejudicado num lance – e não em quatro – de um jogo particular – e não de uma partida a contar para o campeonato – é que consegue compreender este sentimento de revolta.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 03:52

Setembro 18 2010

Para um observador desatento, alguém que tenha vivido muito tempo no estrangeiro ou possua apenas algumas noções elementares sobre futebol - e apercebo-me, neste momento, que o prof. Carlos Queiroz encaixa em ambas as categorias - não deixa de ser bizarro que o maior clube de Portugal detenha tão pouca influência nos centros de decisão. Se não vejamos: um outro clube é condenado por corrupção e não desce de divisão; o presidente de um outro clube é apanhado a produzir declarações comprometedoras em escutas telefónicas e é absolvido pelos tribunais comuns; um jogador de um outro clube que agrediu comprovadamente um steward vê o castigo ser reduzido para três jogos; e, em termos de arbitragens, o Benfica é prejudicado de forma sistemática. Como eu costumo dizer, errar é humano; mas errar sempre para o mesmo lado é fruta.

Face a isto, o que fazer? Como vencer adversários que recorrem a métodos tenebrosos, sem recorrer também a esse tipo de métodos? A resposta deu-a, esta semana, o presidente da Assembleia Geral do Benfica, através do anúncio de medidas legítimas e legais, nomeadamente o pedido para que os adeptos não compareçam nos jogos da equipa fora do Estádio da Luz. Trata-se de uma medida que, a meu ver, só peca por tardia, uma vez que os adeptos do FC Porto e Sporting há décadas que a andam a pôr em prática.

Entretanto, apesar de não ter rigorosamente nada que ver com o que está a acontecer por estes dias no futebol português, houve esta semana no prédio onde vivo uma onda de assaltos, pelo que eu e os meus vizinhos fizemos queixa na polícia. Numa reviravolta inesperada, os condóminos do prédio do lado alegaram que os larápios estavam a sofrer uma pressão insustentável para não roubarem, coitados.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:19

Setembro 11 2010

A euforia da vitória toldou-nos o pensamento. No final da época passada, devíamos ter percebido o que aí vinha. O facto de o Benfica, num ano em que praticou um futebol esmagador, apenas se ter sagrado campeão na última jornada deixava adivinhar o que poderia acontecer se a equipa iniciasse a época só a jogar um futebol muito agradável. Na época passada, o Benfica também atravessou crises gravíssimas, é certo. Lembro-me, por exemplo, de uma jornada em que, já não me lembro porquê, só conseguimos ganhar 3-0. E não foi só dessa vez. A certa altura, comecei a ficar deprimido cada vez que o Benfica goleava pela margem mínima – uma expressão que, por si só, diz tudo sobre o patamar de exigência que se instalou entre os adeptos.

Mas, ontem, enquanto assistia à arbitragem de Olegário, dei por mim a ter saudades de arbitragens habilidosas. Se não, vejamos: como benfiquista, estou psicologicamente preparado para ver a minha equipa ser roubada. Às vezes, penso até que a culpa é nossa. Quem é que manda os atletas do Benfica andarem, sozinhos, num campo de futebol português, à noite? É, no mínimo, imprudente.

Ainda assim, há coisas para as quais, ontem, não estava preparado. Por exemplo, quando um central do Guimarães derruba Pablo Aimar em plena grande área, Olegário dirige-se ao jogador do Benfica e faz o gesto universal de “foi na bola”. E quando Carlos Martins sofre outro penálti, Olegário faz o gesto universal de “levanta-te mas é”. Refiro isto, porque trata-se de mímica vulgarmente praticada por adversários. Mas, vendo bem, foi esse o papel de Olegário ontem: um digno adversário. Resta-nos agora esperar que a equipa reaja nas próximas jornadas, porque até ao fim do campeonato ainda há um complicadíssimo Benfica-Jorge Sousa, e um Pedro Proença-Benfica, que é sempre um jogo de tripla.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 19:40

Setembro 04 2010

Decididamente, algo não vai bem na organização do futebol português. Ontem, em pleno jogo contra o Chipre, em que – aí, sim – fazia mesmo falta alguém para acordar os jogadores da nossa selecção, onde estavam os médicos do controlo antidoping? Seja qual for a explicação, notou-se que a Selecção estava em piloto automático. À semelhança do que já tinha acontecido contra a Espanha, depois de se substituir Hugo Almeida, sofre-se um golo – é automático.

Admito que uma das explicações para o desaire de ontem seja os abandonos de Deco, Simão e Paulo Ferreira. Se bem que, pelo aspecto das bancadas, desconfio que a população portuguesa também está prestes a renunciar à Selecção. No meu entender, seria uma injustiça uma vez que não há país no Mundo que se esforce mais por encontrar novos caminhos para o futebol. Por exemplo, em 86, Portugal tinha quatro seleccionadores no banco. Ontem, não tínhamos nenhum. Como estava a cumprir castigo, Carlos Queiroz estava só a assistir, sem qualquer capacidade de decisão nos vários momentos da partida. Nessa medida, não houve muitas diferenças em relação aos jogos do Mundial.

Mas nem tudo é negativo no futebol português. Depois do polvo alemão que adivinhava o resultado das partidas do Mundial, podemos estar perante um polvo português que, adivinhando os fracos resultados que Carlos Queiroz iria obter nesta qualificação, decidiu encetar o afastamento do seleccionador. É possível que o polvo Amândio não fique atrás do polvo Paul no que diz respeito a perspicácia futebolística.

Apesar do empate, não se pode dizer que ontem tenha sido um dia completamente negativo para o seleccionador nacional. Ao pé do juiz que ontem leu o acórdão da Casa Pia, o Carlos Queiroz parece um menino de coro.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 14:29

Agosto 28 2010

Há umas semanas, fez-me alguma confusão ouvir Rui Oliveira e Costa no “Trio de Ataque” responder à pergunta sobre como tinha assistido à estreia de João Moutinho com a camisola do FC Porto da seguinte maneira: “Eu, nessa matéria, não tenho estados de alma”. É uma resposta política, bem sei. Mas quando os adeptos – e é nessa condição que Rui Oliveira e Costa se encontra no programa – começam a falar como os presidentes dos conselhos fiscais, sinto que se está a deixar de falar de futebol (não deixa de ser curioso, em todo o caso, que o Sporting tenha nesse programa um adepto que fala como um dirigente, e tenha na presidência um dirigente que fala como um adepto).

Eu admito que, no que diz respeito ao futebol, a única coisa que tenho são estados de alma. Quando o meu clube ganha, tenho um estado de alma. Quando perde, tenho, feito parvo, outro estado de alma. Se o Nuno Gomes se transferisse para o FC Porto, era capaz de ter uns quinze ou vinte estados de alma ao mesmo tempo. Numa duvidosa opção, guardo a frieza emocional para matérias como o preenchimento do modelo B do IRS. Se bem que até isso consegue ser, para o meu contabilista, uma montanha-russa de emoções.

Se há coisa com que nós, benfiquistas, não pactuamos no futebol é a temperança. No seguimento das últimas quatro derrotas seguidas do Benfica, comecei outra vez a dormir à noite agarrado a um urso de peluche, e sempre com uma luz de presença. A facilidade com que no Benfica um estado de profundíssima euforia dá lugar a um estado de profundíssima depressão é um dos grandes patrimónios do Clube, que deve ser preservado. Por outro lado, é mais fácil manter-se a serenidade em Alvalade e nas Antas, cujos estádios costumam estar às moscas, do que na Luz. Toda a gente sabe que é mais comum instalar-se o pânico onde há multidões.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 11:36

Agosto 21 2010

Lembro-me de ler há umas semanas na revista “Sábado” uma resenha dos ataques de fúria de Carlos Queiroz. Segundo a reportagem, o seleccionador insultou em Durban adeptos portugueses logo pela fresquinha só porque estavam a falar um bocadinho alto no hall do hotel. E na Cidade do Cabo só havia uma sala para jantar e ainda assim expulsou o pessoal de apoio da Federação da sala onde comia a equipa. Terá chegado mesmo a fazer ultimatos aos cozinheiros da comitiva no sentido de a canja não ter ovos. Dito isto, não sendo propriamente um acérrimo defensor de Carlos Queiroz, se tivéssemos sido campeões do mundo, a mesmíssima reportagem, sem tirar nem pôr, poderia servir de panegírico ao seleccionador: nesse contexto, ilustraria o empenho heróico com que Queiroz tinha protegido o grupo de trabalho. O que ele estimulava o sono dos jogadores (para além do que, com as suas palestras antes dos jogos, tem feito nesse capitulo) … O que ele fortalecia o espírito de grupo às refeições… O que ele fez para pôr em causa o peso que o lóbi da avicultura tinha junto da Federação Portuguesa de Futebol…

Isto para dizer que o processo disciplinar instaurado a Carlos Queiroz passa a imagem – errada, no meu entender – de que ele é um seleccionador intrépido. Ora, este é um dos equívocos deste processo disciplinar. Está-se a castigar Carlos Queiroz por ele ser Luiz Felipe Scolari, e não por ele ser Carlos Queiroz. Neste último caso, para que não haja dúvidas, mereceria claramente ser punido. Se tivesse que escolher, preferia que tivesse castigado a passividade de Queiroz durante as partidas contra a Costa de Marfim, o Brasil e a Espanha do que a sua ferocidade para com os médicos do controlo antidoping.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 10:47

Agosto 14 2010

É difícil de acreditar, eu sei. Mas ainda não é este ano que prevejo a vitória do FC Porto ou do Sporting no campeonato, por diferentes motivos. Começando pelo FC Porto, não me parece racional defender que só não se venceu o último campeonato devido a interferências exteriores, e logo a seguir despedir o treinador que idealizou performances que por si só chegariam para atingir a glória. Por isso é que André Villas-Boas – só mais um dos vários desmourinhados que inundaram o mercado de treinadores portugueses nos últimos tempos – não devia ter feito referências à época passada na conferência de imprensa que se seguiu ao jogo da Supertaça. Das duas, uma: ou FC Porto ganhou ao Benfica no último fim-de-semana porque já na época passada era superior, ou foi porque o novo treinador para esta temporada implementou métodos de trabalho tão sofisticados que em poucas semanas de treino superou a qualidade dos adversários. Em princípio, não se pode ter tudo. Que o diga Pinto da Costa, que antes de se contentar com a contratação de Villas-Boas convidou Jorge Jesus e Rui Faria.

Em relação ao Sporting, depois do caso Moutinho, pode finalmente dizer-se que o clube conseguiu implementar a tão desejada “gestão à FC Porto”, no sentido em que a actual política de gestão de José Eduardo Bettencourt também tem como objectivo fortalecer o plantel portista. Mas o que me choca mais não é o FC Porto ir a Alvalade roubar o treinador com quem tinham um pré-contrato, ou o capitão de equipa. O que choca mais é que os sportinguistas dão a outra face. Uma atitude que curiosamente os seus sócios mais distintos não tomam quando alguém lhes dá um beijo num dos lados da cara.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 10:48

Junho 24 2010

 

E de repente, tudo fés sentido! Creio que, no momento em que Tiago assinou o sétimo golo, não havia um único português que não estivesse a contemplar seriamente a hipótese de Carlos Queiroz ser, afinal um génio que idealizou uma exibição miserável contra a Costa do Marfim só para convencer o seleccionador da Coreia do Norte a jogar de igual para igual com Portugal.É possível que a estratégia funcione apenas com os norte-coreanos que, com são dados a utopias, acreditaram mesmo que nos podiam ganhar. Mas o certo é que, ao contrário do que tinha acontecido contra o Brasil, a selecção norte-coreana não recuou as linhas, nem explorou o contra-ataque (provavelmente por serem, em termos ideológicos, contra a exploração).

Num certo sentido, o atrevimento da Coreia do Norte no encontro de segunda-feira foi quase malcriado. Havia ainda mais desdém pelo trabalho de Carlos Queiroz na maneira despreocupada como a Coreia do Norte defendia do que num comentário do Jorge Baptista.

Dito isto, a estratégia do seleccionador português para os dois jogos resultou. De certa forma julgo que pôr alguns dos melhores jogadores do Mundo a jogar tão mal contra a Costa do Marfim é, ainda assim, tecnicamente mais difícil do que pô-los a golear a Coreia do Norte por 7-0.

Não é por acaso que até hoje, nunca se tinha visto um treinador a conseguir anular a veia goleadora de Cristiano Ronaldo, ou a transformar Fábio Coentrão num lateral-esquerdo inofensivo em termos atacantes. Reconheça-se o mérito a quem o tem.

Em relação à Coreia do Norte fala-se agora na hipótese de jogadores e equipa técnica serem enviados para campos de trabalho quando regressarem ao seu país, à semelhança do que terá acontecido após os 5-3 de 1966. É irónico que um país como Portugal, que tem sérias dificuldades em fazer crescer o PIB, consiga estimular os índices de produtividade da Coreia do Norte em apenas 90 minutos. Há até economistas que defendem que, se a Coreia do Norte defrontasse mais vezes Portugal em fases finais do Campeonato do Mundo, nesta altura seria uma potência económica mundial. Como isso não acontece, os jogadores norte-coreanos continuam a protagonizar exibições em que não se pode propriamente dizer que comem a relva. E quem os pode levar a mal, se no país comem raízes, folhas e ervas às refeições?

Ontem, a França perdeu com a África do Sul e acabou no último lugar do seu grupo, o que motivou as mais variadas críticas. Por exemplo, a bola oficial do torneio, a polémica Jabulani, já veio queixar-se das chuteiras francesas e dos movimentos irregulares que elas provocam na altura do remate.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:28

Junho 18 2010

Uma injustiça ganha terreno. Até hoje, parece-me que ainda ninguém terá sublinhado convenientemente os méritos da vuvuzela. Por exemplo, mantenho que a carismática corneta foi a única coisa que me impediu de adormecer durante o Portugal-Costa do Marfim (sobretudo na parte final do encontro, quando a Selecção portuguesa já estava descaracterizada, pelo facto de só ter um brasileiro em campo). E até a exibição da nossa Selecção ajuda a relativizar um pouco as coisas. O que fará pior: a vuvuzela ao sistema auditivo, ou o futebol de Portugal `visão humana? É certo quem um estudo recente concluiu que a exposição à vuvuzela durante apenas duas horas pode ter consequências permanentes. Mas também conheço algumas pessoas que, depois de verem hora e meia de uma equipa orientada por Carlos Queiroz, passaram a gostar mais de críquete. Dito isto, não me incomoda que se tire o som durante as partidas de futebol. O que me choca é que não se faça o mesmo nas conferências de imprensa de Carlos Queiroz. Nesta última, o treinador da Selecção que ocupa o 3.º lugar do ranking da FIFA queixou-se de que a Selecção que se encontra no 27.º lugar “não assumiu o jogo, apostando numa atitude de espera para depois lançar o contra-ataque”, os malandros. Ou seja, Carlos Queiroz descobriu na terça-feira à tarde de que a Costa do Marfim tem um treinador escandinavo. Provavelmente teria sido boa ideia a Federação Portuguesa contratar o Toni para analisar a forma como jogam as equipas treinadas pelo seu amigo Eriksson.

De seguida, o seleccionador acrescentou que Portugal “jogou de forma inteligente para não envolver muitos jogadores em termos de risco de ataque, para ter o contra-ataque controlado”. Por outras palavras, não assumiu o jogo, apostando numa atitude de espera para depois lançar o contra-ataque. O que significa que Queiroz teve o sangue-frio para, em cima do momento plagiar a estratégia de Eriksson. Com uma diferença significativa, é certo: a estratégia só é “inteligente” quando é Portugal que a utiliza. E conclui com uma dúvida existencial: “Veremos se a Coreia de Norte também surge em campo com esta atitude defensiva”. Não creio. Caso acontecesse, seria uma grave traição ao famoso “futebol total norte-coreano”. Depois, vieram as declarações bombásticas de Deco. Ainda faltam dez dias para o Portugal-Brasil, e os brasileiros já começaram com os mind games.

Por fim, não queria desperdiçar a oportunidade de também eu aderir a uma moda que se tem institucionalizado, nos momentos subsequentes a se ter criticado Carlos Queiroz – eu não critiquei Carlos Queiroz. Pronto, já está.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 19:05

Maio 29 2010

Ontem, publicámos a 9.ª e 10.ª posições do Top Ten das Piores Decisões de Pinto da Costa na época 2009/10. Aqui ficam as restantes:

8 - Declara que no Porto não há petróleo. Quinze dias depois, compra 60% do passe de Rúben Micael por 3 milhões de euros, e tenta ainda contratar Kléber, conhecido como "O Gladiador", por 6 milhões.

7 - Falha a contratação de Kléber. Os sócios suspiram. Um gladiador era a única coisa que faltava para, nesta época, as Antas se assemelharem ainda mais a um circo.

6 - Elege Tomás Costa como "um verdadeiro reforço de Inverno". Algumas semanas depois, contra o Arsenal, Jesualdo Ferreira deixa-o por opção na bancada, em detrimento de Nuno André Coelho.

5 - Em Janeiro, afirma estar "feliz por saber que havemos de ter Bruno Alves por muito tempo". Em Maio, todos os jornais fazem saber que o símbolo do FC Porto está à venda. Nessa altura considera a hipótese de mudar o título da sua biografia para "Largos dias têm 5 meses".

4 - Promete a Pedroto dedicar-lhe o título nacional. De seguida, ainda pondera dedicar a conquista da Liga dos Campeões a Bobby Robson, mas os outros administradores da SAD demovem-no.

3 - Demite Jesualdo Ferreira, no ato mais irracional e inexplicável da história do clube: se esta foi a "liga dos túneis", sem os quais o FC Porto teria vencido o campeonato, então porquê despedir um treinador que merecia ter sido campeão?

2 - Empresta Rentería ao Braga, que agradece encarecidamente o segundo lugar. Faz lembrar aqueles alunos que deixam o colega do lado copiar, e mais tarde descobrem que ele teve melhor nota.

1 - Opta, no final da época passada, por não assinar com Jorge Jesus. Como forma de homenagear o responsável por ter encontrado Jesus, Luís Filipe Vieira passa a referir-se ao presidente do FC Porto como "o Pastor Jorge Nuno".

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 09:38

Maio 27 2010

Na semana passada prestei aqui tributo a Jesualdo Ferreira e a Antero Henrique. Mas se omitisse as contribuições de Pinto da Costa para a conquista do campeonato por parte do Benfica, não ficaria de bem com a minha consciência. O que me leva a pensar que, aqui há umas semanas, o Nuno Gomes ofereceu a camisola do Benfica ao Papa errado. Por acaso foi Bento XVI que optou de forma consciente por não contratar Jorge Jesus? (E chamo a atenção para a expressão “de forma consciente”, uma vez que, se quisermos ser rigorosos, também Bento XVI terá optado por não contratar Jorge Jesus este ano, mas neste caso de forma completamente inconsciente, pelo facto de a contratação não fazer qualquer tipo de sentido se tivermos em conta as incompreensíveis prioridades do Vaticano). Não, foi Pinto da Costa que praticamente empurrou Jorge Jesus para o clube da Luz E camisola do Benfica entregue pelo Nuno Gomes, nem vê-la! Se bem que nos deveríamos questionar que espécie de Papa é este, que não mostra qualquer tipo de interesse em ter Jesus a seu lado.

Mas para aqueles benfiquistas mal-agradecidos que insistem em guardar ressentimento em relação ao presidente do FC Porto, aqui fica um Top Tem das decisões de Pinto da Costa na época 2009/2010:

10 – Em Espinho, elege Bruno Alves como “o símbolo do FC Porto”, com o objectivo de fortalecer o balneário. Duas semanas mais tarde, durante um treino, o símbolo do FC Porto dá um tabefe em Tomás Costa, o símbolo do mau futebol do FC Porto.

9 – Rejeita Saviola, que terá sido oferecido ao FC Porto antes de assinar pelo Benfica, provavelmente por considerar que o argentino queria vir passar férias. Quem adivinharia que Pinto da Costa e o ex-candidato à presidência do Benfica, Bruno Carvalho, tinham tantas afinidades?

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 10:25

Maio 20 2010

Durante a pré-temporada foi posto em marcha um projecto humorístico sem precedentes em Portugal, que era suposto materializar-se, neste final de época, em dezenas de trocadilhos à volta da crucificação de Jesus por parte do Benfica, e facécias várias sobre a natureza imponderada da euforia benfiquista verificada no defeso. Correu mal. Na verdade, não só Jesus ressuscitou o Benfica, como agora sabemos que, face ao que a equipa produziu ao longo da época, a atitude dos adeptos na pré-época pode ser considerada demasiado fria e calculista. Esperemos que os benfiquistas tenham retirado as devidas ilações e exibam no próximo defeso um ou outro sinal de profunda irracionalidade.

Referindo-se justamente à suposta euforia que se vivia na Luz, o dirigente portista Antero Henrique declara ao “JN” de 29.08.09: “Agora termina o campeonato da ilusão e começa o campeonato real”. Confesso que, nesta altura, tenho alguma dificuldade em ver as diferenças entre estas duas competições. Se não, vejamos: no campeonato da ilusão, o Benfica foi a equipa que jogou melhor futebol e que ganhou mais jogos; no campeonato real também. O que só pode significar uma coisa: o Benfica, esta época, fez a dobradinha. Antero Henrique finaliza a mesma entrevista com esta pérola que, apesar de ter quase um ano, continua estranhamente actual: “Quem não é capaz de reconhecer quem é melhor (…) é porque quer esconder os seus próprios problemas e defeitos”.

Antes, não esqueçamos que Jesualdo Ferreira já tinha revelado a “O Jogo” de 08.06.09 o objectivo para a próxima época: “Só nos resta tentar um campeonato sem derrotas”. Nesta perspectiva, o técnico tem a obrigação de estar profundamente agradecido. Ao vencer o campeonato, o Benfica terá conseguido com que Jesualdo recuperasse o gosto por metas mais terrenas. De nada, professor.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 12:10

Maio 13 2010

Não há nada com que um humorista lide pior do que com a alegria. Um cheque sem provimento também não é fácil para nós. Mas a alegria, para os humoristas, é concorrência desleal. E, ao contrário do que possa parecer, a alegria não tem piada nenhuma. Um humorista alimenta-se de caos, insucesso, angústia, ressentimento. Conhece aquela anedota sobre um homem que é rico, tem uma mulher que não o engana, filhos que lhe são leais, e que nunca entra em bares frequentados por um inglês, um francês e um português? Eu também não. Ou seja, no fundo, o que eu quero dizer é: no meio desta enorme alegria que sinto como benfiquista, não consigo trabalhar. O Artur Jorge não estará disponível para voltar ao Benfica?

De repente, varreram-se da minha cabeça os comunicados do FC Porto, as crónicas de Sousa Tavares, e a última conferência de imprensa do Domingos. Só vejo benfiquistas no Marquês a cantar, benfiquistas em Cabo Verde a agitar bandeiras, benfiquistas no Porto a levar bordoadas… (Alto! Uma réstia de ressentimento? Querem ver que há esperança para esta coluna…)

Lembro-me de, em Janeiro deste ano, algumas maternidades de Barcelona detectarem numa determinada semana a duplicação dos partos em relação ao período análogo do ano anterior, precisamente nove meses depois do golo que o Barcelona marcou nos últimos minutos das meias-finais da Liga dos Campeões contra o Chelsea. Chamaram-lhes os “bebés Iniesta”. (Alguns especialistas prevêem que, daqui a alguns meses, também nasçam nos Estados Unidos milhares de “bebés Tiger Woods”. Mas, nesse caso, são mesmo dele.) Preparemo-nos, pois, para daqui a exactamente nove meses nascer uma quantidade suplementar de Bebés em Portugal, a quem os demógrafos chamarão apropriadamente “meninos Jesus”.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 16:34

Maio 06 2010

A pergunta impõe-se: quem tem uma maior esperança média de vida? Um individuo que fuma um maço de tabaco por dia, ou um jogador do Benfica que leva com um isqueiro nas Antas? Não sei porquê, mas tenho a sensação de que a medicina dedica muito tempo de pesquisa ao primeiro caso, e continua a desprezar olimpicamente o segundo. Por outro lado, não compreendo como é que só os maços de tabaco contêm avisos. Porque não passar a colar nos isqueiros mensagens com, por exemplo, o seguinte teor pedagógico: “Deixar de atirar isqueiros para o relvado reduz o número de escoriações”? Dito isto, se há local em que faz sentido que haja muita gente a deitar isqueiros fora, esse local é as Antas: há lá algumas pessoas que, se dependesse do Ministério Público, estavam hoje num sítio onde é muito complicado arranjar cigarros.

Entretanto, alguns jornais revelaram que, enquanto voavam objectos para o relvado, se jogava uma partida de futebol. Respeitosamente, duvido. Até porque, em vez de futebol, o mais recente FC Porto-Benfica parecia uma prova de dos Jogos Sem Fronteiras: a certa altura, o objectivo era ver qual o jogador do Benfica que conseguiria inserir a bola dentro da baliza adversária, tendo para isso que evitar os jogadores do FC Porto que se lançavam ao chão sem que alguém lhes tocasse, e ao mesmo tempo contornar as dezenas de isqueiros, telemóveis e tochas que caíam no relvado. Da próxima vez, desconfio que o Aimar vai entrar no relvado das Antas com um saco de batatas nos pés e a segurar uma colher com um ovo na boca.

No meio de tudo isto, estiveram os heróicos jogadores do Benfica, que foram alvo de projectos diametralmente opostos. De um lado, havia os adeptos do FC Porto, que os queriam pôr negros; do outro, o árbitro da partida, que os queria amarelar.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 19:12

Abril 29 2010

Manuel Fernandes, não o nego, é um grande sportinguista: e isso nota-se pela forma como defende o FC Porto. Alguns minutos depois de Falcão aplicar de forma intencional um tabefe num jogador do V. Setúbal (a que, em condições normais, corresponderia a amostragem de um cartão vermelho e não de um amarelo), a ex-glória do Sporting declarou aos jornalistas que o “árbitro foi induzido em erro” ao castigar disciplinarmente o colombiano. Esvaziou assim, de forma particularmente cruel, a conferência de imprensa de Jesualdo Ferreira.

Mas a coisa não ficou por aqui. Terça à noite, Rui Oliveira e Costa, no “Trio de Ataque”, colocou Manuel Fernandes “no topo” pelas suas declarações sobre o amarelo a Falcão. Já chegamos a isto: um sportinguista a elogiar publicamente outro sportinguista pela forma como distorceu a verdade para defender os interesses do FC Porto. De seguida, Oliveira e Costa prosseguiu com os comentários, desta vez colocando a CD da Liga “no fundo” por ter castigado o pobre do Pinto da Costa.

Creio que, olhando para o panorama do futebol português, se impunham mudanças substanciais no formato do “Trio de Ataque”. Por um lado, começa a ser complicado justificar a presença de um adepto do clube que se encontra em quarto lugar no campeonato e a ausência de um representante do Braga. Até porque seria curioso assistir ao regresso do Marcelo Rebelo de Sousa à RTP. Por outro lado, com o agravamento da crise económica, não se justifica estar a pagar ao representante do FC Porto e do Sporting para defenderem os mesmos pontos de vista. O painel ideal do “Trio de Ataque” seria assim constituído por um comentador do Benfica, um comentador do Braga e um comentador do FC Porto/Sporting, a quem o apresentador perguntaria semanalmente “qual é a posição dos seus clubes sobre a matéria?”

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 08:13

Abril 15 2010

Uma das virtudes do último dérbi foi ter devolvido alguma justiça à tabela classificativa. É comummente aceite que o facto de este Benfica estar só a 23 pontos do Sporting não espelhava de forma conveniente a diferença entre as duas equipas. Corrigida a injustiça, foi então altura de ver também as diferenças entre os clubes no pós-jogo. Em primeiro lugar, surgiu João Moutinho que, alguns minutos depois de fazer uma entrada por trás sobre Ramires merecedora de cartão vermelho, veio queixar-se do facto de Luisão ter feito uma entrada por trás sobre Liedson merecedora de cartão vermelho, quase tão violenta quanto a entrada por trás de Miguel Veloso sobre Alan Kardec merecedora de cartão vermelho – só não o lesionou, porque felizmente acertou no piton do Bruno Alves que o Kardec tem embutido nas costas, desde a final da Taça da Liga.

De seguida, apareceu o director para o futebol do Sporting. (Para quem não sabe, de entre os vários poderes e responsabilidades do presidente do Sporting não se encontra a nomeação do director para o futebol. Se não, vejamos: primeiro, a Juve Leo nomeou Sá Pinto; mais recentemente, o empresário Jorge Mendes nomeou Costinha. Em rigor, já calhou a quase toda a gente essa tarefa, menos ao seu presidente. Há que rever esses estatutos.) Depois de se queixar da arbitragem, proclamou um blackout à moda do Porto. Percebe-se agora por que é que o Sporting se auto intitula um clube diferente. Mais nenhum clube grande em Portugal copia o modelo de gestão e comunicação de um outro clube grande. Ou seja, o Sporting é diferente porque é igual ao FC Porto.

Seja como for, ouve-se agora dizer por todo o lado que esta época do Sporting é para esquecer, mas não posso estar de acordo com isso. Pelo menos, eu vou-me lembrar dela para sempre.

 

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 16:39

Abril 09 2010

Há uns anos, foram reveladas umas cartas onde Madre Teresa de Calcutá confessava ter passado por momentos de profunda crise espiritual, durante os quais chegava a duvidar da existência de Deus. Também eu, na segunda-feira à noite - e envergonho-me de o dizer - durante 19 minutos tive algumas dúvidas sobre Jesus. Foram 19 minutos em que, de repente, senti um grande vazio interior, e o mundo surgiu-me perante os olhos desprovido de qualquer sentido. "Porque me abandonaste?", perguntei, a seguir ao segundo golo da Naval, de braços abertos e a olhar para cima (na direção do LCD do café).

Ao fim desses 19 minutos, Weldon (cuja maior qualidade é ser um exímio marcador de golos feios) bisou. Aprendi uma lição de fé. Por vezes, os caminhos de Jesus podem ser misteriosos, mas nada do que se tem visto em campo pode ser por acaso. Aqueles que não acreditam, como nós, pensam que Jesus é um homem como os outros, mas que foi mitificado por milhões de indivíduos crédulos. Como se Weldon não tivesse sido colocado naquele terreno de jogo para obedecer a um desígnio superior... Como se Jesus não tivesse um propósito para todo e qualquer jogador que faz parte do plantel do Benfica... (E o árbitro? Também deu um amarelo a Maxi Pereira por acaso? Obviamente que não. Seriam demasiadas coincidências...)

Por fim, não queria escamotear este dado: não fosse Rentería ter "sofrido" duas grandes penalidades na partida contra o Guimarães, e o FC Porto poderia estar a apenas 2 pontos da qualificação para a Liga dos Campeões. É caso para os adeptos portistas se questionarem - agora sim, com propriedade - sobre em que posição é que o FC Porto terminaria o campeonato, se Rentería não tivesse sido impedido de jogar pelo seu clube.

publicado por Benfica 73 às 10:31

Abril 01 2010

Como os meus amigos se recordarão, na noite de 20 de Dezembro – alguns minutos antes de Hulk e Sapunaru agredirem violentamente um elemento do público, que ainda hoje ninguém sabe como teve acesso à entrada dos balneários (uma explicação possível é o facto de, segundo o Conselho de Justiça, não haver seguranças privados nos estádios: apenas “elementos do público” que vigiam outros elementos do público) -, o Benfica ficou a quatro pontos de FC Porto. Desde essa altura, o clube da Luz só obteve vitórias, à excepção de um empate em Setúbal. Daqui resulta que, mesmo que o FC Porto tivesse vencido todos os seus jogos, estaria a dois pontos do Benfica. Ainda assim, Pinto da Costa revelou a Judite Sousa que, sem o castigo a Hulk, “não tenho dúvidas que estaríamos em primeiro lugar”. Só concebo uma hipótese: Hulk marcaria golos de tão rara beleza que a FIFA autorizaria a Liga de Clubes a rever os critérios de pontuação e, a título excepcional, conceder ao FC Porto seis pontos por vitória. Era estranho, sem dúvida. Mas isto é o futebol português: tudo pode acontecer.

E a prova é que, alguns minutos depois destas afirmações, o presidente do FC Porto, referindo-se à indemnização que vai pedir à Liga de Clubes, revela que “houve uma proposta para o atleta: só para ele eram 3,5 milhões de euros”. Nesse caso, se Hulk ia ser transferido, como é que poderia vir a garantir uma melhor performance desportiva do FC Porto, a partir de Espanha ou Inglaterra? Só mesmo um jogador fantástico, que é o caso, conseguiria tal proeza.

Seja como for, este campeonato ficará para a história como a liga das desculpas. Daqui a uns anos, sentados numa esplanada com amigos, recordaremos a noite em que Domingos se queixou de um golo do Benfica “14, 15 segundos para lá do minuto de compensação”. Ganhar assim tem, definitivamente, mais graça.

publicado por Benfica 73 às 18:54

Março 25 2010

Em 1995, Eric Cantona pontapeou um espectador e foi suspenso por nove meses. Em 1998, Fernando Mendes agrediu um bombeiro e foi suspenso por três meses. Em 2008, Emmanuel Duah pontapeou a perna de um maqueiro e foi suspenso por dois meses. Note-se que, até agora, as vítimas eram todas elas pessoas que estavam a intervir fortemente no jogo. Em 2009, Hulk agride um steward e é suspenso por três jogos. Logo por sorte, o assistente de recinto desportivo em termos jurídicos não é considerado um “interveniente no jogo”. É certo que mencionei o factor sorte. Mas não coloco de parte a hipótese de Hulk, segundos antes de aplicar um pontapé na queixada do steward, ter pedido um parecer jurídico ao prof. Gomes Canotilho. Ainda que bem que existe o Direito: se não, quem é que fazia a distinção entre mandíbulas fracturadas?

Nenhum dos jogadores acima referidos, nomeadamente Mendes e Duah, foi suspenso preventivamente, é certo. Mas isso deve-se ao facto de, nessa fase, o FC Porto ainda não se ter lembrado de propor aos outros clubes que os jogadores expulsos ficassem automaticamente suspensos sem limite temporal – só o fizeram em Julho de 2009. A maior parte do período que Hulk ficou sem jogar (de 20 de Dezembro até à decisão da Comissão Disciplinar da Liga, a 19 de Fevereiro) deve-se, portanto, ao próprio departamento jurídico das Antas, com que se diz que o dr. Ricardo Costa aprendeu tudo o que sabe sobre decisões que prejudicam o FC Porto. E quando me refiro ao período que o Hulk ficou sem jogar, estou a ser magnânimo: não inclui o Arsenal-FC Porto, apesar de tudo o que foi dito pela maioria dos comentadores sobre a actuação do brasileiro.

 

Autor: Miguel Góis

Fonte: Jornal Record

publicado por Benfica 73 às 08:31

Março 18 2010

Gestão à Porto

 

Abriu a época de caça ao Jesualdo Ferreira, sobretudo entre os comentadores afetos ao FC Porto. O técnico que lapidou Bruno Alves, Fernando e Lisandro é apontado agora como o principal responsável pela má época da equipa, em ex aequo com um jurista que viu num monitor as imagens de dois jogadores a agredirem violentamente um segurança no final de uma partida e, sem que nada o fizesse prever, decidiu castigá-los de acordo com o que está escrito nos regulamentos. A magnífica e rigorosa gestão do FC Porto, dizem, não merece um treinador assim.

Era justamente nesta última frase que eu estava a pensar, quando começou a partida de terça à noite entre uma equipa que gastou esta época 11 milhões de euros em reforços - o Arsenal - e outra que desembolsou 31 milhões de euros - o FC Porto. Foi também essa frase que me ocorreu quando se começou a perceber que Diaby (que custou 3 milhões de euros) e Song (4 milhões de euros) dominavam o meio-campo do FC Porto, onde nem sequer constavam Belluschi (5 milhões de euros por 50% do passe) e Prediguer (4,2 milhões de euros). E também quando se tornou visível que Clichy (350 mil euros) estava a desempenhar bem melhor o papel de lateral-esquerdo do que Alvaro Pereira (4,5 milhões de euros por 80% do passe). E quando, no final do jogo, Bendtner (custo zero) somou mais três golos do que Hulk (5,5 milhões de euros por 50% do passe). Bom, talvez o resultado tivesse sido diferente se o lesionado Fàbregas (1,4 milhões de euros) e o preterido Tomás Costa (4 milhões de euros) tivessem alinhado.

E é esta a gestão que o presidente do José Eduardo Bettencourt quer implementar no Sporting. Por mim, tudo bem.

 

 

Gestão à Porto II

 

Muita gente terá estranhado a notícia segundo a qual o FC Porto se prepara para vender Bruno Alves no final da época. Trata-se, como é óbvio, de gente incapaz de captar a fina ironia de Pinto da Costa, nomeadamente quando, num discurso proferido na casa do FC Porto em Espinho a 11 de Janeiro deste ano, afirmou: "E fico feliz por saber que havemos de ter Bruno Alves por muito tempo." Só por curiosidade, foi nessa mesma noite que Pinto da Costa anunciou ainda, referindo-se também a Bruno Alves, que "quando acabar a sua carreira, tenho a certeza de que ficará para sempre ligado ao FC Porto". Esta é, aliás, a diferença fundamental entre Bruno Alves e Fucile: o primeiro vai ficar sempre ligado ao FC Porto, o segundo ficará sempre ligado ao Arsenal-Porto.

Ainda assim, o meu coração está dividido entre essas declarações e as que Pinto da Costa produziu a 16 de Dezembro de 2009, antes da contratação de Ruben Micael e da tentativa de contratação de Kleber: “É o rigor desportivo que nos permite neste momento estar descansados e não precisarmos de ir ao mercado para retocar uma equipa que foi pensada correctamente para toda esta época”. Destaque-se o rigor com que, na altura, se falou em “rigor desportivo”.

Mas Pinto da Costa estava verdadeiramente imparável e, alguns dias depois, anunciou uma contratação que, essa sim, não poderia ser abortada: “Tomás Costa é reforço de Inverno”. Ainda hoje, em Março, os adeptos do FC Porto se perguntam como foi possível comprar um jogador medíocre duas vezes seguidas.

 Autor: MIGUEL GÓIS

 

publicado por Benfica 73 às 17:50

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