Novembro 16 2011

DE todas as coisas inacreditáveis que se passaram e se disseram em Braga desde que o Benfica foi lá jogar, a mais inacreditável de todas é, por sorte, logo única que está documentada.

Sim, sim, temos foto!

A coisa que seria mais improvável de ocorrer em nome do bom senso, da harmonia e do progresso da civilização, a coisa verdadeiramente mais chocante triunfando sobre os demais nos capítulos da intolerância e da estupidez, é a única coisa que disponibiliza a imagem em flagrante do abuso cometido.

Certamente, será alvo de um inquérito não da Liga de Clubes, que organiza os jogos da bola, mas do Ministério da Educação que organiza o resto, ainda que menos importante.

Na terça-feira, o bom do Mossoró, que joga no Sporting de Braga, visitou a escola EB 2-2 de celeiros, uma freguesia bracarense, e um aluno «foi aconselhado a não assistir à sessão de autógrafos, não fosse a sua presença ser confundida como uma provocação», como se podia ler ontem neste jornal. E não só ler.

Ver também porque A BOLA publicou uma fotografia – que aposto que não é forjada – de um rapazinho com uma camisola do Benfica encostado a uma parede a ouvir as explicações, desprende-se, de uma senhora mais velha que não se sabe quem é. Poderá ser uma professora, uma mãe, uma funcionária ou mesmo alguém que goste de aparecer em fotografias.

O rapaz tem um sorriso maravilhoso.

Não mostra o menor temor pelo acto de segregação de que está a ser alvo nas instalações de uma escola do Estado português.

Está-se a sorrir de frente para eles.

 

A Comissão de Disciplina da Liga decidiu multar esta semana o Sporting na quantia de 1700 euros por causa da pancadaria entre elementos de uma claque sua e as forças policiais no jogo de Alvalade com o Benfica, a contar para o campeonato de 2010/2011. O tal episódio de violência, amplamente documentado pelas câmaras, ocorreu a 21 de Fevereiro deste ano. Está quase a fazer um ano e a demora da decisão praticamente fez esquecer o despautério infelizmente comum nos nossos bonitos campos.

Assim sendo, ainda bem que a Liga não vai abrir nenhum inquérito às três falhas de luz que obrigaram a interromper o jogo por três vezes numa primeira parte que, por isso mesmo, teve 37 minutos de tempo de compensação.

Aparentemente, ouvindo o presidente da Liga e futuro presidente da Federação a falar, foram mais do que suficientes as explicações fornecidas em pleno camarote VIP do estádio Axa para que Luís Filipe Vieira e o próprio Fernando Gomes se considerassem esclarecidos sobre o invulgar episódio eléctrico.

No entanto, é bem possível que a Liga abra um inquérito às acusações trocadas publicamente entre Artur e Alan.

Artur, por exemplo, está tramado com a analogia que escolheu. Agora vai ter de provar aos juízes da Liga que em Braga, sempre que o Benfica lá vai, «acontecem coisas do outro mundo». Não vai ser fácil para Artur, neste mundo, justificar o que afirmou sobre a recorrência das manifestações anti-benfiquistas do além. Para se safar ao castigo terá de provar, para além de qualquer dúvida razoável, que quem fechou por três vezes a luz do estádio foi um extraterrestre ou um saco de ectoplasma ou um alienígena ou uma alma penada, enfim, qualquer coisa «do outro mundo».

Alan também se desgraçou um bocadinho com analogia que escolheu em defesa da inocência dos cortes da luz. «Falha de electricidade é um erro técnico que acontece. Quando o FC Porto foi à Luz ligaram o sistema de rega», disse.

Disse e esticou-se.

Porque não há ninguém que acredite que a ligação do sistema de rega (quando o tal jogo tinha acabado, o que já faz diferença) na Luz «foi um erro técnico» que aconteceu, pois não?

Alan terá levado longe de mais o seu esforço na ânsia de grande profissional que quer defender o bom nome da sua entidade empregadora mas que, por excesso de voluntariedade e pouco tino, acaba por cometer um lapso de analogia que era absolutamente dispensável.

 

ALAN não fez uma exibição muito inspirada contra o Benfica e até parece que só acordou para o jogo 24 horas depois de Pedro Proença ter apitado para o fim da contenda. Acordou e acusou Javi Garcia de lhe ter chamado «preto», a ele que «preto eu, não, é negro».

A frase é confusa, admita-se.

Não é claro se Alan está a querer dizer que não é preto, que é negro. Ou se Alan está a querer simplesmente explicar-nos em que língua é que Javi o insultou, visto que em língua castelhana não existe «preto», só se usa o «negro».

Este vai ser um inquérito difícil para os juízes da Liga. Até porque todos sabemos que não há prova documental dos insultos visto que Alan acabou com o suspense afirmando que o jogador espanhol do Benfica «pôs a mão à frente da boca» quando falou. Para ninguém lhe poder ler os lábios, estão a perceber?

Lá mais para os Santos Populares teremos notícias destes inquéritos todos.

(…)

 

NAS próximas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol o Sporting joga deliberadamente ao ataque em dois tabuleiros. E, portanto, sairá sempre vencedor o que tem as suas virtualidades.

Godinho Lopes reitera a cada momento o seu apoio a Fernando Gomes, de acordo com as notícias de todos os jornais. Luís Duque, de acordo com o Correio da Manhã, mantém-se inabalável na campanha por Carlos Marta ao ponto de «ameaçar mandar regressar a Alvalade já em Dezembro» os jogadores que o Sporting emprestou aos clubes da Associação de Futebol de Lisboa que assinaram a convocatória da assembleia-geral que visa destituir Marta, o actual presidente da AFL.

Estas eleições da FPF estão como o universo, em expansão. Não só vão decidir quem vai suceder a Madaíl na presidência do referido organismo de utilidade pública, como também vão decidir quem manda nos árbitros e nos delegados e, como se já não bastassem tantas decisões num acto só, vão também sufragar quem é que verdadeiramente manda no Sporting.

Atenção, portanto, ao dia 10 de Dezembro.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:32

Novembro 05 2011

EM 2007, o presidente do FC Porto lá foi dar mais uma grande entrevista de fundo à SIC e, sempre a pensar no Benfas como é seu apanágio, explicou ao país a receita do seu sucesso.

 - Nós no Porto não andamos a comprar Manducas – disse com aquela autoridade papal que, por sinal, nem todos lhe reconhecem.

O nosso Manduca só teve de esperar quatro anos até lhe poder responder convenientemente.

E é caso para se dizer, Manduca, com a sua ironia do costume…

 

QUE estranho caso o de Hulk. Não pela tinta no cabelo que isso é coisa que não risca nada. Mas pelo destrambelhamento com que se apresenta em campo, a discutir com tudo e com todos que nem o João Pereira, a dar ordens aos colegas que nem o Messi, a assumir sobre os seus ombros bem largos o manto de honrarias e de responsabilidade com que Pinto da Costa o fez Cavaleiro da Causa quando afirmou, num púlpito qualquer, que o único elemento indispensável da equipa de Villas Boas era, nem mais nem menos, do que o próprio Hulk.

Pinto da Costa, embargado, falava depois do abandono de Villas Boas e quando toda a gente falava no interesse de clubes poderosamente mais económicos nos serviços de jogadores como Guarín, João Moutinho, Fernando, Rolando e Falcao, que acabaria por se transferir para o Atlético de Madrid onde se deve chatear de morte.

O presidente do FC Porto foi muito claro ao tranquilizar os adeptos. Podem ir-se todos embora, menos o Hulk.

Vendo, pela televisão, o jogo de Nicósia entre o Apoel e o FC Porto, e as pálidas movimentações em campo dos jogadores campeões nacionais, concluímos que foi isso mesmo que se passou.

Foram-se mesmo todos embora. E só ficou o Hulk. E só o Hulk não chega.

 

UM tanto ingenuamente, andam muitos benfiquistas contentes com a hipótese do FC Porto não se qualificar para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. As rivalidades são assim mesmo. Não se respeita a Pátria, não se respeita o desportivismo, não se respeita nada a não ser a vontade de gozar com os amigos, com os colegas e com os familiares adeptos do clube adversário, em paga por tudo o que já gozaram connosco.

É por esta razão que andam benfiquistas contentes com a carreira do FC Porto na actual fase de grupos da Liga dos Campeões. Pois fazem muito mal se souberem pensar à distância.

Se o FC Porto não se classificar nos dois primeiros lugares do seu grupo, classificando-se no terceiro posto tem acesso directo à Liga Europa, de que é detentor, uma prova que parece ser feita à medida dos clubes da meia-tabela europeia. Recorde-se que no ano passado os finalistas até foram os dois portugueses, para grande desmaio de Michel Platini, e mesmo o Benfica, a viver um final de época horrível, conseguiu ser semi-finalista dessa tal Liga Europa.

Ou seja, se o FC Porto for parar à Liga Europa arrisca-se a ganhá-la pela segunda vez consecutiva. E então é isto que os benfiquistas querem? Não seria melhor vermos o FC Porto qualificado para os oitavos-de-final, com o seu treinador longe de focos agressivos de opinião, podendo-lhe sair na fase seguinte um Chelsea, de Villas Boas que faria, assim, ao Porto um regresso ainda mais espectacular do que o do Coliseu?

Pensem bem benfiquistas, pensem bem no que é melhor e deixem-se de festejos indignos pelos azares de terceiros.

 

GOSTO muito da cidade de Guimarães e não me refiro apenas ao centro histórico, mas a toda a cidade que é uma beleza com pontos de equilíbrio raros no desenho e na arquitectura das nossas urbes. E também gosto do Vitória de Guimarães. E do Rui Vitória também gosto porque fala a sério.

Fiquei, por isso, contente com os 3 pontos que o Vitória somou contra o Rio Ave, embora também goste do Rio Ave por causa do João Tomás e não é preciso dizer mais nada.

Do Carlos Xistra, com franqueza, já não gosto assim tanto. Não me refiro à pessoa, que não conheço, e que bem pode ser admirável. Mas como árbitro, aceite-se que não gosto do Carlos Xistra. Mesmo que um erro seu tenha oferecido a vitória ao Vitória de quem gosto bastante para me alegrar com os seus sucessos mas de quem não gosto o suficiente para me impedir de registar a arte de Xistra no momento da alegre decisão.

 

EM declarações a uma agência de informação iraniana, Carlos Queiroz anunciou que vai votar em Lionel Messi para a Bola de Ouro de 2011. Trata-se do prémio que consagra o melhor jogador do ano e tem um grande valor simbólico porque é patrocinado pela FIFA e é atribuído por escrutínio das opiniões dos melhores treinadores do mundo. Queiroz é um deles e por isso chamado a votar.

Na minha modesta opinião, votou bem porque Lionel Messi não só é o melhor jogador do mundo como este ano ainda caprichou ser o melhor jogador do mundo e arredores só para irritar Cristiano Ronaldo que leva estas coisas muito a peito.

Se, em vez de ser o seleccionador do Irão, Carlos Queiroz ainda fosse o seleccionador português também votaria, com certeza, em Messi ainda que por tal arrojo de personalidade tivesse de pagar bem caro o preço de ter ofendido Cristiano Ronaldo a 9 milhões de portugueses.

Ou não?

 

ESTAMOS em Novembro, este mês há derby! Nas cidades nos campos, nos escritórios, nas fábricas, nos cafés e nas barbearias os dois valorosos campos já andam em despiques retóricos da mais alta intensidade.

 - O Domingos não vai por o Rinaudo em Leiria para termos a certeza de que pode jogar contra vocês!

 - Mas porquê?

 - Porque já tem 4 cartões amarelos cirúrgicos para levar mais um em Leiria e não poder jogar com vocês.

 - E faz-vos assim tanta falta o Rinaudo?

 - O Rinaudo é apenas o melhor jogador argentino de todos os tempos!

 - Achas, portanto, que é o Benfica que está por trás desses cartões amarelos ao Rinaudo?

 - Evidentemente que está. Isto está a ser preparado há muito tempo para o Rinaudo não jogar contra vocês.

 - Mas sabes que o Rinaudo na sua penúltima época no Ginásio de La Plata levou 11 cartões amarelos e na última época levou 13 cartões amarelos?

 - Não sei nem me interessa.

 - Ah, pronto, está bem.

E até 26 de Novembro as respectivas retóricas não vão sossegar.

 

O Jovem Luís Martins tem razões para estar satisfeito. Estreou-se num jogo da Liga dos Campeões e quando foi substituído o resultado era de um a zero a favor do Benfica. Assim que Luís Martins desapareceu no túnel e Miguel Vítor ocupou a sua posição, o Benfica sofreu imediatamente um golo e a partir daí, francamente, produziu uma exibição quase confrangedora.

Nem sei o que pareciam os jogadores do Benfica em campo. Talvez onze Manducas, mas daqueles Manducas a que Pinto da Costa se referia com desdém, em tempos passados, não aquele Manduca que na terça-feira beneficiou da pressa toda com que Hulk quis repor a bola em jogo depois de ter empatado, de penaltie, acabando por conceder ao jogo o tempo extra suficiente para o Manduca-bom ter assinado o golo da vitória do Apoel.

Ontem, em largos períodos do jogo, o Benfica, salvo honrosas excepções, esteve entregue a um conjunto de Manducas-maus. Aimar, por exemplo, que é um príncipe a jogar à bola, passou o tempo todo em quezílias com os adversários ao ponto de irritar o árbitro que, ao cabo de tantas, lhe deu um merecidíssimo cartão amarelo.

O árbitro esteve mal em muitas ocasiões, é verdade, ficou até por assinalar uma grande penalidade a favor do Benfica, mas o Benfica pôs-se muito a jeito para sofrer o dissabor que acabou por penar.

Uma coisa é certa: o nosso Jorge Jesus fez-nos muita falta.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 20:31

Outubro 21 2011

DEPOIS de na temporada passada ter feito uma figura tristíssima na Liga dos Campeões, o Benfica vai agora bem lançado para o apuramento e pode até encarar a perspectiva de ir a Manchester com o assunto resolvido, o que é um grande alívio, com toda a franqueza.

Anteontem, em Basileia, O Benfica fez o que lhe competia. Ganhou, somou 3 pontos e reforçou a economia do país com os euros devidos por cada vitória na competição.

Dizem os entendidos que Jorge Jesus está agora com um grande problema na linha de ataque porque tem de escolher entre Nolito ou Bruno César ou Saviola ou Cardozo ou Rodrigo ou Rodrigo ou Bruno César ou Saviola ou Nélson Oliveira para o lugar de todos os demais. É, na verdade, um problema maravilhoso de resolver e Jesus lá o tem resolvido com sucesso e perante a aprovação geral.

D ano passado para este ano, de facto, o Benfica tem mais um problema – o tal no ataque – mas, por outro lado, tem menos um problema, o problema da baliza.

E aqui está um problema que deixou de existir porque Artur tem dado conta de recado com um tal sentido de Estado, de modo tão imperturbável que mais parece um jogador de cartas do tipo poker face, daqueles que nem pestanejam e deixam os adversários à beira de um ataque de nervos por não conseguirem adivinhar o que lhe vai na alma.

No sábado é em Aveiro. E também é para ganhar.

 

POR fim, a Justiça portuguesa alinhou com decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e limpou o crime da difamação do cadastro do jornalista José Manuel Mestre.

Para que este caso morresse foram precisos 15 anos e uma reprimenda do TEDH, sediado em Estrasburgo, ao Estado português por «não ter acautelado a defesa da liberdade de expressão» que consta na carta universal dos direitos do homem.

Assim sendo, os Juízes Criminais do Porto que tinham condenado José Manuel Mestre e a SIC em primeira instância, reconhecem agora que não houve da parte do jornalista intenção em difamar o presidente do FC Porto quando em 1996, entrevistando Gerhard Aigner, à época secretário-geral da UEFA, Mestre perguntou ao dirigente estrangeiro se achava normal que Pinto da Costa, à época presidente da Liga de Clubes, se sentasse no banco de suplentes à frente dos árbitros quem era «por inerência de cargo» o patrão.

Com as próximas eleições na FPF e com o frenesi estratégico que por aí vai com o regresso da arbitragem ao seio da Federação, seria bom para o país – porque tempo é dinheiro – que Fernando Gomes, neste particular, não demonstre uma sensibilidade tão à flor da pele quanto exibiu Pinto da Costa quando acumulava o cargo de presidente do FC Porto com o de presidente da Liga e isto num tempo em que a arbitragem ainda estava longe, muito longe mesmo, de regressar aos poderes da Federação.

Também é verdade que não se vislumbra motivo algum para Fernando Gomes se sentar no banco do FC Porto à frente dos árbitros de quem, por inerência de cargo, vai brevemente ser o patrão, o que não constitui ofensa alguma.

Neste período pré-eleitoral, lendo transversalmente as notícias dos jornais sobre o assunto, fica-se com uma ideia, provavelmente errada, de que o acto do próximo mês de Dezembro não serve para eleger um novo presidente da FPF mas sim um novo patrão dos árbitros.

E deste lamentável paradoxo nem Fernando Gomes nem nenhum dos outros concorrentes tem culpa alguma.

 

VOLTEMOS ao tema da liberdade de expressão a propósito da notícia de que André Villas Boas será agraciado com o Dragão de Ouro para o treinador do ano na próxima Gala de distribuição de prémios entre a nação portista.

Garantidamente que o ex-treinador do FC Porto vai ter direito à liberdade de expressão na festa do Coliseu do Porto.

Mas ainda Villas Boas nem sequer aterrou em Pedras Rubras, muito menos teve ainda tempo para alinhavar as palavras do seu discurso de agradecimento, e já a liberdade de expressão de terceiros anda a fazer das suas.

É que não param, por SMS, email, redes sociais, literatura vária, as sugestões para uma recepção condigna ao jovem que trocou a sua pátria cadeira de sonho por uma vida profissional, enfim, na Europa.

O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco nessa noite que se avizinha histórica no Coliseu?

Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto?

Fazer manguitos? Fazer o pino?

A seu tempo se verá mas fez bem o FC Porto em atribuir o Dragão de Ouro de melhor treinador ao treinador que lhe deu a vitória em quatro celebradíssimas competições oficiais numa única época. Demonstrou sentido de Estado. Aliás, outra coisa não poderia fazer sob pena de ridículo.

Resta também saber o que vai fazer e dizer Villas Boas quando agradecer a distinção.

Vai ser humilde?

Talvez…

Ou vai, com a ironia do costume que reina na sua casa, dedicar o prémio a Vítor Pereira com quem aprendeu tudo?

Pouco provável…

Ou vai fazer como Danny e, sem grandes explicações, não comparecer na soirée marcada para o Porto?

Improvável…

 

APESAR de já ter estado marcada para a soirée, quem não vai comparecer no Estádio de Alvalade no próximo dia 15 de Novembro é a selecção nacional de futebol. Afinal, a selecção vai receber a Bósnia no Estádio da Luz, o que levou a um natural reacender de teimosias entre sportinguistas e benfiquistas.

Ouçam-nos:

 - O vosso Estádio dá galo e está o destino da pátria em jogo…

 - Mas foi no vosso Estádio que perdemos a final do Euro 2004 para a Grécia.

 - Em Alvalade, o Paulo Bento só coleccionou desgostos.

 - Isto há política aqui metida. Será por não termos apoiado o Fernando Gomes primeiro que vocês?

 - O homem ainda nem sequer foi eleito. E o nosso estádio tem mais 15 mil lugares do que o vosso.

 - Mas achas que há mais 15 mil pessoas a pagarem bilhete com IVA a 23% para não verem o Bosingwa eo Ricardo Carvalho jogar…?

 - Dá graças a Deus por ser na Luz. Se fosse em Alvalade e se, por acaso, vocês vissem o Hélder Postiga a marcar um golo de bicicleta à Bósnia até vos dava uma coisinha má…

 - Quero lá saber do Postiga, nós agora temos o Van Wolfswinkel.

 - Ai é? Então vai apoiar a selecção da Holanda e deixa a nossa selecção em paz?

 - A nossa selecção? A tua selecção deve ser a da Argentina, com certeza, são tantos…

 - Olha, o Djaló tem-te escrito?

Têm sido aasim as conversas na 2ª Circular desde que a FPF trocou de estádios sem avisar ninguém.

 

VÍTOR PEREIRA diz que «se fosse hoje» até tinha inscrito o Walter na Liga dos Campeões. Jorge Jesus diz que «se fosse hoje» não tinha mudado de opinião e que inscreveria sempre Rodrigo no lugar de Joan Capdevila na Liga dos Campeões.

Isto não é teimosia. Isto é sentido de Estado. E é por estas e por outras que eu gosto muito do treinador do meu clube.

 

 VÍTOR PEREIRA disse no final do jogo de ontem que empatar com o APOEL não é empatar com uma equipa qualquer. E não é, não senhor. Empatar com o Appoel em casa é isso mesmo: empatar com o APOEL em casa, um resultado que até se pode considerar positivo se retivermos na memória o último lance da partida com Helton em grande atitude a roubar a vitória aos cipriotas.

O grande protagonista do jogo foi, no entanto, o árbitro que era estrangeiro. Deu 8 cartões amarelos a jogadores do FC Porto.

Um árbitro teimoso, está visto. Mas que herói!

 

A equipa goesa de futebol dos Churchill Brothers venceu a 124.ª edição da Taça da Índia. A final foi disputada no Ambedkar Stadium, em Nova Deli, e o adversário vencido foi o Prayag United. Depois de 120 minutos sem golos, os Churchill Brothers triunfaram no desempate por grandes penalidades.

Parabéns ao nosso professor Neca, treinador dos Churchill Brothers!

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 12:25

Outubro 16 2011

NA sexta-feira da semana passada, depois de Nani marcar o seu segundo golo aos simpáticos islandeses, o público do Dragão desatou a cantar em coro o nome do dito Nani e qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia logo que este torneio de qualificação para o Europeu de 2012 só podia acabar como acabou, ou seja, num desconcerto completo e numa meia aflição.

Tudo isto porque, como toda a gente sabe, o nosso Cristiano Ronaldo, excelente miúdo certamente, fica nervoso quando ouve o público a cantar nos estádios outro nome que não seja o dele. E o caso está a tornar-se bicudo.

Não espanta que em Espanha as plateias pró-Barcelona não parem de cantar o nome de Messi sempre que o nosso Cristiano Ronaldo toca na bola. São coisas lá deles, dos espanholitos, e ainda bem recentemente uma sondagem publicada no diário madrileno As desfazia o mito local da superioridade do Real Madrid em termos de adeptos.

De acordo com as respostas dos inquiridos, o Barcelona é o clube preferido dos espanhóis com 44% dos afectos recolhidos enquanto o Real Madrid é o clube mais detestado de Espanha, com 51% das intenções de desamor, seguido pelo Barcelona com 40% e do Sevilha com 30%.

Não admira assim que Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do Real Madrid, tenha de sofrer grandes amarguras de ego sempre que se vê longe do conforto do Santiago Bernabéu e perante público hostil que sabe perfeitamente como atazaná-lo onde lhe dói.

Também no último jogo do Real Madrid para a Liga dos Campeões, na Croácia, Ronaldo passou pelo mesmo tendo de suportar os cânticos pró-Messi dos adeptos do Dínamo de Zagreb. “Não gostam de mim porque sou rico, giro e grande jogador”, disse o português no fim do jogo. Nada disto espanta.

Já espantou, isso sim, que a moda de enervar o nosso Cristiano Ronaldo cantando por Messi tenha chegado a Chipre como se viu da última vez que a selecção foi lá jogar. Foi, admita-se um despautério cipriota na ânsia de perturbar o capitão de selecção portuguesa. E perturbaram mesmo.

Viu-se no modo Cristiano Ronaldo comemorou os golos que consegui marcar em Limassol, correndo para as bancadas com vontade de despachar aquele pessoal à estalada. Mais tarde, na conferência de imprensa, diria que estava habituado «a calar o público todo o ano» e nem uma vez sequer proferiu o nome de Lionel Messi.

Eu não sei o público que esteve no Dragão a assistir ao Portugal – Islândia tem noção deste transe em que vive o nosso Cristiano Ronaldo. Aparentemente não tiveram noção alguma e nem pensaram duas vezes antes de, em coro, chamarem por Nani em fundo musical.

É que o nosso Cristiano Ronaldo, por ser simples e bom miúdo, ainda pode admitir que haja uns «anormais» - como ele próprio sublinhou – que não o considerem o melhor jogador do mundo e que a ele prefiram aquele argentino pequenino, pouco ou nada giro, que joga em Barcelona. E, assim sendo, que cantem, gritem por Messi as vezes que muito bem quiserem e entenderem.

Isto é uma coisa…

Agora outra coisa é uma pessoa, como o nosso Cristiano Ronaldo, estar a jogar em solo pátrio contra o inimigo estrangeiro e desatar o povo das bancadas não a entoar por Messi, graçola a que já está habituado, mas, pior ainda, a cantar por Nani, um simples compatriota que nunca sequer foi nomeado para a Bola de Ouro da FIFA.

Podem não acreditar, mas isto foi uma grande alfinetada no ego já dorido do capitão da nossa selecção que provou em casa, que horror, o fel da traição dos seus compatriotas.

Está, portanto, explicado este inacreditavelmente medíocre final de campanha rumo ao Europeu de 2012. É verdade que o início da campanha foi ainda pior, muito pior, mas o que fica são as últimas impressões e estas de Copenhaga são de molde a fazer esquecer rapidamente aquela série lamentável de insucessos que marcou o fim da era Carlos Queiroz in absentia, já posto a milhas pelos responsáveis da FPF.

É assim a vida, Paulo Bento. Enquanto hoje, Carlos Queiroz festejava a goleada que o seu Irão impôs ao Bahrein – logo por 6-0! – e assume todo o favoritismo do Grupo E da qualificação asiática, a nossa selecção vê-se obrigada a disputar o “Play-off” de qualificação para o Europeu de 2012 e com o credo na boca, porque nestas coisas, enfim, nunca se sabe…

Antes que o sorteio dite quem vamos ter por adversário – fica-se a saber amanhã – e admitindo que a nossa selecção se vá apresentar nos dois jogos decisivos da mesma forma como jogou com os islandeses e dinamarqueses, nesse caso, por favor, vamos todos desejar que nos saia a Estónia porque a Bósnia e o Montenegro serão adversários tramados e a Turquia até mete medo.

Mas graças às contas dos rankings, já nos escapámos da República da Irlanda comandada pelo senhor Giovanni Trapattoni que percebe mais de futebol a dormir que muita gente acordada.

 

PINTO DA COSTA acreditava que Portugal se iria qualificar directamente em Copenhaga para o Europeu de 2012. De outra forma, jamais se arriscaria a acompanhar a selecção nacional.

Uma figura do porte político e desportivo como Pinto da Costa não pode fazer uns bons milhares de quilómetros para ir assistir a uma derrota ainda sem conclusão, para ir abençoar com a sua presença e com a sua áurea de triunfador uma carrada de incompetentes.

E foi precisamente isso que se passou.

No entanto, dizem-me que não, que não foi por causa do jogo da selecção que Pinto da Costa foi à Dinamarca. Que foi apenas e por causa das próximas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.

Ora, no meu entender, nada disso faz sentido portanto adiante…

 

RÚBEN AMORIM, se me permitem a confissão, é o jogador do Benfica de que mais gosto. E não é por ser português. É por ser do Benfica. E por ser também uma boa cara, um bom sorriso e um excelente jogador como nos vem provando a todos há dois ou três anos.

Depois de passar uma semana fora da Luz, visto que foi chamado por Paulo Bento para integrar o grupo de seleccionados para os jogos com a Islândia e com a Dinamarca, Rúben Amorim voltou agora a casa para se reencontrar com os colegas e com Jorge Jesus.

Jorge Jesus, a propósito das declarações de Rúben Amorim sobre o que pensa Jesus ser diferente do que pensa Paulo Bento, disse no fim-de-semana passado que iria conversar com o jogador assim que ele regressasse dos trabalhos da selecção e que ambos, «com a inteligência de cada um», saberiam certamente resolver essa pequena desinteligência.

Não faço, nem ninguém faz, a mínima ideia do que Jorge Jesus terá dito por estes dias a Rúben Amorim sobre o assunto.

Talvez qualquer coisa deste género:

 - Olha, Rúben, afinal o Paulo Bento pensa como eu, também te deixa sentado no banco a ver os outros jogar…

Não há de ter sido assim, com certeza, que se passou o reencontro entre o treinador e o jogador. Mas sem conhecer nem um nem outro, quase que aposto que Jorge Jesus teve de se segurar todo para não lhe sair este remoque da boca para fora.

 

O Presidente do Marítimo não se conforma com o desfecho do caso Kléber, jogador brasileiro que transitou do Funchal para o Porto sem que chegasse meio cêntimo sequer à ilha da Madeira.

Carlos Pereira voltou a falar recentemente no assunto e, apesar da mágoa que lhe assiste, mostra-se confiante no fim do filme.

 - A Justiça encarregar-se-á de castigar os prevaricadores – disse.

Bom, é uma opinião.

Mas sente-se, Carlos Pereira, mais vale esperar sentado.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:54

Outubro 12 2011

CAUSA perplexidade e inquietação entre muitos, mas mesmo muitos, benfiquistas este facto, aparentemente bizarro, de o Benfica apoiar com insuspeita frontalidade e veemência a candidatura de Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do FC Porto, à presidência da Federação Portuguesa de Futebol agora que, pela norma vigente, a dita Federação vai reocupar-se dos negócios da disciplina e dos árbitros.

No momento em que, repito, o FC Porto tem um Fernando Gomes bibota na sua estrutura e um Fernando Gomes Bi-presidente nas estruturas da Liga e da Federação, este entusiasmo do Benfica pela próxima nomenclatura superintendente do futebol português não deixa de causar pasmo.

Sobretudo entre aqueles que recordam, por exemplo, o facto de Fernando Gomes, o bi-presidente da Liga e da FPF, o homem em quem o Benfica aposta regenerar o sistema, deter funções de grande responsabilidade no FC Porto à época em que outros responsáveis do clube, portanto todos colegas, tratavam pelo telefone dos negócios da disciplina e dos árbitros usando uma rebuscada terminologia que levou a Polícia Judiciária e o Ministério Público a suspeitarem de graves maroscas contra a verdade desportiva.

Felizmente que para o bom nome de todos e para a tranquilidade geral, os juízes que julgaram esses casos não encontraram o mais leve indício de práticas mal sãs, pelo que todos os acusados saíram ilibados e em ombros, com excepção das gentes mais modestas do Boavista e do Gondomar que ainda hoje arcam com as consequências práticas dessas maré de investigações judiciais.

De tudo isso, para o FC Porto apenas sobrou um leve empalidecimento das suas muitas glórias, uma sombrazinha de mau aspecto e nada mais.

Se é verdade que Fernando Gomes nunca foi escutado a encomendar almocinhos para árbitros rebeldes nem fruta de dormir para árbitros da corda, também é verdade que nunca Fernando Gomes, o bi-presidente, não o bi-bota, se demarcou desses modos vigentes durante a sua vigência como administrador da SAD do FC Porto. Mas também nunca ninguém, nenhum jornalista, por exemplo, o confrontou directamente com a questão.

E, presentemente, temos o Benfica, que tanto se deliciou com o processo Apito Dourado, a apoiar com firmeza a entrega da disciplina e dos árbitros ao ex-colega de Pinto da Costa nesse período áureo da fruta, do café com leite e das chantagens fantásticas, lembram-se?

Não admira que haja benfiquistas confusos com estas coisas. Uns por terem a mania da perseguição, que é um facto.

Outros, de cariz mais místico, entendem que o apoio a Fernando Gomes é mais um passo deste martírio que devemos suportar com um sorriso beato nos lábios para que se prove de dez em dez anos ou de cinco em cinco anos que o Bem até pode vencer como aconteceu em 1993/1994, em 2004/2005 e em 2009/2010. E, assim, campeões mais ou menos bissextos, continuaremos a municiar o nosso registo martirológico com novos dados sempre surpreendentes.

Pessoalmente não me revejo em nenhuma destas filosofias que atormentam os meus consócios no que concerne à eleição de Fernando Gomes como presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

E, certamente que por portas travessas, dou razão a Luís Filipe Vieira no seu apoio declarado ao ex-administrador da SAD do FC Porto.

Porque, francamente, isso é coisa que não tem importância nenhuma e não decide campeonatos.

Sabem o que decide campeonatos?

É jogar bem futebol. Tome-se o exemplo do jogo de sábado passado com o Paços de Ferreira, no Estádio da Luz. O árbitro, que se chama Bruno Esteves, portou-se como um verdadeiro herói, utilizando a nomenclatura em voga. E os seus fiscais-de-linha portaram-se também de modo heróico.

Um golo mal anulado a Cardozo, uma série absurda de foras-de-jogo mal assinalados em desfavor do Benfica, duas grandes penalidades por assinalar contra os visitantes, um cartão amarelo de gargalhada a Gaitán… e nada disto impediu que o Benfica partisse sempre de alma renovada e cheio de força nas pernas para cima do Paços de Ferreira que saiu vergado a uma derrota expressiva.

É assim que se ganham campeonatos, a jogar bom futebol e sem choradinhos, sem culpar o presidente da Liga ou presidente da Federação, ou os dois em um, sem blasfemar contra os árbitros vendo em cada fora-de-jogo mal assinalado uma salva de prata carregada de fruta subindo pelas escadas de serviço de uma qualquer unidade hoteleira de 5 estrelas rumo ao quarto 1893, curiosamente, o ano da fundação do grande rival.

Deixemos, portanto, o Bruno Esteves em paz. Esteve mal na Luz no jogo com o Paços de Ferreira como também já tinha estado muito mal em Paços de Ferreira no jogo com o Vitória de Guimarães, deixando os homens do berço da nacionalidade à beira de um ataque de nervos.

Será caso para se concluir apressadamente que Bruno Esteves nasceu na Mata Real? É sócio do Paços de Ferreira desde pequenino? Quando era jovem militava entusiasticamente na claque Yellow Boys?

Não, de modo algum.

É apenas caso para dizer que se trata de mais um mau árbitro que conseguiu ascender à primeira categoria e que por ser ainda jovem vamos ter de o ver evoluir ao longo de muitos, muitos anos.

E perante isto o que interessa se Fernando Gomes é ou não é o presidente da Liga?

Preocupe-se o Benfica em ter bons jogadores, bons treinadores, em mantê-los, em manter viva uma alma competitiva que lhe está no código genético e não haverá árbitros fanáticos do honrado Paços de Ferreira nem bi-presidentes que o possam atormentar para além dos limites do razoável.

 

PARA além do limite do razoável, este tipo de situações não ocorrem apenas em Portugal. Tome-se o exemplo do jogo do Zénit de São Petersburgo com o FC Porto na semana passada. Os russos ganharam de forma inapelável, viram um golo seu mal anulado por um fora-de-jogo que não existiu e viram validado o golo do FC Porto, obtido em posição de fora-de-jogo.

E qual foi o resultado? 3-1 a seu favor. E porquê? Porque os Zénites não se deitaram a chorar sobre os erros de um árbitro estrangeiro e neutral, antes preferiram cavalgar para cima do adversário e arrecadar os 3 pontos com eficácia e pragmatismo.

 

DANNY não vai estar amanhã no Estádio do Dragão a representar a selecção nacional no jogo com a Islândia. Foi acometido de um mal que o impede de dar o seu contributo à equipa de todos nós. A FPF ainda não esclareceu qual o problema que aflige Danny e a imprensa, sempre atenta, tem avançado com várias hipóteses.

 Quanto a Danny, silêncio. Nem uma palavra sobre o assunto proferiu o número 10 do Zénit, o que se respeita mas não deixa de causar surpresa e suscitar especulações.

Que não seja nada de grave, é o que se deseja.

Mas é uma pena Danny não aparecer amanhã lá pelo Estádio do Dragão. Em primeiro lugar porque é um excelente jogador. Em segundo lugar porque seria curioso vermos como é que a afición portista iria receber em sua casa o artista que festejou de modo tão pouco ortodoxo o bonito golo que apontou contra o FC Porto, lá longe, em São Petersburgo.

E estes pormenores animam sempre os espectáculos.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 01:35

Setembro 30 2011

SEXTA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO

JORGE SOUSA apitou para o fim de jogo no Dragão e ao meu lado um familiar mais jovem sai-se imediatamente:

 - Razão tinha o Fábio Coentrão… Se tivéssemos jogado alguma coisa tínhamos dado 4-0…

Referia-se à entrevista dado pelo ex-benfiquista ao diário O Jogo e publicada na véspera do clássico com o grande e merecidíssimo destaque na primeira página do jornal nortenho.

Coentrão, de longe, do estrangeiro, apostava ontem numa vitória por 4-0 da sua ex-equipa na visita à casa dos campeões nacionais.

É verdade que a prosápia de Fábio Coentrão, o nosso cônsul em Madrid, só encontrou nos últimos 15 minutos da exibição do Benfica no estádio do Dragão.

Quarto de hora deveras inspirado que foi bastante para empatar o jogo e para deixar em maus lençóis Vítor Pereira prontamente acusado de ter mexido mal na sua equipa, retirando do campo Guarin, o melhor portista em campo, para fazer entrar Bellushi, que mal conseguiu ser discreto.

E a discrição é, sem dúvida, um belíssimo atributo na vida social mas é uma qualidade absolutamente indispensável num jogador de bola atirado para a fogueira viva de um despique entre arqui-rivais.

Foi um clássico dividido, equilibrado e nem o quarto de hora à Benfica justificaria outro resultado que não fosse o empate embora, coisa rara, tenha havido um sentimento geral de insatisfação entre os nossos adeptos quando Jorge Sousa se limitou a dar 3 minutos de tempo de compensação num campo onde, normalmente, o tempo custa imenso a passar.

 - Malandro! Devias dar 5 minutos!

Queriam mais tempo de jogo os benfiquistas tal era o empolgamento vendo o FC Porto encostado as cordas perante a cavalgada final dos Jesuses.

 - Só o Fucile esteve mais de 3 minutos a rebolar no chão!

 - Podia perfeitamente dar 7 minutos de compensação!

Em nome do bom senso, estas prosápias são sempre de evitar, mas como evitá-las quando vemos o nosso poderoso adversário a suspirar pela clemência de um duche morno no balneário frio?

De um modo geral, o jogo não quizilento como quase sempre acontece quando os dois emblemas se defrontam. E Maxi Pereira merece o prémio fair Play do clássico por ter não se ter deitado ao chão a rebolar e por ter respondido com um sorriso condescendente a uma ameaça de cabeçada do incrível Hulk.

E foi precisamente a partir daí que as coisas começaram a correr muito bem.

 

SÁBADO, 24 DE SETEMBRO

O Sporting de Braga de Leonardo Jardim mostra-se sólido e confiante. Ganhou por 2-0 com um golo do Nuno Gomes está agora com os mesmos pontos do FC Porto e do Benfica no topo da classificação.

O Sporting dá sinais de recuperação a todos os níveis e produzindo um quarto de hora à Benfica despachou o Vitória de Setúbal com grande limpeza logo na abertura do jogo.

O Sporting é agora o 4º classificado e tudo indica que o mau tempo já passou.

 

DOMINGO, 25 DE SETEMBRO

O Sporting desceu para o 5º lugar porque o Marítimo, sem o Cléber, ganhou hoje ao Vitória de Guimarães por 2-1, deu um salto na tabela e ultrapassou os leões.

 

SEGUNDA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO

O Sporting, sem jogar desceu mais um lugar na tabela. Hoje é o 6º classificado porque a Académica de Pedro Emanuel ganhou ao Feirense por 4-0 e roubou a anterior posição aos Paciências.

Mudando de assunto…

Está instalada uma pequeníssima polémica entre Vítor Pereira e Jorge Jesus. Pereira acusou Jesus de ter ido jogar para o empate ao Porto e Jesus respondeu dizendo que não foi ele que fez substituições para «garantir um ponto».

De qualquer modo, ouvindo falar os adeptos das duas equipas, fica-se com sensação que os portistas estão mais aborrecidos com o seu treinador do que os benfiquistas estarão com o seu. Mas uma coisa é certa, os portistas podem desconfiar de Vítor Pereira mas continuam a confiar a mil por cento no seu presidente.

Por exemplo, um muito querido amigo meu portista, David Almeida, disse-me hoje, sem se desmanchar, ter a certeza absoluta que o presidente Pinto da Costa já tinha José Mourinho, em apuros em Madrid «de prevenção» para substituir Vítor Pereira a qualquer momento. E terminou assim: «e ainda vamos ganhar este ano mais uma Liga dos Campeões com o Mourinho!»

Gosto tanto de futebol.

 

TERÇA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO

O milionário madeirense Joe Berardo deu uma entrevista ao diário Económico que fez uma bonita primeira página com a declaração mais interessante do grande patrono das artes.

Berardo, que se confessa desde sempre benfiquista, disse ter chegado ao ponto do desespero na sua paixão pelo clube, há uns anos, via o Benfica fraquinho e sem condições de lutar por títulos. E, vai disto, afirmou-se como o autor de uma proposta invulgar a um destinatário invulgar: Berardo, diz ele, ofereceu 500 mil contos a Pinto da Costa para trocar a presidência do FC Porto pelo Benfica.

Isto ainda se passou no tempo dos contos, naturalmente.

Pinto da Costa ainda não comentou, com a ironia do costume, esta proposta do madeirense mas, certamente, deve ter ficado chocado com o preço.

Desportivamente, esta história não oferece grandes lições. Já do ponto de vista da Troika, trata-se apenas de mais uma achega que pode ajudar a explicar o buraco financeiro destapado na Madeira.

Sim porque, ficou definitivamente, provado que estes madeirenses são loucos.

Hoje o dia acabou com uma vitória do Benfica na Roménia contra os coisos, foi assim que passamos todos a semana a tratar a equipa campeã Romena porque, na verdade, tem um nome que não é nome nenhum em termos historial internacional.

Por isso mesmo foi particularmente saborosa a vitória, mais os 3 pontos, mais os 800 mil euros, tudo arrecadado com um só pontapé de Bruno César que respondeu, uma vez mais, muito bem à confiança que Jorge Jesus tem nas suas capacidades de jogar, lutar, correr e fazer golos.

O Empate do Basileia em Manchester foi a sensação desta terça-feira de Liga dos Campeões. Os comentadores, hoje relatadores, os analistas de serviço viram nesta semi-proeza suíça uma grande complicação para o Benfica. E os adversários internos do Benfica olham agora para o Basileia com grande carinho e simpatia.

É caso para se dizer que até parecem que são do Basileia desde que nasceram porque foi com grande desgosto que assistiram ao golo do empate do Manchester United já bem pertinho do fim do jogo.

Mas que grande falta de patriotismo, francamente.

 

QUARTA.FEIRA, 28 DE SETEMBRO

O FC Porto faz hoje 118 anos de vida segundo o calendário papal e 105 anos de vida segundo o Borda d’Água.

E, em São Petersburgo, não teve o presente de que certamente estava à espera. Um Zenit menos perdulário poderia ter alcançado um resultado ainda mais surpreendente embora perder por 1 golos ou perder por 3 ou perder por 5 seja exactamente a mesma coisa no que diz respeito aos interesses do país: são menos 800 mil euros que entram no tesouro nacional e que tanta falta nos fazem.

O árbitro não foi o Jorge Sousa, foi um inglês qualquer que se atreveu a expulsar o Fucile que está a viver uma daquelas semanas em que melhor seria nem sair de casa

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 20:35

Setembro 16 2011

SÁBADO, 10 DE SETEMBRO

Hoje, sábado, lá fui mais uma vez fazer aquilo que o Vítor Pereira ainda não fez este ano, isto é, ver o Benfica jogar. Não jogou por aí além, diga-se, mas ganhou com justiça a um Vitoria de Guimarães renascido, que se bateu bem, e que só deixou de se meter a defender penalties quando os seus jogadores deixarem de jogar a bola com a mão, o que tem lógica.

É muito provável que Vítor Pereira tenha visto hoje, finalmente, um jogo do Benfica porque não vai poder apresentar-se na sua próxima de conferência de imprensa sem se referir aos penalties da Luz. Ou então, vai despedido, ate porque ainda está no período experimental.

O árbitro Duarte Gomes não foi comprado pelo Benfica, é bom que fique claro. A sua actuação faz parte de um plano bem mais sinistro. O árbitro Duarte Gomes foi comprado pelos tipos da Troika em prol da alienação geral. Isto para que seja desviada para o caso dos penalties do Duarte Gomes a atenção dos comentadores e colunistas do país. E, assim sendo, ninguém vai falar de cátedra sobre as medidas a que nos sujeitam as tais pessoas da Troika.

Eu própria vou falar dos penalties do Duarte Gomes, é este o triunfo da troika! Ressalvando que, na minha opinião, ficou uma grande penalidade por marcar a favor do Benfica quando o resultado estava ainda empatado a zero (uma mão, sempre as mãos...), o primeiro penalty pareceu-me indiscutível, o segundo também e o terceiro, francamente, visto e revisto, não parece nada que justifique o castigo.

Na segunda grande penalidade, cometida por El Adoua que desvia com o braço uma bola que ia para a baliza, melhor teria feito o jogador do Vitória de Guimarães em dar o corpo à bola com os bracinhos postos atrás das costas, como fazem os jogadores mais sábios e experientes. Mas não foi o que fez El Adoua.

Na transmissão da Sport TV há uma imagem muito curiosa de El Adoua zangado, depois de Duarte Gomes apitar para o terceiro penalty da Troika e a olhar para o braço direito que, provavelmente, ainda lhe doía...

 

DOMINGO, 11 DE SETEMBRO

Alguns jogadores que, por um motivo ou por outro, não couberam biologicamente neste Benfica de 2011/2012 estiverem hoje em bom plano nos clubes adoptivos ou de substituição. Nuno Gomes marcou dois golos pelo Braga, Roberto defendeu uma grande penalidade que valeu 1 ponto ao seu Saragoça e Schaffer, com um pontapé incrível, fez o golo que deu a vitória ao União de Leiria em Aveiro.

Ontem quase que tivemos oportunidade de ver Melgarejo uns minutinhos em acção pelo Paços de Ferreira contra o Sporting mas, quando ia entrar no jogo, o arbitro expulsou um colega e Melgarejo teve de voltar para o banco. Foi pena. Sabe-se lá o que iria Melgarejo fazer com o resultado em 2-0 para a sua equipa e com onze contra onze em campo...

De qualquer modo estes sucessos dos jogadores do Benfica, ou que foram do Benfica, como é o caso de Nuno Gomes, só podem causar alegria entre os benfiquistas porque têm a virtude de nos provar a sua valia e, mais importante ainda, têm a virtude de nos provar que o actual quadro de jogadores do Benfica é suficientemente sólido e valioso para não sofrer com estas ausências.

E que bom para nós todos o Benfica não ter cedido Capdevilla a nenhum outro clube. Assim sendo, está lá na Luz à espera do seu momento e poupa-nos, pela ausência, a hipotéticas irritações.

 

SEGUNDA-FEIRA, 12 DE SETEMBRO

A sensacional reviravolta que a equipa do Sporting operou em Paços de Ferreira teve artes de operar uma ainda mais sensacional reviravolta no discurso dos responsáveis do clube. É esta a magia do futebol.

Se na quinta-feira da semana passada, Godinho Lopes, o presidente, garantiu consternado que «o Sporting não tem dinheiro para mandar cantar um cego», na segunda-feira desta semana, depois da epopeia de Paços de Ferreira, Luís Duque, o director do futebol, dava como oficialmente encerrada a época da crise e, virando-se para aquilo que já é passado, recordava o tempo, algo distante, em que «o Sporting era cómodo para muita gente, era um Sportinguezinho que era considerado por poucos como um grande».

E difícil seria Luís Duque não se estar a referir precisamente aquele Sportinguezinho que a um quarto de hora do fim do jogo em Paços de Ferreira perdia muito merecidamente por 2-0 com a equipa da Capital do Móvel.

Também no Sporting e no que diz respeito aos árbitros, registou-se uma outra reviravolta pois passaram todos a ser gente séria, como por milagre. Luís Duque foi hoje ouvido na Liga de Clubes na sequência dos protestos sportinguistas que ocorreram, com grande espectacularidade, nas primeiras jornadas do campeonato e demarcou-se frontalmente de semelhantes lamentos e acusações: «Há três equipas em campo e todas erram, não acredito que haja qualquer intenção persecutória dos árbitros em relação ao Sporting», disse.

Admire-se, portanto, o que só um golo do Van Wolfswinkel consegue fazer!

Como sabemos, o futebol português joga-se ao sábado e ao domingo e desata-se em conversa de segunda a sexta-feira. Esta segunda-feira, está visto, está a ser muito rica em faladura. Manuel Machado veio à liça dizer que Rui Vitória não é pessoa de bem nem das suas relações pessoais porque «quem cozinha estas porcarias não pode conviver comigo». Comigo, isto é, com ele, com deverão ter entendido logo à primeira.

Depreende-se do discurso de Manuel Machado, aliás bastante claro e chão, sem recurso aparente ao Dicionário de Sinónimos, que Rui Vitória já teria acertado tudo com o Vitória de Guimarães antes de Machado ter recolhido a respectiva guia de marcha.

Coisas destas devem ser o pão-nosso de cada dia no futebol português... Coisas quase tão correntes como este hábito que Manuel Machado tem de, quando está aborrecido, tornar-se extraordinariamente desagradável com os profissionais do mesmo ofício que o seu. No ano passado, por exemplo, chamou duas vezes imbecil a Jorge Jesus que de imbecil não tem nada.

Que volte, no entanto, depressa Manuel Machado a treinar na Liga para termos o espanto de o ouvir falar erudito na análise dos prédios e dos três pontos em contenda e de o ouvir falar vulgar na análise do carácter dos colegas.

 

TERÇA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO

O começo a sério da Liga dos Campeões é um dia de festa para quem gosta de futebol. Temos entretenimento de alto nível garantido até Maio que é quando se joga a final. Hoje foi a primeira noite da fase de grupos e o resultado sensacional aconteceu em Camp Nou com o Barcelona a não conseguir melhor do que empatar o jogo com AC Milan.

O Barcelona está, portanto, em crise porque já se tinha deixado empatar no último jogo da Liga espanhola. Ora uma crise de resultados a afectar a melhor equipa do mundo é coisa que não se tem todos os dias e faz-nos sentir a todos, aos mais pequeninos, capazes de bater o pé a quem quer que seja.

Por sua vez, o Chelsea entrou em ganhar com um golo de David Luiz, o que muito nos honra. O FC Porto ganhou por 2-1 ao Shakhtar Donestsk e Mircea Lucescu, o romeno que treina os ucranianos, diz que foi gamado pelo árbitro, o que também muito nos honra.

 

QUARTA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO

O Benfica jogou com inteligência com o Manchester e até podia ter ganho o jogo. Foi uma pena Sir Alex ter mudado de guarda-redes porque com De Gea, que anda azarado, talvez aqueles magníficos pontapés de Gaitán tivessem tido sucesso.

Foi um arranque positivo na fase de grupos porque pontuar é sempre bom e pontuar com o Manchester United pode até ser um alento precioso para o que há-de vir, dentro e fora de portas, que não é fácil de maneira nenhuma.

Ao meu lado dizem que Witsel esteve tímido no jogo. Discordo. Witsel correu mais de 12 quilómetros e, por isso mesmo, não teve tempo para outras habilidades mais vistosas para o público.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:29

Setembro 09 2011

Os presidentes do Benfica e do Sporting almoçaram juntos e só por isso foram notícia de relevo nos telejornais de terça-feira e nos jornais de ontem. Benfica e Sporting à mesa, temos estratégia erudita com certeza…

E para quê?

Os observadores e os analistas garantem que se trata das eleições para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol o motivo que juntou Luís Filipe Vieira e Godinho Lopes.

É um assunto que interessa a ambos os rivais na medida em que o Sporting não tem um presidente da FPF a que possa chamar seu desde Antero da Silva Resende, entre 1983 e 1989. Já o Benfica, desde a presidência de Morais Leitão, nos anos de 1979 e 1980, não lhe têm faltado presidentes da FPF a que pôde chamar seus, tais como Romão Martins, de 1981 a 1983, João Rodrigues, de 1989 a 1992, e Vítor Vasques, entre 1993 a 1996.

Quanto a Gilberto Madaíl, no cargo desde 1996, poucos saberão de certeza firme qual é a sua orientação clubista e eu não me atrevo sequer a lançar as mais leves suposições sobre a tal afinidade que o presidente em exercício tão bem soube iludir nestes seus quinze anos de consulado.

Mas, pela lógica vigente, Gilberto Madaíl parece ser do Benfica, com o devido respeito pela presidencial figura.

E porquê?

Porque estes últimos 32 anos com hipotéticos presidentes do Benfica na FPF coincidem taxativamente com os 32 anos em que assistimos à afirmação do FC Porto como uma força política sem rival no futebol português.

No que diz respeito ao Sporting, se bem se lembram os mais velhos, o consulado de Silva Resende ficou marcado por aquele episódio caricato e lesa-Sporting à volta da inscrição de Frank Rijkard na FPF que não foi aceite porque a papelada chegou dois minutos de atraso à antiga sede na Praça da Alegria.

Estiveram, portanto, Luís Filipe Vieira e Godinho Lopes a almoçar anteontem no Hotel Tivoli, em Lisboa, para tratarem de um candidato comum às eleições para a FPF. A ideia só pode ser abrir uma frente conjunta da capital contra os alterosos poderes políticos, funcionais, administrativos e tudo o mais, de Pinto da Costa, presidente do FC Porto, clube que não mete um presidente a que possa chamar de seu na presidência da FPF desde a I Guerra Mundial, passe o exagero.

A que conclusão chegaram?

Fernando Seara ou Filipe Soares Franco? Filipe Soares franco ou Fernando Seara? Filipe Seara ou Fernando Soares? Se a Conversa foi à volta destes nomes, temos o caldo entornado porque significa que nem o Benfica nem o Sporting perceberam muito bem o que de lamentável lhes aconteceu nas últimas 3 décadas.

A que conclusão deveriam ter chegado?

Apenas a uma. E que requer urgência de aplicação a ver se as coisas mudam como os dois presidentes da Segunda Circular querem que mudem. E, por isso mesmo, que tal experimentarem uma novidade?

Luís Filipe Vieira e Godinho Lopes bem faziam em propor, muito rapidamente, um candidato comum que tivesse a particularidade de ser do FC Porto, nascido e criado na Torre dos Clérigos.

É que já mereçam, carago!

 

PAULO BENTO chamou a Ricardo Carvalho de desertor e Ricardo Carvalho chamou a Paulo Bento de mercenário.

É uma linguagem inflamada, despropositada, de cariz militarista e patriótico.

Esta coisa de se confundir a Selecção Nacional com a Pátria é reveladora de uma grande pobreza mental a que não escapam até intelectuais e cientistas, o que se compreende, porque o futebol responde a uma ânsia de colectivo e os grandes colectivos, para serem mesmo grandes, têm de se infantilizar ao ponto da unanimidade do discurso e das emoções.

Há anos, há muitos anos, era eu jornalista de A Bola e entrevistei João Saldanha, que foi jornalista, treinador e uma figura sem par no futebol brasileiro. Saldanha foi o responsável técnico que qualificou o escrete para o Mundial de 1970 mas acabou por ser substituído, na fase final da competição, no México, por Mário Zagallo que era pessoa mais da confiança da CBD e que levaria o Brasil ao título mundial.

João Saldanha foi sempre um marginal, um excêntrico, enfim um poeta. Disse-me ele, em Novembro de 1985, no Rio de Janeiro, que não descansaria enquanto não conseguisse convencer a FIFA de que era um erro tremendo, um abuso, uma estupidez permitir que se tocassem os hinos nacionais dos países antes dos jogos entre selecções.

Para Saldanha, futebol era simplesmente futebol, um jogo, um jogo absolutamente maravilhoso que no Brasil era praticado como quem pratica a arte da música, mas confundir esse jogo de perícia e habilidade, e também de sorte e azar, com a nossa Pátria e com as Pátrias dos outros ia, certamente, acabar um dia mal…

O que se passou com a selecção portuguesa, entre Paulo Bento e Ricardo Carvalho, não foi nada de tão trágico quanto Saldanha agourava nesse dia quente distante de um Verão carioca. Foi simplesmente uma anedota sem graça a acrescentar a muitas outras com que a Selecção, a nossa selecção, muito frequentemente nos brinda.

Mas quando ouço gente responsável a exigir que Ricardo Carvalho peça desculpa «a todos os portugueses» lembro-me, inevitavelmente, de Teresa Guilherme no Big Brother e, depois, de João Saldanha na sua campanha solitária contra a militarização do futebol e em prol da abolição dos hinos antes dos jogos para que não se confundam coisas sérias com entretenimentos.

João Saldanha tinha carradas de razão. E ainda tem, embora já cá não esteja. Morreu em Roma, em 1990. Estava em Itália para assistir ao Mundial de futebol e não sei bem, lamento, quantos hinos ainda teve de ouvir tocar antes de fechar os olhos definitivamente.

 Quanto ao pedido de Ricardo Carvalho «a todos os portugueses», se me é permitido, gostaria de confessar a Ricardo Carvalho a admiração que sempre tive por ele e que continuarei a ter, apesar deste seu deslize infantil com que terminou uma carreira sempre digna, melancólica e eficiente na Selecção Nacional.

E, já agora e no que me diz respeito enquanto portuguesa, está Ricardo Carvalho perfeitamente dispensado de me pedir desculpa. Aliás, está de me pedir desculpa.

 

GOSTO a ciência da estatística aplicada ao futebol e ao rendimento dos jogadores. Por isso chamo a atenção dos cientistas das estatísticas do nosso futebol para quando se referirem a Artur Moraes, guarda-redes do Benfica nunca se esquecerem de acrescentar aos pertinentes dados sobre as suas intervenções a soco, a pontapé, em voo, em queda, etc…, este singular facto adicional, mas não menos importante: 1 assistência para golo.

É uma proeza que muitos médios e avançados que custaram pequenas fortunas a diversos emblemas ainda não conseguiram fazer.

Sim, o golo de Bruno César na Choupana foi um momento raro de pura diversão. Mas metade do golo é de Artur Moraes, que lançou o companheiro e compatriota, enfim, em profundidade…

Não admira que Lula da Silva, em visita a Portugal, quisesse, assim que aterrou, ir logo a correr para o Estádio da Luz só para almoçar com estes dois grandes artistas brasileiros…

 

O Benfica não inscreveu Capdevilla para esta fase de grupos da Liga dos Campeões e inscreveu Jardel.

Não escrevi esta frase para dar a notícia a ninguém.

Escrevi-a apenas para me ir convencendo a mim própria de que é verdade. E ainda não estou completamente convencida. Melhor será reescrevê-la.

Cá vai:

O Benfica não inscreveu Capdevilla para esta fase de grupos da Liga dos Campeões e inscreveu Jardel.

… Ainda não estou convencida

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:50

Setembro 01 2011

O Benfica está a fazer este ano um arranque de época bem melhor do que o do ano passado, mas também não era preciso muito para fazer melhor do que fez em 2010/2011, quando ia a época mais ou menos por esta altura.

Os benfiquistas andam mais satisfeitos, nota-se. Basta ouvi-los falar…

 - Gostaste do Nolito?

 - Não vi. É muito pequenino e estava muito nevoeiro.

 - O Gaitán anda desconcentrado.

 - É desde que está a ser observado pelo Manchester United.

 - Ah, pois. Pode ser que se concentre em grande no jogo com o Manchester, na Luz.

 - Vais?

 - Vou.

 - O Bruno César tem pinta, não tem?

 - Tem, pois. Até faz lembrar o nosso grande Isaías…

 - Parecia um jogador de râguebi a correr sessenta metros com a bola.

 - Com o melão, queres tu dizer.

 - Com o melão sei quem ficou…

 - Incrível como o Bruno César não foi parar ao Porto.

 - Agora andam atrás do Funes Mori.

 - O Freud explica.

 - Viste agressão ao Witsel?

 - O árbitro foi um herói.

 - O nosso Jesus está muito sereno.

 - Está, está, está.

 - O Domingos é que parece tristonho.

 - Não está a conseguir pôr o Sporting a jogar à bola como fez com o Braga.

 - Porque no Sporting, ao contrário do que aconteceu em Braga, não esteve lá antes o Jorge Jesus durante dois anos a fazer-lhe a papinha toda.

 - Está bem visto.

 - Isto do futebol não é nenhuma ciência oculta!

 

O fim-de-semana tinha reservada uma alegria para quem gosta de futebol. O regresso da Liga espanhola, a melhor do Mundo e arredores, sendo que os arredores somos nós, os portugueses, que vivemos mesmo ao lado, entre a Espanha e o mar, por isso mesmo nos chama, com toda razão, um país periférico.

Para os benfiquistas, muito especialmente, este regresso da Liga espanhola no seu esplendor trouxe-nos os mais diversos motivos de interesse, de satisfação e até de alívio. O interesse pelo desempenho do Granada de Júlio César, Carlos Martins, Yebda e, mais recentemente, Jara, que começou mal, a perder em casa; a satisfação por revermos Fábio Coentrão na qualidade de homem dos sete instrumentos do Real Madrid; e, finalmente, o alívio por podermos ver Roberto, um tipo bem simpático, a jogar durante 90 minutos sem ser com a camisola do Benfica.

Aconteceu no Saragoça – Real Madrid que terminou em goleada expressiva. Quer os comentadores da transmissão televisiva, quer os analistas da praxe, quer o cidadão comum, o homem da rua, todos concordaram que Roberto não teve culpas em nenhum dos seis golos que sofreu. E são capazes de ter razão.

Roberto é, na verdade, o guarda-redes ideal para uma equipa como o Saragoça, onde, aliás, já fora feliz antes da sua patética passagem pelo Benfica. No domingo, por exemplo, Roberto esteve sempre em acção porque o Real estava inspirado e nunca deixou de andar muito perto da baliza dos donos da casa.

E Roberto estando sempre em acção, porque a equipa que agora defende é do meio da tabela e vai obrigá-lo a intervir mais vezes durante um jogo, é natural que tenha até os seus momentos de grande brilho entre os postes, tantas são as que lá vão…

No Benfica, que é superior ao Saragoça, tem outras ambições e um futebol bem mais ofensivo, Roberto não tinha nem tempo nem ocasiões para “aquecer” as luvas. Remetido ao papel de espectador a maior parte do jogo, vendo da sua baliza os colegas a jogar perto da baliza adversária, era um Roberto a frio que, em muitos jogos, era chamado a duas ou três escassas intervenções que, decididamente, não podia falhar.

E falhou algumas, é certo, se quisermos evocar o assunto com benevolência. Se preferirmos evocar o assunto sem benevolência, falhou um fartote.

Que seja muito feliz em Saragoça, é, de certeza, o desejo de todos os benfiquistas que vão continuar a seguir a sua carreira mas de longe.

Benza-o Deus, esse é mesmo um grande alívio…

 

APESAR de jogar sem o Nolito, o Barcelona venceu o FC Porto no Mónaco e conquistou a Supertaça da UEFA no culminar de uma semana tempestuosa no futebol português, por obra e graça do Sporting que está revoltado com a qualidade da arbitragem nacional.

A Pinto da Costa não lhe ocorreu dizer nada depois do jogo com o Barcelona mas antes do jogo, ainda em Portugal, comentou com a ironia do costume este levantamento de rancho sportinguista contra os homens do apito. “Os árbitros têm sido uns heróis”, disse o presidente FC Porto em acto de solidariedade com a classe que tão mal tratada tem vindo a ser pelo Sporting que, entretanto já perdeu 7 pontos que só lhe podem fazer falta.

Não é só para Pinto da Costa que os árbitros têm sido uns heróis.

Também a UEFA pensa exactamente da mesma maneira e só assim se justifica que Michel Platini tenha mandado para dirigir o jogo do Mónaco entre o Barcelona e o FC Porto o árbitro holandês Bjorn Kuipers que apitou no Porto, na Primavera passada, o jogo com o Villareal e que acabou envolto em suspeitas gastronómicas nas primeiras páginas dos jornais espanhóis por ter ido cear com António Garrido à Marisqueira de Matosinhos depois do jogo no Dragão.

 - Agora vais ao Mónaco e vais provar que és mesmo um herói! – foi o que Michel Platini disse a Bjorn Kuipers na sala dos fundos da sede da UEFA na Suiça, que é um país neutral.

E lá foi até ao Mónaco o holandês Kuipers para provar ao Mundo a sua fibra de herói.

Talvez tenha até exagerado porque expulsou dois jogadores do FC Porto e, como se não bastasse, os portistas (que viram a sua equipa valorizar a vitória do Barcelona oferecendo uma réplica condigna aos campeões da Europa) ainda se queixam de uma grande penalidade que terá ficado por assinalar a favor do campeão português.

Vítor Pereira, com humildade, reconheceu o heroísmo do árbitro:

 - É muito complicado marcar um penalti conta o Barcelona - disse quando já Messi e companhia encaixotavam a taça no balneário para a levar para casa.

Mas, muita atenção, leitores: este Vítor Pereira que disse que é muito complicado marcar penaltis contra o Barcelona é o Vítor Pereira – treinador do FC Porto, não é o Vítor Pereira – presidente dos árbitros portugueses.

O Vítor Pereira – presidente dos árbitros portugueses jamais diria semelhante barbaridade. Porque uma coisa é o que se passa lá fora, outra coisa é o que se passa cá dentro. E cá dentro não há Barcelonas nem complicações nenhumas.

Não há nem vai haver!

 

AINDA Vítor Pereira – treinador do FC Porto e ainda o jogo da Supertaça no Mónaco. Disse Pereira na conferência de imprensa antes da partida:

 - Nós não viemos ver o Barcelona jogar à bola.

Bom, isso acabou por não ser totalmente verdade… as muito honrosas estatísticas do jogo garantem que houve 68% de posse de bola para o Barcelona e 32% para o FC Porto, o que prova que o FC Porto viu mais o Barcelona a jogar do que o Barcelona viu o FC Porto a jogar. Mas isso pouco interessa.

Mais coisa, menos coisa, o que interessa sempre é o resultado.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:38

Agosto 26 2011

A Liga espanhola é a melhor do mundo e a Liga portuguesa é a sexta da tabela, segundo informou o país o próprio presidente da Liga, Fernando Gomes, pedindo contenção verbal aos árbitros e arbitrados.

Parece assim que a Liga portuguesa se está a aproximar da Liga espanhola no seu esplendor. Mas factos recentes vieram colocar dramaticamente a questão de outra maneira. Afinal, é a Liga espanhola que se está a aproximar da Liga portuguesa no seu pior folclore.
E isto deve dar uma grande preocupação aos espanhóis, nossos vizinhos, que se orgulham de outros atributos nas suas competições oficiais.
É verdade que ainda há cinco degraus entre as suas Ligas, se quisermos utilizar a imagem da escadaria a descer.
E se em Portugal, vá lá saber-se porquê, «os campeonatos decidem-se nas primeiras jornadas», como ainda esta semana se lamentou Domingos Paciência, já em Espanha este tipo de fatalismo, predeterminação ou destino imutável é olhado como um vício típico dos fadistas que habitam do outro lado da fronteira.
Em Espanha não há adepto do Real Madrid que esteja convencido de que esta temporada vai ser um desaire só porque o Real perdeu a Supertaça para o Barcelona a meio de Agosto. Mas em Portugal, ao contrário, é o próprio treinador do Sporting que não se dispensa de agourar em público só porque empatou os três primeiros jogos oficiais.
Na época passada, por exemplo, não foram poucos os benfiquistas que deram a época encerrada logo no jogo de abertura quando perdemos a Supertaça para o FC Porto no princípio de Agosto. E foi o que fizeram melhor...
Este histerismo português com as primeiras semanas da competição afecta todos os envolvidos: treinadores, jogadores, árbitros e adeptos. Em Espanha não era nada assim até há pouco tempo.
As temporadas demoravam os dez meses da praxe, o interesse pelas grandes decisões mantinha-se vivo desde o meio do Verão até ao finzinho da Primavera seguinte e foi assim que o futebol espanhol cresceu ao ponto de se tornar campeão do mundo...
Compreende-se, portanto, o horror de Vicente del Bosque, seleccionador espanhol, ao ver o edifício que ajudou a construir ser desmantelado à paulada por um português - claro, tinha de ser um português! - que, por ter perdido a Supertaça para o Barcelona, baixou-lhe o folclore tuga no seu pior e desatou a tratar toda a gente como se a época já tivesse terminado para o seu Real Madrid.
Ora este não é o José Mourinho que todos conhecemos. Mourinho era diferente, era especial porque não era fadista como os demais e não acreditava em fatalismos, apenas acreditava no seu trabalho. Ou não será assim?
É verdade que todos nós só conhecemos o José Mourinho a ganhar, elegante e vitorioso ao longo de dez curtos anos de uma sensacional carreira. Nunca vimos Mourinho a perder... Estamos a vê-lo agora na maré-baixa e tendo como adversário directo e interno o grande Barcelona de Messi e dos outros todos.
Deve ser tramado para qualquer treinador ter de ganhar ao Barcelona dentro e fora de portas e é este, precisamente, o trabalho de Mourinho que anda não só muito agitado mas também agitando muito.
O espectáculo não tem sido nada bonito de se ver. Ainda que pareça francamente exagerado o comentário de Gerard Piqué - «Mourinho está a destruir o futebol espanhol» -, não há como não dar razão a Vicente del Bosque e às suas preocupações sobre a sanidade mental do futebol espanhol depois deste arranque de temporada tão... português.

UM árbitro das divisões distritais apitou o Beira Mar-Sporting e não fez má figura, antes pelo contrário. Errou na proporção legítima admissível, sem qualquer tipo de influência directa no resultado.
O senhor Idalécio Martins, fiel de armazém nascido em Oliveira do Bairro prestou um grande contributo ao futebol português ao destruir um dogma por implosão.
O senhor Idalécio Martins pode regressar de consciência tranquila ao seu doce anonimato porque não vai ficar célebre pelas mesmas razões que marcaram as actuações recentes de Olegário Benquerença, Rui Silva e Carlos Xistra.
Ora isto dá que pensar. Se um árbitro das divisões distritais em final de carreira actua melhor do que alguns dos nossos árbitros internacionais, quais são os critérios de avaliação que promovem e despromovem os homens do apito?
Idalécio Martins saiu de Aveiro de boca fechada porque, segundo a Imprensa, foi aconselhado por responsáveis da Liga a ficar calado. E que jeito daria aplicar neste caso essa conquista da liberdade de expressão que é estranhamente negada aos árbitros.
Se os piores árbitros internacionais portugueses continuarem a ter a concorrência dos melhores árbitros distritais portugueses, isto um dia ainda acaba numa revolução.
Foi uma pena, uma grande pena, no ano passado os árbitros não terem feito exactamente a mesma coisa quando o Benfica, logo à quarta jornada, protestou com estrondo contra uma arbitragem danosa do inevitável Olegário Benquerença.
Quem nos dera um Idalécio, cindo Idalécios, vinte Idalécios durante a época inteira.

AMANHÃ joga-se no Mónaco a final da Supertaça da UEFA e o FC Porto parte na condição de favorito porque o FC Porto, mesmo desfalcado de Falcao - portanto desfalcoado - não terá grandes problemas em vencer um Barcelona desfalcado de Nolito.
Na sexta-feira veremos quem mais falta a quem.
A UEFA, sempre atenta, já nomeou o árbitro para o Mónaco. É o holandês Bjorn Kuipers, cliente da Marisqueira de Matosinhos.
Chama-se a isto, globalização.

O Benfica qualificou-se para a fase de grupos da Liga dos Campeões com uma exibição categórica frente ao Twente, ontem na Luz. Foi uma alegria para o clube porque entram muitos milhões na tesouraria e foi uma alegria para os adeptos que viram a equipa a jogar lindamente durante 85 minutos.
Os últimos 5 minutos foram mauzinhos, com os jogadores desconcentrados e nervosos, coisa a que já nos habituaram esta época. Mas a boa notícia é que esse período periclitante só durou 5 minutos e contra um adversário de maior valia do que o Gil Vicente, o Feirense ou os turcos do Trabzonspor.
Isto, portanto, deve querer dizer que o Benfica está no bom caminho.
Sobre Axel Witsel é melhor nem dizer nada... que bom para o Benfica o belga não ter sido desviado para o FC Porto.
Deviam andar a dormir, com certeza."

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 09:39

Agosto 19 2011

AINDA não foi desta que Co Adriaanse conseguiu ganhar ao Benfica. Quando treinou o FC Porto, em 2005/2006, conseguiu a proeza inédita de ganhar o campeonato perdendo os dois jogos com a equipa então comandada por Ronald Koeman.

Se calhar até foi por isso mesmo que passou por um grande aperto com uns meliantes locais que lhe vandalizaram o carro depois de um resultado menos airoso.

O FC Porto empatara a zero com o Rio Ave, em Vila do Conde, e à saída do Centro de estágio do Olival, conduzindo já o seu próprio carro rumo a casa, Co Adriaanse viu-se atacado com grande violência.

Felizmente para todos que prezam a decência e desprezam o hooliganismo, tanto o amador quanto o profissional, o incidente foi relatado na imprensa e ficou muito claro que o Olival dispunha de câmaras de vigilância aptas a identificar os energúmenos e a levá-los a tribunal.

Certamente por distracção, não dei conta das posteriores notícias que surgiram com os pormenores da detenção e do julgamento dos agressores. Mas que foram todos identificados, condenados e proibidos de voltar a entrar em recintos desportivos, disso não tenham qualquer espécie de dúvidas…

Voltemos a Co Adriaanse, agora treinador do Twente com o Benfica jogou na terça-feira a primeira mão da decisiva eliminatória que abrirá, ou não, à equipa de Jorge Jesus as portas da Liga dos Campeões.

O resultado, 2-2, não é mau para as aspirações do Benfica sobretudo se Jesus tiver em conta a prestar a maior atenção às palavras de Adriaanse no fim do jogo, antevendo as possibilidades da sua equipa no jogo da segunda mão: - A defesa do Benfica joga em linha e é lenta – disse Co Adriaanse.

Sábias palavras.

Este primeiro Benfica de 2011/2012 apresenta-se assim mesmo como Adriaanse o definiu. É natural que o treinador holandês, sendo adversário do Benfica, olhe com maior argúcia para as debilidades da equipa que tem pela frente.

Já aos olhos dos adeptos do Benfica, sempre cáusticos quando as vitórias tardam, o panorama apresenta-se diferente.

- Estes tipos deslumbram-se com eles próprios e conseguem passar do espírito da goleada ao espírito da aflição numa questão de minutos.

Outras sábias palavras.

Como este estado de irregularidade permanente não garante a felicidade, é de crer que Jorge Jesus vá resolver rapidamente o assunto.

 

NOLITO é bom. É mesmo muito bom. E é esperto. A sua decisão de trocar o Barcelona, onde não tinha lugar, pelo Benfica, onde ninguém lhe tira o lugar, é a prova da sua esperteza.

O Benfica, tal como qualquer outro clube que sonhe alto, precisa de contratar jogadores que dispensem liminarmente aquela coisa chamada de período de adaptação.

Nolito é um desses. Contra o Twente marcou mais uma vez. Foi o quarto jogo oficial de Nolito de águia ao peito e o quarto golo de uma série de um golo por jogo.

Rezam os compêndios que, de águia ao peito, Mário Coluna também teve um arranque feliz: marcou 8 golos nos primeiros 4 jogos oficiais pelo Benfica, na época de 1954/1955. Nolito não conseguiu igualar o número de golos marcados por Coluna em quatro jogos.

No entanto, ainda tem mais um jogo para tentar igualar os registos da estreia de Eusébio que nos seus primeiros 5 jogos pelo Benfica marcou 9 golos.

Basta-lhe marcar 5 golos ao Feirense, com o devido respeito.

Mas não vai ser nada fácil…

 

NA véspera do jogo com o Twente, Jorge Jesus lançou a titularidade de Óscar Cardozo com uma frase curiosa: «Cardozo não tem magia mas é um jogador especial.»

Permito-me discordar do mister.

Cardozo não tem magia? Marcou 68 golos nos últimos quatro campeonatos e não tem magia? Quem é que o Benfica teve melhor do que Cardozo, mais certeiro, mais disponível, mais regular, nas duas últimas décadas?

Poderia concordar a cem por cento com Jorge Jesus, se ele tivesse dito: «Cardozo não tem magia nenhuma a marcar grandes penalidades.»

Eis um facto indesmentível.

 

A magia no futebol são os golos, como concordarão. Há, no entanto, magias e magias… Para Paulo Bento, por exemplo, Nuno Gomes tem magia suficiente para estar na selecção nacional porque marca muitos golos e não lhe falta nada.

Mas para o mesmo Paulo Bento, um tal João Tomás já não tem a magia requerida para a selecção nacional porque, embora marque muitos golos, falta-lhe qualquer coisinha…

João Tomás é tão português como Nuno Gomes, também jogou no Benfica, e é só um ano mais velho que o antigo número 21 da Luz. O avançado do Rio Ave foi, no ano passado, o melhor marcador da origem nacional no campeonato, com 16 golos apontados como que por magia.

Compreenda-se a insatisfação do jogador por Paulo Bento não lhe ligar nenhuma. «Será que é embaraçoso convocar um jogador do Rio Ave?», foi assim que João Tomás questionou publicamente a última lista de convocados de Paulo Bento.

E é uma boa questão.

 

FALCAO diz que o Atlético de Madrid «tem uma grande claque» e que seria «uma boa oportunidade para a sua carreira». De facto, é importante para os jogadores sentirem que estão bem acompanhados. Quem é que gosta de jogar para pequenas claques ou para médias claques?

Falcao tem vindo a ser muito criticado na imprensa portuguesa por querer sair do FC Porto para o Atlético de Madrid.

Alguns analistas chegam a evidenciar um espanto total com esta recente mania do colombiano porque, dizem, que no Atlético de Madrid o melhor marcador da última Liga Europa jamais ganhará os títulos que conquistou no FC Porto.

Parece-me uma conclusão bastante abusiva e patrioteira.

É verdade que o FC Porto foi o último vencedor da Liga Europa, vencendo o Sporting de Braga na final de Dublin. Mas convém não esquecer que o Atlético de Madrid foi o penúltimo vencedor da Liga Europa, vencendo o Fulham na final de Hamburgo.

Se a questão é a Liga Europa, vendo o historial da prova, Falcao não perde nada com a mudança de ares.

Se a questão se prende com as pequenas, as médias e as grandes claques, aí já o caso muda de figura.

 

O campeonato começou no último fim-de-semana e o Olegário Benquerença também começou no último fim-de-semana.

 

O Benfica empatou em Barcelos e só se pode queixar de si próprio porque o árbitro teve uma actuação que não merece o menor reparo. Os dois pontos perdidos frente ao Gil Vicente deprimiram um bocadinho a nação benfiquista mas, felizmente, à sempre quem veja as coisas pelo lado melhor.

- Com o Roberto na baliza tínhamos perdido – ouvi dizer a um jovem adepto assim que João Ferreira apitou para o fim do jogo.

E é bem capaz de ter razão.

 

O Olhanense também começou no último fim-de-semana. Foi empatar a Alvalade. Com o Carlos Xistra apitar outra coisa não seria de esperar, não é? O Xistra é do Olhanense desde pequenino.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 10:45

Junho 17 2011

O Nuno Gomes vai para o Sporting? A questão pairou ontem na nação benfiquista nas horas que se seguiram ao anúncio da despedida do jogador. Se em vez de ter jogado durante uma década no Benfica, Nuno Gomes tivesse sido jogador do FC Porto e o clube entendesse que não havia interesse em mantê-lo por mais um ano no activo, certamente que Nuno Gomes iria para o Sporting.

Tal como fez Fernando Gomes, uma glória do FC Porto. Quando o FC Porto não o quis mais como jogador, o bi-bota rumou a Alvalade e ainda conseguiu provar a sua utilidade ainda que num patamar abaixo da qualidade da competição. E, vinte anos depois dessa sua experiencia na casa de um rival, Fernando Gomes haveria de regressar ao FC Porto onde ocupa, actualmente, um posto profissional no departamento de relações do clube que foi sempre o seu.

Nuno Gomes, no seu caso, ainda não está virado para o departamento de relações e muito certamente, com a sua saída, deixará aberto na Luz um grande departamento de ralações. A dispensa fria de um jogador carismático, sendo uma opção técnica com superior aval político, poderá constituir uma forte ralação para todos os responsáveis do Benfica caso os projectos de renovação em curso não dêem logo nas primeiras semanas da próxima temporada os resultados ambicionados.

Entre os dois Gomes há pontos comuns e pontos díspares. Por exemplo, Nuno Gomes, deixando de usar chuteiras, nem teria de esperar os vinte anos que Fernando Gomes esperou para regressar à casa-mãe visto que, juntamente com a guia de marcha do balneário, recebeu um convite para integrar a estrutura da SAD do Benfica. Mas o ex-capitão do Benfica não aceitou porque pretende prolongar a sua carreira como jogador por mais um ano.

Compreende-se. E quem viu, este ano, um Nuno Gomes ultra-certeiro, a facturar golos nas raras vezes que foi mandado saltar do banco para o relvado, só pode respeitar e levar muito a sério esta vontade do jogador de continuar a fazer golos com uma outra camisola e com um outro emblema.

Será com a camisola do Sporting que Nuno Gomes vai voltar a fazer golos? Ou com a camisola do FC Porto?

Os adeptos do Benfica interrogam-se porque estas coisas preocupam sempre. E mesmo aqueles adeptos do Benfica que nunca se cansaram de assobiar Nuno Gomes e só descobriram este ano, em que praticamente não jogou, que ele era indispensável, esses mesmos são os primeiros a arrepiar-se só de imaginarem um Nuno Gomes de verde ou de azul e às riscas, como é comum nos equipamentos dos dois maiores rivais do Benfica.

A decisão de não contar mais com Nuno Gomes no Benfica é muito discutível, vai ser muito discutida, mas é corajosa da parte de Jorge Jesus. Revela que o treinador do Benfica acredita nas potencialidades da equipa que vai dirigir e, não menos importante, acredita também nas suas próprias capacidades para cumprir um percurso que se adivinha difícil.

Jorge Jesus será muito feliz em 2011/2012 se passar a época toda sem ter de ouvir falar de Nuno Gomes e da falta de Nuno Gomes. E para isso acontecer o Benfica terá de jogar muito bem e de marcar golos, muitos golos. Dando-se o caso contrário é certo e sabido que a cada falhanço dos avançados do Benfica diante da baliza adversária, logo se ouvirão milhares de vozes, vindas das bancadas, clamando vingativas:

- Eh pá, esta até o Nuno Gomes metia!

E é a isto que se chama um grande departamento de ralações.

 

NA Suíça o Servette subiu à primeira divisão pela mão de João Alves e presta-se agora a reforçar o contingente português com a contratação de Costinha para o cargo de director-desportivo. Costinha vai partir para mais uma aventura no estrangeiro sem rancores de qualquer espécie para com o Sporting, a sua última entidade patronal.

Costinha apenas lamenta que, ao contrário do que se passou no seu fugaz consolado em Alvalade, haja agora «dinheiro para tudo», referindo-se aos capitais necessários para comprar os jogadores que não teve autorização para ir buscar.

Mas o sportinguismo confesso de Costinha não pode ser minimamente posto em causa. «Amo o Sporting e vou estar na Suíça sempre com a televisão ligada para acompanhar a equipa», garantiu pondo até em risco a sua relação profissional com o clube suíço que lhe contratou os préstimos.

 - Então mas o Monsieur Costinha está aqui para ver os jogos do Servette, que lhe paga o salário, ou do Sporting de Gijón? – vão-lhe perguntar, com cara de poucos amigos, os seus novos patrões.

 - Não é o Sporting de Gijón, é o Sporting de Lisboa – há-de responder João Alves, apressadamente.

 - Desculpa João, mas não é o Sporting de Lisboa, é o Sporting Clube de Portugal! – corrigirá Costinha, orgulhoso do já secular naming.

Mas esta parte final dos diálogos já nem sequer foi escutada pelos dirigentes do Servette que tinham saído porta fora, confusos e desanimados. Não têm, no entanto, motivos para tais sentimentos.

Costinha é um profissional e também vai gostar do Servette. Aliás, em toda a sua carreira como jogador, Costinha nunca marcou um golo ao Servette. E se marcou, de certeza que não foi comemorar com danças desafiadoramente triunfantes para juntinho da bancada de sócios do popular clube suíço.

 

O Benfica contratou Melgarejo, um paraguaio goleador, para substituir Cardozo, outro paraguaio goleador. Lendo os jornais parece que ninguém avisou Cardozo que vai ser substituído por um compatriota, tantas são as declarações de afinco para a próxima época que o Paraguaio I vem produzindo nas últimas semanas. Isto ao ponto de recusar trocar o Benfica por propostas bem compostas vindas de outros pontos do globo.

O Paraguaio II, no entanto, tem a certeza de ao que vem. «É uma honra substituir Cardozo», disse e deve estar verdadeiramente muito bem informado.

Aqui o negócio é golos. E Óscar Cardozo provou ser o melhor goleador do Benfica desde os tempos já longínquos de Matts Magnusson, facto brilhante que nunca chegou para convencer uma fatia larga de adeptos benfiquistas. E Cardozo até conquistou, no ano passado, uma Bola de Prata, troféu que nenhum outro jogador do Benfica, nem Nuno Gomes, conquistara desde a Bola de Prata de Rui Águas, em 1990/1991. E com isso passaram-se exactamente vinte anos.

Melgarejo nem sabe a alta exigência que o espera É bom que venha preparado para superar esse choque. E o Paraguaio II começou mal a sua aventura portuguesa.

De acordo com os jornais, assim que desembarcou no Aeroporto da Portela foi logo arrecadado pelo Serviço de estrangeiros e Fronteiras que o obrigou a umas inesperadas horas de espera antes de poder, finalmente, ver o incomparável céu de Lisboa.

É que Melgarejo chegou a Portugal com passaporte de turista e o pessoal do SEF, todos os benfiquistas danados, entenderam, e bem, que se Melgarejo vinha com passaporte de turista é porque estava a contar vir de férias para o Benfica, o que não se admite de maneira nenhuma. Esteve, assim, o novo recruta detido por um aborrecido par de horas no aeroporto cumprindo, a mando das autoridades nacionais, um todo novo ritual de chegadas de jogadores.

Foi bom que tivesse acontecido como aconteceu. Até para provar, com grande honra para as nossas cores, que o Benfica não está acima da Lei.

Força Melgarejo! E não te ponhas também a falhar penalties porque foi por aí mesmo que o teu infeliz compatriota se desgraçou entre nós.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 20:02

Junho 13 2011

A última coisa que faltava ao Benfica era acabar esta temporada de 2010/2011, a todos os títulos lamentável, com um processo disciplinar a Fábio Coentrão que foi, simplesmente, o único jogador do Benfica que jogou à bola a sério, sem falhas, sem quebrantos, sempre em altíssimo nível durante a época inteira.

Coentrão, de todos os jogadores do Benfica que estiveram no Mundial da África do Sul -  e foram muitos, ao serviço de muitas selecções – foi o único que não foi vítima da síndrome do Mundial. Fez as suas feriazinhas, mais curtas do que o habitual, e apresentou-se no Estádio da Luz fresco como uma alface, pronto para mais um ano de trabalho que cumpriu com brio, profissionalismo e talento do princípio ao fim.

Parecia até, em comparação com alguns companheiros bem mais experientes do que ele nestas andanças, que Coentrão tinha-se limitado a ver pela televisão os jogos do Campeonato do Mundo de África do Sul, confortavelmente sentado no seu sofá em Caxinas, que é a terra onde nasceu.

Fábio Coentrão terminou a época no Estádio da Luz, no jogo com o União de Leiria, e despediu-se dos adeptos do Benfica com uma promessa enganadora, uma promessa que não devia ter feito: «Cá estarei no dia 22 de Junho», disse. Também é verdade que ninguém acreditou que alguma vez viesse a ser verdade a continuidade do lateral-esquerdo no Benfica, pelo que Coentrão jamais passará por mentiroso.

É de presumir que Coentrão, durante largo tempo, esteve em sintonia com o Benfica no que diz respeito à sua transferência para o Real Madrid. E ao despedir-se «até 22 Junho», o jogador mais não estava do que a fazer a sua parte da pressão sobre o Real, demonstrando aos espanhóis que se o queriam levar teriam de abrir os cordões à bolsa e bater os 30 milhões da cláusula de rescisão.

Aparentemente, Coentrão fartou-se de esperar pela conclusão do negócio entre o Benfica e o Real Madrid e, impaciente, mudou de campo um tanto precipitadamente. Passou a fazer parte da pressão do Real Madrid sobre o Benfica ao confidenciar – confidenciar? – ao jornal desportivo madrileno As que era do Real «desde pequenino» e que já estava de corpo e alma em Chamartín.

O Benfica quer o dinheiro todo e Fábio Coentrão quer ver-se rapidamente no Santiago Bernabéu. Neste conflito de interesses provocado pela demora das negociações ficou estragado o idílio amoroso entre Coentrão e o Benfica. É uma grande pena que uma relação que foi exemplar de paixão mútua e de profissionalismo termine em zaragata nos jornais e em ameaças de processos disciplinares.

É um negócio de milhões e, assim sendo, compreende-se não só a dimensão do conflito como também a intervenção pronta do presidente do Sindicato dos Jogadores que veio provar ao País que um sindicalista que se preze tanto olha pelos casos desesperados dos jogadores que não recebem salários como pelos casos milionários. Joaquim Evangelista correu à praça pública para clamar que Coentrão «tem toda a liberdade para manifestar a sua opinião, desde que não colida com os interesses do Benfica».

Escolheu mal as palavras o presidente do Sindicato dos Jogadores porque a pressa de Coentrão em ver-se em Madrid colide, precisamente, com os interesses do Benfica num valor de 5 milhões de euros, que é a diferença entre o que o Real oferece e o que o Benfica não pretende aceitar.

Os benfiquistas bem gostariam de ser poupados a este episódio final de uma época tão triste. Como se não bastasse ter de ver Coentrão ir-se embora, ainda temos de ver Coentrão no absurdo papel de mal-amado.

 

ARGEL garantiu esta semana que Bruno César, o canhoto que o Benfica já contratou ao Corinthians, «é muito parecido com Moutinho a jogar, é muito bom, forte, vai ajudar o Benfica», disse o antigo defesa-central do FC Porto e do Benfica.

Era bom que Bruno César fosse «parecido» com Moutinho. Aliás, foi uma pena que, no defeso passado, o Benfica, no lugar do FC Porto e, sobretudo, pelo mesmo preço, não se tivesse abalançado a um João Moutinho em rota de colisão com os responsáveis do Sporting. Que jeito teria feito o dínamo Moutinho no depauperado meio-campo do Benfica pela saída do dínamo Ramires.

Mas agora vem aí Bruno César e chega bem credenciado. Se Argel tiver razão e o brasileiro for «muito parecido» com Moutinho, será sem qualquer espécie de dúvida uma boa contratação do Benfica. E pode acontecer ainda melhor.

Imagine-se que Bruno César acumula não só as qualidades de João Moutinho mas também outra gama de talentos de vocação mais virada para a baliza. Vamos esperar para ver, é este o encanto de todos os defesos…

 

NOLITO visto no youtube é fantástico. Falta vê-lo a sério, na chamada vida real, noventa minutos todos os fins-de-semana ao longo de meses, com sol e com chuva, inspirado e desinspirado, como acontece a todos.

O jogador espanhol tem vindo incessantemente a explicar através dos jornais as razões que o levaram a optar pelo Benfica em detrimento do Barcelona, onde raramente tinha acesso à equipa principal. Nolito, segundo se depreende das suas palavras, vem para o Benfica para «jogar com regularidade», ambição legítima para um profissional com 24 anos de idade.

Nolito parece ser uma pessoa humilde. «Jogarei onde o treinador quiser, procurarei adaptar-me às necessidades da equipa», disse a A BOLA na sua edição de ontem. Ficam-lhe bem estas palavras. Depois acrescentou: «E se for preciso jogar a guarda-redes também o farei.» Pronto, aqui é que estragou tudo.

Porque se Nolito, afinal também dá para jogar na baliza, então, nesse caso devia ter vindo para a Luz um ano mais cedo.

 

NO sábado passado a selecção portuguesa não fez nem mais nem menos do que o que lhe competia. Ganhou à Noruega e saltou para o primeiro lugar do seu grupo de qualificação para o Europeu de 2012.

Apesar de ser um jogo importante, era obrigatório ganhar, o Portugal – Noruega foi vivido nas bancadas da Luz num ambiente de fim de temporada a até de fim de ano escolar. Basta dizer que o único momento de verdadeiro delírio entre o público aconteceu já em tempo de descontos quando um adolescente atrevido invadiu o relvado embrulhado numa bandeira nacional e foi cerimoniosamente cumprimentado por alguns jogadores que não resistiram a embarcar no momento cómico da noite.

A multidão adorou e o nosso streaker imberbe rematou a sua performance com uma frase digna de registo: «Sou o orgulho da Nação!»

Já Cristiano Ronaldo mostrou, uma vez mais, que tem grandes dificuldades em ser o orgulho da Nação sempre que veste a camisola da Selecção Nacional. Não é que Ronaldo tenha jogado mal contra os noruegueses. Mas quando está de quinas ao peito, Ronaldo raramente consegue produzir aquelas fabulosas habilidades que o transformaram num ídolo mundial e que o vimos protagonizar em Manchester e, agora, em Madrid.

Há quem justifique esta perpétua crise de Ronaldo na Selecção com o facto, indesmentível, de não ter a seu lado jogadores do mesmo nível galáctico que tem em Madrid.

E como o futebol é um desportivo colectivo, estes pormenores acabam por ter a sua importância em termos prático. Ronaldo joga melhor no Real do que na Selecção porque está inserido num elenco de bastante melhor qualidade.

É, por exemplo, o que acontece precisamente a Hélder Postiga que joga muito melhor na Selecção do que no Sporting pelas mesmíssimas razões. E que bom golo marcou Postiga aos noruegueses, a passe de Nani, pois claro!

 

VAI começar a Copa América e o Benfica, com Luisão, e o FC Porto, com Guarin e Falcao, vão estar representados na mais importante competição sul-americana entre selecções. Hulk, no entanto, não foi convocado ainda que seja ele, ente todos os avançados brasileiros a jogar por esse mundo fora, o único a ter um contrato com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de Euros.

Vê-se logo que o seu empresário não se chama Jorge Gomes…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 19:43

Maio 06 2011

SE repararem com alguma atenção, nem é necessária muita atenção, a Liga Europa, este ano, já se pode dar por arrematada apesar de ainda ter mais três jogos por disputar, as duas meias-finais de hoje e a final de Dublin e mais não são do que meras formalidades a cumprir pelos seus intervenientes.

Basta ler os jornais e ouvir as notícias para perceber que assim é. O FC Porto não só vai hoje passear a sua classe em Espanha porque não há volta a dar ao expressivo resultado da primeira mão como também irá passeara sua classe a Dublin, na final, visto que nem o Real Madrid com cinco trincos lhe seja aos calcanhares, quanto mais o Sporting de Braga…

Sim, porque o Sporting de Braga é o outro finalista, apesar de ainda ter de jogar hoje a segunda mão contra os incompetentes e anémicos da Luz, que nem força nas pernas têm para uma hora de jogo. António Salvador, o presidente do Sporting de Braga, exortou ontem os adeptos do clube a unirem-se nesta «caminhada até Dublin», enquanto José Mendes, presidente da Assembleia Geral do Sporting de Braga, anunciou à Rádio Renascença, que já tem comprado o bilhete de avião para Dublin.

Resta ao Villarreal consolar-se com notícias infames como aquelas da Marca a garantir que o árbitro holandês do jogo da primeira mão andou por marisqueiras de Matosinhos mal acompanhado. E resta ao Benfica dos serviços mínimos picar hoje o ponto à hora estipulada pela UEFA depois de uma dormida no hotel do presidente do Braga onde, garantidamente os seus jogadores não terão passado a noite em claro apanhar envelopes metidos por debaixo das portas dos seus quartos com fotografias dos frangos do Roberto.

Esta é, sem dúvida, uma Liga Europa única, os tipos da UEFA devem estar pasmados. Mas é sempre assim com os portugueses, sabem-se os resultados todos com uma antecipação impressionante.

 

A propósito de envelopes… O comunicado da SAD de Leiria exprime sem eufemismos uma revolta fortemente adjectivada contra os acontecimentos e os seus protagonistas nos túneis e assoalhadas da bonita pedreira bracarense - «cínicos», «cobarde», «violentos» são alguns dos mimos utilizados. Mas, lamentavelmente e sem qualquer tipo de justificação ética ou moral acaba até por ofender inocentes que nada tiveram a ver com a ocorrência.

E é preciso ter muito cuidado com estas coisas. Pecou o redactor do dito comunicado dos leirienses ao acrescentar ao seu legítimo repúdio comparações obsoletas como «isto nem em África!» ou «pareciam pessoas Terceiro Mundo».

Oh meu amigo, mas em que mundo é que julga que vive?

É que não havia nenhuma necessidade de ofender tanta gente, tantos continentes, tantos milhões de seres humanos e tantos países que lá por não terem auto-estradas modernas como as nossas também têm a sua dignidade e principalmente têm a vantagem de não conhecer de lado nenhum o senhor António Salvador e o senhor Bruno Paixão e o senhor Fernando Couto e o senhor João Bartolomeu e, muito menos, o valente senhor do envelope anónimo…

 

ESTE episódio, como é apanágio dos países do Primeiro Mundo e não – africanos, como o nosso, não vai resultar em nenhuma acção disciplinar. De uma maneira ou de outra e cada um à sua maneira, muitos foram já os especialistas que vieram a terreno defender o arquivamento rápido do caso.

Já se ouviram juristas explicar que sem «flagrante delito» no momento do acto é impossível por o nome ao meliante. Já se leram grandes títulos na imprensa explicando que afinal, o meliante nem sequer é um meliante a sério porque «SÓ FOTOS NÃO SÃO MEIO DE COAÇÃO», como surgiu em o Jogo encimando declarações de José Manuel Meirim, professor de Direito Desportivo, e de Jorge Coroado, antigo árbitro de futebol.

Para Meirim que segue e interpreta a Lei não – africana, o envelope por não conter no seu interior «qualquer tipo de recado ou ameaça» não confira coacção. Quanto a Jorge Coroado que foi perito arrolado pelo Ministério Público no processo Apito Dourado e jamais viu indícios pecaminosos que pudessem comprometer a reputação da classe, também agora não se vê nada de desagradável na questão:

«Não vejo razão para se invocar isto, quando há árbitros que a primeira coisa que fazem quando chegam ao balneário é ligar a televisão para ver se conseguem descortinar algum erro», descortinou Coroado a O Jogo.

Portanto muita atenção, estudantes de Direito Desportivo e futuros dirigentes desportivos em idade escolar! Envelopes anónimos por debaixo da porta na cabine do árbitro podem ser postos à fartança, à fartadela, e fartazana. Desde que não contenham ameaças nem recados. Assim sendo, «é difícil enquadrar isto na acção disciplinar de coacção». Entendido?

E, muita atenção, senhores árbitros! Não corram para ligar a televisão na cabine porque há a partir de agora um meio mais personalizado de vos informar sobre juízos críticos formulados sobre o vosso trabalho. E não vale espreitar pelo buraco da fechadura. Um envelope anónimo também tem a sua dignidade e, ainda para mais, não gasta electricidade.

 

ESTA semana, no Minho, deram-se a conhecer dois protagonistas corajosos. Abel Castro Cutelo foi o delegado da Liga em Braga e continua de boa saúde. Cutelo confirmou a existência do envelope anónimo e referiu o episódio em declarações à imprensa. É desejo de todos os desportistas que Abel Castro Cutelo tenha um grande, tranquilo e profícuo futuro como delegado da Liga.

Júlio Mendes é vice-presidente do Vitória de Guimarães, emblema que vai disputar com FC Porto a próxima final da Taça de Portugal e a próxima final da Supertaça. Júlio Mendes declarou à imprensa que os vitorianos «querem jogar a final da Taça no Jamor», pirateando assim, à descarada, aquele pressuposto regionalista contra o «centralismo» e contra Lisboa como palco da festa. «Desejamos que assim seja pela carga simbólica do recinto», acrescentou Mendes. E ainda piorou as coisas…

 

DE acordo com o Record, tudo o que se passou em Braga se explica porque «os leirienses foram acusados de estar ao serviço do Benfica, por não terem antecipado o jogo, e do Sporting, na luta pelo terceiro lugar».

O Benfica, felizmente e já não era sem tempo, optou por ficar em bendito silencio e não caiu na esparrela de vir comentar os incidentes do Sporting de Braga - União de Leiria.

Mas renascido para as guerras, como tão bem exemplificou Oceano ao confrontar o árbitro Duarte Gomes no túnel de Alvalade, temos agora um novo Sporting com opinião forte. Carlos Barbosa, vice-presidente de Alvalade, afirmou que o caso do envelope «é mais caricato do que estranho», o que não deixa de ser profundo como análise.

No entanto, Barbosa tem mais com que se preocupar do que com «os procedimentos dos outros clubes» e nisto faz bem. O dirigente está preocupado com o ambiente colorido em casa. «Apelo aos adeptos que venham a Alvalade envergando, pelo menos, uma peça de roupa verde para assim colorirmos as bancadas», exortou para o próximo jogo com o Vitória de Setúbal.

O que é mais estranho do que caricato visto que, por toda a última campanha eleitoral, não faltaram candidatos nem adeptos a lamentar a excessiva mancha cromática nas bancadas.

Mas é uma preocupação legítima e preponderante nesta altura do campeonato.

 

O Vitória de Setúbal vai a Alvalade lutar pela manutenção e está bem mais perto de alcançá-la do que a Naval1º de Maio, com quem concorre directamente. António Aparício, vice-presidente do Vitória de Setúbal, está confiante no sucesso da equipa mas diz que «o campeonato é uma mentira» por causa do Benfica que anda a «ajudar equipas» ao apresentar-se nos últimos jogos com a maioria de reservistas em campo.

Compreende-se. O tempo é de unir esforços no Bonfim porque o objectivo é importante. E mais vale a António Aparício deitar culpas ao Benfica do que, põe exemplo, perder a cabeça e desatar em impropérios sublinhando a incompetência dos seus próprios jogadores. Como, por exemplo, os que falham grandes penalidades, tipo Pitbull ou Jailson. Ou como o infeliz Valdomiro que, só no último jogo do Vitória, marcou um golo na própria baliza e ainda ofereceu mais um golo ao adversário. Uma «noite bem negra», como referiu o cronista de A Bola.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:57

Março 10 2011

SORTES diferentes para os dois arsenais esta semana. O Arsenal de Londres foi gamado em Barcelona com a expulsão de Van Persie no jogo da Liga dos Campeões e o Arsenal de Braga foi beneficiado com a expulsão de Javi Garcia no jogo com o Benfica. No final dos respectivos jogos, o treinador do Arsenal de Londres atirou-se ao árbitro Massimo Busacca mas o treinador do Benfica nem sequer perdeu muito tempo a discorrer sobre o árbitro Carlos Xistra. Fez bem, Jesus.

Em todo o mundo os adeptos quando se sentem aldrabados tendem sempre a enveredar por teorias da conspiração.

Assim sendo, os adeptos do Arsenal de Londres justificam o insucesso alegando que está tudo feito de modo a que a UEFA faça o seu jackpot em Maio promovendo um Barcelona – Real Madrid a engalanar a próxima final da Liga dos Campeões.

Por seu lado, os adeptos do Benfica justificam o desaire em Braga alegando que, este ano, está tudo feito para que o campeonato organizado pela Liga de Clubes mais não seja do que uma edição comemorativa das absolvições em tribunal de todos os acusados no processo do Apito Dourado.

Adeptos e teorias da conspiração à parte, do estrito ponto de vista da justiça do jogo, Jorge Jesus tem mais razoes para lamentos do que Arsène Wenger. O Arsenal de Londres foi a Barcelona e em 90 minutos de jogo não fez um único remate à baliza – o seu golo nasceu de uma cabeçada infeliz de Busquests que desviou a bola para a sua própria baliza.

Já contra o Arsenal de Braga, o Benfica jogou muito bem na primeira parte, dominou facilmente o adversário, viu um lance de golo mal anulado a Jara, rematou à baliza adversária mesmo quando esteve reduzido a 10 elementos por toda a segunda parte. Isto para não referir a expulsão de Javi Garcia e, no mesmo minuto, a falta erradamente assinalada que motivaria o golo do empate dos donos da casa.

O presidente do FC Porto veio rapidamente defender o guarda-redes do Benfica de responsabilidades no insucesso da equipa em Braga. O que se compreende.

É preciso dar valor a quem o tem e fazer de Roberto o «culpado» é roubar o mérito devido a Carlos Xistra o que é, no mínimo, uma grande injustiça porque esteve impecável tendo em conta a situação.

Xistra, por exemplo, é um árbitro da situação. É um árbitro do regime e tem-se notabilizado por isso mesmo. Entenda-se por regime o estado a que isto chegou dentro e fora das quatro linhas, enfim, pelo país todo.

Vítor Pereira, por exemplo, não terá gostado do último trabalho de Xistra e deixou-o de fora na próxima jornada. Não se percebe bem porquê.

E como hão-de os árbitros aplicar com uniformidade os critérios, se o presidente dos árbitros não faz o mesmo? Na jornada anterior ao Braga – Benfica o mesmo Xistra deu um festival de disparates no Nacional – Sporting, recebeu nota negativa e, como prémio, foi nomeado para dirigir o jogo que acabaria com as pretensões dos campeões à renovação do título.

Agora, que o campeonato está entregue, o castigo a Xistra, a ida para a jarra, é um preciosismo desnecessário por parte do presidente dos árbitros do regime. Não se entende o que terá falhado na arbitragem em Braga para que o juiz mereça semelhante desconsideração. É evidente que não pode haver arbitragens perfeitas porque o futebol vive do erro.

Mas também é verdade que se Xistra quisesse ter sido quase perfeito teria de ter a sagacidade necessária para, no tempo de descontos, aí pelos 92 minutos do jogo, ter expulsado u jogador do Sporting de Braga. Um jogador qualquer, tanto fazia para o caso. E poder-se-ia dizer, para sempre, que apenas se tratou de um jogo com duas expulsões «polémicas», uma para cada lado. Entenda-se que o regime é democrático!

Foi o único pormenor que falhou.

Mas isto também já era preciosismo a mais.

 

LÊ-SE nos jornais que há gente com responsabilidades no Benfica que quer pôr fim rapidamente ao contrato com a Olivedesportos.

Eis um tema que já poderia estar resolvido há dez anos quando o Benfica desistiu da sua justa causa depois de o Tribunal da Relação lhe ter dado razão naquele histórico litígio que marcou o consulado de Vale Azevedo.

Foi, de facto, uma pena esse reatar incondicional de relações comerciais com a Olivedesportos depois de uma decisão judicial favorável às pretensões do Benfica. A Olivedesportos, esse «FMI do futebol português», como tão bem inteligentemente António Oliveira, numa entrevista recente, definiu a empresa do irmão.

Acontece, muito simplesmente, que o Benfica, muito antes de a Olivedesportos ser «o FMI do futebol português», detinha precisamente o mesmo estatuto porque era e é o Benfica, com a sua força incomparável em número de adeptos, quem sustentava a sustenta todos os mercados: o mercado da comunicação social desportiva, o mercado das transferências, o mercado das bilheteiras dos demais clubes, o mercado das transmissões televisivas e por aí fora…

E se ainda hoje é o Benfica que continua a sustentar todos estes edifícios não se compreende, à luz da razão e da aritmética simples, como foi possível entregar a terceiros essa posição invejável.

É na verdade, incrível como é que o Benfica, que não perdeu o número dos seus adeptos e que, em linguagem modernaça e objectivamente comprovada, é a marca comercial mais forte do país, declinou a sua posição ímpar em favor dos interesses financeiros e desportivos da Olivedesportos ou de quem quer que fosse.

Ciclicamente, melhor dizendo, sempre que o Benfica sofre um desaire significativo – como o último de Braga que marca a entrega do título ao FC Porto - , os benfiquistas são informados através dos jornais de que as altas estruturas da SAD estão a equacionar o rompimento desta ligação contra-natura com a empresa de Joaquim Oliveira.

É evidente que no dia em que a Olivedesportos não tiver o Benfica na sua lista de famintos e agradecidos, deixará de ser aquilo que é. E que, nesse mesmo dia, o Benfica também deixará de ser aquilo em que, ao demitir-se voluntariamente do seu estatuto, se deixou transfigurar.

Que esse dia chegue em breve.

E, de preferência, de surpresa.

 

PINTO DA COSTA no Aeroporto. Para onde irá ele? Para Santiago de Compostela? De fugida até à Galiza? Não, senhor. Vai apanhar um avião para Moscovo. E, de fugida, fala aos jornalistas e diz: «O Benfica julga-se acima da Lei.»

Bonita frase proferida por quem não está acima da Lei.

E depois admiram-se que os Homens da Luta ganhem o Festival da Canção.

 

HOJE é dia de Liga Europa para três clubes portugueses e, com o devido respeito pelo Paris Saint Germain e pelo CSKA, terá sido ao Sporting de Braga que calhou o adversário mais complicado. Isto se só ligarmos aos nomes e, não haja dúvida, os nomes em futebol têm muito peso.

Domingos Paciência, o treinador do Sporting de Braga, não se tem mostrado minimamente assustado com o nome do Liverpool e afirmou-o com convicção: «Se vencemos o Benfica podemos vencer qualquer um.»

É uma frase que merece uma análise rápida. Em primeiro lugar, registe-se a inteligência de Domingos Paciência reconhecendo ao Benfica uma forte qualidade como equipa.

Em segundo lugar, registe-se na mesma frase a falta de humildade de Domingos Paciência que, no que respeita ao triunfo sobre o Benfica, não admite partilhar louros com ninguém.

Nem com o árbitro Carlos Xistra nem com o fiscal-de-linha José Cardinal que, imbuídos do mesmo espírito com que se apresentaram em Braga, tanto jeito dariam hoje ao mesmo Braga no jogo com o Liverpool.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 15:48

Março 06 2011

A nove jornadas do fim do campeonato, o Benfica e o FC Porto não cedem e mantém entre si a distância de 8 pontos que não reflecte, de modo algum, a diferença entre a qualidade do jogo das duas equipas mas que reflecte, de todos os modos e mais algum, o confortável avanço que o FC Porto leva sobre o Benfica nesta luta desigual.

E a cada jornada que passa mais forte se torna a probabilidade de o Benfica perder o título brilhantemente conquistado na época passada para o seu rival do Norte do país. Esta é a realidade. E, à partida, esta é uma realidade que deveria abater o ânimo dos benfiquistas e lança-los, descrentes e zangados, a virarem-se contra a sua equipa, contra o seu treinador, contra o presidente mais o roupeiro e os tratadores de relva.

Pois tem sido precisamente o contrário o que tem acontecido.

Enquanto André Villas Boas tem de aturar a retórica dos especialistas lá da casa que se amofinam por o FC Porto, por exemplo, não ser eficiente nos lances de bola parada entre outras menoridades, Jorge Jesus vive no tempo presente reconfortado por elogios que chegam de todo o lado e até de adversários nacionais e estrangeiros, como sucedeu na recente deslocação triunfal a Estugarda.

E Jorge Jesus merece esses elogios porque o mérito desta situação de todo anormal é inteiramente dele por ter sabido sobreviver, em condições dificílimas, à tempestade que se abateu sobre a grande nau entre Agosto e Novembro – por pouco não houve um motim a bordo, como estarão lembrados.

E por ter conseguido, sem terra à vista, não só escapar ao naufrágio como também iniciar, contra todas as previsões, uma viagem épica criando ele próprio, para si e para os seus marinheiros argentinos, brasileiros, portugueses, espanhóis, paraguaios e uruguaios aquelas condições excepcionais de navegação que as gentes do mar definem como céu de Brigadeiro, mar de Almirante, ou seja, sem escolhos pelo caminho.

Tem sido assim há meses. O título é uma miragem mas a nau lá segue atrás da fantasia. É uma viagem romanesca, sem dúvida, pela alta improbabilidade de vir a ter sucesso e pela coragem e paixão com que é levada a cabo.

D lado do FC Porto chegam todos os dias lamentos sobre a excessiva valorização que a imprensa e o povo da rua emprestam a este ressurgir do Benfica depois da tormenta que foi para os Campeões o primeiro terço do campeonato. Mas compreende-se que assim aconteça. Quem é que não gosta de romances marítimos, de acção, de destreza e de heróis improváveis?

Na época passada, ganhando o título nacional, Jorge Jesus conseguiu convencer muitos cépticos da sua capacidade para treinar o Benfica. Este ano, perdendo o título Nacional, como é mais do que provável, Jorge Jesus convenceu-me a mim.

Gostaria que fosse treinador do Benfica por muitos e bons anos. Ganhando ou perdendo, o espectáculo é sempre emotivo, romanesco, excelente. Ainda ontem se viu com o Sporting.

 

NO domingo o Benfica joga em Braga e o FC Porto agiu de forma muito rápida. E fez bem porque nem diria que leva 8 pontos de avanço sobre a gloriosa Mouraria.

Para impedir que o Benfica, nas vésperas da sua deslocação, contratasse para a próxima época os activos minhotos mais influentes na manobra da equipa de Domingos, o FC Porto, numa avisada jogada de antecipação, garantiu num ápice os concursos de Lima e de Sílvio que vão jogar, obviamente, contra o Benfica.

Compreende-se e justifica-se o acto de gestão portista.

Antes do jogo com o Marítimo, por exemplo, o Benfica ainda tentou contratar Kléber mas tudo indica que chegou atrasado, muito atrasado. Mas, curiosamente, foi um futuro jogador do FC Porto, Djalma, contratado ao mesmo Marítimo pouco tempo antes da deslocação dos funchalenses à Luz, quem marcou o primeiro golo do encontro colocando o Benfica a perder a menos de um quarto de hora do fim.

Está visto, portanto, que estas mais recentes contratações do FC Porto em Braga antes da visita do Benfica são muito mais do que um acto de gestão. Trata-se, no fundo, de uma fezada. E há que respeitar.

 

NO final do jogo com o marítimo, Jorge Jesus voltou a ter mais um daqueles seus momentos fadistas e lá saltou de peito aberto para o meio da confusão gerada entre os jogadores do Marítimo e o árbitro do Porto.

No dia seguinte, o treinador do Marítimo foi entrevistado em estúdio pela Sport TV e afirmou repetidas vezes, perante tanta insistência, que não se tinha passado nada de especial nem de grave. É um testemunho a levar em conta porque Pedro Martins também lá andou pelo meio.

Já o presidente do FC Porto que assistiu pela televisão veio tecer os seus comentários. «No túnel da Luz seja o for que aconteça não é novidade e agora também já deixaram os túneis», disse.

Tão estranho ouvir Pinto da Costa a desdenhar, maldizer e mesmo a condenar «os túneis» depois de termos ouvido, ao longo de duas década, um rol de queixas a referirem-se ao túnel das Antas e do Dragão, como locais pouco recomendáveis, até para a saúde pública.

Porventura seriam todos os queixosos uma cambada de aldrabões ou de exagerados que mal viam um simples guarda Abel logo imaginavam de dentes arreganhados uma corporação inteira, à militar ou à paisana.

Mas foram lamentos que fizeram História.

E ouvir hoje Pinto da Costa a maldizer «túneis» é quase como ouvir o Joaquim Bastinhas a atacar as touradas, o Júlio Pereira a maldizer o cavaquinho, o José Cid a maldizer o piano, a TVI a maldizer os reality shows, o Dom Nuno Álvares Pereira a maldizer a táctica do quadrado, a Filipa Vacondeus a maldizer os trens de cozinha em aço inoxidável, a Disney a maldizer os irmãos Metralha, o Brecht a maldizer a distanciação, a Paris Hilton a maldizer as limusinas ou, para cúmulo do absurdo, o Berlusconi a maldizer os playboys xexés.

 

O Benfica está na final da Taça da Liga e vai conhecer hoje o nome do seu adversário. Ontem somou a sua 18ª vitória consecutiva e o jogo nem começou bem. O Sporting marcou primeiro e o Benfica só conseguiu empatar doze minutos depois, por Cardozo, aproveitando um dos seus pontos fortes: os penalties de cabeça.

Já nos penalties com os pés, o paraguaio voltou a não acertar. Enfim, faz tudo parte do argumento deste filme incrível que tem sido a época dos campeões nacionais desde que acordaram para a luta depois de um inicio do tal inicio de temporada penoso.

E, como não poderia deixar de acontecer, porque já faz parte da tradição recente, o Benfica marcou o golo da vitória no tempo de descontos e o Sporting sofreu o golo da derrota no tempo de descontos.

José Couceiro, que se estreou como director desportivo-treinador, lamentou o trabalho do árbitro porque interrompeu um contra-ataque do Sporting beneficiando o infractor. Foi pena, de facto.

Quem sabe se, para além do golo de Postiga, esse contra-ataque não proporcionaria uma segunda e última jogada de perigo do ataque sportinguista em 90 minutos de jogo.

Agora o Benfica vai continuar a sai amalucada viagem em quatro frentes e o Sporting vai para eleições.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:59

Fevereiro 11 2011

NUM táxi de Lisboa na noite de domingo. Ruas vazias, comércio fechado, nada que cative a atenção. O som do rádio do carro, absurdamente alto, transforma-se no acontecimento da curta viagem. Está sintonizado numa estação qualquer e o motorista ouve enlevado o rescaldo do jogo entre o Vitória de Setúbal e o Benfica.

Jorge Jesus acabara de falar e os repórteres de serviço comprazem-se em graçolas sobre a gramática de treinador do Benfica.

São uns verdadeiros intelectuais da bola estes repórteres.

Ou, pelo menos, era o que pareciam na noite de domingo até que um deles se espalha ao comprido nas benditas traições da língua portuguesa anunciando, doutoralmente, ao vasto auditório que a polícia «interviu» sobre os adeptos no final da partida.

Oh pá, não é «interviu» é interveio… enxerga-te!

 

A rampa de trampolim com que Costinha nos brindou no decorrer da sua entrevista à Sport TV também se arrisca a ficar na história do no futebolês. Não se trata de nenhum erro gramatical apenas de uma metáfora excepcionalmente criativa que em nada diminui o ex-director do futebol do Sporting.

Costinha, que nas suas indumentárias gosta de misturar riscas com quadrados, limitou-se agora a misturar a imagem de uma rampa de lançamento com um trampolim. Sendo artefactos diferentes acabam por servir para o mesmo fim.

No Sporting, até há factos objectivos que justificam a metáfora de costinha. Cristiano Ronaldo, por exemplo, fez do Sporting a sua rampa de lançamento para o Manchester United. Já Caicedo fez do Sporting o seu trampolim para o Levante.

É sempre tudo uma questão de dimensão, quer da dimensão do salto quer da dimensão do saltador.

 

TRATAR Costinha por «ex-director do futebol do Sporting» logo na noite de segunda-feira não é maldade alguma. No entanto, não é preciso ser-se grande criativo para reconhecer que Costinha se demitiu em directo na televisão quando reconheceu publicamente a sua incompetência para o cargo com esta frase suicida: «Couceiro veio resolver aquilo que eu não tenho resolvido, ou seja… nada.» É óbvio que Costinha se despediu a ele próprio. Não é tao óbvio que tenha, para já, conseguido despedir José Couceiro.

 

SE por estes tempos Pinto da Costa decretar um black-out, como já fez tantas vezes no passado, ninguém, no seu perfeito juízo, pode garantir o que se irá passar com André Villas-Boas.

Será que aguenta a rolha?

Será que consegue ter de ficar calado com tantas coisas que tem sempre para dizer?

E se o presidente do clube decretar um black-out quem é que assume, na SAD portista, a responsabilidade de reduzir Villas Boas às conversas com Vítor Pereira?

Vítor pereira, acrescente-se, o seu adjunto e não Vítor Pereira, o presidente dos árbitros, visto que são duas pessoas diferentes embora tenham o mesmo nome e igual importância prática.

É que nunca se viu, nem se ouviu, um treinador com 11 pontos de avanço sobre o seu perseguidor directo manifestar tanta consternação por o campeonato ainda não ter acabado.

Consternação que o leva até aquele estado infantil de contar pequeninas mentiras a ver se engana a família. Depois da tremideira do jogo com o Rio ave, depois das assobiadelas das bancadas, vir dizer em público que a sua equipa deu «uma resposta fortíssima depois da derrota com o Benfica» é, no mínimo, tolice.

No entanto, vir dizer que precisava de ganhar aquele jogo «nem que fosse com um golo marcado com a mão» já é bastante menos infantil e como o postulado não vem ferido de nenhum erro gramatical é natural que não mereça a menor contestação ou reprimenda por parte da comunicação social que se preocupa com a arte de falar português.

Mas também este assunto – o dos golos com a mão – não é do departamento de Villas Boas embora o FC Porto já tenha tido um jogador, Paille, um francês, que se destacou como goleador – manual com a aprovação dos homens do apito da altura.

Por isso mesmo, golos com a mão são do departamento de Vítor Pereira, o presidente dos árbitros, e não Vítor Pereira, o adjunto de André Villas Boas.

 

JARA marcou um bonito golo em Setúbal. Nos últimos 6 jogos, o argentino fez 4 golos. Não haja dúvida de que se trata de um excelente reforço de Inverno embora tenha chegado no Verão. O que é preciso é saber esperar.

 

NO último fim-de-semana, Messi marcou três golos ao Atlético de Madrid e Cristiano Ronaldo marcou dois golos à Real Sociedad.

Para quem gosta de futebol e se está nas tintas para a rivalidade entre Barcelona e o Real Madrid, e até para a questão patriótica que nos liga a Cristiano Ronaldo, este despique imparável entre o génio do português e o génio do argentino redunda numa delícia para os olhos.

Que continue assim o mundo dividido sem conseguir descortinar qual deles, na verdade, é o melhor.

Há vezes que parece que é um e às vezes parede que é o outro, de tal modo são ambos excepcionais como nos persistem em provar a cada semana que passa.

Para apreciar este festim de futebol é essencial não tomar partido por nenhum deles, coisa estranha de se pedir quando se trata de futebol. Mas não tomando partido por nenhum, toma-se o gosto pelos dois e o gozo redobra.

Enfim, trata-se apenas de um conselho para aumentar a nossa qualidade de vida enquanto espectadores.

 

ONTEM à noite, Portugal perdeu com a Argentina por 2-1 mas enquanto Cristiano Ronaldo esteve em campo o resultado saldava-se num empate.

Quem quis ver o jogo sob a perspectiva única do apregoado duelo Ronaldo-Messi terá concluído que o português ganhou ao argentino por a meio. Ou seja, Ronaldo marcou uma vez e Messi fez meio golo porque foi dele o passe para o golo de Di Maria.

O jogo terminou com o golo da argentina, de grande penalidade cobrada por Messi.

Já estava Rui Patrício na baliza e a abalada nação sportinguista bem merecia ter visto o seu guarda-redes defender um chuto de onze metros de Lionel Messi. Mas o argentino não se comoveu… bola para um lado e guarda-redes para o outro e Paulo Bento lá perde o seu primeiro jogo como seleccionador nacional

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 16:04

Dezembro 10 2010

ELMANO SANTOS - El Mano para os amigos, provavelmente - não tinha muito por onde escolher quando Jailson converteu com êxito o pontapé de grande penalidade que permitiria ao Vitória de Setúbal empatar o jogo com FC Porto no Estádio do Dragão.
Como é absolutamente perceptível através das imagens televisivas, de apito na boca, o árbitro madeirense viu Jailson correr para a bola e, depois, desacelerar a corrida para enganar Helton com um pontapé de belo efeito. Mas El Mano mandou repetir o castigo porque ainda não teria apitado para autorizar a cobrança.
El Mano é assim mesmo. Se Jailson tivesse acertado nas redes no ser segundo chuto, El Mano teria mandado repetir, uma vez mais, porque estava um jogador do FC Porto dentro da área o que, pela lei, é proibido. Mas Jailson falhou, atirou para as nuvens e El Mano suspirou de alívio, outra coisa não poderia ele fazer.
Faltava pouco tempo para o fim do jogo e o empate iria, certamente, complicar a vida do árbitro tendo em conta os registos históricos do campeonato corrente.
Sempre que o FC Porto empatou nesta temporada aconteceu que o seu treinador, André Villas-Boas, fez-se expulsar. Ora, na segunda-feira, Villas-Boas, que já tinha sido expulso na jornada anterior em Alvalade, não estava no banco.
Foi nisso que terá pensado o árbitro quando o Vitória de Setúbal empatou. «Agora vou ter de expulsar o Villas-Boas... espera aí... não posso expulsar o Villas-Boas... só se subir os degraus todos da bancada até ao camarote onde ele está a ver o jogo...»
De acordo com esta perspectiva é legítimo especular no que se teria passado se o mesmo Jailson tivesse logo falhado o seu primeiro pontapé de grande penalidade sem que o árbitro tivesse ainda apitado para autorizar a execução do castigo.
Teria El Mano mandado repetir o penalty?
Certamente que não.
Não se atreveria a prolongar a agonia e o suspense nas bancadas do Estádio do Dragão e inviabilizada a hipotética igualdade a tão curta distância do final do jogo, jamais El Mano Santos correria o risco de se expor a uma segunda tentativa de golo para o empate. Principalmente porque não poderia, de seguida, expulsar o ausente Villas-Boas, como mandam as regras de isenção nesta prova.
Há dez anos, num Benfica - Sporting, aconteceu uma coisa parecida. Pierre Van Hooijdonk converteu com sucesso uma grande penalidade contra os rivais e o árbitro Jorge Coroado mandou repetir o castigo ou porque estaria algum jogador dentro da área ou porque considerou que Van Hooijdonk, estando isolado de frente para o guarda-redes do Sporting, se encontrava em posição de fora-de-jogo, sem dúvida a hipótese mais verosímil.
A verdade é que o segundo pontapé do fabuloso avançado holandês foi ainda mais certeiro e mais potente do que o primeiro, Coroado deu o concurso por terminado e mandou a bola ir ao centro para grande alegria de Van Hooijdonk, que até deitou a língua de fora, e para alegria de José Mourinho que era o treinador do Benfica e que até esboçou um manguito mais do que apropriado.
Quarenta e oito horas depois do último FC Porto - Vitória de Setúbal, surgiram através da imprensa declarações do presidente dos sadinos insurgindo-se contra a «displicência» com que o pobre Jailson correu pela segunda vez para a bola. Não parece justa esta indignação de Fernando Oliveira. Pierre Van Hooijdonk há poucos... Coroados e Elmanos é que há muitos.

A Espanha perdeu a organização do Mundial de 2018 para a Rússia. Ou seja, a Rússia teve de esperar pelo desmembramento da União Soviética para se poder apresentar solteira e vitoriosa perante os maiores da FIFA. E a Espanha, apresentando-se casada com Portugal, não teve direito à festa.
Nem se poderá dizer que a Espanha perdeu o Mundial porque levou um noivo fraco ao concurso. A FIFA de Blatter gosta de afirmar o seu expansionismo abrindo caminho por anteriormente inimagináveis fronteiras-mercados, como já aconteceu com a Coreia-Japão-África do Sul e irá acontecer, em 2022, com o Catar, sem dúvida o mais exótico de todos os destinos na rota da poderosa indústria do futebol.
Os espanhóis, campeões do mundo, terão ficado aborrecidos com o contratempo. E os portugueses? E nós?
Vejamos as coisas pelo lado bom. Livrámo-nos de oito anos de agitação e propaganda das virtudes do matrimónio ibérico e, como bons patriotas que somos, podemos ainda festejar com Irina Shaik, a noiva russa do português mais famoso em todo o mundo, Cristiano Ronaldo, o sucesso da candidatura do seu país.
E nem vamos ter que pagar a boda, felizmente.

A Checoslováquia foi em Estado que se desmembrou em dois outros Estados, a República Checa e a Eslováquia e agora, diz a imprensa internacional, quer reatar a relação exclusivamente no que diz respeito ao futebol. As Federações de Futebol dos dois países deitaram contas à vida e mostrando-se saudosas do tempo em que havia um campeonato da Checoslováquia, mais intenso e mais divertido, solicitaram um parecer à UEFA sobre a hipótese de se voltarem a casar.
Como consequência do noivado ibérico que levou até ao altar da FIFA a proposta da organização comum do tal Mundial de 2018, diz a imprensa nacional que os presidentes das duas Ligas, José Luis Astiazaran, da Liga de Madrid e Fernando Gomes da Liga do Porto, estão a equacionar «a fusão das principais Ligas de futebol dos dois países».
A UEFA, contactada para tal eventualidade, deu a mesma reposta que terá dado aos checos e aos eslovacos, saudosos da Checoslováquia: «Não existe nos regulamentos nem nos estatutos nada que impeça duas Ligas de se juntarem na organização de um só campeonato. No entanto, o primeiro passo terá de ser dado pelos interessados.»
Ah, que bom seria vermos o grande El Mano Santos a arbitrar o Ayamonte-Monte Gordo! E segue já o pedido de desculpas quer para Ayamonte quer para monte Gordo...

EM Portugal temos uma competição interna, o campeonato, que até se poderia chamar a Taça do Golfe por razões sobejamente conhecidas. Mas nas Arábias existe mesmo uma competição, de cariz internacional, que se chama Taça do Golfo, o que sendo uma coisa completamente diferente do nosso golfe-futebolístico, não deixa também de ter um saborzinho amargo português, pelo menos nas suas duas últimas edições.
É que a saga de José Peseiro, agora no comando da selecção da Arábia Saudita, continua a impressionar. Depois de ter perdido a Taça do Golfo, no ano passado, para a selecção de Omã no desempate por grandes penalidades, coube-lhe perder, no passado domingo, a mesma competição para a selecção do Kuwait no prolongamento. Um dia isto vai ter de mudar... só que não se sabe em que continente será.
Já Nelo Vingada, por exemplo, encontrou a felicidade no continente asiático e ei-lo campeão da Coreia do Sul aos comandos do FC Seoul. É obra.

O Benfica continua na Europa. Foi Obra, oh, se foi...

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 17:05

Dezembro 02 2010

NO final do jogo de Aveiro, no momento daquela coisa que se convencionou chamar flash-interview, o profissional do microfone de serviço, não contente com os pormenores do jogo e com o desfecho do resultado, que foi favorável ao Benfica, entendeu levar a conversa com Jorge Jesus para o âmbito das relações entre o treinador e os jogadores e entre o treinador e o clube.

Embora o regulamento daquela coisa a que se convencionou chamar Liga de Clubes, e que é a entidade organizadora dos jogos, desautorize os profissionais do microfone de serviço de levarem as suas questões para além do âmbito do jogo a que acabaram de assistir, não é de todo invulgar, nem muito menos suspeita, a curiosidade dos jornalistas pelas circunstâncias mais gerais.

Foram tão pouco invulgares as questões do profissional do microfone a Jorge Jesus como também não foi em nada surpreendente a primeira resposta do treinador do Benfica, impacientando-se com o jornalista, remetendo-o para o tal regulamento da Liga que só permite aos jornalistas cingirem-se à matéria de facto dos 90 minutos de jogo em causa.

À segunda investida do repórter, Jorge Jesus perdeu definitivamente a paciência e com um popular e em nada acintoso «então, xau!» pôs-se a andar dali para fora. Fez muito bem o treinador do Benfica que se poupou, e nos poupou, a um diálogo menos urbano optando pelo silêncio que não ofende nem embaraça ninguém.

O assunto morreria ali se o profissional do microfone, sem o adversário por perto, não resolvesse terminar a sua exibição com uma graça a despropósito, como qualquer velho e competente jornalista lhe reprovaria, qualquer coisa do género: isto aqui não é «a Benfica TV», o que lhe era absolutamente dispensável porque só veio reforçar a justeza da retirada de Jorge Jesus perante um repórter do tipo engraçadinho e, francamente, sem maneiras. Sem maneiras de jornalista, obviamente.

Há jornalistas, sempre houve, que se queixam muito de coisas sem importância nenhuma.

Na noite de domingo, por exemplo, durante a transmissão do jogo de Aveiro os comentadores de serviço queixaram-se o tempo todo do frio que sentiam, acrescentando pormenores sobre a descida do mercúrio nos termómetros e as aflições que os rigores do Inverno lhe estavam a causar. Depois, quando o jogo acabou, como também sabemos, veio mais um jornalista da TVI, em jeito de rábula, queixar-se de que o treinador do Benfica não lhe respondia às perguntas que trazia escritas de casa.

São os ossos do ofício, sempre ouvi dizer quando fui jornalista. Se está frio, paciência, aguentem-se porque os leitores ou os telespectadores não têm nada a ver com isso. Se os entrevistados não nos respondem como gostávamos, outra vez paciência, para próxima teremos de preparar melhor o nosso trabalho. Mas sempre poupando o público que nos lê ou que nos ouve às agruras inevitáveis de qualquer profissão.

No dia seguinte, este incidente na flash-interview produziu, pelo final da tarde, uma série de pequenos acontecimentos em cadeia.

Sem que a TVI tenha denunciado ou protestado algum comportamento inconveniente ou de cariz violento perpetrado, no rescaldo do «então, xau», por algum funcionário do Benfica sobre o seu funcionário-jornalista, correu a notícia de que tal teria acontecido o que motivou o FC Porto a redigir, através do seu gabinete de comunicação, um comunicado acusando a actual gerência da Luz de um comportamento igual «aos dos filmes sobre gangsters».

Reagiu com uma rapidez que, este ano, tanto tem faltado ao nosso meio-campo, o gabinete de comunicação do Benfica com um comunicado que mais não é do que o elencar de uma série já com duas décadas de tropelias e actos de violência ou ameaças perpetradas contra treinadores, jogadores e jornalistas, a última à porta de um tribunal no Porto e que consistiu de um ensaio de atropelamento e fuga de um repórter fotográfico, documentado por imagens e sons num registo que, na altura, teve o merecido destaque informativo.

Provavelmente nunca se saberá se o jornalista que foi vítima dessa gracinha automobilística apresentou queixa na polícia. É de crer que não tenha apresentado. Como já foi referido, actualmente, tal como num passado não muito distante, há sempre profissionais da informação mais inclinados a queixarem-se do frio ou da chuva, que são os ossos do ofício, do que da pancada, que são os ossos mesmo a sério.

Entra assim para a pequena história dos energúmenos do futebol português o jornalista da TVI a quem Jorge Jesus disse «então, xau!». Não sendo certo que tenha sido molestado fisicamente - o Benfica desmente o incidente e a TVI não o confirma - é mais do que certo de que é o primeiro jornalista a ser defendido, em comunicado pelo FC Porto, o que é obra quase tão cómica quanto a bucha final do referido jornalista - a referência à Benfica TV - no seu diálogo interruptus com o treinador do Benfica.

Quanto ao comunicado do Benfica, vê-se bem que foi escrito à pressa, o que se lastima.

É de todo compreensível o facto de o FC Porto tentar fazer uma lavagem do seu passado histórico, através do seu gabinete de comunicação onde, provavelmente, até trabalham pessoas que ainda nem tinham nascido quando apareceram os primeiros jornalistas queixando-se de forte pancadaria.

Mas já não é nada compreensível que o Benfica, na urgência de uma resposta bem pensada mas muito mal medida, tenha colaborado nessa mesma lavagem apresentando uma short list, ou seja, uma lista muito resumida de nomes, de factos e de situações que, algumas, conseguiram mesmo o notável feito de ultrapassar o âmbito exclusivamente desportivo.

Foi, de facto, uma pena perder-se uma oportunidade destas.

E toda esta nervoseira apenas porque, no fim-de-semana, o Benfica conseguiu baixar de 10 para 8 não menos épicos pontos a distância a que se encontra do líder do campeonato. Se alguma vez se chegarem aos 6 pontos de diferença… ninguém sabe o que se poderá passar no país.

Em termos de comunicados, obviamente.

Até lá, então, xau.

E com Xau, lá vão lavando mais branco.

 

SEMPRE que não ganha um jogo, André Villas Boas faz-se expulsar do banco pelo árbitro.

Aconteceu em Guimarães e aconteceu em Alvalade. No entanto, esta semana, o treinador do FC Porto não conseguiu fazer da sua expulsão um caso cuja ressonância abafasse a semana toda em nome das injustiças a quem o seu emblema é sujeito.

Mais uma vez José Mourinho roubou-lhe o protagonismo e sentou-o no seu devido lugar.

O que vale isso de ser expulso pelo Jorge Sousa comparado com levar 5 do Barcelona em Nou Camp?

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 18:37

Novembro 25 2010

O responsável pela segurança do estádio do Sporting assegurou a João Moutinho que nada tem a recear na noite do seu regresso a Alvalade. Não o fez, no entanto, de forma directa. Não lhe ligou para o telemóvel para, pessoalmente, tranquilizar o ex-capitão do Sporting o que, convenhamos, não fazia sentido algum e até poderia ser confundido com uma manobra sub-reptícia de intimidação.

O responsável pela segurança do estádio do Sporting fez o que tinha de fazer. Através da imprensa enviou o recado que lhe competia: Moutinho «pode vir tranquilo» porque «ninguém lhe toca».

Ou seja, ninguém toca em Moutinho pela parte que toca ao responsável pela segurança do estádio do Sporting chamado, pela força das circunstâncias, a assumir as responsabilidades inerentes ao cargo que ocupa e, como se não bastasse, acrescidas das responsabilidades morais, que não as suas, pela dramatização inevitável do regresso do jogador à casa que foi sua e que, no Verão passado, o vendeu ao rival amigo do Porto.

Que o Sporting é um clube Porto friendly é um dado adquirido, casta constatar a lista de negócios amáveis verificados entre os dois emblemas.

O que preocupa o responsável pela segurança do Estádio de Alvalade não é, portanto, a iminente visita do iminente adversário. É apenas a visita de João Moutinho o motivo deste quebra-cabeça.

No último jogo em Alvalade, um joguinho para a Taça de Portugal em que o adversário era o Paços de ferreira, noticiaram os jornais que alguns sectores do público se entretiveram a «ensaiar cânticos insultuosos dedicados ao ex-capitão» e que, no fervor do momento, «rebentou um petardo no sector da claque Directivo Ultras XXI» ferindo com alguma gravidade um adepto que «perdeu três dedos».

Depois de José Eduardo Bettencourt ter revelado numa inesquecível entrevista a A BOLA que era descendente do Rei das Canárias e conhecendo-se, historicamente, a origem nobre do Sporting, fundado pelo Visconde de Alvalade, é caso para se dizer que foram-se os dedos mas ficaram, de certeza absoluta, os anéis.

O presidente do Sporting bem pode ser um príncipe das ilhas Canárias da cabeça aos pés e vir agora apelar ao civismo dos adeptos mais descontrolados do seu clube no sentido de evitar que o regresso de João Moutinho a Alvalade não fique marcado por nenhum episódio que venha a envergonhar os adeptos mais controlados do Sporting.

A poucos dias do próximo clássico, José Eduardo Bettencourt desfaz-se em elogios ao carácter e ao profissionalismo do rapaz a quem, no Verão passado, chamou de «maçã podre» entre outras considerações do mesmo teor.

«João Moutinho foi sempre um profissional fantástico», disse. E disse também que «não gostaria de ver atitudes menos correctas em relação a ele».

E é muito provável que continue a dizer coisas do género até se saber se a mialgia de esforço de que padece Moutinho será suficiente ou insuficiente para o afastar do Sporting - FC Porto retirando ao jogo a sua maior e tão aguardada componente bélica e demencial.

Sem ter qualquer culpa no cartório, o responsável pela segurança do estádio do Sporting está viver uma semana difícil. E até deve tremer sempre que o presidente se aproxima de um microfone ou de um gravador de um jornalista

 

O Moreirense, de um escalão secundário, caiu na taça de Portugal aos pés do FC Porto pela diferença mínima de golos o que em nada deslustra os pergaminhos da equipa de Moreira de Cónegos.

Já Antchouet poderia ter ficado com uma história para contar aos filhos e aos netos… mas não o deixaram usufruir esse pequeno detalhe de carácter pessoal.

Com 0-0 no marcador, Antchouet marcou um golo limpo ao FC Porto que o árbitro invalidou com um julgamento errado.

Até ao Moreirense…

 

TERÇA-FEIRA de Liga dos campeões na televisão, perspectiva de uma noite de zapping entre Braga, Londres e Amesterdão. Mas este Real Madrid é um inimigo mortal do zapping porque é muito difícil mudar de canal quando a equipa de José Mourinho está a jogar.

Espreita-se para Braga e é engraçado ver o Arsenal todo baralhado a jogar contra uma equipa que usa o seu equipamento histórico, passa-se por Londres e é curioso ver como o Zilina se consegue adiantar no marcador na casa do Chelsea mas quando se chega a Amesterdão é praticamente impossível despegar do espectáculo mesmo com um Real Madrid que se apresenta com algumas figuras da segunda linha como Albiol, Lass, Arbeloa ou Benzema, que não tem sido titular.

O tempo vai passando, o 0-0 persiste em Braga e o Chelsea empata frente aos eslovacos. Há a curiosidade de ver Ramires em acção mas o apelo de Amesterdão é sempre mais forte sobretudo quando Mourinho manda entrar em campo Di María que não demora mais de cinco minutos a oferecer um golo a Cristiano Ronaldo.

São onze contra onze mas o Ajax sofre a bom sofrer. Depois o árbitro expulsa Xavi Alonso e Sergio Ramos, o Ajax joga contra 10 e depois contra 9 mas continua a sofrer a bom sofrer na parte final do jogo. É tanto e tão bom futebol que até faz impressão.

Um derradeiro salto para braga que está a ganhar por 1-0. Os tipos do Arsenal estão francamente irritados, vê-se que não gostam de perder, tentam o empate ao transe mas Matheus pega na bola, vai por ali fora e faz um golão que há-de render uma fortuna.

Foi uma bela terça-feira, não haja dúvida.

 

Já a quarta-feira foi uma lástima. Podíamos até ter ganho o Prémio da Regularidade somando três derrotas sempre por 2-0 nos jogos disputados fora na poule da Liga dos campeões. Mas nem isso. Já em tempo de compensação, o Benfica sofreu o terceiro golo e estragou o lamentável brilharete a que se candidatava.

Em Israel, ontem, o Benfica conseguiu, no entanto, impossíveis. Ao intervalo ganhava por 11-0 em pontapés de canto e perdia por 1-0 em golos. Na segunda parte, chegou aos 18-0 em cantos e sofreu o segundo golo no primeiro pontapé de canto a favor do Hapoel.

Carlos Manuel, comentando o jogo na televisão, garante que os jogadores do Benfica sofrem de «fadiga mental». Não será, porventura, o caso. Mas, para já, quem sofre e muito de fadiga mental são os adeptos.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 20:19

Novembro 18 2010

A última jornada foi particularmente feliz para dois avançados trintões. Nuno Gomes precisou apenas de dois minutos e meio no relvado do Estádio da Luz para marcar um golo à Naval 1º de Maio e fornecer, aos adeptos da casa, o mais do que necessário cuidado paliativo emocional depois do estrondoso insucesso no porto.

E, em Vila de Conde, João Tomás marcou por duas vezes, desta feita ao Paços de Ferreira, e é hoje o segundo classificado da lista dos goleadores de 2010/2011, com 7 golos. Melhor do que João Tomás, só Hulk. Pior do que ele, os outros todos…

Ao contrário de Nuno Gomes, que cumpre este ano a sua décima primeira época na Luz, e que é hoje uma referência para o interior e para o exterior do clube, João Tomás já deixou o Benfica há dez anos.

Dele apenas restam aquelas memórias já turvas da imensamente eficaz dupla que fez com Pierre Van Hooidjonk – e que foi lamentavelmente desmantelada por questões políticas – e daqueles dois bonitos golos que marcou numa noite ao Sporting levando o Estádio da Luz au rubro e levando também o jovem e inexperiente treinador do Benfica, José Mourinho, a ajoelhar-se na relva de tão contente que ficou.

Há acontecimentos assim. O golo de Nuno Gomes, no domingo, foi também um acontecimento e dos bons. Os benfiquistas, que tinham entrado no estádio ainda vagamente acabrunhados por causa daquela coisa da jornada anterior, saíram sorridentes e comovidos com a pontaria e com a comoção do seu número 21.

Como seria de esperar, o golo de Nuno Gomes lançou uma polémica sobre as opções de Jorge Jesus para a frente de ataque do Benfica. A esta polémica, naturalmente, não é de todo alheio o facto de o Benfica estar a 10 pontos do FC Porto. Na época passada, Nuno Gomes marcou três golos – um deles bem importante, em Olhão – e nenhum desses feitos levou a um debate nacional sobre a injustiça com que o treinador do Benfica trata o seu avançado mais velho e com mais anos de casa.

É tão natural quanto respeitável o desejo de Nuno Gomes de jogar mais vezes de modo a que os seus golos não sejam olhados como acontecimentos mas como… golos, precisamente o que acontece com João Tomás que é utilizado com regularidade e proveito por todos os clubes em que passa.

Nuno Gomes saberá melhor do que ninguém o momento em que há-de colocar um ponto final na sua carreira de futebolista. E como é uma pessoa de bom senso vai saber fazê-lo bem, a tempo e com grande categoria.

E, por isso mesmo, saberá evitar certamente deixar-se transformar num caso, numa espécie de novo Mantorras, na vertente de milagreiro místico e de entertainer de ocasião para multidões ávidas de alegrias.

 

ESTÁ disponível no Youtube um momento muito especial para o Benfica ocorrido no último treino da selecção do Brasil antes do jogo com a Argentina, nas Arábias. É fácil chegar lá. Basta procurar David Luiz humilha Ronaldinho para vermos o nosso defesa central, que saiu psicologicamente tão maltratado do jogo com o FC Porto, recuperar a mais do que desejada auto-estima aplicando, num só toque, um requintado túnel ao grande Ronaldinho Gaúcho em boa hora regressado ao escrete.

Em boa hora para o Benfica, evidentemente.

David Luiz, que o Chelsea quer levar já em Janeiro, segundo se lê nos jornais, bem precisava de um golpe de asa assim para de poder recompor emocionalmente do mau sucesso do Estádio do Dragão. É que fazer a bola passar entre as pernas do grande Ronaldiho Gaúcho, mesmo que num treino, a brincar, é um precioso alento para quem teve de ouvir tantos remoques sobre a sua prestação no último clássico do pequeno futebol português.

Ainda para mais quando Ronaldinho Gaúcho não desiste de ocupar na selecção brasileira o lugar que, lendo a imprensa e os especialistas nacionais, deveria ser entregue a Hulk, o que é incrível.

 

JESUALDO FERREIRA parece estar encaminhado para ser o próximo treinador do Panathinaikos da Grécia depois de não lhe ter corrido bem – ainda que tenha corrido bem depressa – a passagem pela Liga espanhola.

É um grande mistério este que envolve os treinadores portugueses – e logo os melhores - que não conseguem firmar no país do lado os créditos que somaram em casa.

Excepção feita a José Mourinho, obviamente. E é por isso mesmo que lhe chamam O Especial, porque é diferente dos outros todos. Mourinho, é verdade, ainda não ganhou um troféu no comando do Real Madrid mas, é a convicção planetária, há-de ganhar. Para já, ganhou a admiração de Chamartín, uma casa exigente, o respeito da imprensa, uma imprensa musculada, e o desamor dos rivais, que é exactamente o mesmo em todos os cantos do mundo.

José Mourinho foi o quinto treinador português, campeão em Portugal, a chegar a Espanha com um currículo mais avantajado do que o que tinha quando lá aterrou.

E os outros? O que se passou com os outros treinadores portugueses, todos eles campeões, que chegaram a Espanha e de lá partiram num ápice. Toni, campeão pelo Benfica, não resistiu em Sevilha muitas semanas. Jaime Pacheco, que foi campeão pelo Boavista, e António Oliveira, que foi campeão pelo FC Porto, passaram fugazmente pelo Maiorca e pelo Bétis sem nada acrescentar aos historiais dos respectivos clubes, E, por fim, Jesualdo Ferreira, três vezes campeão pelo FC Porto, não resistiu em Málaga a mais do que meia dúzia de jornadas do campeonato espanhol.

Será do clima? Do clima da Andaluzia – Sevilha e Málaga – e das ilhas Baleares – Maiorca – que é adverso aos treinadores portugueses?

Este é um mistério que ainda está longe de ser resolvido. De qualquer maneira, para os mais cépticos em relação aos talentos de José Mourinho, fica no ar aquela dúvida metódica sobre o actual treinador do Real Madrid:

-Pois…pois… mas não me convence enquanto não o vir fazer do Ayamonte FC campeão de Espanha!

 

PORTUGAL ganhou por 4-0 à Espanha que é a campeã do mundo. Devia ter ganho por 5-0 porque Cristiano Ronaldo marcou um golo lindo e limpo que o parvinho do árbitro entendeu anular. Quando joga a selecção e os árbitros são estrangeiros e maus, é um privilégio poder chamar-lhes parvinhos sem que ninguém por cá se ofenda. São as virtudes do internacionalismo.

Os espanhóis com um árbitro a sério tinham levado 5. Fica provado que levar 5 acontece aos melhores do mundo.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 18:20

Novembro 11 2010

“O Benfica é como eu, vai ao Porto para não fazer nada e comer bem”

MIGUEL ESTEVES CARDOSO

 

“O Coliseu do porto, por estar inteiro, é muito melhor do que o Coliseu de Roma que está numa ruína.”

In O LEÃO DA ESTRELA

 

FAZENDO fé no que surgiu estampado nas primeiras páginas vinte quatro horas depois do clamoroso episódio de falência técnica do Benfica no Porto, a SAD do Benfica estabeleceu para Jorge Jesus um caderno de encargos que, a não ser cumprido, significará o fim do percurso do treinador no Estádio da Luz.

Curiosamente, o diário francês L’Équipe, que é um colosso da informação desportiva mundial, já produzira na sua edição on-line de segunda-feira um lapso embaraçante para Jesus, para o Benfica e… para o Sporting, referindo-se ao treinador campeão nacional como l’entraineur des lions, ou seja, o treinador dos leões, quando, em boa verdade, Jesus ainda é o treinador do Benfica e ainda não é o treinador do Sporting.

Regressemos ao tal caderno de encargos até porque, e já se passaram outras 48 horas, ainda não foi desmentido nem nos seus pressupostos nem nas suas consequências anunciadas com tanta gravidade e pompa.

O que não deixa de ser bem menos preocupante para Jorge Jesus do que para a própria SAD do Benfica que passa pelo vexame de não se poder reunir em legítimo conciliábulo sem que as conclusões a que chegou não pulem, no ápice, para o domínio público quando deveriam ser de natureza privada.

A não ser que fosse precisamente essa a ideia, o que ainda é mais preocupante porque não há nada a ganhar em eleger publicamente como tema exclusivo da temporada, quando faltam sete meses para o fim da dita temporada, a questão da continuidade do treinador em função de três objectivos desportivos menores.

É que Jorge Jesus, segundo a imprensa, está obrigado a garantir o segundo lugar no campeonato nacional, a eliminar o Sporting de Braga da próxima jornada da Taça de Portugal e a qualificar-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Ponto por ponto… enfim, vá lá saber-se o que é que terá passado pela cabeça dos nossos dirigentes para virem a terreiro com estas anormalidades.

Se o Benfica fosse o Sporting, e comprovadamente não é, compreendia-se a eleição do objectivo segundo lugar como um desígnio estimável. Paulo Bento, por exemplo, foi forever durante quatro segundos lugares seguidos e só deixou de o ser quando, bem no princípio da época passada, se percebeu claramente pelo avolumar do atraso que lhe seria impossível conquistar a adorada posição final.

S o Benfica fosse o Vitória de Guimarães e, com o devido respeito, não é, justificava-se o afã de eliminar o grande rival minhoto, o Sporting de Braga, na ronda que aí vem da Taça de Portugal, tanto mais que Guimarães, que agora está por cima, penou a bom penar no ano passado vendo os vizinhos de Braga a subir quase até ao céu, o que deve ter constituído um sofrimento atroz.

E se o Benfica fosse o Benfica europeu que há décadas nos tarda a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões estava já resolvida há uma semana restando-nos apenas discutir, entre nós, se nos daria mais jeito ficar em primeiro ou em segundo lugar do nosso grupo.

Não sendo esse aspirado Benfica europeu, como qualquer um de bom senso reconhecerá, e tendo exibido desconsolantes fraquezas nos seus confrontos recentes contra adversários das segundas e terceiras linhas europeias, como são os casos do Olympique de Lyon e do Schalke 04, não seria mais ajuizado – até do ponto de vista da gestão financeira da casa – aspirar a uma carreira honrosa na Liga Europa, defrontando adversários menos poderosos no campo que, por isso mesmo, podem permitir um percurso divertido e sem sobressaltos de maior?

Sem qualquer espécie de fanfarronice, no entanto, não é de temer que aconteça ao Benfica em fase mais adiantada da Liga dos campeões aquilo que aconteceu há duas épocas ao Sporting que saiu absurdamente mal tratado no seu confronto com o Bayern de Muniche com um agregado de 12/1 nada tangenciais nos dois jogos que teve de disputar com os alemães.

Posto tudo isto, penso que a SAD do Benfica devia repensar e refazer o caderno de encargos que colocou na mesa de Jorge Jesus 24 horas depois da derrota no Porto:

1) Risque-se imediatamente a obrigação de ficar em 2.º lugar porque não faz parte da nossa cultura. É uma coisa mais própria de outros emblemas.

Nós até nos estamos perfeitamente nas tintas para aquela coisa de termos ficado 1 vez em sexto lugar porque já ficamos 32 vezes em primeiro lugar.

Assim sendo, o objectivo para este campeonato em relação ao FC Porto é apenas de fazer melhor que o FC Porto fez no passado em relação ao Benfica. E, como estarão recordados o FC Porto ficou a 8 pontos do Benfica, o que é uma distância perfeitamente admissível.

Dez pontos é que não pode ser. De maneira nenhuma.

Dez pontos é muita fruta, tenham lá paciência!

2) No que diz respeito à Taça de Portugal, risque-se a obrigação de eliminar o Sporting de Braga.

O Braga ocupa actualmente o 8.º lugar da tabela e não há razão para o Benfica estar a moralizar com elogios de importância aquele que foi  o seu grande e único adversário da época passada.

3) Quanto à Liga dos Campeões, esqueça-se já. Concentremo-nos na Liga Europa onde tudo pode sempre acontecer.

Até pode acontecer uma final Benfica – FC Porto, por exemplo.

E, nesse caso, já com fundamento sério, apresente-se então um caderno de encargos ao nosso treinador.

 

O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga explicou a validação do segundo golo do Sporting ao Vitória de Guimarães com uma evidência sublime: o mesmo árbitro que não viu o Evaldo a atirar com o Nilson para lá da linha de golo conseguiu confundir a luva branca do Nilson com a bola…

O futebol português está chique e cheio de etiqueta. Até já temos golos de luva branca.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 17:20

Novembro 04 2010

O presidente do FC Porto não é um literato, nem um actor, nem um historiador, nem nada que se pareça com uma figura de intelectual ainda que lhe gabem muito, no círculo provinciano onde pontifica, os méritos de recitador de poesias.

Em momentos de maior deslumbramento, o presidente do FC Porto já produziu alguns recitais que foram vistos em todo o país graças à invenção da televisão. Tratando-se de um amador, sem outras credenciais que não sejam a da sua celebridade como dirigente desportivo, deve poder dizer-se que como declamador de poesia o presidente do FC Porto é, para quem nunca tenha assistido, do pior que se possa imaginar.

Mas não é justo criticar alguém por não exibir qualidades que não são tecnicamente as suas. No entanto, já é digno de nota o descaramento com que se abalança a essas exibições confrangedoras e muito aplaudidas no seu tal círculo restrito de admiradores.

Não sendo também um literato nem um historiador, no último fim-de-semana o presidente do FC Porto abalançou-se, com o mesmo descaramento que o leva a recitar como um inapto em público, a proferir uma palestra histórica sobre a conquista de Lisboa pelo nosso primeiro rei, primando pelas calinadas que, até ao momento, ficaram por corrigir.

Procurando uma analogia tão lamentável quanto serôdia entre a conquista de Lisboa e a rivalidade futebolística entre o seu clube e o Benfica, disse o presidente do FC Porto a uma plateia como sempre rendida, enfim, sem massa crítica: «Em 1134, o bispo do Porto, D. Pedro Picoas, exortou os cristãos a juntarem-se para ir a Lisboa para conquistar os mouros e expulsá-los de Portugal. Para além de um Santo, D. Pedro Picoas foi também um grande sábio.»

Ore o presidente do FC Porto não só não é um sábio como também é um pequeno ignorante atrevido, campo em que não está sozinho e até estará muitíssimo bem acompanhado por gentes com outras e maiores responsabilidades intelectuais, se é que isso serve a alguém de consolo.

A conquista de Lisboa não foi em 1134 mas em 1147, exactamente treze anos mais tarde do que a data catedraticamente apontada pelo presidente do FC Porto.

Mas este é um erro que se justifica vindo do presidente do FC Porto. Nem é bem um erro, é mais um vício, um tique compulsivo. É que também a data de fundação do FC Porto sofreu um desvio de 13 anos e, por bula papal, recuou de 1906 para 1893 sem que houvesse sequer discussão.

Quanto ao nome do bispo do Porto, a verdade é que não se chamava Pedro Picoas, como o presidente do FC Porto afirmou, mas sim Pedro Pitões, sendo que Picoas é um nome de uma estação do metropolitano (subterrâneo) de Lisboa – Linha Amarela – e sendo que Pitões até seria um nome bastante fácil de memorizar pelo presidente do FC Porto, um clube de futebol, visto que pitões são aqueles grampos de plástico ou em alumínio que se enroscam nas solas das botas dos jogadores para lhes dar maior estabilidade e tracção.

Mais importante do que este singelos reparos factuais, que mais não visam do que impedir de chafurdar alegremente na ignorância, nas trevas, aquela fatia significante de povo que, presumivelmente, só lê jornais desportivos e despreza os nossos romancistas e trovadores, trata-se aqui de dar razão a Vítor Baía que ainda há bem pouco tempo lamentou publicamente que o FC Porto tivesse uma «cultura muito para dentro, muito fechada».

Baía não estava, obviamente, a referir-se a questões de cultura geral, como se costuma dizer, nem às eventuais calinadas presidenciais quando envereda pelo discurso erudito. Nada disso. Baía, que é um rapaz de bom senso, estaria simplesmente a lamentar o anacronismo de um espírito medieval que reclama limpezas étnicas e expulsões do país em nome de uma bola de futebol e de umas quantas chuteiras.

Com pitões, naturalmente.

 

O FC Porto – Benfica da época de 1953/54 teve a precedê-lo um ambiente bem menos medieval. No seu último número de Dezembro de 1953, O Porto, jornal oficial do clube nortenho, exortava os seus adeptos a receber condignamente os rivais que haveriam de chegar de Lisboa:

«Portistas, vem aí o Benfica. É claro que vamos receber como ele merece: à moda do Porto. Os encarnados do Sul vêm de longada até à Cidade Invicta encher de alegria os olhos dos desportistas tripeiros. Que vença, Deus o permita, o nosso glorioso clube. É legítimo. Que os bravos benfiquistas nos perdoem a tripeira fraqueza… Nada de hipocrisias porque os dois baluartes do futebol nacional já habituaram de tal maneira os seus adeptos à exibição plena das mais nobres virtudes da ética desportiva.»

E FC Porto venceu o Benfica por 5-3 sem ter havido registo de qualquer incidente, tal como o jornal O Benfica, órgão oficial do clube, relataria na sua edição de 14 de Janeiro de 1954:

«Ganhou o Porto! Foi naquela tarde o melhor. Mas também soube pôr na vitória o timbre de firmeza e educação que só os atletas de elite possuem. Perdeu o Benfica! Mas nem por isso saiu diminuído da contenda. Deixou no belo Estádio o perfume da sua categoria de grande equipa, grande na maneira de jogar, enorme na forma como soube aceitar a derrota.»

É impressionante o que o país tem evoluído nestas últimas longas décadas…

 

O chileno Valdés marcou os dois golos com que o Sporting venceu a equipa principal da União de Leiria no último domingo. Lendo os jornais de terça-feira vislumbra-se um ameaço de crise em Alvalade… A quem se deve e explosão de Valdés?

Para este jornal A BOLA, o autor do milagre foi Paulo Sérgio, o treinador, que disse ao chileno antes de entrar em campo: «Concentra-te nas coisas simples!» e ele concentrou-se mesmo.

Já para o Correio da Manhã, o mágico de serviço foi Costinha, o director, que disse ao chileno antes de entrar em campo: «Acredito muito no teu potencial» e ele acreditou mesmo.

Isto a continuar assim não haja dúvida que promete.

 

VENCENDO o Lyon, o Benfica garantiu praticamente a qualificação para a Liga Europa. Quanto à qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões ainda está longe de estar garantida. Faltam dois jogos e duas vitórias, ou seja, falta muito.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 18:02

Outubro 28 2010

MORREU de cansaço o polvo Paul que, sem saber ler nem escrever, se tornou numa das celebridades maiores do último campeonato do mundo de futebol.

O polvo Paul acertou sempre no engodo que lhe deram a escolher em forma de substância alimentar e previu todos os resultados da selecção alemã na África do Sul bem como o resultado da final disputada entre a Holanda e a Espanha.

Não foi coisa pouca, ainda para mais debaixo de água.

O futebol mundial perdeu, assim, o seu oráculo mais tentacular. Em Portugal, felizmente, ainda temos o professor Karamba e outros professores adivinhadores, mas foi com lástima que vimos partir Paul, o único que nos poderia garantir, com razoável antecedência, quantos dos quatro jogadores quatro vezes amarelados do Benfica resistirão amanhã, frente ao Paços de Ferreira, ao quinto cartão amarelo e à consequente exclusão do jogo com o FC Porto na jornada seguinte.

 

Águia, alegadamente prima da águia Vitória, que o Benfica cedeu em regime de franchising à Lazio, recusou-se a voar no domingo passado no Olímpico de Roma, escapou-se para a cobertura do estádio e foi dali que assistiu à vitória dos donos da casa sobre o Cagliari e ao consequente reforço da posição da Lazio como comandante isolada do campeonato italiano de futebol.

Sem querer cair no domínio da especulação fácil, é de desconfiar que a águia que está em Roma não só não é prima da águia Vitória como é a própria águia Vitória que terá sido raptada ou que, numa confusão de identidades, se vê agora muito contrariada em Roma, longe da Luz e do Benfica que é o seu clube desde o ninho em que nasceu.

Teríamos assim, de uma assentada, a explicação para o excelente início de campeonato da Lazio, abençoada pela águia original, e para o menos excelente arranque de um Benfica confundido sob as asas de uma falsificação grosseira de pássaro.

O que também, por si só, justifica a desvalorização completa do incidente registado entre dois stewards de serviço, o tratador Barnabé e a falsa águia Vitória no decorrer do intervalo do jogo com o Arouca, para a Taça de Portugal.

Ah, se aquilo fosse com a original outro galo cantaria.

 

DEIXEMOS agora em paz os animais. Vamos falar de árbitros. Michel Platini mostrou-se no início desta semana totalmente contrário à introdução de tecnologias no futebol que possam corrigir e desautorizar os julgamentos dos juízes de campo. Para o presidente da UEFA, um futebol sem erros de arbitragem arriscava-se a descer aos patamares de emoção virtual da PlayStation que mesmo assim, sem erros dos árbitros, é o jogo de computador mais vendido em todo o mundo.

No entanto, se os inventores da PlayStation tivessem a ousadia de introduzir no mercado um jogo com erros de árbitros, com roubos de igreja, com fruta, café com leite e viagens ao Brasil, certamente não só venderiam menos o seu produto como até contribuiriam de forma exponencial para o aumento de venda de televisões tantos seriam os aparelhos partidos, esmigalhados, incendiados, pela justa revolta dos jovens e dos menos jovens consumidores do jogo electrónico.

Em Portugal estamos ainda numa fase menos electrónica da arbitragem. Os nossos juízes fazem o que podem para melhorar a sua reputação e como são cidadãos iguais aos outros anunciaram, no final da última semana, a intenção de fazer uma greve por questões que se prendem com a fiscalidade e a segurança social. Está visto que são humanos!

Os árbitros portugueses reuniram-se e ameaçaram não comparecer em campo no fim-de-semana de 6 e 7 de Novembro que é, precisamente, o fim-de-semana correspondente à jornada do campeonato em que o Benfica visita o FC Porto.

Francamente, torna-se difícil descortinar onde é que está a ameaça de não haver árbitro no Estádio do Dragão a 7 de Novembro. É que, bem pelo contrário, até me parece um grande descanso.

 

DEPOIS do Benfica, chegou a vez de o Sporting de prestar homenagem aos 33 mineiros chilenos. O embaixador do Chile em Portugal deslocou-se a Alvaláxia, recebeu no centro do relvado 33 cachecóis do Sporting, personalizados com os nomes dos heróis subterrâneos e quando, muito agradecido, perguntou ao presidente Bettencourt e ao director Costinha se gostariam de receber no seu estádio os 33 mineiros que hão-de fazer uma tournée pela Europa, logo Costinha se apressou a responder: «Depende muito da maneira como vierem vestidos, senhor embaixador…»

E, depois de ouvir isto, como se não bastasse, o embaixador chileno ainda teve de assistir ao jogo entre o Sporting e o Rio Ave e às penosas exibições de dois compatriotas seus.

E ainda há quem diga que a carreira diplomática é um luxo.

 

COM uma prestação europeia francamente medíocre, o Benfica dá mostras de ter atinado finalmente na competição interna e já vai na quarta vitória consecutiva e no quarto jogo sem sofrer golos, o mínimo que se exigia ao campeão depois de um arranque a todos os títulos lamentável.

Maxi Pereira, talvez entusiasmado por este assomo de recuperação, disse no final do jogo com o Portimonense que «este já se parece com o Benfica da época passada». O que, honestamente, não é verdade. É que nem o próprio Maxi se parece com o Maxi da época passada, como concordarão, quanto mais o Benfica no seu todo, tão monocórdico e previsível em todas as fases do jogo.

 

DEPOIS de o presidente do Sporting ter denunciado os «Herris Batasunas» que andavam a sabotar o seu plano de recuperação do clube, veio agora o presidente do FC Porto queixar-se do «Bin Ladens» que não lhe dão o valor que merece.

Felizmente que o presidente do Benfica não entra nestes temas tão confrangedores quando está irritado.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 18:42

Outubro 21 2010

DESDE que contratou a prima da águia Vitória para sobrevoar o Olímpico de Roma antes de cada jogo, a Lazio está imparável e ao cabo de sete jornadas lidera, isolada, o campeonato italiano com 2 pontos de avanço sobre o Milan e o Inter e com 4 pontos de avanço sobre a Juventus e o Nápoles.

Já em Lisboa, a propriamente dita águia Vitória passou um sábado atribulado apesar de o Benfica ter ganho sem grandes dores de cabeça ao Arouca e ter seguido em frente na Taça de Portugal, como lhe competia, com o devido respeito pelo Arouca.

De acordo com a notícia inquietante publicada neste jornal na sua edição de domingo, o nosso simpático Juan Bernabé, treinador, patrão e psicólogo da águia original, foi intempestivamente impedido de se fazer fotografar com umas crianças que pretendiam levar para casa a prova testemunhal de que tinham conhecido no Estádio da Luz o tratador e o animal, ou seja, a competente dupla que faz as delícias da criançada e dos mais crescidos naquele momento mítico que se repete antes de cada jogo do Benfica em casa.

Os autores materiais do desacato terão sido dois stewards de serviço que, sem boas maneiras, afastaram Juan Bernabé das crianças e, de tal forma o fizeram, que a águia Vitória andou a rebolar pelo chão à vista de toda a gente e o próprio Bernabé se terá desequilibrado com algum estardalhaço.

Mas, afinal, que stewards são estes que a Prosegur manda para o Estádio da Luz perpetrar atentados?

Sem querer embarcar em teorias da conspiração, ou a Prosegur está infiltrada de agentes provocadores ou os stewards em causa são taxativamente sportinguistas que ainda vinham a ferver da última assembleia-geral do clube deles, o que não é de admirar. E por já virem picados um com o outro desde a reunião magna na Nave de Alvalade não se contiveram quando Juan Bernabé, no seu falar espanholado, os cumprimentou com um saludo que lhes caiu mal:

- Boa noite, Costinhas!

E viraram-se a ele que nem leões e aconteceu o que aconteceu, uma tristeza, enfim.

Senhores stewards lagartos, abusivamente infiltrados na Luz, façam lá o favor de resolver esses desaguisados exclusivamente entre vocês, em sede própria, sem a presença de jornalistas, mas não venham para nossa casa atentar contra a harmonia reinante!

 

ISTO de dizer mal dos árbitros tem muito que se lhe diga. O ideal é o trabalho dos juízes de campo nos ser totalmente indiferente de modo a que nem nos ralemos com as suas más decisões ainda que sejam contrárias aos nossos desígnios. Isto é que é ter classe.

Para ter classe numa matéria destas, tão rasteira, tão primária, há que fazer reunir um certo número de condições que nem sequer são tão fenomenais como se pode suspeitar.

Ainda no sábado passado, por ocasião do Benfica – Arouca para a Taça de Portugal, verificaram-se essa tais condições e quando, já perto do fim do jogo, o árbitro invalidou um golo ao Arouca por claríssimo fora-de-jogo do seu autor não houve no Estádio da Luz nenhum benfiquista que não encolhesse os ombros e não pensasse: Que pena, este pessoal do Arouca que veio até à nossa casa em multidão bem merecia sair daqui com um golo marcado!

Tudo este fair-play porque já se estava a ganhar por 5-0, aquele score que, precisamente, confere uma tranquilidade de espírito, um desapego às incidências do jogo, uma generosidade perante os erros alheios, ou seja, uma série infindável de atributos capazes de transformar o mais irascível dos adeptos num cavalheiro inglês tal e qual aqueles que conhecemos dos romances da Jane Austen ou das irmãs Brontë.

E quando aos 88 minutos, Diogo Santos, na sequência de um pontapé de canto que beneficiou o ataque arouquense, meteu a bola no fundo da baliza de Júlio César e o golo valeu, não houve a mínima manifestação de protesto nas bancadas da Luz. Os três mil arouquenses festejaram bravamente o feito e os quinze mil benfiquistas limitaram-se a murmurar: Pois está muito bem… assim já levam um consolo para a viagem!

E que consolo! O próprio Diogo Santos confessaria no final do jogo que tinha vivido o momento mais alto da sua carreira e referia-se não só ao golo marcado ao Benfica na Luz como o facto, não menos glorioso, de ter recebido como recordação a camisola de Pablo Aimar.

Este pequeno apontamento tirado do Benfica – Arouca não é tão extravagante quanto pode parecer. Encerra, aliás, um ensinamento útil para o que ainda falta disputar internamente na temporada em curso contra adversários mais possantes, equipados de verde, amarelo, azul, roxo ou mesmo de preto e com apito na boca.

É que se o Benfica voltar às goleadas a que nos habituou na temporada passada acaba-se logo com a conversa dos árbitros…

Dá-lhes Kardec!

 

A UEFA quer instituir umas regras de fair Play financeiro ao mais alto nível das suas competições. Em defesa da concorrência leal e da saúde das tesourarias dos mais importantes emblemas europeus «qualquer clube profissional que tenha gasto mais do que recebeu na época desportiva anterior ficará fora das provas europeias». Vamos ter, assim, um campeonato internacional de défices e de passivos que vai ser bonito, vai…

Embora a UEFA planeie só fazer aplicar estas regras a partir da temporada de 2013/2014, é o caso para se dizer que o Benfica, em comparação, por exemplo, com o Manchester United, já vai muito adiantado no bom caminho a tomar.

Ambos os clubes mostraram-se impressionados com a aventura dos 33 mineiros chilenos e entenderam que deviam fazer alguma coisinha que evidenciasse essa comoção humanitária. O Manchester, sempre dado aos grandes exageros de um clube que acusa 95 milhões de euros de prejuízo, não fez a coisa por menos e endereçou um convite aos heróis subterrâneos para uma deslocação em voo fretado desde o Chile até Old Trafford onde será recebidos como heróis tendo a oportunidade de assistir ao vivo a uma jogatana do United.

O Benfica, com as suas contas mais modestas, fez a coisa por menos. Convidou o embaixador do Chile em Lisboa para um almocinho no Estádio da Luz e ficou logo ali o assunto arrumado.

Será bom que a UEFA atente nestes pormenores financeiros…

 

QUANTO aos pormenores desportivos, no que diz respeito à UEFA. O Benfica não só não vai nada à frente como também anda a marcar passo. Ontem, em Lyon, pode-se dizer que o Benfica foi o Roberto, o Coentrão e mais 8. Em princípio até seriam mais nove mas como o Gaitán foi expulso…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:03

Outubro 14 2010

O futebol ocupou uma posição tal na nossa sociedade que o faz ser mais temido do que o próprio Estado de onde emanam os governantes e as políticas a que nos sujeitam. Tome-se põe exemplo o caso ainda fresco do presidente da Associação Comercial do Porto que abandonou melodramaticamente, e em directo, um programa de televisão de debate sobre futebolistas porque se recusou, em nome dos bons princípios, a comentar escutas ordenadas por um juiz no âmbito de um processo de investigação criminal.

O processo em causa, com o folclórico e colorido nome de Apito Dourado, incidia sobre práticas desleais protagonizadas por um sem número de dirigentes, empresários e árbitros de futebol, sendo que o clube do presidente da Associação Comercial do Porto era, sem margem dúvida, aquele que protagonizava mais práticas desse quilate.

E Rui Moreira, que é o nome do presidente da Associação Comercial do Porto, sentiu-se de tal modo constrangido pela discussão do assunto, que se levantou da cadeira onde estava sentado e foi para casa ofendido.

Não deixa de ser curioso que, a 26 de Fevereiro deste mesmo ano de 2010, o mesmo Rui Moreira não se tenha sentido minimamente constrangido, em nome dos seus bons princípios, a responder a um inquérito do diário I que lançava a seguinte questão: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta. Mantém a confiança no primeiro-ministro?

Fiquem pois sabendo que o presidente da Associação Comercial do Porto não só não se recusou a responder como até deu uma opinião bastante assertiva e contundente: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior.»

Embrulha, Zé Sócrates!

Convém, por ser verdade, esclarecer que o presidente da Associação Comercial do Porto não foi o único a disponibilizar-se para comentar as escutas do processo Face Oculta. Foi apenas um de uma lista de 50 individualidades identificadas e com profissões e estatutos sociais tão importantes como os empresários, economistas, sociólogos, escritores, presidentes de associações cívicas, professores universitários, fiscalistas, banqueiros, historiadores, penalistas, médicos, cientistas, militares e, final e inevitavelmente, um psiquiatra que, por sinal, até teria muito a acrescentar à discussão se nos quisesse explicar as razões desta impotência de que padece tanta gente quando chamada a tratar do intratável.

Compreendem agora que não é disparate nenhum concluir que o futebol mete muito mais respeitinho aos seus transeuntes do que a política e os políticos aos seus cidadãos? Perante as belezas e os perigos dos vetustos monumentos da bola nacional e o respectivo cortejo de vénias e de salamaleques aos seus dons e aos seus doutores, qualquer primeiro-ministro não passa de um Zé.

Ah, valentes!

 

APROXIMA-SE o dia do FC Porto – Benfica, duas potências em conflito. O historial de desacatos, desordens e vandalismos que antecedem o jogo propriamente dito não deixa nenhum dos emblemas superiorizar-se moralmente ao outro.

Estamos nestes casos, sempre e tristemente, perante um caso de polícia sendo que a polícia, aparentemente, tem tanto medo destes delinquentes enfarpelados com as cores dos respectivos clubes, como certos intelectuais e empresários têm medo de comentar as escutas no Youtube, desde que as escutas digam respeito apenas ao emblema do seu coração.

Tendo frescos na memória os acontecimentos da última deslocação do Benfica ao Porto – em que o disparo de bolas de golfe para o relvado se acrescentou ao tradicional reportório de pedradas contra o autocarro da equipa -, Luís Filipe Vieira fez-se receber pelo ministro da Administração Interna e anunciou «uma grande surpresa» dando-se o caso do Vermelhão voltar a ser atacado.

A possibilidade de o Benfica dar meia volta e regressar a Lisboa foi imediatamente aventada e, depois, elogiada ou criticada conforme os afectos de cada um, o que é sempre o pior critério para avaliar situações deste género cívico e que nada têm a ver com a questão desportiva.

E lá voltamos nós à questão da impotência, agora do Estado, responsável pela segurança pública, quando o assunto mete o futebol e logo ao mais alto, ou ao mais baixo nível, como é precisamente o caso. Tal como num jogo de futebol a autoridade máxima é o árbitro, num país a autoridade máxima que vela pela ordem nas ruas, nas estradas e nas auto-estradas é a polícia.

Na noite de passada terça-feira, em Génova, deu-se um caso curioso e exemplar. Estava marcada a realização do jogo Itália – Sérvia, de qualificação para o Euro – 2012, mas o comportamento dos adeptos, nomeadamente os sérvios, foi de tal modo criminoso que o árbitro, um escocês chamado Craig Thomson, perante a incapacidade policial em dominar os vândalos, resolveu suspender o jogo aos 6 minutos por não estarem reunidas as condições de segurança indispensáveis a um espectáculo público.

Não é de crer que a UEFA á condenar o árbitro por ter tomado a resolução do bom senso. Se uma coisa destas acontecesse em Portugal, o árbitro Thomson estava tramado até ao fim dos seus dias...

 

COM Paulo Bento, a selecção nacional voltou à normalidade. E isto já é dizer muito.

 

O Sporting queixa-se de ser perseguido pela Comunicação Social que não dá tréguas às mais insignificantes ocorrências do universo de Alvalade. Não tem razão o Sporting porque não há clube em Portugal que se ponha mais a jeito para os comentários dos analistas e até dos humoristas que são sempre os que mais fazem doer.

José Eduardo Bettencourt esforçou-se na última semana a dar entrevistas à RTP e ao jornal oficial do clube e ainda foi a Castelo Branco discursar num núcleo de simpatizantes locais. À RTP repetiu que a equipa de futebol estava «a um clique de distância» do sucesso, o que veremos se vai ou não acontecer, e que, pelos menos, o Sporting «nunca tinha ficado uma vez em 6.º lugar», o que é verdade. Também é verdade que o Sporting nunca ficou 32 vezes em 1.º lugar...

Ao jornal oficial do clube, o presidente regozijou-se pelo facto de já não ver «pessoas a rirem-se com as derrotas no balneário», o que é estranho. E em Castelo Branco afirmou que não podia dizer o que queria «para não ser ridicularizado no exterior».

O que também é verdade. Uma grande verdade.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:20

Outubro 07 2010

NA noite da passada segunda-feira, o simpático jogador uruguaio Jorge Fucile fez ao FC Porto em Guimarães precisamente a mesma coisa que umas semanas antes, no mesmo recinto, o árbitro Olegário Benquerença fizera ao Benfica.

Para quem ande distraído ou sofra de compreensão lenta, talvez seja necessário explicar melhor a ideia expressa no parágrafo anterior.

Tal como Olegário Benquerença, de apito na boca, enterrou o Benfica, na 4.ª jornada do campeonato, sonegando pontos aos campeões nacionais, Jorge Fucile, à 7.ª jornada, enterrou o FC Porto, que é a sua equipa, com uma exibição deplorável: numa desatenção sua nasceu o golo do Vitória de Guimarães, terminou o jogo mais cedo do que os companheiros porque foi expulso, e muito bem expulso, acrescente-se.

Fucile, ainda na primeira parte, rubricou ainda um outro momento que poderia ser fatal se o árbitro, Carlos Xistra, não tivesse deixado passar em claro a falta sobre um atacante adversário que cometeu dentro da sua área e que não foi sancionada com a grande penalidade que consta das leis do jogo tal como as conhecemos.

Tal como já lhe tinha acontecido na temporada passada, em Londres, no jogo com o Arsenal para a Liga dos Campeões, Fucile teve em Guimarães uma noite que gostará de esquecer porque foi altamente penalizadora para o seu clube.

Entre alguns benfiquistas mais versados no tema conspirativo das arbitragens, até há quem sugira que a expulsão de Fucile foi uma encomenda gritada do banco do FC Porto para o sempre obediente Carlos Xistra.

Qualquer coisa assim:

- Expulsa-nos lá o Fucile antes que ele dê mais cabo da equipa!

O que explicaria o momento dramático furioso de André Villas Boas, no fundo um grande canastrão, gritando junto à linha lateral a sua falsa revolta pela expulsão que tinha pedido. Ou seja, era para disfarçar.

Mas a coisa saiu-lhe mal porque o actor, como já referimos, também não é grande espingarda e o próprio árbitro acabou por se sentir incomodado coma péssima representação do moranguito que é como por aqui se chamam aos actores que estão em início de carreira.

Carlos Xistra, antes de lhe mostrar o cartão vermelho, ainda lhe recomendou:

- Menos, André, menos…

Mas foi em vão.

Também há quem defenda uma ideia contrária. É que não foi nada para disfarçar. André Villas Boas foi expulso para imitar José Mourinho, sua referência de palco. O problema aqui é que não é José Mourinho quem quer, só é José Mourinho quem pode, como o próprio, aliás, tão bem vem demonstrando ao longo de dez anos de carreira.

Depois enfim, aconteceu o que já se sabe.

O moranguito induziu-se por sua alta recreação num monólogo desastrado, clamou por imagens que lhe dessem razão, prometeu arrependimento público no caso de estar enganado e acabou sozinho em palco a meter os pés pelas mãos num ror de petulâncias que José Mourinho jamais assinaria porque ninguém o imagina a expor-se, assim, ao ridículo de ter de se desmentir a si próprio.

O desvario cénico por um empatezinho, para o qual o árbitro não foi tido nem achado, não acrescenta louros ao brasão de um treinador que segue isolado no comando da tabela com 7 pontos de avanço sobre os seus mais directos perseguidores e que ainda não perdeu um jogo oficial na corrente temporada.

Mas se não sabemos ainda se André Villas Boas tem mau perder, já é um dado adquirido que tem péssimo empatar.

Quanto às suas queixas sobre dois fora-de-jogo mal assinalados ao ataque portista, a que se juntou a voz sempre autorizada, quando se fala de árbitros, de Pinto da Costa, é o caso para lhe dizer:

- Peçam lá para repetir o jogo!

 

COMEMOROU-SE o centenário da República e um novo pacote de escutas do processo Apito Dourado foi disponibilizado no Youtube certamente com o intuito de acrescentar algum brilho cívico à efeméride.

O inevitável constrangimento de alguns opinantes leva-os a indignar-se muito com o assunto.

E, em nome da nossa República, da democracia que é de todos e das boas maneiras, que nem todos têm, reclamam um silêncio total sobre esse material não só porque é «ilegal» como também porque é feio escutar as conversas dos outros.

Discordo da argumentação. É muito importante para o triunfo dos ideais republicanos sobre a chafurda reinante tomar o povo conhecimento, por exemplo, da escuta do «nosso amigo juiz». Já ouviram?

Então vão ouvir como é que um juiz de um tribunal civil, trata como «o nosso amigo juiz», depois de passar uma manhã a ajuizar sobre uma questão que diz directamente respeito a um clube de futebol, finda a sessão pede, republicanamente, dois convites para ir ver a bola com o filho na tribuna presidencial de estádio do dito clube.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

Principalmente uma grande fraternidade.

 

CARLOS Martins foi chamado à Selecção Nacional por Paulo Bento, treinador com quem teve alguns conflitos quando ambos eram funcionários do Sporting.

As razões desses conflitos nunca foram bem conhecidas mas, se fosse hoje, com o código Costinha para vestuário e comportamentos já em vigor, certamente que não teriam acontecido porque quer Paulo Bento quer Carlos Martins só teriam a lucrar humana e profissionalmente com os ensinamentos e ditames do actual director do Sporting, tal como já estão a lucrar os jogadores que compõem o actual plantel de Alvalade.

Mas, para Paulo Bento e Martins, os tempos já são outros. E Carlos Martins merece, sem dúvida, a confiança de Paulo Bento porque está a jogar que é uma maravilha. É até estranho como é que um jogador com esta qualidade, que foi criado nas escolas de Sporting, está hoje ao serviço do Benfica…

Enfim, foi um que escapou para o clube rival ao contrário de alguns outros, também de excelente dimensão, que de Alvalade rumaram alegremente para um clube amigo, como Ricardo Quaresma, Varela e, mais recentemente, João Moutinho. Com certeza que são rapazes que não se vestem bem.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 18:21

Outubro 01 2010

O presidente do FC Porto disse esta semana que ao FC Porto «só falta o título dos túneis». É capaz de ter razão porque no caminho que levou o árbitro Augusto Duarte até sua casa, na Madalena, com as indicações preciosas e precisas que Pinto da Costa foi prestando ao condutor do veículo, qual GPS Dourado, nunca houve que passar em nenhum túnel.

Bendita seja a Madalena que não tem túneis, que alimentem suposições estéreis!

Mas se não tem túneis, pois tem rotundas. E por lá passaram. «Na rotunda, vem para baixo», disse.

E também tem edifício dos CTT. «Vai passar por uns correios» e «na rua larga vira à esquerda». Então tem correios e também tem uma rua larga e não tem sequer um mísero túnel?

E também passaram por outros lugares bem identificados pela voz monocórdica como convém ao GPS Dourado disponível no youtube para todos os automobilistas que não acreditem que não há túneis na Madalena.

«Tem uma escola do lado direito», «o senhor na Funerária, vira à esquerda», «vai passar nuns columbófilos», «vira à esquerda, sempre para baixo», «passa o Orfeão», «passa a Junta de Freguesia da Madalena», «a clínica dentária», «na rua larga vira à esquerda», «vai passar no Clube da Madalena», «tem uma tabuleta que diz Porto», «passa o estaleiro», «sempre para baixo, sempre para baixo», «tem uma seta que diz praia» até chegar «a uma casa iluminada» …

Incrível, não é? E nem um único túnel!

E, pronto, está explicada a razão que impediu o FC Porto de arrebatar o título dos túneis. Também não lhe faz falta nenhuma.

Eu, por exemplo, dispensaria bem o regozijo se visse o meu clube a ganhar o maldito campeonato das suposições estéreis numa enfiada de títulos, como o título da fruta, o título do café com leite, o título das viagens ao Brasil, o título do sprint de José Pratas, o título do marfim, o título do chefe da caixa, o título dos quinhentinhos…

 

O facto de não terem acontecido condenações no processo que ficou conhecido como Apito Dourado poderá explicar o actual regabofe no sector da arbitragem. É natural, é humana, e até pode ser subconsciente em alguns casos, esta pândega que não é mais do que a celebração do triunfo do estatuto de impunidade avalizado pelos tribunais civis.

E este, sendo o primeiro campeonato que se disputa depois do coro de absolvições de dirigentes e árbitros reputadamente promíscuos nas suas relações, não podia deixar de ser um campeonato muito, mas mesmo muito especial.

Pois se ninguém, foi de cana, o que era impensável, e nem uma simples irradiação desportiva emanou de tanta matéria de prova, como impedir este fartar de folia que tem vindo a marcar as primeiras jornadas da nossa Liga e que já obrigou o próprio Vítor Pereira, presidente do sector, a vir a terreiro meter os pés pelas mãos, que foi, precisamente, o que fez o árbitro Bruno Paixão, na ilha da Madeira, quando viu Rolando, o central portista, meter as mãos pelos pés na sua área?

Estes velhos protagonistas, dado que o tempo é de justificada descompressão judicial, dão-se a luxos que os põem a jeito das interpretações mais torpes.

Noticiada por um jornal generalista e até hoje ainda não desmentida por nenhum dos presentes, a madrugada de convívio de Bruno Paixão com Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto, e com José António Pinto de Sousa, ex-presidente absolvido do Conselho de Arbitragem da FPF, no bar de um hotel de Lisboa, depois de consumada a discutida arbitragem de Paixão no Nacional - FC Porto, só poderá fazer adivinhar, além da bonomia geral, uma próxima homenagem pública da AF Porto a Bruno Paixão, na sequência de idêntico preito em oportuna hora prestado a Olegário Benquerença.

Lamentavelmente, nunca a opinião pública conhecerá o teor dos diálogos entre Bruno Paixão, Lourenço Pinto e Pinto de Sousa visto que os tempos da perseguição policial e das escutas ilegais estão mortos e enterrados e não é de crer que, estando todos juntos na mesma assoalhada, tenham falado pelo telemóvel uns com os outros.

É assim a vida. Se há conversas que ficam legitimamente entre quem as conversou, outras há que nascem para saltar para a praça pública com a naturalidade das coisas naturais.

Por exemplo, no sábado passado, Olegário Benquerença que ficou de fora do calendário desportivo do fim-de-semana por razões sanitárias, aproveitou a mais do que merecida folga para receber uma nova homenagem. Sim, porque não há maior homenagem do que o desafio de ensinar os mais jovens a trilhar os bons caminhos de uma profissão, de um mister, de uma carreira.

Olegário Benquerença, na sua qualidade de émulo, ou seja, de modelo a seguir, a igualar ou a superar, respondeu afirmativamente ao convite do Encontro Nacional do Árbitro Jovem, organizado em Rio Maior pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol e foi dar uma lição a 60 árbitros com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos.

Como seria de esperar numa iniciativa pedagógica do género, as incidências do seu trabalho no último Vitória de Guimarães - Benfica mereceram a curiosidade da juvenil plateia de educandos que questionaram o educador sobre as sequelas desse seu estrondoso sucesso. O mestre, num incentivo claro à formação de herdeiros que não temam protestos de ninguém, respondeu: «Esta capacidade só está ao alcance de meia dúzia de predestinados. Não tenho dúvidas de que todos vocês gostariam de ser atacados como eu e os outros colegas porque isso significa que chegaram ao patamar mediático.»

Anda um pai a mandar o filho à escola (de árbitros) para isto.

 

O próximo Benfica - Braga promete. Mais do que em função do campeonato português, em função dos dois respectivos estampanços europeus desta semana. É verdade que o resultado do Benfica foi menos mau do que o do Sporting de Braga. Mas também é verdade que o Braga vai chegar à Luz com um dia a mais de descanso do que o Benfica. E estas coisas têm a sua importância. O Sporting que, por exemplo, lamentou ter dado tantos dias de descanso ao Benfica antes do derby, vai agora jogar a Aveiro contra o Beira-Mar que tem quase mais uma semana de descanso do que os leões. São as contas…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 22:10

Setembro 23 2010

A BOLA referiu anteontem, com justo destaque, que «desde 1976» não se via no campeonato português «um arranque tão fabuloso» como o arranque do FC Porto nesta prova de 2010/11. Cinco vitórias nas cinco primeiras jornadas e quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, o Vitória de Guimarães, eis o registo actual do FC Porto que só encontra paralelo na competição de 1976/1977, com o Sporting, de Jimmy Hagan, que, à quinta jornada somava o mesmo número de pontos de avanço sobre o segundo classificado, o Varzim.

Francamente, não me lembro. Passaram-se 34 anos entre as duas proezas e, sendo o Varzim o segundo classificado no Outono de 1976, nem consigo imaginar em que lugar da tabela navegava o Benfica. Seria o terceiro? Ou estaria em oitavo, como está hoje, ou estaria na décima quarta posição, como estava na semana passada?

Não importa, o que lá vai, lá vai.

O que importa é a classificação final desse campeonato de 1976/1977 que deve ter sofrido uma grande reviravolta a meio do percurso, visto que o Benfica foi o campeão, acabou no primeiro lugar, com 9 pontos de avanço sobre o Sporting, o segundo classificado. Quanto ao Varzim, depois de um arranque não menos espectacular, quedou-se por uma bastante honrosa sétima posição, a 20 pontos do campeão nacional.

Ao longo da sua história secular, o futebol teve sempre destas reviravoltas surpreendentes.

Ainda no domingo passado, por exemplo, no Estádio da Luz, o paraguaio Óscar Cardozo que, há menos de quatro dias, tinha sido declarado persona non grata pela exigente plateia da casa, acabou com as más-línguas despachando, sozinho, o Sporting com dois golos muito bonitos e que deixaram a multidão de ingratos ao rubro. Ao rubro, certamente, de corados pela vergonha recente que é a de assobiar um jogador do Benfica por mais inapto que seja, o que, ainda por cima, não é o caso.

De acordo com as investigações estatísticas da concorrência, Cardozo é o avançado mais eficaz do Benfica dos últimos 30 anos. Ou seja, quase desde aquele campeonato em que o Sporting entrou triunfalmente e o Benfica acabou por ganhar, não se via na Luz um homem-golo tão produtivo e regular.

Ainda assim há quem não esteja satisfeito. Ouvi, na noite de domingo, censurá-lo por não ter feito um hat-trik que ‘estava perfeitamente ao seu alcance’. Ora isto é dar importância de menos ao Cardozo…

Entre os assobiadores arrependidos, também ouvi censurar Jorge Jesus por não ter tirado Cardozo a cinco minutos do fim ‘para receber os aplausos da concórdia’. Gente com remorsos tem sempre tendência para efeitos dramáticos espectaculares…

Fez bem Jorge Jesus em ter deixado Óscar Cardozo em campo até ao fim do jogo. Quem sabe se não fazia mais um biscate e marcava mesmo o terceiro golo… por causa das dúvidas.

 

PAULO BENTO é o novo seleccionador e, lamentavelmente para ele e para o bom nome da Federação Portuguesa de Futebol e da Selecção Nacional, não entrou pela porta grande como devia e como mereceria qualquer técnico convidado a desempenhar um cargo de tamanha responsabilidade.

Imagine-se uma situação em que um indivíduo, depois de passar meia hora a contar anedotas parvas, resolve pôr-se com conversas responsáveis e profundas. Torna-se difícil levar a sério semelhante polivalência de reportório, não concordam?

E é este, precisamente, o óbice que marca a entrada do novo seleccionador ao serviço da FPF. Paulo Bento, inocente, vê-se na posição do assunto sério que chega depois da anedota parva e que vai ter de carregar o fardo da risota para o qual não contribuiu e que, certamente, dispensava.

A expedição da FPF a Madrid para contratar José Mourinho para os próximos dois jogos da Selecção Nacional foi a anedota, como já terão adivinhado. Mourinho e o Real Madrid foram os protagonistas forçados da laracha e lá se desenvencilharam, sem perder a compostura, o que deve ter sido difícil, dos rogos da patriótica comitiva lusitana que foi pedinchar ao melhor treinador do mundo e ao clube mais poderoso do mundo uma atençãozinha, em part-time, em favor da malta desnorteada da ponta ocidental da Ibéria.

A imprensa espanhola foi bastante impiedosa com a anedota portuguesa e tratou o assunto abaixo dos malucos do riso, não era para menos. Não há pãp para malucos, foi só o que lhes faltou dizer e escrever.

O pormenor do convite a José Mourinho ser só para os dois próximos jogos, já neste Outubro, com a Dinamarca e com a Islândia, pode, no entanto, ser passível de várias interpretações. Umas de foro do calculismo frio e mais racional.

Como é do conhecimento do público em geral, Gilberto Madaíl despediu Carlos Queiroz e, aparentemente, despediu-se também a si próprio, anunciando a convocação de eleições para os órgãos sociais da FPF. Seria da máxima conveniência para a actual Direcção da FPF uma recandidatura engalanada com a bandeira de José Mourinho, mesmo em regime de biscate, até porque, depois dos dois jogos de Outubro, a selecção só voltará ao trabalho a sério no mês de Junho de 2011, recebendo a Noruega em jogo do Grupo H de qualificação para o Europeu de 2012.

Felizmente, Mourinho não faz biscates. Boa sorte, Paulo Bento. E muita, muita paciência.

 

NO domingo, enquanto a Luz e o País inteiro se preparavam com furor para mais um clássico, jogou-se por todo o País, discretamente, a segunda eliminatória da Taça de Portugal em que se viram envolvidas apenas equipas das divisões secundárias. Um jogo houve que nos disse respeito. O Centro Desportivo de Fátima, jogando em casa, eliminou o Clube Oriental de Lisboa, por 2-1. E disse-nos respeito porquê? Questão efectiva, obviamente.

Frente a frente, na qualidade de treinadores principais, encontraram-se Diamantino e Carlos Manuel que, na década de 80 do século passado, juntos e ao vivo fizeram vibrar o terceiro anel, o segundo anel e o primeiro anel. E isto é dizer muito como compreenderão. O resultado final, para o caso, tanto faz. Ganhou o Diamantino ao Carlos Manuel, para os que se interessam por essas coisas. Por mim, ganhavam os dois. Viva o grupo do Barreiro!

PS: A ‘Operação Vindima’ continua, o que não surpreende porque estamos no Outono, tempo de encher os lagares para garantir um Inverno tranquilo. Até o bom do Rolando ficou chocado. Maior do que a sua desfaçatez de jogar a bola à mão dentro da sua área, foi a desfaçatez do grande Bruno Paixão que mandou seguir para bingo. Enganou-se. Sou pelo profissionalismo total dos árbitros no futebol profissional. Isto de andarem a fazer biscates ao fim-de-semana tem de acabar.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 17:45

Setembro 16 2010

“Pelo fim de Setembro, as vindimas constituem uma das mais importantes actividades agrícolas do país”.

in ‘almanaque Borda d´Água’

 

“Cacho aqui, cacho ali, untava em cada vindima uvas suficientes para atestar dois lagares”.

João de Araújo Correia, ‘Terra Ingrata’

 

“Por esta altura o Douro é um frenesi de vindima”.

Eça de Queiroz, ‘A cidade e as serras’

 

“Lá no Norte, se alguém perguntar ‘oh filho da puta, tudo bem?’ ninguém vai achar que está a ofender a mãe. Se aparecer alguém que se tenha ofendido com isso…

Pinto da Costa, declamador de poesia

 

«SOBE o pano. Uma mesa comprida no centro de uma sala. Uma meia dúzia de personagens em mangas-de-alpaca exibe grande agitação. Há alegria no ar. A cena passa-se algures lá no Norte, naquela região demarcada onde se alguém perguntar ‘oh filho da puta, tudo bem?’ ninguém se ofende porque é um trato entre amigos que se respeitam…

 

- Silêncio! Silêncio, façam o favor de se manterem em silêncio porque temos de dar início aos trabalhos!

 

Impossível, no entanto, cumprir a ordem do primeiro orador. Há um frenesi delicioso à volta da mesa. Todos os filhos da puta falam ao mesmo tempo e estão mais interessados em ouvir-se do que em ouvir os outros. É natural que assim seja, sendo humanos padecem do pecadilho da vaidade e todos têm muito sobre que se gabar.

 

- Siiiiilêêêêêncio!

- Está boa, está! Essa do silêncio está impecável, até faz lembrar o secretário Laurentino a dizer que só quer ouvir o barulho dos adeptos e que não quer ouvir outros barulhos!

 

Os filhos da puta presentes parecem que foram impulsionados por uma mola. Saltam das cadeiras onde mal se tinham sentado e prestam uma grande ovação espontânea ao supra-referido secretário de Estado da Juventude e Desportos. Depois voltam a sentar-se, já mais calmos.

 

- Ora bem, não haja dúvida que foi muito bem metida!

- Ora bem, o excesso de zelo nunca fez mal a ninguém…

- Vamos lá então falar do que aqui nos trouxe… a Operação Vindima!

- Viva a Operação Vindima! Viva!

 

Gritam todos os filhos da puta presentes e trocam entre si fraternais apertos de mão e formidáveis palmadas nas costas.

 

- Ai, tenha lá cuidado com isso que o fato é novinho!

- Mas não lhe custou a comprar…

- E assenta-lhe na perfeição. O meu amigo está uma elegância!

- No que diz respeito à Operação Vindima…

- Está a ser um êxito, nunca pensei que corresse tão bem, parabéns a todos os presentes!

- Calma, muita calma porque, ao contrário do que disse ainda há momento o nosso estimado filho da puta do fundo da mesa, há situações em que o excesso de zelo pode fazer mal…

- Carago, vocês nunca estão satisfeitos! Então se a Operação Vindima foi sonhada para que o Benfica fosse arrumado antes do início da época das vindimas e as coisas já estão como estão, o que é que vocês querem mais?

- Queremos menos! Isto assim começa a dar muito nas vistas, não se pode sonhar tão alto…

 

Um coro de protestos ressoa pela sala. É o que acontece sempre que funcionários diligentes se vêm repreendidos em nome da diligência.

 

- Isto é incrível! Os passarinhos já estão a 9 pontos, os lagartos ainda estão vazios e vêm agora dizer-nos que estamos a exagerar! Mas não era este o objectivo da Operação Vindima?

- Faço minhas as palavras do caríssimo filho da puta anterior…

- Faça o favor de não me insultar! Eu não sou caríssimo, sou baratíssimo!

- Ordem na mesa! Silêncio! Eu quero saber quem é que teve a triste ideia de inventar uma homenagem ao desgraçado do árbitro, que é apenas humano, antes do jogo dos coitadinhos em Guimarães!

 

Fez-se pela primeira vez um silêncio que deu lugar a um vago murmúrio geral. Mas ninguém se acusou. E, mais importante ainda, ninguém acusou ninguém. Até que uma voz apaziguadora se fez ouvir.

 

- Oh meus filhos da puta, não nos vamos zangar por uma coisa destas!

- E por que não? Se alguém se zangar por causa de uma coisa destas até seria muito bom. Amua um bocadinho em público por razões misteriosas e depois, é o nosso candidato à presidência da Federação Portuguesa de Futebol!

- Isto não é genial! Isto ultrapassa todos os limites da inteligência humana!

- Então, no é que ficamos? Zangamo-nos ou não nos zangamos? No meu entender o nosso objectivo principal neste preciso momento é garantir o sucesso da Operação Vindima! E nem temos que fazer nada, basta sonhar para que as coisas aconteçam.

- Pois, mas isto da homenagem ao árbitro foi um bocado demais. O que é que se faz agora ao rapaz?

- Não se faz nada. Quando ele estiver perto do fim da carreira vai com certeza arbitrar um jogo do Benfica e, como errar é humano, se Deus quiser há-de enganar-se numa decisão e o Benfica há-de ganhar o jogo graças a um penalty que só ele é que descortinou…

- Brilhante, meu estimado filho da puta! E depois fica para a História como um árbitro-lampião!

- E os mouros a estrebuchar!

- E o rapaz não pode ir já no domingo apitar o Benfica-Sporting?

- Arre que você é burro todos os dias! Então não percebe que, por ora, precisamos dos lagartos. A Operação Vindima, para ter êxito, não pode vindimar a Segunda Circular toda ao mesmo tempo. Carago, Lisboa é Lisboa!

- Ainda se o Sporting fosse da ilha da Madeira, como o Marítimo…

 

Os convivas irrompem em nova manifestação de alegria. Com os seus sotaques abertos do Norte deitam-se a imitar o sotaque fechado das ilhas e o resultado é estrondoso, ainda que imperceptível. (Nota: são precisos actores muito talentosos para representar convenientemente esta cena.)

 

- Eu só espero que ninguém se lembre de homenagear o rapaz que vindimou o Marítimo no jogo com o Paços de Ferreira!

- É para aprenderem!

- O rapaz já esteve impecável no Benfica-Académica! Merecia uma homenagem.

- Cale-se com porcaria das homenagens, já basta a homenagem ao outro e sempre gostava de saber quem foi o estimado filho da puta que teve a ideia.

- Mas o outro mereceu mesmo ser homenageado. Eu quando o vi a dar o amarelo ao Javi García lembrei-me logo do José prata a fugir atrás dos rapazes todos e nem um amarelo mostrou!

- Para mim foi o melhor momento do jogo! Foi uma satisfação muito grande. Sete cartões amarelos!

- Parecia que estavam com icterícia!

- Genial!

- Por falar em icterícia, no meu entender, o Marítimo há-de ir direitinho para a Liga Orangina. E antes do Natal!

- Por amor de Deus, não se ponham com prazos! Isto da Operação Vindima já está a dar muita bandeira…

- Para o Marítimo havia-se de fazer uma Operação São Martinho, que é a 11 de Novembro.

- E para o Sporting?

- Os lagartos, neste momento, até dão jeito porque ajudam a revolver a terra.

- Isso são as lagartixas!

- E nós não queremos fazer nenhuma horta!

- Mas queremos fazer o Horta!

 

“E brindam, uma vez mais à agricultura. Desce o pano”.

‘A Operação Vindima’ Autor anónimo

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 22:46

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