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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

Kong! Kong! Kong! (Afonso de Melo)

03.05.12, Benfica 73
Como no filme de Peter Jackson, os selvagens gritam histéricos pelo nome do macaco grande ao mesmo tempo que lhe oferecem jovens donzelas na tentativa de lhe acalmar as fúrias: KONG! KONG! KONG! Os selvagens formam uma turba insana. Vomitam ódio e desespero. Cospem insultos e ameaças. As ordinarices são comuns a todos: homens, mulheres, crianças, velhos... Seguem a cartilha de Chefe Palhaço que admite tratar os melhores amigos como se fossem filhos das mais reles das rameiras. É (...)

O criador (Afonso de Melo)

02.05.12, Benfica 73
O Criado é submisso. O Criado obedece. O Criado ladra quando o Palhaço manda ladrar. O Criado é sinistro: cola-se às sombras dos túneis de onde surge para insultar e agredir. Os túneis são um vício: têm recantos escuros, e humidade, e visco. Eles gostam de túneis: sentem-se bem em lugares onde passam despercebidos e atacam pela calada; lugares onde não há testemunhas das suas acções cobardes. Eles são como fungos: a sua violência começa por ser silenciosa, mas espalha-se (...)

O Madaleno vem à cidade (Afonso de Melo)

02.05.12, Benfica 73
O Madaleno está feliz. Volta e meia, o Madaleno está feliz porque vem à cidade. Parolo, semi-analfabeto, põe-se à estrada cantarolando musiquinhas ordinárias e recitando poemas que não sabe e nem sequer sabe que não sabe. A alegria do pacóvio estende-se à comitiva que o acompanha. Todos eles vão soltando umas porcarias avulsas à medida que a carroça range pela velhinha Estrada Nacional 1, valentemente puxada por uma junta de vacas, uma raça cachena e outra barrosã, animais (...)

Acuso!!! (Afonso de Melo)

18.04.12, Benfica 73
Acuso os Homenzinhos de Cócoras de serem venais! Acuso-os de enriquecerem num País de pobres exercendo miseravelmente o que nem sequer é a sua profissão. Acuso-os de serem autistas, cobardes e mentirosos. Acuso os Homenzinhos de Cócoras de inventarem cabalas sem nunca apontarem um culpado nem assumirem uma vítima. Acuso-os de uma insuportável vaidade, logo eles que são grotescos, incultos e trapaceiros! Acuso-os de serem o braço salvador de D. Palhaço, Imperador dos Corruptos, e (...)

Os velhos senhores (Afonso de Melo)

13.04.12, Benfica 73
«La Vecchia Signora»: a velha Senhora. É assim que lhe chamam. Poderia haver alcunha mais sinistra para um clube? Não é fácil encontrá-la. A Velha Senhora é o clube do poder. Não do poder eleito, mas do poder constituído. O poder das grandes famílias: o velho poder. A história da velha senhora é uma história muito antiga, cheia de episódios macabros. A Velha Senhora tem o armário cheio de esqueletos. houve tempos em que os patrões da Velha Senhora eram, simultaneamente, (...)

Pereira não dá pêras (Afonso de Melo)

06.04.12, Benfica 73
Ao almoço me dão pêras Ao jantar pêras me dão Ao lanche pão com pêras À ceia pêras com pão  Ia assim a lengalenga da nossa infância. Ia assim o enjoo. Mas pior ainda se Pereira não dá pêras e enjoa na mesma. Pereira vomita sentenças, vela ameaças, solta fel. Os frutos é que não se vêem.  Pereira está aflito, tem medo. Atrás de si uivam os lobos famintos e, na escuridão húmida dos túneis, o Madaleno alimenta os fungos que o hão-de devolver à sua tristonha (...)

De maçon a garçon ( Afonso de Melo)

14.03.12, Benfica 73
O copiador de Livros Alheios, talvez cansado de roubar parágrafos e piadas a autores estrangeiros, decidiu desta vez dedicar-se à nobre arte da culinária, transformando-se num mestre-cuca ridículo, tão parolo como daquela vez que meteu na cabeça ser de bom tom passear a grotesca carcaça pelo Parque Eduardo VII em dia dedicado à bibliografia com o enrugado pescoço de peru embrulhado num cachecol de um clube mais conhecido pelos seus feitos no campo da corrupção do que (...)

Slides de meia-tijela (Afonso de Melo)

25.02.12, Benfica 73
O palhaço abriu a boca e babou-se, como costumava fazer sempre. Mirou as paredes coloridas como se observasse com atenção a fachada de um palácio à moda do bovino que de facto é. Viu barrigas proeminentes multiplicarem-se em seu redor, com os seus proprietários exibindo orgulhosamente umbigos e pêlos repelentes. Um desses animais, tatuado por todo o peito descaído, ensaiava a saudação nazi. Mais por vicio do que por outra coisa qualquer, o Palhaço esticou o braço e respondeu (...)

O Gnu (Afonso de Melo)

17.02.12, Benfica 73
De tempos a tempos, geralmente mais sobre o final do ano, as televisões fazem umas reportagens sobre o bicho. E os jornais, por simpatia, publicam-lhe os mugidos entaramelados. Por isso, de repente, vemo-nos frente a frente com o seu olhar de carneiro mal-morto, as pálpebras desencontradas, tapando meia córnea, deixando-nos da dúvida se o animal dorme ou se já se debate nas vascãs da agonia. Por esse olhar semicerrado é possível traçar-lhe a obtusidade do raciocínio. (...)

O fungagá da bicharada

21.12.11, Benfica 73
A meio da manhã, ainda entontecido pelos vapores do álcool da véspera, o Madaleno espreguiçou se vigorosamente abrindo mais uma costura do seu velho roupão turco. A semana tinha sido agradável.    Apesar das queixas de parte da empregadagem de que já faltava dinheiro para as côdeas, o colchão da palha às risquinhas, oferecido pelo seu compincha de Manzanares na (...)