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Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

Comer e calar

11.02.11, Benfica 73

Muitos sectores da sociedade começam a soçobrar ao mediatismo que tomou conta das relações humanas. A Internet e os meios digitais, a troca da ética pela sobrevivência a qualquer preço e os 15 minutos de fama dominam estratégias e atos, degenerando, não raro, em pesadelo. Quanto maior é a notoriedade, mais perto se anda do precipício.

O Benfica é um caso paradigmático desta bipolaridade. Vive para o sucesso, aumenta a notoriedade em todas as ações, mas gera anticorpos na direta proporção e está sempre debaixo de fogo. Os adversários enfrentam-no com a adrenalina a tope, os adeptos contrários cultivam-lhe ódio de estimação e toda e qualquer conquista desportiva sempre dá origem a manifestações de descrédito e contestação – as quais nos últimos tempos vêm degenerando em violência com regularidade infame.

Cenas de pugilato, vidros partidos, cargas policiais, processos, castigos, controvérsia, baixaria – o Benfica surge invariavelmente no epicentro das páginas mais negras de uma comunicação social que, fazendo o que lhe compete, acaba por subverter o preconceito de igualdade de tratamento, em número de páginas, em panóplia de câmaras, em horas de telediscussão – condenando o Benfica à inevitabilidade de comer e calar.

Uma coisa são as estaladas de Jesus no centro do relvado da Luz em direto, outra completamente diferente uma queixa por alegada brutalidade policial contra mulheres e crianças, sem documentação visual. Mas em ambas o Benfica é surpreendido, mas responsável por negligência.

Nos episódios em que os benfiquistas encarnam vilões, sobram testemunhos e o julgamento torna-se fácil, por vezes com contornos conspirativos, pois há sempre um ângulo que lhes compromete a boa-fé. Nos alegados incidentes em que tenta assumir a vitimização, a prova é sempre ténue ou inexistente, somando-se as queixas contra apedrejadores desconhecidos a colocar sistematicamente a imagem do clube numa posição quixotesca, ingénua e incoerente.

Lembrando as mais recentes: denúncia do Apito Dourado, apoio a um dirigente do FC Porto para liderar a Liga, boicote aos estádios adversários, luta pela credibilização do jogo, declaração do secretário de Estado “personna non grata”, apoio a Gilberto Madaíl, apoio a Carlos Queiroz, proteção especial para deslocações ao Porto, denúncia de brutalidade policial, apoio a claques com cadastro e não legalizadas. Um ziguezague permanente e estonteante!

Aprincipal marca de matriz portuguesa gere-se mal, tem dificuldade em antecipar problemas e deixa escapar o controlo das situações, conseguindo deixar-se surpreender pela estratégia dos opositores, normalmente muito básica. As consequências violentas do radicalismo das emoções fermentam há muitos anos: o clube, a sigla SLB, os símbolos e, de uma forma mais genérica, os sulistas são insultados e até alvos de cantorias xenófobas e racistas (“mouros” é o mínimo) por algumas claques proeminentes – esteja ou não o Benfica a atuar nesses recintos. É, pois, um enigma a razão de nunca ter feito a respetiva denúncia na sede própria, o Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto.

Autor: João Querido Manha
Fonte: Record