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Benfica em Angola

12.11.10, Benfica 73

O Benfica ganhou em Angola um jogo que do ponto de vista do clube da Luz só poderá ter sido motivado por interesses financeiros.

Luis Filipe Vieira falou em laços de afetividade que o seu emblema não poderia ignorar, é verdade, mas obviamente nunca seria só por isso que aceitaria um encontro em Luanda numa altura da época que coincide com um ciclo decisivo para o Benfica.

Sendo assim, uma verba superior a 1 milhão de euros e eventualmente a perspectiva de outros negócios, fizeram o Benfica passar por uma longa viagem (15 horas de voo no total) um choque climático (dos 17 graus de Lisboa para os 33 de Luanda) e correr riscos desnecessários (lesões, nomeadamente).

Acresce o facto da deslocação a África seguir-se ao maior vexame desportivo que o Benfica sofreu nos últimos anos. A coincidência até pareceu castigo.

E talvez também por isso não se viram sorrisos encarnados no relvado do 11 de Novembro. Nem a alegria do povo angolano os contagiou, nem os golos marcados ou a entrada e saída de campo de Mantorras no jogo da despedida no seu país animaram o estado de espírito de uma equipa que vai demorar a sarar as feridas do Dragão que abriram outras que estavam disfarçadas.

Vieira ainda não se pronunciou sobre o desastre do Porto, mas não é difícil imaginar o que lhe vai na alma. Relatos de quem lhe é próximo dão conta do duro golpe que sentiu. Sair humilhado do Porto era tudo aquilo que Vieira não admitia.

Mas se o presidente encarnado esconde a vergonha, há quem não consiga calar o desconforto pela situação. Luis Nazaré, ao criticar a estratégia de Jesus para o clássico – por muita razão e autoridade que tenha – devia saber que neste meio (e especialmente no clube que representa como figura máxima) a crítica nos momentos maus é sempre interpretada de forma enviesada por quem vive com códigos de honra que não toleram ingerências. Na linguagem de Mourinho, de certeza que alguém já lhe marcou uma cruz.

Autor: António Magalhães

Fonte: Record