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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

Sonhei por Bagão Félix

21.10.10, Benfica 73

HÁ dias, tive um sonho. Numa peregrinação onírica aos programas televisivos sobre futebol, usufruí um Tempo Extra que me permitiu um Prolongamento com Mais Futebol para o Dia Seguinte, dei um Pontapé de Saída no Jogo Jogado, entrei na Zona Mista e, para meu espanto, deparei com o Trio d’Ataque. Nessa altura - eu que até sou hipertenso - passei por Pressão Alta. Extenuado acordei de supetão.

Então lembrei-me do que alguém disse um dia: «A inflação acontece quando a mão fica maior que o bolso.» A proliferação de tantos programas comporta o perigo de a forma se superiorizar ao conteúdo. De tanto excesso, desvaloriza-se o valor.

Claro que há bons jornalistas e bons comentadores. E programas para todos os gostos e desgostos: uns sobre futebol, outros nem por isso. Uns antes, outros depois. Uns sobre o jogo, outros sobre tudo menos o jogo. Uns quase científicos, outros humorísticos. Uns divertidos, outros convertidos. Uns clubisticamente anódinos, outros insuportavelmente tendenciosos. Uns de régua e esquadro, outros de opereta bufa. Uns orientados pela razão, outros conduzidos pela emoção.

Mas o que menos suporto, em alguns deles, é a discussão compulsivamente enviesada à volta da repetição dez ou quinze vezes de um tal lance, falta ou golo. Passam-se horas a fio a falar do desamparado árbitro que errou ou acertou, depois de vistos e revistos em slow motion e imagem parada e ampliada, como se a realidade assim fosse. No fim, sobre o jogo - o tal que é jogado - nem uma palavra.

Nestas alturas, suspiro pela próxima Liga dos Últimos que me diverte e me ensina. É que, afinal, o futebol é genuinamente popular e assim deve continuar. No fundo, o regresso às (boas) origens: «O futebol: esse reino de lealdade humana exercida ao ar livre», como, nesse tempo, bem definiu Antonio Gramsci.

Fonte: A bola