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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

Boa imagem

06.10.10, Benfica 73

“Diz-me como vestes, dir-te-ei quem és.” Este velho aforismo parecia ameaçado com a globalização e com a tendência dos nossos jovens em copiar modelos mediáticos, independentemente do gosto e da lógica, mas afinal a igualização ainda consegue sublimar a diversidade. Não a que é ditada pelo poder do marketing, capaz de glorificar uns “jeans” de marca, mas de pouca qualidade, rasgados no joelho ou no rabo, debotados à pedrada e com as costuras à vista. Mas sim a que distingue inteligência, personalidade e equilíbrio, segundo a mesma lógica de discrição, bom senso e carisma, sem berrar aos olhos e ouvidos dos circunstantes.

Contudo, é muito difícil ter bom gosto num quadro de súbita abundância económica e míngua de referências educativas, que faz resvalar para o carro amarelo, a fatiota às riscas, as caracoletas na cabeça e o discurso pedante, para gáudio dos caricaturistas. A ideia de uma riqueza fátua anda de mão dada com o futebol, uma das raras actividades em que se ganha dinheiro antes de apresentar serviço, sem que as entidades empregadoras cuidem de provisionar o risco como seria de boa gestão.

As linhas norteadoras da actual SAD do Sporting, embora só esteja confirmada a proibição de uso de calças de ganga, vão de encontro a uma necessidade de afirmação que pode nortear a reconstrução de uma marca, neste caso ajustada a um clube sofrendo uma despromoção no espectro hierárquico a que ainda não conseguiu adaptar-se. O Sporting já não é o segundo clube do país, tem perdido bases, e talvez a opção mais vincada que nunca por um cariz elitista e demarcado lhe possa servir para reagrupar vontades, concentrar energias e recriar a boa imagem.

Nenhum processo é linear e, quando se trata de ajustamentos tão sensíveis como os que envolvem personalidades e egos das gentes da bola, os focos de tensão e clivagem são inevitáveis. O choque e estupor provocados pelas revelações deste jornal em relação à cartilha de Francisco Costa decorrem apenas de um ligeiro erro de cálculo: o que pareciam linhas gerais de comportamento, disciplinado e objectivo, acabou por revelar um cariz ridículo, na linha de algumas vestimentas do seu autor. Parecem-lhe distintas e padronizáveis, de acordo com um determinado estado de espírito (ou “cultura”), mas quando saltam do manequim para a carne e osso chocam-nos praticamente (em) todos os sentidos.

Para tudo é preciso habituação, como dizia o Pessoa, a respeito da Coca-Cola. Não restam dúvidas de que a continuar nesta linha, o Sporting acabará por despertar os seus adeptos para uma atitude de fato à medida, que os distinguirá de todos os demais sem envergonhar ninguém, deixando de ser necessário aos responsáveis esconderem-se atrás dos jogadores em momentos de aperto, como aconteceu no domingo.

Imagine-se que, ofendidos pelas gravações que vão aparecendo no YouTube, dirigentes, advogados e juízes associados às borlas nos jogos do FC Porto obrigavam os jogadores a saírem a terreiro a ameaçar os que lhes expuseram imagem tão asquerosa.

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