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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

Em 104 jogadores haverá, certamente, um defesa-esquerdo

30.06.13, Benfica 73

Foi o próprio Beto quem anunciou que estava de saída do Sporting por “razões pessoais”. Beto jogou dez anos em Alvalade o que faz dele uma figura com importância no clube. Roberto Severo de seu nome verdadeiro fica conhecido por Beto para todo o sempre. 
Espanta-me, aliás, como o antigo defesa central do Sporting foi na conversa de trocar um nome tão imponente e romanesco como Roberto Severo por um diminutivo que, sendo muito respeitável, nada tem de singular. 
Esclareça-se que o Benfica também teve o seu Beto, um brasileiro pouco dotado mas batalhador que durou duas épocas na Luz e que nunca caiu no goto dos adeptos, excepção feita a uma noite de Dezembro de 2005. 
Num momento raro de inspiração, o nosso Beto acertou em cheio no pontapé e marcou o golo sensacional com que o Benfica venceu e afastou o fabuloso Manchester United da Liga dos Campeões. Foi uma festa.
Quero eu com isto tudo dizer que há muitos Betos. E que há poucos Robertos Severos.
O Beto do Sporting teve a sua noite negra num jogo com o Benfica do campeonato de 1998/1999. Fez dois autogolos, é obra. 
Como o Benfica ganhou a partida precisamente por 2-1 imagine-se o impacto que o duplo infortúnio do defesa do Sporting causou em todos os segmentos da vida nacional nos dias que se seguiram ao derby. Já lá vão alguns anos.
Nem o presidente do Benfica à época se conteve como lhe competia. Pouco tempo depois do dito clássico, visitando os jogadores do Benfica num estágio da selecção nacional, Vale Azevedo cruzou-se com Beto, também ele convocado, e atirou-lhe com esta impiedade:
- Então como é que está o nosso goleador?
Foi um escândalo muito comentado no momento e o presidente do Benfica não se livrou de mil justas censuras pelo seu acto reflectido. Sim, reflectido.
Beto voltou a ser notícia no início desta semana quando tornou público o ponto final na sua relação com o Sporting. O ex-jogador desempenhou até à última segunda-feira as funções de director de relações públicas e internacionais. Foi suficientemente claro na sua breve alocução de despedida: “Esta decisão é da minha inteira responsabilidade”, disse. Como quem diz que saiu porque quis.
Não resisto a partilhar o comentário de um amigo meu, João Gonçalves, benfiquista até mais não, quando se soube que Beto ia sair do Sporting.
- Pronto! Agora já pode ir finalmente para o Real Madrid!
Os mais novos provavelmente não se lembram mas durante defesos a fio, ano após ano, os jornais foram noticiando em maiores ou menores parangonas que Beto estava à beira de assinar pelo Real Madrid, o que nunca acabou por se verificar.
Vem tudo isto a propósito disso mesmo. Das notícias do defeso e do desfilar de nomes de jogadores a contratar pelos clubes, sendo que a resolução dos hipotéticos negócios está quase sempre “presa por detalhes”, pelo menos até ver.
Lisandro Lopez, por exemplo, um defesa central argentino que o Benfica procura contratar ou já contratou tem sido protagonista de mais uma novela de Verão. Durante três semanas a transferência esteve presa por detalhes causando natural apreensão nos adeptos, por experiência própria acostumados a reviravoltas de última hora.
Por isso o melhor sempre é esperar para ver Lisandro Lopez chegar à Luz e começar a jogar o seu futebol. Dizem os adeptos do Arsenal de Sarandí nos desabafos de o ver partir que Lisandro Lopez é um grande jogador. 
Por norma, quando se trata de definir a competência ou mesmo a categoria de um jogador, acredito mais no coração dos adeptos a falar ao pé a boca do que nas radiografias técnico-tácticas dos especialistas todos juntos, incluindo os empresários da bola. Sendo parte interessada, não se lhes pode exigir imparcialidade sobre os produtos que colocam no mercado, não é verdade?

Já os adeptos falam por amor e não por interesse. E raramente falham nas suas apreciações porque sabem bem quem dos seus lhes deu tristezas e quem dos seus lhes deu alegrias. E o número de vezes também. Os adeptos contabilizam tudo e, por isso, são o único poço válido de informação.
A questão é que através das redes sociais e de sites do clube argentino, muitos foram os adeptos do Arsenal de Sarandí que lamentaram a saída do jogador tecendo-lhe os maiores elogios. Nem os vou transcrever para não dar galo. É que estas coisas, por muito que me custe admiti-lo, nem sempre são certas. 
Querem um exemplo? Quando Xandão saiu do São Paulo para o Sporting, os adeptos paulistas festejaram o acontecimento sem dó nem piedade fazendo prever o pior para a carreira europeia do longilíneo defesa central em quem, decididamente, não acreditavam.
Muito espantados devem ter ficado os más-línguas paulistas, poucos meses depois, quando viram o mesmo Xandão marcar um golo de calcanhar ao Manchester City, uma habilidade que correu o mundo e ajudou o Sporting a afastar da Liga Europa o iminente campeão inglês de 2011/2012. E, nesse preciso instante de calcanhar, naquele raro segundo, lá se foi também por água-abaixo a minha teoria de que os adeptos é que percebem de futebol e de futebolistas. E nunca falham.
Conclui-se, com o devido respeito, que os adeptos às vezes falham e que há jogadores que às vezes acertam.
Julgo ter explicado este meu desinteresse metódico por notícias de contratações de jogadores no período do Verão. São muitos nomes, muitas caras, e uma pessoa, inevitavelmente, baralha-se. Até porque não podem vir todos. Ou podem?
Pelos vistos podem. Na sua manchete de terça-feira, “A Bola” anunciava que Lisandro Lopez, o tal que deixou os adeptos do Sarandí em lágrimas, é o 104.º jogador com contrato com o Benfica para além de 30 de Junho.
Que excelente notícia para a temporada quer se aproxima. Em 104 jogadores haverá, certamente, um defesa-esquerdo.

José António Camacho foi despedido da selecção da China. É caso para se dizer que nem chegou a aquecer verdadeiramente o lugar, tal como aconteceu na sua funesta segunda passagem pelo Benfica. 
As agências internacionais que veicularam a notícia acrescentaram o facto de o treinador espanhol não ter somado nenhum triunfo nacional ou internacional ao seu currículo desde a já distante temporada de 2003/2004 em que, no comando do Benfica, conquistou uma Taça de Portugal e logo numa final com o FC Porto que dali a poucos dias viria a sagrar-se campeão europeu em Gelsenkirchen. 
Esta parte do “e logo numa final com o FC Porto que dali a poucos dias viria a sagrar-se campeão europeu em Gelsenkirchen” foi um acrescento meu, não constava do texto dos telegramas das agências noticiosas estrangeiras. Trata-se de uma questão de pormenores que só para nós, portugueses, se reveste de algum interesse.
Camacho é um tipo bastante simpático que passou pelo Benfica e pelo futebol português sem deixar rasto de animosidade de espécie alguma. Mas confesso que o que me impressiona não é o caso de Camacho não ganhar nada desde a final do Jamor de 2004. È um problema dele. 
O que me impressiona é o caso de o Benfica não ganhar uma Taça de Portugal desde 2004 tendo apenas conseguido duas presenças em finais que perdeu, e muito justamente, para o Vitória Futebol Clube, em 2005, e para o Vitória Sport Clube, no mês passado. 
No ano de Trapattoni, o Benfica perdeu a final da Taça para o Vitória de Setúbal depois de uma semana intensa de festejos pela conquista do título nacional. 
Este ano, de novo no Jamor, o Benfica de Jorge Jesus perdeu a Taça para o Vitória de Guimarães exactamente pela razão contrária, isto é, depois de uma semana depressiva assistindo aos festejos do campeão nacional FC Porto.
Falta meio-termo ao Benfica, é o que me parece.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

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