Maio 30 2012

As coisas desagradáveis que os ex-treinadores têm de ouvir, às vezes…
Romelu Lukaku, o jogador belga do Chelsea, diz agora que nunca irá perdoar a André Villas Boas e Paulinho, o roupeiro do Sporting, diz agora que nunca mais estende a mão a Domingos Paciência.
Ora aqui está um balanço diferente, em jeito animoso, das duas interessantes e surpreendentes finais que marcaram a agenda de fim-de-semana de todos os que gostam de futebol, em Portugal e por esse mundo fora.
Lukaku, acabadinho de se consagrar campeão da Europa, acusou Villas Boas de não lhe passar cartão nos meses em que trabalharam juntos em Londres. “Não consegui aceitar o modo como fui tratado”, disse muito zangado.
Por sua vez Paulinho, que tinha marcado a sessão pública de lançamento do seu livro de memórias para o dia, hipoteticamente festivo, a seguir à final da Taça de Portugal, acusou Domingos Paciência praticamente da mesma coisa. Ou seja, de não lhe dar créditos pelo seu bom trabalho de décadas em Alvalade: “É muito feio um treinador meter-se no trabalho do roupeiro”, lamentou.
São apenas e só nestes protestos de Lukaku e de Paulinho, 24 horas depois dos jogos de Munique e do Jamor, que se consegue vislumbrar um paralelismo, um vaguíssimo ponto de similitude entre a final da Liga dos Campeões impecavelmente organizada pela UEFA e a final da Taça de Portugal, organizada pela FPF que, certamente por falta de parafusos, entregou à equipa vencedora um troféu desatarraxado, ainda que histórico.
Os dois grandes acontecimentos, salvaguardando as devidas distâncias mitológicas, calharam no mesmo fim-de-semana e como já há pouco futebol, estamos a entrar em época de defeso dos clubes, houve uma natural tendência geral para se deitarem todos, à falta de mais assuntos, a estabelecer comparações entre as duas finais, a europeia e a nossa.
Em termos de falta de parafusos não há comparações possíveis, que me desculpem os patriotas.
A taça da UEFA apresentou-se inteirinha, numa peça só, sem amolgadelas e a brilhar de todos os ângulos. A nossa taça foi aquela desgraça. Faltava-lhe um parafuso. Ou mesmo dois, quem sabe?
Em termos dos quatro guarda-redes em acção, as comparações também não são fáceis. Em Munique estiveram, provavelmente, os dois melhores números 1 do mundo. E ambos justificaram os seus galardões. Emanuel Neuer e Petr Cech deram os seus respectivos festivais nos 90 minutos, na meia hora de prolongamento e no desempate por grandes penalidades.
Devo confessar uma fraqueza: torci pela vitória do Bayern desde a primeira apitadela de Proença até ao momento, já à beira do fim, em que Emanuel Neuer avançou para marcar, contra o colega de baliza, uma das grandes penalidades no momento do ou-vai-ou-racha. 
Desejei imediatamente que falhasse. Não vejo nada de bonito quando um guarda-redes desfeita, no frente a frente dos 11 metros, sem nenhum obstáculo entre eles, um colega do mesmo posto. Mas Neuer não falhou e, miraculosamente, o Chelsea acabou por ganhar a taça com os parafusos todos.
No Jamor estiveram dois guarda-redes portugueses, Rui Patrício e Ricardo. E devo confessar o que, na verdade, até salta à vista. Torci pela Académica. E como se tratou de um jogo sem grandes penalidades, não houve qualquer hipótese para Ricardo se atrever a marcar um penalty ao seu colega Rui Patrício. Assim sendo, não mudei de clube como me aconteceu com a final de Munique, e estive pela Académica até ao fim do jogo.
Rui Patrício até é o melhor guarda-redes português. Mas no domingo, francamente, não parecia nada disso. Sofrer um golo de cabeça de um adversário com 1 metro e 66 e que ainda se pôs de joelhos para enfeitar melhor o lance não é coisa digna de um craque das redes como é Rui Patrício.
Em termos dos apostadores, as duas finais, na verdade, tiveram em comum o facto de terem ganho as equipas que, quer em Munique quer em Lisboa, não eram de todo as favoritas. Dizem que é por isso que o futebol é um desporto que arrasta multidões, por causa da imprevisibilidade, embora saibamos que haverá sempre imprevisibilidades maiores para uns do que para outros.
E isto também vale para os treinadores. Jupp Heynckes, por exemplo, nos dias que antecederam o jogo optou por não falar já como treinador da equipa vencedora e referiu-se sempre ao Chelsea com o respeito que lhe mereciam todos os jogadores da equipa adversária, elogiando-os a todos como adversários merecedores da maior consideração. Heynckes sabe muito que isto das imprevisibilidades toca a todos. 
Ainda que toque mais a uns do que a outros.
Sá Pinto, o treinador do Sporting, talvez por estar em início de carreira, foi menos arguto do que o já entradote treinador alemão. Antes do jogo, sentia-se no seu discurso a inspiração de um vencedor antecipado, o que se desculpa porque há meses que, em Alvalade, ninguém conferia qualquer estatuto de “imprevisibilidade” à Taça de Portugal. 
Mas ao contrário de Heynckes, matreiro, que em termos públicos olhou para a equipa adversária como um todo, Sá Pinto, nos mesmo termos públicos, só se preocupou com um jogador da Académica chamado Adrien. 
Era a tal a confiança do treinador do Sporting que, na conferência de imprensa de lançamento do jogo, entendeu ser aquela a altura certa e a ocasião propícia para ralhar com Adrien, que está emprestado pelo Sporting à Briosa, por ter furado o “black-out” decretado pela sua entidade patronal e, pior ainda, de o ter feito para manifestar o seu “optimismo” no que diz respeito ao desfecho do jogo.
Foi neste preciso momento que se começaram a desatarraxar sozinhos os parafusos do troféu… E quando Pedro Emanuel, altamente confrangido pela tirada do colega, se viu obrigado a quase pedir desculpa por “incutir optimismo” nos seus jogadores não restaram dúvidas que a Taça de Portugal de 2012 ia chegar estragada, em mau estado às mãos dos seus vencedores.
Foi este o problema de Sá Pinto: só se preocupou com o Adrien e esqueceu-se do Marinho. O problema do Heynckes foi diferente: não se preocupou com o Robben. A verdade é que ambos, sendo favoritos, perderam as suas finais do fim-de-semana e por isso há uma multidão de curiosos a estabelecer paralelismos entre os dois acontecimentos.
E há quem diga:
- Aconteceu ao Sporting o mesmo que aconteceu ao Bayern!
Não é verdade. É, aliás, uma grande mentira.
Sim, eram favoritos e perderam, todos admitimos. Mas, em termos de futebol jogado, o Bayern foi altamente infeliz no jogo (sofreu o empate a 2 minutos dos 90), no prolongamento (falhou uma grande penalidade) e nas grandes penalidades (foi o que se viu), enquanto o Sporting, mesmo perdendo, foi muito feliz no jogo e é caso para se dizer que foi melhor o resultado do que a exibição.
Espero, com todo o desportivismo, que no próximo ano a Taça de Portugal venha com os parafusos todos.
E, benfiquistas, animem-se: pelo menos a Taça da Liga vem sempre com os parafusos todos.

Querem ver que os nossos já tradicionais receios se confirmam e que o Ola John se vai transformar rapidamente no Adeus John?
Santa paciência.

Se o Abramovich mandar embora o Di Matteo é porque também não funciona com os parafusos todos. Que isto sirva de consolação.

PS – Foi-se embora o Manolo Vidal, uma excelente pessoa, um cavalheiro a toda a prova, um grande dirigente do Sporting. Tinha muitos talentos. O humor era um deles. Recordo-o sempre como o único dirigente do futebol português que soube responder a Pinto da Costa à altura da provocação. O presidente do FC Porto referiu-se em termos depreciativos ao sotaque galego de Manolo e Manolo respondeu vincando-lhe o atributo do “sotaque siciliano”. Nunca nenhum jornalista teve curiosidade em perguntar a Manolo Vidal o que queria ele dizer com isso do “sotaque siciliano”. Mais um mistério que ficou por resolver no nosso futebol.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 00:41

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