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Toda a informação sobre o Glorioso

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A deriva do Benfica

10.05.12, Benfica 73

Aperta-se o cerco em torno de Jorge Jesus (JJ) e o silêncio dos actuais responsáveis em relação ao tema que povoa a comunicação social e as redes sociais diz (quase) tudo sobre o que se está a passar no Benfica: o treinador dos ‘encarnados’ está na corda bamba e o mais certo é que JJ acabe por ser despedido, não cumprindo o último ano de contrato que havia celebrado com o clube da Luz.

 

Se não fosse assim, há muito que os ‘altos comandos’ do Benfica já teriam encetado uma ‘task force’ no sentido da protecção do seu treinador. Aliás, se estivesse convicto de que o futuro do futebol do Benfica, a curto prazo, também passa por JJ, já o presidente dos ‘encarnados’ teria feito uma ‘comunicação ao país’, pelos canais que tem (sempre) à disposição. Ainda está a tempo de colocar um ponto final em toda a especulação em redor de nomes como André Villas-Boas, Rui Faria e Paulo Bento, mas, a bem dizer, esse ‘murro na mesa’ já deveria ter sido dado.

 

A entrevista publicada em ‘A Bola’, com Jorge Jesus a desmentir qualquer contacto estabelecido com o FC Porto, pode ser uma tentativa de o Benfica arrancar a confissão pública do seu treinador de que ‘não há nada com o Porto’, mas significa pouco mais senão isso. A menos que, sem pedidos de desculpa, surja o letreiro a dizer ‘a emissão segue dentro de momentos’... com Luís Filipe Vieira a acabar com todas as especulações, mas de forma um pouco mais convincente em comparação com o comunicado de 19 de Abril, no qual o Benfica se insurgia contra notícias que levantavam a possibilidade de JJ deixar o comando técnico da equipa no final da época.

 

O Benfica está a um pequeníssimo passo de garantir a presença directa na Champions da próxima época (através do 2.º lugar) e, neste momento, o foco não deveria estar no treinador, mas na estratégia que levou o Benfica a convencer-se de que tinha, finalmente, ‘quebrado os rins’ ao ‘sistema’. Como tem acontecido nas últimas épocas, e sem grande esforço, estando apenas atento à ‘agenda mediática’, quem está nos antípodas dos interesses do Benfica rebola-se com a inconsistência benfiquista, em palpos de aranha para gerir, interna e externamente, a situação.

 

Os comunicados, aliás, valem o que valem, como se pode inferir do episódio recente a envolver Manuel Sérgio, ex-responsável pelo Departamento de Inteligência, salvo seja, que-disse-não-ter-dito, apoiado em comunicado oficial, e ficar esvaziado depois de ter sido sonoramente contraditado. Este aliás foi um dos grandes problemas do Benfica ao longo de toda a época – a comunicação e a sua natureza.

 

Entre as botas cardadas, o ruído alucinante e o silêncio dos desertos, a postura itinerante e a perda de rumo. O Benfica não sabe se há-de gritar ou estar calado. Já tentou as duas coisas e talvez não se tenha dado conta que há uma alternativa: comunicar.

 

Jorge Jesus cometeu alguns erros, é certo, mas não se faça dele o conveniente bode expiatório. Foi a estratégia institucional que falhou. Rotundamente. E atenção às movimentações das claques, no sábado.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record