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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

Viva o 17 de Abril de 2042! (texto futurista por ocasião do 30.º aniversário de Pereira Cristóvão na presidência do Sporting)

24.04.12, Benfica 73

Valeu a pena?
Sim, valeu a pena.
Faz por estes dias 30 anos que Paulo Pereira Cristóvão assumiu a presidência do Sporting Clube de Portugal para conduzir o histórico clube com 136 anos de existência a um patamar único e sem rival em Portugal. 
30 anos, 307 títulos! - eis o cartão de visita do presidente Cristóvão no ano em que festeja 73 Primaveras e três décadas no comando da grande nau.
Feito notável. Pena que o consulado de ouro de Pereira Cristóvão tenha ficado a 1 título do registo do mítico Jorge Pinto Costa na presidência do FC Porto durante o mesmo espaço de tempo.
Entre 1982 e 2012 aquele antigo presidente do Norte do país conquistou 308 títulos. 
Entre 2012 e 2042 este presidente do Sporting conquistou 307 títulos.
Jorge Pinto Costa tinha 74 anos quando celebrou o feito. Paulo Pereira Cristóvão tem 73 anos na ocasião histórica que hoje celebra. Se Jorge Pinto Costa somou mais um título é porque tinha mais experiência. A experiência que advém de mais um ano de vida.
Estas contas só ao alcance dos predestinados têm vindo, no entanto, a provocar rumores de insatisfação entre a nação leonina.
Reclamam os sportinguistas mais exigentes, aqueles que por mais que ganhem nunca estão satisfeitos, que lhes faltam aqueles 2 títulos que estiveram à mão de semear para Paulo Pereira Cristóvão poder ultrapassar galhardamente o palmarés de Jorge Pinto da Costa, ficando, concomitantemente, o Sporting com 1 título a mais. 
Há até entre os notáveis do Conselho Leonino quem acuse o presidente, por se ter deixado adormecer na forma, pelas duas surpreendentes derrotas nas finais da Taça da Liga das temporadas de 2019/2020 e de 2034/2035, contra adversários perfeitamente ao alcance como o Eléctrico de Ponte de Sôr e o FC Porto.
O Eléctrico de Ponte de Sôr ainda vá que não vá… mas a derrota com o FC Porto teve aspectos intoleráveis pela grande rivalidade que passou a existir entre os dois clubes, mormente desde a extinção do SL Benfica, emblema lisboeta obrigado a fechar as portas em 2018 depois de uma sucessão misteriosa e fatal de treze incêndios que reduziram a escombros o seu Estádio da Luz e demais património mobiliário e também imobiliário.
A Taça da Liga já vai na sua 34.ª edição e, curiosamente, o Sporting, um verdadeiro papa-títulos em Portugal e no estrangeiro, apenas por uma vez conseguiu levar de vencida o cobiçado troféu. Foi na longínqua temporada de 2012/2013, logo no princípio do consulado de Pereira Cristóvão como presidente do clube, o adversário foi o Marítimo e o Sporting ganhou por falta de comparência dos madeirenses.
“Só conseguiram ganhar uma Taça da Liga na secretaria!” – regozijavam-se os benfiquistas, que ainda estavam activos à época. Mas regozijaram-se por pouco tempo. Logo sobrevieram de rajada os incêndios números 4, 5 e 6 no Estádio da Luz e passou-lhes imediatamente a vontade de rir. E o pior ainda estava para vir.
A verdade é que o Sporting ganhou a sua única Taça da Liga na secretaria. Mas o Sporting não tem culpa da falta de comparência da equipa do Funchal. O Marítimo não foi a jogo porque foi desqualificado da competição pelo Conselho de Disciplina da defunta Liga de Clubes.
E porquê?
Um vice-presidente do Marítimo que, incrivelmente, tinha acesso ao número da conta bancária de um fiscal-de-linha, sugeriu a um funcionário seu, antigo líder da claque “Esquadrão Maritimista”, que se metesse no teleférico para o continente e fizesse um depósito de 444.382.763 escudos (sim, tudo isto se passou no ano em que o euro passou a ser moeda antiga) na conta do dito fiscal-de-linha.
O propósito era coagir e incriminar o árbitro assistente afastando-o do próximo jogo do Marítimo que era a contar para a Taça da Liga contra adversário temível. Numa artimanha que soou genial ao seu mentor, a viagem de teleférico ao continente e o depósito dos 444.382.763 escudos numa agência bancária da Capital em nome do fiscal-de-linha destinavam-se a manchar a honra de um clube inocente.
A infantil tramoia foi rapidamente posta a nu por três jovens inspectores-estagiários da polícia nacional que nem precisaram de pedir auxílio aos inspectores mais velhos. Naturalmente, o Marítimo foi desqualificado da Taça da Liga e como já estava apurado para a final quando tudo veio a lume, a final desse ano não se realizou tendo a vitória sido atribuída ao Sporting, na secretaria, facto que não gerou a menor controvérsia.
Regressemos ao tempo presente que é de festa. 
O Sporting de Paulo Pereira Cristóvão lidera como de costume o campeonato, está nas meias-finais da Liga dos Campeões e se é verdade que foi mais uma vez prematuramente afastado da Taça da Liga, (cuja final se disputa no domingo entre os Pescadores da Costa da Caparica e o Eléctrico de Ponte de Sôr), também não é menos verdade que jogará já no próximo mês de Maio a sua 6.ª final consecutiva da Taça Cardinal no Arena-Jamor.
No calendário de provas oficiais do futebol português, a Taça Cardinal sucedeu à velhinha Taça de Portugal, prova pela última vez disputada em 2011 e nesse ano de despedida ganha pelo FC Porto. Foi naquele tempo em que o FC Porto ganhava tudo e de que só os mais velhos se lembram.
Neste ano em que se comemora o 30.º aniversário do consulado da presidência de Paulo Pereira Cristóvão no Sporting, significará esta 6.ª final consecutiva no Arena-Jamor a 6.ª vitória consecutiva dos leões?
No relvado do Arena-Jamor, herdeiro do velhinho Estádio Nacional, esplendorosamente reconstruido em 2016 com capitais angolanos, caíram aos pés do Sporting nas últimas 5 finais adversários como o Eléctrico de Ponte de Sôr (2037, 2038 e 2040), o Beira Mar de Monte Gordo (2039) e os Pescadores da Costa Caparica (2041).
Neste ano de 2042, no entanto, a final da Taça Cardinal vai ter o sabor de um velho e já esquecido clássico porque o adversário chama-se FC Porto. Longe, é certo, vão os tempos daquele FC Porto imperial de Jorge Pinto Costa a quem, por graça, se chegou a chamar de “Papa” tal era o seu apetite. Hoje o FC Porto não é o que era. 
Depois de Jorge Pinto Costa seguiu-se a presidência de António Salvador mas Salvador nem conseguiu completar o seu primeiro mandato. “Vai pró Braga!”, gritavam-lhe a toda a hora. Depois de Salvador, foi Rui Moreira ocupar a presidência mas as coisas também não correram bem e a culpa, dizia-se, era dos tecnocratas. Satisfazendo a velha guarda, foi então eleito Reinaldo Teles presidente e cumpriu dois mandatos com a dignidade que cabe a um simpático ancião. Mas sem vitórias o que gera contestação popular. Sucederam-se 4 comissões administrativas integrando uma plêiade de notáveis. Também sem sucessos.
Foi assim que, em 2027, congregando em si todas as esperanças, o antigo jogador do clube António Oliveira se fez eleger presidente do FC Porto. 
Tinha 75 anos e poderia ter sido um excelente presidente do FC Porto se o seu irmão Joaquim, de 84 anos, dono da empresa Olivedesportos, não lhe tivesse sabotado o mandato e as contas da tesouraria renegociando com o FC Porto o contrato de transmissões televisivas por um terço do valor do mesmo contrato com o Eléctrico de Ponte de Sôr. Foi o fim da macacada.
Hoje, por culpa destes 30 anos de Paulo Pereira Cristóvão no Sporting, levando tudo à frente de vencida, já ninguém sabe quem é o presidente do FC Porto. Ninguém sabe o nome de quem se vai sentar com Paulo Pereira Cristóvão na tribuna do Arena-Jamor. O actual presidente do FC Porto é um cidadão anónimo, ninguém lhe liga pevide.
Não admira. Pois se os mais jovens adeptos do FC Porto nem sequer sabem quem foi o presidente Jorge Pinto Costa. Nem lhe sabem dizer bem o nome. É trabalho dos portistas mais velhos explicar aos mais novos que, em primeiro lugar, não é “Jorge Pinto Costa” mas Jorge Nuno Pinto da Costa, tal como está escrito na frontada do antigo Aeroporto Francisco Sá Carneiro rebaptizado com o nome do antigo presidente portista em 2022, depois de sofrer obras de remodelação com capitais angolanos.
De volta à efeméride. Foi há 30 anos que Paulo Pereira Cristóvão assumiu a presidência do Sporting e tudo mudou no panorama do futebol nacional. O Benfica ardeu e extinguiu-se. E o FC Porto nunca mais conseguiu recuperar da guerra fratricida com a Olivedesportos. 
O último título oficial do FC Porto aconteceu na já distante época de 2028/2029 e soube a pouco: uma vitória morna na final da Taça da Liga frente ao Paço de Arcos, por 1-0, um golo do veteraníssimo Gonçalo Paciência, filho de um tal Domingos Paciência que foi muitos anos jogador do FC Porto e poucos meses treinador do Sporting. Dizia-se na altura que o pai Domingos tinha sido vítima de espionagem ao mais alto nível e que cedeu a posição quando confrontado com os factos, sendo que a natureza dos factos é ainda hoje desconhecida.
O importante é que o processo que, há 30 anos, levou Paulo Pereira Cristóvão à presidência do Sporting foi pão-pão-queijo-queijo. Não foi preciso raptar a equipa e levá-la para o pinhal de Leiria, como outros fizeram noutros pinhais em séculos passados. Não foi preciso sequer desautorizar e humilhar o presidente que estava em exercício. Também não foram precisas eleições. 
É caso para se dizer que Paulo Pereira Cristóvão fez-se presidente do Sporting só com a sua presença. Impondo-a com naturalidade e sem discussão perante os colegas dirigentes. 
Faz agora 30 anos que, para testar os outros e para se testar a si próprio, o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, qual Houdini, se fez desaparecer a si próprio durante 96 horas para, num golpe de magia, regressar triunfalmente, caindo com estrondo na sala de reuniões e fazendo desaparecer, envoltos em grande poeirada, todos os dirigentes do Sporting que lá estavam sentados. E ainda todos os dirigentes do Sporting do passado. E os do futuro também.
Foi o início de uma era. 
Não se pode dizer que foi o início de uma nova era porque, com toda a franqueza, de novo não teve nada.

Autor: Leonor Pinhão
Fonte: A Bola 

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