Fevereiro 20 2012

POR coincidência ou talvez não, Carlos Barbosa, o vice-presidente do Sporting responsável pelo marketing e comunicação, demitiu-se do seu posto no dia em que o Sporting convocou os jornais, as televisões e todos os boletins informativos da nação, para comunicar aos portugueses em geral e aos seus jogadores e equipa técnica, em particular, que a tesouraria do clube vive uma situação de falência técnica.

Ficará a dúvida sobre os motivos da demissão de Carlos Barbosa que, pelo seu currículo, jamais poderá ser considerado um amador ou um inapto destes domínios profissionais do marketing e da comunicação, como foi feito crer graças ao recurso às fontes anónimas de Alvalade.

E porque há coisas a mais que não fazem sentido algum no Sporting, poderia talvez fazer sentido a demissão do vice-presidente da comunicação por, eventualmente, discordar da divulgação pública dos resultados da auditoria externa nesta malfadada altura do campeonato.

>Fosse o Sporting o comandante do campeonato – e bastava isso… - , o impacto da divulgação da tal auditoria não tinha tido dimensão apocalíptica, como teve. Provavelmente ainda seriam os leões elogiados pela coragem da exposição pública de uma década de gestão ruinosa. E como o presidente do clube, numa conjuntura mais festiva, já previra receitas de 40 milhões «sem contar com a Liga dos Campeões», todo este drama que se verificou não teria passado de um fait-divers sem nada de ameaçador.

Aos adeptos em geral, independentemente dos afectos clubistas, dizem pouco estas novas sobre as contabilidades mais ou menos dramáticas dos clubes. Porque o que interessa é futebol e ninguém ama um emblema ou desespera com um clube por causa do brilho e da alegria que emanam do departamento da tesouraria.

Falência técnica é para o adepto da bola aquele momento em que entram em falência as capacidades do técnico. O resto são números tão absurdos, tão longe dos números da vida real, que melhor será entregar essas responsabilidades em mãos entusiásticas e, por regra, incompetentes.

No entanto, para os especialistas na matéria falência técnica é outra coisa. Pedro S. Guerreiro, director do Jornal de Negócios, explicou recentemente a situação: «Se o Sporting vender tudo o que tem (o activo) para pagar tudo o que deve (o passivo) ainda ficariam por pagar 183 milhões de euros. É isso que quer dizer falência técnica.»

Potenciada por uma série de resultados negativos, esta realidade fria dos números deitou abaixo o moral sportinguista? Pelo menos deitou abaixo o moral da equipa de futebol do Sporting que, no seu primeiro jogo depois da revelação da notícia, soçobrou em casa perante o Gil Vicente de um modo um pouco mais que chocante.

Seguiu-se a proeza nas meias-finais da Taça, frente ao Nacional, com pouco brilho e com os madeirenses a queixarem-se muito do árbitro. Mas também não é caso para andarem por aí a dizer que o Sporting, este ano, vai ganhar a Taça Pedro Proença. Depois, sem sair da ilha, novo tombo, desta vez com o Marítimo para o campeonato.

Será ilegítimo olhar para esta série de acontecimentos como uma sequência lógica em que, invariavelmente, cada facto suscita outro facto ainda pior?

O Sporting escolheu, na verdade, a pior altura para entrar decididamente em crise. Porque o mundo mudou, a banca mudou, as linhas de crédito estão fechadas e os tempos adivinham-se cada vez mais difíceis para todas as tesourarias. Em Portugal são muitos os clubes à beira de fechar as portas, declarados como insolventes pelos tribunais.

Na região da Madeira, o famoso buraco descoberto pela troika ameaça a sustentabilidade de dois clubes de futebol, o Marítimo e o Nacional, habituados a dispor de meios que lhes permitiram um nível competitivo de qualidade média-alta. Daqui por poucos anos, o panorama do futebol português e dos seus clubes e das respectivas fidalguias não vai ser o mesmo. Mas, evidentemente, o Sporting, ao contrário dos outros, continuará a existir e, espera-se, que de melhor saúde.

Até lá, as coisas vão ficar mais ou menos na mesma no que diz respeito às relações emocionais dos adeptos com o clube. Como é suposto acontecer com todos os adeptos de todos os clubes, acrescente-se porque é verdade.

Há coisa de duas semanas, vi amigos sportinguistas francamente mais incomodados com a ida do Yannick Djaló para o Benfica do que com as verdades da dita falência técnica. Isto não e normal.

 

DA Alemanha chegam notícias de uma boa acção cometida pelo Bayern de Munique. Em 2003, o poderoso clube bávaro salvou o Borussia de Dortmund da falência através de um empréstimo de dois milhões de euros. «Quando eles tiveram consciência de que já não conseguiam pagar os salários, demos-lhe dois milhões sem garantias durante alguns meses», revelou Uli Hoeness, o presidente do Bayern.

O presidente do Dortmund, Hans-Joachim Watzke veio logo a público testemunhar a ocorrência. «É verdade, posso confirmar esse empréstimo». Disse Watzke, ainda agradecido.

Como adepta, mas sobretudo, como curiosa por estes fenómenos, confesse que não sei, mas gostaria de saber, como é que esta amizade solidária entre dois clubes que competem nas mesmas provas é vista, analisada e dissecada pelos adeptos de todos os outros clubes alemães. Isto é, por todos aqueles que não são nem do Bayern de Munique nem do Dortmund.

Quando o  Dortmund joga com o Bayern e não ganha dizem os adversários que o Dortmund ainda está a pagar o favor do empréstimo? Em Portugal era o que aconteceria, ninguém duvida, pois não? Ou somos nós que somos diferentes?

Quero dizer diferentes mas para melhor, mais espertos…

 

NA vela história do futebol português, há meio século, quando entre Benfica e FC Porto as relações institucionais eram não só normais como até bastante calorosas, deu-se um episodio que já provava, a seu tempo, como nestas questões de solidariedade financeira nós somos bastante diferentes dos tais alemães.

Em 1960, o FC Porto viva com dificuldades para pagar os salários dos seus jogadores. Nas vésperas de uma visita do Benfica ao Porto, um dirigente portista chamado Aníbal Abreu tomou a iniciativa de mandar um telegrama ao presidente do Benfica, Maurício Vieira de Brito, rogando-lhe que o Benfica prescindisse da sua parte da receita do jogo em favor do clube amigo e aflito.

O presidente do Benfica nem foi a tempo de responder porque Aníbal Abreu foi imediatamente demitido por Ângelo César que, à época, presidia à comissão administrativa que geria o FC Porto. O telegrama com que Ângelo César afastou Aníbal Abreu é uma pérola: «Acabo de ter conhecimento do telegrama enviado ao presidente do Benfica. Rogo V. Exa. Apresente pedido de demissão por esta via. O FC Porto não precisa de pedir esmolas. A atitude do Sr. Aníbal Abreu deixou-nos a todos indignados. Benfica terá achado o seu pedido uma autêntica loucura, um disparate sem pés nem cabeça.»

 Naquela tarde de 3 de Abril de 1960, ainda que por via indirecta, acabou por ser o Benfica a ajudar o FC Porto na superação da dita crise porque foi com a receita da parte da bilheteira que coube ao clube visitado (490 contos), em dinheiro vivo, que Ângelo César pagou os salários aos seus jogadores antes de o jogo começar.

E já agora, o resultado do jogo?
2-2.

Igual ao do último FC Porto – Benfica.

 

NO sábado, o Benfica teve uma noite de grande categoria e venceu o Nacional por 4-1. É caso para dizer que foi melhor a exibição do que o resultado. E mesmo que o Cardozo não tivesse desperdiçado aquele pontapé de penalidade, mesmo assim, com 5-1, teria sido melhor a exibição do que o resultado.

 

ONTEM, em São Petersburgo, a quatro minutos do fim do jogo o resultado permitia aquele devaneio frequentemente fatal: «basta o 0-0 em casa.» Mas o Zenit marcou logo a seguir e agora já não basta o 0-0. Assim sendo, Nolito & Companhia, façam-nos lá o favor de entrar para o jogo da segunda mão com toda a valentia que ontem exibiram na Rússia. E a boa notícia é que na Luz não vão ter de jogar numa pista de gelo como a de ontem. E o que dizer de Bruno Alves? Pouca coisa… É aquele tipo de jogador que dispensa túneis. É que não precisa.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 13:45

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