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Toda a informação sobre o Glorioso

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Benfica - V. Setúbal

02.09.09, Benfica 73

 

 

Há 16 anos que o Benfica não marcava oito golos num jogo do campeonato nacional. Nem o Benfica, nem nenhuma outra equipa. Ontem, Jorge Jesus repetiu a proeza alcançada pelos encarnados (8-0 ao Famalicão) na já distante época de 1993 / 94 ( a dos 3-6 em Alvalade com Toni no banco, a ultima temporada de Rui Costa na Luz antes de rumar a Florença ) e conseguiu o feito de colocar a nação benfiquista em absoluto êxtase, tal a qualidadeda exibição produzida. O Benfica de ontem teve tudo : à arte juntou eficácia; à velocidade juntou discernimento ; à disciplina táctica juntou espaço para a iniciativa individual ; aos lances de bola parada juntou trabalho e viu-se recompensado com golos.

O Vitória de Setúbal ainda tentou estacionar o autocarro à frente de Mário Felgueiras, num 5x4x1 que pretendia evitar males maiores. Porém, os sadinos foram pura e simplesmente varridos por um furacão de grau 8, cruzamentos, remates, dribles e sprints que arrasaram o Vitória Setubalense. A primeira parte chegou a ser asfixiante para os pupilos de Carlos Azenha e se atentarmos no facto de o Benfica apenas ter feito a segunda falta aos 41 minutos quando os sadinos já tinham cometido 11, percebemos o massacre que ocorria dentro das quatro linhas.

Aos 37 minutos, quando o Benfica chegou aos 5-0 ( como fizera, até ao intervalo, contra o Sporting em 1978 / 79 e contra o Marítimo em 1985 / 86 ), já o Vitória estava tolhido com quatro cartões amarelos ( um dos quais, a Keita, até podia ter tido outra cor...) e atónico com os 62 por cento de posse de bola do adversário. Era Benfica a mais para um Vitória de Setúbal que precisa de melhorar muito ( mas mesmo muito ) se quiser continuar no principal escalão do nosso futebol.

 

Ontem, segunda-feira, dia de trabalho e véspera de dia de trabalho ( um horário péssimo, pois, para ir ver futebol ao vivo ! ) demandaram à Luz 40.915 adeptos, um número espantoso, que mostra a fé com que a nação benfiquista segue esta época a sua equipa. Há que dizer que quem foi à Luz viu um espectáculo por vezes deslumbrante, dentro e fora do Campo : se no tapete verde Aimar, Saviola, Cardoso, Ramires e Di Maria pintavam a manta, nas bancadas o clima de festa chegou a ser de autêntica apoteose, numa comunhão perfeita entre os jogadores que queriam agradar aos adeptos e estes que nunca regatearam apoio. As gerações mais novas perguntam, muitas vezes, como era o "Inferno da Luz". A resposta, ontem, no estádio do Benfica, era fácil de dar. Era assim, um vulcão imenso que empurrava a equipa para a baliza adversária, galvanizando uns e atrofiando outros. Uma constante de futebol atacante correspondida pela paixão dos adeptos. Na última década e meia o vulcão arrefeceu á medida que a mistica foi socumbindo à descaractização. Hoje em dia, o Benfica, no aspecto emocional, ressuscitou. Obra de Jesus? Também. Mas não só...

 

Quando Pablo Aimar pegou na bola e foi por ali fora, espalhando arte e magia, até fazer o 4-0, João Vieira Pinto, o menino-de-ouro, só pode ter sorrido ; quando Javier Saviola, na segunda parte, driblou meia cidade de Setúbal e quase marcou ( se tem dado a bola a Cardoso...), Fernando Chalana, o pequeno genial, só pode ter aplaudido, agradado ; e quando Òscar Cardoso consumou o hat-trick, o rei Eusébio só pode ter pensado, « temos gente ».

De facto, há na Luz matéria-prima para grandes cometimentos, a que se junta, de corpo e alma, uma imensa massa adepta sedenta de êxitos.

Resumindo, foi a noite dos diabos ( vermelhos ) à solta ! Teve azar o V. Setúbal, porque estava no sítio errado à hora errada...

 

                                                                     in A Bola   01-09-2009