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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

É tudo absolutamente normal

19.08.10, Benfica 73

PINTO DA COSTA, testemunha de defesa de Carlos Queiroz, foi ouvido na sede da FPF pelos instrutores do processo disciplinar que lhe foi movido por uso de linguagem grosseira em representação oficial do país.

 

Depois de prestar o seu testemunho, o presidente do FC Porto proferiu, perante meio círculo de jornalistas uma curiosa palestra filológica explicando, muito folgazão, que ninguém no seu perfeito juízo se pode considerar insultado se outro alguém, no seu perfeito juízo, o tratar por filho da puta, visto que a expressão é absolutamente coloquial, inocente não só entre estranhos como até é especialmente comum entre amigos e entre pessoas que se estimam e respeitam.

O próprio Pinto da Costa deu o exemplo, tratando adoravelmente por filho da puta o jornalista que tinha mais à mão como prova de que a intenção de ofender jamais está presente quando o referido cumprimento é utilizado nas mais correntes das situações.

Não discutindo sequer o teor da palestra filológica proferida pelo presidente do FC Porto e, muito menos, não caindo na tentação fácil de produzir julgamentos moralistas sobre hábitos alheios, pouco mais resta do que, lamentavelmente, Pinto da costa não tem à sua volta, quando fala, os jornalistas de que a sua personalidade merecia dispôr.

É que não houve nenhum, entre os jornalistas presentes que tivessem ali mesmo, no momento, na frente do presidente do FC Porto, o golpe de asa profissional, o repente do génio intuitivo, ímpeto de um taco a taco de todo legitimo para responder a Pinto da Costa da mesma coloquial moeda, absolutamente «normal», para usar as palavras do próprio orador no trato com o próprio orador que, certamente, não se sentiria minimamente incomodado por ser tratado, com toda a normalidade, de filho da puta por um jornalista qualquer.

O que terá impedido os jornalistas, superiormente autorizados pelo o discurso de Pinto da Costa, gravado, filmado e já disponível no Youtube, de anteceder todas as perguntas que fizeram ao presidente do FC Porto pela forma coloquial advogada pelo palestrante? Será que recearam vir a ser algo de processos judiciais por uso e abuso de linguagem grosseira, como aconteceu a Carlos Queiroz? Mas como seria isso possível e que o juiz de que tribunal decidiria a favor do pretenso ofendido se o próprio foi o primeiro a autorizar e a publicitar o bonito uso da expressão?

Deve ser, na verdade, uma tristeza para Pinto da Costa ter tão limitados interlocutores à sua frente. É que até parece que não lhe fazem justiça, ao talento.

Fica apenas uma dúvida por esclarecer. Será que sempre que visita a Assembleia da República para receber, anualmente, os preitos de homenagem dos nossos deputados, Pinto da Costa, com toda amabilidade que a ocasião requer, trata os filhos da puta os magistrados da Nação? Com certeza que sim.

 

JOSÉ MOURINHO está encantado com Cristiano Ronaldo e não perde nenhuma oportunidade para afirmar publicamente todo o apreço que tem pelo o jogador seu compatriota. No entanto, é velho e comprovadíssimo o postulado da nossa cultura social de se dizer que em Portugal as homenagens são sempre contra alguém.

As homenagens prestadas por Mourinho a Cristiano Ronaldo, por mais juntas e merecidas que sejam, não escapam, aparentemente, a essa regra de ouro da nossa original convivência nacional. «Cristiano Ronaldo tem condições para ser capitão de qualquer equipa», afirmou ainda esta semana o treinador do Real Madrid respondendo de forma indirecta, ou seja, sem nomear o alvo a que se dirigia: Carlos Queiroz, seleccionador nacional, que, no regresso cabisbaixo da África do Sul, concluiu em voz alta que talvez tivesse sido cedo demais a entrega da braçadeira de capitão da equipa portuguesa ao mesmíssimo Cristiano Ronaldo.

Os mind games de José Mourinho, ao contrário do que é habitual, não provocam grande mossa no seu destinatário, envolvido que está numa questão jurídica e disciplinar que o deve ocupar a tempo inteiro.

Não resta, portanto, a Queiroz muita disponibilidade para se dar ao trabalho de desenrascar uma resposta igualmente sibilina a quem o provocou desde Madrid. Como sabemos, a guerra de Carlos Queiroz é, actualmente, outra e não tem nada a ver com futebol que é o domínio de excelência de José Mourinho e não o seu.

O seleccionador português sente-se provocado e acossado por uma miríade de inimigos que não calçam chuteiras e o querem ver removido do cargo e do contrato que lhe foi oferecido pela Federação Portuguesa de Futebol e, num afã trágico digno de uma novela mexicana - com todo o respeito pelas novelas mexicanas -, elevou a fasquia da sua resistência ao ataque de que é a vitima até ao mais alto e impensável dos limites:

- Só saio daqui morto. Não me intimidam. Posso sair morto mas não me intimidam – disse numa entrevista publicada pelo o semanário Expresso no sábado passado.

Nota-se, sem qualquer espécie de dúvida, uma curiosa evolução nos discursos de Carlos Queiroz, sempre que, inevitavelmente, é forçado pelas circunstâncias a pronunciar-se publicamente sobre a sua péssima relação com a FPF.

O público português, sempre impressionável com as grandes tiradas dos grandes interpretes, já teve oportunidade, por uma vez no século passado e por uma segunda vez no século corrente, o que é obra de ouvir Queiroz apelar à «vassourada» à Praça da Alegria no século XX, e a proclamar bem alto a sua vontade de morrer no gabinete do Largo do Rato, isto já no século XXI.

Isto porque, de um século para o outro, a Federação Portuguesa de Futebol mudou local na sua sede sem que tivesse mudado os critérios que levam aquela instituição de Utilidade Pública a contratar, ciclicamente, os serviços do treinador em causa para tudo terminar no ambiente espesso e de sonantes desconsiderações mútuas.

Naturalmente, na análise do caso mais recente, despontam sensibilidades diversas. A quem considere chocante o estilo vernáculo utilizado pelo o professor nos seus diálogos com os funcionários da Brigada de Antidopagem e há quem considere bem mais lamentável a frase «só saio daqui morto» do que os insultos dirigidos ao agregado familiar de Luis Horta, ainda no decorrer do estagio na Covilhã.

O julgamento de Carlos Queiroz, no entanto, esta quase a começar e não depende em nada da celeridade com que os órgãos disciplinares da FPF decidam sobre o caso.

O julgamento de Queiroz é de outra índole, mais popularucha, e tem a primeira sessão marcada para o dia 3 de Setembro, em Guimarães, quando a selecção nacional der o pontapé de saída da campanha de qualificação para o europeu de 2012. Os adversários de Queiroz não serão os instrutores do processo de que foi algum mas sim onze cipriotas praticamente desconhecidos e, por isso mesmo, mais perigosos.

Na realidade, é a bola e só a bola a rolar vai decidir o futuro de Queiroz no comando da selecção portuguesa.

E, contrariamente ao que era lógico supor, a bola é e sempre foi o maior adversário das pretensões de Carlos Queiroz. E também era mais ou menos isso que José Mourinho, desde Madrid, quis dizer…

 

FELIZMENTE que há benfiquistas que não são malfiquistas e que conseguem olhar com optimismo para todas as situações, incluindo as mais adversas. No primeiro fim-de-semana de Agosto muitos foram os optimistas que entenderam a justíssima derrota frente ao FC Porto como um excelente aviso contra os engalanamentos precoces. No segundo fim de semana de Agosto, mais precisamente no domingo passado, foram, sem duvida, mais raras as manifestações optimistas perante a derrota face à Académica mas, mesmo assim, ainda houve quem entende-se o desaire como excelente no sentido em que a nossa SAD, perante o obvio descontentamento popular, talvez assim se coíba de vender David Luiz e Fábio Coentrão no último dia do mercado, para evitar um motim popular.

É tudo absolutamente normal…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola