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Toda a informação sobre o Glorioso

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Coentrão de ouro

19.08.10, Benfica 73

O talento individual, que foi e sempre será a base do futebol, só atinge o máximo da utilidade se o treinador coordenar a sua expressão prática em prol do coletivo. Mesmo atribuindo caráter de urgência à harmonização das distintas características que formam o todo dividido em onze parcelas, a equipa também pode ser impulsionada por ações avulsas de um ou outro elemento. Tomemos como referência o último jogo na Luz, com a Académica, no qual chegou a ser escandalosa a diferença de intensidade, inspiração, dinâmica e regularidade entre um jogador e todos os restantes. Fábio Coentrão foi uma espécie de desenho animado alegre, criativo, dinâmico e atrevido que corrompeu o filme excessivamente sério, previsível e em certos momentos aborrecido de que o Benfica foi protagonista. Num jogo atípico, a começar pelo incrível número de remates produzido pela fábrica de golos composta por Aimar, Cardozo e Saviola (só 3 num total de 19), o lateral tentou rebocar companheiros, alimentou a esperança dos adeptos, foi o único a intimidar os adversários e consolidou imagem como referência do Benfica, do futebol nacional e europeu.

Diz César Luis Menotti que a técnica individual avalia-se pela máxima velocidade a que um jogador executa com precisão os gestos mais elementares. Seguindo o raciocínio, que separa desde logo o fundamental (passe, receção, desarme, remate e articulação motora com a bola) do supérfluo (a habilidade de truques e toques tantas vezes nocivos ao coletivo), Coentrão é um tecnicista sensacional. Por ser rápido em linha reta e aos ziguezagues; estimular o jogo combinado e entregar-se a exercícios solitários que são autênticas obras-primas; empolgar nas cavalgadas iniciadas atrás (corre como um puro-sangue) e satisfazer a inteligência na conclusão dos lances à frente (executa com a serenidade de um monge budista), restam cada vez menos dúvidas: é um jogador de ouro, o melhor português da Liga.

Autor: Rui Dias
Fonte: Record

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