Dezembro 27 2011

R – Que balanço faz destes primeiros meses no Real Madrid?

FC – Faço um balanço positivo, mas é claro que poderia ser bem melhor. Tive muitas lesões e não consegui atingir aquilo que pretendia. Mas penso que o importante foi conseguido, adaptei-me ao clube, constatei o que este emblema é na realidade. Agora na segunda metade da época, espero ter menos lesões de forma a poder juntar o útil ao agradável. Ou seja adaptar-me perfeitamente e jogar bem, mostrando o que realmente valho.

R – Mas a adaptação está a ser mais difícil do que esperava?

FC – Sim, talvez. O Real Madrid não é um clube qualquer, tem uma dimensão muito grande. Só depois de chegar aqui é que nos apercebemos da grandiosidade. Mas um jogador tem de estar sempre preparado para tudo, para enfrentar qualquer situação.

R – Custou 30 milhões de euros. Sente que o peso do dinheiro também tem condicionado a sua prestação?

FC – É verdade. Sinto um pouco isso. Mas era ponto assente que quem quisesse contratar-me tinha de pagar a cláusula de rescisão. O Real Madrid optou por pagar e agora só tenho de justificar esses 30 milhões de euros.

R – Considera, portanto, que ainda não mostrou todo o seu potencial?

FC – Não. Sinto que ainda não mostrei todo o meu valor e que posso mostrar muito mais. Agora é como eu digo, quando temos vários problemas físicos é impossível estar a 100 por cento. Até agora tive muito azar, três ou quatro lesões que não foram fáceis, mas só quero trabalhar para poder estar ao meu nível.

R – Apesar dos problemas físicos e de as coisas não estarem a correr como esperava, o míster José Mourinho tem falado consigo, passado confiança?

FC – O míster nestas coisas é uma pessoa fantástica. Passa confiança a todos, quer aos titulares indiscutíveis quer aos que têm apenas poucos jogos. Não deixa ninguém de parte e dá sempre muito moral ao plantel. É muito importante qualquer jogador ter a confiança do treinador.

R – Esta temporada já jogou na esquerda, na direita mas também no meio-campo, numa posição mais defensiva. Foi a primeira vez que alinhou nesse lugar?

FC – Sim, nunca tinha jogado como médio-defensivo. Mas o míster está sempre atento a tudo e se me colocou lá é porque achou que tinha qualidades e capacidades para desempenhar bem a função. E sempre que fui utilizado no meio-campo tentei dar o meu melhor.

R – Ficou um pouco assustado no dia em que José Mourinho lhe disse que iria jogar como médio-ofensivo?

FC – (Risos) Senti-me um pouco apreensivo, o que é normal uma vez que nunca tinha jogado nessa posição. Mas sou daqueles jogadores, polivalentes que independentemente do sítio onde joga tenta sempre dar o máximo, de forma a agradar ao treinador e aos adeptos. Não sei se isso foi conseguido mas a verdade é que dei tudo.

R – O facto de não jogar continuamente como defesa-esquerdo é um fator que pode estar a influenciar também a sua afirmação?

FC – Claro que sim. Como mostrei nos últimos dois anos no Benfica, desde o primeiro dia em que me colocaram nessa posição, posso fazer muito pela equipa. Aqui temos mais soluções, o Marcelo é um grande jogador e o míster tem optado por ele. Só tenho de respeitar, continuar a trabalhar e jogar onde o míster quiser. Mas, sem dúvida, que a minha posição é defesa-esquerdo.

R – Foi utilizado no lado direito frente ao Barcelona. Sentiu algum tipo de receio quando o treinador lhe disse que ia jogar nessa posição, num jogo tão importante?

FC – Já tinha jogado nesse lugar no jogo antes do clássico, diante do Sp. Gijón e as coisas correram bem, felizmente. Agora é como eu digo, não se pode querer tudo de um jogador quando ele nunca alinhou numa determinada posição e de repente joga dois jogos, ainda por cima um contra o Barcelona. Não se pode esperar grande coisa, até porque, tal como todos os futebolistas, preciso de tempo para adaptar-me. Não sou diferente e é natural que as coisas não tenham corrido totalmente bem.

R – Falando um pouco desse jogo. O Real Madrid perdeu mas a sorte acabou por não vos acompanhar...

FC – Perdemos, mas esse jogo já ficou para trás. Agora é pensar no que ainda falta.

R – Apesar dessa derrota, o Real Madrid acabou o ano em primeiro lugar no campeonato, além de ainda estar na Taça e na Liga dos Campeões. Considera que tem sido a equipa mais forte até agora?

FC – Nós fazemos apenas o nosso trabalho para conseguirmos os objetivos. E nem é preciso estar aqui a enumerar todos os objetivos que temos porque um clube como o Real Madrid quer ganhar todas as provas em que está inserido. E o campeonato não foge à regra. Estamos a fazer tudo para ficar em primeiro, neste momento estamos na liderança, só pensamos em nós e agora temos de tentar manter esta fase positiva.

R – Mas, na sua opinião, a classificação espelha que o Real Madrid tem sido a equipa mais forte até este momento?

FC – Como já referi, não gosto muito de estar a falar sobre os adversários. Agora é verdade que se estamos em primeiro é porque jogamos bem e merecemos.

R – Acha que é mais importante o Real Madrid ganhar o campeonato ou a Liga dos Campeões? O que preferia?

FC – Vou ter de responder o óbvio. Claro que quero ganhar as duas competições. O campeonato e a Liga dos Campeões. É o meu sonho.

R – E sente que o Real tem capacidade para vencer essas duas provas, uma vez que o Barcelona também está muito forte?

FC – Claro que o Real Madrid tem capacidade e qualidade para ganhar as duas provas. Os jogadores que temos no plantel permitem-nos ter ambição a ganhar qualquer competição.

R – O que mais deseja para esta temporada?

FC – Sem dúvida, ter menos lesões e começar a jogar o mais rápido possível para que o velho Coentrão que todos conhecem volte.

R – E a nível coletivo?

FC – Espero ganhar todas as provas em que estamos inseridos. Sei que é bastante difícil mas tudo é possível.

R – Mas acha que este ano é decisivo ganhar o campeonato ou a Liga dos Campeões até para colocar termo à hegemonia do Barcelona?

FC – Um clube como o Real Madrid joga sempre para vencer. Mesmo que ganhemos a Liga dos Campeões e o campeonato este ano, na próxima época vamos ter de lutar novamente por títulos. A exigência é muito grande. Entramos sempre para ganhar tudo, embora saibamos que nem sempre é possível. Agora claro que temos de ganhar o campeonato este ano, até porque já não o fazemos há algum tempo. E sinceramente temos tudo para isso.

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 10:16

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