Dezembro 02 2011

FOI um belo derby desequilibrado e com uma vitória tangencial. Desequilibrado porque o Sporting teve mais posse de bola, naturalmente porque esteve meia hora em superioridade numérica, e aqui está outro desequilíbrio. Por outro lado o Benfica mandou duas bolas ao poste e obrigou Rui Patrício a aplicar-se em duas situações de golo iminente, enquanto o Sporting só por uma vez em todo o jogo obrigou Artur a fazer o seu trabalho.

Foi um derby emotivo e, mesmo assim, com mais Sporting do que do que nos últimos anos, o que foi bom para o espectáculo, para a incerteza do resultado. Nos últimos seis jogos entre os rivais de Lisboa, a vitória sorriu sempre ao Benfica. Há 2 anos e 9 meses que o Sporting não sabe o que é vencer o Benfica.

O último triunfo aconteceu ainda na era de Paulo Bento que no sábado esteve na Luz e assistiu ao jogo. Deve ter saído contente por duas razões: Rui Patrício, na baliza do Sporting, mostrou que é guarda-redes para a selecção nacional e Rúben Amorim, onde foi preciso, no meio, à direita, atrás e à frente, mostrou que é jogador para a selecção nacional e não só, é jogador para o que der e vier.

Se quisesse ver mais jogadores portugueses de nível em acção, o nosso seleccionador nacional teria de estar em Madrid, à mesma hora do jogo da Luz, para assistir ao derby dos nossos vizinhos. Fez bem Paulo Bento em optar pelo derby lisboeta. É mais nosso, talvez tenha menos salero mas tem mais bombeiros.

O único titular indiscutível da nossa selecção que falhou rotundamente no Benfica – Sporting foi o Nani. É verdade que não jogou porque vive e trabalha em Inglaterra mas errou no prognóstico - … dera por certa a vitória do Sporting -, pelo que Paulo Bento, no decorrer dos períodos de estágio da selecção, deve evitar ao máximo preencher boletins do Totobola com o Nani.

É dinheiro deitado à rua.

Veio no Público a notícia de que os prejuízos causados no Estádio da Luz pelas claques legalizadas do Sporting podem ascender a meio milhão de euros. Sobre a responsabilidade dos delitos, garante o Correio da Manhã que o Ministério Público deu ordem para investigar e que, talvez, as imagens recolhidas pelo sistema de videovigilância possam identificar os autores materiais dos crimes de incêndio e de destruição de propriedade alheia.

Seria excelente porque ilibava alguns milhares de sportinguistas que estiveram na Luz apenas para ver um jogo de futebol. A transmissão televisiva foi elucidativa nesse aspecto, focando variadíssimas vezes nas bancadas o convívio normal, saudável e até bem-disposto entre famílias mistas, entre amigos com cachecóis de cores diferentes que foram juntos à bola e que, findo o jogo, se espalharam pela cidade discutindo, como é digno de rivais, os pormenores do jogo até à exaustão.

Até à exaustão, é uma coisa.

Até à combustão já é uma coisa completamente diferente.

Por isso é da máxima importância não generalizar nestas questões. E não é justo confundir delinquentes encartados com o público normal que ama o seu clube, vibra, pragueja e… nada demais.

E também não é justo que seja o presidente do Sporting, Godinho Lopes, a pagar a despesa quando lhe chegar a conta dos prejuízos. Godinho Lopes nem esteve lá e só apareceu, em forma de comunicado, quando o director de comunicação do Benfica, João Gabriel, desarticulou de uma penada o discurso do vice Paulo Pereira Cristóvão sobre as condições “pré-histórica” em que tinha visto o jogo. O problema de Cristóvão não é a pré-História é a História. Soubesse ele o que é jogar em grandes palcos europeus e já teria visto muitas estruturas de segurança para claques como a da Luz.

Os jogadores do Sporting, que se bateram com galhardia durante 90 minutos, devem sentir-se muito surpreendidos e até desconsolados por só ouvirem os seus dirigentes falar de gaiolas, de bilhetes e de jaulas. E nem uma palavrinha sobre o futebol.

E, sobretudo, devem sentir-se muito baralhados com a identidade do patrão porque no Sporting têm mais protagonismo e holofotes alguns candidatos derrotados nos últimos actos eleitorais do que o próprio presidente.

Godinho Lopes bem sabe, por experiência própria, o que é ter de lidar com alguns consócios seus de carácter mais exaltado, do tipo energúmeno-classe A. Basta-lhe recordar-se da noite eleitoral em que foi vencedor mas em que teve de chamar a polícia para poder ir para casa sossegado.

E quando se trata de futebol, irmos para casa sossegados é o que toda gente ambiciona.

E isto já dura há mais de um século.

 

O Barcelona perdeu com o Getafe e o Benfica é agora a única equipa que ainda não perdeu um jogo oficial na Europa. Dizê-lo não é bazófia nem, muito menos, a proclamação de qualquer título. É apenas o que é, um pormenor simpático para as nossas cores.

Amanhã no Funchal, o Benfica vai ser uma vez mais posto à prova e o adversário é difícil. O Marítimo de Pedro Martins joga muito bem à bola e tem um goleador competente, o senegalês Baba. O jogo conta para a Taça de Portugal, bonita e histórica competição fértil em surpresas.

Se o Benfica cair frente ao Marítimo, paciência, alguma vez tinha de acontecer. Mas se o Benfica sair do Funchal apurado poderá continuar a orgulhar-se do seu estatuto único de imbatível na Europa. E poderá seguir em frente na Taça e isso é que importa. O resto, são vaidades…

 

O FC Porto que, segundo as palavras do seu presidente, morreu em Coimbra, ressuscitou nos últimos cinco minutos do jogo com o Sporting de Braga mas sem prejuízo para a causa. Entretanto, a Académica que tinha dado cabo do tal FC Porto em Coimbra acabou por morrer no mesmo campo frente ao Beira Mar. Este nosso campeonato está tétrico.

 

JOÂO CAPELA é um árbitro a seguir. Relativamente jovem, estreou-se num derby e não se saiu mal de todo. Expulsou Cardozo a meia hora do fim do jogo porque o paraguaio protestou uma decisão e viu o segundo amarelo. E, mais tarde, contemplaria Carrillo, o peruano do Sporting, com um cartão amarelo pelo memo motivo: protestos.

Os benfiquistas não aceitaram bem a decisão de capela ao expulsar Cardozo mas aplaudiram, no estádio, quando o árbitro mostrou o cartão amarelo a Carrillo, porque concluíram que será sempre esse o critério.

É um bom critério, com toda a sinceridade, e ainda por cima muito fácil de fazer vigorar porque os jogadores quando protestam para lá do razoável são, por norma, exuberantes, nada discretos e não é só o árbitro que vê o despautério.

Toda a gente vê. Não são precisas câmaras lentas, repetições, linhas imaginárias de fora-de-jogo, nem aparatos de tecnologia para detectar o flagrante delito da insubordinação.

Depois do derby da Luz, visto e discutido ao pormenor por milhões, João Capela, se quiser, vai carregar pela sua carreira fora a responsabilidade de ser coerente. Protestar uma decisão do árbitro é igual a cartão amarelo e nem se fala mais nisso.

E, de futuro, todas as equipas e mais os respectivos adeptos, assim que lhes cair João capela em sorte, saberão que Capela é aquele árbitro com quem não vale a pena protestar porque tem um critério muito bem definido para estas situações. Poderá até vir a ser a sua imagem de marca. Tudo isto seria excelente para a sagrada causa da verdade desportiva porque coloca todas as equipas em pé de igualdade perante o julgamento do árbitro, um luxo.

E, se assim for, só há motivos para considerar positiva a actuação de João Capela na Luz apesar do Tribunal do Jogo considerar por unanimidade que o árbitro perdoou uma grande penalidade ao Benfica quando Jardel e Onyewu, essas duas peças de filigrana, se embrulharam um no outro numa dança típica de área e acabaram os dois deitados na relva.

Dos protagonistas propriamente ditos não se ouviram protestos contra o árbitro no final do jogo. Jorge Jesus não perdeu muito tempo a falar da expulsão de Cardozo e Domingos Paciência elogiou «as três grandes equipas» que tinham estado em campo, presumindo-se que se referia à equipa de arbitragem como sendo a terceira grande equipa.

Certamente que não se estava a referir à grande equipa de bombeiros que também viria a actuar na mesma noite.

E ninguém duvida de que, dentro do universo sportinguista, terá sido Domingos Paciência, por ser o treinador da equipa, quem viu o jogo com mais e melhor atenção, até porque, dentro do mesmo universo, houve uma significativa fatia de dirigentes e de adeptos que se concentrou intelectual e exclusivamente em aspectos exteriores ao jogo.

E assim continuam. De tão preocupados em defender os pirómanos até se esqueceram de chamar nomes ao árbitro. Sim, sim, tivesse João Capela expulso mais um jogador do Benfica – Aimar, por exemplo – a ver se, contra 9, não teria o Sporting ainda mais posse de bola.

 

Valdemar Duarte, que comentou o jogo FC Porto - Sporting de Braga para a TVI, pode juntar o seu nome ao vasto rol de jornalistas que, por puro masoquismo, dizem ter sido agredidos em estádios de futebol ou em vielas escondidas.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 10:42

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