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Toda a informação sobre o Glorioso

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A t(r)eta dos árbitros

03.11.11, Benfica 73

Hoje, com a apresentação das listas que vão concorrer ao ato eleitoral da FPF agendado para 10 de dezembro, inicia-se um novo ciclo no futebol português. A boa notícia é que a Seleção Nacional será entregue a um “homem do futebol” (Humberto Coelho ou Toni em vez de Amândio de Carvalho); a má notícia é que, em substância, no que diz respeito às lógicas a envolver os sectores da disciplina e da arbitragem, nada se alterará -- e daí a explicação para algumas movimentações das últimas semanas.

OBenfica quer manter Vítor Pereira na cadeira das nomeações e trocou o apoio, inequívoco e sem contrapartidas, a Fernando Seara pela manutenção do “status quo”, que tanto criticou há duas épocas. Foram essas críticas, aliás, que levaram Vítor Pereira a alterar o seu comportamento em relação às nomeações para os jogos do Benfica. Ia “entrar em campanha”. Não lhe interessava ter um clube com a representatividade do Benfica a criticá-lo publicamente. E, por isso, acabou com as análises de cinco em cinco jornadas. Sintomático.

Fica bem claro que aos nomeadores não são concedidas condições que os levem a fazer um exercício de autonomia plena e independência. Nem os nomeadores parecem muito preocupados com a ausência dessas condições. São pressionados e coagidos; infletem as estratégias com total despudor – e siga a banda...

Significa isto duas coisas: que, na verdade -– deixemo-nos de hipocrisias –, é muito importante ter no Conselho de Arbitragem um responsável sensível às sugestões e às “reações”; perante essa “inevitabilidade”, a alegada capacidade para realizar, inovar e reformar, que estaria ao alcance de Seara, conta “zero”...

OSporting não estava satisfeito com Vítor Pereira e com as arbitragens na Liga, mas depois de ensaiar esta época um combate semelhante ao dos encarnados na temporada anterior, com a eficácia que ora salta à vista – onde está o desejo de afirmação da autonomia propalada por Vítor Pereira? –, percebeu que poderia ir a reboque do Benfica, com mais ou menos ruído...

Godinho Lopes apoia Fernando Gomes e, cumulativamente, Vítor Pereira. Luís Duque, que não alinhou no charivari contra os árbitros, apareceu a apoiar a candidatura de Carlos Marta e, consequentemente, o eixo (Paulo) Costa-(Luís) Guilherme para a Arbitragem. Olhares diferentes sobre o mesmo fenómeno.

Asubjetividade das leis do jogo e a insustentável soberania dos “homens do apito” (deveria ser promovida, como acontece no râguebi, a correção dos erros óbvios ou grosseiros no momento em que eles acontecem) fazem com que, em cada época, as arbitragens sejam responsáveis pela conquista ou perda de “3 a 9 pontos”, cuja contabilidade não deveria ser desprezada, por afetar a verdade desportiva.

Não vejo, porém, ninguém a discutir esta discricionariedade. Talvez por ser mais fácil transformar essa contabilidade em benefício. E assim não vamos a lado nenhum...

NOTA – O futebol precisa de ética: é tempo de Fernando Gomes deixar a presidência da Liga para se dedicar à campanha “pela FPF”. Para se achar em pé de igualdade...

Autor: Rui Santos

Fonte: Record