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Toda a informação sobre o Glorioso

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V. Excelência, uma ova!

28.10.11, Benfica 73

Quando Jorge Jesus reagiu – da pior forma... – à entrada intempestiva de Shaqiri sobre Bruno César, no “tempo extra” do jogo entre o Basileia e o Benfica, valendo-lhe a expulsão, já a equipa portuguesa tinha garantido o essencial: a vitória na partida e o primeiro lugar (que até pode ser definitivo) no Grupo C da Liga dos Campeões. As câmaras televisivas captavam os passos daquele que vinha sendo, para mim, “o melhor em campo”: Jorge Jesus.

Mas... com 0-2 no marcador e a escassos 3 minutos do fim das compensações, justificava-se aquela reação do técnico do Benfica? Havia duas atenuantes: a expulsão de Emerson, que ocorrera 5 minutos antes, e as dificuldades físicas reveladas em campo por alguns jogadores do Benfica: Maxi Pereira já saíra com uma lesão muscular, Gaitán achava-se ao pé coxinho e o próprio Bruno César parecia “tocado”...

Faltava muito pouco tempo para o fim do jogo, a vantagem era confortável, mas a equipa parecia dar sinais de “pré-colapso”. Jorge Jesus, que vive intensamente cada instante de cada encontro, coloca-se (ele próprio) debaixo de uma pressão às vezes insustentável, para além de colocar a equipa debaixo desse tipo de pressão...

São duas faces da mesma moeda: por mais “sessões de esclarecimento” que se possam fazer; por mais “filósofos” que se queiram colocar no caminho da “rudeza” do treinador do Benfica, Jorge Jesus não consegue renegar a sua natureza. Essa circunstância envolve aspetos negativos, resultantes da falta de controlo emocional (“então tchau”, Luiz Alberto, etc.), mas concorre, em absoluto, para um aspeto muito positivo e que importa valorizar: Jorge Jesus não se deixa dominar; Jorge Jesus domina as equipas de futebol que comanda como poucos treinadores conseguem fazer. Não é, Vítor Pereira? E esse aspeto é tão mais valorizável quanto se percebe que isso é possível de alcançar num clube com a abrangência, a dimensão, a história e a heterogeneidade do Benfica.

Jorge Jesus não nasceu nem para falar francês nem para tocar piano. Mas não deixa de comunicar. Utiliza as mãos, os adjuntos, os “assessores”, as novas e as velhas tecnologias. O ipad e os computadores ou o clássico tabuleiro das peças “imanizadas”. Não há Vossas Excelências na equipa do Benfica. Há um todo proletarizado. Se alguém não cumpre as suas regras de “sujar os calções”, na pressão alta ou na “média-baixa”; se algum “operário” tem um assomo de novo-riquismo no campo e sai da sua posição, colocando em causa o trabalho coletivo, Jorge Jesus reage. Vossas Excelências, uma ova! E a verdade, para quem vê o Benfica jogar na maior parte das vezes, e agora também na Liga dos Campeões, é que Jorge Jesus dá uma sensação de domínio da equipa como quem joga PlayStation. Ele tem os comandos na mão, ele domina os jogadores e a equipa e rebela-se quando os “comandos” (comandados) não respondem... No exército de JJ, não há generais nem soldados. São todos oficiais do mesmo ofício.

NOTA – Muito bem a discrição que António Carraça tem colocado no seu desempenho como um dos “braços” de Jorge Jesus. Que continue assim: ativo mas discreto.

Autor: RUI SANTOS

Fonte: Record

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