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Toda a informação sobre o Glorioso

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Um benfiquista e o seu cão

20.10.11, Benfica 73

Um homem e o seu cão estão sentados numa bancada do Estádio da Luz, imagem pouco comum. O homem chama-se Paulo e é invisual, o cão que o acompanha é um Labrador de pêlo preto. O homem tem um pequeno rádio encostado ao ouvido e acompanha com comovente entusiasmo tudo o que se passa no relvado, como se visse. E, no fundo, ele vê, ele tem uma forma muito própria de ver, que é partilhada da emoção com os muitos milhares de pessoas que o cercam.

Tive conhecimento deste caso através de uma excelente reportagem da RTP1, que me permitiu conhecer pessoas que não se deixam derrotar pela adversidade e que continuam a viver, a lutar e a sonhar.

O Labrador preto tem um lenço à Benfica por cima da coleira e assiste, impassível mas feliz, às manifestações de alegria do dono. É um cão-guia, um cão de acompanhamento, por ser dócil, terno e inteligente, e, afinal, os olhos do seu dono.

Paulo diz que faz questão de ir ao Estádio porque ali, sentado no meio da multidão, gosta de ouvir o ruído, de sentir os cheiros, de vibrar com o colectivo, de se emocionar com o que faz a sua equipa, o seu clube, a sua gente. Ninguém se espanta com a presença do cão na bancada, pois todos percebem que se trata de um caso especial, diferente, tocante. Aqui, o cronista é levado a recordar as palavras do grande escritor francês, Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Principezinho”, quando dizia algo muito parecido com isto: a melhor forma de ver as coisas é com os olhos do coração. Paulo vê o Benfica com esses olhos, os do coração, que são também os da emoção e do sentido de pertença.

São histórias como esta que nos fazem perceber até que ponto as vitórias do Benfica são importantes para dar mais sentido à vida de quem recusa a margem, o esquecimento, a descriminação. Paulo e o seu cão vão à Luz em busca da luz interior que o Benfica lhes pode e deve dar. S todas as semanas os jogadores pensarem em exemplos como este, hão-de cumprir ainda com mais êxito a sua missão.

Autor: José Jorge Letria

Fonte: Jornal o Benfica

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