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Toda a informação sobre o Glorioso

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Toda a informação sobre o Glorioso

André Lima (Entrevista)

27.04.10, Benfica 73

 

O Benfica sagrou-se campeão europeu de futsal, houve depois uma festa imensa, conseguiu dormir?

Pouco.

Pela emoção ou por falta de tempo?

Por tudo. Pelos festejos, pela emoção… por tudo. Estou a desfrutar mais agora do que nas horas que se seguiram ao final do jogo. Só agora tenho a noção exacta do que fizemos.

O que significaram aquelas lágrimas no final do jogo?

Não sei explicar, foi um repente. Deve ter sido também da emoção, do nervosismo, de ter perseguido muitas vezes este título e ter sido sempre contrariado pelo Interviú. Tive a sensação que foi uma final perfeita. Parece que nada acontece por acaso e esta final no Pavilhão Atlântico, com quase 10 mil pessoas, contra a melhor equipa do Mundo, foi incrível. Foi muito intenso, muito difícil, mas superámo-nos.

Entrar na história obrigou-o a chorar, a sofrer…

Só assim é que se consegue. Tinha dito antes da final four que não havia jogos fáceis. Ganhamos 8-4-ao Luparense, mas foi complicado. Com o Interviú só conseguimos vencer no prolongamento, apesar de achar que não foi justo esse tempo extra, que poderíamos ter vencido no tempo regulamentar. Mas também foi um prémio, não só para os ex-campeões, como para os milhares de pessoas que estavam nas bancadas.

Dizia-se que o Interviú não perde quando se consegue colocar em vantagem. Isso passou-lhe pela cabeça?

Tudo me passou pela cabeça… que se repetia o QUASE éramos campeões. Felizmente que desta vez quase que deu… para o Interviú. Senti na conferência de Imprensa que eles estavam com a estrela, mesmo durante o jogo parecia que a estrela de campeão era deles. Mas foi incrível como lhes conseguimos roubar essa estrela. Agora só espero que não seja tão difícil tirarem-nos essa estrela como foi para nós termos conseguido.

Já tinha sofrido tanto?

Sim. Nos jogos difíceis, mesmo que seja em Portugal também se sofre. Este tinha uma emoção diferente por tudo o que envolvia, por ser a possibilidade de conquistar uma taça da Europa pela primeira vez na história de Portugal, por jogarmos num pavilhão cheio, por nunca nenhuma modalidade ter movido tanta gente. Só isso.

Agora que já ganhou, teve noção do que prometeu no início de época, quando disse que chegara a hora de conquistar a Europa?

Sim. Ganhando o que já ganhámos internamente, olhando para estes jogadores que estiveram numa final de um Campeonato da Europa de selecções, não poderíamos exigir menos. Corríamos o risco de entrar no comodismo, no… ‘ah! Vamos ser campeões nacionais e isso basta’. Temos de querer sempre mais. Sabíamos que muito dificilmente teríamos uma oportunidade como esta, não só o treinador como também os jogadores. Se calhar o treinador é jovem e até pode voltar ao mesmo mas alguns deles não, sentiram que era o momento e agarraram-se à esperança com grandeza, com coração, com qualidade. Conseguiram! O trabalho é todo deles, o mérito é todo deles. São grandes campeões, têm uma grande alma.

Prometer de forma quase desabrida que conquistaria enquanto treinador o que não conseguiu como jogador não foi arriscado?

Uma vez, quando perdi um campeonato em Loures, disse no final do jogo com grande emoção que seria campeão dez anos seguidos. Disseram que era arrogância, falta de humildade. Pelo contrário, são objectivos que interiorizo, não é falta de respeito por ninguém… poderia ter dito que queria 20 ou 30. O certo é que três anos passados… ganhei três.

Já sentiu que vivemos mesmo num país onde o sucesso incomoda?

Claro que incomoda, mas temos de saber viver com isso. Fui crítico o ano passado, sou-o este ano e sê-lo-ei no próximo. Convivo bem com a crítica, só me incomoda quando é maldosa. Enquanto jogador foi aos inimigos que fui buscar motivação e assim continuará. Motivam-me. Nunca baixarei as minhas armas, o meu escudo. Continuem.

Qual o momento mais especial desta noite de glória?

Já tinha ligado à minha mãe e subi as escadas para receber a Taça. Quando voltei senti alguém a agarrar-me no braço, a puxar-me para o meio da multidão e quando levantei a cabeça vi a cara do meu pai e dos meus irmãos. Foi lindo.

Vai jogar com o Alpendorada 48 horas depois da final. Tinha de ser assim?

Não. Mas parece que falta sensibilidade às pessoas do futsal quando tanta gente diz que luta para ser modalidade melhor. Isto foi uma grande vitória do futsal português, não só do Benfica. Não sei qual é o objectivo, mas se é fragilizar-nos terá o efeito contrário. Vamos apresentar-nos na máxima força. Talvez isso tenha irritado estes campeões e não os queiram ver irritados…

Primeiro pensamento – O jogo acabou e pensei na minha mãe, no meu pai, nos meus oito irmãos. Dedico-lhes este título. A minha mãe chora sempre que me vê na TV. Só eles sabem a dificuldade que tive para chegar aqui…

Mais responsabilidade – Ganhei uma, quero a segunda, a terceira ou a quarta se for possível. Não tenham a mínima dúvida. Agora há a outra face da moeda, a responsabilidade. Para o ano o Benfica é candidato outra vez.

Descompressão – Não vou deixar. Não pensem que vamos deixar fugir o campeonato. Temos de continuar a lutar pelo melhor lugar na fase regular porque o principal objectivo é sempre o campeonato…

Rolo compressor está de volta

25.04.10, Benfica 73


 

Cardozo: ”Ainda não nos sentimos campeões. Falta um ponto. Mesmo que o Sp. Braga empate, nós estamos a fazer o nosso trabalho. A verdade é que estamos a jogar bem e alcançamos os resultados que queremos”.
“Quero que na próxima partida, no Porto, empatemos ou ganhemos para festejar o título”. “Estou fazer o meu trabalho e espero fazê-lo de novo no Porto”.

 

Jorge Jesus: ”Sentimos o título mais próximo, como temos feito jornada a jornada. Sentimos que com seis pontos de avanço as coisas tornam-se mais fáceis. Preferia ser campeão a jogar. Ou no dragão ou no último jogo com o Rio Ave, pois temos máximo respeito pelos adversários. Aliás, se formos vencedores para dragão, vamos respeitá-los. O FC Porto e o campeão em título e merece respeito”.
“Qualquer resultado só pode antecipar conquista do título, caso contrário iremos até ao fim”.
“Este campeonato ainda não acabou. Ainda não somos vencedores, queremos ter oportunidade de festejar, não sei se será amanhã se será na última jornada. No primeiro dia já tínhamos o objectivo de sermos campeões. Neste momento temos grande vantagem e vamos dar tempo em duas semanas para termos satisfação e festejarmos com os nossos adeptos”.

 

Rolo compressor rumo ao título

Chegou a hora do Benfica

24.04.10, Benfica 73

Encarnados podem conseguir hoje a 23.ª vitória na Liga e a 10.ª consecutiva. São realmente estatísticas… À CAMPEÃO

 

Serão perto de 65 mil pessoas esta noite, no Estádio da Luz, à espera de uma noite que – a acontecer – deixa o Benfica à distância de um ponto do título. Á uma semana, em Coimbra, já deu para sentir o cheiro no ar: a maré vermelha segue imparável, a equipa continua a impressionante cavalgada de golos, vitórias e pontos e, por tudo isto, a conquista do campeonato está cada vez mais perto.

Se somar frente ao Olhanense a 23.ª vitória na Liga (10.ª consecutiva!) é possível que, pela noite dentro, já se vejam festejos “à campeão”, na expectativa até de um eventual deslize do Braga, na Figueira da Foz, que arrumaria de vez com a questão.

Os adeptos não vivem um momento semelhante desde 2005, o ano de Trapattoni. É essa euforia que estará prestes a romper de novo, ainda que, desta vez, assente numa brilhante campanha que pode culminar num triunfo final indiscutivelmente mais justo. Para além de todas as virtudes técnicas, Jorge Jesus merece ver destacado o mérito suplementar de saber dosear exaltações, gerir ansiedades e manter toda a gente com os pés firmemente assentes no chão, recusando perigosas vitórias antecipadas.

Ainda ontem o treinador lembrava, e bem, as dificuldades que este Olhanense conseguiu criar a FC Porto e Sporting quando de deslocou ao Dragão e a Alvalade, para além do empate que impôs ao Benfica na primeira volta (2-2). Por isso, é provável que, na hora da palestra, Jesus exija aos seus jogadores respeito pelo valoroso adversário, que, ainda por cima, continua a precisar de pontos para garantir a permanência na primeira Liga (objectivo, já agora, que bem merece ver concretizado).

O “problema” de Jorge Costa é que a águia está mesmo com pressa de voar para a grande festa. E a realidade é que as contas ainda só não estão encerradas porque o Sp. Braga, esse “teimoso”, vem conseguindo prolongar o suspense muito para lá da sua obrigação. Até quando irá resistir?

 

Autor: Nuno Farinha

Fonte: Jornal Record

Campeão, ou não

24.04.10, Benfica 73

Amanhã, pode haver campeão. Basta que o Benfica vença o Olhanense, tarefa nada fácil na medida em que, apesar de mal classificados, os algarvios gostam de dar nas vistas de cada vez que visitam os grande palcos – pegaram susto medonho em Alvalade (2-3) e roubaram dois pontos no Dragão (2-2) - , razão pela qual, como Jesus insistentemente tem alertado, todas as precauções se recomendam aos jogadores do emblema da águia; em concomitância, exige-se que o Sporting de Braga tropece na viagem ao campo do Naval, entendendo-se por tropeção simples empate o que, em rigor, é um exagero, pois estamos a referir-nos ao semifinalista da Taça de Portugal e ao 9º classificado da Liga.

Amanhã, pode não haver campeão. Basta que braga obtenha idêntico resultado ao do Benfica diante do Olhanense.

Simples exercícios jornalísticos que não se ficam por aqui… Até agora o acento tónico tem sido colocado precisamente na possibilidade de o Braga diluir a desvantagem para o Benfica e disparar o seu projecto de estabilidade e crescimento em obediência ao tratado de boa vizinhança estabelecido com o aliado o FC Porto.

Desportivamente, os clubes nortenhos uniram-se para tramar o Benfica, mas como sempre acontece nas histórias para as crianças, os bons ganham aos maus, de aí emergir terceira hipótese para confundir as anteriores: O Benfica somar mais três pontos, Braga empatar e o FC Porto ganhar. Neste caso, haveria campeão amanhã mas, tal como Egas Moniz de baraço ao pescoço, o presidente António Salvador, para segurar o segundo lugar, única via de acesso à Champions, teria de libertar-se do braço amigo do presidente Costa e pedir ao presidente Vieira para o proteger da reacção portista. O destino tem destas coisas…

 

Autor: Fernando Guerra

Fonte: Jornal A Bola