Abril 22 2010

As chuteiras que me calças

 

Por tua causa., assumo, a imprensa desportiva passou a fazer parte do meu “café da manhã”.

O jornal Record citou-te há poucos dias após mais uma vitória do nosso clube: “ É preciso manter a humildade e os pés bem assentes no chão”. Resumi-te na tua própria frase. Este és tu, sem tirar nem pôr. O equilíbrio entre a gratidão pelo que é e a fé inabalável no que há de ser. Assim és tu: o homem seguro e menino sonhador. O fiel de uma balança entre o de onde vieste e o onde estás agora. Este és tu, que não me deixas transformar-te num ídolo.

Exiges ser em mim tão somente o David, sem a coroa de rei e sem a força sobrenatural que derrota os “Golias” do futebol.

Mas por muito que te esquives do estatuto de especial, na simplicidade que acima de tudo te caracteriza tão bem, não vou inibir-me de te dizer obrigada publicamente pelas “chuteiras” com que me calças cheias de garra e de serenidade, ao mesmo tempo, neste que é o meu caminho aparentemente condenado à condição permanente de não poder chutar uma bola.

“Calças-me” com as certezas de que o meu propósito é muito maior do que eu.

“Calças-me” de motivação para ultrapassar todos os obstáculos intrínsecos ao facto de uma pessoa com mobilidade reduzida ir a um estádio de futebol.

“Calças-me” cada vez mais de orgulho em ser benfiquista. As chuteiras que me calças são invisíveis aos olhos dos comuns mas são elas que também dão significado aos meus pés pequeninos e frágeis para suportar o meu corpo.

Fazes hoje o mesmo número de anos que o número que te identifica no Benfica: 23. E ainda tens tanto para voar… Numa época em que o Mundo fala de ti, eu preferi fazer diferente e falar para ti. Agradecer-te por me assentares os pés tantas vezes num chão que não piso. Trazendo-me à realidade de que o desafio não é chegar a lado algum mas sim mantermo-nos lá, fiéis ao que nos foi sempre fiel. Tu faze-lo na perfeição.

Podias ser o meu irmão mais novo, mas o líder e o cuidador és quase sempre tu. Numa proteção que nunca sufoca e numa entrega de que há alguém que providencia a minha e a tua vida. Aí também és diferente, de tanta gente que – como que a compensar-me do que não posso fazer – transforma-me numa espécie de heroína, aspirina anímica ou exemplo a seguir.

Reconheces-me pela alma que nada tem a ver com a minha condição física. É que o teu foco nunca será colocado nas pessoas, por isso dás-me sempre muito mais do que alguma vez eu julgarei que te dou. Quando empurras a minha cadeira de rodas desenhas-me asas nas costas. Quando me pegas ao colo mostras-me que a minha visão do Mundo não é limitada pela minha altura. E é a partir do teu colo que consigo percepcionar uma canção da Ala dos Namorados: “ Pelo céu às cavalitas, escondi nos teus caracóis, a estrela mais bonita, que eu já vi”.

Tu sabes que essa estrela estará sempre lá, contigo. Brilhará nos ataques e nas defesa, nos cortes e nos golos, nos penáltis e nos lances de bola parada, nos livres e nos cantos. No campo e na vida. Na tua e na minha.

“Já deixei de ser criança e tu dormes à lareira

Ainda sinto a minha estrela nos teus caracóis”.

Autor: Mafalda Ribeiro

Fonte: Jornal Record

 

Parabéns David Luiz. És o meu Ídolo (:
Helena Isabel ( minha filha )

publicado por Benfica 73 às 19:52

Abril 22 2010

 

Há canções que ficam no ouvido. Acontece quando a letra embala a música, ou vice-versa. Há canções que são como uma espécie de casamento feliz de tão bem que ficam juntas as palavras e a melodia. E, por isso mesmo, nos fazem sorrir. Por exemplo, fazem-nos sorrir, e muito, os versos daquele hino da nossa colectividade:

 

«Benfica, eu sou do coração.

Benfica, até debaixo de água…»

 

Custa até compreender como é que o departamento de marketing do Benfica nunca comercializou guarda-chuvas vermelhos com a inscrição da frase maravilhosa «Benfica, até debaixo de água» para as tardes e para as noites de chuva no Estádio da Luz. Também é verdade que os tempos são outros. Não que tenha deixado de chover, mas o estádio é agora inteiramente coberto e não cai pinga sobre o público.

Há versos felizes e «Benfica, até debaixo de água», sendo um deles, empresta toda uma dimensão superior à já referida obra musical. Aparentemente é um absurdo, uma imagem disparatada, excessiva e com maior pendor meteorológico do que futebolístico. Depois, continuando a escutar a canção logo se entende a sua razão de ser.

É uma simples questão de rima brilhantemente resolvida pelo autor. Ora oiçamo-la:

 

«Benfica, eu sou do coração.

Benfica, até debaixo de água!

Quem fala mal do clube campeão,

Ou é de inveja ou é de mágoa.»

 

Devo confessar que esta canção não me sai do ouvido. Sendo já muito antiga parece que foi escrita de propósito para a corrente temporada de 2009/2010, ainda que o Benfica não seja campeão, embora para lá caminhe. E caminha com muita oposição, como se viu no domingo à tarde. E não por força da chuva, porque no jogo com a Académica o céu apresentou-se sempre azul e não foi «debaixo de água» que o Benfica teve de jogar.

Explicando melhor: Entenda-se o verso «Benfica, até debaixo de água» como uma metáfora sobre as dificuldades que nos apresenta, pela frente e a que soubemos, sabemos e saberemos dar a melhor e a única resposta, isto é, vence-las. Debaixo de água, neste campeonato, jogou o Benfica contra o FC Porto, em Dezembro, na Luz e a vitória surgiu com naturalidade, clareza e limpeza.

Já em Coimbra, em terreno seco, o Benfica teve de se haver com uma Académica que joga um bonito futebol, o que é bom para o espectáculo, mas teve de se haver, principalmente, com uma arbitragem à antiga portuguesa que, isso sim, constituiu um autêntico dilúvio, felizmente sem consequências práticas. O primeiro golo da Briosa, precedido de mão do seu autor, e aquele livre perigoso marcado contra o Benfica, já em tempo de descontos, castigando uma falta que Maxi Pereira não cometeu foram, de facto, duas valentes cargas de água.

De facto, temos aqui um problema poético. É que se «água» rima como «mágoa», como na canção, francamente, Xistra há-de rimar com o quê?

Com administra, com sinistra, com listra? Listra, sinónimo de lista e de risca… Mas pouco sentido faz uma rima destas e a canção perdia muito em beleza e em embalo. Quem se lembraria de interpretar uma canção com a palavra listra? Só a Carmen Miranda que imortalizou uma coisa parecida num samba de enredo que ficou para a história. Este:

 

«Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí

Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati

Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão

E sorria quando o povo dizia:

Sossega leão! Sossega leão!»

 

Impecável, não é?

Por falar em canções…Aproxima-se Junho e com Junho chegam os Santos Populares. Cá vai, portanto, uma Marcha de Lisboa, das antigas, das boas:

 

«Vai de coração ao alto nesta lua

E a marcha segue contente!

As pedrinhas da calçada cá da rua

Nem sentem passar a gente»

 

Vem esta canção também a propósito de um facto recente e muito curioso. A Policia de Segurança Pública e o DIAP fizeram uma busca nas sedes das claques do Sporting antes do jogo com o Vitória de Setúbal. Mas o que vem para o caso é que, em Alvalade, para além de diverso material apreendido, e que em nada difere do material do material muitíssimo bem apreendido noutras rusgas a outras claques, os cerca de cem agentes policiais confiscaram, de acordo com a informação oficial, «um balde grande com pedras da calçada».

Lamentavelmente, PSP e o DIAP não especificaram as dimensões de grande do «balde grande». Admitamos, porém, que é maior do que um balde pequeno e mais pequeno do que um contentor.

Adiante…

Nestas ocasiões ninguém sabe muito bem que destino dão as forças da autoridade aos materiais apreendidos, Também não é assunto que desperte grande interesse ou curiosidade, quer por parte do público, quer por parte da comunicação social.

No entanto, no que diz respeito ao «balde grande com pedras da calçada» seria da maior conveniência, em nome da verdade desportiva, que a PSP e o DIAP fizessem o grande favor de o enviar para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol que tão prontamente atribuiu o título nacional de juniores ao Sporting ao não duvidar, por um momento sequer, que o festival de pedrada que manchou o último derby dos jovens rivais teve origem única e exclusivamente do lado da calçada benfiquista.

E que assim possa o título ganho na secretaria ser honestamente reconfirmado depois de uma análise mineralógica do volume de calhau apreendido pela polícia às claques do Sporting. Porque, de certeza absoluta, que é o mesmíssimo calhau que voou pelos ares no tal jogo decisivo do último campeonato nacional de juniores.

Poderá também a policia dividir o número de pedras da calçada apreendidas pelo número de conselheiros do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e faze-las chegar à sede do referido organismo em baldes individuais, mais pequenos e convenientemente acomodados em papel de embrulho.

Sempre ficavam todos com uma recordação. E com uma melodia no ouvido:

 

«Vai de coração ao alto nesta lua

E a marcha segue contente!»

 

E segue mesmo, a marcha segue contente! Tenham lá paciência!

 

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: Jornal A Bola

publicado por Benfica 73 às 18:44

Abril 22 2010

Boa Noite, Pedroto. Eu sei que lhe prometi, em Janeiro, que este ano lhe ia dedicar a vitória no campeonato. Acontece que depois desta última jornada se tornou matematicamente impossível o FC Porto ser campeão esta época. Por isso, Mister, a minha pergunta é muito simples: dá para trocar pela Taça de Portugal? Não precisa de responder, já sei no que está a pensar – “E de o Desportivo das Chaves decide fazer uma gracinha no Jamor? Bom, nesse caso, marca-se um triangular de pré-época com o Arrifanense e o Febres Sport Clube, e esse eu garanto que não nos foge.

O que importa é que aqui estou eu, Mister, a assumir o meu lapso. Podia perfeitamente resolver este problema da mesma maneira com que resolvemos os nossos conflitos com a comunicação social, e entrar em blackout com o Além. Bastava colocar aquela senhora inglesa do programa da Júlia Pinheiro a fazer de segurança à porta da sala de imprensa das Antas. Mas não, prefiro estar aqui, num sincero acto de contrição, a falar consigo. E isto não é nada fácil para mim, até porque esta situação faz-me lembrar o clube lampião. Esta época, se quiser falar com o Benfica, também tenho que olhar para cima.

Uma das coisas que mais me entristecem é o facto de muita gente ter considerado de mau gosto eu ter usado a memória de um falecido, com o objectivo de lançar recados para o interior e o exterior de FC Porto. Mas, peço que acredite, eu não tinha remédio: é que cada vez que falo com pessoas que estão vivas, as conversas vão parar ao You Tube. Resta-me despedir e esperar que um dia nos voltemos a encontrar. Se bem que não estou muito confiante que consiga juntar-me a si, aí em cima. Tenho a sensação de que o Purgatório não funciona como a comarca de Gondomar: lamentavelmente, lá as escutas são admissíveis.

publicado por Benfica 73 às 16:45

Abril 22 2010

publicado por Benfica 73 às 07:23
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