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Toda a informação sobre o Glorioso

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A hora do sonho

08.04.10, Benfica 73

Podem faltar apenas seis. Mas não há benfiquista que, depois de uma tão longa e empolgante caminhada, não deseje abertamente que os seis passem a nove e que à Taça da Liga, conquistada com mérito indiscutível (meias-finais com o Sporting e em Alvalade, final com o FC Porto), se juntem o Campeonato, bem encaminhado, e a Liga Europa. A equipa continua construir com uma consistência e com uma dinâmica que impressionam e só alguns problemas na finalização têm impedido que as goleadas da primeira metade da época se mantenham constantes. Mais: a “fadiga muscular” referida pelo técnico, pouco adepto de poupanças, tem dado lugar à alma e à raça, ideias que, durante épocas, não foram facilmente associáveis ao Benfica. Mais ainda: em momentos decisivos e cirúrgicos, Jorge Jesus tem sabido justificar a dimensão e a variedade do plantel, descobrindo missões muito concretas para os atletas menos utilizados ou chegados a meio da época (Weldon agora, depois de Kardec, mas também Airton, Sidnei, Felipe, Menezes, Nuno Gomes, Éder Luís). Resolvida a questão Keirrison, conhecidas as limitações de Mantorras, não há cartas “fora do baralho”- e um balneário afinado significa pontos e vitórias.

Pode faltar a este Benfica – que só os arautos de falta de desportivismo se atrevem a contestar, recorrendo a desculpas de mau perdedor, incapazes de perceber que o seu papagueado discurso só convence e arrasta mentalidades curtas – apenas meia dúzia de jogos para fechar uma época que, aconteça o que acontecer, já foi um hino ao futebol, pelo que se passou nos relvados e pela extraordinária capacidade de mobilização. Além da Luz, que já ultrapassou o milhão de espectadores na presente temporada, o Benfica continua a ver os seus adeptos encher os estádios alheios e a resolver ou a minorar os problemas de tesouraria dos adversários. O prémio para essa dedicação seria completar os 9 jogos possíveis. Ou seja, atingir a final da Liga Europa e tentar fazer em Hamburgo a última festa de um tempo que fica com uma marca.

Percebem-se os cuidados de Jesus, que privilegia os jogos internos em detrimento do que possa passar-se a nível internacional. Caso atinja as meias-finais da Liga Europa, o Benfica terá um mês de Abril outra vez em sobrecarga: primeiro jogo depois da ida a Coimbra e antes da receção ao Olhanense, o segundo após o encontro com os algarvios e antes da passagem pelo Dragão. Se chegar à final, há de jogá-la três dias depois da ronda final do Campeonato. É muito? Claro que sim. Mas foram os jogadores, técnicos e dirigentes do Benfica que puseram os adeptos a sonhar. E se Anfield pender, de novo, para o vermelho português, é impossível não sonhar. Haja coração, amanhã. E depois…·

 

Autor: João Gobern

Fonte: Jornal Record