Julho 29 2010

Senhor de um dos remates mais temidos do futebol nacional, Carlos Martins já conquistou um lugar no coração dos benfiquistas. Em entrevista à Benfica TV e ao Jornal ‘O Benfica’ durante o estágio na Suíça, o número 17 mostra-se rendido ao Clube, deixa elogios ao treinador e garante uma equipa à imagem da temporada passada. Carlos Martins fala ainda da Selecção, um desejo mas não uma obsessão. Eis em discurso directo, o melhor número 10 português.

Vai para o terceiro ano de Benfica. Até agora, qual é o balanço que faz?
É um balanço muito positivo. Como já tive oportunidade de dizer anteriormente, desde o primeiro dia que aqui cheguei que fui muito bem recebido. Competia-me a mim provar a quem me quis o quanto eu queria vir para o Benfica e ajudar o Clube a conquistar títulos e até ao momento estou bastante satisfeito com o trabalho que tenho vindo a realizar. Agora espero que no futuro possa voltar a ganhar mais títulos ao serviço do Benfica.

Como sabemos, foi formado outro clube e já passou pela Liga espanhola. Pode, agora, confirmar a ideia de que o Benfica é algo de diferente?

Sim, claro que sim… Toda a gente sabe onde é que eu fui formado, mas o Benfica é um Clube completamente diferente. É um Clube grande, que está habituado a ganhar, que tem todas as condições e mais algumas para se ganhar, tem uma massa adepta fenomenal, estrondosa, que nos cativa muito… É mesmo um clube verdadeiramente diferente e para melhor.

Mais concretamente sobre a época passada… O Carlos foi um jogador mais regular, que mostrou a qualidade que todos lhe reconhecem. Qual foi a diferença para outros anos?

Um jogador quanto mais velho está mais maduro está… Tem mais experiencia e isso vê-se nos processos de jogo, na forma como vê o futebol, na maneira de estar dentro de campo e acho que isso tudo junto faz com que o jogador sobressaia mais. Eu não fujo à regra, sinto-me bem, sinto-me com força e acima de tudo sinto-me preparado para ajudar o Benfica.

Teve grandes momentos na época passada. Consegue destacar algum?

Não sei… Para mim o grande momento foi mesmo no último jogo, quando o árbitro apitou para o final do jogo e fui campeão. É algo que nunca mais vai sair da minha memória, ver aquela gente toda a gritar por nós. Sentimo-nos confortáveis nesse momento porque era o reconhecimento do nosso trabalho, numa época desgastante. Penso que esse, sim, é o grande momento que eu recordo da época passada.

Recuemos até ao momento que antecede a marcação do livre que deu o golo da final da Taça da Liga. Em que é que se pensa antes de marcar um livre daquela maneira?

Bem, acima de tudo penso em agarrar bem na bola e metê-la dentro da baliza. Sei que um dos meus pontos fortes é o remate, sei que quando agarro bem na bola é difícil para o guarda-redes. Naquela altura pedi que me saísse bem o remate e felizmente foi isso que aconteceu.

Quanto ao colectivo, para vocês, jogadores, sentem mais alegria, mais gozo por jogarem numa equipa que joga realmente bom futebol? Sem o pontapé para a frente… Principalmente vocês, médios que gostam de ter bola.

Claro, claro que sim! Penso que esta equipa caracteriza-se por praticar um bom futebol, essa é a imagem de marca do nosso treinador, ele incute-nos isso mesmo. Nós temos jogadores tecnicistas, que gostam de ter a bola nos pés, e penso que quem vai ver o jogo gosta de ver uma equipa a jogar bem. Mas também afirmo que prefiro por vezes jogar menos bem e ganhar do que o contrário, mas felizmente nós temos conseguido juntar as duas vertentes.

Por falar em meio campo… Médio defensivo, médio ofensivo ou mais à esquerda ou à direita?

Médio-centro. É onde eu gosto de jogar, gosto de estar em contacto com a bola, de organizar jogo e de aparecer perto da área para tentar fazer golos ou assistir. Em resumo, é no meio que me sinto mais à vontade.

Já agora, porquê o número 17?

É o dia do nascimento do meu filho.

A época passada ficou marcada por esse futebol espectáculo, algo a que a Liga portuguesa não estava habituada. Sente que é possível manter o estilo e principalmente a qualidade de jogo da equipa?

Sim, isso é pressão que vamos carregar às costas mas é uma pressão saudável, com a qual nós queremos viver. Sabemos que temos de fazer pelo menos igual à época passada, mas nós temos essa consciência e queremos viver com a pressão. Aliás, quem vive com a pressão é sinal que está perto de ganhar títulos.

Na Europa, o Benfica foi muito longe e ficou a ideia de que vocês tinham, de facto, o melhor futebol da Liga Europa. Sentiram isso? Que com o campeonato mais decidido na altura dos quartos-de-final, o Benfica podia ter chegado à final?

Sim, todos nós sabíamos, quando acabou o jogo de Liverpool, que eles eram uma equipa que tem uma grande história e que chega sempre às fases finais das competições europeias, mas nós também estávamos a atravessar um bom momento. Falando desse jogo, eu e os meus colegas ficámos com a sensação de que ficou ali qualquer coisa no ar. Saímos de cabeça erguida, com a consciência de que fizemos tudo, mas acho que com um bocado mais de sorte teríamos passado e chegado mais longe, sim.

Passemos a esta temporada. Até ao momento, qual é o balanço que pode ser feito?

Até agora temos 15, 16 treinos e o balanço é positivo. Nesta altura da época dá-se mais importância à condição física dos atletas, estamos a prepararmo-nos bem para chegar ao mais alto nível, são dias e treinos desgastantes. Mas o principal objectivo é trabalharmos para estarmos bem quando entrarmos no primeiro jogo, no dia 7 de Agosto, com o FC Porto, para podermos ganhar.

Os reforços entraram bem no grupo?

Sim, foram muito bem recebidos, como eu também fui na altura em que cheguei. Já deu para perceber que são jogadores com muito valor e agora é esperar que consigam uma boa adaptação para mostrarem aquilo que valem.

Como é que está a perspectivar o próximo campeonato? Os outros candidatos apostaram forte em tentar fazer frente ao Benfica…
O Benfica tem de ter sempre a fasquia alta, é um clube que, seja em que campo for, entra sempre para ganhar. Quanto aos nossos rivais, isso não nos interessa muito agora, vai interessar-nos duas semanas antes de jogarmos com eles. O que eu sei é que se ganharmos todos os jogos somos campeões e isso é que conta.
Este ano marca o regresso do Benfica à Liga dos Campeões e a estreia de muitos jogadores nesta competição que, presumo eu, deva ser um dos patamares mais altos da carreira. O que é que vocês esperam desta participação?
Esperamos acima de tudo que a equipa esteja ao nível dos valores que tem, se isso acontecer acho que podemos fazer uma boa campanha. Também sabemos que na Liga dos Campeões estão as melhores equipas, os melhores jogadores, sabemos que vai ser difícil, mas como lhe digo no Benfica pensa-se muito alto e quando entrarmos para esses jogos vai ser sempre para ganhá-los.
Vamos experimentar uma situação. Eu vou dizer um nome e o Carlos responde o que lhe vier à cabeça no momento. Apenas este nome…Jorge Jesus.
O melhor treinador que tive. Porquê? Porque é um treinador que fala a linguagem dos jogadores, o que é muito importante. Basta um olhar dele, uma palavra, que por falar a nossa linguagem nós percebemos, chega-nos cá. Com isto eu não estou a tirar o mérito a outros treinadores que tive, mas identifico-me mais com ele, por ser uma pessoa extrovertida, que reage no momento consoante o que lhe acontece, é como eu. Por tudo isto, em termos de treinadores é realmente a pessoa com a qual eu mais me identifico.

Vocês ouvem mesmo tudo o que ele diz do banco? É que ele nunca está parado…

Não, isso é um bocado complicado às vezes… Mas como ele passa a mensagem tão bem, às vezes chega um simples gesto ou um simples olhar para nós percebermos o que ele quer dizer e isso ajuda-nos muito.

Passemos a um tema que deve, na minha opinião, ser tratado: a selecção. O Carlos realizou uma temporada fantástica, conseguiu até provar que a ideia que se queria fazer de que passava metade da época lesionado ou que não tinha cabeça para jogar num grande era pura ilusão. Como é que se sentiu depois de não ver o seu nome na lista de Queiroz?

Senti-me triste… Senti-me… Nunca me senti desanimado. Ao contrário do que muitas pessoas gostavam eu nunca me senti desanimado e ao longo da minha carreira eu sempre soube aquilo que podia fazer e até onde podia chegar. Em relação à selecção foi realmente um dia triste para mim, porque pensava que ia ser chamado, mas as coisas não aconteceram assim. Espero um dia voltar à selecção, mas não vivo obcecado com isso. Sei é que tenho de pensar no Benfica e sei que quero continuar a mostrar todo o meu amor e carinho pelo Benfica.

Já o disse nos relatos que faço na Benfica TV e repito-o agora. O Carlos Martins é o melhor n.º 10 português. Sente que podia ter ajudado a selecção a jogar mais? Por vezes parecia que ninguém queria pegar no jogo e a isso o Carlos nunca se nega, não se esconde…

Eu não estou aqui a dizer que podia ter ajudado, porque essas coisas só se sabem depois de lá estar. O que eu sinto realmente é que sou jogador de selecção, sinto isso, e não por ter sido convocado para o Mundial que sou melhor ou pior jogador. Sei as qualidades que tenho, agora quem decide é quem está à frente e se não fui chamado, paciência. Espero vir a ser chamado no futuro porque é um grande momento na carreira de qualquer jogador, mas relembro que não vivo obcecado com isso.

Há dois anos, quando foi apresentado, Rui Costa disse que o Carlos Martins era o seu sucessor natural. Como é que vive com essa responsabilidade? Afinal de contas não são todos os que merecem uma declaração destas…

O Rui sempre foi um ídolo para mim e na altura ouvi essa frase com muito orgulho, mas ao mesmo tempo sabia que tinha de corresponder. E penso que desde que cá estou o meu trabalho tem vindo a ser reconhecido. Não quero individualizar só o meu trabalho, nunca o fiz e nunca o farei, digo é que estou a ser reconhecido porque estamos a ganhar campeonatos, ganhámos taças e é assim é que eu quero que o Carlos Martins seja visto.

Para terminar… Nos relatos da Benfica TV, nós, no calor da emoção, eu e o meu colega acabamos por ir dando algumas alcunhas aos jogadores. O Maxi Pereira é o Super Maxi, o David Luiz é o Xerife, etc… A do Carlos Martins é O Homem Bomba. Parece-lhe bem?
Acho que sim, acho que sim… Eu gosto de pegar bem na bola, quando elas saem bem é um bocado complicado para os guarda-redes, mas quando saem mal também vão lá para cima. Mas acho que Homem Bomba está giro… Adequa-se.

publicado por Benfica 73 às 16:48

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