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Toda a informação sobre o Glorioso

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Tropas de choque

10.09.11, Benfica 73

O dia 1 de Setembro podia ter sido terrível para muitos administradores e diretores do futebol profissional se, ao contrário do que fazem crer as prebendas dos seus cargos, alguma instância superior julgasse sumariamente os seus erros. Isto é: em qualquer empresa privada seriam intoleráveis atos de gestão de recursos humanos a redundar em erros de casting, estipêndios supérfluos e a extraordinária aquisição de mais uma enorme dose de “pouca sorte”, pronta a servir embrulhada em erros de árbitros escrutinados cirurgicamente.

Foram contratados alguns jogadores de qualidade e de rendimento mínimo garantido, em particular pelo Benfica, mas a maioria provém de catálogos de classe B que cirandaram nos últimos meses por cima das secretárias dos enfatuados “managers” nacionais e são más escolhas e, seguramente, maus negócios para os respetivos acionistas.

O trabalho de recomposição de um plantel competitivo é complexo e stressante, merecendo tolerância apenas em função das diferenças de orçamentos e responsabilidades. Mas não justifica os erros que foram cometidos e que, entre outras evidências, levaram à exclusão de nomes sonantes das listas da UEFA.

No meio das deambulações do mercado, o comportamento da Seleção de Sub-20 no respetivo Mundial agitou consciências e acionou espíritos bem-intencionados, num pequeno frenesim de desejos irrealizáveis, como a recuperação das equipas portuguesas para os jogadores portugueses. As comparações correm sempre o perigo de resvalarem para a falácia: nenhum jogador da Seleção de Sub-20 de Portugal tem lugar numa equipa de topo do campeonato nacional e poucos clubes de segunda linha lhes podem pagar os salários que um bom agente internacional lhes garante em emblemas europeus de segundo plano.

Os jogadores, portugueses ou sul-americanos, querem atuar por opção nos clubes europeus e apenas veem os principais clubes nacionais como plataformas de lançamento desses objetivos. Preferem um clube espanhol em risco de descer de divisão a um português de Liga dos Campeões, porque realmente o futebol está tomado por uma lógica de mercenarismo, em que os diretores são senhores da guerra, os treinadores sargentos de campo e os jogadores soldados da fortuna.

Aimagem de um Ricardo Carvalho, portuguesíssimo da Silva, passado para trás na Seleção por um filho de imigrante e por dois naturalizados, reflete a confusão mental decorrente do atraso de adaptação dos adeptos comuns ao futebol comercial. Tropas de choque recrutadas no Mundo por traficantes de talentos, afogando o amor à camisola com aparente insensibilidade pela perda de prestígio e tradição.

Passada a regulamento limitativo a defesa ingénua do jogador português contra o “excesso de estrangeiros”, com insondável condescendência a guineenses e cabo-verdianos, apenas reduziria a capacidade competitiva internacional dos nossos clubes, bem patente nas pré-eliminatórias de Agosto.

Villas-Boas e Falcão entram na classe dos “desertores”, Djaló e Postiga na coluna dos “danos colaterais”, os granadinos da Luz mera carne para canhão. Mas a vida continua e com mais uns sonhos para realizar, já em Janeiro.

Autor: JOÃO QUERIDO MANHA

Fonte: Record