Agosto 19 2011

AINDA não foi desta que Co Adriaanse conseguiu ganhar ao Benfica. Quando treinou o FC Porto, em 2005/2006, conseguiu a proeza inédita de ganhar o campeonato perdendo os dois jogos com a equipa então comandada por Ronald Koeman.

Se calhar até foi por isso mesmo que passou por um grande aperto com uns meliantes locais que lhe vandalizaram o carro depois de um resultado menos airoso.

O FC Porto empatara a zero com o Rio Ave, em Vila do Conde, e à saída do Centro de estágio do Olival, conduzindo já o seu próprio carro rumo a casa, Co Adriaanse viu-se atacado com grande violência.

Felizmente para todos que prezam a decência e desprezam o hooliganismo, tanto o amador quanto o profissional, o incidente foi relatado na imprensa e ficou muito claro que o Olival dispunha de câmaras de vigilância aptas a identificar os energúmenos e a levá-los a tribunal.

Certamente por distracção, não dei conta das posteriores notícias que surgiram com os pormenores da detenção e do julgamento dos agressores. Mas que foram todos identificados, condenados e proibidos de voltar a entrar em recintos desportivos, disso não tenham qualquer espécie de dúvidas…

Voltemos a Co Adriaanse, agora treinador do Twente com o Benfica jogou na terça-feira a primeira mão da decisiva eliminatória que abrirá, ou não, à equipa de Jorge Jesus as portas da Liga dos Campeões.

O resultado, 2-2, não é mau para as aspirações do Benfica sobretudo se Jesus tiver em conta a prestar a maior atenção às palavras de Adriaanse no fim do jogo, antevendo as possibilidades da sua equipa no jogo da segunda mão: - A defesa do Benfica joga em linha e é lenta – disse Co Adriaanse.

Sábias palavras.

Este primeiro Benfica de 2011/2012 apresenta-se assim mesmo como Adriaanse o definiu. É natural que o treinador holandês, sendo adversário do Benfica, olhe com maior argúcia para as debilidades da equipa que tem pela frente.

Já aos olhos dos adeptos do Benfica, sempre cáusticos quando as vitórias tardam, o panorama apresenta-se diferente.

- Estes tipos deslumbram-se com eles próprios e conseguem passar do espírito da goleada ao espírito da aflição numa questão de minutos.

Outras sábias palavras.

Como este estado de irregularidade permanente não garante a felicidade, é de crer que Jorge Jesus vá resolver rapidamente o assunto.

 

NOLITO é bom. É mesmo muito bom. E é esperto. A sua decisão de trocar o Barcelona, onde não tinha lugar, pelo Benfica, onde ninguém lhe tira o lugar, é a prova da sua esperteza.

O Benfica, tal como qualquer outro clube que sonhe alto, precisa de contratar jogadores que dispensem liminarmente aquela coisa chamada de período de adaptação.

Nolito é um desses. Contra o Twente marcou mais uma vez. Foi o quarto jogo oficial de Nolito de águia ao peito e o quarto golo de uma série de um golo por jogo.

Rezam os compêndios que, de águia ao peito, Mário Coluna também teve um arranque feliz: marcou 8 golos nos primeiros 4 jogos oficiais pelo Benfica, na época de 1954/1955. Nolito não conseguiu igualar o número de golos marcados por Coluna em quatro jogos.

No entanto, ainda tem mais um jogo para tentar igualar os registos da estreia de Eusébio que nos seus primeiros 5 jogos pelo Benfica marcou 9 golos.

Basta-lhe marcar 5 golos ao Feirense, com o devido respeito.

Mas não vai ser nada fácil…

 

NA véspera do jogo com o Twente, Jorge Jesus lançou a titularidade de Óscar Cardozo com uma frase curiosa: «Cardozo não tem magia mas é um jogador especial.»

Permito-me discordar do mister.

Cardozo não tem magia? Marcou 68 golos nos últimos quatro campeonatos e não tem magia? Quem é que o Benfica teve melhor do que Cardozo, mais certeiro, mais disponível, mais regular, nas duas últimas décadas?

Poderia concordar a cem por cento com Jorge Jesus, se ele tivesse dito: «Cardozo não tem magia nenhuma a marcar grandes penalidades.»

Eis um facto indesmentível.

 

A magia no futebol são os golos, como concordarão. Há, no entanto, magias e magias… Para Paulo Bento, por exemplo, Nuno Gomes tem magia suficiente para estar na selecção nacional porque marca muitos golos e não lhe falta nada.

Mas para o mesmo Paulo Bento, um tal João Tomás já não tem a magia requerida para a selecção nacional porque, embora marque muitos golos, falta-lhe qualquer coisinha…

João Tomás é tão português como Nuno Gomes, também jogou no Benfica, e é só um ano mais velho que o antigo número 21 da Luz. O avançado do Rio Ave foi, no ano passado, o melhor marcador da origem nacional no campeonato, com 16 golos apontados como que por magia.

Compreenda-se a insatisfação do jogador por Paulo Bento não lhe ligar nenhuma. «Será que é embaraçoso convocar um jogador do Rio Ave?», foi assim que João Tomás questionou publicamente a última lista de convocados de Paulo Bento.

E é uma boa questão.

 

FALCAO diz que o Atlético de Madrid «tem uma grande claque» e que seria «uma boa oportunidade para a sua carreira». De facto, é importante para os jogadores sentirem que estão bem acompanhados. Quem é que gosta de jogar para pequenas claques ou para médias claques?

Falcao tem vindo a ser muito criticado na imprensa portuguesa por querer sair do FC Porto para o Atlético de Madrid.

Alguns analistas chegam a evidenciar um espanto total com esta recente mania do colombiano porque, dizem, que no Atlético de Madrid o melhor marcador da última Liga Europa jamais ganhará os títulos que conquistou no FC Porto.

Parece-me uma conclusão bastante abusiva e patrioteira.

É verdade que o FC Porto foi o último vencedor da Liga Europa, vencendo o Sporting de Braga na final de Dublin. Mas convém não esquecer que o Atlético de Madrid foi o penúltimo vencedor da Liga Europa, vencendo o Fulham na final de Hamburgo.

Se a questão é a Liga Europa, vendo o historial da prova, Falcao não perde nada com a mudança de ares.

Se a questão se prende com as pequenas, as médias e as grandes claques, aí já o caso muda de figura.

 

O campeonato começou no último fim-de-semana e o Olegário Benquerença também começou no último fim-de-semana.

 

O Benfica empatou em Barcelos e só se pode queixar de si próprio porque o árbitro teve uma actuação que não merece o menor reparo. Os dois pontos perdidos frente ao Gil Vicente deprimiram um bocadinho a nação benfiquista mas, felizmente, à sempre quem veja as coisas pelo lado melhor.

- Com o Roberto na baliza tínhamos perdido – ouvi dizer a um jovem adepto assim que João Ferreira apitou para o fim do jogo.

E é bem capaz de ter razão.

 

O Olhanense também começou no último fim-de-semana. Foi empatar a Alvalade. Com o Carlos Xistra apitar outra coisa não seria de esperar, não é? O Xistra é do Olhanense desde pequenino.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 10:45

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