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Toda a informação sobre o Glorioso

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Inconformidades

01.04.11, Benfica 73

O estertor de Carlos Queiroz entrou agora na fase mais elegante. Os dignitários são tratados pelo nome do jardineiro, os raros aliados com a gosma dos puxa-sacos e a criadagem de sotaque com a xenofobia das castas superiores. O senhor Laurentino, o doutor Madaíl e o Pepe verde e amarelo representam o Mau, o Bom e o Vilão de um filme trágico-cómico, onde o herói vai nu, bancando o bobo, com a subtileza de um Paulo Futre pontapeando nas cabeças leoninas a ideia de uma ponte aérea entre o Ninho de Pássaro e o Alvalade XXI.

Os que se inquietam perante a ansiedade do homem que nos ofereceu dois títulos de campeão do Mundo são, provavelmente, menos do que a diferença de votos entre os primeiros dois candidatos à presidência do Sporting. E quase de certeza cabem num dos charters do Oriente.

Portugal virou a página e tenta refazer-se do distanciamento brutal que cavou em apenas dois anos pelo técnico natural de Moçambique. Há pessoas assim: o lado imperfeito e caprichoso do Mundo não gosta delas. Em concreto, a tenebrosa rede conspirativa dos assessores de imprensa que têm dirigido o Estado, abominando-o e perseguindo-o sem motivo.

A passagem de Queiroz pelo cargo de selecionador constituiu o que o candidato derrotado à eleição do Sporting definiria por uma “inconformidade”. Não foi ilegal, nem sequer ilegítima, mas foi muito difícil de suportar. A Seleção vem sendo resgatada a pulso por um líder sólido e bem apoiado, sem tempo para polémicas esquizofrénicas. O Sporting olha ansioso para o novo presidente para que também se assuma como chefe decidido e imperturbável, focado no essencial enquanto os outros esperneiam nos tribunais, procurando consolo pela rejeição popular no conforto dos pareceres jurídicos.

Para o último Campeonato do Mundo, a Federação assegurou ao selecionador as melhores condições humanas e materiais alguma vez disponibilizadas, satisfazendo-lhe todos os caprichos, incluindo a contratação de uma bateria de indefetíveis amigos apresentados como especialistas das mais esdrúxulas metodologias de treino, observação e organização. Diria ele depois que eram amadores – e por isso alguns comiam numa sala à parte.

O sufrágio de sábado em Alvalade também se apresentava como o mais concorrido, o mais disputado e o mais transparente, num clube de esmerada elevação, onde o estatuto dos sócios se mede pela competência da idade. Dizem agora que é antiquado, parado no tempo, desconforme.

O tempo tem mostrado que, na Seleção, existe vida depois de Queiroz, tal como há-de confirmar que, no Sporting, é tempo de tocar a reunir e passar à frente. As guerras fratricidas, tal como as vendettas pessoais sobre quem não puxa-saco, minam a vida das instituições e contribuem para a autodestruição de pessoas.

Queiroz é um caso perdido, exceto se emigrar para um país a sério onde lhe façam “justiça”, mas Bruno de Carvalho só precisa de ficar sossegado para se constituir numa reserva moral do Sporting, preparando-se para receber, em conformidade, um poder que está tão fragilizado como um selecionador rodeado de fantasmas.

Autor: João Querido Manha

Fonte: Record

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