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benfica73

Toda a informação sobre o Glorioso

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Dos comentários de Paulo Bento ao relatório de José Peseiro

24.06.10, Benfica 73

O jogo Portugal-Coreia do Norte foi transmitido na RTP e na Sport TV1. Haverá quem tenha escolhido o canal para assistir ao jogo em função dos níveis do barulho de fundo das vuvuzelas tão insuportável para os delicados ouvidos europeus. Haverá quem tenha escolhido entre a RTP e a Sport TV em função da maior ou menor simpatia que nutre pelos comentadores de serviço.

Confesso que não só me é absolutamente indiferente o barulho das vuvuzelas como também não tenho preferência por comentadores. São problemas que se resolvem facilmente com o comando da televisão.

Mas há sempre momentos de excepção. O facto de ser Paulo Bento o convidado da Sport TV para comentar o jogo com os coreanos prendeu-me desde o princípio à emissão do canal de Joaquim Oliveira. Em primeiro lugar porque Paulo Bento é das figuras mais estimáveis do futebol português. Em segundo lugar por causa de uma aposta que imediatamente foi feita entre os meus convivas.

-Quantas minutos se vão passar até Paulo Bento dizer pela primeira vez «tranquilidade»?

Paulo Bento portou-se que nem um valente praticamente o jogo todo e só proferiu a palavra «tranquilidade» uma vez e já bem perto do fim, aos 84 minutos de jogo, quando a goleada já estava consumada e havia que deixar passar o tempo «com tranquilidade». E, em minha casa, foi imediatamente contemplado com uma grande e merecida salva de palmas por se ter aguentado tão bem. O Paulo Bento impecável.

 

A meio da segunda parte do Portugal-Coreia do Norte, um amigo do FC Porto mandou-me a seguinte mensagem: «Se o Di María vale 40 milhões, o Raul Meireles vale 50!» Achei-lhe graça e até dei razão ao meu amigo portista que, bem me lembro, passou a época inteira a dizer mal do Raul Meireles só porque o FC Porto cedo se despediu da luta pelo título e havia que embirrar com alguém para além do treinador.

São estes os momentos raros que só a Selecção nos conseguem proporcionar, uma espécie de tréguas naquela coisa do clubismo e uma grande disponibilidade para olhar para todos os jogadores com os mesmos olhos. Trata-se, sem qualquer dúvida de uma experiência saudável. Anteontem, poucas horas após o jogo, ouvi de um outro amigo, um lagarto empedernido, uma constatação que se recusaria a fazer se estivéssemos em tempo de Campeonato Nacional em vez de estarmos em tempo de Mundial.

-Afinal o Fábio Coentrão é mesmo um bom jogador! – disse-me, exibindo uma honestidade intelectual que se sobrepôs à melancolia que a evidência, inevitavelmente, lhe causou.

Tempo de Selecção é mesmo assim. Somos todos amigos, queremos todos o mesmo e especializa-mos em diplomacias quando opinamos sobre os jogadores dos outros clubes...

Enfim, estando a população em geral numa raríssima maré de bons sentimentos, eu própria, imbuída desse espírito, li com agrado e deleite uma notícia dando conta de que, no Brasil, mais precisamente no Vasco da Gama, o nosso Kardec e Souza, a mais recente contratação do FC Porto eram como irmãos, tendo crescido juntos, um pouco à imagem da relação de infância que Saviola e Aimar tiveram e que tão bons resultados  produziu este ano no Benfica.

O pai de Alan Kardec nem os consegue imaginar a lutar um contra o outro por emblemas rivais. «Eles nunca se defrontaram, foram sempre colegas de equipa. Se a cidade do Porto não ficasse a 300 quilómetros de Lisboa até lhe ia sugerir que dividissem a mesma casa», disse.

É bonito, não é?

O pai de Alan Kardec ainda disse mais sobre Souza: «Dizem que ele é lento, mas não é verdade.»

Isto não é só muito bonito como também é uma excelente notícia, clubismos à parte, não concordam?

 

Os norte-coreanos são, sem dúvida, os nossos melhores fregueses nesta coisa das grandes competições internacionais. Em 1966 levaram 5, em 2010 levaram 7, nas respectivas fases finais do Campeonato do Mundo. Em apenas dois jogos a valer contra tão estimáveis compinchas já lhes pregámos 12 golos.

É uma pena, de facto, uma grande pena que não tenhamos conseguido jogar com a Coreia do Norte a final do Campeonato da Europa de 2004. Maldita geografia.

 

CRISTIANO RONALDO recebeu o prémio da FIFA para o melhor jogador em campo no jogo com os coreanos e entregou-o, imediatamente, a Tiago. É uma boa notícia. Ronaldo não só é um excelente jogador de futebol como também percebe imenso de futebol, não se importando de corrigir em seu desfavor uma decisão da FIFA que lhe terá parecido injusta. E Ronaldo não só percebe imenso de futebol como também percebe ainda mais de balneário. Ronaldo é esperto.

Por falar em pessoas espertas que percebem imenso de futebol... Não há que descartar do barulho dos grandes triunfadores sobre a Coreia do Norte a figura de José Peseiro. Foi tornado público, há algumas semanas, que Carlos Queiroz pediu ao seu antigo adjunto no Real Madrid um relatório exaustivo sobre a selecção mais misteriosa deste Mundial.

E Peseiro terá cumprido com rigor e minúcia a redacção desse relatório, assinando um trabalho capaz de fazer inveja até ao próprio André Villas-Boas que, como se sabe, é a maior sumidade mundial em relatórios.

Também é verdade que, para José Peseiro, a Coreia do Norte não é a selecção mais misteriosa do mundo, visto que o treinador português, quando orientou a Arábia Saudita na fase de qualificação para este Mundial, defrontou a equipa asiática e conseguiu mesmo ver-se afastado do grande palco da África do Sul no confronto directo com arte futebolística dos norte-coreanos. E é isto que espanta. O facto de José Peseiro ter feito, com certeza, um bom relatório não espanta nada.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: Jornal A Bola

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