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Toda a informação sobre o Glorioso

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Orelhas e rabos

06.03.11, Benfica 73

Há coisas que nunca mudam. Apesar de as investidas de Jorge Jesus serem feitas às claras, filmadas de todos os ângulos e passíveis de censura pública imediata (e mediática), para não dizer prévia, há quem as veja envoltas em penumbra e só seja capaz de as situar dentro de um túnel recôndito e misterioso. Felizmente os desmandos do treinador do Benfica, a rebentar emocionalmente com a pressão que a grandeza do clube sobre ele exerce, são realizados no centro do relvado, frente ao esquema de realização televisiva com mais câmaras, impossível de esconder, retocar ou envolver em trevas jurídicas. Jorge Jesus mostra-se genuíno e frontal, para espanto de quem aprecia versões obtusas e desenvolveu técnicas de legitimação legalista para a mais tosca súcia futebolística.

No final de um jogo de enorme importância, o presidente do FC Porto atirou para o túnel dos testemunhos gratuitos uma atoarda típica, não resistindo a morder o pescoço dos seus heróis, retirando dimensão e efeito a um triunfo de implicações positivas com a tentativa de abertura de mais uma frentezinha de guerrilha. A alegação de “incentivos” indirectos aos adversários pontuais do FC Porto é apenas mais uma da longa série de acusações gratuitas e graves que a Liga, dirigida por um velho correligionário, ignorará olimpicamente, incapaz de tomar a defesa certa num confronto entre os interesses particulares e o bem comum. Como consequência, mais uma vez a excelente exibição e convincente triunfo começaram por diluir-se na espuma das ondinhas de Olhão e acabaram submersas pela vaga de fundo que devolveu o Estádio da Luz ao epicentro das emoções desportivas do país – somando já 20% mais de espectadores do que o rival.

As erupções de adrenalina de Jorge Jesus no final dos seus despiques com os amigos da Madeira são passíveis de corretivo e não se entende que demorem tanto tempo a ser julgadas como as patifarias acobertadas por minas de lona ou possam acabar impunes como qualquer arranjinho secreto apenas audível no YouTube. Os empurrões, estaladas e fanfarronices do treinador encarnado surgem aos holofotes como rabos e orelhas cortadas depois de emotivas batalhas no redondel da bola – e repetem-se numa sugestão de incentivos premeditados de quem quer manter em segregação, já para o jogo seguinte, a adrenalina do 3.º Anel.

Jorge Jesus joga com as emoções de um clube em êxtase, não obstante ter virtualmente falhado, cedo de mais, o objetivo principal. Não há memória de tanto entusiasmo em torno de uma equipa não campeã – e ninguém conseguirá espoletar um incentivo mais eficaz do que estádios cheios e retumbantes retornos mediáticos. E assim, mais uma vez, é também com a transparência dos atos e da regulação que os órgãos disciplinares da Liga se confrontam neste novo fenómeno das explosões de mau génio do treinador do Benfica. As irregularidades são claras e os acórdãos têm obrigação de também o ser, quando se esgotarem os prazos adequados de investigação e de julgamento. Do mesmo se pudessem orgulhar todos os que são apanhados a pisar o risco e a falar de mais nos bas-fonds da bola.

Autor: JOÃO QUERIDO MANHA
Fonte: Record

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