Julho 20 2011

Seria de esperar que, no meio da crise financeira em que o Mundo se encontra, os bancos tivessem aprendido a lição e se coibissem de disponibilizar produtos financeiros de altíssimo risco – e, no entanto, aí estão as obrigações do Sporting. Para quem duvida do grau de risco envolvido na operação, trata-se de um fundo que aposta fortemente na hipótese de vir a haver clubes estrangeiros dispostos a perderem a cabeça para levar o Anderson Polga ou o Carlos Saleiro. Bem sei que estou longe de dominar o altamente qualificado mundo da finança, mas, nesta altura, não teria mais mercado, por exemplo, um fundo que investisse em jogadores estrangeiros completamente desconhecidos, apostando que, mais cedo ou mais tarde, eles serão contratados pelo clube de Alvalade?

Diga-se de passagem que, apesar do meu pessimismo, tudo indica que a subscrição das obrigações por parte dos sportinguistas está a ser um sucesso, ao contrário do que fazia prever a fraca adesão dos sócios aos lugares cativos. Mas é possível que, depois do que sucedeu nas últimas duas épocas, os adeptos leoninos encarem com entusiasmo todas as formas de dar dinheiro ao seu clube que não incluam a prerrogativa de assistir aos jogos da equipa. Ainda assim, pressente-se nos adeptos que subscrevem as obrigações o mesmo tipo de desconfiança que sentem quando dão um euro a um jovem com os dentes estragados, que anda a pedir esmola na rua: “Quanto? Mas é mesmo para comprar jogadores? Da última vez que dei, usaram o dinheiro no Maniche e no Pongolle… Desta vez, posso confiar?”

Seja como for, não há dúvida de que se respira um maior otimismo em Alvalade: Domingos Paciência, que na época passada garantiu o terceiro lugar ao Sporting, espera este ano fazer melhor. Para já, o momento alto da pré-época foram as imagens da conferência de imprensa em que Bojinov exibiu a tatuagem de um felino e, pelo caminho, uma pulseira do equilíbrio. Percebe-se que alguém que acredita nos efeitos de um produto cujo fabricante já veio desmentir as publicitadas propriedades, creia também que o Sporting é um bom passo na sua carreira.

Autor: Miguel Góis

Fonte : Record

publicado por Benfica 73 às 01:01

Julho 07 2011

Depois de ter passado a época inteira a criticar as entrevistas de Jorge Jesus à Benfica TV, qual foi a primeira coisa que André Villas-Boas fez quando chegou a Londres? Deu uma entrevista à Chelsea TV, esse sim, um canal com jornalistas isentos que colocam questões extremamente incómodas. Seja como for, tanto nessa primeira entrevista como na conferência de imprensa em que se estreou esta semana, diga-se que o novo treinador do Chelsea convenceu os exigentes media ingleses com um discurso inteligente e humilde. Quase toda a gente teve direito a recados: José Mourinho (“isto não é um one man show”), o plantel do Chelsea (“se os jogadores perdem o respeito pelo treinador, alguma coisa está errada”) e até os Super Dragões (“vim para o Chelsea contra a vontade da minha família”).

Villas-Boas terá cometido apenas um deslize. Apesar de agora se encontrar a trabalhar num país protestante, não deixou de sucumbir à ética católica e decidiu revelar que a sua ida para o Chelsea não foi motivada pelo dinheiro – dado que o FC Porto até cobria a oferta de Abramovich – mas sim pelo desafio. O que, convenhamos, piora o caso. Pessoalmente, não respeito profissionais que violam as suas convicções sem ser por grandes somas de dinheiro. Veja-se o meu exemplo: eu não acredito no trabalho; mas, por uma quantia, abdico momentaneamente dessa minha convicção e labuto com gosto. Aliás, qualquer historiador certificará que o próprio amor só recentemente passou a ser motivado pelo amor; até há bem pouco tempo, o casamento era uma transação financeira. E não consta que houvesse adeptos da filha do carroceiro a gritar no dia da boda: “Traidor! Disseste que gostavas da Lucrécia desde pequenino, mas vais é desposar a fidalga!”

Se Villas-Boas abandonou o seu clube do coração pelo desafio, então nesse caso dificilmente não se tratará de uma traição à causa portista. Além de que terá constituído um negócio ruinoso para Abramovich: em princípio, Villas-Boas teria aceitado de bom grado ir para Londres por menos dinheiro do que aquele que ganhava no Dragão.

Autor: MIGUEL GÓIS

publicado por Benfica 73 às 02:33

Junho 29 2011

No dia 22 de Maio, Pinto da Costa produziu uma declaração bombástica, em entrevista a Fátima Campos Ferreira, declaração essa que não teve o devido destaque na comunicação social. Disse ele, perante a indiferença da entrevistadora: “Se algum clube me oferecesse 5 milhões de euros por ano para eu o ir dirigir, não hesitava em abandonar o FC Porto, e muito menos daria qualquer satisfação aos seus adeptos.” Na verdade, Pinto da Costa não disse isto por estas palavras. Mas disse “Villas-Boas é tão portista como eu”, o que vai dar ao mesmo.

Dirão alguns leitores que só a minha má-fé explica a opção de retirar consequências de uma frase proferida por Pinto da Costa um mês antes de ele saber que André Villas-Boas ia abandonar o clube; ao que eu respondo, não será tanto a minha má-fé quanto as próprias declarações de Pinto da Costa na última terça-feira, 21 de Junho: “Há um mês e pouco, quando o nosso treinador foi um fim-de-semana a Londres, coloquei a Vítor Pereira a questão: está preparado para chefiar a equipa?” Ora, se se confirmar que entre 22 de Maio e 21 de Junho passou menos de um mês, parece-me pacífico que, quando o presidente do FC Porto disse que Villas-Boas era tão portista quanto ele, já desconfiava da lealdade do treinador em relação à causa azul e branca; já sabia que Villas-Boas podia estar a enganar a cadeira de sonho que tinha no Dragão com a mesa das negociações que o Abrahmovich tem no iate. E, equiparando-se a Villas-Boas, pretendeu provavelmente fazer um piscar de olhos a um qualquer clube que estivesse interessado em abrir os cordões à bolsa por um dirigente experiente e dedicado.

A única defesa possível de Pinto da Costa, para além de se argumentar que aquela frase é um dos mais belos exemplos da sua ironia, passará por garantir que André Villas-Boas é efetivamente um portista indefetível, que só saiu para Inglaterra porque sentiu que Vítor Pereira era mais treinador do que ele. E a confirmação de que não é o único a pensar assim veio mais tarde, com a divulgação de que a cláusula de rescisão de Vítor Pereira é 3 milhões de euros mais alta que a de Villas-Boas.

Dito isto, o novo treinador do Chelsea tomou uma decisão acertada, ao demitir-se no final da época. Retirou as devidas ilações em relação ao desempenho da sua equipa na Taça da Liga.

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:44

Junho 22 2011

Segundo as minhas contas, há onze meses e sete dias que não faço qualquer observação depreciativa em relação ao talento de Carlos Queiroz para treinar equipas de futebol. Estou, como é biologicamente previsível, a ressacar. Várias vezes ao dia, assalta-me uma súbita vontade de assistir a um jogo particular do Irão, ou, quando a pulsão aditiva é tanta que já nem é necessária satisfazê-la com jogos em direto, a reposição de uma qualquer partida que Queiroz tenha orientado no passado e em que não tenha conseguido uma vitória. Convenhamos que a escolha é, neste último caso, enorme.

Mas o caso é mais grave do que parece. Aqui há uns tempos, a Federação Portuguesa de Futebol obrigou-me a fazer uma coisa muito desagradável, que ainda hoje lhes guardo ressentimento: a vir defender o ex-selecionador nacional, na sequência do processo disciplinar absurdo de que foi alvo. E hoje temo que o volte a fazer. A continuar a este ritmo, qualquer dia serei tão pró-Queiroz, que começarei a referir-me a ele como ele se refere a si próprio em todas as entrevistas que dá – “eu, que em 1989 e 1991 fui campeão mundial nos Sub-20…”

Mas tem de ser. Na semana passada, Raul Meireles, antes do Portugal-Noruega, declarou: “Portugal mudou, pois tem um treinador com métodos novos. E aí está a grande diferença. Hoje, os jogadores sabem o que têm de fazer.” Até no boxe, que é um desporto violentíssimo, há uma pessoa que está encarregue de interromper o combate, quando um dos lutadores está no chão, inconsciente, e o outro está no seu canto a festejar, com o seu treinador. Como se trata de futebol, alguém já devia ter dito que é feio continuar a bater em quem está no chão.

Por favor, não me obriguem a vir outra vez defender Carlos Queiroz, que em 1989 e 1991 foi campeão mundial dos Sub-20.

Autor: 

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:50

Junho 21 2011

Para não destoar do Sport Lisboa e Benfica, também eu gostaria de me despedir do Nuno Gomes através de um comunicado. Adeusinho, Nuno. Boa sorte e tal. Pronto, já está. Venha o próximo avançado!

Apercebo-me, agora, de que esta talvez não seja a forma mais urbana de um clube se despedir daquele que foi o 8.º jogador da sua história com mais golos no campeonato nacional (só atrás de Eusébio, José Águas, Nené, Torres, Arsénio, Julinho e Rogério “Pipi”). É certo que a oferta de um posto na estrutura da SAD funciona como atenuante. Mas o cargo oferecido – diretor de Relações Externas – não me parece o indicado. Acredito sinceramente que, nesta altura, o Benfica precisaria mais de um diretor de Relações Internas: alguém que, entre outras coisas, evitasse que jogadores com 12 anos de casa abandonassem o clube sem ser homenageados.

Lembro-me de, precisamente no primeiro desses 12 anos, haver entre os adeptos do Benfica “O Debate Nuno Gomes”: era um ponta-de-lança puro, ou rendia mais a segundo avançado? Atrás de Brian Deane, na época 97/98 fez 22 golos em 40 jogos. É segundo avançado! No ano seguinte, à frente de João Vieira Pinto fez 34 golos em 43 jogos. É ponta-de-lança! Foi o fim do debate. É jogador!

Também não me esqueço do passado recente. Este seu último ano de águia ao peito ficará na história: 5 golos em apenas 95 minutos. Em termos estatísticos, parece-me evidente que, se o Jesus tivesse posto Nuno Gomes a titular no Dragão para o campeonato, o jogo teria acabado empatado.

E, desta forma, o Nuno fica a saber por este texto que lhe estou muito agradecido. Julgo que não o estranhará, uma vez que está habituado a tomar conhecimento de muitas coisas pelos jornais.

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:06

Junho 07 2011

Na terça à noite, exultei e emocionei-me a assistir à reposição, na Benfica TV, do quinto episódio de “Vitórias & Património” (um programa que, se passasse na Porto TV, intitular-se-ia “Vitórias & Aumento do Património dos Árbitros” e, se estivesse na grelha da Sporting TV, chamar-se-ia apenas “Património”), a propósito do cinquentenário da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus.

Antes de mais, é necessário ter presente que, em 1961, o futebol era muito diferente daquilo que é hoje em dia, nomeadamente porque havia, pelo menos, uma defesa contra a qual o Barcelona não fazia farinha. Outros tempos. Mas o ataque do Sport Lisboa e Benfica não ficava atrás: tinha jogadores com tanta qualidade, que o Eusébio nem era convocado.

Regressando ao documentário, há vários momentos assinaláveis. A saber: José Águas, na segunda mão das meias-finais contra o Rapid de Viena, implora ao árbitro inglês que assinale uma grande penalidade a favor dos adversários (“Marque o penálti, senhor, para ver se saímos todos daqui vivos!”); Mário João declara que, hoje em dia, senta-se a ver a final contra o Barcelona todas as semanas; vê-se o lance em que a bola bate num poste da baliza de Costa Pereira, atravessa a linha, bate no outro poste e sai (é curioso como a do Isaías, contra o Milan na Luz, já não tem tanta graça); vê-se o golo monumental, a partir do qual o Sr. Coluna devia ter passado a ser tratado por Dr. Coluna; nos últimos 15 minutos, perante a pressão do Barcelona, o Benfica estaciona o autocarro (o que, na altura, significava passar-se a jogar com quatro defesas); no final dos 90 minutos, o presidente do Benfica, Maurício Vieira de Brito, decide celebrar a vitória, tendo um AVC – ao seu lado, os funcionários do clube que estavam a saltar, todos nus, e a beber champanhe da garrafa sentem vergonha por, comparativamente, estarem a festejar de forma tão contida. Mais tarde, já recuperado, o presidente diria aos jogadores, no balneário: “Morrer ali, a ver o meu Benfica campeão europeu, não seria assim tão terrível.”

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:56

Junho 02 2011

É hoje que se joga a final da Liga dos Campeões, que irá ser disputada entre FC Barcelona e Manchester United – a fasquia está elevada, mas julgo haver condições para logo à noite se praticar um futebol ainda mais espetacular do que aquele a que se assistiu na final da Liga Europa. Se, por exemplo, o Barcelona conseguir fazer mais do que um remate à baliza adversária, isso significa então que Pep Guardiola ter-se-á borrifado de vez na sua promessa de se inspirar em André Villas-Boas. Aquilo que, à partida, era uma homenagem do técnico português transformou-se definitivamente numa picardia sem fim à vista:

“- Eu inspirei-me em Pep Guardiola.”

“- Não, não. Eu é que me inspiro em André Villas-Boas.”

“- Mau! A gente assim chateia-se. Antes de você se inspirar em mim, já há muito que eu me inspirava em si.”

“- Será? E tem maneira de provar isso?”

Em geral, fala-se muito da qualidade atacante do Barcelona. Pessoalmente, há muito que considero o Barcelona uma das melhores equipas a defender de que tenho memória. Não raras vezes a equipa adversária tem pouco mais posse de bola do que eu, que estou em casa a assistir ao jogo pela televisão. Ou muito me engano ou o intervalo em que os adversários do Barcelona têm a bola durante mais tempo seguido verifica-se entre o momento em que a vão buscar ao fundo da baliza e a altura em que a colocam no centro do terreno. A partir daí, é sempre a descer. É por isso que há equipas que se chegam a sentir aliviadas quando sofrem golo.

E quando, aos oitenta e tal minutos, Xavi falha o primeiro passe e um adversário recupera a bola, o que é que sucede? Esse adversário está demasiado frio para conseguir dar um seguimento digno à jogada. Mas, ainda mais assombroso, o Barcelona consegue fazer tudo isto, apesar de ter Busquets no onze. Imaginem o que faria com Javi García…

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:01

Maio 25 2011

Por princípio, não assisto a transmissões televisivas que cobrem festejos de títulos conquistados pelo FC Porto. Como se depreende, não tenho visto ultimamente muita televisão. Mas, quando vejo, certifico-me de que, por exemplo no dia a seguir à conquista da Liga Europa, começo a ver o telejornal a partir das oito e um quarto, oito e vinte da noite. Às vezes, não me apetece estar assim tão bem informado.

Acontece que, quando a azia acalma, não resisto a espreitar a festa portista, só com o fito de testemunhar o esforço que alguns jornalistas fazem para tentar dar credibilidade e prestígio a uns festejos que se fazem ao som de “SLB, SLB, filhos da p…”. Os meus preferidos são aqueles repórteres que alteram cirurgicamente o ritmo sincopado das suas frases até à altura mais politicamente incorreta do cântico, a partir da qual desatam a falar freneticamente, sem pausas para a respiração. É, assim, com alguma dificuldade que se percebe de que profissão se está ali a falar. E é uma pena, porque, quer-se queira quer não, esse é hoje o cântico mais representativo do FC Porto. E não escrevo isto só pelo facto de o seu hino oficial falar em nobreza e lealdade, algo que me parece manifestamente anacrónico.

Seja como for, escutar milhares de adeptos portistas a entoarem esse cântico durante os festejos é, por mais estranho que pareça, emocionante. É que eles cantam sem se aperceberem de que na esmagadora maior parte do tempo estão só a cantar “SLB! SLB!”. Em rigor, aproximadamente 75% desse cântico é profundamente benfiquista. Convenhamos que se trata de uma percentagem anormalmente alta. Sendo assim, lanço uma questão incómoda mas cada vez mais premente: numa altura em que milhares de adeptos portistas frequentam os mais altos palcos do futebol internacional, não será já da mais elementar justiça nomeá-los a todos embaixadores do Benfica?

Autor: MIGUEL GÓIS

publicado por Benfica 73 às 02:24

Maio 19 2011

Não sei bem porquê, mas, quando alguém refere o facto de Pinto da Costa ser o dirigente com mais títulos do Mundo, isso lembra-me sempre aqueles taxistas que não se cansam de nos lembrar de que no tempo de Salazar quase não havia criminalidade. Suponho que aquilo que me choca nos dois casos é a total descontextualização.

Contextualizemos então, pelo menos uma dessas situações: esta semana, veio a público uma gravação em que Jacinto Paixão, depois de uma longa carreira na arbitragem, dá a sua primeira contribuição para a verdade desportiva. Na sequência das suas declarações, o país ficou boquiaberto por ouvir falar de viagens pagas a árbitros através da Agência Cosmos, de favores sexuais em troca de resultados adulterados, e de jantares de António Garrido com elementos de equipas de arbitragem. Em rigor, a afirmação mais duvidosa do vídeo é a de que o processo Apito Dourado poderá vir a ser reapreciado pela justiça portuguesa. “E agora? Será que a justiça vai, finalmente, agir?” Esta é fácil. A resposta é, obviamente: sim, até porque o Pai Natal e o Coelhinho da Páscoa entretanto chegam a Portugal e envolvem-se pessoalmente na causa.

Mas o principal mérito da gravação é oferecer-nos a possibilidade de ver como aqueles que até hoje acusavam os outros de terem teorias da conspiração em relação aos campeonatos conquistados pelo FC Porto conseguem eles próprios tecer maquinações notáveis. Repare-se, dizem eles, que Jacinto Paixão diz “ex-árbitro” e, em 2004, ainda apitava. Note-se também que ele parece estar a ler. Assinale-se, já agora, que a gravação veio a público na semana em que a justiça deu mais uma vitória ao FC Porto. Fica-se a saber, pois, que é impossível dizer a verdade em 2011, enquanto se lê um texto previamente escrito, e sobretudo numa semana em que o FC Porto vence um processo em tribunal.

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:14

Maio 11 2011

A primeira coisa que me consola é perceber. Perceber como é que esta época pôde acontecer. Nessa medida, quero ver o meu presidente e o meu treinador a falarem dos erros que foram cometidos, e sobre o que se vai fazer no futuro para evitar que o clube os cometa de novo. Por exemplo, por que é que a equipa que marcou quatro golos em casa ao Lyon e ao PSV não consegue marcar um golo fora ao Braga e, já agora, ao Hapoel? Por que é que os jogadores, de há uns tempos para cá, parecem arrasados física e mentalmente? Por que é que Javi García joga tão recuado, quase como terceiro central, contra equipas que alinham apenas com um ponta-de-lança (FC Porto e Braga), deixando um buraco no meio-campo? Por que é que Airton não joga ao lado de Javi García contra equipas que povoam o meio-campo com três jogadores (FC Porto e Braga), se tão bons resultados essa dupla teve na segunda parte da final da Taça da Liga, quando o Paços de Ferreira começava a dominar o meio-campo? Por que é que não há um plano B para quando equipas como FC Porto e Braga nos fazem pressão alta? Por que é que certas atitudes individualistas de Gaitán e, sobretudo, de Jara (e, sim, refiro-me à forma absurda como nasce o primeiro golo do FC Porto na Luz, na meia-final da Taça de Portugal), parecem passar impunes?

De seguida, quero ação. Quero que o Benfica renove com Maxi Pereira já esta semana. Quero que o Fábio Coentrão fique no clube e seja aumentado, passando a ser o mais bem remunerado jogador do plantel. Quero que se faça uma boa oferta ao Atlético Madrid por Salvio, que já demonstrou vontade de ficar no clube. Quero que Pablo Aimar, de quem se diz estar de saída, não saia, apesar do bom ordenado que aufere – ele merece-o (na final da Taça da Liga, para além da magia do costume, pareceu-me o jogador em campo que mais bolas recuperou).

Outros preferirão ver cabeças a rolar. Eu quero levantar a cabeça.

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:00

Maio 05 2011

Quem ler a imprensa de ontem ficará convencido de que, em abril, o FC Porto foi a primeira equipa com dois portugueses no onze a conseguir a proeza de marcar cinco golos ao Villarreal. Em rigor, o Valencia de Ricardo Costa e Miguel fê-lo aqui há umas semanas, com a vantagem de não ter sofrido nenhum golo, e não terá sido por isso que foi considerada pela comunicação social espanhola uma das melhores equipas da Europa. Mas, enfim, compreendo que se esteja numa altura em que interessa esquecer como o FC Porto chegou à excelente forma que apresenta neste último terço da época, nomeadamente os casos de arbitragem nas primeiras jornadas do campeonato.

Não deixa de ser, por isso, irónico que alguns adeptos portistas se coloquem ao lado de José Mourinho na sua luta contra o poderio extrafutebolístico do Barcelona. É que o discurso do treinador do Real Madrid sobre a equipa catalã – é uma fantástica equipa de futebol e com um treinador muito competente, mas que também tem muito poder nos jogos de bastidores – serve que nem uma luva a clubes que o special one treinou no passado. Por razões que desconheço, só agora é que isso o parece incomodar.

Mas são declarações refrescantes, porque se baseiam num pensamento complexo que tantas vezes é descartado: uma equipa pode ser excelente, pode jogar melhor que o seu adversário e, ainda assim, ser decisivamente beneficiada pela arbitragem. (Que é como quem diz: mesmo tendo dominado o meio-campo do Benfica na segunda parte, sem o golo de Hulk em fora-de-jogo, o FC Porto não estaria na final da Taça de Portugal). Até porque é uma falácia partir do pressuposto de que as melhores equipas vencerão, mesmo que não haja interferências por parte da arbitragem. Não é, Otto Rehhagel?

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:47

Abril 27 2011

Irritabilidade, depressão, suores frios… Ninguém me convence de que, quarta à noite, não me chegou a andropausa. Outro sintoma de que padeço desde essa altura é uma atenção inaudita a minudências: por exemplo, uma vez que o FC Porto está a usar regularmente o nosso estádio como salão de festas, não se lhes deveria começar a mandar a fatura? Enfim, até podíamos aproveitar para mostrar que ainda nos lembramos dos preceitos que se cumprem na tesouraria das Antas desde a viagem de Carlos Calheiros e mandar-lhes a fatura em nome de “Sport e”, de modo a não se identificar facilmente o prestador de serviços.

Quem me conhece, sabe que sou um indivíduo bastante pacífico – como todos os lingrinhas, que não têm jeito para a porrada. Por exemplo, não pratico nenhuma arte marcial. (Se praticasse, escolheria o judo, porque é uma arte marcial em que se aprende a usar em nosso favor a força do adversário e, em rigor, essa é a única força com que eu posso contar.) Mas, neste momento, recusar uma guerra aberta com o FC Porto não é só uma questão ética – é uma questão de inteligência. Toda a gente já percebeu que a estratégia de Pinto da Costa passa por inventar inimigos, como forma de motivação da sua equipa. Vestir a pele de inimigo – apagando a luz durante os festejos dos jogadores portistas, ou colocando no sistema de som do estádio o refrão “Cheira bem/Cheira a Lisboa” – é um favor que lhe fazemos.

Alguns adeptos benfiquistas responderão: “Mas o Benfica não é o Gandhi.” Talvez seja altura de lembrar que Gandhi ficou na história justamente por, sem abdicar da sua identidade e dos seus princípios morais, ter conseguido vencer os seus adversários. O Sport Lisboa e Benfica, por este caminho, arrisca-se a não conseguir nem uma coisa, nem outra.

Autor : Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:23

Abril 13 2011

Agora, uma autocrítica. Um dos problemas desta coluna é que cito mais frequentemente o Sousa Tavares e o Rui Moreira do que indivíduos famosos pela sua perspicácia, mas sem por isso deixarem de possuir um notável sentido de humor. Trata-se de uma falha que urge reparar, desde já: depois dos 5-0 escrevi neste espaço que “o campeonato da revolta é um que o clube da Luz nunca ganhará. A revolta é a marca dos pequeninos”. Lamentavelmente, o último domingo fica na história como o dia em que o Benfica foi pequenino. Não é fácil, convenhamos, para um clube desta envergadura.Antes do último fim-de-semana havia duas coisas que o Benfica tinha e a que muito dificilmente o FC Porto podia ainda almejar: uma delas é a Taça Latina; a outra é uma certa superioridade moral. Concentremo-nos nas boas notícias: ainda temos a Taça Latina. A outra, pela qual tinha mais estima, terá ficado seriamente comprometida pelos apedrejamentos em redor do estádio e bolas de golfe lançadas para o relvado, mas sobretudo pela decisão oficial de, num ato que desrespeita a história e os valores do clube, se tentar impedir os naturais festejos dos jogadores campeões.

Dito isto, resta-nos o consolo de assistir à expressão pública e privada da indignação que inúmeros benfiquistas sentiram perante a decisão dos responsáveis encarnados, e estabelecer um paralelo com a atitude complacente que a totalidade dos adeptos portistas toma perante, entre outros escândalos, o apito dourado. Se fôssemos como eles, quando nos falassem no apagão da Luz, diríamos: não vi nada, isso não está provado. E se nos dissessem para irmos ao YouTube ver, que estava lá tudo, responderíamos: o Benfica nem sequer foi condenado nos tribunais civis, limitou-se a sofrer uma punição inconsequente no âmbito da justiça desportiva. Seria fácil. Mas não o fazemos. Ainda há esperança.

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:11

Março 29 2011

Tenho de dar o braço a torcer. Só agora, depois de assistir à campanha eleitoral que terminou ontem, é que me apercebi das razões por que a primeira opção do Sporting tem sido quase sempre a cooptação. Se é isto que sucede quando o clube vai efetivamente a votos, então permitam-me parafrasear Churchill: a cooptação é o pior dos sistemas com exceção de todos os outros. Mas o nível da campanha eleitoral foi tanto mais chocante quanto se sabe que os sportinguistas gostam de se apresentar como um clube diferente e distinto. Ora, ao pé dos debates entre candidatos à presidência do Sporting, as assembleias gerais do Benfica parecem o Gambrinus.

Há quem diga que os debates ajudaram a estabelecer Bruno de Carvalho como o favorito à vitória. Não é a minha opinião. Se os debates tiveram uma grande influência junto dos sócios do Sporting, prevejo que quem vai ganhar a presidência são os votos nulos. Às tantas, já não era assim tão grave ser-se chamado de mentiroso, tal foi a quantidade de vezes que os candidatos recorreram a esse mecanismo – Godinho Lopes, em especial, não parecia tão chocado com esse tipo de injúria como quando o acusavam de pertencer à “continuidade”, essa sim, uma palavra que lhe feria nitidamente a honra.

Em relação a Dias Ferreira, foi o candidato que mais me surpreendeu. Há anos que acompanho e admiro a sua capacidade para, enquanto comentador, se escapar constantemente à atividade de comentar. E acaba por ser irónico que tenha sido preciso retirar-se de um programa de comentário desportivo para ficarmos a saber as suas opiniões sobre inúmeras matérias.

De resto, estou convencido de que só uma manobra de última hora poderia dar a vitória à lista de Godinho Lopes. A única hipótese que, com todo o respeito, o candidato da continuidade ainda teria de vencer as eleições seria, num golpe de teatro, convencer José Eduardo Bettencourt a dar o seu apoio a Bruno de Carvalho.

Autor: MIGUEL GÓIS

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:12

Março 20 2011

Há adeptos que só conseguem descarregar a frustração de verem a sua equipa ser roubada pela equipa de arbitragem proferindo insultos e palavrões em voz alta. Não é o meu caso, infelizmente. Eu tenho um problema: só consigo expressar convenientemente a minha indignação sob a forma de antigas manchetes do já extinto “Tal & Qual”. A título de exemplo, o que me apraz registar sobre o último Sp. Braga-Benfica é que o jogo foi, de certa forma, uma ganda cegada! É tudo a gamar! Isto está a saque! (Ok, já me sinto melhor.)

Acontece que, no domingo, a dream team da arbitragem portuguesa – Carlos Xistra encarregou-se de não mostrar vermelhos a Hugo Viana e a Kaká, enquanto Luís Marcelino se concentrou em anular golos limpos ao Benfica, e José Cardinal se especializou em expulsar jogadores encarnados por sofrerem falta – fez uma exibição tão épica, que esgotei o stock do saudoso semanário e tive de me socorrer de algumas manchetes do também extinto “24 Horas”.

Autor:  Miguel Góis
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 01:46

Março 09 2011

1. “Se o critério disciplinar tivesse sido igual, o jogo não teria este desfecho. Há tantas situações… contra-ataques parados que não são punidos, faltas a meio campo que não são marcadas e geram cantos”, disse José Couceiro, depois de perder por 2-1 na Luz. Se houvesse justiça, criava-se um regulamento na Liga de Clubes que interrompia imediatamente as flash-interviews dos treinadores, no preciso momento em que eles utilizassem os vocábulos “faltas a meio campo”, com o objetivo de defender a imagem da modalidade. Fica a ideia.

2. “É evidente que o Benfica está num momento muito bom e tem individualidades que a qualquer altura podem fazer a diferença”, disse Manuel Machado, depois de perder (também em termos táticos) 4-2 na Luz. Mas o técnico do Guimarães tem esta capacidade de fazer afirmações insustentáveis, como por exemplo quando rotulou Jesus de “mestre da tática”. Ainda hoje não percebo a ironia.

3. “Foi permitido muita coisa. Cortaram-nos algumas transições, marcaram faltas que não existiam e não assinalaram outras que deviam ser marcadas”, disse Pedro Martins, depois de perder 2-1 na Luz. Outro a queixar-se de faltas a meio campo, portanto. Se se juntasse a Couceiro, talvez fosse possível fazer uma exposição à FIFA.

4. “Não fomos inferiores em nada ao Benfica. Fomos até, em várias partes do jogo, superiores”, disse Cabral, depois de perder 2-0 em Alvalade. E acrescentou: “Contra onze, provavelmente teríamos mais espaços para jogar”. O que vem demonstrar que, quando as circunstâncias o exigem, o Sporting também é capaz de justificar as suas derrotas com o facto de ter sido beneficiado pela arbitragem. É um Plano B, no capítulo das lamúrias.

5. “O Benfica é uma equipa muito forte e controlou muito bem o jogo. Ainda tivemos algumas oportunidades, mas eles foram superiores. Viu-se que o Benfica é uma equipa de topo europeu”, disse Bruno Labbadia, treinador do Estugarda, depois de perder 2-0 na Alemanha. Cá está. Não é assim tão difícil, pois não?

Autor:  MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 02:31

Março 04 2011

No espaço de quatro dias, e com uma viagem pelo meio, a equipa do Benfica vulgarizou o Sporting e o Estugarda nos seus respetivos terrenos. Temo que assim se esteja a banalizar o futebol-espetáculo. Corre-se o risco de o espectador português esperar que em todas as partidas se pratique bom futebol. Pelo sim, pelo não, aconselho o visionamento de um ou dois jogos do FC Porto para se voltar à realidade.

Comecemos pelo dérbi, o primeiro desde há muitas épocas em que se sabia de antemão que Liedson não ia resolver (muito se falou sobre a tática de Jorge Jesus, mas a estratégia de José Eduardo Bettencourt também acabou por ter influência no resultado). No fim da partida, o Benfica venceu e a imprensa sentenciou: Gaitán foi o homem do jogo, Postiga o homem do fora-de-jogo. Em relação à estratégia de Jorge Jesus, o Benfica estudou dois sistemas táticos, semelhantes aos que tinha já utilizado no último jogo contra o FC Porto: um 4x4x2 que anulava as iniciativas da equipa adversária, e um 4x4x1 que anulava as iniciativas do árbitro da partida. Em termos estatísticos, com este resultado, Jorge Jesus igualou o recorde de 15 vitórias seguidas conquistado por Jimmy Hagan e Eriksson. Todavia, caso o clube de Alvalade tivesse ganho, Paulo Sérgio também teria batido o recorde de vitórias do Sporting, nesta época: ou seja, uma vitória seguida.

Em relação ao Estugarda-Benfica, foi uma partida que não espelhou convenientemente a realidade que os dois países vivem atualmente – na quinta à noite, quem precisava de um “bail out” eram os alemães (não nos custava nada, por exemplo, emprestar-lhes o Roderick e o Nuno Gomes). Seja como for, caso ultrapasse o PSG, restam ao clube da Luz ainda algumas equipas bastante acessíveis na Liga Europa, como é o caso de Rangers, Twente ou FC Porto. Pessoalmente, torço para que nos calhe o clube das Antas, uma vez que o Benfica teria direito a uma enorme regalia: árbitros estrangeiros. Mas, conhecendo a nossa sorte, ainda nos calhava o Olegário Benquerença.

Autor:  Miguel Góis
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 00:23

Fevereiro 24 2011

Ultimamente, André Villas-Boas parece investir cada vez mais tempo em mind games. Olha-se para a qualidade do futebol praticado pelo FC Porto e não se tem dificuldade em perceber qual tem vindo a ser a prioridade do técnico portista. O futebol em si é, sempre foi, muito sobrevalorizado no mundo do futebol. Pois bem, a última moda de Villas-Boas consiste em convocar um jogador que sabe, à partida, não ter condições físicas ou psicológicas para alinhar. Neste momento, pode dizer-se que o Falcão é o papão dos tempos modernos. Quando os mais jovens adeptos do Benfica e do Sevilha contrariam os seus pais, estes agora dizem: “Se não te portas bem, vem aí o Falcão”. Tal como o seu antecessor, nunca vem. Mas, pelo menos, assusta a pequenada.

Por isso, se o leitor quer dar por bem empregue o seu tempo, assista às conferências de imprensa de André Villas-Boas e às partidas de futebol do Benfica – constatará que é complicado decidir em qual das duas há mais fantasia e criatividade.

Não se percebe é porque é que há tantos espectadores que pagam dinheiro para ver os jogos do FC Porto, se podem passar logo para a parte mais interessante da noite e ouvir os comentários do técnico portista a título gratuito. Por um lado, até é pena os mind games de Villas-Boas não terem eco junto do técnico do Benfica. Se Jorge Jesus não estivesse ocupado a construir uma nova fornada de craques (Sidnei, Gaitán, Jara e Salvio), ripostava à altura e anunciava, só para baralhar, a convocatória de Shéu Han. Mas, enfim, cada um tem os seus interesses.

Seja como for, o certo é que este mais recente mind game do técnico portista parece surtir efeito: os treinadores adversários ficam verdadeiramente baralhados, sem saber se o FC Porto vai praticar um futebol aborrecido e previsível com Falcão, ou um futebol aborrecido e previsível sem Falcão. Imagino a angústia...

Autor:  MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 01:13

Fevereiro 15 2011

Vimos a assistir, nos últimos tempos, a inúmeros alertas em relação ao perigo que o populismo representa para o Sporting. Compreende-se a preocupação, uma vez que o clube se tem dado tão bem com o elitismo. Afinal, o que seria hoje do Sporting, se não tivesse sido gerido por gestores de topo? Provavelmente, acumularia um passivo preocupante, ou implementaria uma lógica completamente irracional na contratação e demissão em série de altos funcionários. Tudo isto de acordo com os mais modernos princípios de gestão (inclusive aquele que defende que uma empresa deve estar plenamente satisfeita por ser a segunda do seu sector com mais quota de mercado, em vez de almejar a liderança). Com aristocratas destes, quem é que precisa do povo?

Dito isto, começa a instalar-se junto de alguns sócios a sensação de que as eleições no clube (um mecanismo legal de exceção que é acionado quando a sucessão e a cooptação falham) não serão inteiramente livres, e o pior é que parece estar muito longe um 25 de Abril no Sporting – razão pela qual não se compreende de todo a fuga de Liedson para o Brasil.

Algo vai mal numa instituição desportiva, quando até o relvado do estádio é demitido. A última cabeça a rolar foi a do diretor para o futebol. Só agora, quase um ano depois de tomar posse, é que se percebeu por que razão Costinha terá elaborado um severo código de conduta, que desencorajava os jogadores do Sporting a lerem jornais desportivos e a verem programas de desporto na televisão: no fundo, era para os proteger das suas declarações bombásticas em programas da Sport TV. Por outro lado, assiste-lhe alguma razão. Antes da entrada de José Couceiro, Costinha continuava a ser conhecido como “o Ministro”. Depois da entrada do diretor-geral, passou a ser “o Ministro sem pasta”.

Autor: MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 00:32

Fevereiro 09 2011

A pensar naqueles que não conseguiram acompanhar os 90 minutos do FC Porto-Benfica (uns porque não têm televisão por cabo, outros porque saíram mais cedo do Estádio do Dragão), aqui fica uma pequena resenha dos acontecimentos:

20.15 – Antes de as equipas entrarem no relvado, passam nos ecrãs gigantes imagens do último FC Porto-Benfica, para contentamento geral do público: desta forma, os adeptos portistas não poderão dizer que naquela noite não festejaram golos do FC Porto.

20.23 – As equipas técnicas entram no relvado. Jorge Jesus limita-se a estender a mão a André Villas-Boas, depois de ponderar a hipótese de cumprimentar o técnico portista da mesma forma que cumprimentou Luís Alberto no final do Benfica-Nacional.

20.30 – Início da partida.

3’ – A bola sai pela lateral e André Villas-Boas domina o esférico com o peito. Durante toda a noite, será a única vez que um elemento do FC Porto conseguirá receber a bola à vontade, sem oposição imediata do adversário.

6’ – Golo de Fábio Coentrão. Perspicaz, o lateral-esquerdo percebeu que, hoje em dia, se ambiciona marcar golos, tem de o fazer no início da partida, antes que seja expulso pelo árbitro da partida.

22’ – Livre de Hulk, “o Razoável”, passa muito longe da baliza. É o que dá só estar habituado a rematar a 11 metros da baliza.

26’ – Golo de Javi García, a passe de Fernando. A tática de Jesus a resultar em pleno: para quê Aimar, se se tem os jogadores do FC Porto?

43’ – Cartão amarelo para Hulk por simular uma falta. Alguns comentadores defendem que o jogador brasileiro já devia ter sido admoestado antes, por simular ser um ponta-de-lança decente.

62’ – Belluschi, na marcação de um livre, remata fraco. O que se compreende: não se consegue ganhar balanço convenientemente, quando se está no bolso do César Peixoto.

63’ – Os adeptos do Benfica começam a ter algumas dificuldades em recordar-se do nome do defesa central que, há poucos dias, foi vendido para Inglaterra. Ainda sabem que o primeiro nome começa por “D” e que tinha caracóis, mas pouco mais.

Autor: MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 22:05

Fevereiro 02 2011

No dia 8 de março de 2007 tive o privilégio de assistir ao vivo à estreia de David Luiz com a camisola do Benfica, no estádio do Paris SG. Se não me engano, a equipa técnica arriscou a utilização de Luisão a titular, apesar de este não ter recuperado plenamente de uma lesão que o afligia, precisamente porque preferia não dar a titularidade a um miúdo de 19 anos, que vinha da 3.ª Divisão do campeonato brasileiro. Bom, acontece que, ao minuto 33, Luisão ressentiu-se da lesão. Nesse momento, Fernando Santos olha para o banco: não tem Katsouranis, não tem Alcides, e, depois de considerar e abandonar a hipótese de se colocar a si próprio no eixo da defesa encarnada, lança a contragosto David Luiz na partida.

Em 1854, durante a Guerra da Crimeia, enquanto assistia a uma voluntariosa carga de cavalaria da Brigada Ligeira inglesa contra a bem defendida artilharia russa, o general Bosquet comentou para a pessoa que se encontrava ao seu lado: “É magnífico, mas não é guerra”. Pois bem, algo semelhante se poderia dizer sobre a inesperada estreia de David Luiz em Paris: era magnífico, mas não era futebol. Era só ainda bravura e resiliência.

Como seria de prever, David Luiz entrou visivelmente nervoso e até foi dele a culpa do primeiro golo adversário (mas até isso considero que foi um sinal de respeito pelo clube – digam o que disserem, não há nada pior do que um jogador que rubrica uma exibição sem mácula logo na primeira vez em que veste a camisola do Benfica. Pessoalmente, levo isso a mal. Um jogador que se estreie com a camisola do Benfica e a quem as pernas não tremam nas primeiras cento e cinquenta vezes em que toca na bola é alguém que não tem a mínima ideia da grandeza do Benfica). Depois, desde a segunda parte dessa partida até à atualidade, é o que se tem visto: um Beckenbauer, mas em bom. Se for para o Chelsea, muito e muito obrigado por tudo. Se não for, é possível que, na quarta-feira à noite, ele tenha umas contas a ajustar.

Autor: MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 18:42

Janeiro 24 2011

Tenho a consciência de que, nesta questão, estou em minoria no universo benfiquista (que, à semelhança do universo propriamente dito, está em constante expansão). Ainda assim, considero que não devemos ser demasiado duros com José Eduardo Bettencourt. Trata-se, acima de tudo, de um homem que ama desmedidamente o seu clube. E nem o facto de esse clube ser o Sporting o demove, o que é admirável. Ora, o que faz um fervoroso adepto enquanto assiste a um jogo da sua equipa, se não dizer coisas da boca para fora, chamar nomes a terceiros, dizer palavrões, fazer figuras tristes? A única diferença é que JEB fez tudo isto na presidência, em vez de nas bancadas de um estádio ou na sua sala de estar. Não se lhe pode levar a mal, portanto.

Acresce a isto o facto de, apesar dos meus esforços nesse sentido, não vibrar especialmente com a miséria dos sportinguistas. Pelo contrário, defender o Sporting parece-me ter, hoje em dia, algo de quixotesco. A euforia e a confiança no futuro estão tão em vias de extinção por Alvalade que, qualquer dia, fará sentido o símbolo do clube deixar de ser o leão, e passar a ser o lince de Malcata. Não é por acaso que JEB, quando anunciou a demissão, fez questão de salientar que deixava um “grande clube” e uma “grande instituição”. Digamos que não é a primeira associação de palavras que os espectadores do Sporting-P. Ferreira se lembram de fazer.

É claro que esta minha bonomia para com o Sporting desvanece-se ligeiramente quando me lembro do propósito anunciado por JEB de copiar a gestão do FC Porto. Se, por um lado, até foi bem sucedido em alguns aspetos (JEB contratou em 2009/10 grande parte dos jogadores que o FC Porto contratou em 2003/04), por outro, não teve grande êxito, na medida em que JEB não conseguiu endrominar nenhum outro clube para antagonizar o Benfica, em troca do segundo lugar no campeonato. Fica para a próxima.

Autor: MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 00:27

Janeiro 18 2011

Foi com uma certa naturalidade que José Mourinho aceitou o prémio de melhor treinador do Mundo, visto que a FIFA não lhe estava propriamente a dar uma novidade. Até aqui se vê como o técnico português se destaca dos seus colegas de profissão – que se saiba, não houve mais nenhum treinador a teimar durante anos a fio que José Mourinho era o melhor treinador do Mundo. Só José Mourinho. Tem, portanto, não só olho para os melhores jogadores, como também para os melhores treinadores.

Pessoalmente, temo que as imagens que vimos a partir de Zurique não se repitam muitas vezes no futuro próximo. Por vezes, parece-me que José Mourinho fica refém do seu próprio pragmatismo e ambição. Há alturas até em que parece adotar tiques de treinador de clubes pequenos: quando, por exemplo, insiste em utilizar três trincos (no Inter, recorria a Thiago Motta, Zanetti e Cambiasso; este ano, no Real Madrid, já utilizou simultaneamente Alonso, Khedira e Diarra), enquanto equipas como Barcelona, Arsenal, Benfica e FC Porto utilizam apenas um médio defensivo; ou quando aplica um sistema de jogo demasiado em função do adversário, em vez de instituir um modelo original e de se manter fiel a ele, como faz Pep Guardiola ou Arsène Wenger; ou, por fim, no seguimento de um golo da sua equipa, quando ultrapassa Benzema em sprint para chamar um defesa que está a aquecer, de forma a que este entre o mais depressa possível para segurar o resultado. Parecendo que não, há uma tendência para admirar e premiar os técnicos com uma filosofia de jogo mais ofensiva. Não é por acaso que aquele que a FIFA considerou o melhor treinador do século 20 foi Rinus Michels, e não Helenio Herrera.

Autor: Miguel Góis
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 03:09

Janeiro 12 2011

Tive já ocasião de manifestar publicamente a minha profunda admiração por Rui Manuel César Costa. Admiro, entre outras proezas, a forma como conseguiu tornar-se um príncipe em Florença, a capital do Renascimento, sendo oriundo da Damaia, a capital do desbloqueamento de telemóveis roubados. Não é fácil. Infelizmente, não posso subscrever um aspeto da sua vigência como diretor-desportivo do Benfica, que está diretamente relacionado com o período da reabertura do mercado em que nos encontramos.

Aquando do falhanço na contratação de Falcão, Rui Costa declarou à imprensa: “O Benfica só vai contratar jogadores que tenham a mesma vontade que nós”. Mais recentemente, quando o mesmo sucedeu com Hleb, afirmou: “Só pode vestir a camisola do Benfica quem tem ambição de a vestir. Essa é a minha cultura e a do Benfica”. Resumindo, a doutrina Rui Costa para a contratação de jogadores é: o clube só está interessado em jogadores que queiram vir para o Benfica. E tudo correria às sete maravilhas, não fosse a política de contratações do FC Porto muito similar: o clube só está interessado em jogadores que queiram vir para o Benfica.

O que questiono é por que razão um colombiano ou um bielorrusso insistiriam em vir para o Benfica, em detrimento de um outro clube português – para efeitos puramente teóricos, chamemos-lhe momentaneamente, sei lá, “FC Porto”? Porque ama o Benfica e tomou a decisão de perder uma fortuna de forma a regressar ao seu clube do coração, assinando um contrato em branco (ou, como Vale e Azevedo lhe chamava, “um contrato”), Rui Costa não pode cometer o erro de pensar que há mais como ele. Não há.

Autor: MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 02:26

Dezembro 19 2010

Esta semana, Sousa Tavares escreveu na sua crónica que Jorge Araújo foi um “treinador de basquetebol, que deu ao Benfica vários títulos nacionais, antes de rumar ao FC Porto”. Como é evidente, Jorge Araújo nunca treinou o Benfica, não cumprindo assim um dos requisitos necessários para se vencer vários títulos por esse clube. Sousa Tavares escreveu isto, mas - salvo uma única exceção (cuidadinho, Leonor!) - ninguém o desmentiu.

Esta semana, Sousa Tavares escreveu também: “Insisto: o futebol é um jogo simples de entender. Basta um mínimo de conhecimento do assunto e um mínimo de experiência de observação para distinguir um bom jogador dum mau jogador.” No entanto, a 9 de março não era “preciso ser nenhuma luminária para perceber que o Belluschi tem pose de pavão mas a eficácia em voo de uma avestruz”, e até que o jogador é “uma fonte de despesas e frustrações sem fim”; e, a 30 de novembro, já era um dos “bons jogadores” do plantel portista, e o único “médio de ataque à altura das necessidades”. Sousa Tavares escreveu isto, mas ninguém o confrontou.

Esta semana, Sousa Tavares escreveu ainda, referindo-se ao jogo contra o Setúbal, que “o FC Porto ganhou, de facto, com um penálti que não terá existido, mas só ganhou porque o Vitória, que dispôs da mesma oferta, a desperdiçou e o FC Porto não”. Posta a questão nestes termos, há quase, no desfecho da partida, um sabor a justiça, e quase nos esquecemos que justo, mas mesmo justo, seria que nenhum dos penáltis tivesse sido assinalado e o jogo acabasse 0-0. Sousa Tavares escreveu isto, mas ninguém o desmascarou. Assim é que é bonito.

Autor: MIGUEL GÓIS
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 20:41

Dezembro 12 2010

Posso estar em negação (isso explicaria por que razão estou convencido que o mau futebol do Benfica não passa de um plano diabólico para desencorajar os adeptos a irem assistir aos jogos fora). Mas a verdade é que me recuso a pensar na hipótese de Jorge Jesus ser despedido. Em termos racionais – e eu peço, desde já, desculpa por estar a amalgamar neste texto assuntos tão díspares quanto “racionalidade” e “futebol” – não faz sentido termos por fim encontrado um treinador capaz e competente, depois de décadas a tolerar treinadores razoáveis e medíocres, e agora demiti-lo por não estar a ter sucesso nos últimos meses. Sejamos razoáveis: se, até 2037, Jorge Jesus não puser a equipa a jogar como na época passada, apontemos-lhe então a porta de saída com maus modos.

Jesus perdeu o balneário? É simples: compre-se-lhe um novo balneário. Quem está com o nosso treinador, fica. Quem não está, é excomungado. Custa-me dizer isto, mas o Benfica tem muito a aprender com a forma como a Igreja Católica lidou, no passado, com a dissensão: quem não acreditar em Jesus, deve ser castigado. Mas sem aquela parte das acendalhas.

Uma referência final à forma energúmena como alguns adeptos do Benfica têm tratado o campeão nacional César Peixoto. Eu não me esqueço quem é que, no ano passado, marcou Hulk na Luz, de forma exemplar. E também não me esqueço quem é que, na época passada, foi o melhor jogador em campo no Sporting 1 - Benfica 4, referente às meias-finais da Taça da Liga. Mas isso sou eu, que não gosto de dar tiros no pé.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 16:53

Dezembro 05 2010

“Saber jogar (...) em campos inclinados é uma velha tradição do FC Porto”. Ainda que não tenha sido essa a intenção, Rui Moreira pode ter aqui encontrado a única frase que todos os benfiquistas e, ao mesmo tempo, todos os portistas subscrevem. Trata-se, portanto, de um notável esforço no sentido da pacificação no futebol português. Tragicamente, Rui Moreira pode ter feito um mau serviço a si próprio, porque – logo ele, que tem um apego tão grande a discussões livres e abertas, sem qualquer tipo de condicionamento – pode ter delineado o fim dos programas de debate desportivo:

Portista – Fique sabendo que saber jogar em campos inclinados é uma velha tradição do FC Porto.

Benfiquista – Então, eu não sei disso... Não podia estar mais de acordo.

(E é nesta altura que o comentador afeto ao Sporting fica sem saber o que dizer, porque se, por um lado, quer concordar com o portista, faz-lhe confusão não discordar do benfiquista).

Seja como for, o encanto da frase está no seu caráter dúbio: escrita por um comentador afeto ao FC Porto, a frase pode revelar ou uma honestidade desarmante, ou uma torpeza inaudita. E para aqueles leitores que defendem que, por se tratar de Rui Moreira, nos devemos inclinar sem demoras para a hipótese “torpeza”, devo dizer que não me revejo nesse julgamento precipitado, e até difamatório, com o qual me recuso a pactuar. Na minha opinião, depende de que Rui Moreira estamos a falar. Por exemplo, o Rui Moreira de outrora, crítico em relação aos métodos de Pinto da Costa, poderia perfeitamente revelar uma honestidade desarmante. Em contrapartida, o Rui Moreira atual já teria alguma dificuldade nessa matéria, uma vez que se encontra em pleno processo de penitência. E, como sabem os crentes, a penitência implica atos como jejuns, peregrinações e vigílias. Isso mesmo: vigílias. Começa tudo a fazer sentido...

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:06

Novembro 27 2010

Confesso que, em momentos de maior debilidade psicológica, tenho assistido a jogos do Real Madrid com o único propósito de ver um jogador que na época passada alinhava no Benfica a vencer uma partida de futebol. Hoje em dia, é um luxo que não dispenso. Acresce a este prazer, a curiosidade em assistir ao desempenho de José Mourinho e Cristiano Ronaldo, dois portugueses extremamente profissionais, ambiciosos e competentes. É, aliás, possível que o Mundo esteja a ficar com uma ideia ligeiramente errada sobre como são os portugueses. Por sorte, Manuel Cajuda também se encontra a trabalhar no estrangeiro, se não podíamos estar perante um equívoco irreversível.

Há muito que se percebeu que Cristiano Ronaldo é viciado em vitórias Mas, esta época, em Madrid, o jogador encontrou o seu dealer: José Mourinho. E não podia ter vindo em melhor altura: como passou o Verão a ser treinado por Carlos Queiroz, é provável que Cristiano estivesse já numa fase muito adiantada da desintoxicação.

Dito isto, quando imagino uma palestra de Mourinho no Real Madrid, não consigo evitar lembrar-me da cena em que o druida de Asterix distribui a poção mágica pelos gauleses. Calculo que, por razões óbvias, Cristiano Ronaldo esteja dispensado de ouvir as palavras de motivação do treinador. Ainda assim, depois de muita insistência por parte do jogador, Mourinho deve dizer-lhe: “Tu não precisas, Cristiano. Já te esqueceste que caíste num caldeirão de ambição, quando eras pequeno?”

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 21:01

Novembro 21 2010

É de uma assinalável humildade a teoria expressa por André Villas-Boas segundo a qual o FC Porto podia ter sido campeão na época passada, se o Hulk não tivesse sido castigado. Está-lhe subjacente a ideia de que, como treinador, ele não veio acrescentar nada ao FC Porto do ano passado, e ao rendimento do Hulk em particular, que não estivesse já lá, na era Jesualdo. Tem andado, portanto, a folgar, o André. Só não se percebe, então, tanto elogio ao seu trabalho. Mas não me interpretem mal: pessoalmente, também tinha curiosidade em ver o Hulk de 2010/11 a jogar na época 2009/10. Trazia um toque de ficção científica ao campeonato português.

Mas há sobretudo uma nota de fantasia e sonho nesta teoria do jovem treinador. É possível até que Villas-Boas tenha tanta perspicácia na análise de tabelas classificativas como na observação de lances polémicos dentro da grande área adversária. Analisemos os factos, esses desmancha-prazeres: fazendo as contas – e tendo em mente que, antes de Hulk ser castigado, o Benfica levava uma vantagem de quatro pontos em relação ao FC Porto e que, a partir daí até ao final, só perdeu cinco pontos (empate em Setúbal e derrota nas Antas) –, seria necessário que o FC Porto vencesse todas as partidas – repito, todas as partidas – da segunda volta do campeonato para que se pudesse sagrar campeão nacional.

Ora, hoje em dia, toda a gente concorda que o FC Porto está a fazer uma época excecional e nem assim conseguiu esse feito: em 11 jornadas já têm um empate. Ou seja, a modéstia de Villas-Boas é ainda maior do que supunha: na verdade, o treinador assume, sem assombros, que o FC Porto de Jesualdo, não fosse o castigo de Hulk, poderia ter sido bem superior ao seu. Quem diz que não há fair play no FC Porto?

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:47

Novembro 15 2010

Não nego que os primeiros três golos me custaram horrores. A partir daí, assisti ao avolumar da goleada com outra dignidade e valentia: é incrível como se torna suportável ver a nossa equipa ser humilhada, quando o fazemos ao colo da nossa mãe.

É, por sinal, muito mais difícil confrontarmo-nos com o facto de este ter sido o terceiro banho de bola consecutivo que o Benfica levou do FC Porto (Dragão, Aveiro, Dragão), sem que se vislumbre uma superioridade técnico-tática que o justifique.

Não é que, pessoalmente, não tenha também muito receio dos remates do Hulk. Mas isso sou eu, que, quando vou ver os jogos ao estádio, fico sentado na bancada. Ali, mesmo a pedi-las.

É possível que a chave da superioridade do FC Porto nos embates com o Benfica esteja no tão propalado “grito de revolta” – e o campeonato da revolta é um que o clube da Luz nunca ganhará. A revolta é a marca dos pequeninos. São sempre os pequenos que se revoltam contra os grandes, e não o contrário. O Benfica é o que os outros querem ser, quando crescerem: vai-se revoltar contra quem, se não tem ninguém em cima? Contra o Norte? O Norte nunca nos fez mal nenhum, para além de estar pejado de bons benfiquistas. É certo que a Beira Alta sempre me enervou um bocadinho, mas é uma coisa mais minha…

Dito isto, esta semana, só encontrei consolo no Almanaque do Benfica – Edição Centenário, especificamente no testemunho de Rui Águas sobre a época de 1986/87: “É curioso dizer que essas duas derrotas [contra FC Porto e Sporting], com incidência para a do Sporting [por 7-1] acabaram por nos lançar para a vitória no campeonato e para a Taça. Ainda por cima, na Taça, voltámos a encontrar o Sporting. Aí, com a humilhação bem fresca na nossa memória, ganhámos”. Pelo sim, pelo não, é melhor os benfiquistas encherem o Estádio da Luz amanhã.

Autor: Miguel Góis

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:13

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