Julho 09 2015

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publicado por Benfica 73 às 11:31

Julho 02 2015

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publicado por Benfica 73 às 18:21

Junho 11 2015

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Vai ser um “defeso” como há muito não se via.

Teremos, já temos, uma pausa de Verão intensamente marcada pelo renascer furioso da rivalidade entre os dois clubes grandes da cidade de Lisboa.
Tudo porque Jorge Jesus optou por dar um rumo novo à sua carreira.
Não terá sido grande o passo. Na verdade, bastou-lhe atravessar uma rua para mudar de patrão e para deixar perplexos os adeptos do Benfica.
E, como não podia deixar de acontecer, para deixar eufóricos os adeptos do clube rival. Assim como uma plêiade, não menos eufórica, de comentadores imparciais da cabeça aos pés para quem o novo treinador do Sporting ganhou, de um dia para o outro, qualidades humanas e morais jamais adivinháveis nos seis anos em que foi treinador do Benfica.
Tudo tem a sua medida. A quase nenhuma visibilidade do campeonato português não fez correr esta notícia em rodapé nos noticiários da CNN e de outras estações de televisão estrangeiras mas em Portugal não se fala noutra coisa, obviamente.
A rivalidade entre Benfica e Sporting é centenária e alimenta-se destes pormenores. À míngua de títulos, o Sporting tinha de fazer qualquer coisa e fez. Levou-nos o treinador e quer levar-nos jogadores. O ataque ao património material poderá ser melhor ou pior sucedido em termos práticos, já quanto ao património imaterial não vão ter sorte nenhuma.
Não há “Carrega, Benfica!” que se transmute em “Carrega, Outra Coisa Qualquer!”, por mais invejável que seja – e é mesmo – o grito popular e genuíno da nossa gente.

Diariamente, os jornais vão-nos agora dando conta do assolapado romance entre o novo treinador do Sporting e o seu presidente, fascinado por ter perto alguém que percebe quase tanto de futebol como ele.
Agências de comunicação contratadas vão passando, diligentemente, para a opinião pública através da imprensa o quanto Jesus tem impressionado Bruno de Carvalho com o seu conhecimento dos mais ínfimos pormenores no que respeita ao funcionamento e ao recheio da Academia de Alcochete.
O presidente está encantado porque o novo treinador sabe tudo. Até sabe de cor e salteado o número de calçado de toda a equipa B do Sporting.
Um dia destes, é mais do que certo, ainda ouviremos Bruno de Carvalho repetir as palavras míticas com que a não menos estarrecida tia do Vasco Santana celebrou o êxito do sobrinho no exame final do curso de medicina no filme “A Canção de Lisboa”:
- Ele até sabe o que é o esternocleidomastóideo!
E sabe mesmo.
Voltemos à materialidade desta imortal rivalidade histórica entre os dois grandes clubes de Lisboa.
As últimas notícias são amplamente favoráveis ao Benfica. De acordo com os dados divulgados pela empresa GFK/CAEM, que mede as audiências televisivas, a final da Taça da Liga disputada entre o Benfica e o Marítimo bateu de largo a final da Taça de Portugal disputada entre o Sporting e o Sporting de Braga.
O resultado foi de 1.890.500 contra 1.634.00 espetadores. Ganhou a Taça da Liga.
O que não deixa de ser um dado material curioso porque a Taça de Portugal, para todos os efeitos, é uma competição muitíssimo mais importante e sonante do que a Taça da Liga.
Com o novo treinador do Sporting ao comando, o Benfica venceu 5 edições da Taça da Liga. Pode-se dizer, com toda a propriedade, que a Taça da Liga é realmente a competição-fétiche de Jorge Jesus.
E, por isso mesmo, não é atrevimento prognosticar que as próximas 5 Taças da Liga vão acabar impantes na sala de troféus de Alvalade.
Paciência.
- Adeus Taça da Liga! – aproveito e despeço-me já de ti.

Com todos estes acontecimentos fraturantes a preencher a agenda dos noticiários e das vidas familiares, há temas menores da nossa vida em sociedade que foram ficando para trás e que arriscam o completo olvido se ninguém os puxar à tona.
Eis um deles:
- O inquérito do Ministério da Administração Interna ao comportamento do sub-comandante da PSP de Guimarães que agrediu um cidadão à vista dos filhos e do avô dos filhos já produziu algum tipo de conclusão ou será que considera o Estado português o fato das crianças terem sido convidadas para a festa do título no Estádio da Luz como ressarcimento suficiente para as vítimas e como reposição do bom aspecto geral?

O presidente do Benfica afirmou-se publicamente “desiludido” mas “não surpreendido” com a saída de Jorge Jesus para Alvalade. E sobre o assunto mais nada disse. Assenta-lhe bem o laconismo nesta altura do campeonato precisamente porque não há campeonato nesta altura.
Quando houver campeonato será outra loiça. Num passado recente, correu mal a história ao Benfica sempre que deixou ir embora os seus últimos treinadores campeões. A sucessão de Toni em 1994 e a sucessão de Giovanni Trapattoni em 2005 redundaram em retumbantes fracassos e nenhum destes treinadores saiu da Luz para se ir enfiar na casa de um rival, o que aumenta os fatores de risco.
Nestas coisas do futebol, quem tem razão, quem é esperto, quem é visionário é quem vence.
O presidente do Benfica continuará pela vida fora a ser muito elogiado por ter prolongado o contrato com Jesus no fim da temporada funesta de 2012/2013 – em que o Benfica perdeu tudo em duas semanas – pela razão simples de o Benfica ter, depois disso, ganho dois campeonatos consecutivos com o mesmo treinador que uma parte significativa dos adeptos queria ver pela porta fora.
A “genialidade” dos presidentes constrói-se de vitórias.
Vieira, que não segurou Jesus como se impunha para muita gente que só quer o bem do clube, corre o risco de voltar a ser genial se o Benfica, comandado seja por quem for, vencer o próximo campeonato.
E se, no próximo dia 9 de Agosto, o Benfica derrotar o Sporting na decisão da Supertaça também Vieira será genial pelo menos até à primeira jornada do campeonato. Depois logo se verá...
Mas uma eventual derrota na Supertaça colocará o presidente do Benfica em maus lençóis perante os adeptos no arranque da temporada. Já uma eventual derrota no campeonato fará com que lhe chamem de tudo menos de genial lá para Maio de 2016.
O presidente do Benfica estará, certamente, preparado para se confrontar com qualquer uma destas possíveis situações – ou é genial ou antes pelo contrário –, sendo que a segunda é bem mais desagradável do que a primeira a que já estava acostumado.
E nós também.

No passado fim-de-semana, o segundo jogo dos play-offs do campeonato de futsal foi disputado sob um calor insuportável no pavilhão da Luz.
Chamou-me a atenção um amigo para o facto, indesmentível, de o treinador do Sporting, suando em bica como todos os presentes, nunca ter despido o casaco do traje oficial para se aliviar do sufoco em mangas de camisa.
- Está com medo de ser despedido – foi a conclusão a que chegou.
Tudo isto porque a acusação do gabinete jurídico do Sporting a Marco Silva refere que o treinador ao não usar o fato completo e oficial do clube no jogo com o Vizela para a Taça de Portugal desrespeitou gravemente o regulamento interno o que configura motivo de justa causa para a rescisão unilateral do seu contrato.
Este será, porventura, o argumento mais exótico que ressalta das 400 páginas da acusação a Marco Silva.
Veio-se depois a saber que o Sporting só forneceu a Marco Silva um fato completo para a época inteira – estava-se ainda no tempo das bifanas – e que o treinador só se apresentou em Vizela com roupa de treino porque a lavandaria de Alvalade demorou a devolver-lhe o seu único fato oficial limpinho, limpinho, limpinho como mandam as regras.
Bem me queria parecer que, neste Sporting, as grandes questões são de lavandaria.


DESTAQUE:

Nestas coisas do futebol, quem tem razão, quem é esperto, genial, quem é visionário é quem ganha campeonatos.

Por: Leonor Pinhão

publicado por Benfica 73 às 12:43

Março 12 2015

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A expulsão do jovem Tobias Figueiredo nos minutos iniciais do último Sporting-Penafiel não aconteceu por culpa do árbitro nem por culpa do jogador adversário diretamente envolvido no lance nem, muito menos, por culpa do próprio Tobias Figueiredo.

Tobias Figueiredo foi expulso por culpa da famosa petição. E dos seus peticionários, naturalmente.
Refiro-me à petição que corre atualmente recolhendo assinaturas on-line exigindo ao presidente da República que force a Assembleia da República a proibir o Benfica de vencer os seus jogos quando está em superioridade numérica por expulsão de um ou mais jogadores da equipa oponente.
Para os peticionários não existem, portanto, leis do jogo que lhes valham.
Por ser muito jovem, Tobias Figueiredo acreditando na bondade cívica da petição, depreendeu que a expulsão do arouquense Hugo Basto no jogo com o Benfica foi uma ilegalidade, mais uma.
E, crente no valor da petição que se sobrepõe às leis do jogo, vendo um perigoso penafidelense escapar-se isolado para a baliza de Rui Patrício resolveu fazer-lhe aquilo que Hugo Basto fez a Lima em situação quase gémea tendo por garantida a tão ansiada impunidade parlamentar.
Vai de derrubá-lo, Tobias Figueiredo!
Mas como ainda não pertence à Assembleia de República a arbitragem de jogos de futebol, o árbitro fez o que lhe competia e aplicou a lei do jogo. Ou seja, tal como aconteceu ao arouquense, acabou da mesma maneira e pela mesma razão expulso o sportinguista.
Estes choros, estes protestos, este arrepelar de cabelos, estas petições, enfim, dão nisto.
Confundem-se mais os próprios jogadores do que a opinião pública.

“Temos de fazer tudo para vencer o Benfica” – disse o presidente do Sporting de Braga mal terminou o jogo com o Porto.
Houve muitos benfiquistas que logo se indignaram com esta declaração de Salvador. Viram neste seu propósito, mais do que legítimo, a confissão inexistente de que o Braga não só não tinha feito tudo para vencer o Porto como também o próprio presidente tem mais arreganho para ser o salvador do Porto do que para ser o que na verdade é, o Salvador do Braga.
Interpretações abusivas, feridas de clubite.
Quanto a mim, falou muito bem António Salvador e não só não disse mentira nenhuma como também sintetizou numa frase o que têm sido os desvelos dos rivais do actual campeão na busca pelo já entronizado Santo Graal desta turbulenta temporada de 2014/2015.
Trata-se de “fazer tudo” que impeça o Benfica de revalidar o seu título nacional, essa pequena glória que não tomba para os lados da Luz há mais de três décadas e que, não tombando para ali há tanto tempo, ganhou foros de impossibilidade por via regimental e divina.

Seguindo actualmente o Benfica na dianteira do campeonato com uns curtos pontos de avanço sobre o seu direto perseguidor que, neste dilatado espaço de tempo, somou “tetras” e “pentas” com “a facilidade de quem vai ao supermercado”, no imortal dizer de Sir Alex Ferguson, é natural que haja uma reação forte e concertada da Oposição.
O próximo Benfica-Sporting de Braga é já no sábado mas há muito, muito tempo que está afixado no calendário de todos os interessados como o eventual acontecimento do ano.
Outra coisa não seria de esperar tendo em conta que já por duas vezes o Braga venceu o Benfica esta temporada, uma vez para o campeonato e outra vez para a Taça de Portugal. As expectativas estão, portanto, altíssimas em todos os campos.
Em Arouca, por exemplo, até parece que o Benfica jogou mais já a pensar no jogo seguinte com o Braga do que no jogo com o Arouca propriamente dito.
Vimos por toda a primeira parte um líder a poupar-se ao choque, a poupar-se a cartões amarelos e a não poupar a paciência dos seus indefetíveis adeptos que gostam de ver as coisas resolvidas cedo, de preferência antes de o intervalo, como aconteceu no jogo com o Estoril.
Depois lá acordaram, desataram a correr e resolveram a bem a contenda.
Também em Braga, dois dias antes, até pareceu ter-se visto um Sporting de Braga a fazer precisamente a mesma coisa que o Benfica haveria de fazer em Arouca. Um Braga a pensar menos no jogo dessa noite, que era com o Porto, e já a pensar mais no jogo futuro que é o jogo de depois de amanhã na Luz.
Estão assim reunidas todas as condições para um grande espetáculo.
O Benfica tem de fazer tudo para ganhar.
E o Braga tem de fazer tudo para ganhar ao Benfica.
Com franqueza, há nisto alguma novidade?

Ricardo apresentou no início desta semana a sua candidatura à presidência da Associação de Futebol do Algarve. O antigo guarda-redes chegou agora ao fim da sua carreira e com um currículo que, certamente, o envaidece.
Ao serviço do Boavista ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal – 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça -, ao serviço do Sporting ganhou uma Taça de Portugal e ao serviço da selecção ganhou o estatuto de herói nacional naquela tarde em que defendeu três grandes penalidades no desempate com os ingleses a contar para o Euro 2004.
Isto é o passado de Ricardo. Agora vem aí o futuro e o retirado guarda-redes optou por concorrer a um cargo de dirigente numa Associação importante como são todas as Associações, presume-se.
Por superstição, por simpatia ou por fé em mudanças, dá-me gosto de ver antigos jogadores a ocupar cargos diretivos e a saírem-se com elegância dessas missões.
No nosso futebol, já há uns poucos antigos jogadores em funções de comando que lhes ficam muito bem.
Há também, curiosamente, antigos jogadores que jamais ocuparão cargos directivos nos seus clubes não porque não tenham demonstrado categoria para isso mas porque, em algum momento, proferiram declarações de uma racionalidade tão ampla e tão dissidente à norma que os transformou imediatamente em alienígenas perante as nomenclaturas vigentes.
Tipo Vítor Baía, por exemplo.
Voltemos a Ricardo para lhe desejar as maiores felicidades.
É bom que o futebol saiba ir buscar aos seus antigos praticantes os seus futuros dirigentes. É o progresso.
Tal como seria péssimo se alguma vez o futebol fosse buscar aos reputados delinquentes inevitáveis entre as suas claques os seus futuros dirigentes, mentores ou filósofos.
Isto é que seria um lamentável retrocesso.

Afinal parece que o Sporting já não vai cobrar os 40 milhões de euros exigidos à Câmara Municipal de Lisboa a título de compensação pelas benesses concedidas ao Benfica porque se veio a descobrir que, feitas as contas, as isenções camarárias concedidas ao Sporting foram bem mais generosas do que as concedidas ao rival.
A notícia saiu no “Expresso”, um jornal tão de referência pelo que me atrevo a citá-lo.
Perante isto, o que fazer, benfiquistas?
Um comunicado? Ou uma petição? Ou as duas coisas?

Artur Soares Dias, o árbitro a quem no ano passado Pinto da Costa vaticinou o fim da carreira e a quem este ano o mesmo Pinto da Costa vaticinou um futuro brilhante, vai ser o árbitro do Benfica-Braga de depois de amanhã.
Isto não é um problema de Artur Soares Dias que é constantemente um bom árbitro.
A inconstância não é do árbitro, é do dirigente.
Isto é um problema de Pinto da Costa que umas vezes diz uma coisa e outras vezes diz uma outra coisa completamente diferente. O que se compreende porque a ameaça é grande e o supermercado de que Sir Ferguson falava já não é o que era, queremos crer.

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 10:11

Janeiro 02 2015

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publicado por Benfica 73 às 11:08

Dezembro 18 2014

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publicado por Benfica 73 às 11:56

Junho 30 2013

Foi o próprio Beto quem anunciou que estava de saída do Sporting por “razões pessoais”. Beto jogou dez anos em Alvalade o que faz dele uma figura com importância no clube. Roberto Severo de seu nome verdadeiro fica conhecido por Beto para todo o sempre. 
Espanta-me, aliás, como o antigo defesa central do Sporting foi na conversa de trocar um nome tão imponente e romanesco como Roberto Severo por um diminutivo que, sendo muito respeitável, nada tem de singular. 
Esclareça-se que o Benfica também teve o seu Beto, um brasileiro pouco dotado mas batalhador que durou duas épocas na Luz e que nunca caiu no goto dos adeptos, excepção feita a uma noite de Dezembro de 2005. 
Num momento raro de inspiração, o nosso Beto acertou em cheio no pontapé e marcou o golo sensacional com que o Benfica venceu e afastou o fabuloso Manchester United da Liga dos Campeões. Foi uma festa.
Quero eu com isto tudo dizer que há muitos Betos. E que há poucos Robertos Severos.
O Beto do Sporting teve a sua noite negra num jogo com o Benfica do campeonato de 1998/1999. Fez dois autogolos, é obra. 
Como o Benfica ganhou a partida precisamente por 2-1 imagine-se o impacto que o duplo infortúnio do defesa do Sporting causou em todos os segmentos da vida nacional nos dias que se seguiram ao derby. Já lá vão alguns anos.
Nem o presidente do Benfica à época se conteve como lhe competia. Pouco tempo depois do dito clássico, visitando os jogadores do Benfica num estágio da selecção nacional, Vale Azevedo cruzou-se com Beto, também ele convocado, e atirou-lhe com esta impiedade:
- Então como é que está o nosso goleador?
Foi um escândalo muito comentado no momento e o presidente do Benfica não se livrou de mil justas censuras pelo seu acto reflectido. Sim, reflectido.
Beto voltou a ser notícia no início desta semana quando tornou público o ponto final na sua relação com o Sporting. O ex-jogador desempenhou até à última segunda-feira as funções de director de relações públicas e internacionais. Foi suficientemente claro na sua breve alocução de despedida: “Esta decisão é da minha inteira responsabilidade”, disse. Como quem diz que saiu porque quis.
Não resisto a partilhar o comentário de um amigo meu, João Gonçalves, benfiquista até mais não, quando se soube que Beto ia sair do Sporting.
- Pronto! Agora já pode ir finalmente para o Real Madrid!
Os mais novos provavelmente não se lembram mas durante defesos a fio, ano após ano, os jornais foram noticiando em maiores ou menores parangonas que Beto estava à beira de assinar pelo Real Madrid, o que nunca acabou por se verificar.
Vem tudo isto a propósito disso mesmo. Das notícias do defeso e do desfilar de nomes de jogadores a contratar pelos clubes, sendo que a resolução dos hipotéticos negócios está quase sempre “presa por detalhes”, pelo menos até ver.
Lisandro Lopez, por exemplo, um defesa central argentino que o Benfica procura contratar ou já contratou tem sido protagonista de mais uma novela de Verão. Durante três semanas a transferência esteve presa por detalhes causando natural apreensão nos adeptos, por experiência própria acostumados a reviravoltas de última hora.
Por isso o melhor sempre é esperar para ver Lisandro Lopez chegar à Luz e começar a jogar o seu futebol. Dizem os adeptos do Arsenal de Sarandí nos desabafos de o ver partir que Lisandro Lopez é um grande jogador. 
Por norma, quando se trata de definir a competência ou mesmo a categoria de um jogador, acredito mais no coração dos adeptos a falar ao pé a boca do que nas radiografias técnico-tácticas dos especialistas todos juntos, incluindo os empresários da bola. Sendo parte interessada, não se lhes pode exigir imparcialidade sobre os produtos que colocam no mercado, não é verdade?

Já os adeptos falam por amor e não por interesse. E raramente falham nas suas apreciações porque sabem bem quem dos seus lhes deu tristezas e quem dos seus lhes deu alegrias. E o número de vezes também. Os adeptos contabilizam tudo e, por isso, são o único poço válido de informação.
A questão é que através das redes sociais e de sites do clube argentino, muitos foram os adeptos do Arsenal de Sarandí que lamentaram a saída do jogador tecendo-lhe os maiores elogios. Nem os vou transcrever para não dar galo. É que estas coisas, por muito que me custe admiti-lo, nem sempre são certas. 
Querem um exemplo? Quando Xandão saiu do São Paulo para o Sporting, os adeptos paulistas festejaram o acontecimento sem dó nem piedade fazendo prever o pior para a carreira europeia do longilíneo defesa central em quem, decididamente, não acreditavam.
Muito espantados devem ter ficado os más-línguas paulistas, poucos meses depois, quando viram o mesmo Xandão marcar um golo de calcanhar ao Manchester City, uma habilidade que correu o mundo e ajudou o Sporting a afastar da Liga Europa o iminente campeão inglês de 2011/2012. E, nesse preciso instante de calcanhar, naquele raro segundo, lá se foi também por água-abaixo a minha teoria de que os adeptos é que percebem de futebol e de futebolistas. E nunca falham.
Conclui-se, com o devido respeito, que os adeptos às vezes falham e que há jogadores que às vezes acertam.
Julgo ter explicado este meu desinteresse metódico por notícias de contratações de jogadores no período do Verão. São muitos nomes, muitas caras, e uma pessoa, inevitavelmente, baralha-se. Até porque não podem vir todos. Ou podem?
Pelos vistos podem. Na sua manchete de terça-feira, “A Bola” anunciava que Lisandro Lopez, o tal que deixou os adeptos do Sarandí em lágrimas, é o 104.º jogador com contrato com o Benfica para além de 30 de Junho.
Que excelente notícia para a temporada quer se aproxima. Em 104 jogadores haverá, certamente, um defesa-esquerdo.

José António Camacho foi despedido da selecção da China. É caso para se dizer que nem chegou a aquecer verdadeiramente o lugar, tal como aconteceu na sua funesta segunda passagem pelo Benfica. 
As agências internacionais que veicularam a notícia acrescentaram o facto de o treinador espanhol não ter somado nenhum triunfo nacional ou internacional ao seu currículo desde a já distante temporada de 2003/2004 em que, no comando do Benfica, conquistou uma Taça de Portugal e logo numa final com o FC Porto que dali a poucos dias viria a sagrar-se campeão europeu em Gelsenkirchen. 
Esta parte do “e logo numa final com o FC Porto que dali a poucos dias viria a sagrar-se campeão europeu em Gelsenkirchen” foi um acrescento meu, não constava do texto dos telegramas das agências noticiosas estrangeiras. Trata-se de uma questão de pormenores que só para nós, portugueses, se reveste de algum interesse.
Camacho é um tipo bastante simpático que passou pelo Benfica e pelo futebol português sem deixar rasto de animosidade de espécie alguma. Mas confesso que o que me impressiona não é o caso de Camacho não ganhar nada desde a final do Jamor de 2004. È um problema dele. 
O que me impressiona é o caso de o Benfica não ganhar uma Taça de Portugal desde 2004 tendo apenas conseguido duas presenças em finais que perdeu, e muito justamente, para o Vitória Futebol Clube, em 2005, e para o Vitória Sport Clube, no mês passado. 
No ano de Trapattoni, o Benfica perdeu a final da Taça para o Vitória de Setúbal depois de uma semana intensa de festejos pela conquista do título nacional. 
Este ano, de novo no Jamor, o Benfica de Jorge Jesus perdeu a Taça para o Vitória de Guimarães exactamente pela razão contrária, isto é, depois de uma semana depressiva assistindo aos festejos do campeão nacional FC Porto.
Falta meio-termo ao Benfica, é o que me parece.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 01:00

Dezembro 06 2012

No topo da classificação, no duelo entre o FC Porto e o Benfica não há quem descole. O campeonato ganha em brilho e em emoção no que respeita à discussão maior. O que os dois arquirrivais demonstraram neste primeiro terço da época é que a distância entre eles é quase nada e que a distância deles para os outros todos é enorme, salvo prova em contrário.
A queda abrupta do Sporting de Braga para posições a que já não estava de todo acostumado é a novidade maior desta Liga de 2011/2012 quando falta pouco menos de um mês do Natal. Os analistas dados às forças do ocultismo dirão que o Sporting de Braga anda a penar com as alminhas desde que o seu presidente, António Salvador, lhe proclamou a ascensão ao estatuto de terceiro “grande” do futebol português.
A presunção estava lá toda. Faltou, no entanto, a água benta.
E como? E porquê?
Está aberta a época dos clássicos do futebol português, sejam os ditos clássicos de primeira, de segunda ou de terceira geração, precisamente como são estes a que me vou referir. Tomemos, assim, por exemplo os dois últimos desses clássicos, os que opuseram o Sporting de Braga ao Sporting, em Lisboa, e o mesmo Sporting de Braga ao FC Porto, em Braga, e que redundaram em duas derrotas que muito atrasam os minhotos na luta pelo topo da tabela.
Diga-se que o Sporting de Braga dominou como muito bem quis a segunda parte do jogo de Alvalade e, depois, jogou taco-a-taco com o FC Porto, quase anulando as diferenças entre os dois. Mas perdeu sempre porque lhe faltou água benta em ambas as ocasiões.
O campeonato português seguia relativamente tranquilo até à chegada dos primeiros clássicos do calendário. Mas já se sabe que com os clássicos chegam também os nossos valorosos árbitros internacionais e como não há belas sem senão… lá regressa em todo o seu esplendor o protagonismo de quem não devia.

O mau momento do Sporting é um exclusivo dos sportinguistas e não fica bem aos adversários (mais ou menos histórico) dos “leões” de Alvalade perorar soluções, apontar incompetências ou espicaçar ânimos e desânimos com graçolas cruéis. 
Todos os clubes têm os seus problemas para resolver e, atendendo à conjuntura actual, são muitas e variadas essas contrariedades. A questão com o Sporting é que a somar aos óbices da conjuntura ainda tem de suportar a infeliz carreira da sua equipa de futebol. Deixemos, portanto, os nossos amigos sportinguistas tratarem do seu Sporting em paz. Não façamos aos outros o que não gostamos que nos façam a nós, um preceito antigo e sempre válido.
Grandeza é isto: não menosprezar jamais o grande adversário, não fanfarronar estupidamente a propósito da iminente visita a Alvalade e se é para falar do Sporting do momento presente só vale se for para apontar o que funciona bem, ou seja, as coisas boas. E há coisas boas e que funcionam bem em Alvalade.
O presidente, por exemplo. 
A equipa de futebol saiu de Moreira de Cónegos mais longe de todos os seus objectivos e o treinador, mais um, saiu de rastos. Já o presidente saiu em grande e bastou atentar nas primeiras páginas dos jornais do dia seguinte para se concluir, de forma inapelável, que o responsável pela reviravolta no resultado no decorrer da segunda parte foi Godinho Lopes.
Não foi por ter sido rápido e codicioso nos três minutos que se viu a jogar contra 10, por impedimento físico de um jogador adversário a receber tratamento fora das quatro linhas, que o Sporting chegou ao empate em Moreira de Cónegos. Não, nada disso.
Foi porque o presidente desceu ao balneário ao intervalo, quando a equipa perdia por 2-0, e abanou energicamente os jogadores para que despertassem para os derradeiros 45 minutos que o milagre acabou por acontecer.
Com um presidente destes nem é preciso treinador. 


Dois dos emblemas mais ricos do mundo, certamente entre os mais esbanjadores dos últimos tempos, encontraram-se na tarde deste último domingo, um banalíssimo domingo londrino de chuva, e ofereceram um espectáculo sem grandes motivos de interesse posto que as duas equipas persistiram em jogar longe da baliza do adversário, aparentando maior medo de perder o jogo do que vontade de o ganhar, eis a triste conclusão a que se chegou quando o embate de Stamford Bridge chegou ao fim.
O resultado saldou-se num zero-a-zero desconsolador para quem esperaria que os incontáveis cabedais do russo do Chelsea e dos árabes do Manchester City e as respectivas colecções de vedetas em campo chegassem e sobrassem para produzir um duelo a transbordar de golos e de bom futebol. Pelo contrário, o jogo redundou num milionário aborrecimento.
Dinheiro a mais, futebol a menos. Às vezes também acontece.
No nosso futebol, à nossa medida, também há ricos e pobres. Chamamos-lhes grandes e pequenos, uma maneira simpática de colocar a premente questão das diferenças evitando falar de dinheiro. 
O Vitória de Setúbal e o Rio Ave, com todo o respeito, fazem parte do campeonato dos pequenos o que não os impediu de apresentarem no domingo, no Bonfim, um agradável espectáculo de se ver, com 8 golos e com dois “hat-tricks”, um para cada lado, pelos inacreditáveis e veteranos goleadores das suas equipas. Já lá vão 10 jornadas da Liga e Meyong e João Tomás disputam taco-a-taco, sem complexos, com as superestrelas Jackson Martínez e Óscar Cardozo a corrida pela “Bola de Prata”.
No futebol há lugar para todos. Às vezes também acontece.

As recentes eleições na Catalunha também meteram futebol ao barulho. Joan Laporta, o político catalão que foi presidente do Barcelona, sugeriu uma Liga ibérica onde o Barcelona pudesse competir com o mesmo estatuto “independentista” de alguns clubes portugueses de top. 
Em Espanha, e na própria Catalunha, ninguém levou muito a sério esta ideia de Laporta. Em Portugal, felizmente, também não. Já cá temos problemas de sobra.

Ao contrário do que já aconteceu e continua a acontecer com inúmeros colegas seus de origem sul-americana, o argentino Juan Iturbe tem vindo a falhar estrondosamente as suas legítimas tentativas para se impor na equipa principal do FC Porto.
É verdade que só podem jogar onze de cada vez mas também não deixa de ser uma evidência que esta deve ser uma situação totalmente estranha e inesperada para o jovem Iturbe, a quem na Argentina chamavam de “o novo Messi” e a quem em Portugal ninguém chama coisa nenhuma porque raramente é visto a jogar.
Ninguém lhe chama coisa nenhuma? Não é bem assim… Dá conta a imprensa da especialidade que, aproveitando mais uma folga, Juan Iturbe optou por se deslocar em passeio até à capital e, fazendo-se fotografar junto à Torre de Belém, divulgou a referida imagem pelas redes sociais. Diz que agora lhe chamam “mouro” e no que se foi meter.


De uma entrevista antiga de Guilherme Espírito Santo, campeão de campeões no Benfica, 4 campeonatos de futebol, 3 Taças de Portugal, 147 golos em 207 jogos, e também recordista nacional do salto em altura, campeão nacional de salto em comprimento e de triplo salto:
- Naquele tempo, existiam alguns preconceitos racistas por causa dos jogadores de cor. Um dia, em 1947, num hotel da Madeira, queriam colocar-me num anexo por ser negro. Os jogadores do Benfica disseram que para onde eu fosse eles também iam. E acabámos todos a dormir no anexo.
Guilherme Espírito Santo, um símbolo do símbolo.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 03:35

Novembro 26 2012

O Benfica é o furacão Sandy do futebol português. Por onde passa apaga a luz. Aconteceu em Novembro do ano passado em Braga. Este ano já aconteceu em Paços de Ferreira, por finais de Setembro, e em Moreira de Cónegos, na última sexta-feira. 
Dirão os nossos adversários que é muito bem feito. Que é o merecido castigo pelo apagão no Estádio da Luz que impediu o FC Porto de festejar às claras o título de 2011. 
São coisas diferentes, respondemos nós. Na Luz, o jogo já tinha acabado e para lá da portentosa exibição de inexistência de fair-play no que ao assunto dizia respeito, ficou claro nessa noite da Luz que a culpa tinha sido do electricista de serviço que, por sinal, permanece anónimo até aos dias de hoje.
Não foi, portanto, falha técnica. Foi falha humana.
Em Braga, Paços de Ferreira e Moreira de Cónegos, foi sempre falha técnica a ditar os cortes na corrente eléctrica que interromperam os três jogos.
Esta é uma grande diferença. 
A explicação para o estranho fenómeno tem sido adiantada pela imprensa. Dizem que a culpa é dos ratos que roem os fios e os cabos dos estádios fazendo com que estourem os disjuntores porque, descarnados, não aguentam a pressão.
Portanto temos que em Braga, Paços de Ferreira e Moreira de Cónegos a culpa foi dos ratos. Não foi falha técnica, nem humana, trata-se muito simplesmente de uma sequência inusitada de episódios com roedores.
Como no conto dos irmãos Grimm, o Benfica só se safa dos ratos se contratar o flautista de Hamelin sempre que viajar para os distritos de Braga e do Porto. Isto se o fenómeno não se estender a outros distritos do país. Com o flautista de Hamelin em acção os ratos, já se sabe, não têm sorte nenhuma. O que seria excelente notícia quer para o Benfica, quer para o público em geral, quer para a reputação dos electricistas.

Por norma não gosto de avançados que jogam de costas para a baliza. Mas há sempre um dia…
O quarto golo do sueco Zlatan Ibrahimovic à Inglaterra é uma violência, é um exagero, um descaramento. Não se faz. Em comparação com a bicicleta de longo alcance do sueco, todos os outros golos do ano parecem pífios. O portento de Ibrahimovic, no entanto, não conta para a atribuição do Prémio Puskas 2012 com que a FIFA homenageará o melhor golo do ano.
Os dez nomeados já estavam escolhidos e a votação a decorrer quando o sueco apontou daquela forma indescritível o seu quarto golo à selecção inglesa. Regulamentos são regulamentos, nada a obstar. E a justiça, ainda que tardia, haverá de chegar. O golo de Ibraihmovic, garante a FIFA, pode entrar na corrida para o Prémio Puskas 2013 porque no que diz respeito a golos fabulosos o ano civil do futebol mundial vai de Novembro a Novembro.
Ficamos, assim, perante uma situação curiosa: ainda não se sabe quem vai ganhar o prémio para o melhor golo de 2012 – Messi, Neymar, Falcao, Bem Arfa… etc… - mas o prémio do golo de 2013 já está entregue ao avançado sueco do Paris Saint Germain. E ainda faltam quarenta e tal dias para o réveillon.
Noutro tipo de concurso que patrocina, a FIFA, no entanto, bem podia emendar a mão em relação ao reconhecimento devido a Ibrahimovic, aproveitando para meter na ordem dois tipos que também jogam maravilhosamente bem à bola mas que se estão a tornar dois grandes chatos com as suas picardias, vedetismos e ciumeiras mútuas: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
Era dar a “Bola de Ouro”, troféu que consagra o melhor jogador do ano, ao artista sueco a ver se em Chamartín e em Nou Camp baixavam um bocadinho a garimpa. É que já não se pode ouvir tanta discussão científica sobre quem é o melhor do mundo, se o português se o argentino.
É o sueco, estúpidos.

No preciso momento em que a selecção portuguesa jogava no Gabão um particular de futebol, jogava também a selecção espanhola – campeã da Europa e do mundo – o seu agendado particular no Panamá. Portugueses e gaboneses empataram a duas bolas enquanto noutro ponto do mundo – também bem longe do conforto do velho continente – os espanhóis venciam os seus anfitriões panamianos por 5-1, pudera se são campeões do mundo… 
A fazer fé na imprensa, também os respectivos cachets reflectiam a disparidade entre as selecções ibéricas. Os portugueses receberam 800 mil dólares e os espanhós 1 milhão e meio. Aceita-se. Honra aos melhores.
Do lado da “roja” foi o Barcelona quem emprestou mais jogadores a Del Bosque, seis. Do lado das “quinas”, foi o Sporting de Braga quem cedeu mais jogadores a Del Bento, outros seis. Não tenho conhecimento de protestos do presidente do Barcelona e do presidente do Sporting de Braga apenas se ouviu uma constatação cheia de senso: um clube não se pode ufanar de ter um montão de jogadores selecionados e, ao mesmo tempo, protestar contra o abuso das escolhas do maldito seleccionador.
No entanto houve quem se queixasse em Portugal. E escutando os queixosos até parece que a única finalidade da ida da selecção ao Gabão foi a de provar à sociedade que o doutor Isaltino Morais, que patrioticamente se inscreveu na excursão, não tem medo de andar de avião, nem para lá, nem para cá. Não sei a quem é que isto pode ofender, com toda a franqueza.
O Gabão, que nos recebeu, é um país africano e notou-se algum desdém e soberba branca no modo como alguns queixosos se referiram, por exemplo, às condições do terreno. Foi isto o mais lamentável de toda a polémica. No próximo dia 6 de Fevereiro, a selecção nacional volta a jogar outro particular, desta vez com a Espanha, provavelmente em Vigo. A Espanha, que nos vai receber, é um país vizinho, europeu. Mesmo que em Vigo o relvado esteja uma grande porcaria ninguém se lembrará de lhe chamar capim.

Leio num jornal a notícia de que o treinador do FC Porto, tem vindo a melhorar em muitos aspectos, essencialmente na comunicação, porque trabalha agora com um “coach”, ou seja, com um treinador de treinadores. Leio noutro jornal que o treinador do FC Porto comentou o sorteio da Taça de Portugal que lhe pôs o Sporting de Braga no caminho, falando em “bolinhas amestradas”. Está-se já a ver que o treinador é dos bons.
Ai, Sertanense, Sertanense, Sertanense…

Na terça-feira, o Benfica fez um bom resultado com o Celtic mas foi caso para se dizer, com alegria, que a exibição foi muito melhor do que o resultado. O Benfica entrou bem no jogo, fez um golo cedo pelo ex-improvável Ola John – que muito me faz lembrar uma versão juvenil do actor norte-americano Tracy Jordan – e voltou a estar em altíssimo plano na primeira meia hora da segunda parte.
O Celtic não sendo uma equipa extraordinária, longe disso, continua a ser o grande candidato ao apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões. E a culpa não é do Barcelona por ter perdido em Glasgow. A culpa é do Benfica por ter perdido em Moscovo com uma exibição pardacenta e desconcentrada.
É muito provável que o Benfica, nesta temporada de 2012/2013, prossiga a sua carreira europeia na Liga Europa. Compreendo a angústia do tesoureiro do clube mas para mim, simples adepta, a Liga Europa vem muito mais a calhar em termos competitivos e de hipóteses reais do que a Liga dos Campeões.
Mesmo assim confio numa boa atitude em Barcelona e numa presença dignificante. Com Messi ou sem Messi.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 14:10

Setembro 25 2012

O futebol tem a sua linguagem, o seu léxico próprio, colorido, sugestivo, popular, frequentemente impenetrável para quem não pertence à seita.
Certa ocasião, conversando-se numa roda de amigos sobre um determinado jogador, houve um deles que disse e com razão:
- É um bom jogador, só é pena não ter pé direito.
Ao que um dos convivas, estruturalmente alheio a estas jurisprudências da bola e que seguia distraidamente a conversa, de súbito despertou alarmado, interrompeu tudo e todos com uma questão, para ele, muito pertinente.
- Mas se não tem pé direito como é que ele consegue jogar futebol?
Na nossa língua de especialistas a questão de haver jogadores “sem pé esquerdo” ou “sem pé direito” não os impede de se equilibrarem na perfeição e de correrem pelo campo todo. Explicar isto a leigos é o cabo dos trabalhos.
Neste final de Verão, com o fecho do mercado que sugou Álvaro Pereira e Hulk para longe do Dragão e Javi Garcia e Axel Witsel para longe ao Benfica, os dois grandes rivais e candidatos ao título português ficaram bastante azamboados estruturalmente, o que se compreende e aceita. 
As duas equipas, por muito que se queira dourar a pílula, ficaram enfraquecidas em função dos altos objectivos a que, por estatuto, se propõem. Por muitas que sejam as boas surpresas a irromper dos respectivos planteis e as vitórias que se venham a somar, a verdade é que aqueles quatro jogadores que se foram embora eram de altíssima qualidade e só podem fazer falta a Vítor Pereira, a Jorge Jesus e ao resto da malta.
Perante o golpe, o treinador do FC Porto lamentou-se mais em público do que o do Benfica, não se escusando a dizer que Hulk era insubstituível. Já o treinador do Benfica, perante o golpe, evidenciou solidariedade com a instituição vendedora, não se chorou, prontificou-se a fazer milagres com os miúdos portugueses da equipa B e com algumas adaptações entre os remanescentes da equipa A.
Como adaptador de jogadores a posições que não são suas, os créditos de Jesus são muito superiores aos de Vítor Pereira. Foi ele quem pôs Fábio Coentrão “a fazer de” defesa-esquerdo e só isso rendeu 30 milhões de euros ao Benfica.
Com a saída do referido lote de jogadores no último dia do mercado, o Benfica e o FC Porto ficaram de mãos atadas e sem tempo nem inspiração para encontrar soluções onde não as havia. Agora é tempo de inventar soluções abrangentes. 
E é aqui que nasce com autoridade assertiva uma nova expressão para o léxico do nosso futebol. O “fazer de” chegou e está para durar, pelo menos enquanto durar a crise.
Lendo a imprensa nos dias que antecederam a primeira jornada dupla da Liga dos Campeões ficámos a saber que nas cogitações dos dois treinadores, forçados pela sangria e pela falta de soluções imediatas, há jogadores que podem “fazer de” outros jogadores em campo tal como os actores representam papéis de personagens mais diversas nos palcos dos teatros.
E temos já um sortido variado dentro dessa inaudita especialidade: Matic faz de Javi Garcia, Varela faz de Hulk, Enzo Perez faz de Witsel, Defour faz de Fernando, Lima pode fazer de Cardozo, James pode fazer de Lucho, Melgarejo faz de defesa-esquerdo, Atsu faz de Messi, Jardel faz de Luisão e Iturbe também faz de Messi.
Vai ser um campeonato muito animado.
Por sinal, o campeonato inglês da II divisão também está muito animado. O Nuno Gomes está a fazer de Nuno Gomes, tem marcado os seus golitos, e o Blackburn segue Rovers na frente. Boa!

A derrota do Real Madrid em Sevilha, no Sánchez Pizjuán, colocou os campeões espanhóis a uma distância obscena do Barcelona à quarta jornada da Liga. Está instalada, portanto, a expectativa entre as legiões de fãs e as legiões de detractores de José Mourinho. E nem o triunfo suado sobre o Manchester City, na terça-feira, vai servir de atenuante ao treinador.
Como é que o “special one” se vai safar desta? Dá a volta ou não dá a volta? Fazem-se apostas, esgrimem-se argumentos, as pessoas que gostam de futebol vibram muito com estas coisas.
Para Mourinho, que leva uma carreira de pouco mais de uma década – e que década! -, a situação é toda ela nova. Nunca o treinador português passou por um mau momento igual ou sequer parecido como este que está a viver em Madrid. E por ser quem é um, um vencedor e uma celebridade mundial, tem agora todas as atenções focadas em si. 
O mundo quer saber com urgência que tipo de jogos mentais inventará no seu laboratório José Mourinho quando a equipa que comanda, a mais poderosa do mundo, se apanha com 8 pontos de atraso em relação ao arquirrival da Catalunha.
É que “mind games” para 8 pontos de atraso não será bem a mesma coisa do que “mind games” para quando se anda na frente das tabelas ou na luta pela vitória em todas as competições.
Acredito que José Mourinho nos possa surpreender com uns quantos passes de magia retórica e, de um momento para o outro, reinventar um Real Madrid imparável que até se deu ao luxo de dar avanço à concorrência. Isto é desejar-lhe, sinceramente, o melhor.
A imprensa de Madrid está em brasa com o nosso compatriota. É verdade que ainda não chegou à fase, a evitar, do insulto mas para lá caminha com toda a certeza se o Madrid continuar a perder terreno na Liga espanhola. Para já, não vão mais longe do que chamar-lhe “luso” com veemência porque as coisas, definitivamente, não andam bem e convirá recordar que Mourinho não só é estrangeiro como é português.
Boulharoz, o internacional holandês que o Sporting contratou esta temporada para substituir o caído em desgraça Onyewo, disse há coisa de semanas que Sá Pinto, o seu treinador, tinha “umas coisas de Mourinho”. Acabado de chegar ao nosso país e evidenciando respeito pelo nosso futebol, Boulharoz estava a elogiar os dois, como se facilmente se depreende.
Felizmente que a imprensa espanhola não liga nenhuma às ocorrências internas do futebol português. Com a má-vontade contra o treinador do Real Madrid em alta, se os jornalistas espanhóis tivessem dado conta da entrevista de Boulharoz a “A Bola” bem capazes seriam de escrever, só para mandar mais abaixo “el luso”, que Mourinho tinha umas coisas de Sá Pinto que saltavam à vista.

Conta a imprensa espanhola que no fim do jogo de Sevilha, Aitor Karanka, o adjunto de Mourtinho, repreendeu os jogadores Higuaín e Benzema quando se encaminhavam para o autocarro que os haveria de levar ao aeroporto. O argentino e o francês, pese embora a derrota que vinham de sofrer, terão saído do balneário aparentando uma excelente disposição, conversando e sorrindo, como se nada de aborrecido se tivesse passado no relvado.
O adjunto Karanka, certamente muito atento aos pormenores, pôs cobro à animação, dizendo-lhes: “Caminhem separados e em silêncio, calados ou toda a gente vai cair em cima de nós.” Esteve bem Karanka, não esteve?
Faltou um Karanka qualquer ao Benfica em Dusseldorf quando a equipa desatou na grande risota depois de Luisão, no fim de uma corrida disparatada, ter mandado com o árbitro ao chão. O castigo chegou esta semana e fez bem o Benfica em não se pôr com alaridos contra a decisão. Nestes casos, acatar é o melhor remédio. A justiça desportiva em Portugal nem sempre é lenta, essa é uma boa notícia.
Outra boa notícia, em prol do bom nome da modalidade e de quem a dirige, seria conhecerem-se os castigos aos autores morais e materiais do incêndio de uma bancada do Estádio da Luz por ocasião do último “derby”. É que já lá vão 10 meses…

Lucho González. 
Respect.

Ontem em Glasgow, considerando que o Celtic é o adversário do pote 4, foi caso para se dizer que o resultado foi pior do que a exibição. Assinale-se também que Jardel fez bem de Luisão, que André Almeida fez bem de Maxi Pereira, que Matic fez bem de Javi e que Salvio só fez bem de Sálvio nos últimos 15 minutos, o que foi pena.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 02:03

Agosto 13 2012

No princípio da semana, os jogadores da selecção olímpica de futebol da Coreia do Sul receberam uma promessa oficial do Estado: uma vitória sobre o Brasil nas meias-finais do torneio e ficavam todos livres da tropa.
O jogo foi anteontem. Como seria de esperar, não tardará muito e os futebolistas sul-coreanos lá estarão garbosamente fardados a patrulhar a linha de fronteira com a Coreia do Norte. Ossos do ofício.
Quanto ao Brasil embala agora para aquela que será a sua primeira vitória olímpica na modalidade do futebol. Outra coisa não será de esperar. E já muito tardou, não é?
Para o Brasil este torneio olímpico de futebol muito nos faz lembrar o que a Taça da Liga tem sido nestes últimos quatro anos para o Benfica: um relativo passeio. E como uma olimpíada são quatro anos, está mais do que justificada a analogia.
Aconteceu que os concorrentes directos do Brasil ao ouro do futebol em Londres foram caindo como paspalhos pelo caminho e até a Grã-Bretanha, que jogava em casa e era uma favorita, caiu na eliminatória com os sul-coreanos poupando-se assim ao trabalho de ter de defrontar o super-poderoso Brasil na meia-final do torneio.
- Desta já estamos livres! – disse, com certeza muito aliviado, o presidente do Comité Olímpico lá do sítio.
O Brasil espera, assim, festejar o seu primeiro título olímpico muito brevemente. Vai ser uma festa, merecida. Para o presidente do FC Porto e para os portistas em geral o sucesso da selecção brasileira nos Jogos de Londres é também importante, importantíssimo do ponto de vista da comunicação, que é como se chama agora quando as pessoas falam.
Já faltam poucos dias para o grande evento terminar e, como todos sabemos, os nossos atletas têm tido uma vida difícil em Londres. Excepção feita aos nossos canoístas Pimenta e Silva que, quando já ninguém acreditava, arrancaram o segundo lugar na final de K2 1000 metros mais as respectivas medalhas de prata. O país, já de si deprimido, vinha a encolher-se ainda mais com a ausência de galarim, hino e medalhas, como se estas coisas não estivessem todas ligadas. Como se o que custa fabricar um campeão olímpico não valesse uma fortuna.
Até ao brilharete dos nossos canoístas em Londres tudo levava a crer que as únicas medalhas que viriam de avião para Portugal viriam apenas por empréstimo, viajando nas bagageiras de Hulk, Danilo e Alex Sandro, os três jogadores do FC Porto em missão olímpica ao serviço do “escrete”.
“Que tragam uma medalha para o FC Porto”, foram os votos do presidente do FC Porto, recentemente expressos em declarações ao “Jogo”. Compreende-se pelas mais diversas razões. Desde a valorização da mercadoria (e são logo três “activos”) à valorização, ainda que substancialmente abusiva, do próprio clube e à propaganda da tradição de resultados de excepção num país onde a regra é a medianidade.
O feito não deixará de ser devidamente incensado. Os portugueses, do Minho e ao Algarve e ilhas adjacentes, só conseguiram desenrascar duas medalhas na canoa mas lá a Norte, numa pequena aldeia de irredutíveis patriotas festejou-se bravamente a conquista de nem uma, nem duas mas sim de três medalhas. 
Portugal, 2-FC Porto, 3, é este o resultado do jogo olímpico até ao momento. Assim cantará o bardo enquanto se assam dois javalis no famosíssimo olival financiado a 84,4% por dinheiros do Estado.
Não deixará de constituir uma grande falta de respeito pelos nossos atletas olímpicos que fizeram todos o melhor que puderam tendo em conta que não recebem do Estado as mordomias e incentivos com que outros têm sido bafejados ao longo dos anos. Sorte de uns, azar de outros. 
Enfim, é desporto ao mais alto nível.

 


O site “Negócios - on line” avançou com uma notícia não mais do que curiosa. Esta: 
“A PortoGaia, fundação criada em 1999 para construir e gerir o centro de estágio do Futebol Clube do Porto, é uma das que pode ser extinta por ter tido uma das piores avaliações no censo efectuado pelo Governo: 84,4% das suas receitas provêm de dinheiros públicos. Entre 2008 e 2010, a fundação recebeu 4,234 milhões de euros em apoios financeiros públicos.”
A notícia veio a lume na sexta-feira.
No domingo, o centro de estágio do FC Porto foi palco da festa e da cerimónia do 10.º aniversário da inauguração do dito complexo desportivo e contou com a presença dos dois presidentes, o do FC Porto e o da Câmara Municipal de Gaia.
Houve discursos. O presidente do FC Porto definiu a ligação do clube com a autarquia como “uma parceria de sucesso”. Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Gaia optou por uma metáfora de índole conjugal e chamou-lhe “um casamento perfeito”.
O presidente do FC Porto também se referiu com palavras de elogio à qualidade dos jogadores de futebol da equipa B do clube.
Sobre a notícia da antevéspera, veiculada pelo “Negócios” nem uma palavra nem do presidente nem do edil. Provavelmente porque ninguém lhes perguntou nada sobre o momentoso assunto. Se calhar nem havia jornalistas presentes. Era apenas uma festa. E festa é festa.

 


Está mesmo a chegar a época oficial de 2012/2013 e ninguém pode garantir, entre os adeptos dos três grandes, que as suas equipas estão feitas e fechadas ou que ainda vai haver grandes surpresas, entre saídas e entradas, até ao final deste mês de Agosto quando fechar o mercado de Verão.
No Benfica continua a saga do defesa-esquerdo e a novela de Witsel, no Sporting continua Adrien a fazer a vida negra aos seus patrões e no FC Porto continua Álvaro Pereira a demorar muito mais a sair do que os 4 minutos que demorou a decidir entrar pela porta do Dragão. Os presidentes dos três grandes têm sido muito cautelosos nas suas declarações públicas sobre o mercado.
O menos cauteloso de todos, até ao momento, tem sido Pinto da Costa:
“O plantel está completo. Entradas não prevejo nenhumas e, pela realidade, nada nos faz prever que alguém saia. Parece que já saiu meia-equipa, a aldrabice não paga IVA…”, disse o presidente do FC Porto, afirmando assim, de uma assentada, duas verdades universais:
O plantel está fechado, uma.
A aldrabice não paga IVA, duas.
De qualquer forma e com todo o respeito, acredito menos na primeira verdade universal e mais na segunda verdade universal.

 


Verdade, verdadinha é que o chileno Matías Fernández já saiu do Sporting e já está na Fiorentina. Foi à sua vida como outros irão. No sábado teve o seu primeiro frente-a-frente com a imprensa italiana. Perguntaram-lhe logo quem era o seu ídolo, o seu modelo de jogador. Respondeu sem hesitar: “Maradona e Aimar, do Benfica”.
Matías Fernández não pensa, certamente, voltar a jogar um dia no Sporting. E fique ciente que no FC Porto também passou a ter as portas fechadas. Não lhe bastava dizer “Aimar” como ainda tinha de acrescentar “do Benfica” para que não restassem dúvidas.
Exagero? Não, nem pensar.
O reforço colombiano do FC Porto, Jackson Martínez, acabadinho de aterrar no nosso país contou numa entrevista ao “Jogo” como foi recebido no aeroporto: “Quando cheguei deram-me as boas vindas e depois falaram-me logo da rivalidade com o Benfica. Era Benfica, Benfica, Benfica…”
Exagero? Sim. Com IVA ou sem IVA? Vá lá saber-se…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 00:04

Maio 30 2012

As coisas desagradáveis que os ex-treinadores têm de ouvir, às vezes…
Romelu Lukaku, o jogador belga do Chelsea, diz agora que nunca irá perdoar a André Villas Boas e Paulinho, o roupeiro do Sporting, diz agora que nunca mais estende a mão a Domingos Paciência.
Ora aqui está um balanço diferente, em jeito animoso, das duas interessantes e surpreendentes finais que marcaram a agenda de fim-de-semana de todos os que gostam de futebol, em Portugal e por esse mundo fora.
Lukaku, acabadinho de se consagrar campeão da Europa, acusou Villas Boas de não lhe passar cartão nos meses em que trabalharam juntos em Londres. “Não consegui aceitar o modo como fui tratado”, disse muito zangado.
Por sua vez Paulinho, que tinha marcado a sessão pública de lançamento do seu livro de memórias para o dia, hipoteticamente festivo, a seguir à final da Taça de Portugal, acusou Domingos Paciência praticamente da mesma coisa. Ou seja, de não lhe dar créditos pelo seu bom trabalho de décadas em Alvalade: “É muito feio um treinador meter-se no trabalho do roupeiro”, lamentou.
São apenas e só nestes protestos de Lukaku e de Paulinho, 24 horas depois dos jogos de Munique e do Jamor, que se consegue vislumbrar um paralelismo, um vaguíssimo ponto de similitude entre a final da Liga dos Campeões impecavelmente organizada pela UEFA e a final da Taça de Portugal, organizada pela FPF que, certamente por falta de parafusos, entregou à equipa vencedora um troféu desatarraxado, ainda que histórico.
Os dois grandes acontecimentos, salvaguardando as devidas distâncias mitológicas, calharam no mesmo fim-de-semana e como já há pouco futebol, estamos a entrar em época de defeso dos clubes, houve uma natural tendência geral para se deitarem todos, à falta de mais assuntos, a estabelecer comparações entre as duas finais, a europeia e a nossa.
Em termos de falta de parafusos não há comparações possíveis, que me desculpem os patriotas.
A taça da UEFA apresentou-se inteirinha, numa peça só, sem amolgadelas e a brilhar de todos os ângulos. A nossa taça foi aquela desgraça. Faltava-lhe um parafuso. Ou mesmo dois, quem sabe?
Em termos dos quatro guarda-redes em acção, as comparações também não são fáceis. Em Munique estiveram, provavelmente, os dois melhores números 1 do mundo. E ambos justificaram os seus galardões. Emanuel Neuer e Petr Cech deram os seus respectivos festivais nos 90 minutos, na meia hora de prolongamento e no desempate por grandes penalidades.
Devo confessar uma fraqueza: torci pela vitória do Bayern desde a primeira apitadela de Proença até ao momento, já à beira do fim, em que Emanuel Neuer avançou para marcar, contra o colega de baliza, uma das grandes penalidades no momento do ou-vai-ou-racha. 
Desejei imediatamente que falhasse. Não vejo nada de bonito quando um guarda-redes desfeita, no frente a frente dos 11 metros, sem nenhum obstáculo entre eles, um colega do mesmo posto. Mas Neuer não falhou e, miraculosamente, o Chelsea acabou por ganhar a taça com os parafusos todos.
No Jamor estiveram dois guarda-redes portugueses, Rui Patrício e Ricardo. E devo confessar o que, na verdade, até salta à vista. Torci pela Académica. E como se tratou de um jogo sem grandes penalidades, não houve qualquer hipótese para Ricardo se atrever a marcar um penalty ao seu colega Rui Patrício. Assim sendo, não mudei de clube como me aconteceu com a final de Munique, e estive pela Académica até ao fim do jogo.
Rui Patrício até é o melhor guarda-redes português. Mas no domingo, francamente, não parecia nada disso. Sofrer um golo de cabeça de um adversário com 1 metro e 66 e que ainda se pôs de joelhos para enfeitar melhor o lance não é coisa digna de um craque das redes como é Rui Patrício.
Em termos dos apostadores, as duas finais, na verdade, tiveram em comum o facto de terem ganho as equipas que, quer em Munique quer em Lisboa, não eram de todo as favoritas. Dizem que é por isso que o futebol é um desporto que arrasta multidões, por causa da imprevisibilidade, embora saibamos que haverá sempre imprevisibilidades maiores para uns do que para outros.
E isto também vale para os treinadores. Jupp Heynckes, por exemplo, nos dias que antecederam o jogo optou por não falar já como treinador da equipa vencedora e referiu-se sempre ao Chelsea com o respeito que lhe mereciam todos os jogadores da equipa adversária, elogiando-os a todos como adversários merecedores da maior consideração. Heynckes sabe muito que isto das imprevisibilidades toca a todos. 
Ainda que toque mais a uns do que a outros.
Sá Pinto, o treinador do Sporting, talvez por estar em início de carreira, foi menos arguto do que o já entradote treinador alemão. Antes do jogo, sentia-se no seu discurso a inspiração de um vencedor antecipado, o que se desculpa porque há meses que, em Alvalade, ninguém conferia qualquer estatuto de “imprevisibilidade” à Taça de Portugal. 
Mas ao contrário de Heynckes, matreiro, que em termos públicos olhou para a equipa adversária como um todo, Sá Pinto, nos mesmo termos públicos, só se preocupou com um jogador da Académica chamado Adrien. 
Era a tal a confiança do treinador do Sporting que, na conferência de imprensa de lançamento do jogo, entendeu ser aquela a altura certa e a ocasião propícia para ralhar com Adrien, que está emprestado pelo Sporting à Briosa, por ter furado o “black-out” decretado pela sua entidade patronal e, pior ainda, de o ter feito para manifestar o seu “optimismo” no que diz respeito ao desfecho do jogo.
Foi neste preciso momento que se começaram a desatarraxar sozinhos os parafusos do troféu… E quando Pedro Emanuel, altamente confrangido pela tirada do colega, se viu obrigado a quase pedir desculpa por “incutir optimismo” nos seus jogadores não restaram dúvidas que a Taça de Portugal de 2012 ia chegar estragada, em mau estado às mãos dos seus vencedores.
Foi este o problema de Sá Pinto: só se preocupou com o Adrien e esqueceu-se do Marinho. O problema do Heynckes foi diferente: não se preocupou com o Robben. A verdade é que ambos, sendo favoritos, perderam as suas finais do fim-de-semana e por isso há uma multidão de curiosos a estabelecer paralelismos entre os dois acontecimentos.
E há quem diga:
- Aconteceu ao Sporting o mesmo que aconteceu ao Bayern!
Não é verdade. É, aliás, uma grande mentira.
Sim, eram favoritos e perderam, todos admitimos. Mas, em termos de futebol jogado, o Bayern foi altamente infeliz no jogo (sofreu o empate a 2 minutos dos 90), no prolongamento (falhou uma grande penalidade) e nas grandes penalidades (foi o que se viu), enquanto o Sporting, mesmo perdendo, foi muito feliz no jogo e é caso para se dizer que foi melhor o resultado do que a exibição.
Espero, com todo o desportivismo, que no próximo ano a Taça de Portugal venha com os parafusos todos.
E, benfiquistas, animem-se: pelo menos a Taça da Liga vem sempre com os parafusos todos.

Querem ver que os nossos já tradicionais receios se confirmam e que o Ola John se vai transformar rapidamente no Adeus John?
Santa paciência.

Se o Abramovich mandar embora o Di Matteo é porque também não funciona com os parafusos todos. Que isto sirva de consolação.

PS – Foi-se embora o Manolo Vidal, uma excelente pessoa, um cavalheiro a toda a prova, um grande dirigente do Sporting. Tinha muitos talentos. O humor era um deles. Recordo-o sempre como o único dirigente do futebol português que soube responder a Pinto da Costa à altura da provocação. O presidente do FC Porto referiu-se em termos depreciativos ao sotaque galego de Manolo e Manolo respondeu vincando-lhe o atributo do “sotaque siciliano”. Nunca nenhum jornalista teve curiosidade em perguntar a Manolo Vidal o que queria ele dizer com isso do “sotaque siciliano”. Mais um mistério que ficou por resolver no nosso futebol.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 00:41

Abril 24 2012

Valeu a pena?
Sim, valeu a pena.
Faz por estes dias 30 anos que Paulo Pereira Cristóvão assumiu a presidência do Sporting Clube de Portugal para conduzir o histórico clube com 136 anos de existência a um patamar único e sem rival em Portugal. 
30 anos, 307 títulos! - eis o cartão de visita do presidente Cristóvão no ano em que festeja 73 Primaveras e três décadas no comando da grande nau.
Feito notável. Pena que o consulado de ouro de Pereira Cristóvão tenha ficado a 1 título do registo do mítico Jorge Pinto Costa na presidência do FC Porto durante o mesmo espaço de tempo.
Entre 1982 e 2012 aquele antigo presidente do Norte do país conquistou 308 títulos. 
Entre 2012 e 2042 este presidente do Sporting conquistou 307 títulos.
Jorge Pinto Costa tinha 74 anos quando celebrou o feito. Paulo Pereira Cristóvão tem 73 anos na ocasião histórica que hoje celebra. Se Jorge Pinto Costa somou mais um título é porque tinha mais experiência. A experiência que advém de mais um ano de vida.
Estas contas só ao alcance dos predestinados têm vindo, no entanto, a provocar rumores de insatisfação entre a nação leonina.
Reclamam os sportinguistas mais exigentes, aqueles que por mais que ganhem nunca estão satisfeitos, que lhes faltam aqueles 2 títulos que estiveram à mão de semear para Paulo Pereira Cristóvão poder ultrapassar galhardamente o palmarés de Jorge Pinto da Costa, ficando, concomitantemente, o Sporting com 1 título a mais. 
Há até entre os notáveis do Conselho Leonino quem acuse o presidente, por se ter deixado adormecer na forma, pelas duas surpreendentes derrotas nas finais da Taça da Liga das temporadas de 2019/2020 e de 2034/2035, contra adversários perfeitamente ao alcance como o Eléctrico de Ponte de Sôr e o FC Porto.
O Eléctrico de Ponte de Sôr ainda vá que não vá… mas a derrota com o FC Porto teve aspectos intoleráveis pela grande rivalidade que passou a existir entre os dois clubes, mormente desde a extinção do SL Benfica, emblema lisboeta obrigado a fechar as portas em 2018 depois de uma sucessão misteriosa e fatal de treze incêndios que reduziram a escombros o seu Estádio da Luz e demais património mobiliário e também imobiliário.
A Taça da Liga já vai na sua 34.ª edição e, curiosamente, o Sporting, um verdadeiro papa-títulos em Portugal e no estrangeiro, apenas por uma vez conseguiu levar de vencida o cobiçado troféu. Foi na longínqua temporada de 2012/2013, logo no princípio do consulado de Pereira Cristóvão como presidente do clube, o adversário foi o Marítimo e o Sporting ganhou por falta de comparência dos madeirenses.
“Só conseguiram ganhar uma Taça da Liga na secretaria!” – regozijavam-se os benfiquistas, que ainda estavam activos à época. Mas regozijaram-se por pouco tempo. Logo sobrevieram de rajada os incêndios números 4, 5 e 6 no Estádio da Luz e passou-lhes imediatamente a vontade de rir. E o pior ainda estava para vir.
A verdade é que o Sporting ganhou a sua única Taça da Liga na secretaria. Mas o Sporting não tem culpa da falta de comparência da equipa do Funchal. O Marítimo não foi a jogo porque foi desqualificado da competição pelo Conselho de Disciplina da defunta Liga de Clubes.
E porquê?
Um vice-presidente do Marítimo que, incrivelmente, tinha acesso ao número da conta bancária de um fiscal-de-linha, sugeriu a um funcionário seu, antigo líder da claque “Esquadrão Maritimista”, que se metesse no teleférico para o continente e fizesse um depósito de 444.382.763 escudos (sim, tudo isto se passou no ano em que o euro passou a ser moeda antiga) na conta do dito fiscal-de-linha.
O propósito era coagir e incriminar o árbitro assistente afastando-o do próximo jogo do Marítimo que era a contar para a Taça da Liga contra adversário temível. Numa artimanha que soou genial ao seu mentor, a viagem de teleférico ao continente e o depósito dos 444.382.763 escudos numa agência bancária da Capital em nome do fiscal-de-linha destinavam-se a manchar a honra de um clube inocente.
A infantil tramoia foi rapidamente posta a nu por três jovens inspectores-estagiários da polícia nacional que nem precisaram de pedir auxílio aos inspectores mais velhos. Naturalmente, o Marítimo foi desqualificado da Taça da Liga e como já estava apurado para a final quando tudo veio a lume, a final desse ano não se realizou tendo a vitória sido atribuída ao Sporting, na secretaria, facto que não gerou a menor controvérsia.
Regressemos ao tempo presente que é de festa. 
O Sporting de Paulo Pereira Cristóvão lidera como de costume o campeonato, está nas meias-finais da Liga dos Campeões e se é verdade que foi mais uma vez prematuramente afastado da Taça da Liga, (cuja final se disputa no domingo entre os Pescadores da Costa da Caparica e o Eléctrico de Ponte de Sôr), também não é menos verdade que jogará já no próximo mês de Maio a sua 6.ª final consecutiva da Taça Cardinal no Arena-Jamor.
No calendário de provas oficiais do futebol português, a Taça Cardinal sucedeu à velhinha Taça de Portugal, prova pela última vez disputada em 2011 e nesse ano de despedida ganha pelo FC Porto. Foi naquele tempo em que o FC Porto ganhava tudo e de que só os mais velhos se lembram.
Neste ano em que se comemora o 30.º aniversário do consulado da presidência de Paulo Pereira Cristóvão no Sporting, significará esta 6.ª final consecutiva no Arena-Jamor a 6.ª vitória consecutiva dos leões?
No relvado do Arena-Jamor, herdeiro do velhinho Estádio Nacional, esplendorosamente reconstruido em 2016 com capitais angolanos, caíram aos pés do Sporting nas últimas 5 finais adversários como o Eléctrico de Ponte de Sôr (2037, 2038 e 2040), o Beira Mar de Monte Gordo (2039) e os Pescadores da Costa Caparica (2041).
Neste ano de 2042, no entanto, a final da Taça Cardinal vai ter o sabor de um velho e já esquecido clássico porque o adversário chama-se FC Porto. Longe, é certo, vão os tempos daquele FC Porto imperial de Jorge Pinto Costa a quem, por graça, se chegou a chamar de “Papa” tal era o seu apetite. Hoje o FC Porto não é o que era. 
Depois de Jorge Pinto Costa seguiu-se a presidência de António Salvador mas Salvador nem conseguiu completar o seu primeiro mandato. “Vai pró Braga!”, gritavam-lhe a toda a hora. Depois de Salvador, foi Rui Moreira ocupar a presidência mas as coisas também não correram bem e a culpa, dizia-se, era dos tecnocratas. Satisfazendo a velha guarda, foi então eleito Reinaldo Teles presidente e cumpriu dois mandatos com a dignidade que cabe a um simpático ancião. Mas sem vitórias o que gera contestação popular. Sucederam-se 4 comissões administrativas integrando uma plêiade de notáveis. Também sem sucessos.
Foi assim que, em 2027, congregando em si todas as esperanças, o antigo jogador do clube António Oliveira se fez eleger presidente do FC Porto. 
Tinha 75 anos e poderia ter sido um excelente presidente do FC Porto se o seu irmão Joaquim, de 84 anos, dono da empresa Olivedesportos, não lhe tivesse sabotado o mandato e as contas da tesouraria renegociando com o FC Porto o contrato de transmissões televisivas por um terço do valor do mesmo contrato com o Eléctrico de Ponte de Sôr. Foi o fim da macacada.
Hoje, por culpa destes 30 anos de Paulo Pereira Cristóvão no Sporting, levando tudo à frente de vencida, já ninguém sabe quem é o presidente do FC Porto. Ninguém sabe o nome de quem se vai sentar com Paulo Pereira Cristóvão na tribuna do Arena-Jamor. O actual presidente do FC Porto é um cidadão anónimo, ninguém lhe liga pevide.
Não admira. Pois se os mais jovens adeptos do FC Porto nem sequer sabem quem foi o presidente Jorge Pinto Costa. Nem lhe sabem dizer bem o nome. É trabalho dos portistas mais velhos explicar aos mais novos que, em primeiro lugar, não é “Jorge Pinto Costa” mas Jorge Nuno Pinto da Costa, tal como está escrito na frontada do antigo Aeroporto Francisco Sá Carneiro rebaptizado com o nome do antigo presidente portista em 2022, depois de sofrer obras de remodelação com capitais angolanos.
De volta à efeméride. Foi há 30 anos que Paulo Pereira Cristóvão assumiu a presidência do Sporting e tudo mudou no panorama do futebol nacional. O Benfica ardeu e extinguiu-se. E o FC Porto nunca mais conseguiu recuperar da guerra fratricida com a Olivedesportos. 
O último título oficial do FC Porto aconteceu na já distante época de 2028/2029 e soube a pouco: uma vitória morna na final da Taça da Liga frente ao Paço de Arcos, por 1-0, um golo do veteraníssimo Gonçalo Paciência, filho de um tal Domingos Paciência que foi muitos anos jogador do FC Porto e poucos meses treinador do Sporting. Dizia-se na altura que o pai Domingos tinha sido vítima de espionagem ao mais alto nível e que cedeu a posição quando confrontado com os factos, sendo que a natureza dos factos é ainda hoje desconhecida.
O importante é que o processo que, há 30 anos, levou Paulo Pereira Cristóvão à presidência do Sporting foi pão-pão-queijo-queijo. Não foi preciso raptar a equipa e levá-la para o pinhal de Leiria, como outros fizeram noutros pinhais em séculos passados. Não foi preciso sequer desautorizar e humilhar o presidente que estava em exercício. Também não foram precisas eleições. 
É caso para se dizer que Paulo Pereira Cristóvão fez-se presidente do Sporting só com a sua presença. Impondo-a com naturalidade e sem discussão perante os colegas dirigentes. 
Faz agora 30 anos que, para testar os outros e para se testar a si próprio, o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, qual Houdini, se fez desaparecer a si próprio durante 96 horas para, num golpe de magia, regressar triunfalmente, caindo com estrondo na sala de reuniões e fazendo desaparecer, envoltos em grande poeirada, todos os dirigentes do Sporting que lá estavam sentados. E ainda todos os dirigentes do Sporting do passado. E os do futuro também.
Foi o início de uma era. 
Não se pode dizer que foi o início de uma nova era porque, com toda a franqueza, de novo não teve nada.

Autor: Leonor Pinhão
Fonte: A Bola 

publicado por Benfica 73 às 18:18

Abril 06 2012

Vítor Pereira (refiro-me ao presidente da Comissão de Arbitragem e não ao treinador do FC Porto) decidiu esconder as nomeações dos árbitros para a última jornada do campeonato e a coisa até lhe correu bem. Houve inusitado sossego no país nos dias que antecederam a acção e depois não houve grandes protestos sobre o trabalho dos árbitros em todos os jogos da ronda 25. Talvez não tenha sido apenas uma coincidência feliz. 
E, pelo menos, dá que pensar e logo numa jornada em que houve um confronto entre rivais directos, candidatos ao título, e que terminou com a vitória de uma equipa, a consequente derrota da outra e com uma grande penalidade pelo meio, o que poderia dar azo a grandes lamentações se, porventura, Vítor Pereira não tivesse escondido João Ferreira até praticamente ao momento em que o árbitro subiu ao relvado do Estádio da Luz.
Ou se, porventura também, não tivesse sido tão espampanante a cabeçada do desastrado Elderson no doutor Bruno César, especialista em reanimações. Pormenor que, para o caso, pouco ou nada interessa.
Porque o que de relevante aconteceu nesta última jornada foi uma ausência de casos e uma ausência de tal monta que quase deixou sem assunto de conversa 10 milhões de portugueses. Isto é subversivo, notem bem. Sem com que dizer mal dos árbitros durante uma semana inteira poderão os nacionais dedicar-se a observar a sua própria realidade com consequências funestas para o sossego do país.
E nesta estamos. Temos de optar entre o sossego dos árbitros e o sossego do país.
Voltemos ao futebol. No último fim-de-semana não houve queixas contra os árbitros, foi a regra. O presidente do Sporting de Braga e o guarda-redes do Sporting de Braga deram-se ao luxo de poder dizer que houve motivo para a grande penalidade com que o Benfica inaugurou o marcador.
Quanto à excepção a este estado de harmonia geral, registe-se com muito boa vontade um curtíssimo lamento de Sérgio Conceição, treinador do Olhanense, no final do jogo que disputou com o FC Porto. E nem de um lamento se trata. Foi antes uma delicadeza: “Houve um erro ou outro por parte da arbitragem, sem relevância, que também não ajudou o nosso objectivo”, bem dito.
Na Marinha Grande, se quiserem outro exemplo, esteve Pedro Proença a dirigir o jogo entre a União de Leiria e o Sporting e também se registou um não-caso que, sem o árbitro ter sido escondido, poderia ter resultado num caso de enormes proporções. E por ser já um árbitro com traquejo em apagões, Proença lidou muito melhor com a falta de energia na Marinha Grande na noite de domingo do que terá lidado com a falta de energia em Braga quando o Benfica foi lá jogar em Novembro.
Tudo isto para dizer, com toda a franqueza, que a medida de Vítor Pereira foi ajuizada. E poderia até instituir-se como preceito a observar daqui para a frente em prol do sossego dos árbitros e do consequente desassossego social que se instalaria no país por falta de assunto sobre árbitros.
A Liga portuguesa é a mais competitiva da Europa, dizem os especialistas estrangeiros surpreendidos com a novidade. E se para a manter a competição acesa até ao fim sem declarar guerra aos árbitros é necessário transformá-los nas noivas do futebol, que repiquem os sinos das igrejas. Se uma noiva que se preze só se descobre à chegada ao altar, um árbitro que se preza só se descobre à saída da cabina.
E assim seremos todos muito felizes para sempre.

Permitam-me que partilhe uma surpresa enorme que tive esta semana. Penso que a grande a maioria dos leitores se sentirá tão surpreendida quanto eu. Sabiam que aquela coisa do Apito Dourado ainda não acabou? Eu, honestamente, não sabia. Pensava que o dito processo estava já morto e enterrado há muito tempo. Mas não. Ainda anda por aí, pelos tribunais. 
Mas anda muito devagarinho como tive oportunidade de constatar ao ler uma notícia do semanário “Sol” que dizia ter sido instaurado “um inquérito, a pedido do Conselho Superior da Magistratura, para investigar o que se passou na secretaria do Tribunal da Relação do Porto que fez com que o processo principal do Apito Dourado ficasse um ano parado de forma anómala”.
O que se terá então passado na secretaria para que, segundo o “Sol”, estejam agora “a prescrever os crimes de corrupção passiva” e “os 11 arguidos condenados ficarão impunes”?
Bola e justiça, são mundos diferentes.
Em futebol, a expressão “ganhar na secretaria” não abona os vencedores. Na justiça, que é um assunto sério e tem outros léxicos, as coisas não se passarão assim de certeza absoluta.

Na minha opinião, o FC Porto demorou uma enormidade a desmentir a notícia deste jornal que dava como certa a saída de Vítor Pereira (refiro-me ao treinador e não ao presidente dos árbitros) no final desta temporada, caso ganhe ou caso perca o campeonato.
A notícia de “A Bola” foi para a rua ainda madrugada, quando os jornais se começam a vender nos quiosques, nas estações de comboio e em todos os apeadeiros. O desmentido só surgiu aos olhos do grande público ao princípio da tarde quando alguns “sites” reproduziram o comunicado oficial e furibundo do FC Porto.
Nem que fossem 15 minutos… mas passou, de facto, muito tempo. Devem ter sido longa a agonia de Vítor Pereira à espera de que a entidade patronal fizesse publicamente o que lhe competia.
No seu comunicado, o FC Porto acusa “A Bola” de estar a prestar um favor ao Benfica porque é ao Benfica que “interessa” a notícia, presume-se que pelo efeito desestabilizador potencialmente causado no balneário do Dragão. 
Também na minha opinião, ao deixar passar tanto tempo – nem que fossem 15 minutos… - até ao desmentido oficial, o FC Porto terá inadvertidamente desestabilizado mais Vítor Pereira do que a notícia de “A Bola”. Mas opiniões são opiniões.
O FC Porto promete responder com vitórias e com o tempo às “infelizes mentes” que produziram a provocação.
Com o devido respeito, penso que o FC Porto não está a ver bem a situação. É que a coisa ainda é mais grave do que parece e sempre, claro está, em função dos interesses do Benfica. Porque, certamente por absurdo, é para os benfiquistas muito importante que, caso ganhe ou caso perca o campeonato, Vítor Pereira continue a ser treinador do FC Porto no próximo ano.
E depois deste desmentido tão veementemente ofendido do FC Porto, torna-se mais difícil que isso não aconteça. A partir de agora é uma questão de egos. E lá mais para diante se verá quem estava a falar a sério e quem estava a falar a brincar.

Ontem, em Londres o Benfica portou-se muito bem jogando mais de metade do jogo com menos um jogador do que o adversário. Compreende-se o desejo de Jorge Jesus de encontrar o Chelsea nesta fase da competição. Em inferioridade, o Benfica atacou a baliza do Chelsea toda a segunda parte, conseguiu marcar um golo e criou inúmeras oportunidades.
Não foi por causa de ter jogado com dois centrais de recurso que o Benfica perdeu a eliminatória em Stamford Bridge. Em futebol-futebol, o Benfica teve sempre argumentos para os ingleses. E ontem esses argumentos estiveram quase sempre à vista.
Quanto aos outros argumentos, quer na Luz quer em Londres, ficou provado que, de facto, o Benfica não os tem.
Descansem bem. Porque bem merecem.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 00:17

Março 29 2012

O campeonato está a chegar ao fim e o País progride no mesmo passo. Esta semana foi especialmente importante, quer para o campeonato quer para o País. Com franqueza, nem sei por onde começar. Se pelo País, se pelo campeonato.
Começo pelo país, por uma questão de respeito.
Foi uma semana ao mais alto nível. Nem sequer foi de Estado, foi de Estadão. O FC Porto foi meter conversa com o ministro da Educação. O Sporting (o de Lisboa, não o de Braga) foi meter conversa com o secretário de Estado do Desporto e da Juventude. Ambos os emblemas apresentaram queixas ao Governo. 
O Sporting foi queixar-se dos árbitros porque, segundo o presidente Godinho Lopes, “em condições normais” o Sporting estaria “a lutar pelo título”. Isto das condições normais tem muito que se lhe diga porque a normalidade para uns pode ser a anormalidade para outros e cada um chama-lhe sua. 
Para cúmulo, no momento em que festeja o primeiro ano sobre a data da sua eleição como presidente do Sporting, Godinho Lopes poderá sempre admitir que em condições normais ou anormais, conforme o gosto, nem teria sido eleito para o cargo.
Deixemos agora em paz o secretário de Estado do Desporto e da Juventude e passemos, sem hesitar, para o Ministério da Educação que também foi forçado a vir a jogo nesta semana.
Em comunicado oficial, o FC Porto foi queixar-se ao ministro de uma professora de um jardim-de-infância na Ericeira. 
Foi a segunda queixa contra a mesma professora no espaço de poucos dias. O primeiro queixoso foi o pai de uma criança que se insurgiu contra o facto de na sala de canto coral estar em vigor uma versão do “Atirei o pau ao gato” com uma estrofe final à primeira vista absurda mas que se revela perigosamente politizada e errónea.
São estes os versos da discórdia: “vai-te embora, pulga maldita / batata frita / Viva o Benfica!”. Compreende-se toda a revolta potencialmente gerada. Trata-se de entreter crianças e de as ensinar ao mesmo tempo. E não é que nem rima? Desde quando é que “Benfica” rima com “maldita” ou “frita”?
O pai da criança considera-se um adepto do FC Porto “não muito ferrenho” e considera que a alteração do poema “compromete o respeito pela diferença e pela individualidade”. Ora aqui está uma causa pela qual vale a pena combater.
Lamentavelmente, parece que esta situação não é da exclusiva responsabilidade da professora da Ericeira. 
O caso é bem mais profundo e generalizado como revelaria, sem medo, o FC Porto no seu comunicado oficial tendo como destinatário o ministro da Educação: “Mais grave é que a adulteração da letra é prática diária e repetida três vezes ao dia, não só no jardim-de-infância da Ericeira, mas também em todas as escolas do pré-escolar e noutras de Lisboa e de Cascais”, protestou o FC Porto.
E com razão. “Prática diária e três vezes por dia” da Ericeira a Lisboa passando por Cascais, é muita fruta. E acaba por ofender.
Está visto, portanto, por que razão é que a semana foi importante para o País através das acções diplomáticas concertadas entre o futebol e o Estado.
Mas, como referimos no início da conversa, esta semana também foi importante para o campeonato. Não por causa de nenhuma “pulga maldita”. Mais por causa de uma melga. Melhor dito, por causa de uma picada de um Melgarejo.
E, com isto, temos um Sporting de Braga isolado no comando do campeonato e com um calendário mais apetecível do que o de qualquer um dos outros dois pretendentes. Esta revolução no topo da tabela não deixa de espantar e não foi inspirada por nenhuma lenga-lenga infantil, que fique bem claro. Antes pelo contrário.
Aliás, nem se sabe bem de onde é que veio esta inspiração minhota que não estava no programa, por exemplo, do presidente do FC Porto. Porque jamais o presidente do FC Porto diria “desta já estamos livres”, quando foi afastado pelo Benfica da final da Taça da Liga, se não tivesse a certezinha absoluta, a confiança inabalável de que o campeonato já lhe era pertença.
Isto está bonito, está.

 


Os energúmenos que puseram on-line todo um conjunto de informações confidenciais sobre os árbitros colocam numa situação difícil todos aqueles que, não sendo nem de perto nem de longe energúmenos, se entretém a gostar de futebol e, por isso mesmo, no exercício da sua liberdade de expressão gostam, de vez em quando, de poder criticar o desempenho de um árbitro sem se verem incluídos nas fileiras do grande banditismo.
Compreenderam? Ainda bem.
Aimar foi bem expulso em Olhão. Os jogadores têm de conhecer não só as regras do jogo como os critérios dos árbitros. O critério do árbitro João Capela devia ser sobejamente conhecido pelos jogadores do Benfica. No princípio de Novembro, no jogo com o Sporting, na Luz, João Capela expulsou Óscar Cardozo por ter dado uma palmada na relva.
Aimar deveria saber que aquela perninha marota que deixou para trás jamais passaria impune. Rui Duarte, o jogador do Olhanense com quem Aimar disputou o lance, definiu em poucas palavras aquele momento do jogo: 
- Fiz o meu papel, tal como o Aimar e o árbitro – disse, no final do jogo.
E disse muito bem. Os três fizeram o seu papel. Foi bem expulso o Aimar.
Pena só que o Benfica não estivesse a ganhar por 3-0 quando tudo Rui Duarte fez o seu papel, Aimar fez o seu papel e o árbitro fez o seu papel. Mas como pouco ou nada fez por isso, o nulo aceita-se com resignação.



Janko, o austríaco que chegou ao Porto no Natal, deu uma entrevista a um jornal do seu país e confessou o seu gosto por estudar a realidade portuguesa. Para se integrar melhor na sociedade que o acolheu e para perceber filosoficamente as origens das grandes rivalidades do futebol português.
Aluno aplicado, Janko está praticamente um catedrático como se comprova por esta sua conclusão divulgada pela imprensa austríaca: “No Porto estão os trabalhadores, no centro estão os estudantes e em Lisboa estão as pessoas que gastam o dinheiro.”
Não quero pôr em causa o esforço estudantil de Janko mas o professor que o anda a ensinar, cá para mim, já deveria ter sido reformado compulsivamente há mais de 30 anos.


O Benfica e o Chelsea estão longe de ser as melhores equipas em prova na Liga dos Campeões e assim o provaram no jogo que fizeram na terça-feira. Não foi uma coisa do outro mundo. Mas foi um jogo curioso, bem disputado, muito equilibrado, como se reflectiu nas estatísticas, com 50% de posse de bola para cada uma das equipas.
Foi mais feliz o Chelsea que marcou um golo e teve em Petr Cech e em David Luiz dois bombeiros de alto coturno. Foi mais infeliz o Benfica que não marcou golo nenhum, que sofreu pelo seu lado esquerdo como é habitual e que viu o árbitro não ver uma mão de John Terry na sua área.
Apesar de ser um árbitro italiano diz-se à boca cheia que também benfiquista desde pequenino.
Na próxima semana o Benfica vai a Londres jogar o que falta nesta eliminatória e, com um bocadinho de sorte e de juízo, pode muito bem discutir o apuramento com os ingleses. E depois se verá…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 19:16

Março 23 2012

Pinto da Costa demorou 17 dias a protestar publicamente contra o árbitro Pedro Proença porque, segundo ele, perdoou uma grande penalidade ao Benfica no jogo do campeonato e não demorou nem 5 minutos a declarar, felicíssimo: «desta já estamos livres», por o FC Porto, de que é presidente, ter sido eliminado pelo Benfica da Taça da Liga.

Com o devido respeito, o senhor nao parece estar nos seus melhores dias.

A não ser que Pinto da Costa, a 6 jornadas do fim da prova, tenha a certeza absoluta de que o seu clube vai ganhar o campeonato, o que não se compreende porque o futebol é futebol, esta putativamente infeliz tirada do desta já estamos livres vai acompanhá-lo até ao fim dos seus dias como presidente do FC Porto tal como, salvo as devidas proporções, a tirada das «papas Nestlé» acompanhou Domingos Paciência até ao fim dos seus dias em Alvalade.

É evidente que os dias de Domingos em Alvalade foram poucos, o que até é um alívio para o treinador porque já não tem mais de ouvir piadas sobre o assunto. Mas o consulado de Pinto da Costa vai prolongar-se ainda por muitos e bons anos e, como futebol é futebol, corre o dirigente um grande risco: Sempre que o FC Porto for afastado de uma competição virem-lhe maldosamente recordar que desta também já estão livres.

Nesta temporada, por exemplo, já estão livres da Taça da Liga, da Taça de Portugal, da Liga dos Campeões e da Liga Europa.

É, sem dúvida, uma grande liberdade.

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 00:33

Fevereiro 20 2012

POR coincidência ou talvez não, Carlos Barbosa, o vice-presidente do Sporting responsável pelo marketing e comunicação, demitiu-se do seu posto no dia em que o Sporting convocou os jornais, as televisões e todos os boletins informativos da nação, para comunicar aos portugueses em geral e aos seus jogadores e equipa técnica, em particular, que a tesouraria do clube vive uma situação de falência técnica.

Ficará a dúvida sobre os motivos da demissão de Carlos Barbosa que, pelo seu currículo, jamais poderá ser considerado um amador ou um inapto destes domínios profissionais do marketing e da comunicação, como foi feito crer graças ao recurso às fontes anónimas de Alvalade.

E porque há coisas a mais que não fazem sentido algum no Sporting, poderia talvez fazer sentido a demissão do vice-presidente da comunicação por, eventualmente, discordar da divulgação pública dos resultados da auditoria externa nesta malfadada altura do campeonato.

>Fosse o Sporting o comandante do campeonato – e bastava isso… - , o impacto da divulgação da tal auditoria não tinha tido dimensão apocalíptica, como teve. Provavelmente ainda seriam os leões elogiados pela coragem da exposição pública de uma década de gestão ruinosa. E como o presidente do clube, numa conjuntura mais festiva, já previra receitas de 40 milhões «sem contar com a Liga dos Campeões», todo este drama que se verificou não teria passado de um fait-divers sem nada de ameaçador.

Aos adeptos em geral, independentemente dos afectos clubistas, dizem pouco estas novas sobre as contabilidades mais ou menos dramáticas dos clubes. Porque o que interessa é futebol e ninguém ama um emblema ou desespera com um clube por causa do brilho e da alegria que emanam do departamento da tesouraria.

Falência técnica é para o adepto da bola aquele momento em que entram em falência as capacidades do técnico. O resto são números tão absurdos, tão longe dos números da vida real, que melhor será entregar essas responsabilidades em mãos entusiásticas e, por regra, incompetentes.

No entanto, para os especialistas na matéria falência técnica é outra coisa. Pedro S. Guerreiro, director do Jornal de Negócios, explicou recentemente a situação: «Se o Sporting vender tudo o que tem (o activo) para pagar tudo o que deve (o passivo) ainda ficariam por pagar 183 milhões de euros. É isso que quer dizer falência técnica.»

Potenciada por uma série de resultados negativos, esta realidade fria dos números deitou abaixo o moral sportinguista? Pelo menos deitou abaixo o moral da equipa de futebol do Sporting que, no seu primeiro jogo depois da revelação da notícia, soçobrou em casa perante o Gil Vicente de um modo um pouco mais que chocante.

Seguiu-se a proeza nas meias-finais da Taça, frente ao Nacional, com pouco brilho e com os madeirenses a queixarem-se muito do árbitro. Mas também não é caso para andarem por aí a dizer que o Sporting, este ano, vai ganhar a Taça Pedro Proença. Depois, sem sair da ilha, novo tombo, desta vez com o Marítimo para o campeonato.

Será ilegítimo olhar para esta série de acontecimentos como uma sequência lógica em que, invariavelmente, cada facto suscita outro facto ainda pior?

O Sporting escolheu, na verdade, a pior altura para entrar decididamente em crise. Porque o mundo mudou, a banca mudou, as linhas de crédito estão fechadas e os tempos adivinham-se cada vez mais difíceis para todas as tesourarias. Em Portugal são muitos os clubes à beira de fechar as portas, declarados como insolventes pelos tribunais.

Na região da Madeira, o famoso buraco descoberto pela troika ameaça a sustentabilidade de dois clubes de futebol, o Marítimo e o Nacional, habituados a dispor de meios que lhes permitiram um nível competitivo de qualidade média-alta. Daqui por poucos anos, o panorama do futebol português e dos seus clubes e das respectivas fidalguias não vai ser o mesmo. Mas, evidentemente, o Sporting, ao contrário dos outros, continuará a existir e, espera-se, que de melhor saúde.

Até lá, as coisas vão ficar mais ou menos na mesma no que diz respeito às relações emocionais dos adeptos com o clube. Como é suposto acontecer com todos os adeptos de todos os clubes, acrescente-se porque é verdade.

Há coisa de duas semanas, vi amigos sportinguistas francamente mais incomodados com a ida do Yannick Djaló para o Benfica do que com as verdades da dita falência técnica. Isto não e normal.

 

DA Alemanha chegam notícias de uma boa acção cometida pelo Bayern de Munique. Em 2003, o poderoso clube bávaro salvou o Borussia de Dortmund da falência através de um empréstimo de dois milhões de euros. «Quando eles tiveram consciência de que já não conseguiam pagar os salários, demos-lhe dois milhões sem garantias durante alguns meses», revelou Uli Hoeness, o presidente do Bayern.

O presidente do Dortmund, Hans-Joachim Watzke veio logo a público testemunhar a ocorrência. «É verdade, posso confirmar esse empréstimo». Disse Watzke, ainda agradecido.

Como adepta, mas sobretudo, como curiosa por estes fenómenos, confesse que não sei, mas gostaria de saber, como é que esta amizade solidária entre dois clubes que competem nas mesmas provas é vista, analisada e dissecada pelos adeptos de todos os outros clubes alemães. Isto é, por todos aqueles que não são nem do Bayern de Munique nem do Dortmund.

Quando o  Dortmund joga com o Bayern e não ganha dizem os adversários que o Dortmund ainda está a pagar o favor do empréstimo? Em Portugal era o que aconteceria, ninguém duvida, pois não? Ou somos nós que somos diferentes?

Quero dizer diferentes mas para melhor, mais espertos…

 

NA vela história do futebol português, há meio século, quando entre Benfica e FC Porto as relações institucionais eram não só normais como até bastante calorosas, deu-se um episodio que já provava, a seu tempo, como nestas questões de solidariedade financeira nós somos bastante diferentes dos tais alemães.

Em 1960, o FC Porto viva com dificuldades para pagar os salários dos seus jogadores. Nas vésperas de uma visita do Benfica ao Porto, um dirigente portista chamado Aníbal Abreu tomou a iniciativa de mandar um telegrama ao presidente do Benfica, Maurício Vieira de Brito, rogando-lhe que o Benfica prescindisse da sua parte da receita do jogo em favor do clube amigo e aflito.

O presidente do Benfica nem foi a tempo de responder porque Aníbal Abreu foi imediatamente demitido por Ângelo César que, à época, presidia à comissão administrativa que geria o FC Porto. O telegrama com que Ângelo César afastou Aníbal Abreu é uma pérola: «Acabo de ter conhecimento do telegrama enviado ao presidente do Benfica. Rogo V. Exa. Apresente pedido de demissão por esta via. O FC Porto não precisa de pedir esmolas. A atitude do Sr. Aníbal Abreu deixou-nos a todos indignados. Benfica terá achado o seu pedido uma autêntica loucura, um disparate sem pés nem cabeça.»

 Naquela tarde de 3 de Abril de 1960, ainda que por via indirecta, acabou por ser o Benfica a ajudar o FC Porto na superação da dita crise porque foi com a receita da parte da bilheteira que coube ao clube visitado (490 contos), em dinheiro vivo, que Ângelo César pagou os salários aos seus jogadores antes de o jogo começar.

E já agora, o resultado do jogo?
2-2.

Igual ao do último FC Porto – Benfica.

 

NO sábado, o Benfica teve uma noite de grande categoria e venceu o Nacional por 4-1. É caso para dizer que foi melhor a exibição do que o resultado. E mesmo que o Cardozo não tivesse desperdiçado aquele pontapé de penalidade, mesmo assim, com 5-1, teria sido melhor a exibição do que o resultado.

 

ONTEM, em São Petersburgo, a quatro minutos do fim do jogo o resultado permitia aquele devaneio frequentemente fatal: «basta o 0-0 em casa.» Mas o Zenit marcou logo a seguir e agora já não basta o 0-0. Assim sendo, Nolito & Companhia, façam-nos lá o favor de entrar para o jogo da segunda mão com toda a valentia que ontem exibiram na Rússia. E a boa notícia é que na Luz não vão ter de jogar numa pista de gelo como a de ontem. E o que dizer de Bruno Alves? Pouca coisa… É aquele tipo de jogador que dispensa túneis. É que não precisa.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 13:45

Fevereiro 08 2012

“Estes indivíduos não percebem nada. Não têm noção do ridículo em que caem. Estão a dar cabo do futebol e a criar um sistema insustentável para os árbitros que têm sido uns heróis

PINTO DA COSTA

24 de Agosto de 2011

 

SE o futebol se decide com golos então é caso para se dizer que em Santa Maria da Feira houve Varelas a mais e em Barcelos houve Varelas a menos.

Este é um modo objectivo de resumir em poucas palavras o que foi a última jornada do campeonato para o Benfica e para o FC Porto no momento em que o zodíaco chinês festejou a chegada do Ano do Dragão.

O zodíaco chinês deve estar avariado porque o Dragão não só perdeu o jogo como reclama ter sido gamado em duas grandes penalidades pelo árbitro Bruno Paixão que, de certeza absoluta, também devia estar um bocado para o avariado.

O treinador do FC Porto queixou-se da «vergonhosa» arbitragem. Compreende-se. Vítor Pereira, por razões óbvias, não ia desatar a queixar-se do treinador porque ele é o treinador e ficava-lhe esquisito.

Foram breves as palavras de Vítor Pereira. Foi uma boa opção. Quanto menos falasse depois do jogo menos hipóteses haveria de ter de responder a perguntas atrevidas, como então, mister, agora o Helton já não é o capitão e passa a ser o Rolando, mas porquê? Ou mesmo a perguntas muito atrevidas como mister, não acha que perante aquilo que a sua equipa produziu nem com o Carlos Calheiros a apitar a vitória seria certa?

Mas Vítor Pereira nem deu hipótese. Disse mal do árbitro mas não disse mal de si próprio. Assim, acabou Vítor Pereira a destoar, por razões compreensíveis, da esmagadora maioria dos adeptos portistas que se queixam tanto do árbitro como do treinador.

Uma pessoa também se sente estranha ao ouvir o FC Porto a queixar-se dos árbitros. Não é costume. Raramente há razões para tal, o que tem permitido ao presidente do clube uma abordagem exclusivamente de índole desportiva aos problemas que atormentam o sector.

Os árbitros são uns heróis e ridículos são aqueles que se queixam dos árbitros, não é verdade?

É verdade que sim. Daí o silêncio de Pinto da Costa. O presidente sabe de árbitros mas também sabe de futebol. E por isso sabe fazer contas: mesmo que Bruno Paixão tivesse assinalado os dois castigos máximos e mesmo que Kléber os convertesse a preceito, mesmo assim não dava para ganhar o jogo em Barcelos.

Ficava a coisa num 3-3 sem graça nenhuma.

 

BEM vistas as coisas até parece que a vitória do Benfica na casa do Feirense não estava incluída no programa das festas. Mas de nada valeu o sacrifício económico dos altruístas responsáveis do Feirense nem de nada valeu o consentimento da Liga para que o jogo se realizasse num tapete honesto mas impróprio.

O Benfica ganhou por 2-1, trabalhou, melhor dito, lavrou no campo todo, criou inúmeras oportunidades e só um guarda-redes muito inspirado como esteve Paulo Lopes na noite de sábado impediu que só Rodrigo à sua conta marcasse por duas vezes.

É uma pena que os árbitros não falem depois dos jogos. O árbitro Rui Costa que esteve na Feira, poderia assim explicar se invalidou um golo ao Feirense por um fora-de-jogo que não existiu ou se por ter visto o pé em riste de Ludovic sobre Luisão no início do lance.

Na verdade, nem fez grande diferença. Ficava a coisa num 2-2 a ser desempatado por aqueles dois penalties que os benfiquistas juram que o Feirense cometeu.

 

O Benfica saiu da última jornada com 5 pontos de avanço sobre o 2º classificado o que é animador mas está longe de significar mais do que isso: uma agradável animação e mais nada.

Ver os rivais tropeçar é sempre motivo de contentamento para os adeptos de qualquer clube, em Portugal e na Cochinchina, mas esta derrota do FC Porto foi muito saborosa para os benfiquistas que vêem assim posto em paz o velho recorde de John Mortimore: 56 jogos invictos para o campeonato.

O FC Porto teve o grande mérito de perseguir essa marca, chegou ao jogo 55 mas sucumbiu ao jogo 56, que era o tal do gostinho especial. Muito mais do que os tais 5 pontos de avanço, que neste momento não valem nada, continua gloriosamente a valer o recorde do Benfica de Mortimore.

Agora, quem quiser lá chegar, vai ter de começar pelo princípio.

Diz que dá uma grande trabalheira.

 

FOI um excelente fim-de-semana para os dois antigos jogadores do Benfica que deixaram um mais do que respeitável bom nome na Luz. Em Sevilha, contra o Bétis, Carlos Martins assistiu para o primeiro golo da sua equipa e fez o segundo golo, o da vitória por 2-1, vitória importantíssima porque o Granada luta para não descer.

No Funchal, contra o Marítimo, Nuno Gomes fez exactamente a mesma coisa com a camisola do SP. Braga. Assistiu primeiro e marcou depois, estabelecendo o resultado em 2-1 favorável à sua nova equipa. Tratou-se de uma vitória importante na luta do Sporting de Braga pelo acesso à Liga dos Campeões.

Os sucessos de Carlos Martins e Nuno Gomes só podem provocar alegrias entre os benfiquistas. É gratidão.

 

JOSÉ MOURINHO garante que não têm grande significado para ele os sete pontos que leva de avanço do Barcelona e faz bem em dizê-lo para desdramatizar a vantagem em seu favor e manter os seus jogadores atentos e focados na competição.

No entanto, porventura ou desventura, o Real Madrid não ganhar esta Liga a reputação portuguesa na capital espanhola vai ficar pelas ruas da amargura e torna-se difícil até imaginar qualquer pacato turista nacional a passear-se pela Gran Via sem ser instado a regressar rapidamente a casa porque de portugueses não os madrilenos-madridistas nunca mais ouvir falar.

Só por uma vez na história, teve o real Madrid 7 pontos de avanço e acabou por perder o título. Aconteceu na época de 2003/2004, era o português Carlos Queiroz treinador dos merengues, coadjuvado por José Peseiro. O real acabou por perder essa vantagem, aparentemente enorme e foi o Valência de Rafa Benitez o campeão espanhol com 7 pontos de avanço sobre a equipa de Madrid.

Conclusão 1: muito deve Rafa Benitez a Carlos Queiroz a sua posterior carreira internacional.

Conclusão 2: muito deve Mourinho à nação portuguesa o favor de se sagrar campeão de Espanha este ano.

E longe vá o agouro de tal coisa não acontecer.

 

FECHOU o mercado. De agora até soa Santos Populares não se fala mais de contratações. Mas dificilmente não se falará de outra coisa até lá do que da contratação de Yannick Djaló pelo Benfica, dê para onde der.

Um amigo benfiquista, reagiu assim quando soube da contratação de Djaló:

 - Mas para quê, para quê chatear os ossos amigos lagartos se já tínhamos o Bojinov?...

Outro reagiu assim:

 - O Jesus vai fazer dele o melhor lateral-esquerdo da Europa!

Pela minha parte, reagi assim:

 - O Benfica é muito mais do que um clube, é uma obra social.

E depois se verá se o Yannick Djaló é uma mais-valia ou uma mais-não-valia.

A verdade é que o Benfica é uma obra social na qual se insere também, em lugar de grande destaque, a cedência de Rúben Amorim ao rival Sporting de Braga. Com o nosso Rúben Amorim na Pedreira é certo e sabido que nunca mais teremos de jogar às escuras.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 23:48

Fevereiro 08 2012

NO sábado, o Benfica vai voltar a Santa Maria da Feira depois de 22 anos de ausência, tantos quantos o Feirense andou por fora da divisão principal do nosso futebol. O Benfica está num bom momento desportivo. Apesar de o último jogo, com o Gil Vicente, não ter sido nenhum passeio, antes pelo contrário, o Benfica continua na frente do campeonato com dois pontinhos de avanço sobre o grande rival FC Porto.

A discussão está renhida entre os principais candidatos e nenhum deles se pode dar ao luxo de escorregar antes do reencontro entre ambos, desta feita na Luz, na segunda volta da prova.

Se o Benfica está numa boa fase em termos desportivos, o Feirense está numa óptima fase em termos financeiros. Aparentemente, dinheiro é coisa que não faz falta nenhuma em Vila da Feira. E quando assim é, nos clubes, nas instituições ou nas pessoas em alto desafogo, todos podem dar asas às respectivas razões sentimentais.

O presidente do Feirense, Rodrigo Nunes, foi direito ao assunto e explicou que «por razões sentimentais» o jogo de sábado vai realizar-se no Estádio Marcolino de Castro, em Santa Maria da Feira, com capacidade para 5.494 pessoas, e não no Estádio de Aveiro, com capacidade para 30 mil pessoas, onde o Feirense tem vindo a jogar desde que regressou à Liga maior.

Com a troca de palco, o Feirense abdica de 300 mil euros em receita líquida ainda que tenha anunciado que os bilhetes para sábado iam ser «bem mais caros». É a lei da compensação. Querem os fogaceiros ver o Benfica jogar ali pertinho de casa? Nesse caso, desembolsem.

Com o respeito devido ao adversário, para o Benfica não faz grande diferença jogar em Aveiro ou jogar na Feira. Depreende-se que as regras do jogo sejam as mesmas, que o árbitro esteja lá para as aplicar e que o campo tenha relva, marcações, bandeirolas e balizas. E se há quem, por superstição, acredite ser mais fácil ganhar ao Feirense num estádio grande, que se lembre que foi em Aveiro que o Feirense impôs um empate ao campeão FC Porto na primeira volta.

A questão está longe de ser do âmbito desportivo. É exclusivamente do âmbito financeiro. E um presidente que faz vista grossa a uma receita 300 mil euros merece admiração geral. Sobretudo nesta altura do campeonato.

 

A que Visconde é que se vai mandar a conta? – perguntava em voz alta, por um dia destes, um benfiquista ironizando sobre os pergaminhos nobiliárquicos dos fundadores de Sporting em contraponto com o amplamente documentado comportamento de alguns delinquentes, menos nobres, que, a coberto da bandeira do Sporting, incendiaram a bancada da Luz no final do último derby da Capital.

O tempo já não é de Viscondes mas dificilmente se acreditará que a maioria dos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal se revê nestas proezas pirotécnicas das tropas do chamado Botafogo de Telheiras, tal como, em nome do bom senso e do respeito, nenhuma outra massa adepta de qualquer outro clube se revê e compraz, na generalidade, com os delitos mais ou menos espectaculares produzidos pelos seus próprios delinquentes, dando-se o caso de existirem.

Embora os bombeiros não tenham demorado muito tempo apagar o fogo, o episódio da Luz está longe de chegar ao fim. Estamos chegados à hora de mandar a conta a quem a deve pagar e, talvez por isso mesmo, desapareceram dos palcos, da ribalta e dos galarins todos aqueles dirigentes, assessores e responsáveis do Sporting que na semana que antecedeu o jogo com o Benfica quase se chegaram a confundir nos ânimos e nos propósitos com as claques do seu contentamento.

Como todos estão recordados, foi intensamente leonina a solidariedade institucional prestada às claques organizadas do Sporting perante o insulto do Benfica ao destinar-lhes assentos numa zona de segurança do estádio.

E no final do jogo, com as labaredas em fundo, Godinho Lopes, o presidente, nunca se sentiu desacompanhado pelos seus colegas da Direcção, nem quando, num dos momentos mais absurdos deste novo (ou velho, muito velho?) Sporting, anunciou ao país ter na sua posse «gravações» altamente comprometedoras para o bom nome do presidente do Benfica.

Não só desapareceram as ditas gravações como também desapareceram de vista os demais dirigentes e assessores do Sporting e agora, na hora de pagar a conta como aos cavalheiros é devido, está Godinho Lopes sozinho a contas na praça pública com os credores e a contas com os inimputáveis das claques de quem também o presidente andou a fugir na conturbada noite da sua eleição.

Incrivelmente sozinho está Godinho Lopes, e muito calado no que diz respeito às consequências do fogo posto na Luz. E está também Godinho Lopes incrivelmente sozinho, ainda que menos calado, no que diz respeito às minudências do futebol e à gestão interna e externa dos recados públicos vindos do treinador. Na verdade, tudo tem sobrado para o presidente.

De acordo com os regulamentos que regem a organização do futebol profissional no nosso país, é ao Sporting quem cabe pagar a totalidade da despesa das obras no Estádio da Luz. E é à Liga de Clubes quem cabe fazer cumprir o que está regulado.

A Liga tem um novo presidente, Mário Felgueiras, e, em nome da decência e da fé no progresso, há muito boa gente que se recusa a acreditar que o novo presidente da Liga tenha sido eleito só porque prometeu que este ano não ia haver descidas de divisão, como afirmou recentemente o presidente do Gil Vicente.

Também é verdade que se Mário Figueiredo tivesse apenas prometido aos clubes grandes, médios e pequenos que ia fazer cumprir as leis e os regulamentos das competições profissionais era bem capaz de ter tido uma votação fraquinha, muito fraquinha mesmo.

Obras, facturas e descidas. É isto tudo que, pelos tempos mais próximos, nos será dado a ver.

 

EM Inglaterra é outra louça. O Chelsea, em termos de futebol, não viverá o seu momento mais áureo mas em termos das responsabilidades que cabem a um grande e poderoso emblema, os blues não deixam cair os seus pergaminhos em mãos alheias.

Num dos seus últimos jogos para o campeonato, o Chelsea foi a Norwich empatar 0-0. Pior do que o nulo foi, no entanto, o comportamento de um grupo alargado de adeptos que se portaram como vândalos no decorrer da viagem de comboio que os levou de regresso a Londres.

No dia seguinte, em comunicado, o Chelsea anunciou que está a «colaborar com a polícia» para «identificar e condenar» os responsáveis pelos desacatos. É outra louça, não é?

 

O Sporting substituiu as imagens agressivas com que decorava o corredor de acesso ao balneário dos visitantes por imagens bucólicas de um campo de girassóis numa estética Baby TV.

A estreia da nova decoração não surtir efeito. Uma equipa de recurso do Moreirense, sem nove dos habituais titulares, por lá passou e por lá empatou. A rapaziada de Moreira de Cónegos entrou e saiu de Alvalade sempre com o mesmo sorriso. E com imensas razões para tal.

A coisa não ficar por aqui. Um dia, mais cedo ou mais tarde, quando o Sporting se deixar de anedotas e se voltar a projectar para as prioridades elementares do seu estatuto, sairão da parede os girassóis que, faça-se-lhes justiça, já marcaram de forma indelével esta era directiva tão original em Alvalade.

 

GRANDE jogo de futebol ontem à noite em Barcelona. De facto deve ser muito difícil arranjar equipas de arbitragem ao mesmo nível da superior qualidade das equipas de futebol em campo.

Talvez por essa razão, ontem, o árbitro foi o pior artista em Nou Camp com prejuízos múltiplos para o Real Madrid que, por exemplo, nos últimos cinco minutos do jogo sofreu uma expulsão mais do que discutível e foi impedido de jogar à bola através de um concerto de apito bastante descarado.

Mas o que fez falta ao Real foi ter transformado em golos as oportunidades que construíram na primeira parte. Aquilo com o nosso Rodrigo tinha sido uma goleada.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:43

Fevereiro 08 2012

MÁRIO FIGUEIREDO é o novo presidente da Liga de Clubes e há quem acredite ter tido peso determinante nesta surpreendente eleição a entrevista concedida recentemente por António Oliveira à RTP. Ao seu jeito de sempre, de admirável anarquista por conta própria, António Oliveira apontou para a Olivedesportos como o berço e o caixão do futebol português e do seu cortejo das mais variadas ruínas.

No entanto parece abusivo concluir que a vitória de Mário Figueiredo resultou da expressão da revolta dos Clubes contra a empresa de Joaquim Oliveira que distribui entre todos, em função das respectivas grandezas e pequenezas, os proventos das transmissões televisivas de cujos direitos é proprietária há duas décadas.

Foram os clubes pequenos que elegeram Figueiredo e sobre isso não restam dúvidas. Benfica, FC Porto e Sporting apoiaram formalmente a candidatura do candidato derrotado, António Laranjo, cujo currículo nestas andanças é bem superior e mais impressionante do que o do candidato vencedor.

O Know-how de Laranjo é inquestionável. Foi ele o responsável máximo pela organização do Europeu de 2004, em Portugal. Se alguma coisa correu mal, como, por exemplo, o resultado da grandiosa final com a Grécia, Laranjo está isento de culpas porque não foi ele quem autorizou ou organizou aquele cortejo triunfal, um verdadeiro arraial campino, que acompanhou patrioticamente o percurso do autocarro da selecção nacional entre Alcochete e o Estádio da Luz. E depois foi o que se viu.

O currículo de Mário Felgueiras, em comparação, é bem mais curto. Profissionalmente, fez carreira num famosíssimo escritório de advocacia portuense, o que lhe poderia até valer uma maior consideração e estima por parte de quem, neste processo eleitoral, insistiu em menosprezar a sua candidatura.

Como se Figueiredo, em termos de futebol, não tivesse nada de mais sonante para apresentar do que o facto de ser genro de Carlos Pereira, presidente do Marítimo, um clube muito rebelde como é do conhecimento público.

Carlos Pereira? Já viram o filme, não viram? Valha-nos Deus, um sogro do pior!

A vitória pelo voto dos pequenos contra os grandes é sempre uma alegria, nos tais termos de futebol e nos outros termos também. Os três grandes tinham declarado o seu apoio ao candidato Laranjo e nada fazia prever que esta inesperada troika de interesses muito reais sucumbisse nas urnas como sucedeu.

Laranjo, certamente, não iria ter uma vida fácil porque gerir no terreno os conflitos entre os maiorais deve ser uma incomensurável dor de cabeça de que já se livrou.

Mas o que terá levado os três grandes, por regra sempre desavindos, a apoiar em conjunto uma candidatura de um homem sem telhados de vidro à presidência da Liga de Clubes?

Terá o Benfica apoiado António Laranjo na convicção de que o seu presidente da Liga obrigaria, por exemplo, o Sporting a pagar os trabalhos de recuperação da área vandalizada do Estádio da Luz, tal como os regulamentos da Liga recomendam?

Terá o Sporting apoiado António Laranjo certo de que, por exemplo, jamais seria obrigado a pagar ao Benfica as ditas obras e mais certo ainda de que jamais o seu presidente da Liga mexeria uma palha para que fossem retiradas as polémicas imagens que tão exaltadamente decoram o corredor de acesso aos balneários da equipa visitante no Estádio de Alvalade?

E o FC Porto? Que encantos viu o FC Porto na candidatura de Laranjo para além de poder ufanar-se de que o seu presidente da Liga quase, quase, quase que tinha nome de fruta?

Mas Laranjo perdeu e Figueiredo ganhou. Agora vai ter de ser ele a dirimir estas e outras questões da actualidade sempre conturbada do futebol nacional.

E algumas dessas questões nasceram precisamente com a vitória de Mário Figueiredo no passado dia 12. Como a eminência do alargamento da divisão principal de 16 para os 18 clubes, bandeira eleitoral da sua campanha. Foi com esta bandeira que o candidato dos pequenos deu o xito nos grandes.

Não é uma bandeira boa. O alargamento não vai trazer riqueza aos pequenos porque o bolo é o mesmo ainda que o número de convivas possa aumentar.

Com o alargamento irá haver uma nova distribuição da pobreza e, de modo nenhum, uma nova distribuição da riqueza. E cá estaremos todos para ver acontecer.

As maiores felicidades ao novo presidente da Liga são, no entanto, os votos de todos os bons desportistas e de todos os democratas, que ainda são alguns.

 

O Benfica fez um belo jogo com o Vitória de Setúbal. Sem Aimar, Javi Garcia, Garay e Gaitán no onze titular e com sete jogadores que só chegaram à Luz no Verão passado – Artur, Emerson, Matic, Witsel, Nolito, Bruno César e Rodrigo - , a equipa produziu um espectáculo de qualidade e ganhou expressivamente depois de ter começado o jogo a perder graças a uma bola que, embatendo na aresta errada do crânio do nosso capitão Luisão, traiu o nosso guarda-redes, poker face Artur.

O lance foi infeliz, pois foi. Mas não houve choraminguices. O Benfica reagiu com um espírito adulto, com um futebol que dá gosto ver e voltou a golear.

 

PESSOALMENTE, assaltam-me grandes dúvidas sobre este Benfica de 2011/2012.

É que não sei se gosto mais do Rodrigo ou se gosto mais do Cardozo. Sim, são dúvidas luxuosas, reconheço. E acho que vou andar nesta feliz indecisão até ao final da temporada.

Peço perdão aos assobiadores do paraguaio se os ofendi.

Mas, olhem, foi de propósito.

 

POR falar em choraminguices, ontem Domingos Paciência ultrapassou-se a si próprio, o que é muito difícil. Um treinador de uma equipa grande, vir fazer queixinhas de dois jogadores do Braga porque lhe disseram «toma!» no túnel, no fim do jogo, é francamente de mais.

Toma?! É que nem «toma lá e vai almoçar» ou «embrulha» ou «enxerga-te». Apenas «toma!» e deu logo direito a choradeira e a discurso sentido sobre a ingratidão de Hugo Viana e de Mossoró, jogadores que já teriam acabado as respectivas carreiras se Domingos não os tivesse feito ressuscitar do limbo em que penavam.

No seu vale de lágrimas, o treinador do Sporting ainda teve discernimento para se insurgir contra os «médicos, fadistas e carpinteiros» da casa que lhe moem a paciência todos os dias com os seus comentários na comunicação social.

Tomem!

 

»QUEM me dera escrever como Messi joga», disse António Lobo Antunes um dia destes.

O nosso maior escritor é um esteta. A sua ambição é puramente literária, não provoca celeumas entre os seus pares e foi facilmente entendida pelos literatos do mundo inteiro. Lobo Antunes tem como émulo um futebolista excepcional, provavelmente o melhor de todos os tempos.

E qual é sarilho? Nenhum.

Bom, pensando melhor, há sarilho, sim senhores. Mas apenas com Cristiano Ronaldo que não de ter achado lá muita graça à declaração de António Lobo Antunes. E todo o mundo literário, e não só, sabe bem como Cristiano Ronaldo é susceptível quando se trata de Lionel Messi.

 

E ontem a coisa ainda ficou pior. Embora Cristiano Ronaldo tenha marcado o golo do Real Madrid que pode não ser suficiente para a decisão da eliminatória da Taça do Rei visto que o Barcelona foi outra vez a Santiago Bernabéu fazer aquela coisa do costume…

O Javi García e o Rodrigo fazem muita falta ao Real Madrid.

E bonito, bonito, foi ver Fábio Coentrão aos 70 minutos desarmar o Messi.

Entretanto, praticamente à mesma hora no Estádio da Luz, o Benfica venceu o Santa Clara para a Taça da Liga. O jogo foi sensaborão. Só quando Nolito entrou em campo é que a coisa animou e de que maneira.

O Nolito poderá não fazer muita falta ao Barcelona. Mas faz sempre falta ao Benfica quando não joga ou quando joga menos bem.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 19:43

Janeiro 12 2012
publicado por Benfica 73 às 22:58

Janeiro 12 2012

NA Marinha Grande, o Benfica cumpriu a sua obrigação. Ganhou o jogo com uma exibição tão expressiva quanto o resultado e, beneficiando do empate no clássico, isolou-se no comando da Liga com dois pontos de avanço sobre o seu agora perseguidor, FC Porto.

Sem dúvida que é uma situação agradável para o Benfica e para os benfiquistas. Aquela expressão consagrada e popular, ‘ olho para o lado e não vejo ninguém’, tem tido grande saída nestes primeiros dias da semana.

Calma aí, são apenas dois pontinhos. E dois pontinhos em Janeiro não é a mesma coisa do que dois pontinhos em Maio, como todos saberemos. E falta muito para Maio. O bom senso e o decoro aconselham a pôr a fanfarronice de lado.

Foi por fanfarronice que o Benfica se espalhou ao comprido na última temporada.

Entretanto alguma coisa se há de ter aprendido.

 

VÍTOR PEREIRA tem razão. O clássico foi um jogo intenso mas não foi bem jogado. Terá tido até alguns momentos de casados e solteiros com charutadas, bolas à toa e os outros instantes pouco ortodoxos. Mas houve emoção porque o resultado esteve incerto até ao final e de tão incerto deixou-se ficar como estava no princípio do jogo, empatado sem golos.

De um lado e de outro houve grossas críticas à arbitragem de Pedro Proença. Tendo em conta de que nem uma equipa nem a outra fizeram muito para ganhar o jogo, também me parece de mais pretender que fosse o árbitro a decidir o resultado a favor de uma das duas equipas. Os erros de Proença foram dois ou três. Um fora de jogo mal assinalado ao ataque do Sporting, em benefício do FC Porto, e um segundo cartão amarelo por mostrar a Polga, que resultou num beneficio ao Sporting.

Nem sequer assistimos a um clássico quizilento, conflituoso. Os jogadores saíram abraçados, o que é sempre bonito de se ver. No regresso aos balneários não se registaram ocorrências nem danos. Hulk, mansinho, lamentou ter estado «90 minutos apanhar porrada», o que não é nada próprio de um super-herói com pergaminhos.

A verdade é que Hulk e também Sapunaru não repetiram em Alvalade o comportamento que tiveram no túnel da Luz. Sapunaru, ainda há poucos dias, reconheceu numa entrevista a um jornal romeno que esteve mal nessa ocasião e que a sua atitude não foi digna de um desportista.

Provavelmente, os dois jogadores perderam toda a apetência para o desacato no momento em que se viram a apreciar a decoração fotográfica do corredor de acesso ao balneário da equipa visitante.

Terão ficado intimados? A UEFA acha que sim.

Imagine-se só que a UEFA depois de ter dado os parabéns ao Sporting pela beleza do papel de parede, veio agora dar o dito por não dito, exigindo que o Sporting retire as imagens porque «são claramente contrárias aos valores de respeito e tolerância».

Estes tipos da UEFA são uns grandes aldrabões.

Aldrabões, aldrabões, aldrabões.

 

O nosso país anda assim um bocado para o deprimido. Toda a gente sabe porquê, é por causa da austeridade. Os portugueses andam tristonhos e têm bastas razões para tal porque nada têm para celebrar.

Por tudo isto, causou grande comoção no país, que bem precisa de quem o alegre, a notícia de que Cristiano Ronaldo, o mais célebre de nós todos, o único português com estatuto hollywoodesco, um rapaz que tem tantas razões para andar muito bem-disposto, ande também ele tristonho e sem vontade de celebrar.

Não pode ser, Cristiano Ronaldo. Não pode andar por aí o português que é maioral na sua profissão a lamentar-se pelos cantos, a fazer beicinho como se o mundo inteiro estivesse contra ele.

O Mundo não está contra si, Cristiano Ronaldo. São apenas coisas do futebol. Os adeptos do Real Madrid ainda não digeriram a última derrota com o Barcelona e elegeram-no a si, porque é o melhor jogador e porque falhou duas ocasiões, para embirrar um bocadinho.

E isto passa, como saberá muito bem. Portanto, quando voltar a marcar um golo faça-nos o favor de o celebrar condignamente. Lembre-se de nós, os que por cá estamos a vê-lo através da televisão, à espera dos seus golos que, patrioticamente, também soa um bocadinho nossos. E isso dá alento à malta.

E não se zangue com os madridistas. A questão é de somenos. No entanto, se persistir nessa sua birra ainda se arrisca a ter ouvir o Santiago Bernabéu em coro a chamar pelo Messi. E isso é que seria uma grande chatice. E chatices, já temos nós e muitas.

 

MAS quem terá sido o Cézanne que pintou de verde o campo esmaecido de Alvalade? Aquela concessão efémera da Natureza, tão ao gosto da escola impressionista, não foi, no entanto, explicada pelos seus autores. Está mal.

É que nem uma palavra sobre a obra plástica, conforme se podia ler na segunda-feira neste jornal. «Relva pintada sem explicação», «leões não divulgam o motivo pelo qual decidiram ornamentar o tapete verde», «a directora de comunicação do Sporting escusou-se a revelar qual o motivo da pintora». Está-se literalmente nas tintas o Sporting para a curiosidade pública nesta matéria.

Numa semana em que milhões de ingénuos viram desvendados os dois segredos estruturais mais mal guardados da nossa sociedade - quem manda nisto tudo, política e futebol, imagine-se, é a Maçonaria e a Olivedesportos! -, ficou lamentavelmente por desvendar o terceiro segredo. O da tinta em Alvalade.

E houve prejuízos para as lavandarias. Os equipamentos dos jogadores esborratados de verde, as botas brancas de Hulk, a própria bola do jogo, tudo era verde de um lado e de outro.

E houve também prejuízo para o FC Porto. O defesa-central Otamendi, por exemplo, de tão esverdeado que estava, convenceu-se a determinada altura do jogo de que era jogador do Sporting e foi vê-lo na área dos donos da casa a oferecer o corpo à bola, com galhardia, impedindo assim o golo mais do que certo de James.

E se o importante era impressionar positivamente os visitantes e o país inteiro com a efémera verdura impressionista do seu relvado, nem assim o Sporting consegui fazer valer a noite porque cedo a obra desbotou. E tal não devia acontecer. Ficou o quadro estragado porque transformar uma natureza-morta numa natureza-viva e verdejante que se volta a transformar numa natureza-morta é, de facto, muita areia, areia a mais para qualquer camioneta.

Ainda bem que o sistema de rega não disparou acidentalmente durante o jogo. Por estar ligada, certamente, a uma central de diluente, a rega em Alvalade poderia causar danos aos que estavam em campo. E se a ideia era diluir o FC Porto, também não houve oportunidade para testar a experiencia.

Refira-se, em abono da verdade, que esta ideia de pintar a desfavorecida Natureza em prol das aparências não é nova. Na Roménia, ao tempo de Ceasescu, fosse qual fosse a estação do ano, era costume pintar de verde tudo o que estivesse a descambar para o amarelo, campos, prados, relvados, e isto para impressionar positivamente os Estadistas estrangeiros que visitassem o país.

Impressionar, impressionismo, está visto.

Mas digam lá, a sério, quem foi o Cézanne de Alvalade?

 

O futebol pode ser visto de muitas maneiras diferentes. E há quem garanta, em Alvalade, que os árbitros até quando beneficiam o Sporting é com o único intuito de o prejudicar. Como? Isso mesmo.

Veja-se como Pedro Proença ao perdoar a expulsão a Polga no jogo com o FC Porto acabou por prejudicar o Sporting no jogo seguinte, o de ontem com o Nacional a contar para a Taça.

Com Polga sem castigo em campo, foi o próprio Polga quem lançou os madeirenses para o segundo golo depois de uma falha infantil que os sócios do Sporting levaram o resto do jogo a recordar, como se ouvia sempre que o brasileiro tocava na bola.

Se Proença tivesse expulso Polga nada disto tinha acontecido.

Ontem, Paulo Baptista perdoou a Onyewu a expulsão quando o Nacional jogava já com 10 e o Sporting conseguiu o empate no cair do pano. Assim sendo o Onyewu vai estar em campo no próximo jogo. Vamos lá ver o que vai acontecer ao americano.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 20:27

Janeiro 05 2012

FOSSE eu do Vitória de Guimarães, e amor pela cidade não me falta, e também seria bem capaz de defender veementemente a causa da expulsão do benfiquista Javi Garcia, neste último jogo entre os dois emblemas, a contar para a Taça da Liga, mesmo tendo de admitir que a queda de N’Diaye demorou um bocadinho de tempo a mais do que devia em função do momento da reclamada agressão.

A expulsão de Javi Garcia, à partida, seria uma boa coisa para o Vitória de Guimarães, a perder por 0-1 e com muito, muito tempo ainda para jogar. Se eu fosse do Vitória de Guimarães teria pensado assim, com certeza, e com toda a legitimidade própria de um adepto que se preze.

Há sempre exageros no raciocinar dos adeptos. E não só dos adeptos. Os comentadores da SIC que transmitiram o jogo não tiveram a menor dúvida de que Javi devia ter sido expulso e não são do Vitória de Guimarães, presumivelmente. Os comentadores da SIC também não tiveram dúvida nenhuma em que Maxi Pereira tinha carregado Toscano dentro da área do Benfica e só mudaram de opinião ao intervalo.

Na verdade, houve falta, sim senhores, mas foi fora da área, o que é uma coisa completamente diferente. E corrigiram a sua opinião os comentadores da SIC, estação que abriu o ano com uma grande entrevista a Pinto da Costa. E a entrevista foi ontem mesmo para o ar, 24 horas depois do Vitória de Guimarães – Benfica, 24 horas depois dos comentadores da SIC, à 16ª repetição, terem finalmente concordado que não era lance para grande penalidade visto que a falta, que existiu, foi cometida fora da área.

Depois houve aquela grande penalidade que ficou por assinalar contra o Vitória, aos 58 minutos, quando N’Diaye derrubou Nolito dentro da área dos donos da casa. Se eu fosse do Vitória de Guimarães teria reagido como os comentadores da SIC.

Pronto, foi penalty, mas não se fala mais nisso.

 

DOMINGOS PACIÊNCIA é um treinador com provas dadas no futebol português. Num passado recente, a Académica e, sobretudo, o Sporting de Braga cresceram com Domingos até níveis competitivos muito acima do suposto.

Presentemente é o Sporting que beneficia das qualidades do treinador Paciência no seu trabalho de diligente construtor de uma equipa de futebol. Ninguém duvida que o problema do Sporting é falta de paciência e, assim sendo, está encontrado o treinador ideal com o nome a condizer e tudo.

A trabalhar, Domingos é inquestionável. Já a falar, o treinador peca nas metáforas e expõe-se a riscos desnecessários. Com está última, a das papas Cerelac, deu o mote para todas as análises e comentários ao que vier a ser a produção da sua equipa até ao final da temporada.

Como foi ficou provado depois do empate de segunda-feira, em Vila do Conde, com os incontáveis títulos dos jornais versando o tema das papas, a liquidez das mesmas, a imaturidade do infante e por aí fora, sempre no campo da puericultura.

Querendo definir o estado da construção da sua equipa através de uma imagem que fosse facilmente apreendida por todos, desde a mais tenra idade, Domingos Paciência pôs-se a jeito para jocosidades sem fim.

E agora resta-lhe compenetrar-se de que, ganhando ou perdendo o Sporting, este campeonato ficará para sempre marcado em Alvalade e arredores como o campeonato do Cerelac.

Também é verdade que podia ser pior.

 

É incrível o João Tomás. E continua a marcar golos ao Sporting. E a falar também não é tolo nenhum.

No fim do jogo da Taça da Liga, João Tomás não caiu em lamentos pelo empate sofrido nos derradeiros instantes, não apresentou queixas contra nenhuma entidade, não contestou o trabalho do árbitro por ter poupado o cartão vermelho a Polga ou por não ter poupado o Catão amarelo a 8 jogadores do Rio Ave.

Com humildade, João Tomás só se queixou de si próprio. «Foi pena não ter conseguido concretizar a outra oportunidade de golo de que dispus», limitou-se a dizer. Referia-se a um lance, ainda na primeira parte mas com o resultado já em 1-0 favorável aos donos da casa, em que lhe saiu torto um chapéu que poderia ter sido fatal para as aspirações dos visitantes na Taça da Liga.

O João Tomás é um senhor. Ao contrário das desculpas de Elias, para quem foi Artur sozinho que ganhou ao Sporting na Luz, João Tomás nem se lembrou de dizer que foi Marcelo Boeck sozinho que empatou com o Rio Ave em Vila do Conde. E não estaria a dizer mentira nenhuma.

 

O Jogo com o FC Porto «não é nenhum drama» para o Sporting. Quem o garante é Carlos Freitas, director do clube de Alvalade, para quem o clássico de sábado «não é mais importante do que a Académica ou o Feirense». No futebol «não há milagres», diz Freitas sabendo que fala.

Folga-se em saber que o Sporting arrepiou caminho nos dramas em redor dos clássicos. Fez bem. Aquele drama da gaiola a carburar antes, durante e depois do último clássico da Luz terá servido de lição.

E pronto, está visto. Com o Benfica houve drama, mas com o FC Porto não vai haver drama nenhum. Assim é que é bonito.

 

FOCADOS na vizinhança como sempre, não nos preocupámos em saber que impacto causou em Inglaterra a declaração de amor de José Mourinho ao futebol inglês. Também é verdade que o impacto causado em Madrid foi de tal monta que dificilmente haveria condições para olhar com a mesma atenção para lá do Canal da Mancha.

A possibilidade de deserção de Mourinho preocupou os adeptos do Real Madrid, como não poderia deixar de acontecer. Mas alguém se deu ao trabalho de saber se a possibilidade de Mourinho regressar a Inglaterra preocupou de alguma forma os grandes treinadores da Premier League?

Para Mourinho entrar, um deles tem de sair, não é verdade?

E há motivos para acreditar que o impacto da declaração de amor de José Mourinho ao futebol inglês foi bem mais forte em Inglaterra do que nas imediações do Estádio Santiago Bernabéu.

A coberto da velha e impecável fleuma britânica que a todos obriga, não se ouviram dislates nem remoques contra Mourinho de treinadores consagrados com posições apetecíveis como Sir Alex Ferguson, Arsene Wenger ou Roberto Mancini.

Nenhum deles abriu a boca. Mas, curiosamente, todos perderam os seus últimos jogos desde que Mourinho os ameaçou com o regresso.

São os nervos.

 

O Manchester United perdeu o seu jogo com o Blackburn por causa de um deslize fatal do seu guarda-redes, o espanhol De Gea. Também no jogo com o Benfica, em Old Trafford, o mesmo De Gea prestou grande colaboração no lance do golo de Aimar que haveria de empatar a partida.

É um facto que os adeptos do Manchester United não têm grande confiança nas capacidades do guarda-redes contratado ao Atlético de Madrid e que não foi barato. Um dia destes o Atlético de Madrid começa a ter má fama no mercado dos guarda-redes.

Roberto vendido ao Benfica, De Gea vendido ao Manchester United… onde é que uma coisa destas vai parar?

 

DEPOIS de uma época triunfal, o presidente do FC Porto recebeu uma consagração internacional.  Rima e é verdade.

Numa cerimónia realizada no Dubai, rodeado de scheiks das Arábias, Pinto da Costa venceu na categoria de melhor dirigente do ano um Globe Soccer Award, troféu de prestígio que, no entanto, não lhe mitigará o desgosto de nunca ter visto os seus méritos devidamente homenageados em Portugal.

E mesmo este Globe Soccer Award, vindo do Dubai, não teve o impacto devido na sociedade portuguesa. O que se compreende porque tratando-se de um prémio dado por mouros, é sempre de desconfiar.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:33

Dezembro 29 2011

A personalidade do ano do futebol português não joga à bola desde 1998. Em Março de 2011, por outras artes e obra de um acaso feliz, redescobriu-se não o jogador que foi mas a personalidade que é.

Naquele que foi o melhor momento de stand-up comedy em Portugal, o sonho de qualquer humorista, bastou-lhe uma frase - «Se vier o melhor chinês, vai vir charters todas as semanas.» - para que Paulo Futre se transformasse, pela segunda vez na sua vida, um ídolo.

E um ídolo pelas melhores razões. Porque nos fez rir e porque, como grande artista e grande pessoa, assumiu a responsabilidade que logo lhe foi confiada por uma geração que, provavelmente, nunca o viu jogar futebol mas que o elegeu como o maior desopilante da nação e que o reclama de norte a sul do país.

Futre teve, como jogador, todas as honras da sua profissão. Foi campeão, foi uma grande estrela, foi um fenómeno graças ao seu pé esquerdo.

Mas apenas um bom pé esquerdo não chegaria para conferir a Futre o seu estatuto actual. Futre dá conferências em universidades sobre a disciplina da motivação, Futre vai ao Pavilhão do Conhecimento falar sobre Física para explicar como o futebol e a ciência andam de mãos dadas. Futre tem uma legião de fãs para quem é absolutamente indiferente se Futre é do Sporting, do FC Porto, do Benfica, do Carcavelinhos ou do Mira-Coelhos Futebol Clube.

Futre é de todos.

Futre rocks. Montijo rules.

Bom ano a todos.

 

ELIAS é um bom jogador. Tem qualidade internacional que tem sido convenientemente aproveitada em Alvalade e não está nada arrependido de ter trocado o Atlético de Madrid, de grossas riscas vermelhas verticais pelo Sporting, de grossas riscas verdes horizontais.

Enfim, toldos de praia, dirão sempre maldosamente os rivais dos dois emblemas em equação.

Elias está contente com a vida, está à espera de um filho que vai nascer lisboeta, gosta da cidade, da comida, dos colegas, tudo lhe tem sabido bem nestes seus primeiros meses de experiencia portuguesa.

Apenas com uma excepção. Elias ainda não digeriu a derrota do Sporting no Estádio da Luz e garante que «quem ganhou o derby não foi o Benfica, foi o Artur».

Elias refere-se, certamente, à extraordinária defesa com que o guarda-redes do Benfica o impediu de empatar a partida, já na segunda parte, até porque, de resto, Artur pouco ou mais nada teve que fazer durante o jogo.

Elias é bom jogador mas, com a devida consideração e respeito, não tem razão no seu desabafo. Compreende-se porque chegou agora mesmo ao futebol português.

Artur é excelente mas não foi só por causa do guarda-redes que o Benfica venceu pela sexta vez consecutiva o seu rival.

Enfim, como diz um amigo meu, João Gonçalves, benfiquista com certeza: «Olha-me bem para este Elias, então ainda ninguém lhe explicou que com o Quim, com o Moreira, com o Júlio César e até com o Roberto, tem sido sempre a mesma coisa.»

 

Foi já há mais de uma década que o Benfica teve o seu momento FC Porto. Foi quando, à míngua de sucessos, se entendeu que o melhor caminho para os ditos sucessos era levar para a Luz o maior número possível de ex-jogadores ou de ex-funcionários do rival nortenho.

Foi, sem dúvida, uma grande parvoíce, um atraso de vida, uma enorme perda de tempo.

Por razões que são suas, o Sporting vive esse momento e já o vive há algum tempo. Por isso mesmo não causa grande espanto que os jornais insistam na possibilidade de Bruno Alves trocar o Zenit de São Petersburgo por Alvalade nesta abertura de mercado de Inverno.

O próprio pai do jogador já falou sobre o assunto e veria com bons olhos o regresso do filho ao futebol português.

Bruno Alves no Sporting, na verdade, parece a coisa mais natural deste mundo. Nem sequer seria uma proeza política ou desportiva.

Menos natural, no entanto, seria o Sporting, sempre à imagem do FC Porto, cometer a proeza de ter, finalmente, o seu guarda Abel para todo o serviço.

E desse ponto de vista, as imagens e as notícias que deram conta do aparato entre árbitros no activo, polícias no activo e polícias fora do activo, à entrada do túnel de Alvalade, no intervalo do Sporting – Marítimo, sugerem que, finalmente, o Sporting terá o seu guarda Abel.

Na verdade, estava a fazer falta.

 

TENHO amigos portistas que, de repente, passaram a adorar o David Luiz pelas piores razões. Incansáveis detractores do central brasileiro quando jogava no Benfica, encontram-lhe agora nesses defeitos um rol de virtualidades.

É no que dá o fanatismo. Também no ano passado adoravam o André Villas Boas e agora…

 - O vosso David Luiz está em grande!

 - O vosso David Luiz anda-nos a vingar!

Mas que coisa tão estranha, ouvir isto de amigos portistas. Onde é que eles quererão chegar? Até que se fez luz:

 - O vosso David Luiz anda a enterrar o André Villas Boas!

Ah, pronto, já percebi.

Referiam-se ao lapso do nosso David Luiz que, por ter chegado um bocadinho atrasado ao lance, permitiu que Dempsey assinasse o golo do empate do Fulham no jogo que o Chelsea empatou em casa e que o pôs a milhas da discussão do título de Inglaterra.

Nestas conversas de bola nada é por amor. É tudo por interesse.

 

DE férias no seu país, Kaká aproveitou a época festiva para dar ânimo ao seu colega de equipa Cristiano Ronaldo. Numa entrevista à revista brasileira Band Sport, Kaká disse preferir o português ao argentino porque «sendo diferentes, Ronaldo é muito mais completo, joga muito bem com a perna direita, joga muito bem com a perna esquerda e joga muito bem de cabeça», o que é verdade.

Ronaldo é mais completo mas Messi tem outras virtudes que o tornam num objecto ainda mais raro.

Qualquer jogador que se quiser comparar a Ronaldo tem de ter pé esquerdo, pé direito e cabeça. E alguns têm. Qualquer jogador que se quiser comparar a Messi tem de possuir virtudes mecânicas e poéticas, com um não-sei-quê de irreal e, por isso mesmo, virtudes de um modo geral inalcançáveis.

Por tudo isto, é dever de quem dá apreço à juventude saudar efusivamente a entrevista concedida por Ricardo Viegas, de 19 anos, que está a viver o seu primeiro ano como sénior no Belenenses e que sonha jogar no Barcelona.

«Tenho coisas parecidas com o Messi», diz o jovem Viegas, exemplo de alguém que acredita em si próprio.

Se Ricardo Viegas falhar como novo Messi pode sempre vir a ser um excelente diplomata de carreira. Vejam como um miúdo foi cuidadoso para não ofender (com a sua comparação com o Messi) o seu compatriota Cristiano Ronaldo (sempre muito susceptível quando há comparações com o Messi):

«Gosto muito do Ronaldo, mas identifico-me mais com o argentino a jogar», acrescentou com grande tacto.

Força, Ricardo Viegas!

 

 ALGUÉM se deve ter distraído destes pormenores importantíssimos do panorama geográfico e político do futebol português. E, por isso mesmo, este ano termina com uma agradável e surpreendente demonstração de força competitiva dos clubes de Lisboa nas divisões secundárias.

Na Liga Orangina, o Estoril e o Atlético ocupam os dois primeiros lugares da tabela e na Zona Sul da 2ª Divisão é o Oriental quem lidera com 2 pontos de vantagem sobre o Pinhalnovense e o Torreense.

Será da crise? Será para continuar?

Ficam as respostas em suspenso até ao final da Primavera, quando tudo se decide e aí se verá que promessas que foram cumpridas e que promessas não passaram disso mesmo, de promessas vãs sem sustentação válida.

Para esta abertura do mercado de Inverno, fica a curiosidade de sabermos se o Benfica e o Sporting, os maiores da capital, decidem apostar no sucesso dos seus vizinhos mais pequeninos presenteando-os, por exemplo com excedentários dos seus valiosos plantéis.

Ou se, pelo contrário, não estão minimamente focados nestas questões do panorama geográfico e político do futebol português.

E, se assim for, é caso para se dizer que também eles andam distraídos, o que é uma pena.

 

JOSÉ MOURINHO disse que irá voltar ao futebol inglês que é a sua grande paixão e Fábio Coentrão que um dia regressará ao Benfica que é a sua grande paixão.

Disseram, está dito.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:33

Dezembro 23 2011

O último sorteio das competições europeias da UEFA causou muito especial impacto em Portugal. Foi um sorteio que ultrapassou largamente as expectativas porque para além de cumprir com a primeira intenção de qualquer tirar à sorte desta natureza – que é emparelhar adversários -, provou ser um sorteio riquíssimo em segundas e terceiras intenções emocionais, familiares, entre todas as equipas em concurso.

Por exemplo, o Sporting de Braga vai ter de defrontar a equipa mais portuguesa da Europa, o popular Besiktas de Istambul, comandado pelo nosso compatriota Carlos Carvalhal e onde estão estabelecidos outros seis compatriotas nossos, os jogadores Ricardo Quaresma, Manuel Fernandes, Simão Sabrosa, Hugo Almeida, Bebé e Júlio Alves.

O Besiktas é uma raridade, está visto. Uma equipa que luta na Europa com tantos portugueses é praticamente um achado arqueológico.

Apesar de não se defrontarem entre si, o Besiktas de Istambul que vai jogar com o Braga tem uma afinidade familiar de cariz lusitano com o Zenit de São Petersburgo. Trata-se dos Alves. Os irmãos Júlio e Bruno Alves. O primeiro joga no Besiktas, o segundo joga no Zenit, clube que afastou o FC Porto e que agora calhou em sorte ao Benfica.

Vigorando o bom senso, não houve reacções de euforia no campo benfiquista quando se conheceu o nome do adversário, que é um adversário forte numa fase já adiantada da competição.

As incertezas quanto ao desfecho desta eliminatória são muitas.

A única certeza é que o Estádio da Luz vai receber Danny. Da última vez que Danny esteve em Portugal foi ao Estádio do Dragão e saiu de lá absolutamente convicto de que soube educar os seus filhos com esmero e primor, ao contrário de muita gente. Aliás, o próprio o vincou assim que o jogo acabou.

Curiosamente, diz muito ao FC Porto, e suscita grandes expectativas entre os adeptos dos campeões nacionais, este confronto que se aproxima e vai colocar frente a frente o Benfica e o Zenit.

Todos o desejam, mas poucos portistas acreditam que Danny festeje caninamente qualquer golo que marque ao Benfica.

(… Ainda se fosse o Bruno Alves a marcar um golo ao Benfica… isso sim, poderia dar uma comemoração engraçada, que ajudasse a lavar as mágoas de festejos passados, junto à bandeirola de canto, como se a bandeirola fosse algum poste, caramba…)

Bruno Alves está optimista para os dois jogos que vai disputar com o Benfica, se ainda for jogador do Zenit em Fevereiro.

Alguma imprensa tem ventilado a hipótese de Bruno Alves se transferir para o Sporting de Lisboa na abertura do mercado de Inverno e, assim sendo, o defesa central só encontrará o Benfica pelo caminho mais tarde, quando o Benfica for a Alvalade na segunda volta do campeonato ou se, porventura, Benfica e Sporting se encontrarem na final da Taça da Liga, o que não seria a primeira vez.

Pela primeira vez, no entanto o FC Porto e o Sporting podem encontrar-se numa eliminatória internacional porque o sorteio, o tal sorteio das segundas e terceiras intenções, coloca-os frente a frente dando-se o caso de o FC Porto afastar o internacionalmente inexperiente Manchester City e de o Sporting triunfar sobre o internacionalmente inexistente Légia de Varsóvia.

É assim, uma forte probabilidade termos em 2011/2012 na Liga Europa uma eliminatória entre portugueses, tal como já aconteceu em 2010/2011, na meia-final entre o Sporting de Braga e o Benfica.

Então a vitória sorriu à equipa que melhor vem representando o Minho e que vai agora ter de jogar o seu futuro europeu com a equipa que melhor vem representando o futebol português, que é o Besiktas de Istambul, como já ficou explicado.

Voltemos ao Zenit e a Bruno Alves, os próximos adversários do Benfica na Liga dos Campeões. Os russos ficaram satisfeitíssimos com o sorteio, o que se compreende, porque entre os cabeças-de-série havia nomes mais complicados, muito mais complicados, do que o Benfica.

O médio Evgeny Bashkirov disse logo que o Benfica era «uma equipa acessível» e que acreditava poder «resolver logo a questão em São Petersburgo», como, de certa maneira, aconteceu com o FC Porto. Bruno Alves comunga deste espírito optimista e, como bom profissional, também acredita no sucesso do Zenit.

Aliás, Bruno Alves, neste momento só tem uma dúvida: «Não sei como vou ser recebido. Espero, isso sim, ser bem recebido. Se alguma vez ultrapassei os limites contra o Benfica? Não. E a prova disso é que nunca fui expulso contra o Benfica», disse.

Lá que nunca foi expulso contra o Benfica é uma grande verdade.

Mas é uma fraca prova, fraquíssima.

A final da Taça da Liga de 2010, com Bruno Alves a despachar lenha a torto e a direito sem que o árbitro Jorge Sousa considerasse excessivo o seu empenho na luta em prol dos Dragões ficou como um super marco histórico da impunidade no futebol português.

Fevereiro promete grandes emoções europeias. Essa é que é essa.

 

O resultado do Santos no jogo com o Barcelona deixou os adeptos do Peixe em estado catatónico.

Ao contrário, e porque são todos da mesma cidade, provocou grande alegria entre os adeptos do Corinthians e do São Paulo que viram o rival soçobrar sem um pingo de resistência perante a armada de Pep Guardiola.

Rivalidades são rivalidades e não é por se mudar de continente ou de hemisfério ou de fuso horário que as coisas passam a ser diferentes. São iguaizinhos em toda a parte do mundo os ódios de estimação entre os vizinhos das mesmas cidades.

E hoje se um terço dos paulistas chora pelo Santos, os outros dois terços encontraram no massacre de Yokohama vastos motivos de celebração.

E a Neymar, o desconsolado melhor jogador brasileiro da actualidade, os adeptos do Corinthians e do São Paulo já atribuíram uma alcunha cruel. Neymar passou a ser o Neymorto.

E porquê?

Porque no decorrer do jogo, com a goleada a avolumar-se, o treinador do Santos pediu ao jogador:

 - Neymar, bora fazer golo no Barça!

Ao que ele respondeu:

 - Neymorto, mister.

É uma boa anedota. Daquelas que doem e é precisamente essa a intenção com que nascem do vasto campo da sabedoria e do humor populares.

Os adeptos do Santos, no entanto, não têm sido menos castigadores com a sua equipa. Acusam de tudo e de mais alguma coisa os jogadores que idolatravam até ao domingo fatal no Japão.

E quando o tema da posse de bola vem à baila, lamentam amargamente que os jogadores do Santos tenham viajado até tão longe apenas para pedir autógrafos aos seus supersónicos adversários.

Que excelente notícia para José Mourinho e para o Real Madrid esta de ser o Santos a mais recente vítima do poderoso rival catalão.

A curiosidade mórbida nacional e internacional que sempre vasculha o palco de qualquer tragédia vira-se agora, com todos os holofotes, do Estádio Santiago Bernabéu para a Vila Belmiro, lá longe, muito longe, no Brasil.

Um merecido descanso para Mourinho.

 

QUE excelente notícia para o Benfica, a renovação de Maxi Pereira, o nosso adorado Cantinflas.

Grande malha, senhor Vieira. Até que enfim.

 

O FC Porto jogou ontem com o Paços de Ferreira. Quanto ao resultado, francamente, não interessa para nada estar aqui a discuti-lo porque para o treinador Vítor Pereira a Taça da Liga «não é prioridade».

Fica registado.

É preciso ter cuidado com o que se diz. É que se Vítor Pereira porventura ganhar a Taça da Liga não faltarão os portistas anti-Vítor Pereira a chamar incompetente a esse treinador de vitoriazinhas no capítulo das não-prioridades.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:17

Dezembro 15 2011

A Federação Portuguesa de Futebol tem um novo presidente. A arbitragem tem o mesmo presidente: Vítor Pereira ganhou por um voto e poderá agradecer a vitória ao delegado de Viana do Castelo que faltou com a sua presença ao referido acto eleitoral.

Segundo os relatos da imprensa ficou-se com a ideia, porventura errada, de que o delegado de Viana do Castelo viria a Lisboa votar no concorrente que haveria de perder as eleições para a presidência dos árbitros.

São desnecessárias e abusivas as comparações entre este episódio do voto colegial e o episódio mais antigo do deputado que um dia surpreendeu a Assembleia da República e todos os prognósticos ao trocar a sua posição pelas venturas da indústria do Queijo Limiano.

O Minho é o cenário destes dois casos, concluirão os leitores mais expeditos.

Façam o favor de se deixar de conclusões primárias, digo eu.

Entre o deputado do Queijo Limiano e o delegado de Viana do Castelo a única coisa que há em comum é a bola. A Bola do queijo, naturalmente.

Se foi o delegado de Viana do Castelo que, por falta de comparência, reconduziu Vítor Pereira na presidência dos árbitros, esse facto não deslustra o resultado eleitoral nem sequer ensombra a próxima gerência do presidente do sector. Vítor Pereira vai continuar a ser o homem mais importante da arbitragem portuguesa.

Embora haja sempre quem em tudo pressinta e veja conspirações do mais alto teor. E para esses, como não podia deixar de ser, o homem mais importante da arbitragem portuguesa é, desde o último fim-de-semana, o delegado de Viana do Castelo.

 

O Sporting jogou ontem com a Lazio e a sua comitiva directiva que viajou até Roma dividiu-se ao meio.

Meia comitiva, sob a liderança de Luís Duque, dirigiu-se à Cidade do Vaticano para uma visita ao Papa e a outra meia comitiva, sob a liderança de Paulo Pereira Cristóvão, dirigiu-se à embaixada de Portugal na capital italiana para um almoço com o nosso embaixador em Roma.

Curiosamente, nas ainda fresquinhas eleições para a Federação, o Sporting teve uma atitude muitíssimo parecida. Sob a égide de Godinho Lopes, meio Sporting apoiou a candidatura de Fernando Gomes à presidência, e sob a égide de Luís Duque, o outro meio Sporting declarou todo o seu apoio à candidatura de Carlos Marta, que haveria de sair derrotado no acto eleitoral.

Chama-se a isto altas diplomacias.

Estão sempre bem, venha quem vier.

E o Sporting gosta de ir ao Papa. Sempre gostou.

 

«QUE joguem assim contra os nossos adversários», disse Jorge Jesus no fim do jogo do Funchal. Referia-se decerto à forma combativa como o Marítimo disputou os dois jogos com o Benfica, vencendo um e perdendo outro, sempre por resultados tangenciais, sofridos, que atestam o equilíbrio das lutas entre os adversários em questão.

Não foi por amor que Jesus disse o que disse. Foi por interesse. E o interesse de Jesus é o interesse de 6 milhões de benfiquistas, mais milhão ou menos milhão.

Ao Benfica interessava muito que o Marítimo chateasse o mais possível o FC Porto e o Sporting, nos jogos que ainda têm de disputar para o campeonato. Embora o Sporting já tenha sido suficientemente chateado pelo Marítimo, ainda por cima em casa, onde estes percalços ainda chateiam mais.

No entanto, devemos ser racionais nestes pormenores de uma prova maior. No domingo, nos Barreiros, o Marítimo, apesar de não ter tido uma oportunidade flagrante de golo, chateou bastante Jesus e os benfiquistas com a persistência e eficácia com que defenderam o 0-0 até quase ao fim da partida.

Mas, de certeza absoluta, que não houve nenhum jogador do Marítimo que tivesse chateado tanto Jesus e os benfiquistas, ao ponto da exasperação, como Óscar Cardozo, naquele segundinho ainda na primeira parte, quando o paraguaio encontrando-se diante da baliza, sem nenhum adversário por perto, chutou para fora.

Esse momento fugaz de desconcentração, ou se preferirem os anti-Cardozo, de inépcia, acabou por ser a emoção maior, a grande alegria que viveram os nossos tais adversários na última jornada do campeonato. O Mesmo Cardozo haveria de acabar com a chinfrineira e redimir-se na segunda parte, como é do conhecimento geral.

A tabela das audiências televisivas prova isto tudo muito bem provado. O canal da Sport TV que, no domingo, transmitia em directo o Marítimo – Benfica teve cerca de 7 milhões de espectadores grudados ao ecrã até aos 82 minutos de jogo quando Óscar Cardozo, finalmente, acertou com a bola dentro da baliza.

A partir dos 82 minutos, a tabela de audiência registou um abandono de 1 milhão de telespectadores que se desinteressaram do jogo assim que o Benfica se pôs a ganhar.

E desse 1 milhão de desistentes, metade era do Sporting. E dessa metade que era do Sporting, há que contar a facção que foi ao Papa, a facção que apoiou Carlos Marta, a facção que foi almoçar com o embaixador e a facção que apoiou Fernando Gomes.

Agora percebe-se a razão de tanta reflexão interna por dá aquela palha.

 

POR decisão do Tribunal, ficam impedidos de frequentar estádios de futebol durante um ano e obrigados a apresentarem-se à hora dos jogos na esquadra da polícia mais próxima das respectivas residências, aqueles indivíduos que foram caçados em desacatos pela polícia na noite do último derby.

É assim mesmo. Aliás, este foi um dos passos do governo inglês para acabar com o hooliganismo há na terra deles nos anos 80.

Outro, também eficaz, foi o estacionamento nos arredores dos estádios, em dia de jogo, de vans dissuasoras, ou seja, carrinhas da polícia com grades, a quem os ingleses chamavam de hoolivans e que serviam para arrecadar e levar para o xelindró todos os espectadores que dentro ou fora do recinto apresentassem sintomas declarados de delinquência.

Trata-se, pois, de um problema que só pode ter uma resolução feliz se houver vontade política, não só dos políticos de carreira como dos dirigentes desportivos de carreira.

A confirmarem-se, estas decisões do Tribunal poderiam prometer muito em termos civilizacionais. Mais o cepticismo é grande e os grandes não ajudam nada.

Enquanto houver dirigentes desportivos que se vangloriem de que as suas claques ao menos «estão legalizadas» não haverá progresso.

E um dia ainda alguém, em nome do Estado, terá de vir explicar ao país que Lei é essa que confere enquadramento legal e a honradez de um estatuto aos hooligans portugueses de Norte a Sul do país.

 

JÁ lá vão tantos dias, semanas até, sobre o derby e Godinho Lopes ainda não revelou publicamente o escaldante material áudio e audiovisual que anunciou ter em sua posse 24 horas depois de João Capela ter apitado para acabar com o jogo da Luz.

Não só não houve divulgação pública, mantendo-se o suspense insuportável, como, aparentemente, também não há registo de que o Sporting tenha entregue o seu explosivo e altamente comprometedor material ao departamento de disciplina da Liga de Clubes para que possa actuar, segundo os regulamentos, sobre o prevaricador.

Segundo Godinho Lopes, que apoiou Fernando Gomes e nem foi ao Papa nem foi almoçar com o embaixador de Portugal em Roma, o prevaricador foi, nem mais nem menos, o próprio presidente do Benfica, acusado de ter mantido um diálogo aceso e sabe-se lá o que mais com Luís Duque, que apoiou Carlos Marta e foi ao Papa.

Também é verdade que Godinho Lopes, quando afirmou ter a posse de material audiovisual comprometedor para o presidente do Benfica, logo acrescentou que o mesmo material iria ser alvo de profunda «análise interna».

Oh, já dizia o poeta:

- O que farei com esta espada?

Por amor de Deus, façam lá qualquer coisinha.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:49

Dezembro 08 2011

FOI muito bom para o país que o Benfica tivesse sido eliminado da Taça de Portugal. Estarão, com certeza, lembrados que na semana em que o Benfica ganhou ao Sporting para o campeonato foi aprovado o Orçamento Geral do Estado sem que ninguém reflectisse sobre isso, porque não se falou doutra coisa a não ser da gaiola da Luz e da fabulosa exibição de Diego Capel.

Lembram-se? O País em crise, um Orçamento Geral do Estado de rapina, a senhora Merkel e o senhor Sarkozy a quererem acabar com o euro, e nem uma palavrinha mais acesa sobre tais assuntos teve a capacidade de incendiar a sociedade portuguesa. Com toda a comunicação social focada na gaiola da Luz, até se podia ter oferecido o Mosteiro dos Jerónimos à banca internacional para abater na dívida que ninguém tinha dado por tal coisa.

E por isto mesmo foi bom para o país a justíssima eliminação do Benfica da Taça de Portugal. Caso contrário, teríamos mais um derby este mês o que significaria, pelo menos, outros quinze dias de alienação total. Uma semana antes do jogo, com a revisão da matéria dada e uma semana depois do jogo, com o rescaldo das ocorrências.

Foi bom para o país e foi bom para o Sporting, convém acrescentar.

Numa prova que caminha para o centenário e cuja final se disputa tradicionalmente no Verão, o Sporting é o primeiro clube a ganhar e a festejar a conquista do troféu ainda antes do Natal.

 

POLÍTICA nacional à parte, não foi uma semana boa nem para o Benfica nem para o FC Porto. Se um Benfica medianamente esforçado não chegou para o Marítimo, um FC Porto muito esforçado também não chegou para o Zenit.

Saiu o Benfica da Taça de Portugal, saiu o FC Porto da Liga dos Campeões e saiu Danny de boa saúde do Dragão, o que também se deve saudar.

Danny é como o Benfica, é bom para o país e não teme os sacrifícios que tal estatuto implica. Na quarta-feira, nos últimos instantes do jogo, quando o FC Porto só atacava e o Zenit só contra-atacava, a bola foi lançada para Danny que avançou perigosamente para a baliza de Helton. Mas teve o bom senso de se deixar desarmar. Seria mau para o país se Danny marcasse o golo da vitória dos russos no Dragão.

Seria mau para o país e para Sociedade Protectora dos Animais.

 

O Salgueiros faz 100 anos e já conheceu melhores dias. Uma sucessão de gestões danosas atirou com o Salgueiros para uma situação imprópria do seu historial. Para mim, o Salgueiros foi sempre o Salgueiral. E isto d2 lhe chamar Salgueiral é carinho, não é desprezo nem olhar de cima. As notícias do centenário do Salgueiros vieram, naturalmente, acompanhadas por alguns pormenores sobre a fundação do clube.

Na verdade, não são pormenores. São pormaiores. O Salgueiros nasceu depois de um grupo de amigos ter assistido a um jogo de futebol entre o FC Porto e o Benfica disputado no Campo da Rainha, na cidade do Porto. Gostaram tanto do que viram que, de regresso a casa, pararam na rua à conversa e, à luz de um candeeiro da via pública, decidiram fundar o seu próprio clube.

São também lampiões, portanto, os salgueiristas. Como se não lhes bastasse este notável pedigree, os seus fundadores tomaram outra decisão importante quando escolheram o equipamento, vermelho e branco, igualzinho ao do Benfica de Lisboa que tinham visto jogar para, assim, se distanciarem das cores do FC Porto, o vizinho da mesma cidade.

O Salgueiros passou um mau bocado, praticamente refundou-se para subsistir, e hoje luta pelo regresso às provas nacionais. A equipa de futebol do Salgueiral está na 3ª posição da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto, com menos um jogo do que o líder da tabela, o Felgueiras.

É incrível como o Porto, uma cidade pujante de comércio e de associativismo, não conseguiu manter nas primeiras linhas da competição os seus clubes históricos, como o Salgueiros e o Boavista. Mas é assim, não dá para todos. É uma pena.

 

«OH, Inglaterra, minha Inglaterra / com os teus gloriosos olhos austeros.» É um poema, está visto. Um poema do poeta inglês Willian Ernest Henley que viveu e produziu a sua obra no século XIX. Este poeta Henley é também o autor do poema Invictus que Nelson Mandela recitava na prisão e serviu de inspiração para o filme de Clint Eastwood com o mesmo nome.

Mas tudo isto vem a propósito de quê?

Da Inglaterra e dos pequenos tormentos que André Villas-Boas e David Luiz por lá têm passado, eles que em Portugal, cada um no seu clube e na sua função, foram não só incontestados mas apontados como exemplo para as gerações futuras. Agora estão os dois em Inglaterra e vida não lhes parece correr tão bem porque tudo aquilo que em Portugal eram as qualidades fantásticas dos dois, em Inglaterra são defeitos.

A Inglaterra, como os seus «gloriosos olhos austeros», não suporta o futebol azougado de David Luiz, que levava ao delírio o Estádio da Luz, e não tolera os mind games de Villas-Boas, que punham em sentido os árbitros e os jornalistas do Condado Portucalense.

David Luiz, diz a imprensa britânica, pode ser transaccionado na abertura do mercado de Inverno pelo preço de 16 milhões de euros, ele que custou 24 milhões a Abramovich. Tony Cascarino, a velha glória irlandesa que jogou no Chelsea no início dos anos 90, apontou recentemente aquilo que considera serem as falhas do jovem defesa central brasileiro: «Ele pensa de forma errada e tem o péssimo hábito de tentar passes arriscados quando só precisa de defender. Será difícil perder esses maus hábitos.»

André Villas-Boas, diz também a imprensa inglesa, teve o lugar por um fio antes destas duas últimas vitórias do Chelsea, para o campeonato inglês e para a Liga dos campeões, frente ao Valência. Para lá dos resultados não estarem a corresponder às expectativas do magnata russo que o contratou, o jovem treinador chegou também com os maus hábitos do futebol português. E os «gloriosos olhos austeros» da Inglaterra logo o sancionaram com uma multa de 12 mil libras (perto de 19 mil euros) quando, depois de perder com o Queens Park Rangers, Villas-Boas se atreveu a dizer que o árbitro tinha feito um trabalho «muito, muito pobre», pequeníssimo, quase anémico insulto em termos lusitanos. Mas tremenda falha para um desportista na Inglaterra de Henley e de outros civilizadores.

E se, em Inglaterra, afirmar que o árbitro foi «muito, muito pobre» dá uma multa de 19 mil euros, imagine-se a coima que Villas-Boas terá de pagar se um dia, no rescaldo de um resultado menos feliz, disser em inglês tudo o que disse em português, em Guimarães, na época passada, depois do empate do FC Porto no berço da nacionalidade: «A minha expulsão é ridícula» … «O árbitro cometeu um erro declarado que mudou o sentido do jogo» … «por favor, alguém meta pressão na TVI…»

Havia de ser bonito.

Sobretudo naquela parte em que Villas-Boas diria, em inglês, please, someone put pressure on BBC!»

Pressure on BBC? I beg your pardon??????!!!!!

Mas isso nunca vai acontecer.

«Oh Inglaterra, minha Inglaterra / com os teus gloriosos olhos austeros…»

 

LIEDSON já sabe ao que sabe ser campeão. O caminho não foi fácil. Aos 21 anos, Liedson era caixa de um supermercado e quando saiu do Brasil para a Europa não era, propriamente, nenhuma vedeta. Nunca jogara sequer em nenhum escalão da selecção brasileira. Depois de sete anos no Sporting a disfarçar com os seus golos todas as crises de Alvalade, regressou ao Brasil para jogar no Corinthians.

E o Corinthians ganhou o campeonato no domingo. NO mesmo dia em que morreu Sócrates, o doutor, que fez no timão meia dúzia de épocas de sonho. Sócrates sempre disse, reza a lenda, que gostaria de morrer num domingo em que o Corinthians «levantasse um título». Foi precisamente isso que aconteceu. E é assim que vai ficar para a História.

 

VENDO as imagens na televisão, fica-se com a ideia de que os simpáticos adeptos do belenenses que se deslocaram a Alvalade ficaram um bocado enjaulados no estádio, confinados entre grossas redes laterais, dissuasoras de qualquer comportamento menos digno que, aliás, não se previa. Também é verdade, registe-se, que à frente não tinham rede alguma que lhes perturbasse a visão. Mas também não fazia falta porque está lá o fosso que sempre é mais medieval do que pré-histórico.

P.S. – Foi um grande aborrecimento o jogo de ontem do Benfica com os romenos, só compensado pelo gosto de ficar em primeiro lugar no grupo. Ontem também ficou provado que o grande resultado do Benfica nesta “poule” foi a vitória em Basileia. Incrivelmente, o Manchester City e o Manchester United foram parar à Liga Europa que, sem a chegada destes ingleses, até já parecia a Taça de Portugal.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:11

Dezembro 02 2011

FOI um belo derby desequilibrado e com uma vitória tangencial. Desequilibrado porque o Sporting teve mais posse de bola, naturalmente porque esteve meia hora em superioridade numérica, e aqui está outro desequilíbrio. Por outro lado o Benfica mandou duas bolas ao poste e obrigou Rui Patrício a aplicar-se em duas situações de golo iminente, enquanto o Sporting só por uma vez em todo o jogo obrigou Artur a fazer o seu trabalho.

Foi um derby emotivo e, mesmo assim, com mais Sporting do que do que nos últimos anos, o que foi bom para o espectáculo, para a incerteza do resultado. Nos últimos seis jogos entre os rivais de Lisboa, a vitória sorriu sempre ao Benfica. Há 2 anos e 9 meses que o Sporting não sabe o que é vencer o Benfica.

O último triunfo aconteceu ainda na era de Paulo Bento que no sábado esteve na Luz e assistiu ao jogo. Deve ter saído contente por duas razões: Rui Patrício, na baliza do Sporting, mostrou que é guarda-redes para a selecção nacional e Rúben Amorim, onde foi preciso, no meio, à direita, atrás e à frente, mostrou que é jogador para a selecção nacional e não só, é jogador para o que der e vier.

Se quisesse ver mais jogadores portugueses de nível em acção, o nosso seleccionador nacional teria de estar em Madrid, à mesma hora do jogo da Luz, para assistir ao derby dos nossos vizinhos. Fez bem Paulo Bento em optar pelo derby lisboeta. É mais nosso, talvez tenha menos salero mas tem mais bombeiros.

O único titular indiscutível da nossa selecção que falhou rotundamente no Benfica – Sporting foi o Nani. É verdade que não jogou porque vive e trabalha em Inglaterra mas errou no prognóstico - … dera por certa a vitória do Sporting -, pelo que Paulo Bento, no decorrer dos períodos de estágio da selecção, deve evitar ao máximo preencher boletins do Totobola com o Nani.

É dinheiro deitado à rua.

Veio no Público a notícia de que os prejuízos causados no Estádio da Luz pelas claques legalizadas do Sporting podem ascender a meio milhão de euros. Sobre a responsabilidade dos delitos, garante o Correio da Manhã que o Ministério Público deu ordem para investigar e que, talvez, as imagens recolhidas pelo sistema de videovigilância possam identificar os autores materiais dos crimes de incêndio e de destruição de propriedade alheia.

Seria excelente porque ilibava alguns milhares de sportinguistas que estiveram na Luz apenas para ver um jogo de futebol. A transmissão televisiva foi elucidativa nesse aspecto, focando variadíssimas vezes nas bancadas o convívio normal, saudável e até bem-disposto entre famílias mistas, entre amigos com cachecóis de cores diferentes que foram juntos à bola e que, findo o jogo, se espalharam pela cidade discutindo, como é digno de rivais, os pormenores do jogo até à exaustão.

Até à exaustão, é uma coisa.

Até à combustão já é uma coisa completamente diferente.

Por isso é da máxima importância não generalizar nestas questões. E não é justo confundir delinquentes encartados com o público normal que ama o seu clube, vibra, pragueja e… nada demais.

E também não é justo que seja o presidente do Sporting, Godinho Lopes, a pagar a despesa quando lhe chegar a conta dos prejuízos. Godinho Lopes nem esteve lá e só apareceu, em forma de comunicado, quando o director de comunicação do Benfica, João Gabriel, desarticulou de uma penada o discurso do vice Paulo Pereira Cristóvão sobre as condições “pré-histórica” em que tinha visto o jogo. O problema de Cristóvão não é a pré-História é a História. Soubesse ele o que é jogar em grandes palcos europeus e já teria visto muitas estruturas de segurança para claques como a da Luz.

Os jogadores do Sporting, que se bateram com galhardia durante 90 minutos, devem sentir-se muito surpreendidos e até desconsolados por só ouvirem os seus dirigentes falar de gaiolas, de bilhetes e de jaulas. E nem uma palavrinha sobre o futebol.

E, sobretudo, devem sentir-se muito baralhados com a identidade do patrão porque no Sporting têm mais protagonismo e holofotes alguns candidatos derrotados nos últimos actos eleitorais do que o próprio presidente.

Godinho Lopes bem sabe, por experiência própria, o que é ter de lidar com alguns consócios seus de carácter mais exaltado, do tipo energúmeno-classe A. Basta-lhe recordar-se da noite eleitoral em que foi vencedor mas em que teve de chamar a polícia para poder ir para casa sossegado.

E quando se trata de futebol, irmos para casa sossegados é o que toda gente ambiciona.

E isto já dura há mais de um século.

 

O Barcelona perdeu com o Getafe e o Benfica é agora a única equipa que ainda não perdeu um jogo oficial na Europa. Dizê-lo não é bazófia nem, muito menos, a proclamação de qualquer título. É apenas o que é, um pormenor simpático para as nossas cores.

Amanhã no Funchal, o Benfica vai ser uma vez mais posto à prova e o adversário é difícil. O Marítimo de Pedro Martins joga muito bem à bola e tem um goleador competente, o senegalês Baba. O jogo conta para a Taça de Portugal, bonita e histórica competição fértil em surpresas.

Se o Benfica cair frente ao Marítimo, paciência, alguma vez tinha de acontecer. Mas se o Benfica sair do Funchal apurado poderá continuar a orgulhar-se do seu estatuto único de imbatível na Europa. E poderá seguir em frente na Taça e isso é que importa. O resto, são vaidades…

 

O FC Porto que, segundo as palavras do seu presidente, morreu em Coimbra, ressuscitou nos últimos cinco minutos do jogo com o Sporting de Braga mas sem prejuízo para a causa. Entretanto, a Académica que tinha dado cabo do tal FC Porto em Coimbra acabou por morrer no mesmo campo frente ao Beira Mar. Este nosso campeonato está tétrico.

 

JOÂO CAPELA é um árbitro a seguir. Relativamente jovem, estreou-se num derby e não se saiu mal de todo. Expulsou Cardozo a meia hora do fim do jogo porque o paraguaio protestou uma decisão e viu o segundo amarelo. E, mais tarde, contemplaria Carrillo, o peruano do Sporting, com um cartão amarelo pelo memo motivo: protestos.

Os benfiquistas não aceitaram bem a decisão de capela ao expulsar Cardozo mas aplaudiram, no estádio, quando o árbitro mostrou o cartão amarelo a Carrillo, porque concluíram que será sempre esse o critério.

É um bom critério, com toda a sinceridade, e ainda por cima muito fácil de fazer vigorar porque os jogadores quando protestam para lá do razoável são, por norma, exuberantes, nada discretos e não é só o árbitro que vê o despautério.

Toda a gente vê. Não são precisas câmaras lentas, repetições, linhas imaginárias de fora-de-jogo, nem aparatos de tecnologia para detectar o flagrante delito da insubordinação.

Depois do derby da Luz, visto e discutido ao pormenor por milhões, João Capela, se quiser, vai carregar pela sua carreira fora a responsabilidade de ser coerente. Protestar uma decisão do árbitro é igual a cartão amarelo e nem se fala mais nisso.

E, de futuro, todas as equipas e mais os respectivos adeptos, assim que lhes cair João capela em sorte, saberão que Capela é aquele árbitro com quem não vale a pena protestar porque tem um critério muito bem definido para estas situações. Poderá até vir a ser a sua imagem de marca. Tudo isto seria excelente para a sagrada causa da verdade desportiva porque coloca todas as equipas em pé de igualdade perante o julgamento do árbitro, um luxo.

E, se assim for, só há motivos para considerar positiva a actuação de João Capela na Luz apesar do Tribunal do Jogo considerar por unanimidade que o árbitro perdoou uma grande penalidade ao Benfica quando Jardel e Onyewu, essas duas peças de filigrana, se embrulharam um no outro numa dança típica de área e acabaram os dois deitados na relva.

Dos protagonistas propriamente ditos não se ouviram protestos contra o árbitro no final do jogo. Jorge Jesus não perdeu muito tempo a falar da expulsão de Cardozo e Domingos Paciência elogiou «as três grandes equipas» que tinham estado em campo, presumindo-se que se referia à equipa de arbitragem como sendo a terceira grande equipa.

Certamente que não se estava a referir à grande equipa de bombeiros que também viria a actuar na mesma noite.

E ninguém duvida de que, dentro do universo sportinguista, terá sido Domingos Paciência, por ser o treinador da equipa, quem viu o jogo com mais e melhor atenção, até porque, dentro do mesmo universo, houve uma significativa fatia de dirigentes e de adeptos que se concentrou intelectual e exclusivamente em aspectos exteriores ao jogo.

E assim continuam. De tão preocupados em defender os pirómanos até se esqueceram de chamar nomes ao árbitro. Sim, sim, tivesse João Capela expulso mais um jogador do Benfica – Aimar, por exemplo – a ver se, contra 9, não teria o Sporting ainda mais posse de bola.

 

Valdemar Duarte, que comentou o jogo FC Porto - Sporting de Braga para a TVI, pode juntar o seu nome ao vasto rol de jornalistas que, por puro masoquismo, dizem ter sido agredidos em estádios de futebol ou em vielas escondidas.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 10:42

Novembro 25 2011

O Holandês Schaars vai viver este sábado o seu primeiro derby. Ontem falou publicamente sobre o assunto. Shaars sente que «o ambiente está tenso». Schaars é novato nestas rivalidades da Segunda Circular, está visto.

Na verdade, o ambiente não está tenso. Pessoal mais experimentado nestas coisas dirá, sem sombra de dúvida, que já houve centenas de derbies com ambientes mais absurdos e pesados a antecedê-los.

Mas Schaars fala do que sabe e do que sente e lá terá as suas razões. À semelhança de muitos estádios europeus, o Benfica vai passar a dispor de um reforço do sistema de segurança para os adeptos visitantes. A delimitar os espaços, no lugar onde se colocavam os cordões de polícias a desempenhar esse papel, passa haver grades. O procedimento recebeu aprovação da Liga e da PSP e vai estar montado já no sábado no jogo com o Sporting. E é assim que vai ficar para os jogos futuros.

Perante a afabilidade do momento entre os rivais, não houve em tempos recentes nenhum acontecimento insólito que indispusesse as respectivas administrações, este assomo de indignação por parte de alguns responsáveis de Alvalade tomba um bocadinho para o ridículo. Trata-se da manipulação de uma coisa que não é nada com o aparente intuito, muito dispensável, de criar um ambiente, enfim, tenso.

Olhem afinal o Schaars tem razão.

 

O semi-sucesso do Benfica em Manchester, assegurando a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, começou por onde começam todos os êxitos das grandes equipas de futebol: pela baliza.

E, que ninguém se ofenda, mas foi Artur o único dos benfiquistas a aguentar os 90 minutos sempre ao mesmo nível, altíssimo, respondendo às exigências da ocasião sempre da mesma maneira, 100 por cento impecável. O belga Witsel não esteve a 100 por cento mas terá estado aí a uns 82 por cento, o que também não é nada mau considerando a sua extrema juventude e inexperiência.

Os outros foram inexcedíveis em aplicação, correram quilómetros, calaram Old Trafford mas a verdade é que o Benfica esteve largos momentos do jogo em aflição. Nada de mais, obviamente, porque o Manchester United é um gigante de créditos firmados e o Benfica anda valentemente a tentar elevar o seu futebol ao nível do seu prestígio internacional.

 

OS jornais deram conta das fortes medidas de segurança que, no sábado, protegeram o autocarro do FC Porto à chegada ao Porto depois do jogo de Coimbra e do reforço, na segunda-feira, dessas já de si fortes medidas de segurança que protegeram o mesmo autocarro quando levou a equipa ao aeroporto para apanhar o avião para a Ucrânia.

O autocarro não sofreu nem uma beliscadura. O que prova que as medidas de segurança foram bem executadas o que não admira. No aeroporto, por exemplo, o aparato policial foi de monta ainda que não houvesse por lá nenhum indigente disposto a insultar os jogadores, os técnicos o mesmo os dirigentes nem nenhum voluntário com predisposição para partir os vidros do autocarro do FC Porto.

Mais vale prevenir do que remediar, pensaram as autoridades policiais locais e é assim mesmo que se tratam destes assuntos.

Da próxima vez que o Benfica for ao Porto, está finalmente o problema do Vermelhão resolvido.

Basta que os dirigentes da Luz solicitem respeitosamente às autoridades locais a mesma protecção policial para o seu autocarro (com recheio de pessoas e bens).

E, assim, com esta eficácia e empenho, nunca mais o Vermelhão regressará do Porto com um risco na pintura, com um farolim partido ou com uma escova de limpar o pára-brisas pendurada ao deus-dará pela auto-estrada abaixo até à garagem do Estádio da Luz.

 

O Expresso on line garante que João Moutinho é o «líder dos rebeldes» que no balneário portista se têm dedicado a fazer a vida negra a Vítor Pereira colocando em causa o seu estatuto de autoridade.

 - É uma maçã podre, sempre foi uma maçã podre! – disse-me um amigo sportinguista preocupado com a eventual demissão do treinador do FC Porto.

Tenho, no entanto, um amigo portista que vê as coisas de outro modo.

 - O Moutinho está a fazer um grande trabalho, deixem o Moutinho trabalhar!

É muito difícil entenderem-se os adeptos dos clubes rivais.

 

Entrevistado pela Rádio Monte Carlo, a jovem esperança Mangala afirmou ser do Paris Saint-Germain desde pequenino e acrescentou que o seu sonho é jogar no Parque dos Príncipes. «PSG? Ia já…» Considerou-se, no entanto, contente por estar no futebol português visto que considera o FC Porto «um trampolim» para outros voos.

O mundo anda todo às avessas.

 

ANDAM também os irmãos desavindos e isso não é bom. Nascida em África, a amizade entre Eusébio e Hilário resistiu galantemente à rivalidade entre os dois emblemas que os jogadores haveriam de representar na Metrópole – era assim que se dizia, naqueles tempos – mas, mais de meio século depois de ambos terem aterrado em Lisboa, parece que a tão badalada entrevista de Eusébio ao Expresso causou mossa e obrigou Hilário a responder, também em forma de entrevista através do jornal do Sporting.

Eusébio e Hilário são duas pessoas adoráveis e não mereciam, de forma alguma, este desencanto, pelo menos aparente, na sua relação.

Eusébio disse ao Expresso que nunca gostou do Sporting porque quando era jovem em Lourenço Marques «o Sporting era o clube da elite, da polícia e dos racistas». Esta frase causou indignação entre os sportinguistas.

A resposta de Hilário, no entanto, não ajudou nada a contrariar a opinião de Eusébio. Antes pelo contrário.

Hilário recorda que quando assinou pelo Sporting de Lourenço Marques «diziam que eu ia para um clube de brancos, um clube de racistas».

Diziam? Mas quem é que dizia uma coisa dessas? Seria já o Eusébio?

Hilário diz também, com justificado orgulho, que foi «o primeiro preto a jogar no Sporting de Lourenço Marques». De acordo com a wiki-Sporting, fonte fidedigna de informação, o Sporting Clube de Lourenço Marques foi fundado em 1920 pelo que, de acordo com as palavras de Hilário, não albergou um único «preto» durante as primeiras quatro décadas da sua existência como associação desportiva. Ainda citando a informação disponível na wiki-Sporting, de acordo com «os testemunhos de antigos jogadores de Sporting de Lourenço Marques, era um clube selectivo». E «para os negros jogarem no Sporting ou tinham que ser jogadores com a qualidade de Eusébio da Silva Ferreira ou então tinham que ter alguém que os apadrinhasse».

Um clube selectivo? Lá está a elite, não é?

Sempre citando a wiki-Sporting, o Sporting de Lourenço Marques tinha uma base social bem definida: «Os seus dirigentes e atletas proviriam principalmente da Polícia e do Serviço Municipalizado de Água e Electricidade», reza o documento.

Lá está a Polícia, não é verdade?

 

O Shaktar – Porto foi divertido. Como o empate não servia a nenhuma das equipas tivemos um espectáculo aberto, corrido, bola cá, bola lá, às vezes parecia um jogo de hóquei em patins de tão disparado que foi. O FC Porto, por ter melhores jogadores, foi mais feliz e ganhou por 2-0 Agora basta-lhe vencer o Zenit de São Petersburgo e de São Bruno Alves para seguir em frente na Liga dos Campeões.

Vítor Pereira, o mal-querido treinador dos campeões nacionais, festejou a vitória com uma exuberância que se compreende.

Nós aqui em Portugal, compreendemos. Lá fora, não sei…

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 20:59

Novembro 17 2011

PRONTO, já está. Terminou a era Gilberto Madaíl na presidência da Federação Portuguesa de Futebol com mais uma qualificação para uma fase final de um grande torneio internacional e convém recordar, em tempo de balanço, que antes de Madaíl as coisas não se passavam bem assim. Antes pelo contrário.

Quase se pode dizer que antes de Madaíl o papel da selecção portuguesa nestes torneios de apuramento era muito parecido com o actual papel da selecção da Bósnia-Herzegovina. Lá íamos quase até ao fim a sonhar com a qualificação e depois, no fim, acabávamos quase sempre por ser eliminados por selecções mais fortes e melhor preparadas.

E lá vinha a choradeira do costume. Os árbitros, as manigâncias da UEFA e da FIFA, as condições climatéricas, o estado da relva, os nossos inimigos internacionais, o dinheiro ou a falta dele, as porcarias por varrer. Lembram-se?

Eu lembro-me. E por isso a choradeira de semana passada sobre a relva bósnia e a maldade da UEFA fez-me temer o pior.

Mas o Cristiano Ronaldo deu cabo disso tudo na noite de anteontem na Luz.

Assim é que ele é bom, a jogar.

 

HULK jogou os dois encontros amigáveis, contra o Gabão e contra o Egipto, pela selecção do seu país. Não marcou nenhum golo mas exibiu-se em bom plano e, assim sendo, despertou a curiosidade da imprensa brasileira que mal o conhece, valha a verdade, porque o percurso adulto de Hulk foi feito primeiro no Japão e, agora, em Portugal, países cujos campeonatos não são seguidos com enorme atenção no Brasil.

 Por duas vezes titular na equipa de Mano Menezes, o avançado do FC Porto tornou-se finalmente bem conhecido no país onde nasceu e as entrevistas não param, todos querem saber mais de Hulk, o incrível.

E, como não podia deixar de acontecer, até as mudanças da cor de cabelo do jogador são tema de interesse para a imprensa brasileira.

Ao site “Globoesporte”, Hulk falou sobre as colorações e as descolorações capilares a que se tem submetido. “Há um mês, acordei e fui lá no salão porque resolvi pintar de louro. Ficou um pouco diferente. Quem sabe se não o faço novamente?”

Com tropical malandrice, o entrevistador brasileiro perguntou-lhe se admitia alguma vez pintar o cabelo da cor do clube rival, o Benfica, e Hulk foi peremptório na resposta: “De vermelho? Nunca!”

Francamente, penso que Hulk está a exagerar no anti-vermelhismo. Até pode não gostar da cor, e está no seu pleno direito. Mas, dando-se o caso de gostar dos vermelhos tanto como gosta dos amarelos, que já lhe vimos a emoldurar a cabeça, não tem que recear represálias.

Bastar-lhe-ia dizer que aquele vermelho não era o vermelho do Benfica mas sim o vermelho do Sporting de Braga e não haveria ninguém no Estádio do dragão que lhe levasse a mal, antes pelo contrário.

E que ninguém considere esta discussão uma variante de racismo em nome das inimizades coloridas que têm marcado a agenda retórica do nosso futebol.

Cores são apenas cores. Tomemos o exemplo ainda mais recente do Sporting. O presidente Godinho Lopes enviou uma “newsletter” a todos os sócios do clube de Alvalade pedindo-lhes que no domingo compareçam “todos de verde” ao jogo com o Sporting de Braga a contar para a Taça de Portugal a cores e a preto e branco.

Lá se vão esgotar os pólos verdes de marca nas grandes superfícies comerciais da Grande Lisboa.

 

O futebol joga-se a cores, não restam dúvidas. Tenho amigos sportinguistas que estão muito encantados com o Alan porque chamou racista ao Javi Garcia e que estão muito zangados com o Eusébio porque o Rei, numa entrevista ao “Expresso”, chamou racistas aos sportinguistas do bairro em que cresceu em Lourenço Marques.

O Eusébio da próxima vez que for a Alvalade vai ter de ouvir uns remoques. Mas ainda não se sabe quando será essa próxima vez.

Já da próxima vez que o Alan for a Alvalade vai ser recebido com fidalguia e carinho. E é já no próximo domingo, quando o Sporting de Braga vier a Lisboa jogar com o Sporting a próxima eliminatória da Taça de Portugal.

No domingo que não se lembre o Alan de marcar golos ao Sporting não vá arruinar assim esta nova amizade tão inesperada.

 

 NA semana passada, o Gabão-Brasil começou com quase 20 minutos de atraso. Tratava-se da festa de inauguração do moderno estádio de Libreville mas uma falha na electricidade deixou o relvado às escuras e o jogo teve de esperar.

Aconteceu em Libreville o que aconteceu em Braga, resumindo e concluindo.

Ambos são estádios modernos e funcionais. São coisas que acontecem. Não vale a pena especular.

 

NA euforia da vitória e da consequente qualificação para o Euro 2012, Paulo Bento esticou-se um bocadinho no seu ajuste de contas com Ricardo Carvalho e Bosingwa, o que já de si era absolutamente desnecessário, afirmando com ares de triunfador que o jogador do Real Madrid e o jogador do Chelsea iam estar no Verão com a selecção portuguesa na qualidade “de espectadores”.

São imensamente respeitáveis as razões que levaram Paulo Bento a prescindir de Ricardo Carvalho e de Bosingwa, jogadores com posições cativas nas equipas lideradas primeiro por Luiz Felipe Scolari e depois por Carlos Queiroz.

Ambos, primeiro Bosingwa, depois Carvalho, lhe faltaram ao respeito, como é do conhecimento geral. E um líder que não se dá ao respeito está positivamente tramado perante o grupo. A forma valente e solidária como a selecção nacional se bateu nos dois jogos com a Bósnia é a prova de que Paulo Bento não perdeu o controlo sobre a equipa e essa é uma vitória pessoal que ninguém lhe pode roubar.

O que não é do conhecimento geral é a forma como Paulo Bento, na sua qualidade de seleccionador nacional, gere os egos, absurdamente inflacionados, das grandes vedetas do futebol português que, por isso mesmo, por serem grandes jogadores e enormes vedetas são naturalmente seleccionados para jogar pela equipa nacional.

Será necessária para exercer o cargo de seleccionador uma licenciatura em gestão de vaidades? E outra em conflitos de egos?

Porque foi disso mesmo que se tratou. Ricardo carvalho, que parece uma pessoa doce, e Bosingwa, que não se parece com um meliante, não suportaram a desconsideração do colete-de-suplente nos treinos da selecção.

Em Óbidos, Carvalho desarvorou porta fora e não demorou tempo a que todos percebêssemos o que se tinha passado. Na Suíça, antes do amigável com a Argentina, Bosingwa à vista do mesmo colete, preferiu não desarvorar. Mais lhe valia que o tivesse feito. Bosingwa decidiu afrontar Paulo Bento cara a cara, dirigindo-se ao líder em termos inaceitáveis: “Ainda julgas que estás a treinar os juniores do Sporting.”

Compreende-se que Paulo Bento se tenha sentido ofendido.

E tudo isto já foi há algum tempo. Os juniores do Sporting ainda nem sequer tinham ido a Angola passar aquele mau bocado perante a selecção de Lito Vidigal…

Parabéns ao Paulo Bento que pegou numa selecção desmotivada e à deriva, sofrendo a bom sofrer ressaca do Mundial, e a levou até ao Euro 2012 quando muitos já achavam a empreitada mais do que tremida.

Parabéns ao Paulo Bento por não ter cedido à lamechice nacional nos casos de Ricardo Carvalho e de Bosingwa, dois excelentes jogadores que se deram à morte por vedetismo. Se Paulo Bento tivesse recuado seria certo e sabido que nunca mais ia ter mão na rapaziada.

Mas era escusada esta estocada final no ego dos insurrectos. Foi cruel. Foi uma pena.

Autor: Leonor Pinhão

Fonte: A Bola

publicado por Benfica 73 às 21:57

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