Maio 29 2012

Dá que pensar o verdadeiro muro de lamentações que se ergueu após a vitória do Chelsea na Liga dos Campeões. Foi descrita como “a morte do futebol”, “o triunfo da hipocrisia”, “o elogio da cobardia” e sabe-se lá o que mais. Só me espanta que entre os arautos da desgraça na causa futebolística se contem vários dos veneradores atentos de José Mourinho, nomeadamente na épica, heroica, inteligente e estratégica eliminação do Barcelona, na mesma Liga, quando o técnico português estava ao serviço do Inter Milão. Até o facto de os pontas-de-lança (os africanos Samuel Eto’o e Didier Drogba) terem acabado a defender, ante os mesmos catalães, os respetivos flancos esquerdos aproxima os dois feitos. Como os congrega o facto de Inter, antes, e Chelsea, agora, serem olhados como marginais ao grande futebol. Imperasse esta lógica e estaríamos alheados de elementos essenciais a este desporto – a surpresa, a superação, o sublime que pode haver no coletivo.

 

Por maioria de razão, a viagem da Taça de Portugal até Coimbra também não deve ter agradado, uma vez que a Académica levou para o Jamor a modéstia do seu arsenal. O problema é que o Sporting pareceu esquecer-se das armas em casa e entrou a jogar como só a soberba permite: o tempo encarregar-se-ia de repor a verdade e de explicar como as vantagens alheias eram apenas nuvens passageiras. Afinal, os minutos não foram aliados e nem a quebra física dos rapazes de Pedro Emanuel teve como equivalência a eficácia da parte dos leões. Não chegou nem para empatar, embora dispusessem de 86 minutos mais descontos para recuperar. Nada. A festa fez-se onde não se fazia há mais de 70 anos. Para o Sporting, o pior não foi ver escapar-se-lhe o título que, na ideia de muitos, até já tinha lugar reservado no Museu do clube – o pior foi a atitude de censura (com enormes responsabilidades para Sá Pinto, menos “envernizado” do que noutras horas) para as manifestações de profissionalismo de Adrien Silva, o melhor jogador em campo. Ao ponto de haver já quem defenda que o luso-francês não deve voltar a Alvalade… Depois queixam-se. E o FC Porto ou o Benfica agradecem…

 

Já Pinto da Costa continua a sua apoteótica digressão regional (alguém sabe quantos quilómetros vão da Afurada a Espinho?), sempre a subir de tom. Proença está perto da medalha e Platini da beatificação. No Benfica, parece só haver duas hipóteses: ser burro ou ser estúpido. Mas sempre conspirador. Só é pena que continue, passo a passo, a demonstrar que, mesmo 30 anos mais tarde, ainda não aprendeu a ganhar. E, já agora, é pena que não fale, por exemplo do rombo orçamental do clube com a saída da Champions… Mas se calhar ainda é cedo para prestar contas – talvez um dia…

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:37

Maio 09 2012

Vejo, na TV, um homem nervoso que, ao mesmo tempo que maltrata os jornalistas que polidamente o questionam, repete que o sucedido é “um caso de polícia”. Infelizmente, já nos vamos habituando a estes desabafos em todos os quadrantes da vida nacional – todos os dias somos enganados pelo “conto do vigário” da austeridade que não pára em todas as portas, somos roubados nos direitos, somos burlados nas nossas expectativas. Será o caso deste cidadão? Não, não é. Porque ele se chama João Bartolomeu, há alguns anos que dirige os destinos da União de Leiria e a sua indignação nasce daquilo que parece ser uma série de rescisões nos contratos de trabalho de jogadores profissionais.

 

Bartolomeu, à boa maneira daquele jogo infantil “passa a outro e não ao mesmo”, dispara em todas as direções – o Sindicato dos Jogadores, as forças das trevas que querem destruir a Liga e os pequenos e médios clubes, por aí fora.

Esquece-se este exemplo do pior dirigismo desportivo, corresponsável pelo divórcio litigioso entre uma cidade e um clube, que na base de tudo estão meses de ordenados em atraso, devidos a profissionais que não podem estar sujeitos a ouvir aquilo que alegadamente lhes foi dito pelo homem que os contratou ou caucionou a respetiva contratação – que só recebem se evitarem a despromoção. Bartolomeu, sempre ponderado e nada populista, vai mais longe, noutra ocasião, ao apontar o dedo acusador ao jogador Keita, que teria fugido com uma mala onde estariam 6 mil euros. No capítulo seguinte, já não foi nada disso – houve um equívoco e Keita não será, afinal, um ladrão mas um homem de bem, como o prova a sua disponibilidade para regressar ao seio do clube e da entidade patronal. Pelo meio, há processos que merecem ser postos em causa, tais como as generosas ofertas de um presidente de outro clube e do dirigente máximo da Liga, disponíveis para avalizar uma parte do pagamento devido aos jogadores leirienses. Fiúsa e Figueiredo, ambos “a título pessoal”. Mas o que significa isso se eles são as mesmas pessoas que detêm responsabilidades públicas no futebol? Bartolomeu fala num 25 de Abril dos clubes pequenos. E é nesse momento que coro, engulo em seco, mastigo um palavrão e desligo a televisão. Vergonha!

 

Quando ligo de novo a TV ouço um treinador de futebol dizer ao canal do seu clube que não se atreve a passar pelo meio dos adeptos porque uns gostam dele, mas outros… Tem medo, visível, da multidão. Faço contas para concluir que foi o técnico que perdeu o campeonato e receia o ajuste de contas? Não, afinal foi o “mister” que viu os seus ganharem, apesar da sua presença. Chama-se Vítor Pereira e, sabemos agora, sofre de agorafobia. Não vai ficar na História.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:24

Maio 03 2012

Primeiro: pior do que os “tabus” dos políticos, só mesmo esses mal amanhados jogos de reserva mental nos dirigentes desportivos, à espera “do momento”, da “vaga de fundo”, do “eu ou o caos”. Tudo familiar, infelizmente. Segundo: tão mau quanto um país democrático sem oposição é o aceitar da gestão de um clube sem ideias alternativas ou complementares, meio caminho andado para o autismo (passe a expressão e fique o conceito). Terceiro: um contrato de treinador de futebol é tão válido como as leis laborais portuguesas, e tão perene como os “direitos adquiridos”. Quer dizer: aplica-se até que se levantem “superiores interesses”, venham eles dos ditames de uma troika qualquer ou do bramido das massas ululantes.

 

Por estas três premissas quis chegar à atual situação do Benfica, que se deixou cair na asneira de marcar eleições para outubro, já em plena época. Pergunto: sendo legalmente inatacável, será eticamente defensável o sumário despedimento do atual treinador, com hipóteses de rumar a outra casa – sabendo-se, ainda por cima, que Pinto da Costa não desdenha a aproximação, uma vez que se verá obrigado a desfazer um nó chamado Vítor Pereira, para sossego dos adeptos e das finanças portistas – com pesada indemnização (sete milhões?), com recomeço de todos os processos ainda antes de solidificado um modelo de jogo, com perda das inegáveis vantagens que Jorge Jesus (a par das falhas, já lá vamos) já demonstrou, e dentro de campo? Da mesma forma, num momento em que a chamada nação benfiquista espera uma prova de força a valer – depois dos falhanços com as arbitragens, com a gestão do plantel, de Enzo Pérez a Ruben Amorim, com o “mandato dos êxitos desportivos”, com as outras modalidades – do seu presidente, será tolerável que este hipoteque parte do futuro do clube com a timorata assinatura de um desvantajoso contrato com a Olivedesportos?

 

São apenas duas questões das muitas que podem separar Luís Filipe Vieira da grandeza. O homem que teimou no novo estádio, que hoje não se discute, que credibilizou financeiramente o nome do Benfica depois de todas as aventuras, que voltou a edificar o clube em termos europeus e que – com a ajuda de Jesus – revelou a capacidade para os indispensáveis negócios da sobrevivência, que denunciou (sozinho) o Apito Dourado, já tem lugar na História. Sem oposição à vista, falta-lhe um passo para a grandeza: aceitar o diálogo, aproveitar sugestões, preocupar-se mais com o adversário externo do que com as reticências internas. Começar por não delapidar os poderes do sucessor – que até pode ser ele próprio – é um bom princípio. Fortalecer a estrutura é um imperativo. E não ouvir sempre os mesmos um sinal exterior de democracia. Será?

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:54

Abril 17 2012

O Benfica deve a Jorge Jesus um campeonato, ganho com um futebol empolgante que ajudou a lançar a onda vermelha. Deve-lhe duas ou três Taças da Liga, consoante o resultado de sábado. Deve-lhe uma boa época europeia (que se finou há uma semana em Londres), uma razoável caminhada na Europa (meias-finais da Liga Europa, mas com queda frente ao Braga) e uma radical deceção internacional na estreia do técnico. Não convém esquecer o regresso do futebol de ataque, do espetáculo, de jogos de autêntico cilindro. O renascimento da atitude guerreira da equipa, de vez em quando capaz da raça que os mais antigos (como eu) associam a uma forma própria de estar em campo, merece ser contabilizado. E há o crescimento de jogadores que, ganhando destaque no clube, já lhe renderam ou podem render excelentes negócios. É muito crédito para Jesus.

Em contrapartida, Jesus fica, depois de Alvalade, a dever um título ao Benfica. Não há outra forma de sintetizar a queda vertical dos últimos dois meses, em que os 13 jogos dos encarnados (em três competições) se traduzem em cinco vitórias, quatro delas na Luz, dois empates e seis derrotas: Zenit, Guimarães, FC Porto, Chelsea duas vezes e Sporting. No final da primeira volta, o Benfica tinha dois pontos de avanço. Virada a jornada 18 (três quintos do campeonato), há dois meses, o Benfica aumentara a diferença – cinco pontos. Daí para cá, toma lá 13 pontos perdidos em 24 possíveis. Mesmo que faça o pleno nos quatro jogos em falta, o Benfica da segunda metade do campeonato ficará longe do que se apresentou na primeira volta – 32 pontos possíveis (20 até agora) contra 39. Hoje, o Benfica tem quatro pontos de atraso.

Mais: Jorge Jesus deve ao Benfica, à sua história e à sua dimensão, o imperativo de não repetir a desculpa com as arbitragens. É certo que Proença, Capela e Soares Dias passam a ser protagonistas – e não figurantes, como deviam – do campeonato. Mas isso não lhe dá o direito de não perceber que a equipa estourou, que há demasiada gente a acusar a pressão, por excesso de nervos (Bruno César) ou por defeito de desempenho (Gaitán, Cardozo), que sempre houve lacunas e teimosias. Jorge Jesus, enquanto treinador do Benfica, não pode descrever a partida com o Sporting – justo vencedor – como o fez, lançando um manto sedoso de ilusão sobre a triste realidade. Chegou a hora de acertar contas com ele. Para, logo a seguir, começar a avaliação da estrutura diretiva e do próprio presidente, que prometeu mais do que deu.

Custa aos adeptos do Benfica assistir a isto. Mas também custa aos amantes do futebol perceber que, no seu país, um técnico irremediavelmente medíocre como Vítor Pereira possa ser campeão nacional, só porque tem mais máquina.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:35

Janeiro 31 2012

A notícia vem da tarde de ontem, li-a no Record e, confesso, olhei através dela como de um mau presságio, um sinal assustador para o que espera o futebol português. Dá conta de que um “grupo organizado de adeptos” do Benfica, os Diabos Vermelhos, vai estar ausente da deslocação dos encarnados a Santa Maria da Feira, na próxima jornada. A razão é simples e transparente: o preço dos bilhetes, considerado insensível face ao momento que o país atravessa.

Podem argumentar que é um caso isolado e que, assim, não serve como representativo daquilo que poderia ser tomado como uma deserção entre os mais fiéis. É uma forma de olhar a questão. Mas há outras. Por exemplo, pensar que, por hábito, o Benfica é o clube que mais gente leva com a sua equipa à esmagadora maioria dos estádios portugueses, tantas vezes superando o número de adeptos dos clubes que recebem as partidas. Quando a época corre de feição, a diferença aumenta – e o Benfica está na liderança, em andamento dinâmico e poderoso, ambicioso e com bases para levar aos campos essa ambição. Tal é sinónimo de um apoio presencial que, em múltiplas ocasiões, rende a muita e boa gente a melhor receita de toda uma temporada desportiva.

Mas há limites. Tome-se o exemplo do Feirense como apenas… um exemplo. Alguém quer convencer-me que, com preços como os praticados, os adeptos de FC Porto e Sporting, os outros dois “encarregados” de lotar os estádios, vão manter as suas romarias, pagando o que lhes é pedido por quem não leu a história da galinha dos ovos de ouro? Se temos números crescentes de espectadores “in loco” ao longo desta época, talvez valha a pena fazer um esforço de adaptação aos tempos correntes. Quem não ganha o que já ganhou deve ser chamado a pagar o que nunca pagou? Vem aí um período quente para a renegociação dos direitos de transmissão televisiva. E aí, aqueles que agora puxam a corda, hão-de lançar o laço para ver o que apanham na “solidariedade”. Se juntarmos tudo isto a um projeto populista e inconsequente que, pelos vistos, nasce na Liga, apetece dizer que o futebol português está mesmo ameaçado. E, como de costume, nem é preciso o inimigo externo – vem de dentro.

Mais do que ameaças, o Sporting vive com fantasmas. Quem viu o jogo de Olhão percebeu como a bola queima, como os assobios doem, como as botas pesam. Domingos tem tarefa de peso e tem cada vez menos tempo. Precisa de virar o rumo antes de jogar a hipótese de um troféu que lhe salve a época. Mas tem de ser já – este Sporting não ganha ao Gil Vicente (Taça da Liga) nem ao Nacional (Taça de Portugal). Não ganha a ninguém. E isso ninguém aguenta: nem os adeptos, nem os adversários, nem o futebol português a que o leão faz muita falta.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:24

Janeiro 12 2012

Ficou célebre o comentário do professor universitário sobre a tese do aluno. Esclareceu o docente que a tese continha ideias boas e ideias originais – pena que as boas não fossem originais e que as originais não fossem boas… É deste episódio lapidar que me recordo sempre que assisto ao triste espectáculo das fúrias legislativas, de febres que atacam homens de bem que se transformam rapidamente em pistoleiros normativos, capazes de disparar em todas as direções. Estudam pouco e sabem menos, conseguindo aquele extraordinário tempero português que é colocar académicos e teóricos de um lado e agentes e técnicos do outro, como se não fossem todos indispensáveis. Depois, quando é preciso um álibi final, nomeia-se um grupo de trabalho que se limita a repetir os desejos do poder ou que tem o seu trabalho condenado ao lixo.

Infelizmente, esta epidemia ameaça chegar ao mundo do futebol. Soubemo-lo através de Jorge Jesus, que veio trazer a público um estudo ou uma proposta ou uma ideia ou lá o que é, com o objetivo de valorizar o jogador português. Tenho como bom o conceito de que o campeonato nacional só é competitivo, respeitado e suscetível de atenção externa, por causa das mais-valias internacionais que por aí andam e às quais se juntam os talentos portugueses, muitas vezes ávidos de emigrar, não para clubes de primeira linha mas para ordenados com que dificilmente podem sonhar (em média) por cá.

Haverá certamente formas de regulamentar a utilização dos homens da casa. Mas querer restringir a contratação de estrangeiros aos atletas internacionais parece apenas um assomo de arrogância, demonstrativo de que as palavras austeridade e contenção ainda nos não são familiares e capaz de confundir a nossa capacidade de contratação com a dos ingleses, o que é um desvario.

Jorge Jesus teve o cuidado de dizer que, por cá, somos também formadores de jogadores estrangeiros. Os exemplos a favor deste argumento são muitos. Mas basta pensar em Hulk, que só chega a internacional brasileiro graças ao crescimento e à exposição no FC Porto. Luisão e David Luiz são contabilidade positiva para o Benfica. Van Wolfswinkel precisou do Sporting para aparecer nas cogitações dos responsáveis holandeses para o Euro que aí vem. Mais: alguém duvida que gente como Belluschi, Javi Garcia, Nolito, Ínsua, Rinaudo traz mais perfume e mais combatividade ao futebol nacional?

Acredito muito mais no bom senso – e, já agora, na negativa ao alarmismo que faz do jogador português uma espécie em extinção, algo que é desmentido pelo bom comportamento das selecções – do que na regulamentação por iluminados. Espero que o tempo do “orgulhosamente sós” tenha passado de vez. E desejo que outras vozes se juntem à de Jorge Jesus, antes que se mate a galinha dos ovos de ouro.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:07

Dezembro 14 2011

Ponto prévio: a quem interessa, verdadeiramente, o conflito entre Benfica e Sporting? Já lá vamos – a propósito da caixa de segurança no Estádio da Luz e de todos os acontecimentos que culminaram num incêndio, há muito por apurar e pouco por especular.

Começo pelo bom senso que os responsáveis do Benfica não aplicaram. Tivesse a questão da caixa sido anunciada com tempo e/ou ensaiada/estreada noutra partida e ficavam automaticamente esvaziados os argumentos de princípio dos dirigentes e arautos do Sporting. Assim, lançaram mão ao grito da “provocação” e abriram as portas a um ambiente que descambou, como se viu. Ninguém pode pôr em causa que, de um ponto de vista teórico, o processo levado a cabo pelos benfiquistas é inatacável – a caixa teve o acordo da Liga, da polícia e dos bombeiros. Mais: é um sistema experimentado com êxito por essa Europa (a dita civilizada) fora.

Algo de muito diferente é o resultado prático. Primeiro, é inaceitável que espectadores munidos de bilhete válido e sem comportamento atentatório à segurança geral tenham sido privados de ver dois quintos do jogo, retidos numa vistoria sem meios humanos para dar resposta. Segundo, é condenável que se tenha alegadamente atirado com gente a mais para espaço a menos, anulando ou pelo menos minorando a mais-valia de segurança concretizada.

Tudo somado, nada justifica o vergonhoso final, epitáfio desajustado para um jogo que foi emotivo do princípio ao fim, em que qualquer das equipas podia ter vencido, em que o Benfica confirmou solidez e espírito de sacrifício e em que o Sporting sublinhou a candidatura ao título.

Estou certo que a Polícia investigará o que aconteceu na bancada, já condenado pelos bombeiros. Estou seguro que vamos continuar a ouvir falar dos “graves incidentes” em que estará envolvido Luís Filipe Vieira. Em qualquer dos casos, preferia ver e ouvir por mim próprio, para poder avaliar. Mas, acima de tudo, gostaria que os presidentes dos dois clubes dessem, já, o passo em frente para chegar à paz. Porque ambos sabem que o conflito que, por agora, vão mantendo e alimentando só interessa ao Senhor do Dragão. Ou alguém ouviu falar a sério nos insultos e na agressão a um jornalista? O suspeito do costume está habituado a passar entre as gotas de chuva. E a fazer rebentar as tempestades bem ao longe.

NOTA – Há uma rapaziada, tornada mediática via bola, que não vislumbra além do nariz. Ou seja, além do pequeno mundo do futebolês. Recomendo-lhes mais respeito quando falarem de João Gabriel, um dos melhores jornalistas portugueses do último quartel do século 20. Lidou com presidentes, com presos políticos, com as imensidões da vida. O futebol devia estar-lhe grato por andar por aqui.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:46

Novembro 29 2011

Claro que houve ocasiões de sufoco e – vários – suspiros de alívio, o último dos quais quando Berbatov, sedento de mostrar serviço ao patrão, fez a bola rasar a barra da baliza de Artur. Claro que a percentagem de posse de bola, o número de remates, a ideia de um caudal ofensivo dominante (embora se misturassem os momentos de mérito dos ingleses com as ocasiões em que o Benfica oferecia metros para cerrar fileiras, alternando sabiamente com a pressão alta, toca-e-foge que lhe permitiu chegar ao fim da partida sem bancarrotas na componente física) tombam para os habituais frequentadores do Teatro dos Sonhos. Daí a dizer que o empate da equipa portuguesa foi mera questão de sorte só revela desconhecimento ou má vontade.

Desde logo por ignorar ostensivamente que o adversário do Benfica é campeão inglês, finalista vencido da última edição da Liga dos Campeões, dono de um palmarés que brilha tanto como a estabilidade (por favor, não confundir com pasmaceira ou imobilismo) garantida por um quarto de século com sir Alex Ferguson como condutor. Depois, por procurar desvalorizar uma missão de sacrifício que, tantas vezes, é o nosso (dos clubes nacionais e da Seleção, se quisermos falar verdade) antídoto quando confrontados com meios e poderes desmedidamente maiores do que os nossos. Ontem, essa sobrecarga, que se confunde com desempenhos de missões que favorecem o coletivo e prejudicam os indivíduos, acabou por haver alguma justiça poética no facto de Pablo Aimar, artista e maestro, ter podido faturar, numa rápida resposta ao golo da efémera vantagem do Manchester.

Especulações à parte, foi bonito ver os apoiantes lusitanos a conseguir calar Old Trafford. Agora, o Benfica depende apenas de si próprio – e de uma vitória face aos romenos – para chegar ao primeiro lugar no grupo, algo com que os mais otimistas dificilmente sonhariam. Vantagens? “Só” estas: jogar em casa a segunda mão dos oitavos-de-final da Champions e evitar, para já, confrontos com Real Madrid, Bayern Munique, Inter Milão e, provavelmente, Barcelona, Chelsea e Arsenal. Compensa…

Segue-se um dérbi lisboeta, invulgar pela proximidade pontual das equipas (diferença mínima) e pelo ânimo empolgado com que vão entrar em campo. Daqui até lá, que haja cuidados nas declarações e respeitinho entre as claques. Os craques hão-de fazer o resto.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 05:35

Novembro 28 2011

Pouco importará investigar quem primeiro reconheceu, e em público, que a crise económica não vai poupar o futebol e vai empurrar os clubes, de acordo com as respetivas dimensões, para um desinvestimento considerável – se quiserem sobreviver sem hipotecar drasticamente o futuro… ou o presente. Da mesma forma, pouco renderá o voluntarismo desta análise se quem a assumiu não tiver a compreensão e a concordância, prática e efetiva, dos seus pares. É um daqueles casos em que a salvação de um, por bom senso, pode ser a escapatória para os outros e em que um naufrágio poderá arrastar os parceiros para o desastre coletivo. E será uma ocasião para se medir se prevalece a racionalidade ou se a pressão tresloucada das massas ululantes leva a melhor.

Para já, os sócios e adeptos do Benfica não podem alegar desconhecimento – foram formal e atempadamente prevenidos pelo seu presidente. O que parece exagerado é ligar diretamente este pré-aviso de rigor e contenção ao que já é tratado como “caso Saviola”. O avançado argentino tem, ao longo da presente época, enfrentado dois obstáculos com que talvez não contasse, pelo menos para já. Por um lado, a adesão de Jorge Jesus a uma variante do duplo pivô (por hábito Javi García e Witsel), com Aimar a jogar atrás do único avançado de raiz no onze. E que pode ser Cardozo, pelas suas características. Mas que também tem sido Rodrigo, o jovem espanhol de origem brasileira que explodiu e tem marcado presença de mérito mais rapidamente do que muitos esperavam, acabando por remeter, mais vezes do que seria imaginável, El Conejo para o banco de suplentes.

Significa isto que Javier Saviola arrumou as botas no Benfica e que o clube pode e deve vendê-lo sem remorsos na janela de mercado de Janeiro? Não me parece nada evidente esta ideia. Se não houver surpresas, o Benfica ainda estará na Liga dos Campeões quando estrearmos 2012 e vai continuar envolvido na disputa pelo título. A juntar aos castigos e às lesões, haverá inevitavelmente quebras de forma e necessidade de rotação. Saviola pode passar de ativo evidente a arma secreta. Ao que se sabe, Jesus conta com ele, Aimar gostava de manter a dupla, todos os ligados à equipa sentem que a fonte está longe de secar. Os adeptos do futebol, clubismos à parte, gostam de ter craques por perto. Pelo que a guia de marcha a Saviola seria um erro a viajar muito além do simbolismo da austeridade. Há outras frentes de fogo a combater primeiro.PS – Com mais ou menos dificuldade, Portugal chega à sétima fase final consecutiva em Europeus e Mundiais. Foi o último a apurar-se? Há que aprender a lição mas, em hora de festa, vem-me à ideia a velha frase de que os últimos podem sempre ser os primeiros…

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:55

Novembro 23 2011

Cada tiro, cada melro, a condizer com o arrefecimento de que fomos vítimas nos últimos dias. A saber: a impunidade com que a Federação bósnia pode marcar um jogo que é metade de uma decisão final para um campo a que já se chamou tudo, menos relvado. Não é um exercício de autonomia, é a pura prática da estupidez. Resultado à parte, num momento em que é vital valorizar o espetáculo para fazer face ao impacto da crise europeia, pergunto: e se houver lesões por causa de um terreno mais propício à horticultura, quem as paga? A UEFA? Segundo andamento deste extenso rol de frescuras: a entrevista de José Bonsigwa, sinal exterior daquilo que já se adivinhava como a rutura definitiva (à escala do futebol) entre o atleta do Chelsea e o selecionador Paulo Bento. Este começa, talvez, a juntar demasiados casos no seu currículo, fazendo lembrar as ventanias no balneário do Sporting. Mas Bosingwa poderia e deveria ter esperado: falar assim, a poucos dias do início da eliminatória final, não abona a seu favor.

Podíamos passar pelas épicas conferências de imprensa de Vítor Pereira, já transformado em cruzado do portismo, espadeirando em todas as direções – exceção feita, claro está, ao grande líder. Insisto: a vitimização foi chão que deu uvas e, a este nível, não passa de uma marca de incapacidade. Mais sintomáticas são as atitudes de jogadores como Alan e Djamal, que vieram “denunciar” o racismo expresso por Javi García. A alguns dos homens do Sporting de Braga (na “tradição” de Vandinhos e Mossorós) desejo o mesmo que às salsichas: que cumpram bem a sua função. Mas não quero saber de que matéria são feitas, sob pena de nunca mais me aproximar de nenhuma. Alguém acredita que um insulto deste género e alcance se guarda de um dia para o outro, reacendendo-se a indignação depois de uma noite de sono bem dormido? Ou será que o antigo jogador do FC Porto só percebeu na manhã seguinte, o que faz dele um mentecapto? Duas questões lineares: desde que foi lançada a “polémica” do racismo, nunca mais foi referido o problema – objetivo – dos três-apagões-três que se abateram sobre o jogo e nem chegou a ser discutida uma das mais infelizes arbitragens de Pedro Proença (agressões num só sentido, penáltis ao contrário). Quanto a Javi, recorro ao que aqui mesmo foi escrito a 28 de Setembro passado: “Chegou a hora de Javi García. (…) Fica designado o sucessor de Katsouranis, Bynia e David Luís no “esquadrão da morte” recrutado pelos encarnados. (…) Um caceteiro, um violento. Mas porquê ficar por aí? Pirata, sevandija, assassino, que sei eu?” A diferença é que, desta vez, a tentativa de assassínio de personalidade é feita dentro de campo e por colegas. Tão brutos como Brutus.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:48

Outubro 19 2011

Podiam ter avisado… Se o tivessem feito, evitavam uma deceção que, de tão expressiva, já desfez o “estado de graça” de Paulo Bento – mesmo quem ganha cinco jogos consecutivos e reabilita uma seleção, que antes andava em ebulição (comportamental, não criativa) desde o estágio que antecedeu a partida para a África do Sul, não pode assinar por baixo uma exibição como a que vimos ontem, com um resultado dos mais lisonjeiros que já beneficiaram as cores nacionais. Podiam ter avisado que João Pereira ia continuar a sua campanha benemérita, especialmente para com Krohn-Dehli, que Eliseu se esqueceria de levar a caixa de velocidades para poder perseguir um veterano como Rommedahl, que os centrais passariam o jogo inteiro a brincar às escondidas, que o meio-campo sofreria de amnésia coletiva face às suas tarefas moderadoras e pró-ativas, que Ronaldo e Nani apareceriam armados em aderecistas, adornando até ao cansaço jogadas que nunca passaram de cenários de ilusão, que Hélder Postiga mandaria para campo o seu gémeo, mais lento e mais inútil.

Tudo aquilo que poderia ter servido de lição desde a passada sexta-feira, com tremideiras e arrepios no Dragão, valeu afinal a insistência. Os dois inícios de jogo, em cada uma das partes, foram confrangedores. A falta de dinâmica, de contenção, de fio de jogo, de controlo dos andamentos agravou-se. A insegurança defensiva foi tão gritante, abrindo vias rápidas às cavalgadas vikings (e vá lá que eles não quiseram maçar-se muito, no fim), que é milagre só termos sofrido dois golos. Claro que de João Pereira, Rolando, Bruno Alves e Eliseu para Bosingwa, Ricardo Carvalho, Pepe e Fábio Coentrão, a diferença é muita. Mas não explica tudo. E mais: os lesionados recuperam mas, quanto aos outros, são urgentes as campanhas para as respetivas (re)integrações.

Paulo Bento fez muito, dando vida ao cadáver legado pelo seu antecessor. Mas espero que tenha percebido agora que, entre a má disposição contínua e uma certa tendência autista, é urgente repensar muita coisa. Ninguém lhe pede que deixe de decidir pela sua cabeça. Mas é fundamental que ouça outras opiniões, que as analise e pondere, sobretudo se quem lhas garante não tem contrapartidas na volta do correio. Jogar na Dinamarca com os mesmos onze e insistindo nas mesmas fragilidades exibidas em jogo caseiro com a Islândia deixa de ser incompreensível – torna-se inaceitável.

Com todas as grandes seleções já apuradas (Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália, Holanda, França, Rússia), aí vem outro playoff. Vamos pensar nisto: para chegarmos à fase final e jogarmos assim, muito francamente mais vale não sairmos de casa. Em energia e em dinheiro, afinal, sempre se poupa alguma coisa.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:09

Setembro 27 2011

O imprevisto empate do FC Porto frente ao Feirense, ainda mais surpreendente porque os campeões vinham dando excelentes sinais de assimilação das particularidades de Vítor Pereira, pode ter aberto portas a um clássico que ajude a resgatar de vez a ideia de que o futebol em Portugal não precisa de ser sempre uma fórmula ou uma batalha, também pode afirmar-se como espetáculo.

Se a vantagem pontual dos nortenhos ainda se mantivesse, poderia o Benfica reclamar que a exibição necessitava de subordinação ao resultado, uma vez que era fundamental não deixar estender a vantagem do líder. Assim, uma derrota no embate do Dragão não ganha a chancela de irreversível, não justifica ainda o carimbo de irremediável. O que é um bom motivo para que ambas as equipas, precisamente aquelas – com o devido respeito pelo Braga, em mudança, e sobretudo pelo Sporting, em reconstrução – que melhor futebol praticam, possam finalmente pôr em campo os trunfos de que dispõem, de uma forma que não se fique pela vergonha, pelo taticismo, pela obsessão de manietar os ases do adversário, pelo calculismo dos pontos ou dos troféus. É, porventura, uma ocasião única para deixar saltar os artistas, para dar poder aos operários, para que a criatividade e o sacrifício, o talento e o suor nos reconciliem de vez com o que resta de pureza e beleza no futebol, tão cheio de podridão, de mascaradas, de “habilidades” e chico-espertos.

Adivinho que haja muitos que, aqui chegados, já se cansaram do romantismo e da utopia que há neste desejo, pouco condizente com a época, com os orçamentos, com as mentalidades. Lamento, mas não chega para me fazer mudar de ideias – eu sou daqueles que sonham com a possibilidade de, quando os hunos se calarem e os domínios passarem de mão, voltar a ver FC Porto e Benfica a disputar jogos amigáveis e a manterem relações cordiais, ao ponto de cada encontro entre as duas equipas ser (de momento, tendo em conta as dificuldades do Sporting) o expoente que se pode oferecer ao consumidor nacional, em vez de ser gerador de tensões irracionais, de comportamentos bélicos, de flashes de vergonha para quem tem que explicar a um filho o que o apaixona e o arrebata no futebol.

Um primeiro passo cumprir-se-á se dirigentes e jogadores (mas estes, reconheçam-se, raramente são culpados) mantiverem o silêncio ou o bom senso. Se o árbitro não for imediato motivo de desconfiança. Se os técnicos evitarem a arrogância e o baixo nível. Depois, só falta que na sexta-feira Hulk e Gaitán, Defour e Witsel, João Moutinho e Aimar, Kléber e Saviola, Rolando e Luisão, Helton e Artur façam mais do melhor que sabem e podem. Se o futebol ganhar, num jogo destes, quase apetece dizer que não há quem perca.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record


publicado por Benfica 73 às 01:06

Setembro 22 2011

Em três minutos, pareciam descer sobre o Dragão todo o dramatismo e toda a magia do futebol. Primeiro foi Hulk que fez o que não costuma, teleguiando uma bola desde a marca de penálti até à base de um dos postes da baliza dos ucranianos. Depois foi Helton que deslizou, deixando por completar uma defesa em que nada parecia poder perturbá-lo. Seguramente, houve quem pensasse que perante os reveses da fortuna, o FC Porto – amputado de Sapunaru, Guarín e sobretudo Rolando, apostado em mostrar a compatibilidade entre Moutinho e o recém-chegado Defour (fez ontem o segundo jogo como titular) e disposto a reconhecer a importância de Fernando, pouco rodado esta época – iria tremer.

Esqueceram-se esses adivinhos da importância indesmentível que tem para uma equipa (e para o clube) o facto de estar a completar 300 jogos em competições europeias, mantendo nas últimas épocas uma cadência galopante de presenças na Liga dos Campeões. Além disso, não tiveram em conta que boa parte da espinha dorsal dos campeões que assinou a fantástica campanha na Liga Europa da última época se manteve e, apesar dos anunciados amuos por culpa de saídas frustradas, não perdeu gás. Mais: no elenco, há gente nova a quem se vaticina largo futuro mas que parece empenhada em garanti-los desde já. Defour e Kléber são exemplos, James Rodríguez é porventura o caso mais categórico do presente momento, uma vez que joga, acelera, finta, desmarca, remata e assiste com classe que desmente a sua idade. Ontem, este verdadeiro prodígio colombiano valeu um penálti (mesmo falhado) e partiu a loiça toda na jogada que culminou no segundo golo. Hulk redimiu-se mas não fez o melhor dos seus jogos. E até Helton teve ocasião de mostrar que só nos melhores se notam os acidentes de percurso.

Fundamentalmente, onde se esperava coração, o FC Porto respondeu com alma, é certo, mas sobretudo com uma aula de competência e de eficácia que lhe permitiu virar o resultado e dominar a partida. Não fez uma exibição de êxtases? Claro que não. Mas deu um enorme passo para diluir os eventuais fantasmas que um naipe de adversários, mais complicado do que parece, poderia vir a colocar-lhe. Acabou, sem favores do árbitro, a jogar contra nove e a rodar atletas como Djalma e Varela. Nesta “loja” de 300, confirmou-se, não há saldos… nem fiados. E geralmente quem paga são os adversários. Possam outras equipas portuguesas perceber como se faz. Neste caso, copiar não é pecado.

NOTA – Por tudo isto, é inútil e desagradável ver Vítor Pereira, que começa a deixar a sua impressão digital, desgastar-se em quezílias e em bravatas. Perde tempo e perde identidade já que, nessa esgrima particular, nunca será Villas-Boas. E muito menos Mourinho.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:40

Setembro 11 2011

Há poucas sentenças no Mundo que me causem tanta confusão – e uma generosa dose de revolta – como aquelas que resultam de julgamentos viciados, em que o acusado (invariavelmente a parte mais fraca de um litígio que, em múltiplas ocasiões, nem se compreende como aconteceu) não tem direito a uma defesa digna, se é que chega sequer a ser ouvido. O universo do futebol não é, infelizmente, exceção a estes atropelos à ética e à dignidade. E os casos repartem-se.

Tenho como estranha a decisão do FC Porto não inscrever, na sua lista de disponibilidades para a Liga dos Campeões, os nomes dos brasileiros Alex Sandro e Walter. O segundo foi, desde cedo, um mal-amado de André Villas-Boas que, perante os impedimentos de Falcão, preferiu improvisar Hulk como ponta-de-lança a abrir as portas ao avançado brasileiro. Saído o colombiano, arribado Kléber, a situação não se altera. E o campeão nacional opta por enfrentar a campanha de grupos com um só artilheiro de raiz, em vez de dar uma oportunidade a Walter. Não se compreende, neste quadro, porque não saiu. O caso do defesa é diferente: apesar da lesão que o incomoda, o preço pago (9 milhões de euros, ao que se sabe) justificaria a sua inclusão na grande montra, uma vez que a maleita não há-de durar mais três meses e meio. Não se compreende, neste quadro, porque entrou.

Pior, muito pior, é a situação de Capdevila no Benfica. Campeão mundial e europeu, desejoso de mudar de ares e a caminhar para o final de carreira, acreditou no projeto dos encarnados. Foi-lhe acenada a bandeira da Champions como chamariz para uma assinatura rápida, sabendo-se que era um jogador disputado, pela sua experiência e pelo seu valor intrínseco. A exclusão do elenco do Benfica para a Liga milionária é, apetece dizê-lo, um golpe baixo, sobretudo quando as suas chamadas à competição se limitaram à partida particular com o Arsenal e a um jogo de campeonato. Isto enquanto se desenrola mais um folhetim que tem como protagonista César Peixoto, que acaba por ser inscrito pelo clube depois de ter “aceite” atuar a defesa-esquerdo. O precedente – a não haver alguma explicação mirabolante – é grave. A atitude com Capdevila é, no mínimo, indigna de um clube com a grandeza do Benfica.

Finalmente, Hélder Postiga. Vender o ponta-de-lança titular da Seleção Nacional por um milhão é a mesma coisa que escorraçá-lo – não é saldo, é liquidação total, é empurrá-lo com maus modos até à porta de saída e declará-lo persona non grata. Ainda mais quando vinha sendo, apesar de todos os reforços, a primeira opção de Domingos Paciência. E, acreditem, não foi por ele que o Sporting entrou às avessas na temporada. Mas alguém tinha que pagar a fatura, não é?

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:10

Setembro 08 2011

O mais certo é eu já estar atacado pela decadência comparativa que traz a Idade da Nostalgia – “nada é tão bom como já foi, nada é tão mau como agora” vale como livro de normas – ou já começar a registar deficiências no “disco rígido”. A verdade é esta: o princípio de temporada futebolística que estamos a viver não terá efetivas novidades no cardápio que nos tem sido servido. Mas que elas se sentem de uma forma muito mais rápida, bastando lembrar que só hoje agosto apresenta as suas despedidas, e incomparavelmente mais intenso.

Ora vejamos: já tivemos a nossa chicotadazita em equipa de topo, depois de o Vitória de Guimarães ter jogado e perdido uma partida de campeonato (frente ao todo-poderoso FC Porto e graças a um golo de penálti que pode vir a entrar na lista das atenções a retribuir pelos do Dragão) e ter sido eliminado com uma dupla derrota no playoff da Liga Europa (diante de um Atlético Madrid que não deixaria de fazer miséria com a esmagadora maioria das equipas nacionais). Para mais não teve tempo Manuel Machado, a quem a competência provada em várias frentes no país continua a não chegar para fazer milagres na sua terra e no seu clube. Para não variar, os emissários do Vitória definiram Paços de Ferreira como horizonte e, agora, abrem uma oportunidade mata-mata a um treinador (de que gosto muitíssimo mas) que talvez precisasse de mais uma ou duas épocas de maturação. Só que agora já não há tempo.

Antes de estar concluída a 3.ª jornada, também já atravessámos a habitual escandaleira montada em torno da arbitragem e, evitando ingenuidades, também aproveitada por ela. As novidades? Um dirigente de um grande clube a dizer abertamente que o Sporting só não reagiu diante da arbitragem de Aveiro (jogo com o Beira-Mar, 0-0) por se tratar de um árbitro menor; um presidente que prosseguiu a “época de caça”, descobrindo em Pedro Proença o culpado pela derrota com o Marítimo (2-3); enfim, um treinador que continua a dar lições de lucidez (mas vai resistir até quando?) ao afirmar que, perante exibições como aquela que a sua equipa assinou, nem vale a pena falar de arbitragens…

O drama das transferências de última hora, que podem resolver as finanças mas destroçar uma época desportiva, também está a ser vivido com tensão invulgar, em especial para os lados do Porto. Afinal, o clube onde todos se sentiam bem e em casa também deixa transparecer muitos candidatos à mudança. Até ao fim do dia de hoje se verá quantas mazelas terá o clube que reparar para prosseguir o “destino”. Com uma certeza: mesmo sem o saber, Jorge Nuno Pinto da Costa já tinha uma solução para cada uma das questões. É coisa que só acontece aos génios, aos adivinhos e aos fala-barato.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:06

Setembro 03 2011

Um, mais drástico e impaciente do que nunca, exige a “demissão” de Vítor Pereira. O outro, bem menos bonacheirão e civilizado do que noutros tempos, vocifera pela “irradiação” de João Ferreira. De repente, os comentadores ao serviço do Sporting – que, por coincidência ou não, assumiram ou assumem papéis de relevo na estrutura diretiva do clube – sentem a necessidade de convergir para a linguagem oficial num ataque à arbitragem que, com maiores ou menores razões de suporte, é desajustado na forma e no tempo, parecendo destinado ao fracasso. Ambos estiveram ligados a sectores de oposição ao presidente eleito, Godinho Lopes, o homem que protagonizou um volte-face nas disponibilidades económicas imediatas do clube e uma inédita revolução do plantel, fatores que pareceram abrir portas a um reencontro da alma leonina, apoiada na chama ganhadora de Domingos Paciência e na experiência acumulada (de negócio, de bastidor, de afirmação) da dupla formada por Luís Duque e Carlos Freitas.

Em poucas semanas, o quadro mudou radicalmente. A gritaria em torno da arbitragem – independentemente da razão de queixa que assiste ao Sporting pelos disparates de Carlos Xistra na primeira jornada – parte de um erro: toma como precedente e como exemplo aquilo que o Benfica fez no ano passado. Mais avisado teria sido olhar para essa precipitação da direção encarnada como uma lição… a não repetir. Contas feitas, o Benfica nada ganhou com a posição de força assumida. Da mesma forma, fico com a ideia de que o Sporting só arranjou lenha para atiçar o fogo em que será o primeiro a queimar-se.

Não há cortina de fumo que impeça sócios e adeptos de ver o que realmente se passa. Tudo fica claro quando um antigo presidente do clube como o atual técnico vieram a público despedaçar o efeito da aplicação do “véu diáfano da fantasia”. Dias da Cunha pôs o dedo na ferida ao garantir que, se o tivesse comprado um Nolito, não estaria agora a “choramingar”. Já Domingos Paciência, apesar dos charters de jogadores que aterraram em Alvalade, continua a clamar por reforços. Acontece que uma equipa que faz uma primeira metade de jogo como a que rubricou em Aveiro, onde nem chegou à figura de corpo presente, tem alguma dificuldade em encaixar no papel de vítima.

Já agora: se há um – único? – dado saudável neste rugido do leão, ele é o ganharmos a certeza de que o Sporting tem uma voz. Depois do prolongado e ensurdecedor silêncio dos seus responsáveis ao longo das fases mais quentes do Apito Dourado, tinham sobrado algumas dúvidas. Resta saber se não é exatamente este atraso a causa do desajustamento e se os dirigentes atuais não vão precisar de terapia da fala.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:14

Agosto 24 2011

Depois do jogo na Holanda, é possível enumerar algumas certezas relativamente ao presente e ao futuro próximo do Benfica. Primeira: a alegada incompatibilidade, num mesmo onze, de Pablo Aimar e Alex Witsel é um disparate inventado por teóricos, que a criatividade inquieta do argentino e a disponibilidade múltipla do belga (para já, a mais útil e eficaz das aquisições dos encarnados) desmentem a cada lance. Segunda: a troca do milionário Roberto pelo discreto Artur é uma bênção para os que sofrem quando a bola se aproxima da baliza do Benfica e pode ser uma “maldição” para as ambições de Eduardo. Terceira: por mais detratores que colecione, por maior que seja o desespero pelos seus longos períodos de inatividade em campo, Oscar Cardozo há-de deixar muitas saudades no dia em que partir. Quarta: quem esperar de Nico Gaitán uma produção constante de lances vertiginosos e virtuosos, talvez ganhe em fazê-lo sentado, uma vez que o jovem argentino revela-se em fogachos e momentos, não em continuidade, parecendo além disso precisar de um banho de motivação. Quinta: é fundamental aproveitar até ao limite o estado de graça de Nolito que, com mais instinto do que saber e com mais alma e fúria do que frieza, lá vai deixando a sua marca em jogos consecutivos.

Dito isto, não é possível deixar de acrescentar que, com outra ambição, o Benfica teria chegado à vitória nesta primeira partida com o Twente, apesar da meia dúzia de intervenções decisivas de Artur. De um modo diferente do que aconteceu em Barcelos, mas com o mesmo desfecho (até no resultado), sentiram-se ocasiões de adormecimento que são incompatíveis com as anunciadas ambições da equipa. Para já, ainda vale o benefício da dúvida, devido por estarmos no princípio da época. Mas as próximas partidas vão definir se este Benfica 2011/2012 se aproxima mais do seu antecessor imediato ou do seu antepassado da primeira época de Jorge Jesus no clube.

Deseja-se que, no jogo em que vai ser anfitrião e que pode (deve!) abrir a porta aos milhões da Champions, se cumpra a tradição com Co Adriaanse – que continua igual a si próprio com “mind games” primários e “bocas” fora de contexto –, que nunca ganhou uma partida ao Benfica. Já que se convoca a tradição, seria igualmente ótimo que ela se aplicasse ao Portugal-França de mais logo, na meia-final do Mundial de Sub-20. É que, ao contrário dos seniores, onde os gauleses são a nossa besta negra, nesta categoria nunca venceram os portugueses. Além disso, apresentam-se como favoritos. E também isso é um hábito que favorece os nossos, que preferem jogar sem a pressão do favoritismo. Ainda por cima, a uma etapa apenas do sonho final. Haja físico, que o talento está lá.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:28

Agosto 19 2011

Já se sentem as marés vivas da nova temporada futebolística, com o campeonato a começar a sua marcha lenta – de sexta a segunda, como mandam as regras unilaterais das estações de televisão – e com o preâmbulo da Supertaça. Jogada em Aveiro e com estádio bem preenchido, não contrariou a lógica. Ou seja, acabou por haver Guimarães a menos, sublinhando algumas debilidades e limitações já expressas por via europeia dias antes, para o FC Porto que – até ver – mantém o essencial do seu elenco artístico, muito embora os adeptos continuem a desfiar, como num rosário, os dias que faltam até ao encerramento do mercado. Só a partir daí se poderá dizer que o clube cumpriu mais um destino original: ser representante de um país periférico e sem orçamentos de luxo, vencer uma prova europeia e não vender um único dos seus titulares.

É certo que André Villas-Boas, o técnico das quatro vitórias, trocou a “cadeira dos sonhos” pelo “sofá do conforto”, obrigando o seu novo patrão a pagar cara a sua mudança entre azuis. Valendo-se dos seus reconhecidos dotes de ator, Jorge Nuno Pinto da Costa optou por uma solução interna e chamou-lhe “a mais fácil da sua carreira”. Adiante se verá se a facilidade andou de braço dado com a eficácia mas, para já, Vítor Pereira cumpriu – com inquestionável justiça – o destino a que o clube do Dragão garante ter direito: ganhou. Mas não deixa de ser estranha a passividade até agora verificada diante de valores como Falcão, Alvaro Pereira, Guarín, João Moutinho, Rolando, Fernando (que, já se percebeu, será o bode expiatório dos primeiros tempos, com adeptos destacados a tentar explicar que, afinal, o moço nunca valeu grande coisa…) e até o intocável Hulk, mais conhecido como “o senhor cem milhões”. Num clube que nunca escondeu a necessidade de vender uma-duas pérolas por época, é estranha a calmaria, sobretudo se pensarmos que, hoje, o FC Porto compra um lateral (Danilo) por um preço mais alto do que o praticado para vender outro (Cissokho) há um par de anos. Mais: é a primeira vez que me lembro de ver um clube português pagar (bem) acima da cláusula de rescisão. Haja vontade!

Com tudo isto, não sei mesmo se o destino do FC Porto – e salvaguardando tudo o que pode mudar até 31 de Agosto, entre as saídas que Pereira não quer e as entradas que deseja – não vai alterar-se. Para sossego dos que gostam de continuidades, há coisas que nunca mudam. Pinto da Costa já reservou a piada da época, ao referir que não trocaria Hulk por Cristiano Ronaldo. E já atirou a primeira pedra, ao referir-se à transferência de Roberto para Espanha como “milhões da treta”. Percebe-se, pela segurança, que não tem telhados de vidro – não há quem lhos descubra. É o destino.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:46

Maio 28 2011

Sou um admirador de longa data – e com prova escrita – do trabalho televisivo da jornalista Fátima Campos Ferreira, em particular da moderação que, na esmagadora maioria das ocasiões, consegue imprimir ao “Prós & Contras” (RTP) que é, em múltiplas circunstâncias, uma “arena” difícil de tornar útil e apresentável. Fátima, insisto, consegue um rácio muito apreciável na condução do programa. Esta ideia, repetida, deixa-me à vontade para concluir que prestou um mau serviço à informação e ao canal para o qual trabalha com a entrevista que anteontem realizou a Jorge Nuno Pinto da Costa.

Primeiro: não estava suficientemente preparada. Só isso explica que tenha designado um dos troféus em exposição como correspondente à Taça da Liga, precisamente a única competição que o FC Porto não ganhou esta época. Só assim se entende o erro de pensar que o alegado jantar de Pinto da Costa, agora investigado pela Procuradoria-Geral da República, com um árbitro holandês tivesse ocorrido em Espanha e não em Matosinhos.

Segundo: nunca foi capaz de marcar uma linha condutora para a conversa, saltando do ponto de vista desportivo para o pessoal, quase ignorando as questões orçamentais e do passivo do clube/SAD (aqui deu “carta branca” para que o presidente portista disparasse duas ou três verbas, sem exercer qualquer contraditório).

Terceiro: permitiu – e, por vezes, com um sorriso de anuência – que Pinto da Costa mantivesse a sua estratégia de ódio irónico contra alguns jornais, desportivos ou não, contra algumas personalidades, sejam elas os “fedorentos” (Domingos Amaral passou, por força de uma crónica, a integrar a trupe dos humoristas...) ou o “meia-tigela” (o vice-presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva, outra vez alvo indefeso da verborreia do timoneiro) e um político (o presidente da Câmara Municipal do Porto). Volto a estar descansado neste particular: da mesma forma que defendi que a abertura dos Paços do Concelho ao FC Porto na sequência de uma grande vitória internacional não beliscaria a fronteira entre política e futebol traçada por Rui Rio, consigo perceber que, apesar da apregoada indiferença, Pinto da Costa não perdoa ao autarca. Da mesma forma que não suporta o Benfica. Já agora: convém que alguém explique a Pinto da Costa que as edições on-line permitem que um jornal português possa referir uma notícia do mesmo dia de um jornal espanhol sem que haja aqui batota ou tráfico de influências.

Fátima Campos Ferreira terá presumido que não seria preciso engalanar-se nem vestir o fato de operário para entrevistar Pinto da Costa. Errou. Apresentou-se de traje de passeio e só deu direito a que o seu interlocutor aproveitasse aquilo que garantiu não ver: um tempo de antena.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:21

Maio 23 2011

Dirão os do costume que é fácil pregar de fora, quando se está longe da gigantesca pressão de hora e meia que equivale a uma final europeia. Dirão esses e outros que a defesa que aqui promovo terá sobretudo a ver com a equidistância a que me mantenho das duas equipas portuguesas que, com inteiro mérito, vão entrar em campo mais logo na capital irlandesa. Não costumo perder tempo com quem pensa pequeno e ainda menos com quem faz questão de raciocinar por métodos tortuosos – e, infelizmente, são seitas desse calibre que poluem muito o mundo do futebol.

Mantenho aquilo que já disse noutro quadro: espero um bom jogo de futebol, afinal de contas a única resposta desejável a este quadro histórico (e dificilmente repetível) que é dispormos de equipas portuguesas de ambos os lados da barricada de uma final europeia. Se é verdade que as nossas competições internas não podem ombrear com as de outros países – mais ricos, mais populosos, mais organizados, menos periféricos –, não é menos certo que esta proeza pode obrigar os amantes do futebol a olhar para nós de outra forma, e não apenas como mercado abastecedor de craques que, sendo nativos lusitanos ou sul-americanos em trânsito, acabam por amadurecer e crescer aqui, adaptando-se inclusivamente às leis exigentes do futebol europeu, para depois irem render para outras paragens. Não nos favorecem os orçamentos, nem na bola nem no resto. Mas é sabido que, em múltiplas ocasiões, se descobrem antídotos para o poder do deus-dinheiro e, com trabalho, disciplina, talento e alma, ainda se consegue contrariar a fria lógica empresarial que poderia já dominar por inteiro o futebol.

Em Dublin, FC Porto e Sporting de Braga defenderão orgulhosamente as respetivas cores. Têm trunfos e têm craques para fazer brilhar. Mas gostava que não se esquecessem que também representam Portugal e podem, com uma boa partida e uma boa estada, retirar enormes dividendos para o futebol local. Terá a UEFA deixado entender que uma final com um só país é uma festa meio estragada. Julgo que a melhor resposta, a nossa possibilidade de estragar a festa por completo, é um jogo que fique na memória de muitos, a juntar ao comportamento de duas massas adeptas que possa ser relembrado por todos. Que ganhe o melhor e que sejam ambos muito bons, antes, durante e depois.

NOTA – Ser ridiculamente pequeno, na grandeza – poderia ser esta a frase para definir Jorge Nuno Pinto da Costa, que se prepara para mais uma final europeia e não consegue libertar-se da obsessão Benfica, desta vez recuperando a mão de Vata. Qualquer livro de Psicologia Elementar explica – é complexo de inferioridade, recalcado. Só não consegue explicar porquê. Nem indicar cura. Já vai tarde.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:11

Maio 17 2011

Com o passar do tempo, com os tristes espetáculos a que assisti no que toca à tortura e ao desperdício das palavras, tornei-me um adepto convicto em defesa dos que só falam quando têm algo a acrescentar. Ou a inovar. Ou a salvaguardar. As principais culpas para esta desconfiança face aos fala-barato, empossados em vendedores da “banha da cobra”, como se dizia noutras eras, não moram sequer no mundo do futebol – basta verificarmos a diária enxurrada de disparates que a política nos vai assegurando para termos a certeza que mesmo os mais palradores dirigentes desportivos são meninos de coro se tomados em comparação.

Acontece que, neste final de época, de epopeia para o FC Porto e para o Braga, de naufrágios (diferentes, ainda assim) para Benfica e Sporting, toda a gente – leia-se: presidentes – tem falado. Ora não deixa de ser curioso que aqueles que vêm dando boa conta de si são sobretudo os perdedores. Vejamos: António Salvador, incapaz de prever o arranque final de Domingos Paciência, deixou que ele se escapasse. Não vai ter o futuro facilitado depois das duas épocas que o antigo artilheiro rubricou por terras minhotas. Mais: foi ele quem primeiro levantou o véu sobre a partida do técnico, ainda antes de resolvida a questão do terceiro lugar e, sobretudo, antes de disputada a final da Liga Europa. Pinto da Costa, igual a si próprio quando chega a temporada de almoços e jantares, voltou a falhar rotundamente a hipótese de ser magnânimo, ao recuperar – ainda?! – o “campeonato do túnel”. Parecem, sobretudo com André Villas-Boas e outros em alta na estrutura portista, começar a faltar-lhe razões para prolongar um consulado a que já acrescenta pouco, no humor ou na magistratura de influência.

Godinho Lopes ganhou por falar claro: primeiro, ao exortar os adeptos do clube a que preside a alegrarem-se mais com vitórias próprias do que com desaires alheios (no caso, os do Benfica). Falou na verdade desportiva, sem o receio atávico dos seus antecessores. E foi direto: o quarto lugar será um fracasso, já do seu mandato.

Finalmente, Luís Filipe Vieira esclareceu os seus: não haverá instabilidade quanto ao treinador e não deverá voltar a haver bravatas e vitórias “antecipadas”. Fez bem, no tom e na hora, o mea culpa que se impunha depois de uma época que, após tantos voos iminentes, acabou em queda livre. Mas deixou, em contraponto, uma ideia de firmeza que, como o próprio admitiu, poderá não agradar a todos. Casou-a com algo que pode ajudar a fazer a diferença, sobretudo se todos os que trabalham sob a sua orientação e responsabilidade, o seguirem em uníssono – a humildade, que só fica bem a quem perde. Como ficaria bem a quem ganha, mas isso seria pedir de mais.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:58

Maio 10 2011

Caso o futebol dinâmico e consistente do FC Porto não seja acometido por nenhuma síncope durante a visita a Espanha, na Liga “do nosso contentamento” há um dos duelos já resolvido. Com Falcão a subir ao céu (e tem tempo de salto para isso...), com Guarín a dar razão a Jesualdo, mesmo “a título póstumo”, com Hulk a regressar ao seu posto de municiador depois de se ter encarregado da componente executiva, com Fernando majestoso, com Moutinho como mais-valia incontestável e a fazer sorrir aqueles que o compraram como “maçã podre”, com Helton no melhor ano de sempre, Rolando em confirmação, Otamendi em plena adaptação e Alvaro Pereira sempre como um TGV, com tudo isto e um treinador que calou muitas dúvidas, incluindo internas, e suscitou novos entusiasmos, incluindo externos, parece estar entregue – e bem – uma parte da final de Dublin.

Daí à bravata, vai um passo. Ora há pouco mais de um ano, executivos e torcedores portistas desvalorizaram a então estreante Liga Europa – que era de segunda, uma taça de consolação, uma quase repescagem. Porquê? Simples. Por essa altura (quartos-de-final) só lá andava uma equipa portuguesa, a do Benfica, e era preciso baixar a cotação. Volvida uma época e não tendo o FC Porto chegado à Liga dos Campeões por demérito próprio e por facilitismo com o Braga, o discurso já mudou. Agora, já nem o Real Madrid os travaria (!) e esta equipa já só se equipara à de 1987. Mais umas épocas e ainda vamos perceber que o clube de Pinto da Costa ganhou a Liga dos Campeões de 2004 contra o técnico setubalense...

Do outro lado, Benfica ou Braga. Insisto: para os minhotos, a missão está mais do que cumprida e, a menos que a substituição de Domingos e a renovação do plantel se transformem em desastres, a Europa terá outra atenção quando vir aparecer o nome destes guerreiros do Minho. Pena, nesta maré europeia, os incidentes de domingo, porventura sinais de que a beatificação dos túneis do estádio do Braga, que alguns pretendiam, teria sido um erro crasso – e vamos ver que provas se juntam agora...

Quanto ao Benfica, pasmo ao ouvir a tese de alguns adeptos, que dão como preferível a eliminação frente ao Braga do que a humilhação na final frente ao FC Porto. Cada vez percebo menos: então agora, o dado é querer perder por “falta de comparência”? Entrega-se assim o percurso centenário de um clube que só ganhou provas europeias quando as suas possibilidades de êxito eram consideradas ínfimas (contra Barcelona e Real Madrid)? Quando despertei para o futebol, a frase “sem medos” era voz corrente no Estádio da Luz. Não valerá a pena, aproveitando os saberes acumulados, usando a experiência desta época, recuperá-la e enfiá-la na bagagem para a Irlanda?

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:33

Maio 03 2011

Deus, nas suas infinitas sabedoria e misericórdia, evitou os extremismos: admitiu a existência de um Purgatório, entre o Céu e o Inferno. Já os homens, e em particular os do futebol, viram a cara a esse lugar intermédio entre o cenário da felicidade absoluta e a condenação à mais crua das expiações. A menos de um mês do fim da época, conquistado apenas o mais modesto dos troféus que lhe norteava a cruzada, o Benfica sabe que, daqui até final, não dispõe de uma terceira via: ou quebra um jejum de 49 anos sem conquistas europeias ou aceita a sentença de uma época falhada, com tudo o que isso acarreta de sangue, suor e lágrimas para os próximos capítulos.

Treinadores houve, bem recentemente, que nem a Taça da Liga conseguiram (Camacho, parte II) ou que, tendo conseguido levá-la para a Luz, tiveram direito a vaga de fundo para continuarem no clube (Quique Flores). Jorge Jesus ganhou a sua segunda Taça da Liga, interrompeu quase duas décadas de falhanços do clube em chegar a umas meias-finais europeias, perdeu em condições dramáticas o acesso à final da Taça de Portugal, dotou a equipa de uma capacidade invulgar para dar espetáculo e mobilizar adeptos. Mas são muitos os que, apesar do bom senso e da justiça presidencial, se preparam para exigir a sua cabeça se o Benfica não estiver na final de Dublin ou se, terminado esse jogo, não for Luisão a erguer a taça respetiva.

Parece injusto. Não porque Jorge Jesus não tenha errado, com invenções e teimosias que às vezes deixam incrédulos e desiludidos os torcedores benfiquistas. Não porque o técnico não tenha, nalgumas situações, “cantado de galo” cedo demais, acabando a realidade por lhe reduzir os ditos a um piar inconsequente. Mas, por tudo o que fez, pelo câmbio de mentalidade, pela atitude competitiva, não merece a continuidade? À distância de seis ou sete jogos do final da época – e a presença no sétimo pode valer o polegar ao alto ou a condenação em praça pública – tenho poucas dúvidas em defender que Jesus merece a terceira época.

Merece, acima de tudo, um tira-teimas com André Villas-Boas, o grande “culpado” pelas angústias existenciais do Benfica. Que sofre mais por causa das quatro derrotas em cinco jogos, por ter permitido duas festas portistas na Luz, por estar perto de deixar de ser o único campeão invencível. A única vantagem, agora, dos encarnados é que o FC Porto e o Braga já cumpriram e douraram a época. O Benfica tem três partidas para fazer por isso. Se matar o fantasma, pode lá chegar. Até porque há adeptos portistas que, embalados pela maré, já se apresentam como melhor equipa europeia da atualidade. Se não fosse tão idiota, faria sorrir Guardiola, Mourinho, Ferguson, Ancelotti...

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 02:07

Abril 22 2011

A pouco mais de um mês de se jogar a final da Taça de Portugal, partida que fecha o calendário oficial das principais equipas nacionais, o quadro é distinto para os três “grandes” e para o seu mais recente acompanhante. A contar os dias para as férias está o Sporting, a quem faltam três jogos para começar a exorcizar uma época tão penosa que nem o terceiro lugar parece bem encaminhado. É fácil perceber que adeptos e dirigentes queiram pôr uma pedra sobre o assunto. Quanto aos jogadores, muitos abalarão em maio com um enorme ponto de interrogação sobre as respetivas cabeças – será que voltam?

O Braga enfrenta um mínimo de cinco jogos e um máximo de seis, dependendo da Liga Europa. Apetece dizer que, mesmo que falhe Dublin e não confirme o último lugar no pódio do campeonato, esta será uma temporada inesquecível para clube e apoiantes, tal a cavalgada europeia e tão forte acabou por ser a recuperação a nível interno. O Braga deu um enorme passo em frente para se fixar como o tal quarto “grande”, evitando candidaturas alternativas. O hábito de ganhar e de se transcender começa a estar cimentado. Resta saber quais os custos do recomeço, a confirmar-se a partida de Domingos Paciência.

Ao FC Porto esperam-no, se ambas as meias-finais em que está envolvido correrem mal, um mínimo de seis encontros e, caso contrário, um máximo de oito (três de campeonato, três de Liga Europa e dois de Taça de Portugal). Atrevo-me a dizer que o compromisso está cumprido com a conquista do título, ainda mais se os comandados de Villas-Boas mantiverem a invencibilidade no campeonato e se balancearem para uma diferença de pontos ainda mais assinalável. A Taça de Portugal pode ser um bónus que, sem remissão, atirará o Benfica para horas amargas. Quanto à Liga Europa, seria menos doloroso para os portistas perderem agora com o Villarreal do que chegarem à final e serem derrotados por um dos parceiros lusitanos. Mas e se ganharem, fazendo jus ao favoritismo que lhes dão os apostadores? Será, na íntegra, uma época à Mourinho…

Por fim, o Benfica afina quase pela bitola do FC Porto quanto ao número de jogos, sabendo que tem obrigatoriamente mais um: a final da Taça da Liga já no próximo sábado. A decisiva diferença está nisto: para brindarem esta época e manterem “cara alegre” na próxima, os homens de Jesus não têm margem de erro. Ultrapassar hoje o FC Porto é imperativo de orgulho e, de seguida, amealhar as Taças da Liga e de Portugal. Quanto à Europa, por mais que isso custe a alguns, está obrigado a deixar o Braga para trás. Na final, para não ressuscitar fantasmas, só tem uma saída: ganhar aos novos campeões ou, a perder, que seja com o Villarreal.

O tempo é o mesmo para todos. Os desafios é que mudam. Muito.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 01:14

Abril 11 2011

Todos nós temos na memória, dos nossos anos de futebol praticado em quintais, em baldios, em ringues, até na rua, aquela figurinha embirrenta e prepotente do menino que, por acaso da fortuna, era o dono da bola. Todos nos recordamos de como o mui sublinhado sentido de propriedade da criatura multiplicava os seus direitos – escolhia os melhores para a sua equipa, escolhia o campo, não raras vezes inclinado, chegava a escolher o árbitro. Ainda assim, caso a marcha do resultado seguisse a um compasso que não lhe interessava, não tinha pejo algum em acabar a partida: simplesmente agarrava na bola e ia-se embora. Confesso que, terminado o Benfica-FC Porto do último domingo, foi de um cromo assim que me recordei quando vi – ou melhor: quando deixei de ver… – a lamentável atitude assumida por algum ou alguns responsáveis do clube de Lisboa, desligando as luzes do estádio quando os novos campeões festejavam o título e dando início ao sistema de rega.

Fiquei estupefacto, embora não tanto como os agentes policiais em serviço que podiam ter-se visto a braços com um berbicacho bem maior do que aqueles que tiveram de suportar antes do jogo começar. A última vez que vi fazer algo de semelhante foi em Camp Nou, quando a “armada invencível” de Guardiola tombou diante dos homens de betão comandados por José Mourinho. Não gostei do mau perder. Ainda menos posso apreciá-lo e, pior do que isso, tentar justificá-lo com atos do passado ou com delitos do presente: aquilo que salta aos olhos do país desportivo (pelo menos daquele que ainda não abdicou dos dois olhos e não adotou uma visão única dos acontecimentos) é um inqualificável ato de mau perder, só comparável a algumas arrogâncias dos que não sabem ganhar.

Pode pensar quem mandou pintar de negro o fim da noite na Luz que estava a prestar um serviço – de desforra – ao Benfica. Nada de mais errado: conseguiu que, além de o FC Porto ser um justo vencedor, do jogo e provavelmente do campeonato, os seus dirigentes ainda pudessem sair do estádio como vítimas. Permitir que Pinto da Costa exercite a sua ironia requentada (mas desta vez justificada) é perder a face não só no encontro e no campeonato, mas também naquilo que se considera ser uma cruzada, um dever em defesa da verdade no futebol. Quando se atira sobre o próprio pé, não se pode esperar que a dor apareça no pé do adversário. E a noite da Luz será lembrada não só como a do título em casa do rival mas também como aquela em que se apagou um bocado da “chama imensa”.

NOTA – Parabéns a André Villas-Boas. Só falta agora racionalizar o discurso. Parabéns a Nuno Gomes. Até na hora mais adversa, não deixou de pensar na equipa. Não é por gente como ele que a Luz (ou a luz?) se apaga.

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:27

Abril 02 2011

Vale a pena partir de um princípio básico: nem os sportinguistas precisam de lições de moral nem os responsáveis por outros clubes portugueses, em especial os chamados “grandes”, estão em condições de lhas dar. Ou seja, qualquer atitude sobranceira face às ocorrências de uma campanha e de uma noite eleitorais – o dia foi absolutamente exemplar e sintomático do desejo dos sócios fazerem ouvir as suas vozes, depois de um consulado desastroso para o clube – pode ser repelida com um simples espelho: selvagens infiltrados há em toda a parte e, assim, a única surpresa (e só para alguns) está na morte definitiva do Sporting enquanto clube da diferença e das elites. Nada disso: tem os mesmos problemas dos outros, agravados pelo estado das finanças e pelos resultados desportivos.

Este pressuposto inicial também não pode impedir a análise e o comentário a um processo eleitoral que, mais do que propostas, acabou por deixar feridas – tal foi o nível a que se desceu, com suspeições pessoais e ataques que ficaram por comprovar. Houve quem visse nas cinco candidaturas uma manifestação de vitalidade democrática. Não creio: Dias Ferreira, que tanto se esforçou para apresentar uma identidade de veterano outsider, é da mesma “família política” (e só falo do Sporting, como é óbvio) de Godinho Lopes. E lançar em simultâneo dois projetos de corte estrutural – os de Bruno de Carvalho e Pedro Baltazar – significou perder terreno para o establishment. Claro que foi em cada subgrupo que o tom entornou: Dias Ferreira não perdeu oportunidade de “marcar” Godinho Lopes, tal como Baltazar fez de Carvalho o seu inimigo principal. Com poucas vantagens, a não ser a demarcação de território para memória futura.

Na noite eleitoral, aquilo que aconteceu foi um triste epílogo da campanha, aliado a um processo de contagem de votos que, de tão obsoleto e demorado, foi ajudando a alimentar a especulação e ainda agora contribui para alimentar a dúvida. Houve contrainformação à solta? Claro que houve. Mas culpar a comunicação social e uma sondagem não desculpa a corrida à “cacha” (sensível sobretudo em canais de TV) nem anula a existência de múltiplos responsáveis, de Rogério Alves (e o “rumor” que ele acabou por corroborar) a João Lino de Castro (presidente em exercício da assembleia geral), que decidiu tornar-se protagonista às seis da manhã e tantas explicações deixou que acabou por baralhar ainda mais.

Acredito que a impugnação ficará pelo caminho. Mas se a missão de Godinho Lopes já era espinhosa, acaba por tornar-se ainda mais difícil, com um Sporting partido (até por uma perigosa fronteira etária) e que não vai dar-lhe tréguas, quanto mais estado de graça. O tom de verde continua escuro.

Autor: João Gobern

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 12:04

Março 24 2011

Com o campeonato entregue, já antes de Jorge Jesus ter demonstrado que quando fala em “poupanças” quer dizer “forretice”, tantas foram as alterações que o Benfica apresentou no domingo, com a Taça da Liga à espera de uma final de festa, com a Taça de Portugal em banho-maria, à espera do segundo embate entre os “grandes” e também do reencontro de Académica e Vitória de Guimarães, com a Liga Europa a arriscar-se – oxalá! – a contar com três clubes portugueses entre os oito sobreviventes, o universo futebolístico lusitano tinha de arranjar motivos de distração. Escolheu os piores.

Primeiro: a agressão a Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica e comentador televisivo. Dizer que foi cobarde é classificar por baixo; dizer que representa aquilo que de pior pode presenciar-se, no futebol como na vida, não vale como espelho da indignação que todos os homens de bem deveriam sentir perante um facto desta natureza, perante o cercear das liberdades de opinião e de expressão. Infelizmente, não é inédita. Presumivelmente, não será a última enquanto as massas de Benfica e FC Porto forem alimentadas pelo ódio e pela negação de convivência pacífica. O visado olhou a questão de forma correta e pedagógica, evitando confundir o sucedido com um clube, uma massa associativa, uma cidade ou uma região. Boas reações tiveram os técnicos benfiquista e portista, cada um ao seu estilo. Lamentável foi a atitude de Pinto da Costa, outra vez enlevado pelo seu próprio discurso. Ora o eterno presidente do FC Porto sabe que, faltando pouco tempo para as deslocações da equipa à Luz, as suas palavras (“simular”, “palhaço”, “vencê-los”) são pura dinamite. Por essas e outras é que às vezes fica a dúvida se ele não será um apóstolo da política da “terra queimada” e do “quanto pior, melhor”. Para já não falar das carências que, no seu caso, são realmente crónicas: a falta de cavalheirismo, de dignidade e de elegância. Espero sinceramente que a indiferença civilizada das claques e adeptos benfiquistas sejam a tónica nos próximos encontros entre os clubes – em Pinto da Costa, a única bofetada que vale a pena é a de “luva branca”. Ou seja, a que não se mistura com violência e velhacaria.

No Sporting, a quimera do ouro parece nortear as eleições: ganhará o mais rico, triunfará aquele que fizer mais promessas de injeção de capital? Faltam programas e ideias, sobram nomes e extravasam insultos. Dir-me-ão que, passadas as eleições, tudo se esquece. Não acredito que a calúnia ou o ataque vão desaguar tão facilmente na falta de memória. Relembro Churchill, que explicou à sua bancada parlamentar: “Do lado de lá [trabalhistas], temos adversários. Os inimigos, esses sentam-se ao nosso lado.”

Autor: JOÃO GOBERN

Fonte: Record

publicado por Benfica 73 às 00:45

Março 19 2011

Ao longo do jogo que opôs o Sporting de Braga e Carlos Xistra & C.ª ao Benfica, no passado domingo, foram várias as vezes que me recordei de um filme de John Carpenter, o já clássico “Eles vivem”. Na fita, há uma enorme campanha que visa entorpecer a Humanidade e que só é detetável através da utilização de uns óculos especiais, que um zé-ninguém descobre por acaso, começando aí a sua cruzada de denúncia contra os que querem evitar a exposição da verdade. Mais: muitos dos agentes dessa forma subliminar de manter o “statu quo” são, na verdade, monstros alienígenas, os únicos que lucram com a dolência inconsciente dos humanos.

 Primeiro, foi a repetição milimétrica dos métodos usados noutra sede – um “speaker” que recusa dizer o nome do Benfica e que incita as suas massas com o jogo a decorrer; uns “snipers” golfistas estrategicamente colocados, e desta vez para acertar, que nos permitiram ganhar consciência de que Pinto da Costa e António Salvador podem concorrer ao “Guinness”, como dono e encarregado, respetivamente, do maior “green” do Mundo, que vai do Dragão ao Estádio Axa; e depois, Xistra...

Se Jara vai a caminho da baliza de Artur, tendo ganho o lance pela sua rapidez e não por qualquer vantagem posicional irregular, não importa – assinala-se o off-side. Se Javi vem sendo um dos esteios do Benfica de combate, cansado mas empenhado, não há qualquer problema – aproveita-se uma jogada de contacto com Alan e deixa-se vir à superfície o talento dramático deste (pena que os óscares tenham sido uma semana antes), perfeito se descontarmos o pequeno deslize de ter começado a queixar-se do peito e ter acabado em aflições da garganta. Mas isto anda tudo ligado, não é? Não há problema, dizia: expulsa-se o espanhol, correspondendo à lesta solicitação do banco do Braga. De resto, desde o banco aos jogadores, toda a gente estava mais nervosa e mais rápida do que na recente receção ao FC Porto. Mais Xistra? A simples circunstância de – num quadro disciplinar que conseguiu até dar uma cartão amarelo a esse perigoso caçador que é Javier Saviola – Hugo Viana, Kaká e Miguel Garcia terem terminado a partida é revelador de um critério que mais pareciam... dois.

Xistra nunca devia ter pisado o relvado bracarense numa partida destas, uma vez que nem sequer do ponto de vista “dos galões” é competente para um jogo em que já se adivinhava a pressão. E o Benfica, mesmo que viesse a deixar escapar o triunfo na Liga, não merecia – pela qualidade do futebol praticado, por ser o clube que mais ajuda a manter os estádios cheios – ser afastado desta forma vergonhosa e que alguns sentenciarão como premeditada. O problema? É que eles vivem, mesmo que haja quem os não queira ver.

Autor: JOÃO GOBERN
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 01:22

Fevereiro 27 2011

Por uma vez, e registando as inevitáveis exceções dos facciosos sem formação e sem códigos, podemos aproveitar a jornada europeia para correr todos para o mesmo lado, acreditando que as quatro equipas portuguesas envolvidas podem seguir adiante. Com apenas um resultado desvantajoso à entrada para a segunda mão, e mesmo esse é tangencial, as hipóteses, mesmo desiguais, são francamente boas.

E quem anda perto do futebol sabe como seria importante – e não, não é só prestígio – que fizéssemos o pleno, avançando a quatro para os oitavos-de-final, marcando pontos, multiplicando receitas, aproximando (nem que seja um bocadinho assim…) a periferia em que vivemos do centro nevrálgico das operações. Os investimentos estariam mais próximos da compensação.

De resto, basta lembrar que os primeiros vencedores da Taça dos Campeões Europeus também foram dois clubes ibéricos. Apetece dizer – e sonhar – que o Atlético Madrid já fez a sua parte, ganhando a edição de estreia da Liga Europa; falta a armada portuguesa corresponder…

Depois desta ronda europeia, a olhar então com fé, adensa-se o calendário, sobretudo para as equipas de topo e em particular para o Benfica. Antes de mais, é – por esta altura – a única ainda envolvida em quatro frentes, uma vez que entre as suas parceiras na Europa, o FC Porto já se despediu da Taça da Liga, o Sporting há muito esqueceu o campeonato e caiu na Taça de Portugal, o Braga – quase redimensionado à era pré-Jesualdo – já percebeu que tem de acelerar na Liga dos pontos para não perder o contacto com a Europa, dando de caras com competidores inesperados como Paços de Ferreira, União de Leiria, Olhanense e Beira-Mar, que se juntam a uma corrida que ainda abarca o Vitória de Guimarães (a um ponto do Sporting e ainda à espera da visita dos leões…) e o Nacional.

Neste quadro, talvez seja o momento de os adeptos compreenderem por que Jorge Jesus não abdicou de algumas pedras menos utilizadas, antevendo que o número de jogos e o respetivo ritmo acabaria por justificar novas chamadas, e não perdeu tempo a inscrever os chamados “reforços de Inverno”, com Jardel e a sua inesperada chamada de anteontem a ser o primeiro a demonstrar utilidade e espírito combativo. Se a malapata germânica for ultrapassada – e é bom que ninguém tenha admitido ir a Estugarda a apontar ao empate –, o Benfica habilita-se, no conjunto das várias provas, a uma das melhores épocas de sempre, não só pelos resultados como pelo nível de empolgamento que regressou às exibições. Ou seja, não fosse a escorregadela inicial – a juntar à via rápida que de quando em vez se abre ao FC Porto –, e outra seria a história. Assim, em boa verdade, não há tempo para limpar armas.

Autor: João Gobern
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 00:18

Fevereiro 21 2011

Pode uma equipa praticar o futebol que o Benfica mostrou no passado domingo, frente ao Vitória de Guimarães, com a velocidade ao serviço da técnica e com esta a abrir portas à inspiração, com um massacre real infligido e continuado a uma das boas formações da Liga nacional, e não chegar a ser campeão? Pode. O “quanto baste” portista em Braga vem reafirmar a ideia de que será preciso um cataclismo para que o FC Porto deixe escapar o título. Pensou-se que seria depois da primeira derrota – ela chegou com o Nacional e os rapazes de Villas-Boas voltaram aos triunfos. Segundo momento de expectativa, depois do desaire com o Benfica – regressaram aos triunfos. Braga era um momento-chave, pelo calendário que fica a faltar, pelo abalo psicológico que a perda de pontos poderia significar, pela forma distinta como as duas equipas vêm jogando as partidas mais recentes.

Mas o FC Porto, mesmo sem o brilho que se esfumou e sem poder gabar-se de uma indiscutível superioridade (a não ser nos pontos e não vale a pena repisar a ideia de que alguns deles tiveram, como se diz agora nas televisões, “ajudas à produção”), venceu com naturalidade uma partida em que o Braga voltou a andar para trás no seu desejo de se fixar como o “quarto grande”.

Acada semana, a coisa vai-se resolvendo. Sem deslizes, correrá a favor dos que mantiveram a regularidade pontual (não a de exibições), compreendendo que também é disso que se faz um campeão. Pode é não empolgar tanto como outros, como parece acontecer por agora.

Omais curioso é que, do lado do Benfica, se ninguém parece disponível para atirar a toalha ao chão no que toca à Liga interna, já se começou a sonhar com a hipótese que os caminhos internacionais podem proporcionar: mais dois confrontos com o FC Porto para a Liga Europa. De preferência na final, se as vias do sorteio o permitirem. Mas antes, se preciso. Esse é um desejo que cresce e que, pelo menos parcialmente, vem dar a razão a Luís Filipe Vieira e a Jorge Jesus – é que a vitória, categórica e esmagadora, no campeonato 2009/2010 (em que o FC Porto até foi terceiro…) pode não ter significado de imediato o fim de um ciclo e a abertura de outro. Mas trouxe uma mudança decisiva: o Benfica já não se esconde do rival do Norte, já não se encolhe como aconteceu durante anos que os seus adeptos terão como de má memória. Pelo contrário: até pelas declarações bipolares de Villas-Boas, percebe-se bem quem é que sonha acordado com quem. E sempre ao nível do pesadelo.

NOTA – Espero que o litígio entre o FC Porto e Carlos Pereira, presidente do Marítimo, permita investigar e descobrir o que houver para conhecer, que vá até ao fim e que não acabe em acordo nem em empréstimos de jogadores...

Autor: JOÃO GOBERN
Fonte: Record
publicado por Benfica 73 às 01:54

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