Maio 03 2012

Como no filme de Peter Jackson, os selvagens gritam histéricos pelo nome do macaco grande ao mesmo tempo que lhe oferecem jovens donzelas na tentativa de lhe acalmar as fúrias: KONG! KONG! KONG!

Os selvagens formam uma turba insana. Vomitam ódio e desespero. Cospem insultos e ameaças. As ordinarices são comuns a todos: homens, mulheres, crianças, velhos... Seguem a cartilha de Chefe Palhaço que admite tratar os melhores amigos como se fossem filhos das mais reles das rameiras. É uma (in)cultura. É uma escola. Quem nela andou não esquece mais. É a escola do sarrafo , do golpe baixo e traiçoeiro, da violência gratuita e injustificável. Os gestos infames repetem-se aqui e ali e os protagonistas são sempre os mesmos: filhos do Madaleno, que se alimenta a fel e a veneno. E de cada vez que os selvagens se laçam sobre os pobres inocentes obrigados a suportar a sua incivilidade, centenas de gargantas repetem o som escabroso: KONG! KONG! KONG!
Talvez, como dizia Mário Filho, a vitória seja uma doença que só a derrota cura. Mas esta é a única forma de vencer os selvagens, o macaco gigante e o omnipotente Palhaço. Ganhar, ganhar, ganhar sempre. Cada derrota, cada queda, cada falha, <levanta do outro lado da barricada um clamor estafado: KONG! KONG! KONG!
Por isso não há caminhos de retrocesso. Ganhar é o verbo! Repitam-no teimosamente, sobretudo no presente do indicativo e no futuro. Repitam-no e conjuguem-no. A toda a hora de todos os dias. Só assim o Madaleno se esfumará tão fatuamente como foi a sua existência e os selvagens tresloucados de raiva e estupidez calarão os seus gritos de KONG! KONG! KONG!

Mas, às vezes, o futuro que parecia ser já ali fica um pouco mais longe. É então que se torna necessário encher o peito de uma paciência infinita enquanto se alarga a passada por uma estrada em cujas bermas os selvagens se babam de ranço e esperam que alguém escorregue para lhe morderem o pescoço. 
Fonte: Jornal O Benfica
publicado por Benfica 73 às 22:10

Maio 02 2012

O Criado é submisso. O Criado obedece. O Criado ladra quando o Palhaço manda ladrar. O Criado é sinistro: cola-se às sombras dos túneis de onde surge para insultar e agredir. Os túneis são um vício: têm recantos escuros, e humidade, e visco. Eles gostam de túneis: sentem-se bem em lugares onde passam despercebidos e atacam pela calada; lugares onde não há testemunhas das suas acções cobardes. Eles são como fungos: a sua violência começa por ser silenciosa, mas espalha-se à maneira dos cancros. Eles entranharam-na como uma doença. A violência está-lhes no sangue, o insulto vulgarizou-se como um hábito quotidiano. É essa a sua natureza ignóbil. Invertebrados como o Criado foram amamentados a lodo e a fel. São seres inchados e adiposos: chouriços de pus. De gente têm pouco: ou nada.

O Criado é capaz de se arrastar nu pelas ruelas de Mafamude e de Crestuma, roçando no empedrado os joelhos ensanguentados, e gritando num desespero de ansiedade para que o levem a sério: «O Palhaço é Deus!» E é. Para ele é. Deus criador de todo o minúsculo e enviesado mundo que ele conhece. Para o Criado, o Palhaço é o génio acima de todos os génios. Por ele está disposto a tudo, menos a um gesto decente. O Palhaço manda cuspir, ele cospe; o Palhaço manda desacatar, ele desacata; o Palhaço manda vituperar, ele vitupera; o Palhaço manda escoicinhar, ele escoicinha. O Criado impacienta-se por ordens. A sua existência resume-se à vassalagem. É a ser espezinhado pelo Palhaço que o Criado se sente bem. Não quer ir para além da sua pequenez de verme. Quando, num túnel, pela milésima vez, ataca uma vítima desatenta com a boca cheia de palavrões e os cascos prontos para o coice, não pensa noutra coisa senão no reconhecimento do Palhaço. E, no recôndito do seu cérebro caliginoso, lembra-se: «Para a próxima venho de carro para o túnel. Posso atropelá-los como faz o Dono. É mesmo um génio!»

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 21:05

Maio 02 2012

O Madaleno está feliz. Volta e meia, o Madaleno está feliz porque vem à cidade. Parolo, semi-analfabeto, põe-se à estrada cantarolando musiquinhas ordinárias e recitando poemas que não sabe e nem sequer sabe que não sabe. A alegria do pacóvio estende-se à comitiva que o acompanha. Todos eles vão soltando umas porcarias avulsas à medida que a carroça range pela velhinha Estrada Nacional 1, valentemente puxada por uma junta de vacas, uma raça cachena e outra barrosã, animais tão servis e bem dotados de chavelhos como aqueloutros que se debruçam sobre o Madaleno, babando-lhe a fatiota grotesca, feita à medida para a cerimónia da viagem.

O criado vem pendurado sobre uma das rodas, vomitando de quando em vez, por via do enjôo das curvas, as tripas enfarinhadas do almoço, enquanto repete para si próprio, como se rezasse o terço: «é um génio, é um génio, é um génio...» O Adiposo Sebento esforça o bestunto na invenção de mais boatos escabrosos. O Baladeiro de Tiques Afeminados, atira a malena para trás e ameaça trautear desafinadamente com a sua voz esganiçada. O copiador de Livros Alheios grunhe o ódio que lhe atormenta mais o fígado e o baço do que as garrafas de uísque barato que costuma ingerir de golada. O Merceeiro Aldrabão vai de borco, encantado com a companhia do Madaleno que confundo erradamente com Deus, disponibilizando-se de dois em dois minutos para lhe engraxar os sapatos de pregamóide e gáspias brancas.Parece um circo de aldeia com o palhaço na frente. O povo sai à rua para os ver passar, mas não se ri. 
Não suscitam alegria, provocam piedade. Vêm de véspera como os gaiteiros. Vão em charamela à bruxa da Rua da Primavera ver se todos juntos conseguem desvendar desgraças alheias. Porque, com o tempo, os homenzinhos de cócoras ficaram cada vez mais exigentes e não tarda muito já não haverá no País marafonas que chegue.  
Fonte: Jornal O Benfica
publicado por Benfica 73 às 11:07

Abril 18 2012

Acuso os Homenzinhos de Cócoras de serem venais! Acuso-os de enriquecerem num País de pobres exercendo miseravelmente o que nem sequer é a sua profissão. Acuso-os de serem autistas, cobardes e mentirosos. Acuso os Homenzinhos de Cócoras de inventarem cabalas sem nunca apontarem um culpado nem assumirem uma vítima. Acuso-os de uma insuportável vaidade, logo eles que são grotescos, incultos e trapaceiros! Acuso-os de serem o braço salvador de D. Palhaço, Imperador dos Corruptos, e dobrarem a espinha a cada palavra sua. Acuso-os de se porem em bicos de pés, algo de profundamente ridículo sabendo nós que não passam de anões. Acuso os Homenzinhos de Cócoras de fraudes reiteradas! Acuso-os de soberba, de perverter e adulterar, de malfeitorias multiplicadas ao infinito! Acuso-os de serem corporativos e de serem dirigidos em manada por quem lhes oferece prebendas.

Acuso os Homenzinhos de Cócoras de serem invertebrados! Acuso-os de estarem vendidos ao poder de quem lhes gere a carreiras! Acuso-os de errarem propositadamente em favor de uns e prejuízo de outros. Acuso-os da mais canalha das falsidades! Acuso-os de desrespeito por quem ainda está convencido que se desenrola na sua frente um espectáculo são! Acuso-os de medo, um medo que fede, um medo que se percebe à distância de quilómetros, medo da própria sombra e de sombras alheias. Acuso os Homenzinhos de Cócoras de se deixarem subornar por um prato de lentilhas e promessas vãs. Acuso-os de serem, nos dias que correm, o mais abastardo dos poderes, falsificando a seu bel-prazer, atingindo velhacamente quem ousa fazer frente à sua tutela consporcada da sua seita infame! Acuso-os de premeditação! Acuso-os de prostituição pura e simples! Acuso os Homenzinhos de Cócoras de não serem nem sequer homenzinhos e de viverem sempre de cócoras! Não sabem quem são os Homenzinhos de Cócoras??? Então atenção à vossa carteira!

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 12:14

Abril 13 2012

«La Vecchia Signora»: a velha Senhora. É assim que lhe chamam. Poderia haver alcunha mais sinistra para um clube? Não é fácil encontrá-la. A Velha Senhora é o clube do poder. Não do poder eleito, mas do poder constituído. O poder das grandes famílias: o velho poder. A história da velha senhora é uma história muito antiga, cheia de episódios macabros. A Velha Senhora tem o armário cheio de esqueletos. houve tempos em que os patrões da Velha Senhora eram, simultaneamente, os patrões da marca de automóveis que patrocinava os árbitros. Só uma voz se levantou, no parlamento, para denunciar tal atrocidade. Calaram a voz. E os árbitros continuaram, por muitos mais anos, a viajar em automóveis construídos pelos patrões da Velha Senhora e a demonstrar-lhe a sua louvável gratidão dentro de capo. Os patrões da Velha Senhora são, também os patrões de uma poderosa cadeia de meios de Comunicação. à qual pertencem dois dos maiores jornais de Itália. 

A Velha Senhora foi sempre tratada com a consideração que é devida a uma senhora velha nas páginas desses jornais. E a Velha Senhora tinha vícios secretos que não convinha serem divulgados, pois um manto de silêncio tratava de envolver confortavelmente os ombros da idosa figura. A Velha Senhora teceu durante décadas uma teia de sedosa corrupção. E viveu convicta de que nada poderia, alguma vez, pôr em causa o seu poder antigo. O problema dos velhos senhores é que o tempo passa por eles e eles não dão pelo passar do tempo. E a Velha Senhora sofreu a ignomínia do escândalo e o ferrete da vergonha. A história parece-vos conhecida? Não estranhem. Há gente que além de carecer de seriedade tem falta de imaginação. Esta semana a Velha Senhora queixou-se dos árbitros. A falta de subserviência, a ausência dos favores de outrora, fazem confusão à anciã. Nao apenas a ela. Também a outros esclerosados senhores cuja memória fede de episódios podres. A Velha Senhora dificilmente deixará de ser intimamente corrupta. Mas não é só ela, pois não?
Fonte: Jornal O Benfica
publicado por Benfica 73 às 11:25

Abril 06 2012

Ao almoço me dão pêras
Ao jantar pêras me dão
Ao lanche pão com pêras
À ceia pêras com pão 


Ia assim a lengalenga da nossa infância. Ia assim o enjoo. Mas pior ainda se Pereira não dá pêras e enjoa na mesma. Pereira vomita sentenças, vela ameaças, solta fel. Os frutos é que não se vêem. 
Pereira está aflito, tem medo. Atrás de si uivam os lobos famintos e, na escuridão húmida dos túneis, o Madaleno alimenta os fungos que o hão-de devolver à sua tristonha existência de anónimo. Todo um mundo podre está em polvorosa.
O copiador de Livros Alheios gane incessantemente baba e ranho incontidos; o Merceeiro Aldrabão agita as asas de borboleta e profere tiradas de intelectualidade de pacotilha da qual nada se retira senão a fosforescência do ódio: o Baladeiro Bacoco de Tiques Estranhos esganiça a voz de castrato e irrita-se por tudo e por nada, acentuando o seu ar de fedelho mimado que passou ao lado da bofetada pedagógica. Mas que quer esta canalha? Que pretende este este súcia de analfabetos de pai e mãe? Pedem contas? Querem saber de que lhes vale investir tanto dinheiro em prostitutas baratas e repastos de lagostas se, volta e meia, há um desses gnomos de cócoras que se recusa a fazer-lhes as vontades? Por isso ladram. Não é a injustiça que lhes dói, é a desobediência. Habituados a corromper, a mentir, a forjar, não aceitam o erro, a falha. Pela sua percepção da realidade, tudo está envolto pelo manto diáfano do suborno e da podridão. O Mundo não é, para estes tunantes, nem sequer a branco e preto. É só o preto. Sujo, enlameado, conspurcado, infecto. É disso que se alimentam e não resistem à necessidade de arrastar todos os outros para i universo inquinado que Mestre Palhaço criou. «Nem mil anos apagarão a culpa da Alemanha!», dizia-se no tempo do julgamento de Nuremberga. Nem 500 anos apagarão a culpa de tais corruptos! Por isso, CALEM-SE!
Fonte: Jornal O Benfica
publicado por Benfica 73 às 12:08

Março 14 2012
O copiador de Livros Alheios, talvez cansado de roubar parágrafos e piadas a autores estrangeiros, decidiu desta vez dedicar-se à nobre arte da culinária, transformando-se num mestre-cuca ridículo, tão parolo como daquela vez que meteu na cabeça ser de bom tom passear a grotesca carcaça pelo Parque Eduardo VII em dia dedicado à bibliografia com o enrugado pescoço de peru embrulhado num cachecol de um clube mais conhecido pelos seus feitos no campo da corrupção do que propriamente nos campos de futebol. Que a bípede ratazana é fandango, já todo os País sabe.
A sua utilidade nacional é, de há muito, arrancar gargalhadas bem dispostas a quem leva pelos caminhos de puro ridículo e do inevitável burlesco as suas diatribes avinagradas e alcoolizadas, ora vomitadas em directo numa qualquer televisão capaz de lhe alimentar os vícios, ora rabiscadas num português inteligíveis, carregado de erros de ortografia e de síntaxe, em jornais que insistem em conspurcar as suas páginas e em violar os seus princípios editoriais só para servirem de balde às suas cuspidelas raivosas. Desta vez deitou a mão a uns cadáveres de perdizes, que algum labrego da sua igualha, abateu por ele, e tratou de as enfiar num forno a lenha com tanto afinco que cozeu a própria cabeça, chamuscando aquela espécie de gato morto que usa em farripas sobre o crânio vazio como se fosse uma crina. Havia nele a vontade férrea de preparar uma lauta refeição. Vinha dos confins obscuros da Madalena um especialíssimo convidado que poderia trazer consigo não apenas jovens prostitutas como até um daqueles miseráveis homens de preto que insistiam em ficar de cócoras. Por isso, o Copiador de Livros Alheios colocou o avental. Não confundam: o biltre não é maçon. É garçon. Um dos garçons mais servis que o velho e decrépito Palhaço alguma vez teve às suas ordens. E de graça! 
Fonte: Jornal O Benfica
publicado por Benfica 73 às 17:03

Fevereiro 25 2012
O palhaço abriu a boca e babou-se, como costumava fazer sempre. Mirou as paredes coloridas como se observasse com atenção a fachada de um palácio à moda do bovino que de facto é. Viu barrigas proeminentes multiplicarem-se em seu redor, com os seus proprietários exibindo orgulhosamente umbigos e pêlos repelentes. Um desses animais, tatuado por todo o peito descaído, ensaiava a saudação nazi. Mais por vicio do que por outra coisa qualquer, o Palhaço esticou o braço e respondeu à saudação. Depois olhou em redor, meio envergonhado, continuando a babar-se. Não tinha vergonha da saudação, todos sabiam das suas simpatias por qualquer tipo de fascismo, mas não queria ser apanhado ali, sozinho, em troca de simpatias com um matulão presumivelmente mal-cheiroso, logo ele que era tão namoradeiro, benza-o Deus.
Os rapazolas multiplicavam-se pelas paredes, de um lado e do outro. Semi-nús, simiescos, esgares broncos, um sem fim de mamilos e sovacos, bocas abertas soletrando palavrões, olhos esbugalhados, sanguínolentos, exprimindo o esforço titânico do cérebro na busca de mais insultos. O Palhaço estava agradado com tamanha porcaria mas, no fundo, ia crescendo em si  um desprezo intenso por aquilo que ele considerava uma brincadeira de meninos de colo. Tanta ameaça, tanta ira, tanta cara feia e punhos fechados para quê? Toda a gente sabe que fotografias não fazem mal a uma mosca, riu-se o Palhaço para dentro. Cá comigo não há brincadeiras nos túneis! Ou os encho com criolina e mando atacar o guarda Abelha; ou atiço-lhes com o incrível Shreck e o com o outro paspalho que não sabe estar calado. Não ando cá a ameaçar pontapés na tromba e murros no nariz com slides de meia-tijela. E muito satisfeito consigo próprio, o Palhaço foi à sua vida insalubre, não sem antes ter voltado a esticar o braço, respondendo à saudação nazi do biltre que estava à sua frente, imóvel, na parede.  
Fonte: Jornal O Benfica
publicado por Benfica 73 às 12:29

Fevereiro 17 2012

De tempos a tempos, geralmente mais sobre o final do ano, as televisões fazem umas reportagens sobre o bicho. E os jornais, por simpatia, publicam-lhe os mugidos entaramelados. Por isso, de repente, vemo-nos frente a frente com o seu olhar de carneiro mal-morto, as pálpebras desencontradas, tapando meia córnea, deixando-nos da dúvida se o animal dorme ou se já se debate nas vascãs da agonia. Por esse olhar semicerrado é possível traçar-lhe a obtusidade do raciocínio. Visceralmente bronco, naturalmente lorpa, o gnu baba-se. Por entre a espuma dessa baba bovina, soltam-se insinuações e mentiras canalhas. Relho, decrépito, já no tem pêlo: meia-dúzia de repas espalham-se em redor dos chavelhos.

Felizes, submissos, os repórteres de pacotilha rastejam em frente ao chefe de manada, tirando fotografias, captando imagens, desfazendo-se em elogios, lambendo-lhe os cascos. A história mete nojo, mas repete-se do princípio ao fim dos tempos. O velho gnu rebola-se de gozo na lama fétida desses dejectos humanos. Para sobreviver, precisa que lhe afaguem o ego descomunal. O seu cérebro caliginoso não o deixa tomar noção da sua tão grande pequenez. Vive num mundo só dele e da sua súcia. Há quem garanta que tem a língua bífida das cascavéis, mas não saberia dizê-lo. Os documentários que de vez em quando o retratam, mostram-no em murmúrios, em resmoneios, em rosnidos, em mugidos. A língua mantém-se dentro da boca, segurando a placa e o falso palato. Há quem se entretenha a estudar o espécime em todo o explendor da sua estupidez. Outros, ao ver imagens tão cruas da imbecilidade do gnu, agoniam-se, são acometidos por vómitos e diarreias. É assim a National Geographic: mostra-nos os seres mais repelentes da natureza sem subterfúgios. O que faz com que muitos de nós duvidem que bichos como o velho gnu tenham sido sequer concebidos por Deus.

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 10:27

Dezembro 21 2011

A meio da manhã, ainda entontecido pelos vapores do álcool da véspera, o Madaleno espreguiçou se vigorosamente abrindo mais uma costura do seu velho roupão turco. A semana tinha sido agradável.  
 Apesar das queixas de parte da empregadagem de que já faltava dinheiro para as côdeas, o colchão da palha às risquinhas, oferecido pelo seu compincha de Manzanares na sequência da mascambilha da ave predadora que valera muita fuga de capital, estava gordo de notas de mil. O Madaleno sentia se feliz. Como de costume, na noite anterior, cosera se às paredes e ás sombras com o seu banho de varrões e surpreendera um solidário rapaz das letras em plena azáfama da sua profissão. Sabe se como o Madaleno não gosta de letras. Alfabeto como é. irrita lhe que simples sinais possam fazer sentido pelo facto de se juntarem numa ordem pré-estabelecida. 

Analfabeto como é, irrita lhe que simples sinais possam fazer sentido pelo facto de se jantarem... 

Vai daí e gritou a plenos pulmões uma série volumosa de obscenidades que atingiram o moço com a violência de um sopapo. Sopapos esses que se seguiram de imediato por parte dos cerdos que obedecem ao assobio do Madaleno como rafeiros gruins.

 O patrão deixou se ficar atrás, acoitado, babando se como um impubescente de gozo de perfídia. Era mais uma para juntar á sua lista infinita e desta vez nem precisara de o atropelar. 

 Por isso, nessa manhã, sentia se na plenitude dos seus bordalengos recursos. Voltou a espreguiçar se, o corpo evolando uma fedentina insustentável, e preparou uma piadola revoltante sobre jaulas e animais para soltar na primeira oportunidade em que um pé-de-microfone lhe surgisse pela frente. Riu se intimamente da sua própria porcaria sem graça. 
Repetiu o gesto de se espreguiçar se, revoltando a cheirar insuportavelmente. E depois só pediu a todos os santinhos que o outro não se lembrasse, mais uma vez, de fingir que era um cãozinho a urinar lhe nas bandeirolas de canto.

Autor: Afonso de Melo

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 12:22

Dezembro 14 2011

No original chamava-se «Shallow Grave». Qualquer coisa como campa pouco profunda, assim traduzido à pressa. Vem a propósito dos funerais que se ameaçam, semana após semana, lá para os lados do bairro sujo de D. Palhaço onde há tanta e verdadeira ironia como vontade de rir. Campa rasa, sim, onde o morto-vivo se debate à espera de uma definitiva impaciência do polichinelo que, de tanto enganar os outros, também se engana, por vezes, a si próprio. Dizem jornais sérios, de prosa curta, que o truão ordenou o dispersar da matilha e não viesse ainda morder os tornozelos ao pobre infeliz que se debate numa tumba de pouca terra. Estavam todos tristes no Calhabé: vencidos e vencedores.

E como era fanfarrão esse moribundo de funeral pré-marcado, orgulhoso da sua cadeira, convencido de uma capacidade que não era a sua. Ah! Pequenos crimes entre amigos também vêm a propósito. Porque o cão d’água alaranjado que cavalgou os espinhos de proenças e benquerenças para ganhar taças sem valor e sem mérito, já estrebucha agora no enxurdeiro da sua própria incompetência, somando derrotas atrás de derrotas para gozo dos ingleses que já tiveram doses que cheguem da pesporrência de Josés, para suportarem uma imitação bacoca e barata. Pequenos crimes entre amigos, sim, porque eles fervilham todos na mesma caldeira de água podre até que cada um ficasse a saber a medida certa da sua cozedura. Guincham os macacos e ladram os cães. Não perceberam ainda, nem vão perceber nunca, que vivem num circo montado pelo Madaleno no qual anõezinhos de cócoras fazem diligentemente o seu trabalho porco. A culpa não é do que está hoje deitado na campa rasa, como a virtude também não foi daqueloutro que se vai deitando na campa rasa de Holland Road. Todos eles são meros bonecos articulados, sem vontade nem cérebro. Uns são vendidos a bom preço, outros são deitados fora. E enquanto D. Palhaço se ri, os pobres pinóquios provocam pena.

Autor: Afonso de Melo

Fonte: Jornal O Benfica

publicado por Benfica 73 às 22:33

Setembro 08 2011

O tenente-coronel levou a mal. O tenente-coronel amuou. O tenente-coronel não apitou. O tenente-coronel não admite que questionem a sua competência. O tenente-coronel é, no entanto, um incompetente. O tenente-coronel é um militar que não quer saber das hierarquias. Para o tenente-coronel não há coronéis nem generais. Há ele e a sua petulância. O tenente-coronel não é um militar culto porque, como dizia o coronel Aventino Teixeira, militar culto só se for autodidacta. Por seu lado, o holandês-devorador-de-camarão-de-Espinho não gostou, ao que fazem crer certos repórteres de trazer por casa, das marisqueiras de Monte Carlo. D. Palhaço não teve desta vez influência suficiente para o arrastar para o repasto de lagosta, e o holandês-degustador-de-percebedas- Berlengas também não apitou. Isto é, não apitou ao gosto dos habitantes desse país infecto e infectado chamado Palhaçaria, no qual vigora a lei de Oeste de Pecos e onde tudo vale menos praticar a honestidade.

Aceitemos: foi uma semana de gargalhadas. Até D.Palhaço conseguiu ter graça no seu discurso arrastado e meio aéreo, tão próprio de quem tem assistido, de há muitos anos a esta parte, à invasão das circunvoluções do cérebro por uma numerosa comunidade de fungos. Que ele se tivesse posto na formatura ao lado a lado com o tenente-coronel, não é de estranhar. Que o tenente-coronel estivesse de cócoras, também já é de hábito. Quanto ao holandês-mastigador-de-ameijoa-da-Culatra, não faltará a oportunidade de apaziguar a situação. Dentro em pouco tempo será de novo encontrado numa marisqueira de Matosinhos a arrotar a navalheira e em estúpida galhofa com os empregados de D. Palhaço, achincalhando o infeliz esforço de uns espanhóis de segunda. E ninguém passará mais cartão ao tenente-coronel.

publicado por Benfica 73 às 23:51

Setembro 02 2011

Afirma Pereira que pouco se importa com vendas de jogadores. Assegura Pereira que conhece bem os caminhos escuros e as vielas escuras que conduzem à Madalena, que o clube dos cimbalinos continuará a ganhar mesmo que lhe vendam a equipa toda ao desbarato, oferecendo como brinde desvalorizados produtos madeirenses. Sabe Pereira que pelo menos os rapazinhos de cócoras não serão vendidos. Até porque ou já foram comprados ou nada valem. Está certo Pereira quando confia no trabalho dessa acocorada gente, afinal, em dois jogos já ofereceram seis pontos. Por isso, rejubila Pereira. Afirma Pereira que Jesus é egocêntrico. O que não dirá Pereira de Jesus? Afirmo eu que, com a ajuda de mais um Olegário, um Proença e um Rui Silva (suspensão 20 meses por falsificação de relatório e rapidamente de volta às touradas com direito a rabo e orelha…), se fará de Pereira um novo Vilas Boas, como se fez de Vilas Boas um novo Mourinho. Afirma Pereira muitas coisas, nenhuma delas reveladora de inteligência fora do vulgar. Está Pereira convicto de mais uma vez tudo não passará de um passeio, da brincadeira do costume no quintal dos corruptos, com toda a gente de cócoras, sempre mais de cócoras a cada frase de D. Palhaço expelida a custo pelo seu cérebro caliginoso. Se Pereira afirma, é porque sabe. Ou melhor: é porque o mandam afirmar. Estejam portanto atentos ao que afirma Pereira. E estejam também atentos ao silêncio do Pereira. Por cada afirmação de Pereira, há um Pereira que se acanha. Por cada fanfarronada de Pereira, há um Pereira de baixa a cerviz. Estão ambos a cair de podre, e serão varridos para debaixo do tapete do nosso esquecimento. Ate lá, retorçam na imunda pocilga em que alguns fizeram questão de transformar o futebol português para suprema glória e vaidade de um pobre palhaço triste que ainda julga ter graça.   

Fonte: SLB

publicado por Benfica 73 às 00:24

Dezembro 07 2010

Palhaçaria é um país curioso. Vale uma visita…

Anafado, de olhos protuberantes, cabeça calva, orelhas peludas, o Rei dos Palhaços baba-se de uma baba bovina.

Opado pelos comprimidos que lhe permitem disfarçar a impotência, rebola o olhar pelos estranhos mamíferos que o rodeiam. Há para a sua flausina do momento um dedicado vislumbre lúbrico. Repugnante mas ainda assim lúbrico. E ela, pobre tonta, cega, retribui. A qualquer momento teme-se que lhe expluda uma coronária, mas o animal é rijo e suporta o arremedo de fluxo sanguíneo.

À sua volta, encharcados por um salivar constante das suas gengivas descarnadas, os cães-palhaço esperam um gesto seu.

Na continuada farsa em que se agitam, a degola de inocentes a que acabam de assistir é apenas mais um episódio que os faz arfar de contentamento. E desta vez nem precisaram da ajuda do bando dos palhaços-pretos.

Há uns que aproveitam para enfiar nos focinhos as bolas de nariz de palhaço.

Em Palhaçaria, as bolas de narizes de palhaço não são vermelhas: são brancas. Bolas de golfe…

Como em todos os países, em Palhaçaria também há crianças que gostam de palhaços. Na sua inocência não entendem a profunda estupidez, os requintes de maldade, o humor boçal, os laivos de ordinarice sabuja. Depois crescem e entendem. E como todos os adultos deixam de ter paciência para palhaços. Sejam eles pobres ou ricos.

Em Palhaçaria os palhaços não se limitam a não ter graça. Não se limitam a ser grotescos. Não se cansam de espalhar em redor o nojo dos seus procedimentos macabros.

São apenas palhaços tristes…

publicado por Benfica 73 às 12:22

Outubro 25 2010

Que o ridículo é inofensivo e não mata ninguém já a gente sabe há muito. Assim não fora e aquele mazombo que disse uma vez que ser portista em Lisboa era como ser palestiniano em Israel teria sido entalado nos portões do Castelo de São Jorge e todos nós nos sentiríamos desinfectados por não termos de suportar os fétidos vómitos da besta.

Aliás, se o ridículo matasse poupar-nos-ia àquela fraude jornalística em figura de anãozinho encaracolado e engravatado que agora se convenceu de que poderia ter sido o n.º 10 de qualquer equipa de I Liga e o grita aos sete ventos. Como se houvesse uma I Liga de campeonato de matraquilhos…

Não. O ridículo não mata. É mais que certo! Ou então já não teríamos de aguentar com estoicismo os concertos desafinados de apito de um certo tocador de concertina recentemente exilado nas arábias. Nem bacocas evocações de um respeito temerário pela bondade da Justiça, cuspidas na televisão por um merceeiro de segunda apanha, adorador de corruptos e pronto a dar à vila Diogo de cada vez que é posta a nu a careca da sua nojenta hipocrisia.

Assim sendo, naquele teatro de marionetas em que se transformou a conferência de Imprensa do treinador do FC Porto após o jogo de Guimarães, o ridículo até pôde passar a grotesco na maior das impunidades. Bem… na maior das impunidades, não.

Quando o ridículo ultrapassa as fronteiras do ridículo merece castigo: 250 euros.

Castigo ridículo, pois claro!

publicado por Benfica 73 às 11:41

Outubro 13 2010

Há um curiosíssimo conto de Luiz Pacheco que tem um sonâmbulo como personagem principal. Escritor de profissão, levanta-se de noite no mais profundo dos sonos, retira um livro da estante e senta-se à máquina de escrever, copiando diligentemente parágrafo a parágrafo. Pelas manhãs, quando acorda, vê as resmas de papel que encheu durante a noite com prosa da melhor e pensa para consigo: “Sou um génio!”

Da mesma forma funciona o Mourinho de pacotilha que o FC Porto foi buscar às Ilhas Virgens Britânicas (onde parece ter feito uma extraordinária inovação com a introdução de cocos do mar nos lances de bola parada) que se julga um génio no final de cada jogo, ignorando o solícito trabalho de quem lhe escreve o livro das vitórias e dos pontos conquistados à custa de penáltis marcados e por marcar neste campeonato trapalhão e insalubre, que poderá muito bem ganhar o epíteto de “Campeonato do Olegário”.

É tão ridículo o fungagá da criatura que se sujeitou ao grotesco de se abraçar alegremente a Domingos depois da vitória da sua equipa (com mais um penálti perdoado no último minuto) como se a palhaçada fosse estendível a toda a gente e, sobretudo, aos adversários que têm de sofrer tais esbulhos.

Mas, em Portugal, o ridículo não mata. Nem a empáfia. Tanto assim que esse inacreditável representante da classe que não se governa nem se deixa governar, e que dá pelo nome já de si pouco crível de Olegário Benquerença, se deu ao luxo de levantar a possibilidade de calar a crítica à bofetada.

Que sina a nossa, em ter de aturar tais figurões. Um em estágio para ser chutado para um Málaga qualquer depois de ganhar um ou dois daqueles campeonatos que Alex Ferguson intitula, com humor britânico, de «comprados no supermercado» (até já há quem se esqueça que Mourinho foi o grande campeão do “Apito Dourado”...); o outro sempre disponível para a submissão, seja para não ver bolas que entrem dois metros para lá da linha de golo seja para carregar ao colo o tal de amigo Mourinho até à final dos Campeões. Ah! E como é bem paga a incompetência... Pelo meio das bofetadas, Olegário que nos diga quanto ganhou no Mundial. E é assim que os árbitros “amiguinhos” chegam todos a internacionais. O problema é que enquanto estes sonâmbulos dormem o sono profundo da sua própria mediocridade, os titereiros que lhes puxam os cordéis estão bem acordados.

publicado por Benfica 73 às 12:17

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